terça-feira, 28 de outubro de 2008

Candidato sai, prefeito entra

Por Ana Paula Verly
no Jornal do Brasil

O prefeito eleito do Rio, Eduardo Paes, quer evitar efeitos da crise econômica mundial na sua administração. Amanhã, ele discutirá com o presidente Lula e o governador Sérgio Cabral, em Brasília, formas de trazer mais investimentos para a cidade. O esforço será no sentido de manter – e até ampliar – o volume de negócios, apesar da perspectiva de racionamento de despesas em 2009.
– Temos que olhar com atenção para a crise internacional. Vamos observar no próximo mês o que vai acontecer. Esperamos que os investimentos que estão sendo trazidos para o Estado e a cidade possam continuar – disse ontem o prefeito eleito.
Paes não revelou os temas da conversa com Lula, mas adiantou que trará boas notícias.
– Vamos pressionar o presidente Lula desde o início. Ele tem um carinho enorme pelo Rio de Janeiro e tem demonstrado isso. Vamos nos manter muito próximos do presidente da República para trazer benefícios para o Rio – adiantou.
Hoje, Paes encontra-se com o prefeito Cesar Maia para aprofundar o estudo do orçamento. Ainda no segundo turno, recebeu informações da equipe de transição da prefeitura que usou para se preparar para os debates. A idéia é inaugurar 15 unidades de pronto atendimento (UPAs), a primeira delas na Zona Oeste, no próximo ano. O prefeito eleito pretende ainda gastar entre R$ 10 milhões e R$ 15 milhões na contratação de guardas municipais, que passarão a ser estatutários no novo governo.
Paes prometeu também concursos públicos para as áreas de educação e saúde. As novas contratações de médicos e enfermeiros vão compor os quadros das UPAs. Para a vaga da pasta, entretanto, faz mistério sobre o escolhido.
– O grande desafio vai ser a saúde. Temos um sistema complexo na rede federal, estadual e municipal. A integração será fundamental – despistou.
Eduardo Paes pediu a cada um dos partidos da coligação Unidos pelo Rio (PMDB, PP, PSL e PTB) e aos aliados do segundo turno (PCdoB, PDT, PT e PRB) que sugerissem três nomes para o secretariado. Apesar da ampla quantidade de apoios à candidatura, diz que vai ser fácil formar o grupo.
– O governo vai ter comando. O prefeito aqui tem experiência administrativa. Sabe como comandar a prefeitura.
Sem responder se todos os partidos serão contemplados com uma vaga, deixou claro apenas a entrada de políticos na equipe, desde que tenham competência, capacidade de realizar e honestidade.
– Sou político e ocupei três funções no Executivo. Tenho certeza de que fiz com muita competência – avaliou.
Caberá aos secretários escolher assessores e auxiliares. Paes revelou ter "horror de nomear as pessoas" e que dará autonomia aos titulares no comando das pastas. Quem for bem permanecerá. Quem não for, "vai para casa", preveniu.

PMDB fortalecido

O prefeito eleito classificou a sua eleição como uma grande conquista para o PMDB, mas preferiu não comentar o quanto a vitória aumenta o cacife do partido na disputa presidencial de 2010.
– O Rio é a segunda capital mais populosa do país. Uma cidade com muita importância na política nacional. Mas vamos tratar da prefeitura do Rio. Não quero pensar em 2010 agora – desconversou.
Paes valorizou a parceria com Lula, a quem se disse muito grato, e que qualificou como fundamental para a sua vitória.
– Ele foi um parceiro importante pela maneira correta e despojada com que nos deu esse apoio. O presidente terá um grande parceiro na prefeitura do Rio de Janeiro – agradeceu.

Kassab prepara governo voltado à periferia para tirar redutos do PT

Por Carlos Marchi
no Estado de São Paulo

O prefeito Gilberto Kassab (DEM) vai atacar a força do PT em seus derradeiros redutos no município de São Paulo. Ele interpretou que a baixa votação que recebeu nos extremos das zonas sul, leste e noroeste deve ser encarada como uma reprovação daquelas populações a sua primeira gestão, aprovada no resto do município. E essa reprovação terá uma resposta no segundo mandato: a nova administração Kassab vai investir pesado nessas três regiões, as mais pobres do município."Nunca mais perderemos lá", profetizou Kassab a três dezenas de aliados, parentes e amigos no domingo, na sala de seu apartamento, nos Jardins, logo após o anúncio da pesquisa de boca-de-urna que lhe dava ampla vitória sobre a rival Marta Suplicy (PT). Enquanto os amigos festejavam, o prefeito revelou sua preocupação com a sombra que a ampla vitória, por mais de 21 pontos porcentuais de diferença, projeta na extrema periferia da cidade.Ali o PT voltou a ganhar em alguns bairros com grande vantagem, embora com menos força do que em 2004. Kassab decidiu que, em sua segunda gestão, vai ampliar investimentos nessas regiões de baixo sucesso para PSDB e DEM - ainda que a aliança tenha, em 2008, "empurrado" Marta e o PT mais para a periferia. Kassab quer amplificar esse efeito, de forma que, em 2012, a coligação consiga virar o jogo contra o tradicional adversário também nos extremos onde o PT ainda reina.
ELEIÇÃO DIFERENTE
Lugares como Sapopemba ou São Miguel Paulista, em que o então candidato José Serra perdeu feio para Marta em 2004, agora deram a vitória a Kassab. Nas regiões mais extremas, no entanto, houve uma eleição com características inversas às da média da cidade, como se fosse outro pleito, embora com os mesmos candidatos.Em Parelheiros, no extremo sul, por exemplo, Marta venceu o segundo turno com 75,77% dos votos válidos, contra apenas 23,23%; no Grajaú, também na região sul, a vitória da petista deu-se por 74,94% a 25,06%. Na zona leste, a Cidade Tiradentes, que impôs uma derrota ao candidato José Serra, em 2004, agora voltou a derrotar Kassab por 68,82% a 31,18% - e lá o prefeito tinha esperanças de obter um resultado melhor.Kassab quer acabar com a tese de que o PT é "o partido que combate a miséria", que Marta tanto apregoou na campanha, apresentando-se como "candidata dos pobres". Para o prefeito, essas regiões votam no PT nem tanto pelo que a gestão do partido na prefeitura fez por elas, mas porque são iludidas pelo discurso populista que emoldura a pobreza. "Eu tenho compreensão do papel do governante moderno", disse Kassab. "E esse papel me incentiva a investir cada vez mais em saúde, educação e segurança. E a investir tanto mais quanto mais pobre seja a região", finalizou.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Então por que escolheram ela?

Nós não ganhamos a eleição na capital como era uma possibilidade prevista, totalmente prevista [...] É diferente uma eleição em uma cidade e uma eleição no Estado. Ela é uma liderança no Estado e no Brasil do PT. De maneira nenhuma ela é uma liderança enterrada. Agora quem o PT vai escolher para 2010, aí eu não sei. Tem que pedir [perguntar] para os nossos presidentes. Quem disse isso foi o prefeito eleito de São Bernardo do Campo Luiz Marinho. Mas se a derrota de Dona Supla era prevista por que não escolheram outro candidato? Se a derrota dela era prevista por que deixaram ela se candidatar? E quando ela estava na frente nas pesquisas a derrota dela era prevista?

Cadê a Dilma?

O PT já começa a cair na real. Sem Lula eles não são ninguém. Dias atrás, Tarso Genro disse que Dilma Rousseff era o nome do partido para a sucessão de Lula. Agora, depois da derrota nas eleições municipais deste ano, o PT já começa a falar em alianças com outros partidos. Cadê Dilma? Cadê o poder dela que os petistas espalharam por aí?

Todo mundo quer o PMDB

Outro que está feliz da vida é o PMDB. Todo mundo o quer. José Serra quer, Lula quer. Resta saber o que o PMDB quer. No mínimo tetas do estado.

O abacaxi

O PSDB está feliz da vida, não é mesmo? Batem no PT até. Batem até em Dilma Rousseff. Por que não fizeram isso desde 2003? Ah, deixa isso pra lá. Este post é para falar sobre outra coisa.
Tudo bem que é legal comemorar, extravasar a alegria da vitória. Mas os tucanos estão com um grande abacaxi nas mãos. Quem será o candidato do partido nas próximas eleições presidenciais: José Serra ou Aécio Neves? Ultimamente o PSDB não tem sabido escolher seus candidatos. Geraldo Alckmin é um exemplo. Deixem-no clinicar.
Tem que ser uma escolha muito bem pensada, planejada. Lula quer Aécio no PMDB. Vamos ver como os tucanos se comportarão daqui para frente. Claro, depois das brincadeirinhas contra os petistas passarem (que passe logo).

Eles adoram se fazer de vítimas

Muita gente está falando que Dona Supla não está morta politicamente. Alguém, por um acaso, levantou esta hipótese? Realmente os petistas adoram se fazer de vítimas.

Sônia Abrão é uma idiota

Copio o título de um post do Blog da Bárbara Gancia. Vi um trechinho do programa dela na Rede TV. Sabem quem estava lá? A mãe e o irmão de Eloá Cristina, assassinada pelo ex-namorado Lindemberg. Não se respeita mais o luto familiar nestêpaiz. E eu não respeito Sônia Abrão. Por isso a chamo de idiota.

Não entendi

Um dia depois do resultado das eleições do primeiro turno, O Popular falava que o PT goiano amargara uma derrota histórica. Na edição de hoje do mesmo jornal, o partido é colocado como um grande influente nas decisões para as eleições de 2010. Não entendi.

Os políticos e as crianças

Quando fui votar no primeiro turno aqui em Goiânia vi um papel afixado na parede da seção onde votaria informando aos eleitores que era proibida a presença de crianças na cabine eleitoral. Como não tenho filhos e muito menos crianças para olhar, nem dei bola para o aviso. Mas em todas as eleições as cenas se repetem. Os políticos vão para as cabines digitar os números na urna eletrônica acompanhado de crianças. Mas não é proibido a permanência de crianças na cabine de votação? Lula não votou ontem. Foi seu neto que votou por ele. Mas ninguém se opôs, não é mesmo?

Minimizando

Lula tenta minimizar a derrota de Dona Supla em São Paulo. Ele vai tirando o corpo dele de fora da fogueira petista. Os outros que se queimem. E olha que tem gente que adoraria se queimar para salvar a pele de Lula. O nosso iluminado disse: A eleição municipal não tem incidência automática na de 2010. É preciso que a gente separe cada eleição. Quando um cidadão vota para presidente da República, ele vota para presidente da República. Quando vota para prefeito, vota para prefeito. Não tem essa ligação direta. Lula diz isso porque sua candidata perdeu a eleição. Imagine se Dona Supla ganhasse ontem e de virada? Lula sairia esbravejando contra a elite e contra a oposição. Falaria que a oposição não é de nada e que, em 2010, elegeria seu sucessor. Como ele perdeu ontem prefere minimizar. As eleições de 2010, para Lula, só teriam alguma influência agora se Dona Supla ganhasse ontem.

Lula e a ilegalidade

Lula votou ontem em São Bernardo do Campo. Imagino a quantidade de pessoas que o cercava. Lula levou seu neto para cabine de votação. Não foi Lula que digitou o número na urna eletrônica e sim seu neto. A Justiça Eleitoral não recomendou a atitude do Apedeuta e afirmou que o mesário presente na seção deveria se opor, mas deixou o moleque apertar os números para o vovô.
Lula caminha junto com a ilegalidade. Desde deixar o neto apertar os números na urna eletrônica até montar um foro com a participação dos terroristas das Farc. Mas ninguém se opõe a isso. Tudo que Lula faz a gente acha bonito. Se um dia Lula rasgar a Constituição vai ter gente aplaudindo na rua.

Paes e seu antigo lar

Veja o que noticia a Folha online hoje:

O prefeito eleito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB), convidou o deputado estadual Pedro Paulo (PSDB) para ser o secretário-chefe da Casa Civil de seu governo. O anúncio foi feito durante entrevista ao "RJTV", da TV Globo.

O PSDB integrava a coligação do candidato derrotado Fernando Gabeira (PV), mas Pedro Paulo apoiou o peemedebista na campanha.

Vejam vocês, eu, um cara de Goiânia, opinando sobre a política do Rio de Janeiro. Estive lá recentemente. Não dei um cascudo em Eduardo Paes como escrevi num post. Vejam que ele não esquece dos seus amigos. Paes convida um tucano para integrar seu governo. Ele vai procurar justamente no ninho que ele abandonou há um ano atrás para puxar o saco do governador carioca Sérgio Cabral e, ainda por cima, pedir desculpas a Lula. Tudo isso só para ganhar as eleições municipais.
Paes não esquece do PSDB. Só esquece dos discursos e da atuação na CPI dos Correios.

Ah, estes eleitores...

E Rosinha Matheus, a Mulher Garotinho, ganhou as eleições lá em Campos, interior do Rio de Janeiro. Seria a volta da clã Little Boy na política? Aí eu lembro daquela música do Ultraje A rigor: “A gente não sabemos votar”. E não sabemos mesmo.

Paes no meio dos mensaleiros

Eduardo Paes venceu por pouco lá no Rio de Janeiro. Como meus cinco leitores já sabiam, estava torcendo por Fernando Gabeira. Pelo menos Gilberto Kassab me deu a alegria da noite de domingo. Ver Dona Supla com cara amarrada apesar do botox não tem preço.
Voltemos ao Rio. Eduardo Paes jogou o jogo lulista: o jogo sujo. Usou e abusou dos panfletos apócrifos contra Gabeira. Este também deu brechas para o adversário principalmente ao criticar duramente sua aliada na frente de jornalistas. Pô, Gabeira, fazer isso na frente de jornalista é pedir para sair na capa do jornal do dia seguinte! Tudo bem que Gabeira deu uma cutucada na imprensa, mas não a chamou de golpista e muito menos creditou a ela sua derrota.
Eduardo Paes vai comandar o Rio de Janeiro a partir de janeiro do ano que vem com os charlatães que ele tanto combatia quando era tucano. Terá não somente Sérgio Cabral (outro que criticou bastante Lula) como o PT e o PTB, os dois principais partidos mensaleiros. É Paes no meio dos mensaleiros.
E eu não vou me assustar se ele se separar de Sérgio Cabral. Eduardo Paes já foi amigo de César Maia e depois brigou com ele. Já foi do PV e do PSDB e, nesta campanha eleitoral, rasgou tudo o que fez no passado.

Tanto fez como tanto faz

Se Onaide ganhasse nos colocaria no paraíso da política em Goiás, mas o resultado a favor de Gomide não nos prejudica, favorece as alianças. O eixo PT e PMDB já está formatado e Anápolis tem força, está sentada na mesa das grandes discussões políticas goianas. A fala é do presidente regional do PMDB Adib Elias. Demonstra que tanto fez como tanto faz, o que importa é continuar ligado ao PT. Mas o PT parece que sai destas eleições não muito favorável a ser apenas um coadjuvante nesta aliança. O deputado petista Humberto Aidar já está dando mostras de que deseja ver alguém do partido como cabeça de chapa nas eleições de 2010. Será que o PMDB vai aceitar? Ora, tanto fez como tanto faz. O importante é a aliança, não é mesmo? Mesmo se um dos dois partidos racharem. Se rachar, rachou. Que a maioria (50% mais 1) seja favorável à aliança, não é mesmo? Não foi assim a aliança PMDB-PT aqui em Goiânia? Tanto fez como tanto faz.

Lula e o PMDB

Passadas as eleições municipais, os políticos voltam seus olhos para as eleições lá no Congresso Nacional. O PT quer manter o acordo com o PMDB. Michel Temer teria o apoio do PT para disputar a presidência da Câmara se o PMDB apoiar Tião Viana no Senado. Será que, depois do resultado das eleições de ontem, o PMDB e o PT manterão o acordo? Sabemos que cumprir promessa não é muito do político. E o PMDB deve começar a falar grosso não somente para os petistas no Congresso como para Lula. Vão exigir muito. Nós sabemos como os peemedebistas são. Resta saber se o PT vai aceitar. Deixo esta batata quente para Lula. Não é ele o predestinado?

Eles são assim mesmo

É claro que o PT não bate no peito e diz: “por minha culpa”. Sempre tem que jogar a culpa para quem estiver do lado. Dona Supla ontem disse que a Justiça Eleitoral favoreceu Gilberto Kassab. Ela disse que a Justiça penalizou sua campanha enquanto que raramente Kassab era penalizado. Eles são assim mesmo. Quando perdem culpam tudo e todos. Quando ganham acham que ganharam de tudo e de todos.

PT agora prioriza novo eixo

Por Marina Dutra
no Diário da Manhã

Terminada a eleição à Prefeitura de Anápolis, o vitorioso Antônio Gomide e seu irmão, o deputado federal Rubens Otoni, se lançam, a partir de hoje, em uma nova missão, talvez mais espinhosa que a empreendida nos últimos quatro meses: a articulação para a formação de um bloco de partidos que apóiam o presidente Lula no plano federal com vistas à eleição para o governo do Estado em 2010. As atenções se voltarão a Anápolis nos próximos meses por vários motivos. Primeiro, porque é o principal reduto conquistado pelos petistas nestas eleições. Segundo, porque os ânimos entre PT e PMDB se acirraram a ponto de ameaçar a convivência posterior entre os dois partidos após as eleições. A capacidade dos dois lados de curar feridas e superar diferenças em nome de um projeto único de poder será essencial ao avanço do propalado eixo.Ontem, após a totalização dos votos, Gomide evitou tratar do assunto. Disse que preferia comemorar e curtir a vitória, que escapou das mãos do irmão no segundo turno em 2004. Otoni, porém, tem dito que o PT tem maturidade para entender que as eleições municipais e estaduais se inserem em contextos diferentes. “Pretendo trabalhar para agrupar o máximo de partidos possível. Todos os esforços estão concentrados neste novo projeto para 2010”, disse ontem.O presidente regional do PMDB, prefeito de Catalão, Adib Elias, disse que Anápolis será decisiva nas articulações para formação do novo eixo. “Se Onaide ganhasse nos colocaria no paraíso da política em Goiás, mas o resultado a favor de Gomide não nos prejudica, favorece as alianças. O eixo PT e PMDB já está formatado e Anápolis tem força, está sentada na mesa das grandes discussões políticas goianas.”O deputado estadual Humberto Aidar, líder da bancada petista na Assembléia, afirmou durante a comemoração que Rubens Otoni é o nome do partido para a chapa futura, que também na opinião dele deve agregar as legendas de sustentação do governo Lula. “O nome de Otoni já é apontado para 2010. Não sabemos a qual cargo ainda, mas certamente ele lança candidatura.” Quatro vagas estão na mesa de negociação: candidato a governador, a vice-governador, e duas de candidato ao Senado. O próprio Adib e o prefeito Iris Rezende também são lembrados.

Denúncia anônima leva TRE a apreender 90 mil panfletos

Na Folha de São Paulo

Fiscais do Tribunal Regional Eleitoral apreenderam ontem, ao meio-dia, cerca de 90 mil panfletos, 35 mil deles ilegais, em comitê de Eduardo Paes. Segundo o chefe da fiscalização eleitoral do Rio, Luiz Fernando Santa Brígida, o material foi encomendado pelo PT, que se aliou a Paes no segundo turno.Os panfletos ilegais traziam a foto de Fernando Gabeira ao lado do prefeito Cesar Maia (DEM), que apoiou o candidato do PV. Os papéis estavam nos fundos de um comitê de Paes em Madureira (zona norte) e foram encontrados após o TRE receber denúncia anônima.Os fiscais ainda acharam seis embalagens para kits de lanche com os logotipos do Ministério do Esporte e da Secretaria Estadual de Esportes e Lazer, pasta em que Paes era titular.O TRE diz que Paes pode ser multado e ter o registro cassado. A decisão sai nesta semana.Pela manhã, foram apreendidos 5.000 panfletos e bandeiras com propaganda de Paes no Méier (zona norte). E, anteontem, o vereador eleito Claudinho da Academia (PSDC), suspeito de associação com o tráfico, fez campanha para Paes na Rocinha (zona sul) doando cestas básicas, o que é crime eleitoral. O TRE analisará o caso.Já Lucinha (PSDB) foi abordada por fiscais em Campo Grande (zona oeste) por suspeita de fazer boca-de-urna para Gabeira. Mas não foi detida. Na campanha, Gabeira disse que a vereadora era "analfabeta política" -ele pediu desculpas.Ainda ontem a Igreja Universal do Reino de Deus usou seu principal templo no Rio para fazer campanha, com distribuição de santinhos e "cola". ""Vamos fazer a última oração e votar. Vocês viram o bispo [Edir] Macedo [fundador da Iurd] na TV? Ele está apoiando quem?", indagou o bispo Clodomir Santos. ""Então é o Eduardo Paes", disse ele para 10 mil fiéis.Para o TRE, o que ocorreu no templo é crime eleitoral, mas nada poderá ser feito, pois não houve denúncia nem flagrante.

Eduardo Paes é eleito no Rio com vantagem de apenas 55 mil votos

Por Luciana Nunes Leal, Wilson Tosta, Alexandre Rodrigues, Silvio Barseti e Márcia Vieira
no Estado de São Paulo

Em eleição apertada, disputada voto a voto, o ex-tucano Eduardo Paes, agora no PMDB, foi eleito ontem prefeito do Rio, derrotando Fernando Gabeira (PV) com 50,83% do total de votos válidos. A vitória de Paes - graças aos votos dos eleitores de baixa renda do subúrbio - é resultado de uma ação direta do governador Sérgio Cabral, idealizador da candidatura e principal estrategista da campanha. O peemedebista também foi beneficiado pelo alto índice de abstenção, especialmente na zona sul, onde Gabeira era o preferido do eleitorado.A maior promessa de Paes, carioca de 38 anos, foi uma inédita parceria entre a prefeitura, o governo do Estado e o federal para, segundo ele, beneficiar a população pobre. O discurso ganhou força no segundo turno, quando o futuro prefeito conseguiu mensagem de apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, exibida à exaustão nos programas no horário eleitoral gratuito da TV. O peemedebista insistiu também no desconhecimento de Gabeira sobre a periferia da cidade.Paes venceu por uma diferença de apenas 55.225 votos. Com 100% das urnas apuradas, teve 1.696.195 votos. Gabeira obteve 49,17%, escolhido por 1.640. 970 eleitores. Houve 6,1% de votos nulos, 2,52% de brancos e abstenção de 20,25%, com mais de 927 mil eleitores que não compareceram às urnas. O índice de abstenção foi maior que a do primeiro turno, quando 17,91% não compareceram. Na reta final da campanha, Gabeira fez um apelo aos eleitores para que não viajassem no fim de semana, aproveitando o feriado do servidor público marcado para hoje pelo governador. Não foi suficiente. Em bairros como Copacabana, na zona sul, quase 30% dos eleitores não compareceram. Já nas zonas eleitorais de Campo Grande, na zona oeste, onde Paes tem ampla vantagem, a abstenção foi bem menor, de 14,67% e 16,28%.O resultado confirma a divisão da capital ao meio. De um lado, a periferia, com maioria de eleitores de renda e escolaridade baixas, que votou em peso em Paes. Do outro, a elite da zona sul e de parte da zona norte, eleitora de Gabeira. A diferença entre os dois candidatos ficou clara em bairros como Santa Cruz, na zona oeste, onde Paes teve 69,39% dos votos, contra apenas 30,61% do adversário. O candidato do PV teve a maior votação, com 75,86%, nos bairros de Jardim Botânico e Lagoa, que reúnem a alta classe média carioca. Ali Paes teve apenas 24,14%. Pela primeira vez em mais de 20 anos, o governador do Rio e o prefeito da capital serão aliados políticos. Para o prefeito Cesar Maia, a derrota foi dupla. No primeiro turno, sua candidata, Solange Amaral (DEM), ficou em sexto lugar. Na segunda etapa, Maia apoiou Gabeira.
DECLARAÇÃO
No primeiro pronunciamento como prefeito eleito, Paes dedicou a vitória a Cabral. Pouco antes das 20 horas, apareceu no portão de sua casa, na Barra da Tijuca, abraçado ao governador. Agradeceu também o apoio do presidente Lula, que gravou mensagem para seu programa de TV, apesar de sua atuação ácida na CPI dos Correios."Dedico essa vitória ao político que mudou o jeito de fazer política, o grande responsável por essa vitória, o governador Sérgio Cabral. O povo do Rio de Janeiro vai ter um trabalho de parceria entre o governo do Estado, prefeitura e governo federal, que vão trabalhar juntos. Agradeço muito ao presidente Lula, que teve a capacidade de vir junto com a gente, percebendo que o Rio está acima de qualquer coisa. O Rio vai melhorar, vai ficar muito melhor, com Eduardo Paes, Sérgio Cabral e o presidente Lula", disse Paes, abraçado ao governador.

PT encolhe em SP e se concentra ainda mais na periferia

Por Daniel Bramatti
no Estado de São Paulo

O prefeito reeleito Gilberto Kassab (DEM) teve uma vitória mais folgada neste ano que a de José Serra (PSDB), seu principal padrinho político, em 2004. Já Marta Suplicy (PT) conquistou neste segundo turno menos votos do que há quatro anos, quando tentava se reeleger. Kassab obteve 3,79 milhões de votos, e Marta, 2,45 milhões. A vantagem do vencedor chegou a 1,34 milhão de votos. É mais que o dobro da diferença entre Serra e a petista há quatro anos, quando o tucano conquistou 590 mil eleitores a mais.Com uma plataforma de campanha voltada para investimentos sociais, principalmente nas áreas de saúde e reurbanização de favelas, Kassab conseguiu reduzir o "cinturão vermelho" que, em 2004, deu a maioria dos votos ao PT nas zonas leste, sul e noroeste.Tradicionais redutos petistas, como Sapopemba e São Miguel Paulista, na zona leste, deram a vitória ao candidato do DEM. Nos extremos da cidade, porém, Marta manteve seus bastiões, principalmente na zona sul, onde venceu por larga margem.Na eleição passada, a chapa encabeçada por Serra - e que tinha Kassab como candidato a vice - foi escolhida por 3,33 milhões de eleitores, ou 54,9% dos votos válidos. Ontem, o prefeito obteve o apoio de 60,7%.Já Marta viu seu eleitorado se reduzir em quase seis pontos porcentuais em quatro anos, de 45,1% para 39,3%%. Em valores absolutos, o número de paulistanos que votaram na candidata encolheu em quase 290 mil - isso apesar do crescimento do eleitorado total da cidade entre 2004 e 2008. A petista venceu ontem em 16 das 57 zonas eleitorais (28%). Em 2004, ficou em primeiro em 15 das 42 zonas então existentes (35%).
REDUTOS
Em relação ao resultado do primeiro turno, o prefeito consolidou seus redutos nas áreas mais centrais e nos bairros onde estão os moradores de maior poder aquisitivo.Na 5ª Zona Eleitoral, onde votam moradores do Jardim Paulista e arredores, Kassab foi escolhido por nada menos do que 84,5% dos eleitores. Na zona 251, em Pinheiros, o candidato do DEM teve 80% dos votos. Entre os outros 20% está o voto da própria Marta, registrada como eleitora na região.Mas Kassab também avançou em regiões mais afastadas do centro. Virou o jogo em locais como Itaquera, Vila Jacuí, São Miguel Paulista, Cidade Ademar, Capela do Socorro e Pirituba, onde havia perdido no primeiro turno. No Itaim Paulista, no extremo leste da cidade, onde havia ficado em desvantagem de quase 20 pontos porcentuais, o prefeito quase empatou com a adversária na segunda rodada da eleição. Mas em Guaianases, perto dali, Marta venceu por larga margem, com 62,4%.
POLÊMICAS
Cidade Tiradentes, também no extremo leste, foi tema de um dos vários duelos da campanha por conta do único hospital do bairro, que Kassab reivindicava como sua realização. Já Marta insistia que sua gestão, entre 2001 e 2004, havia feito 60% da obra. A petista teve quase 69% dos votos na regiao.Outro local alvo de polêmica foi a Vila Formosa, onde a prefeitura constrói um CEU (Centro Educacional Unificado). A campanha de Marta acusou o prefeito de ter atrasado a obra e colocou em dúvida a promessa de inaugurá-la até fevereiro, antes do início do ano letivo. Nessa região, Kassab venceu com mais de 75% dos votos válidos.A candidata do PT colheu suas vitórias mais significativas em Grajaú (75% dos votos válidos) e Parelheiros (77%), no extremo sul da cidade. Na Capela do Socorro, região que é conhecida como "Tattolândia" por ser reduto dos petistas Arselino, Ênio e Jilmar Tatto, todos ocupantes de cargos eletivos, Kassab venceu por pouco: 50,55% a 49,55%. Em 2004, Marta derroutou Serra no local.Pesquisa concluída no sábado pelo Ibope, encomendada pelo Estado e pela TV Globo, indicava que Kassab teria 60% dos votos válidos e Marta, 40%. A margem de erro era de dois pontos porcentuais.

Kassab dedica vitória a Serra, que vê triunfo de "pluralidade e diversidade"

Por Cátia Seabra
na Folha de São Paulo

Com os olhos marejados, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) dedicou ontem sua vitória ao governador José Serra (PSDB). Ao lado de Kassab em seu primeiro discurso como reeleito, Serra, por sua vez, disse que "no Brasil, ganhou pluralidade e a diversidade".Sem citar o PT, Serra disse que "essa eleição mostra que o povo brasileiro não quer que nenhum partido, nenhuma força, tenha o monopólio do poder". "Nem lute pelo monopólio do poder", disse o tucano."O monopólio perdeu nessa eleição. Perdeu o monopólio e perderam aqueles que sonham com o monopólio também. Espero que desistam disso, da idéia de que pode ter uma força que se torne monopolista e hegemônica dentro do nosso país.Meu partido não tem essa pretensão e não terá", discursou.Questionado mais tarde sobre a que partido se referia, Serra disse que se aplicava a todos partidos e forças políticas."Isso vale para todos. Para alguns, mais do que para outros. Mas vale para todos." À saída, em conversas, Serra listou as derrotas do PT no segundo turno. E citou George Orwell para comentar sua resposta. Em "A Revolução dos Bichos", a lei da recém-fundada República dos Animais declara que "todos os animais são iguais", para, em seguida, frisar que "alguns animais são mais iguais do que os outros".Já na entrevista, Serra negou que saia vitorioso da disputa.Ele também descartou uma derrota do presidente Lula."Lula não foi derrotado em São Paulo. Ele não foi candidato. Não acho que eu seja o grande vitorioso em São Paulo", disse Serra, para quem "foi a vitória de um bom governo". Segundo ele, a vitória foi "gratificante" e representa o fortalecimento da aliança PSDB-DEM.Kassab, no entanto, reafirmou que, à medida que "a cidade dá o seu apoio a um programa que foi apresentado por Serra, ele é o grande vitorioso, junto com a excelente equipe que tem". Emocionado, Serra abraçou o prefeito.Minutos antes -quando Kassab se comoveu ao dedicar a vitória ao governador- os dois já tinham trocado um abraço. "Nesses quatro anos, tive uma grande perda: a morte de minha mãe. E tive um grande amigo que ganhei na vida, um grande líder, o José Serra, que levarei pelo resto da minha carreira. Tenho nele hoje um grande amigo e grande líder. Dedico a ele essa vitória", disse Kassab.Tanto no discurso como em entrevista, Kassab agradeceu a participação do PMDB e do PR na aliança. Em entrevista, o prefeito insistiu na disposição de manter o governo como está.O democrata reconheceu, porém, a possibilidade de "mudanças rotineiras". "Daqui para frente, estarei sempre conversando com [Orestes] Quércia [PMDB], com a Alda [Marco Antonio] com o Carlinhos [Antônio Carlos Rodrigues, do PR], com o PSC. Mas é evidente que a responsabilidade é minha.Tenho certeza absoluta que haverá solidariedade para que continue um bom governo. Não tenho constrangimento em dizer que, se puder, continuo com todos os secretários." A declaração acontece num momento em que aliados disputam por cargos, a ponto de Serra estar disposto a intervir. Na entrevista, Kassab elogiou Marta, desejando-lhe sorte, e se disse disposto a ficar por quatro anos. "Posso afirmar que ficarei os quatro anos", declarou o prefeito, antes de partir para uma comemoração ao lado do Teatro Municipal.

Kassab bate Marta por 1,3 milhão de votos

No Estado de São Paulo

Abertas as urnas, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) não só se reelegeu como também superou a vantagem que o padrinho político, José Serra, havia imposto à mesma adversária, Marta Suplicy (PT), em 2004. Kassab derrotou a ex-ministra pela diferença de 1,34 milhão de votos (60,72% a 39,28%) e o PT perdeu redutos eleitorais e foi empurrado à periferia.Em entrevista ao Estado, ele atribuiu a vitória aos acertos da gestão e à parceria com os tucanos, mas frisou: "O DEM não é anexo do PSDB." Como era esperado, insistiu na tecla de 2010: "Quero ser um bom prefeito e fortalecer a candidatura Serra." Após 4 meses dividido entre a prefeitura e a campanha, Kassab descansará por 10 dias, possivelmente na Europa. Ao voltar, vai remodelar a equipe, em jogo combinado com o governador, a quem demonstrou a sua gratidão no discurso da vitória, no Teatro Municipal.Marta acusou a Justiça Eleitoral de favorecer o rival: "Fomos sempre penalizados e ele, raramente." Aliados, para mantê-la em evidência até a eleição para governador, pressionarão o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a reconduzi-la à Esplanada. O PT, em crise, não perdoou o marqueteiro João Santana.Lula, que elegeu Luiz Marinho em seu berço político, São Bernardo do Campo, não falou em derrotas. Garantiu que a eleição não terá reflexos na sua sucessão. Para o DEM, porém, "2010 começa nesta segunda-feira", com o cortejo ao PMDB, o maior vitorioso.País afora, a eleição - que por uma urna trocada no Rio não entrou para a história como a primeira totalmente informatizada - tirou personagens do tabuleiro político e abalou outros. Kassab, em alta, chefiará no DEM as conversas sobre eleição presidencial.

Olhando o lado positivo da derrota

Sempre quando o PT está em apuros aparece algum especialista em política para dizer que o sonho não acabou, que nem tudo está perdido e que a derrota faz parte do jogo político. Caso o adversário do PT perdesse aí sim os especialistas consultados poderiam até decretar o fim da carreira política do perdedor.
Já começam a aparecer os especialistas da tropa de choque lulista. Eles falam que a derrota de Dona Supla ontem não significa o fim. E por um acaso alguém levantou esta hipótese? Ela pode muito bem dizer num debate de TV que o DEMO estava em extinção, mas nós não podemos dizer que a carreira política de Dona Supla sofreu um grande revés com a derrota de ontem. Interessante, não?
Os especialistas lulistas sempre olham para o lado positivo quando o PT perde uma eleição. Falam das propostas debatidas, da coragem de uma mulher disputar a prefeitura da maior cidade do país. Imagine se Dona Supla ganhasse de Gilberto Kassab o que os especialistas lulistas estariam dizendo? Com certeza, na visão deles, o DEMO já estaria extinto. O lado positivo para essa gente só vale para o PT. Para os adversários só as coisas negativas.

domingo, 26 de outubro de 2008

Os preconceituosos

Lula disse que Dona Supla sofre preconceito em São Paulo. Os jornalulistas também disseram isso. Olho para a quantidade de votos recebidos por Gilberto Kassab e penso: existem em São Paulo exatamente 3.790.558 preconceituosos. É gente demais, não é mesmo?

Sem foguetórios

A noite goianiense está tranqüila. Sem rojões, sem gritos de aliados em favor do candidato eleito. Temos que agradecer a Sandy Júnior, Martiniano Cavalcante e Gilvani Felipe esta calma noite quente de outubro. Iris Rezende ganhou de lavada no primeiro turno e hoje, dia de segundo turno, pudemos dormir até mais tarde e descansar numa noite tranqüila, sem foguetórios.

E Lula?

Quero ver o que Lula vai falar sobre estas eleições municipais. Sua candidata em São Paulo perdeu feio. Em Porto Alegre, cidade onde o PT dizia ser sua vitrine, também amargou outra derrota. Pelo visto, o PMDB sai fortalecido destas eleições. Quero ver o que Lula vai fazer quando a galera peemedebista bater na sua porta e pedir mais cargos, mais ministérios, mais espaço no governo.

Relaxa e goza



Dona Supla perdeu mais uma eleição. Fez uma campanha com o nível muito mais abaixo do seu salto. Tentou colar em Gilberto Kassab a administração desastrosa de Celso Pitta. Perdeu, perua! Relaxa e goza com seu argentino, Marta Favre.

Kassab sai vitorioso e ficará mais 4 anos na Prefeitura de SP

No Estadão online

SÃO PAULO - Gilberto Kassab (DEM) é o novo prefeito da cidade de São Paulo. As urnas abertas neste domingo, 26, mostraram que 61,15%% dos eleitores o escolheram para ficar mais quatro anos no comando da cidade. Mesmo com 89,76% das urnas apuradas, já era possível dar a vitória para o candidato do DEM. A adversária Marta Suplicy (PT) teve 38,85%. Em rápido pronunciamento, a petista admitiu a derrota. Com ar abalado, ela economizou palavras e disse apenas que é preciso cobrar os compromissos do novo prefeito: "Desejo o melhor para nossa cidade". A vitória do prefeito Kassab na eleição de domingo em São Paulo tem um significado especial para o partido. Enfraquecido em todo o País, inclusive em redutos históricos do Nordeste, o DEM ganha um novo impulso e um novo líder. Longe de se caracterizar como projeto unilateral, a sigla divide o sucesso com o PSDB, tendo no horizonte a sucessão presidencial de 2010. Tradicional aliado dos tucanos, o DEM quer manter seu peso político na chapa de oposição que disputará a eleição de 2010.

A aliança histórica do DEM com o PSDB passará, a partir da eleição, necessariamente pela apreciação de Kassab, que soube costurar o acerto com o governador José Serra, de quem foi vice na eleição de 2004, e levar a gestão nos moldes determinados pelo parceiro partidário. "Kassab vai se tornar um líder nacional, mas diferente. É gente nova, não é produto do ciclo militar. Será líder de um novo ciclo", disse à Reuters o ex-governador Cláudio Lembo, tradicional integrante do PFL (antigo nome do DEM). Lembo acredita que uma das principais características de Kassab, que conquistou Serra, é a sua lealdade não apenas ao governador como a seus projetos na prefeitura. "Tanto que aceitou e manteve os secretários do PSDB", analisou Lembo.

Faz parte da estratégia dos apoiadores de Kassab o cumprimento do mandato de quatro anos na prefeitura, sem a opção da candidatura ao governo do Estado em 2010. A medida também é uma das etapas para o projeto de Serra rumo à Presidência da República. "Não é uma vitória do partido. A vitória é da aliança comandada pelo Serra", declarou Guilherme Afif, articulador da candidatura Kassab junto com o presidente de honra do DEM, Jorge Bornhausen. Foi por intermédio de Afif, secretário do Trabalho do governo estadual, que Kassab, hoje com 48 anos, entrou para a política, em 1985.
O PSDB aderiu formalmente à eleição de Kassab no segundo turno, depois da derrota do candidato da legenda, Geraldo Alckmin. A ala da sigla liderada por Serra, no entanto, esteve todo o primeiro turno ao lado do prefeito.

O Democratas, novo nome do PFL a partir de 2007, elegeu apenas um governador nas eleições de dois anos atrás, no Distrito Federal. Também viu reduzida sua base no Congresso, de onde exerce seu principal papel, o de oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O partido elegeu 65 deputados em 2006, número que caiu para 54 hoje, com as trocas de legenda. Eram 84 em 2002 e 105 quatro anos antes. Para dirigentes do partido, a situação levou à renovação realizada no ano passado, com troca de nome e de presidente. A mudança, no entanto, ainda não se fez sentir fora de São Paulo.

Nas eleições municipais deste ano, o DEM não conseguiu levar ao segundo turno em Salvador o candidato Antonio Carlos Magalhães Neto, depois de ter perdido o governo do Estado para Jaques Wagner, do PT. A Bahia era o principal reduto da legenda. No Rio de Janeiro, a candidata do partido não atingiu 4% dos votos, depois que Cesar Maia e aliados ocuparam a prefeitura por quatro gestões. "O partido perde 4 milhões de eleitores no Rio e ganha 8 milhões em São Paulo", comemora Rodrigo Maia, filho de Cesar.

Propaganda polêmica

No primeiro turno, Kassab contrariou as pesquisas de intenção de voto e ultrapassou Marta no resultado final. A petista, que já foi prefeita entre 2000 a 2004, aparecia em primeiro nas sondagens divulgadas durante o período da campanha eleitoral. Já no início do segundo turno, a campanha da petista cometeu um deslize do qual não conseguiu se livrar. A peça publicitária que inaugurou o horário eleitoral na TV questionava a vida privada de Kassab. Seu marqueteiro, João Santana, produziu uma inserção com as seguintes perguntas: "Você sabe se ele é casado? Tem filhos", perguntava o locutor.

A propaganda causou indignação de partidos, movimentos e, inclusive, foi reprovado dentro do próprio PT. Marta se defendeu ao dizer que "não havia visto a propaganda antes dela ir para o ar" e, ao participar de sabatina, jogou a culpa no marqueteiro. A inserção, do jeito que foi elaborada, colocava dúvidas sobre a sexualidade do atual prefeito.

Campanha

Desde o começo da campanha, em agosto, tanto Kassab quanto Marta "colaram" suas imagens em figuras de peso: na do governador de São Paulo, José Serra, e na do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, respectivamente. O apoio de Serra, inclusive, agravou a crise do prefeito com Alckmin, e o de Lula, bem-vindo por candidatos até da oposição.

Logo no dia em que oficializou a sua candidatura, 29 de junho, Marta sinalizou o tom que iria adotar durante a campanha: atacar Kassab e deixar Alckmin de lado. O prefeito foi responsabilizado mais uma vez por Marta pela situação deixada pelo antecessor Celso Pitta. Em vários momentos, ela tentou colar o candidato do DEM a Pitta e Maluf. Ele, por usa vez, associou a petista à "quadrilha do mensalão".

Kassab era vice de José Serra e assumiu a prefeitura quando o tucano se elegeu como governador em 2006. Desde então, o democrata vem afirmando que segue à risca o projeto de Serra e ressalta a sua parceria e "lealdade" com o então prefeito.

Parceria com camisinha, né?

Eduardo Paes é o novo prefeito do Rio de Janeiro. Ele apareceu para os jornalistas feliz da vida, dedicando sua vitória ao governador Sérgio Cabral e agradeceu Lula. Ele falou em parcerias. Paes é parceiro de Sérgio Cabral que é parceiro de Lula e que será obrigado a ser parceiro de Paes. Só espero que os parceiros usem camisinha.

Eduardo Paes é o novo prefeito do Rio

Do JB online

RIO - Com vitória por 50,78% dos votos, o candidato Eduardo Paes (PMDB) é o novo prefeito do Rio de Janeiro. O candidato pelo PV, Fernando Gabeira, obteve 49,22% dos votos.
A apuração começou por volta de 17h e transcorreu de forma tranqüila. Inicialmente o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Carlos Ayres Britto, havia dito que a apuração total dos votos aconteceria em até três horas após o fim das votações, no entanto por volta de 19h10 deste domingo o nome do novo prefeito já era conhecido.
Eduardo Paes assistiu à apuração de casa, na Barra, junto com a família e na companhia do governador do Rio, Sérgio Cabral e da primeira-dama, Adriana Ancelmo. Paes vai agora para o seu Comitê de campanha, no Recreio, Zona Oeste do Rio.
Fernando Gabeira (PV) assistiu à apuração em casa, no bairro de Ipanema, na Zona Sul do Rio, com parentes e informou que sairia de casa por volta de 19h para o Hotel Royal Real Palace, em Copacabana.
Foi uma das eleições mais apertadas da qual os cariocas se lembram - os candidatos disputavam voto a voto - literalmente - o cargo de prefeito do Rio de Janeiro.
Assim que as urnas fecharam, às 17h, Paes comemorou o resultado da pesquisa de boca-de-urna do Ibope, no qual ele aparecia com 51% dos votos, contra 49% de Gabeira. A diferença, no entanto, era de empate técnico, já que a variação de dúvida é de dois pontos percentuais.
Ao receber o resultado da boca-de-urna, Paes cantou "Emoções", de Roberto Carlos e emendou:
- Estou feliz por estar à frente. A população teve oportunidade de manifestar sua vontade.
Depois da votação, o governador do Rio, Sérgio Cabral, foi à casa de Paes. Mas antes, votou em Copacabana e elogiou o peemedebista.
- É o candidato que mais conhece a cidade e seus problemas e também o que mais se preparou para as eleições - avaliou.
E criticou as obras realizadas pelo prefeito Cesar Maia:
- Quando a prefeitura faz uma grande obra, a união com o governo federal e estadual representa uma economia de dinheiro e quem ganha é o povo.
Paes passou boa parte do domingo percorrendo os bairros da Zona Oeste, que concentra grande número de eleitores e onde o candidato teve vantagem no primeiro turno. Dentro de um carro aberto, passou por Santa Cruz, Inhaiba, Campo Grande, Paciência, João 23 e Santa Maria, onde parou e entrou em uma barbearia. Supersticioso, o candidato justificou seu ato dizendo que no primeiro turno ele entrou na mesma barbearia e soube que pela primeira vez a pesquisa de intenção de votos o colocou em 1º lugar. Também foi a Madureira, Sulacape, Barros Filho e Curicica. Em Sulacape, parou para acenar para militantes do PV que o seguiam em um carro desde Madureira.
Questionado sobre a escolha dos lugares por onde passou, alguns praticamente desertos, Paes justificou: "são os locais mais populosos".
- É porque tem pouca gente nas ruas – avaliou.
Gabeira, por sua vez, insinuou durante a tarde a possibilidade de fraude no segundo turno das eleições municipais. De acordo com o candidato, foi por isso que o Partido Verde colocou uma intensa fiscalização nessa eleição. Gabeira contou que teve acesso a uma pessoa, que não foi identificada, que teria recebido dinheiro para fraudar. Os mesários iriam votar no lugar de eleitores ausentes.
- A possibilidade de fraude existe, principalmente de pessoas votarem no lugar de ausentes. Confiamos que nossa margem de vantagem será superior a qualquer tipo de fraude permissível em uma urna eletrônica – disse.
Os dois candidatos votaram antes das 9h. Gabeira chegou às 8h22 na Escola Pedro Ernesto, na Lagoa, Zona Sul. Após votar, percorreu a Zona Sul e a Lapa e destacou que sua campanha foi limpa e que recebeu muitas doações pela internet.
- É uma luta contra a máquina estadual e federal - ressaltou. - Gastamos R$ 4 milhões, valor que Paes gastou só no primeiro turno.
O candidato do PMDB votou às 8h50 no Itanhangá Golfe Clube, em São Conrado, na Zona Sul, depois de ir à Igreja da Penha e à Igreja de São Jorge, em Quintino, ambas no subúrbio:
- Acho que a população entendeu nossa mensagem.
Paes comentou ainda a apreensão de 5 mil panfletos, 20 bandeiras grandes e 70 bandeirinhas, na Avenida Vinte e Quatro de Maio, no Rocha.
- Não é bom que isso tenha acontecido na rua. É bom que todo mundo vote com muita tranqüilidade, permitindo a população escolher livremente o seu candidato - disse.
Bruno Heleno Coelho, 30 anos, motorista da van em que estava o material, foi detido e levado para prestar depoimento no Ministério Público. Bruno trabalha há um mês na campanha de Paes.
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) informou que, ao todo, foram 112 urnas substituídas em todo o Estado, o que corresponde a 0,91%.
Na 17ª Zona Eleitoral, seção eleitoral 182, no Colégio Santo Agostinho, no Leblon, os eleitores tiveram que fazer votação manual, com cédula de papel. Há a informação de que alguns votos foram perdidos.
Em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, cinco urnas foram trocadas. Em Petrópolis, na Região Serrana, foram oito máquinas. No Rio foram 99 urnas substituídas.

Gabeira reconhece derrota

Fernando Gabeira reconheceu a derrota na eleição do Rio de Janeiro. Na entrevista coletiva, ele agradeceu o apoio dos seus aliados. Disse que vai trabalhar juntamente com a iniciativa privada no combate à dengue.

Dona Supla reconhece derrota

Dona Supla reconheceu sua derrota nestas eleições. Ela já ligou para o prefeito reeleito Gilberto Kassab. De acordo com as urnas apuradas 3.314.090 eleitores preferiram Kassab a Dona Supla. Seriam estes eleitores preconceituosos? Porque Dona Supla sofre preconceito segundo alguns. É, vai ver estes três milhões são todos cobertos de preconceito.

PT e PMDB vencem nas principais cidades goianas

Nas principais cidades goianas o PMDB e o PT venceram. Os peemedebistas ficaram com Goiânia e Aparecida. Hoje, Antônio Gomide do PT foi eleito prefeito de Anápolis. Isso quer dizer que já está consolidada a dobradinha PT-PMDB para 2010? Eu tenho minhas dúvidas. Se depender do PT daqui de Goiânia vai ter racha.

Lula sozinho não transfere votos

“Vou fazer o meu sucessor” dizia Lula há um tempo atrás. Há um tempo atrás muito se acreditava que os candidatos indicados por Lula ganhariam facilmente as eleições municipais. Afinal, um presidente popular indica um candidato e a popularidade presidencial se transfere para este candidato.
Lula terá que rever seus conceitos ao pensar em dizer que fará o seu sucessor. É inegável que ele é um cara popular. Mas ser um presidente popular não significa transferência de votos.

Gomide eleito

Antônio Gomide (PT) foi eleito prefeito de Anápolis. Ele obteve 122.245 votos totalizando 75,63%. Onaide Santilo (PMDB) obteve 39.394 votos ou 24,37%. Votos em branco foram 3.264 e nulos 6.230.

Abstenção grande

Não acompanho a vida e muito menos a política de Anápolis. Só acompanho agora por conta das eleições. Estou acompanhando pelo Estadão online. Me impressiona a quantidade de abstenções nas eleições lá. De acordo com os dados 43.868 eleitores se abstiveram de votar. É um número muito maior do que a candidata do PMDB Onaide Santilo recebeu. É uma coisa para se questionar.

Oposição sempre e Sempre no Ataque

Estou acompanhando a apuração dos votos deste segundo turno em vários sites. No cabeçalho do Blog do Noblat sempre tem uma frase do dia. A de hoje é do nosso Iluminado: É a primeira vez na história do Brasil que todos os candidatos do PT ou do DEM trabalharam a favor do governo. Ninguém falou mal do governo federal.
É por isso que Lula está tão bem, tão popular. Ninguém fala mal dele ou do seu governo. Todo mundo quer, além de tirar uma casquinha da sua popularidade, falar ao eleitorado que as promessas de campanha serão custeadas pelas variantes do PAC.
Vejam o exemplo de Anápolis, interior de Goiás. A disputa lá é entre Antônio Gomide (PT) e Onaide Santillo (PMDB). Os dois candidatos valorizaram Lula. Os dois candidatos falaram que estavam com Lula. O que eu sempre falo aqui quando surge mais uma pesquisa que mostra a popularidade de Lula? Ninguém fala mal do governo. Do PT ao DEMO todo mundo quer ou tirar uma casquinha da popularidade do Apedeuta, ou uma verba dos vários PAC que existem e que ainda existirão. Eu não quero seguir o que diz a maioria. Sigo os meus próprios pensamentos, escrevo o que quero e não deixo petralha nenhum me pautar. Oposição sempre e sempre no ataque.

Boca de Urna - Ibope

* São Paulo

- Gilberto Kassab (DEM) – 60%
- Marta Suplicy (PT) – 40%

* Rio de Janeiro

- Eduardo Paes (PMDB) – 51%
- Fernando Gabeira (PV) – 49%

* Belo Horizonte

- Márcio Lacerda (PSB) – 56%
- Leonardo Quintão (PMDB) – 46%

Nada de novo

As pesquisas de boca de urna divulgadas agora pouco pela Globo não mostram muitas alterações das pesquisas anteriores. Gilberto Kassab ganha de Dona Supla e Eduardo Paes e Fernando Gabeira estão tecnicamente empatados.

Aqui não vai ter foguetório

No final do primeiro turno, com a vitória de Iris Rezende, a noite de Goiânia foi iluminada com fogos de artifício. Como se a vitória de Iris não fosse algo esperada. Como se Sandy Júnior esboçasse alguma reação.
Mas hoje será diferente. Não haverá foguetórios. Tanto o apartamento como o comitê político de Iris ficam perto da minha casa. Espero que esteja tudo em paz. Não sei se na Praça Cívica, sede do TRE, alguém de Anápolis virá para cá acompanhar a apuração dos votos. Não tem cabimento, né? Que façam foguetórios, mas longe daqui.

Depois não digam que eu não avisei

Abaixo postei uma reportagem que saiu hoje no Estado de São Paulo falando sobre a desilusão dos ícones direitistas americanos com a campanha de John McCain. Talvez sejam apenas vozes isoladas, mas parece que muita gente lá nos Estados Unidos, até republicanos, “obamaram” de vez.
Mas não podemos nos esquecer das prévias do começo do ano. Quem acreditaria que McCain seria o escolhido? Hoje questiona-se o heroísmo do republicano na Guerra do Vietnã. Por que não questionam a origem de Barack Obama? Ora essa, porque muita gente lá nos Estados Unidos “obamou” de vez.
Aí, se Barack Obama for mesmo eleito, vai ser um desastre. Depois não diga que não avisei.

Gasto com dívida segura investimentos

Por Toni Sciarreta
na Folha de São Paulo

As empresas brasileiras com ações em Bolsa devem destinar cerca de 70% de seus ganhos para cobrir despesas financeiras com juros e variação cambial no terceiro trimestre deste ano, segundo projeção da consultoria Economática.Isso significa que essas empresas terão menos dinheiro e propensão para investir nos próximos meses. Tenderão a cortar custos e despesas, comprometendo ainda mais o crescimento da economia.No estudo, a consultoria percebeu uma relação bastante estreita da evolução das despesas financeiras das empresas abertas com a variação do dólar pela Ptax, a média do Banco Central para ajuste de contratos na BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros). O grosso das despesas financeiras refere-se ao pagamento de juros das dívidas, deduzindo a variação cambial e eventuais saldos com aplicações financeiras.Com a alta de 20% da moeda americana no terceiro trimestre, a expectativa é que as despesas com juros e câmbio batam facilmente em R$ 17,067 bilhões, montante que deve consumir 71% do lucro operacional (da ordem de R$ 24 bilhões) das empresas abertas. O lucro operacional é o ganho obtido na atividade-fim da empresa, antes do pagamento de tributos, juros e dos dividendos aos acionistas."Se essa previsão se confirmar, vai ser um desastre. Para metade das empresas, o pagamento das despesas financeiras vai levar ao prejuízo. Teremos uma maré vermelha nos balanços do terceiro trimestre. E não falamos até agora do avanço das aventuras com derivativos. Nossas projeções foram feitas com base nos últimos trimestres, quando essas aventuras ainda eram menores", disse Fernando Exel, presidente da Economática, que já vê essa tendência nos primeiros balanços divulgados.A Economática analisou dados de 241 empresas, excluindo Vale e Petrobras, nos últimos nove trimestres. Também considerou que as empresas mantenham o mesmo comportamento de rolagem de dívida e de exposição cambial.O comportamento do câmbio, que, com o fortalecimento do real, reduzia o custo da dívida das empresas, chegando até a zerá-lo no ano passado, agora tem efeito contrário, turbinando o endividamento.No segundo trimestre de 2007, quando o dólar desabou 6,06%, as empresas pesquisadas tiveram ganho financeiro -entenda-se com o câmbio- de R$ 5,551 bilhões, capaz de praticamente zerar as despesas de R$ 5,577 bilhões, a maior parte com juros.No segundo trimestre deste ano, os ganhos com câmbio foram mais do que suficientes para pagar juros da dívida e ainda sobrou R$ 1,643 bilhão -no caso, tiveram despesa financeira líquida negativa- para compor o lucro dessas empresas. Agora, a situação se inverteu."As empresas estão acostumadas com resultado financeiro menor do que o gasto com os juros. Tinha o pagamento do juro, mas havia um alívio pelo câmbio, que era cadente. Em junho, houve ganho. De repente, elas vão se deparar com uma despesa de R$ 17 bilhões. O lucro operacional inteiro vai para o ralo. Não vai sobrar nada para o governo nem para o acionista. Não é o fim do mundo, mas é um trimestre inteiro perdido", disse Exel.
Incertezas
O comprometimento do caixa das empresas com essas despesas agrava ainda mais o quadro de grandes incertezas e baixa confiança dos empresários por causa da crise econômica."Essa incerteza em relação às perdas cambiais das empresas será um suspense até a divulgação de todos os balanços do terceiro trimestre, em meados de novembro. A incerteza é tão grande que nem os US$ 50 bilhões do governo [para evitar a disparada do dólar] mudou o cenário do câmbio no curto prazo. Vai continuar preocupante, vai afetar a inflação e, no limite, vai fazer com que a Selic [taxa básica de juros] fique mais tempo elevada, por conta dos riscos inflacionários. Já a certeza em relação à atividade mais fraca existe e é concreta", disse Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados.Para Exel, a situação só não é mais preocupante porque a maioria das empresas prejudicadas pelo endividamento em moeda estrangeira terá mais receitas com as exportações."O impacto [cambial] que vai ter nas receitas das empresas é outra história. Se o dólar estacionar aí, as receitas também serão maiores. Insolvência total não teremos. Ninguém vai ter problema de caixa por causa da variação cambial na dívida. Isso é administrado, aconteceu em 1999 e em 2002. Agora, se o dólar cair, isso tudo se reverte. Nesse caso, vai aparecer, de novo, um superganho financeiro", disse Exel.Segundo Fabio da Paz, especialista em câmbio do Ibmec-SP, as empresas com receita em dólar foram as que mais se endividaram em moeda estrangeira, e agora devem se beneficiar com o dólar valorizado. "Ninguém esperava essa variação em tão pouco tempo. Mas, quando o dólar se valoriza, é favorável também para melhorar as exportações. Só que o mundo fala em recessão [nos Estados Unidos e na Europa] e a expectativa de faturamento dos exportadores está sendo revisada para baixo", disse.

Ícones da direita expõem desilusão com a campanha republicana

Por Patricia Cohen
no Estado de São Paulo

Os intelectuais conservadores americanos descobriram nas últimas semanas que a crítica tem mão dupla. Elogiaram, alternadamente, em sucessivas colunas, as virtudes de John McCain e Sarah Palin - os candidatos a presidente e vice à Casa Branca pelo Partido Republicano -, e lamentaram seus revezes. O colunista George F. Will comparou a "bolha Palin" à exuberância irracional das bolhas das empresas de tecnologia e imobiliárias que acabaram explodindo. O escritor e humorista Christopher Buckley foi mais direto e anunciou que votaria no candidato democrata Barack Obama. Essa decisão, vinda do filho de William F. Buckley Jr., um dos intelectuais que fundaram o moderno movimento conservador, levou ao ápice o crescente desconforto da turma com os rumos da campanha republicana.A apenas dez dias das eleições, é impossível saber se a desilusão da intelligentsia conservadora é a evidência de um descontentamento igualmente difundido em toda direita ou reflete apenas o eco de um punhado de críticos famosos. O fato é que há 30 anos que não se via tamanha revolta. Um dos mais influentes intelectuais da direita americana, o colunista do Washington Post Charles Krauthammer, deu um puxão de orelhas em McCain por sua "frenética improvisação", e elogiou a "inteligência e temperamento superior" de Obama. Indubitavelmente, todas estas vozes têm um grande peso. Por outro lado, é justo perguntar-se se, numa eleição em que votam milhões de pessoas, as opiniões de supostos "especialistas" realmente importam.Durante mais de meio século, o movimento conservador insistiu que "as idéias têm conseqüências", o que implica que escritores e pensadores influíram profundamente na formação do destino da direita. William Buckley criou a revista National Review em 1955, em grande parte por acreditar que publicações liberais, como The Nation, The New Republic e outras do gênero haviam criado o "monopólio da informação sofisticada" e, portanto, podiam ditar o programa político. Por esse motivo, os escritores que colaboram com a National Review e outras publicações conservadoras têm o cuidado de manter um consenso em torno de princípios fundamentais. Evidentemente, uma unanimidade seria impossível.
MUNIÇÃO
A força do movimento, porém, baseou-se na disciplina. Escritores e pensadores conservadores podiam discordar, mas até certo ponto - e tomaram o cuidado de enfatizar os pontos de convergência e matizar as divergências. Apontá-los para o público só enfraqueceria o movimento e daria munição aos adversários. Essa mentalidade pode ser em parte responsável pelos mais de 12 mil e-mails que Parker disse ter recebido depois de ter anunciado apoio a Obama, muitos deles contendo insultos e ameaças. Christopher Buckley revelou também ter recebido mensagens de muitos leitores irritados depois que ele declarou sua apostasia em The Daily Beast, site editado por Tina Brown, integrante da "elite liberal da mídia" - liberal, vale lembrar, é como os americanos tacham os esquerdistas. Evidentemente, não está na natureza dos comentaristas políticos guardar suas opiniões para si. Em 1964, por exemplo, publicações conservadoras famosas, como os dez jornais do magnata William Hearst, abandonaram o apoio a Lyndon Johnson na batalha contra Barry Goldwater. Uma década mais tarde, Irving Kristol, Norman Podhoretz e Richard John Neuhaus, que eram liberais , lideraram a onda de críticas contra o Partido Democrata, que acusaram de não ser enérgico com a União Soviética e de contribuir para o declínio moral do país. Esses neoconservadores ajudaram a preparar o terreno intelectual para a vitória de Ronald Reagan, em 1980.
PESO INTELECTUAL
"Embora o número real de neoconservadores fosse reduzido, eles exerciam peso intelectual", disse Allen Matusow, professor de História dos EUA na Rice University, e autor de The Unraveling America: A History of Liberalism in the 1960s. Nesse caso, eram intelectuais que acompanhavam de perto a cultura como um todo. "Os neoconservadores constituíram um mero sintoma do sentimento difundido de que os EUA haviam perdido a liderança na Guerra Fria", observou Matusow. O colunista David Brooks, do New York Times, que recentemente definiu Palin como um "câncer do Partido Republicano", afirma que o movimento atualmente está às voltas com um debate: "Deve voltar aos princípios básicos de Ronald Reagan ou buscar alguma outra coisa? Eis o problema central."Resolver essas questões fundamentais poderá levar anos, disse Brooks, observando que, na Grã-Bretanha, o Partido Conservador levou uma década e meia para reinventar-se, depois que Margaret Thatcher deixou o cargo. Após a derrota de Goldwater, em 1964, a direita americana lutou por 16 anos antes que Ronald Reagan finalmente fosse eleito presidente.Hoje, com a política de George W. Bush e o colapso de Wall Street, os conservadores da velha guarda chegam a conclusões conflitantes quanto ao rumo que o Partido Republicano deve tomar. O comentário desiludido de conservadores credenciados pode ser o começo de um movimento que divide as bases, um movimento cujos intelectuais, há muito tempo, não se sentem à vontade, por exemplo, por causa do crescente poder na era Bush dos evangélicos, que pregam o criacionismo e duvidam da ciência.

Militares relatam morte de guerrilheiros do Araguaia

Por Sérgio Torres
na Folha de São Paulo

Militares que participaram na primeira metade dos anos 70 da repressão à guerrilha organizada pelo PC do B na Amazônia contaram em depoimentos ao Ministério Público do Pará ter presenciado torturas e a morte de guerrilheiros e camponeses pelo Exército.Outros militares que também atuaram contra a guerrilha do Araguaia -região formada por áreas do sudeste do Pará, norte de Tocantins e sul do Maranhão- disseram à Folha, em Ipameri (cidade a 200 km de Goiânia), que, além de mortes e torturas, assistiram ao enterro de comunistas cujos corpos jamais apareceram.O Exército anunciou que não comentaria as novas revelações. Cerca de 70 corpos de guerrilheiros permanecem desaparecidos. A guerrilha foi aniquilada em 1975, após três anos de ação militar.Pelo menos dez depoimentos foram prestados em 2005 por iniciativa dos militares, em Marabá (PA). Eles serviram de base para as ações da Justiça Federal em Brasília em que cerca de 600 ex-combatentes requerem indenização por supostas seqüelas físicas e mentais sofridas no Araguaia.No último dia 7, ex-soldados reuniram-se em Ipameri para discutir as ações. O ex-soldado Jairo Pereira, 58, conta que no cemitério de Xambioá (TO) acompanhou o enterro de um guerrilheiro em junho de 1972. Ele dirigiu o jipe que levou o cadáver ao cemitério. Segundo Pereira, com ele estavam um sargento e um cabo.Pereira diz que nunca soube o nome do morto. Pela época e pela descrição, o cadáver só poderia ser de Bergson Gurjão Farias, o Jorge, que morreu aos 25 anos em 2 de junho de 1972, numa emboscada. Ele teve o "corpo crivado de balas", relatam em "Operação Araguaia-Os Arquivos Secretos da Guerrilha" (Geração Editorial; 2005) os autores Taís Morais e Eumano Silva."Do peito para baixo, estava todo arrebentado, todo baleado, todo cortado. Deram uma rajada em cima dele. No cemitério, foi enterrado num cantinho, numa sepultura de terra."Também combatente no Araguaia, o ex-soldado Raimundo Pereira de Melo, 54, diz que há erro em documentos da Marinha divulgados em livros sobre o Araguaia com dados da morte da guerrilheira Telma Regina Cordeiro Corrêa (Lia).Os documentos informam que ela morreu em janeiro de 1974. Melo diz que tomou conta de Lia na base de Xambioá em setembro daquele ano. Afirma que a levou até um helicóptero militar, que decolou a seguir. Pouco depois, o aparelho voltou sem Lia. Para Melo, ela foi jogada na selva."Afirmo pela felicidade dos meus filhos que essa senhora não foi morta no inicio de 1974, pois em 7 de setembro, entre 16h30 e 17h30, ela chegou de helicóptero à base de Xambioá, encapuzada com um saco de estopa e levada para a casa onde eram torturados os guerrilheiros. Tirei serviço de guarda das 22h à 0h e das 4h às 6h, na vigia. Depois das 7h, a escoltamos até a pista de aviação, onde foi entregue ao piloto, que estava com um "carrasco"."Do encontro participaram soldados que deram nova versão para o confronto de 30 de setembro de 1972, em que morreram os guerrilheiros Juca (João Carlos Haas Sobrinho), Flávio (Ciro Flávio Salazar de Oliveira) e Gil (Manoel José Nurchis). O episódio é relatado por historiadores do Araguaia, mas não da forma como se passou, segundo os ex-militares.Sebastião Elias, 55, e Joaquim da Silveira, 55, falam que Juca e Flávio morreram no primeiro ataque dos militares. Gil teria resistido por cinco horas."O terrorista ficou vivo, mas muito ferido nas duas pernas. O sargento que comandava o grupo, Antenor Vaz, esperou, gritou para ele se entregar, ele não se entregou. Ao meio-dia, foi disparado um tiro. Ele havia se matado com um tiro na cabeça", relembrou Silveira.Ao Ministério Público, o ex-militar Severiano Maciel de Souza, 58, disse que em 1974 viu o guerrilheiro Daniel Callado ser embarcado em um helicóptero por militares. Doca, codinome de Callado, não foi visto mais. Souza afirmou que um camponês chamado Batista e "uma senhora" da região, acusados de ajudar os guerrilheiros, foram torturados.

Menos da metade das Assembléias Legislativas demitiu parentes

Por José Maria Tomazela
no Estado de São Paulo

Dois meses após o Supremo Tribunal Federal (STF) proibir a contratação de parentes até terceiro grau nos três Poderes, menos da metade das Assembléias Legislativas acatou a determinação. Levantamento feito pelo Estado no Executivo e no Legislativo dos 26 Estados e do Distrito Federal mostra que ainda há resistência à aplicação da lei. Dos 27 parlamentos, 10 fizeram demissões após a publicação da súmula. Em 11 Assembléias Legislativas, não houve demissões e outras seis informaram não haver parentes ou terem eles sido demitidos anteriormente. No Judiciário, os Tribunais de Justiça já cumprem resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contra o nepotismo, baixada há dois anos. Nos governos, a demissão atingiu apenas casos mais visíveis, como o de parentes diretos de governadores e secretários. Ao todo, as assembléias informaram ter demitido 278 servidores, número considerado muito inferior ao real pelo Ministério Público. Nesse total está incluída a AL de Sergipe, que, até sexta-feira, contabilizava uma única demissão - o presidente Ulices Andrade (PDT) exonerou o filho, funcionário do controle interno da Casa, para "dar exemplo". Assembléias de sete Estados deram mais prazo para que seja apresentada a lista dos exoneráveis. No Maranhão, o limite de 60 dias vence em meados de dezembro. Até lá, servidores em situação irregular continuarão recebendo salários. No Pará, a mesa solicitou aos deputados que cumpram a lei, mas ninguém se moveu. Foi preciso que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) pedisse um levantamento, que ainda não ficou pronto.Em Roraima, como a listagem dos possíveis parentes estava demorando, o Ministério Público interveio. O prazo de 20 dias dado para as demissões vence no final do mês. O pagamento dos que devem ser exonerados será bloqueado. No Legislativo do Rio Grande do Norte, ato da mesa obrigava deputados a indicarem parentes, mas o prazo não foi estipulado. Como houve questionamento do MP, o processo voltou à estaca zero. "Em função dessa consulta, foi dado um novo prazo", esclareceu Luciano Herbert, assessor de comunicação. A Assembléia de Goiás, que não exonerou ninguém, trata a aplicação da súmula como uma "questão interna". No Amapá, a informação é de que "ainda não se discutiu o assunto". No Espírito Santo, a deputada Aparecida Denadai (PDT) tenta aprovar há um ano um projeto de emenda constitucional que proíbe o nepotismo no Estado. "Há seis sessões o plenário se esvazia na hora da votação", disse. Com a edição da súmula, um deputado governista entrou com pedido para uma readequação no projeto. "Entendo como uma medida protelatória." Ela disse ter conhecimento extra-oficial da existência de parentes tanto na Assembléia quanto no governo - na semana passada, o governador Paulo Hartung (PMDB) exonerou uma cunhada. Em São Paulo, ocorreram 66 demissões, mas a Assembléia não informou se todos eram parentes. No Rio, a Assembléia Legislativa (Alerj) não informa o número de dispensados com base na súmula. Ocorreram demissões, mas não se sabe se eram familiares dos deputados. Desde 2005, uma lei específica aprovada pela Alerj proíbe a contratação de parentes, admitindo a permanência apenas dos nomeados anteriormente. Nas demissões na AL do Amazonas, foram listados 32 nomes sem especificar de quem eram parentes. O presidente da Casa, Belarmino Lins (PMDB), tinha 12 familiares empregados, inclusive a mãe. Os legislativos do Acre e de Santa Catarina fizeram 31 demissões cada. Em Tocantins, foram exonerados cerca de 40. O número de cortes na AL de Mato Grosso não foi divulgado. Em Minas, a assembléia não forneceu números. Informou apenas que todas as exonerações foram publicadas no Diário Oficial do Estado e a relação, encaminhada ao MP. O presidente da Assembléia Legislativa de Pernambuco, Guilherme Uchoa, garantiu que o nepotismo está extinto na Casa. No início de setembro, ele exonerou o filho Guilherme Uchoa Filho, seu assessor especial em 14 anos como deputado estadual. Desde a vigência da súmula, estima-se que cerca de 40 parentes, entre esposas, filhos, tios e genros de parlamentares com salários entre R$ 1,2 e R$ 5 mil, tenham sido demitidos. No Distrito Federal e em Rondônia, as demissões ocorreram dois anos antes, em razão de lei própria. O mesmo ocorreu na Bahia, onde 26 parentes de deputados foram demitidos no ano passado - entre eles, oito pais de parlamentares. Nos Tribunais de Contas do Estado, foram contabilizadas 191 demissões, mas restam casos a serem resolvidos. O TCE de Santa Catarina exonerou quatro servidores e criou uma comissão para verificar se há mais parentes entre os 515 funcionários. No TCE do Rio Grande do Sul, o presidente em exercício, Porfírio Peixoto, confirmou que emprega três concunhados e dois sobrinhos de sua mulher, com ressalva que os vínculos são por afinidade e não por consangüinidade e em grau permitido pela legislação. Também explicou que seu colega, o conselheiro Hélio Mileski, em férias, emprega dois filhos de desembargadores há menos de dois anos, enquanto tem dois filhos no Tribunal de Justiça há mais de dez anos. Ele não considera que sejam casos de nepotismo cruzado porque as nomeações não foram feitas por reciprocidade.O TCE do Piauí exonerou 35 pessoas e, em Mato Grosso, houve 34 dispensas. No Rio, foram 17 exonerações. Em Minas, detectaram-se as manobras para manter parentes contratados sem concurso. Exonerada no dia 1º de setembro do cargo de chefe de gabinete de conselheiro no TCE, Aline Riela Toledo, filha do conselheiro Simão Pedro Toledo, foi nomeada dias depois para cargo na Assembléia Legislativa, com salário de R$ 7,8 mil. Após a repercussão negativa do caso, teria pedido para ser demitida. O TCE mineiro exonerou 14 servidores parentes de conselheiros e outros funcionários.

Paes e Gabeira chegam ao final empatados

Na Folha de São Paulo

O eleitor do Rio de Janeiro chega ao dia do segundo turno dividido, com uma previsão de margem pequena entre os dois candidatos a prefeito. Pesquisa Datafolha realizada ontem e anteontem mostra Eduardo Paes (PMDB) com 51% -oscilação negativa de um ponto- contra 49% de Fernando Gabeira (PV)- oscilação positiva de um ponto-, entre os votos válidos, dos quais são excluídos brancos, nulos e indecisos.Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, Paes pode ter entre 49% e 53%, e Gabeira entre 47% e 51%.No total de votos (que incluem brancos, nulos e indecisos), Paes aparece com 45% -oscilação positiva de um ponto- e Gabeira com 43% -oscilação positiva de dois pontos.A pesquisa mostra que 6% dos eleitores disseram pretender anular ou votar em branco, e 6% se disseram indecisos.Assistiram ao debate entre os candidatos, na TV Globo anteontem, 50% dos entrevistados, sendo que 20% assistiram-no inteiro e 30%, em parte.Na opinião de 30%, pelo que sabem ou ouviram falar, Gabeira foi quem se saiu melhor no debate, ante 28% que acham que foi Paes. Entre os que assistiram a todo o debate, 44% consideram que Gabeira teve melhor desempenho, enquanto para 37%, foi Paes.Entre os 14 estratos de sexo, idade, escolaridade e renda, Paes cresceu em três e caiu em um, além da margem de erro. Gabeira cresceu em oito segmentos. Na pesquisa anterior, o peemedebista havia crescido ou oscilado positivamente em 11, e o verde tinha caído ou oscilado negativamente em 12.Paes continuou crescendo entre os mais pobres e menos escolarizados: passou de 56% para 59% entre os eleitores que têm até o ensino fundamental e foi de 56% para 60% entre os que ganham até R$ 830. Seu ponto fraco foi o eleitorado jovem, no qual perdeu cinco pontos, passando de 40% para 35%.Foi o eleitorado entre 16 e 24 anos que deu força a Gabeira, estrato no qual cresceu sete pontos, passando de 49% para 56%. Entre 25 e 34 anos, subiu de 40% para 46%. Cresceu entre quem tem renda familiar de R$ 830 a R$ 2.075 (50% para 55%) e entre os com renda acima de R$ 4.150 (67% para 71%).O empate técnico entre os dois candidatos manteve-se durante a fase final da campanha. Na primeira quinzena do segundo turno, Paes tinha 49%, tendo passado para 52% dos votos válidos na semana passada. Já Gabeira começou a disputa do segundo turno com 51% e havia ido para 48% dos válidos na pesquisa anterior.Das quatro eleições municipais feitas desde o início da realização de segundo turno, em 1992, este será o terceiro pleito em que os eleitores chegam à reta final divididos. Em 92, Cesar Maia, no PMDB, e Benedita da Silva (PT) estavam empatados no dia da eleição, com o primeiro tendo vencido por diferença de 1,8 ponto percentual dos votos válidos. Em 2000, Maia, no PTB, chegou empatado com Luiz Paulo Conde (então PFL). Venceu por 67 mil votos -2,12 pontos percentuais.

Kassab deve vencer hoje em São Paulo

Na Folha de São Paulo

O PREFEITO de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), deve ser reeleito hoje. Pesquisa Datafolha concluída ontem mostra que ele tem 60% dos votos válidos, contra 40% da ex-prefeita Marta Suplicy (PT). A margem de erro é de dois pontos percentuais.Eleito vice-prefeito em 2004, Kassab assumiu o cargo em 31 de março de 2006, quando José Serra (PSDB) renunciou para disputar o governo do Estado. Se seu favoritismo se confirmar, a partir de 1º de janeiro ele tomará posse como o sétimo prefeito eleito diretamente desde a redemocratização do país.No Rio, o peemedebista Eduardo Paes tem 51% e permanece empatado com o deputado federal Fernando Gabeira, do PV, com 49%. Já em Belo Horizonte, o candidato do PSB, Marcio Lacerda, abriu 18 pontos de vantagem sobre o deputado federal Leonardo Quintão (PMDB). No Rio e em BH a margem de erro também é de dois pontos.Em São Paulo e em Minas Gerais, os candidatos favoritos são apoiados pelos respectivos governadores: Kassab por José Serra (PSDB), e Lacerda por Aécio Neves (PSDB).O mesmo já não acontece em Salvador, onde o candidato do governador Jaques Wagner (PT), o deputado federal Walter Pinheiro (PT), deve perder para o prefeito João Henrique (PMDB), que é apoiado pelo ministro Geddel Vieira Lima, da Integração Nacional. Em Porto Alegre, outro prefeito do PMDB, José Fogaça, deve derrotar outra deputada federal do PT, Maria do Rosário.No país, 27.166.584 eleitores estão aptos a votar nos 30 municípios -dos quais 11 capitais- com mais de 200 mil eleitores em que nenhum candidato obteve metade mais um dos votos válidos no primeiro turno.No Estado de São Paulo, 10.803.006 eleitores devem voltar hoje às urnas na capital e nas cidades de Guarulhos, São Bernardo do Campo, Santo André, São José do Rio Preto, Mauá e Bauru. Assim como no primeiro turno, a votação vai das 8h às 17h.

Será que Meirelles vai se candidatar?

O que seria da economia brasileira se o presidente do Banco Central Henrique Meirelles deixar o cargo que ocupa desde 2003 para se candidatar ao governo de Goiás? Já imaginou a onda de especulações que cairiam sobre as nossas cabeças? Reparem que sempre quando falam de Meirelles não citam a possível saída dele para disputar alguma coisa em 2010. Sempre falam das armas que ele está usando para combater a crise.
Eu nunca acreditei numa candidatura Meirelles. Sempre disse que era necessário olhar para a economia americana. Não deu outra. A economia americana entrou numa crise que se espalhou pelo mundo inteiro. E como os investidores reagiriam se recebessem a notícia de que Henrique Meirelles deixará a Presidência do Banco Central em 2009? Meirelles ficará onde está. Ninguém sabe até quando vai durar esta crise. Todos nós sabemos que de quatro em quatro anos temos eleições para governador. Deixem Meirelles no BC. Faz um bem para Goiás e acalma os investidores e/ou especuladores.

adeus, capitalismo-cassino… seja bem-vindo, capitalismo

Do Blog da Bárbara Gancia

Conversei há pouco sobre a crise atual com um especialista em finanças. Ao final da nossa conversa, pedi a ele que resumisse em poucas palavras o que havia me contado, para consumo dos leitores deste blog.
Eis a íntegra do e-mail que ele me mandou:
“Insistiram em nos contar que o Brasil estaria fora do bordel internacional, o que pressupõe que todos por aqui teriam se tornado coroinhas de um dia para o outro por conta de São Lula e, quiçá, da probidade moral de nossos governantes.
Pois bem, está na hora de acordar: no bordel não há lugar pra missa. Nele o padre é pedófilo, o coroinha é uma traveca e as vagabundas andaram tomando champanhe às nossas custas.
Aqui também a situação está preta, por conta dos bancos que impingiram a seus clientes corporativos operações esdrúxulas, e dos tomadores que apostaram contra sua própria felicidade acreditando que o Brasil e a profética sorte de Lula eram mais fortes do que o dólar. O crédito fácil sempre promove porres e chegou a hora da ressaca, com direito a dor-de-cabeça.
Ainda em agosto, os analistas e empresários estavam com medo de que o dólar fosse para R$ 1,40. Até os exportadores, que seriam muitíssimo beneficiados com a retração do real, apostaram no real.
Acreditaram que existe Engov financeiro, que basta tomar que amanhã não haverá ressaca. O próprio ex-ministro Furlan faz parte dos que tocavam zabumba e, quando acordou, sua empresa havia perdido R$ 600 milhões numa especulação absurda.
O BC passou a semana toureando para que o real permaneça na casa dos 2,30 a fim de evitar uma quebradeira de grandes e médias empresas. Não devemos nos surpreender se o “colchonete” de reservas cambiais no BC passasse dos US$ 206 bilhões, do início da crise, para 100 em janeiro. Além disso, não podemos nos esquecer de que todos os meses há vencimentos da dívida privada em dólares, que é de cerca US$ 140 bilhões.
Enquanto outros países vêm agressivamente cortando as taxas de juros para dar fôlego às suas economias, nosso BC continua a sinalizar no sentido contrário, na ilusão que os capitais voltarão ao Brasil para aproveitar das nossas exorbitantes taxas de juros.
Esse ciclo acabou, como acabou também a era do cassino-capitalismo. Bem-vindos sejamos de volta ao capitalismo. Esqueçamos de reformas nos moldes do capitalismo dirigista à la française, pois estamos cansados de saber que não funciona. O BC deveria baixar as taxas de juro, uma vez que a sustentação do Real não mais se baseia na premissa dos juros altos.
A medida passada ontem, garantindo o financiamento em 36 meses para a venda de automóveis, além de ser inócua, demonstra o quanto governo está no mato sem cachorro. Ou será que ele acha que o prazo de financiamento irá influir na decisão de compra num momento como este? Para alguns alienados até pode, mas é marginal.
Querer salvar os “cumpanhero do ABC” é até louvável mas, para que isso fosse possível, seria mais eficaz cortar drasticamente os impostos sobre bens duráveis e semi-duráveis, coisa que o governo nunca irá fazer já que, se o fizer, o rei estará nú e o governo perderá uma enorme fonte dos escorchantes impostos que nos são cobrados.
Se quiser manter a economia funcionando em níveis menores mas sempre satisfatórios, o BC deve também sentar-se à mesa com os banqueiros -assim como utilizar o Banco do Brasil e a Caixa Econômica como ferramenta- forçando a “persuasão” moral (moral suasion) para fazer com que o crédito ao consumidor e a taxa de juros do cheque especial tenham spreads adequados, condizentes com o país que almejamos.
Se Lula disser que cortará gastos para equilibrar o orçamento, podemos estar certos: o governo não sabe do que está falando. Só quando nos disserem que irão cortar os gastos do funcionalismo para dirigí-los aos investimentos estarão no rumo certo.
No momento atual, o governo deveria agir de forma contra intuitiva: baixar impostos, promover obras públicas, dar suporte à agricultura e ao mesmo tempo diminuir os gastos com salários do funcionalismo e custeio para poder investir.
Lula -que já andava pensando em ser o Perón caboclo- está intencionado a qualquer coisa para salvar sua imagem antes de deixar o governo, fazendo ou não seu sucessor. Se quiser ter cacife para promover um estímulo (keynesiano) da economia -que é ainda possível- terá que economizar munição e não sair atirando a esmo em qual malandro no morro.
Rezemos por São Lula, pois da “sorte” dele depende também o nosso destino. Quanto melhor, melhor. Quanto pior, pior para todos.
Em tempo, cabe perguntar o que fazia o presidente do Banco Central, ontem, passeando em Miami para receber um prêmio num momento tão delicado. Receio que a ficha esteja demorando a cair”.
Podem me acusar de nepotismo, mas o autor do enxutíssimo texto acima é meu irmão (bem mais velho do que eu), Carlo Gancia.

O guardião da economia brasileira

Por Lúcia Ratizel
no Zero Hora

Em meio ao tempo fechado da economia global, o goiano Henrique Meirelles, presidente do Banco Central (BC), foi quem forneceu ao Brasil o guarda-chuva para enfrentar a crise financeira. Em grande medida, é mérito dele que, mesmo tendo experimentado na semana que passou os dias mais críticos desde o agravamento da turbulência internacional, o país se mantenha no grupo dos países melhor equipados para enfrentar a ressaca do subprime norte-americano.Dono de uma desenvoltura inédita entre seus sucessores para circular na elite financeira mundial, Meirelles, 63 anos, é apontado como o guardião da economia brasileira. Desde que assumiu o BC, no primeiro mandato de Lula, vem comandando uma política austera e por vezes impopular para manter o apertado cerco contra a inflação. Foi diversas vezes alvo do fogo-amigo de petistas mas, com a queda do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, é considerado o homem-forte do governo e a autoridade mais respeitada pelo mercado.Amigo há mais de 30 anos do presidente do BC, o banqueiro gaúcho Ricardo Malcon diz que a trajetória de Meirelles, da academia para as finanças privadas e finalmente para Brasília, treinou seu olhar para enxergar os dois lados do balcão. Graduado em engenharia civil pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) e pós-graduado em engenharia de produção na Universidade Federal do Rio de Janeiro, ali também fez mestrado em administração de empresas, com uma tese sobre leasing. A carreira internacional começou em 1975, como diretor-superintendente da Boston Leasing. Até então o primeiro estrangeiro a chefiar um banco norte-americano, ficou na presidência mundial do FleetBoston Financial de 1999 a 2002 – ano em que, já aposentado e de volta ao Brasil, foi eleito deputado federal pelo PSDB de Goiás.– Ele lê e estuda muito. É extremamente profissional, muito qualificado e, principalmente, um profundo conhecedor da economia mundial. Outros ex-presidentes do BC conheciam a realidade brasileira, mas o Meirelles sabe muito da economia dos Estados Unidos, da Argentina, do Uruguai, do Brasil, enfim, do mundo. Além disso, tem a prática de como é conceder crédito, como é avaliar riscos – elogia Malcon.Durante o mandato de Malcon na presidência da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), o presidente do BC foi a estrela dos encontros anuais promovidos pela entidade. Por duas vezes, jantou na casa do banqueiro, em Porto Alegre, em mesas que reuniam empresários responsáveis por 70% do Produto Interno Bruto estadual. Nessas ocasiões, impressionou os convidados pelo conhecimento, bom gosto e pelos ternos discretos e elegantes. No caso de ser necessário dar um presente a Meirelles, não erra quem escolher uma gravata da grife italiana Bulgari, conta Malcon. O presidente do BC teria uma coleção delas.Para o amigo, é provável que o brasileiro há muito tempo já considerasse a possibilidade de um colapso financeiro global e, por isso, preparou o Brasil para enfrentar o tranco. Entre as medidas, encheu os cofres de reserva do país com dólares, garantindo a munição do BC contra a nova disparada do dólar. Na crise da Ásia, em 1997, Gustavo Franco, presidente do BC na época, dispunha de US$ 52 bilhões. Já Meirelles acumulou US$ 200 bilhões e pode jogar pesado no câmbio: anunciou que usará até US$ 50 bilhões para domar as cotações.– Não faria uma vinculação pessoal (a Meirelles), mas acho que o BC está mais atento ao que ocorre lá fora – afirma Edgar Pereira, professor do Centro de Estudos de Conjuntura e Política Economia do Instituto de Economia da Unicamp.Por causa da crise, Meirelles está praticamente todos os dias nos jornais, rádios, televisão e internet. Tem sido um teste para sua capacidade de pinçar palavras que resultem inócuas para quem tenta extrair delas sinais de qual será o passo seguinte da autoridade monetária. Em geral, evita entrevistas coletivas fora de Brasília e, ao contrário da maioria dos políticos, não fala com jornalistas na porta da sede do BC. Nas semanas que antecedem a definição da Selic, juro básico fixado mensalmente pelo Comitê de Política Monetária (Copom), chega a ser irritante como recita que não é sua atribuição influenciar a decisão do comitê – embora tenha o voto de minerva em caso de empate.A próxima reunião do Copom ocorre nesta semana e a dúvida entre os profissionais do mercado é se o BC brasileiro manterá a postura de dar prioridade ao combate à inflação, que reforça a possibilidade de alta da Selic, hoje em 13,75% ao ano, ou se, a exemplo do que ocorreu na Europa, cederá à ameaça de desaquecimento podando a taxa. O diretor financeiro do Banrisul, Ricardo Hingel, acredita numa alta de 0,5 ponto percentual, mas admite que sua convicção já foi maior. Hoje, diz, as chances de alta são de 50%, menos dos 80% de antes de a economia real acusar o impacto do enxugamento do crédito. Para o presidente da Associação dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel de Oliveira, não haverá alteração.Funcionários do banco que trabalham próximos a Meirelles atribuem a economia de palavras à consciência sobre o impacto de suas declarações no mercado. Por isso, é apegado aos detalhes e obcecado pela correção técnica. No dia-a-dia, é um chefe calado, sério, mas não arrogante. Em Brasília, onde está de terça a quinta-feira, chega à sede do BC por volta das 9h30min. Não é raro que seus subordinados recebam mensagens suas às 6h, nos BlackBerries que ele instituiu a todos os membros da diretoria e assessores mais próximos. A explicação: pode estar online sem ter de interromper as constantes palestras que profere em todo o país.Numa das mais recentes, relacionou entre as origens da crise o longo período de baixas taxas nos EUA, o aumento da produtividade e do baixo custo da mão-de-obra na China, que teriam criado condições para a política monetária expansionista do Federal Reserve, o banco central norte-americano. Com isso, concluiu, houve aumento substancial do crédito e a inflação do preço dos ativos, em especial, dos imóveis.Dois dias da semana, a segunda e a sexta, Meirelles despacha em São Paulo. Quando passa o final de semana em Goiânia ou no Rio, ele e a mulher, a psiquiatra Eva Missini, viajam em avião de carreira. No BC, seus interlocutores mais freqüentes são o diretor de Política Econômica, Mario Mesquita, que assumiu o posto em março do ano passado no lugar de Afonso Bevilaqua, Alexandre Tombini, da área de Normas e Organização do Sistema Financeiro, apontado pelo mercado como o provável sucessor de Meirelles na presidência do BC, e Mario Torós, diretor de Política Monetária.Até a semana passada, o BC colhia só elogios por ter persistido no caminho da eterna vigilância da estabilidade, de ter amarrado o sistema financeiro nacional a regras conservadoras que, agora, confirmaram as virtudes da prudência e por estar atento ao volátil cenário externo. Mas a Medida Provisória 443, que amplia as possibilidades de participação de bancos públicos em instituições financeiras e empresas privadas, dividiu opiniões. Resumidamente, as críticas são de que teria plantado desnecessariamente a semente da desconfiança quanto à solidez dos bancos nacionais e aguçado o apetite estatizante do governo que, afinal, é do PT.Na sexta-feira, Meirelles estava em Miami, onde fez palestra no Latin Trade Bravo Business Award e recebeu o prêmio de Financista do Ano, concedido pela revista Latin Trade. Entretanto, passou muitas horas do dia ao telefone, conversando com diretores do BC, integrantes do governo, executivos e empresários. O guardião não pode abandonar o posto no pior da tempestade.

Pesquisa DataFolha

* São Paulo

- Gilberto Kassab (DEM) - 60%
- Marta Suplicy (PT) - 40%

* Rio de Janeiro

- Eduardo Paes (PMDB) – 51%
- Fernando Gabeira (PV) – 49%

* Belo Horizonte

- Márcio Lacerda (PSB) – 59%
- Leonardo Quintão (PMDB) – 41%

Pesquisa Ibope/Estadão

* São Paulo

- Gilberto Kassab (DEM) - 56%
- Marta Suplicy (PT) - 37%

* Rio de Janeiro

- Eduardo Paes (PMDB) – 45%
- Fernando Gabeira (PV) – 44%

* Belo Horizonte

- Márcio Lacerda (PSB) – 45%
- Leonardo Quintão (PMDB) – 42%

Juventude esqueceu o Muro de Berlim

Por Danin Júnior
no Jornal Opção

A In­te­ra­ti­va pos­sui dois dos me­lho­res pro­gra­mas de rá­dio de Go­i­â­nia. Pe­lo me­nos, são eles que eu es­cu­to qua­se to­dos os di­as — en­quan­to za­peio pe­la CBN Go­i­â­nia (fi­nal­men­te em FM) e ou­tras es­ta­ções. Os pro­gra­mas da In­te­ra­ti­va se en­qua­dram na tra­di­ção dos talk shows, com co­men­ta­ris­tas ao vi­vo abor­dan­do os as­sun­tos mais quen­tes do mo­men­to. O me­lhor de­les é o “Pa­po-Ca­be­ça” por­que a me­sa-re­don­da é for­ma­da por jo­vens (pú­bli­co-al­vo da rá­dio) e é re­che­a­do pe­la par­ti­ci­pa­ção de ou­vin­tes em tem­po re­al, via in­ter­net ou te­le­fo­ne ce­lu­lar. Talk shows no atu­al for­ma­to do “Pa­po-Ca­be­ça” são pre­cur­so­res das me­lho­res fer­ra­men­tas de in­te­ra­ti­vi­da­de da web, co­mo os gru­pos de dis­cus­são e os blogs. Des­sa for­ma, fun­cio­nam qua­se co­mo uma pes­qui­sa qua­li­ta­ti­va em de­ter­mi­na­das si­tu­a­ções (o "qua­se", aqui, é mui­to im­por­tan­te). É pe­lo “Pa­po-Ca­be­ça”, por exem­plo, que te­nho acom­pa­nha­do a re­a­ção dos jo­vens da ci­da­de (e ou­tros nem tão no­vos as­sim) quan­to a cri­se fi­nan­cei­ra mun­di­al. A tur­bu­lên­cia no ca­pi­ta­lis­mo glo­bal pe­gou a mo­ça­da de sur­pre­sa — a exem­plo de Bush e ou­tros go­ver­nan­tes mun­do afo­ra. Aos pou­cos, co­me­çam a en­ten­der os ris­cos da es­pe­cu­la­ção e os ma­les da au­sên­cia de um mí­ni­mo de re­gu­la­ção nos mer­ca­dos. No en­tan­to, pe­lo que per­ce­bi nos co­men­tá­rios, pou­cos com­pre­en­de­ram um fo­co es­sen­cial da cri­se: o que fa­zer pa­ra evi­tar uma que­bra­dei­ra ge­ne­ra­li­za­da. Es­tão re­vol­ta­dos (uma re­a­ção na­tu­ral) com o anún­cio da in­je­ção de bi­lhões de dó­la­res (di­nhei­ro pú­bli­co) nas ins­ti­tu­i­ções fi­nan­cei­ras mais ame­a­ça­das. Um dos co­men­ta­ris­tas che­gou a di­zer que os ban­cos de­ve­ri­am as­su­mir os sa­cri­fí­ci­os, que se­ri­am "nor­mais em uma re­vo­lu­ção" — ele se re­fe­ria à pos­si­bi­li­da­de de mu­dan­ça do sis­te­ma. A mo­ça­da dá a im­pres­são de en­ten­der mui­to pou­co so­bre co­mo fun­cio­na a eco­no­mia na qual vi­ve. Ao si­nal de uma cri­se (que, re­al­men­te, é de pro­por­ções ain­da imen­su­rá­veis), mui­tos, ime­di­a­ta­men­te, co­me­çam a en­to­ar o co­ro de que a ex­plo­ra­ção não tem me­di­da, que es­ses bi­lhões de­ve­ri­am ser usa­dos con­tra a fo­me, que os em­pre­sá­rios vi­lões de­ve­ri­am pa­gar pe­los seus er­ros em pra­ça pú­bli­ca, etc. Não sei se é a ver­go­nho­sa he­ge­mo­nia ide­o­ló­gi­ca da es­quer­da nos cur­rí­cu­los es­co­la­res da atu­a­li­da­de ou me­ro ni­i­lis­mo di­an­te de um as­sun­to tão cha­to. O fa­to é que ata­car o ca­pi­ta­lis­mo de for­ma ca­bal pa­re­ce ter se tor­na­do um ra­ci­o­cí­nio pra­ti­ca­men­te co­mum en­tre os jo­vens. É co­mo se, qua­se 20 anos de­pois, to­dos ti­ves­sem se es­que­ci­do da que­da do mu­ro de Ber­lin. É cer­to que, nos paí­ses em de­sen­vol­vi­men­to, o li­be­ra­lis­mo de­sen­fre­a­do (tal­vez o prin­ci­pal e pi­or fe­ed­back da que­da do mu­ro) re­ve­lou-se ine­fi­ci­en­te (mui­to len­to) con­tra as de­si­gual­da­des so­ci­ais ex­tre­mas. Mas tam­bém é cer­to que não exis­te má­gi­ca (nem re­vo­lu­ção) que te­nha pro­mo­vi­do mai­or qua­li­da­de de vi­da pa­ra am­plos se­to­res da hu­ma­ni­da­de do que o ca­pi­ta­lis­mo. E is­so va­le tan­to pa­ra os in­tei­ra­men­te li­be­ra­is (co­mo os EUA e o Rei­no Uni­do, até a cri­se), os so­ci­al-de­mo­cra­tas (Fran­ça, Bra­sil, en­tre ou­tros) e até os, di­ga­mos, so­ci­a­lis­tas de mer­ca­do (ca­so da Chi­na e, quem sa­be, a Ve­ne­zu­e­la). Em ou­tras pa­la­vras, é meio non sen­se cri­ti­car ra­di­cal­men­te es­se sis­te­ma, que pos­si­bi­li­ta até mes­mo o en­vio de men­sa­gens, via te­le­fo­nia ce­lu­lar, pa­ra uma rá­dio, que só exis­te em fun­ção de seus anun­ci­an­tes. O sis­te­ma me­re­ce crí­ti­cas? É cla­ro que sim, mas em bus­ca de aper­fei­ço­a­men­tos, e não es­sa ca­ba­la con­tra­di­tó­ria pe­la sua ex­tin­ção. É ur­gen­te que os va­lo­res da li­ber­da­de e do em­pre­en­de­do­ris­mo se­jam dis­se­mi­na­dos no Bra­sil e é pre­ci­so co­me­çar pe­la ba­se edu­ca­cio­nal. Es­ses es­quer­dis­mos po­dem nos atra­sar por mais quan­to tem­po? En­quan­to per­ma­ne­ce­mos pre­sos a uto­pi­as do sé­cu­lo 19, ve­jo na BBC que o go­ver­no bri­tâ­ni­co de­ci­diu in­ves­tir mi­lhões de li­bras em um pro­gra­ma es­co­lar que en­si­na­rá cri­an­ças e jo­vens a va­lo­ri­za­rem a ini­ci­a­ti­va pri­va­da e a li­da­rem com o (ve­lho, su­jo, mas im­pres­cin­dí­vel) di­nhei­ri­nho. É as­sim que eles re­a­gem a cri­ses no sis­te­ma e as­sim que eles fi­cam ca­da vez mais ri­cos. Nos Es­ta­dos Uni­dos, tam­bém sin­to­ma­ti­ca­men­te, o jor­na­lis­ta Step­hen Dub­ner (Fre­akno­mics) re­la­ta que a pre­o­cu­pa­ção com o "anal­fa­be­tis­mo fi­nan­cei­ro" se­rá uma das on­das nos pró­xi­mos anos. Pa­ra os pes­qui­sa­do­res ci­ta­dos por ele, é in­con­ce­bí­vel um ci­da­dão evo­lu­ir na so­ci­e­da­de con­tem­po­râ­nea sem o mí­ni­mo de co­nhe­ci­men­to so­bre os fun­da­men­tos do ca­pi­ta­lis­mo (in­clu­si­ve a sua área fi­nan­cei­ra, abor­dan­do te­mas co­mo o uso do car­tão de cré­di­to, a ló­gi­ca dos ju­ros com­pos­tos e a im­por­tân­cia do mer­ca­do de ações). Com­pa­ran­do, des­co­nhe­cer es­sas fer­ra­men­tas se­ria, pa­ra o ho­mem, co­mo ig­no­rar o ma­ne­jo da es­pa­da em tem­pos re­mo­tos. Se é bom pa­ra eles, pro­va­vel­men­te é ru­im pa­ra o Bra­sil, não é? E va­mos to­dos pa­ra o bo­te­quim cri­ti­car o ma­te­ri­a­lis­mo e a ga­nân­cia des­ses grin­gos.