domingo, 21 de outubro de 2007

O outubro de Pedro Wilson

Pedro Wilson escreve hoje no Diário da Manhã sobre os 48 anos da Universidade Católica de Goiás. Já estudei lá. Fiz meu curso de Pedagogia lá. Mas, não quero discutir aqui sobre os elogios que Pedro Wilson presta à UCG. Quero simplesmente ressaltar uma parte do seu artigo. Ele diz: Outubro de homenagens e reconhecimentos a todos inestimáveis servidores públicos municipais, estaduais e federais dos campos e das cidades brasileiras. É só isso do artigo dele que me interessa.
Ano passado teve eleições. Pedro Wilson tentava se candidatar a deputado federal. Na campanha do ano passado lá estava o ex-prefeito batendo ponto na Universidade Federal de Goiás. Eu, não contente em ser só mais um pedagogo, resolvi fazer o curso de História na UFG. Estou lá até hoje na esperança de me formar no ano que vem.
Vamos voltar um pouco no tempo. Dezembro de 2004. Pedro Wilson arrumava suas trouxas para deixar o Paço Municipal de Goiânia e dar lugar à Íris Rezende, o dinossauro que muitos pensavam estar enterrado. Pedro Wilson saiu da Prefeitura de Goiânia sem pagar o salário de Dezembro de 2004. Lembro muito bem que, nos primeiros dias de Janeiro de 2005, teve uma manifestação em frente da Secretaria Municipal de Saúde. Lembro muito bem que o líder da manifestação era o deputado petista Mauro Rubem. Lá estava eu, servidor da saúde da Prefeitura de Goiânia, participando de uma manifestação e pedindo o pagamento do salário que Pedro Wilson deixou para seu sucessor assumir a dívida. Mauro Rubem nem citou o nome do ex-prefeito. A manifestação foi tão ridícula, teve tão pouca gente que o deputado petista teve a brilhante idéia de pedir para os manifestantes ocuparem a rua da secretaria. Não deu nem para atrapalhar o trânsito. No final, outra manifestação havia sido marcada para a porta do Paço Municipal.
Eis que o destino sela o meu encontro com Pedro Wilson. Quase dois anos depois de deixar a prefeitura sem pagar o salário de Dezembro de 2004, vejo-o cumprimentando as pessoas na Universidade Federal de Goiás, mais especificamente na Faculdade de Ciências Humanas e Filosofia. Eu, como todo bom caçador que vê sua presa, fiquei a espera, aguardando o momento ideal para o ataque.
Pedro Wilson chegou. Ele me cumprimentou. Cordialmente o cumprimentei. Depois falei para ele: “Professor, gostaria de lhe fazer uma crítica”. O bote estava armado. Minha presa não esperava cair naquela armadilha. Para Pedro Wilson a UFG, principalmente uma faculdade de ciências humanas, era repleta de esquerdistas ou petistas a favor da causa lulista bolivariana. Esqueceu ele que ali também tem gente de direita, gente religiosa que esconde seus pensamentos para não ser massacrado pela patrulha esquerdiopata.
Pedro Wilson se prontificou em ouvir minha crítica. Relembrei o atraso no pagamento do salário de Dezembro de 2004. Como eu queria ter gravado aquela conversa. Como eu queria ter filmado o meu encontro com Pedro Wilson e divulgá-lo no You Tube. É claro que o ex-prefeito negou. É claro que o ex-prefeito disse que tinha pago tudo. Mentira! O salário de Dezembro de 2004 ele não pagou. Aliás, eu participei do protesto contra o atraso lá na porta as Secretaria Municipal de Saúde como relatei linhas acima.
Pedro Wilson tentou desconversar. Disse que a atual administração não valorizava o servidor público e que ele já tinha ouvido várias queixas sobre isso. Eu disse: “Se Íris Rezende estivesse aqui, na minha frente, eu falaria para ele o que penso da sua administração”. Pedro Wilson falou uma frase que me deixou irado. Não pelo seu conteúdo em si, mas por eu não ter nenhum gravador para registrar. “Eu não tinha dinheiro, mas não fiz nada com o dinheiro”. Pronto! Pedro Wilson assumia que não pagou o salário de Dezembro de 2004 porque não tinha o dinheiro. E por que será que ele disse que “não fez nada com o dinheiro”? Eu disse que não estava acusando-o de nada, apenas cobrava o não pagamento do salário de Dezembro de 2004. Naquela altura do campeonato, Pedro Wilson deveria ter xingado até minha quarta geração. Porém, eu acredito em Deus e sei que praga de político corrupto e vagabundo não pega.
O ex-prefeito perguntou aonde eu trabalhava. Respondi. Não há de ver que ele teve a audácia de dizer que a unidade de saúde na qual estou lotado é uma referência não somente para Goiânia, mas para o Brasil inteiro. Pedro Wilson ainda exaltou minha ex-chefe. Disse que ela se preocupava em cortar o ponto dos servidores que não trabalhavam. Será que o ex-prefeito fez uma crítica indireta à minha pessoa? Praga de político corrupto e vagabundo não pega! Praga de político corrupto e vagabundo não pega! Pedro Wilson não sabia, mas era eu o indicado pela subordinada dele a cortar o ponto dos servidores. Fiz algumas inimizades por isso. Com o tempo pude deixar esta função árdua de lado e me ocupar de outros afazeres melhores e que fazem meu trabalho de servidor público concursado valer um pouco a pena, apesar do salário não ser lá essas coisas.
Em tempo: o mesmo Pedro Wilson que disse ter ouvido queixas de servidores contra a administração Íris Rezende dividiu palanque com o peemedebista no segundo turno das eleições estaduais do ano passado.
Pedro Wilson é o Sr. Wilson e eu o Pimentinha. Sempre quando o vejo na televisão ou leio seus textos nos jornais quero ligar a mangueira e jogar água na sua cara, quero perturbar o seu sono, quero reclamar da sua pança de mamute, quero saber o por quê do não pagamento do salário de Dezembro de 2004, quero saber aonde estava o dinheiro que ele disse ter faltado.
No texto publicado no Diário da Manhã deste Domingo, Pedro Wilson fala que, em outubro, homenageia-se o servidor público. Será que ele se lembra das reclamações daqueles servidores sobre a administração Íris Rezende? Sempre que vejo Pedro Wilson quero fazer tudo o que Denis, o Pimentinha fazia com o Sr. Wilson.

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