sábado, 11 de dezembro de 2010

Lula anestesiou o povo brasileiro

Faltam 19 dias para Lula deixar a presidência da República. Desde o dia 1º de janeiro de 2003 nós ouvimos Lula falar o que quer e ter uma platéia aplaudindo. Lula grita, fala palavrões, xinga antecessores (apesar que dois ex-presidentes sejam seus aliados) e se acha um iluminado, um ser que veio do céu para salvar o povo brasileiro. Por falar em céu, graças a Deus só faltam 19 dias para acabar com todo esse discurso grosseiro que tomou conta da política brasileira nestes últimos oito anos. 

Lula discursou diversas vezes sobre a Ferrovia Norte Sul. Se exaltou, é claro. Chegou a exaltar até o ex-presidente José Sarney, o criador da obra. Quem diria que, um dia, nós veriamos Lula elogiando José Sarney. Mas a Ferrovia Norte Sul só funciona nos discursos de Lula. A realidade é bem diferente. Os jornais Diário da Manhã e O POpular de hoje falam sobre o atraso das obras da ferrovia aqui em Goiás. Um editorial do Popular até cobra dos empresários e políticos goianos mais pressão pelo cumprimento das promessas lulistas. Mas Lula anestesiou o Brasil inteiro. Desde a população dependente do Bolsa Família até os empresários que nunca lucraram tanto como no governo Lula. Quero ver se vai ter alguém batendo na porta do Palácio do Planalto e cobrar do presidente o cumprimento das promessas feitas num dos seus inúmeros discursos recheados de palavrões e xingamentos de ex-presidentes. 

Lula está de mudança para São Bernardo do Campo. Será que algum empresário ou político goiano vai atravessar as mobílias lulistas que já estão embaladas para mudança e conversar com o homem que prometeu acabar com a Ferrovia Norte Sul? Infelizmente não vai ter cobrança. Lula anestesiou o povo brasileiro. Até o empresariado que tinha medo dele em 1989 ficou encantado nestes últimos anos. E é este encanto que faz com que Lula não precise ser cobrado pelos seus discursos. Vai demorar muito para o povo brasileiro desligar o som deste canto insuportável que sai do Palácio do Planalto desde o dia 1º de janeiro de 2003.

"Meu adeus como colunista" por Diogo Mainardi

Esta é minha última coluna.
Eu passei oito anos zombando do lulismo. Se agora eu passasse a zombar do dilmismo, que é uma mera pantomima do lulismo, eu me tornaria uma mera pantomima de mim mesmo.
— Diogo é um Arlecchino! Diogo é um Pantalone! Diogo é uma Colombina!
O lulismo queria que eu fosse embora do Brasil. Eu fui. O lulismo queria que eu me desinteressasse do presidente da República. Eu me desinteressei. O lulismo queria que eu renunciasse à minha coluna. Eu renunciei. Eu sou igual a um marido que, para poder se livrar da mulher amarga e rancorosa, cede todos os seus bens e vai morar num flat. Eu fui morar num flat mental. Eu fui morar numa kitchenette existencial. Eu sei que o lulismo está feliz de se separar de mim, mas garanto que eu estou incomparavelmente mais feliz de me separar dele.
Rubens Barrichello compreendeu a natureza do dilmismo. Quando lhe perguntaram o nome da presidente eleita, ele respondeu sabiamente:
— Como é que se chama a mulher?
A partir de hoje, esse é meu lema. Eu posso falar sobre Bartolomeo Bon. Eu posso falar sobre Anco Marcio. Eu posso falar sobre Cosmè Tura. Quem mais? Eu posso falar sobre Sexto Empirico. Eu posso falar sobre Pavel Chichikov. Eu posso falar sobre Pepe Le Pew. Só a presidente eleita está proibida de entrar em meu flat mental. Sobre ela, minha resposta será sempre a mesma:
— Como é que se chama a mulher?
Além de compreender a natureza do dilmismo, Rubens Barrichello compreendeu também a natureza do automobilismo. Ele demonstrou que, se é para guiar devagar, ninguém precisa de uma Ferrari. VEJA é uma Ferrari. Para poder me livrar do dilmismo, estou pronto a ceder minha vaga na escuderia. O que eu quero, neste momento, é pilotar um kart. De agora em diante, escreverei apenas um artigo mensal para VEJA. Renuncio à coluna, portanto, mas continuo aqui, em marcha lenta. Milan Kundera disse que quem anda devagar contempla as “janelas de Deus”. Rubens Barrichello anda devagar e contempla as janelas de Deus. Sou bem mais modesto do que ele. Para mim, basta poder contemplar as janelas da minha kitchenette existencial.
O primeiro ato de um espetáculo grotesco, como aquele encenado pelo lulismo até 2006, pode despertar algum interesse. O segundo ato é inevitavelmente mais sonolento. Mas é o terceiro e último ato, repetindo as mesmas galhofas dos anteriores, que realmente entedia e aporrinha o espectador. Foi para poupar o público desse constrangimento que resolvi sair do palco.
— Onde está o Arlecchino? Onde está o Pantalone? Onde está a Colombina?
(Um espectador aplaude. Outro atira um tomate. Outro ronca. Luzes.)

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Dia do Palhaço



Cada dia que passa tenho certeza que Lula e seus petralhas tratam a gente como se a gente fosse o Bozo

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

E o aeroporto de Goiânia...

Lula vai deixar a presidência sem cumprir a promessa de concluir a reforma do aeroporto de Goiânia. Ele que fez tudo que não tinha sido feito na história destêpaiz vai deixar de fora uma reforma que precisa ser feita urgentemente. Quando Lula deixar a presidência Goiânia continuará oferecendo aos seus moradores e visitantes uma aeroviária de quinta categoria, sem espaço e conforto aos seus usuários.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Briguinhas internas

O deputado do DEM Rodrigo Maia responsabilizou o ex-candidato tucano José Serra pelo fraco desempenho da oposição. Esta briga entre DEM e PSDB não vai levar a nada. Ou melhor, só mostra que a oposição não está correspondendo ao recado emitido por 44 milhões de brasileiros que não concordam com o lulo-petismo.
Ao invés de unir forças, ao invés de denunciar a forma covarde que PT e PMDB dividem os ministérios do futuro governo Dilma, Maia prefere atacar Serra. Enquanto democratas e tucanos trocam farpas os futuros aliados de Dilma fazem o que bem entendem na Esplanada dos Ministérios. Essas briguinhas internas não levam a nada, mas os oposicionistas insistem em brigar entre si. 

30 anos sem John Lennon

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Herança maldita

Sei não, mas Lula vai deixar uma herança maldita para Dilma Rostock. Vemos os futuros ministros falando em cortar isso, economizar aquilo. O ano de 2011 deve nos apresentar muitas surpresas.

Quem deve controlar

O lulo-petismo não cessa com sua ânsia de controlar a imprensa. A turminha do Franklinstein Martins ainda insiste em controlar o que deve e o que não deve sair na imprensa. Imagino Franklistein sentado na sua mesa analisando o que vai e o que não vai ser publicado neste ou naquele jornal.
Não quero que o governo interfira na imprensa. Quem pode e quem deve interferir é o telespectador ou assinante. Se o assinante da Veja não quer mais ler a revista que ele cancele a assinatura. Não quero que um governo diga o que um telespectador ou assinante leia ou veja. 
É um absurdo discutirmos liberdade de imprensa bem no ano que comemoramos 25 anos do fim da Ditadura Militar. Mas, o lulo-petismo insiste no autoritarismo e no fim da liberdade de imprensa.

Governo estuda regular conteúdo de rádio e TV

Por Andreza Matais
na Folha



A primeira versão do projeto do governo para o setor de telecomunicação e radiodifusão prevê a criação de um novo órgão, a ANC (Agência Nacional de Comunicação), para regular o conteúdo de rádio e TV.
A Folha teve acesso à minuta da proposta, batizada de Lei Geral da Comunicação Social. O texto tem cerca de 40 páginas e vem sendo mantido em sigilo.
É resultado do grupo de trabalho criado há seis meses e coordenado pelo ministro Franklin Martins para discutir um novo marco regulatório para o setor.
A nova agência para regular conteúdo substituiria a Ancine (Agência Nacional do Cinema) e teria poderes para multar empresas que veicularem programação considerada ofensiva, preconceituosa ou inadequada ao horário.
O presidente da Ancine, Manoel Rangel, disse à Folha que não tem "opinião formada" sobre a mudança.
O texto prevê ainda a proibição que políticos com mandato sejam donos ou controlem rádio e TV. A atual legislação proíbe apenas que eles ocupem cargos de direção nas empresas.
Não está claro no anteprojeto se a vedação atingiria quem já tem concessões.
Levantamento da ONG Transparência Brasil aponta que 160 parlamentares têm concessões de rádio e TV.
O ministro já afirmou que o governo Lula não vai encaminhar o projeto ao Congresso, e sim entregá-lo a Dilma Rousseff como sugestão.
Caso Dilma decida enviar a proposta ao Congresso, o texto pode sofrer alterações e passar por consulta pública. Se a lei for aprovada, o funcionamento da agência será detalhado em decreto.
Na semana passada, Lula disse, em entrevista, que Dilma fará a regulação.
O processo de outorga de novos canais ou renovação também passará pela nova agência, além do circuito Ministério das Comunicações-Congresso, e se tornaria mais transparente, com o passo a passo publicado na internet.
A Folha apurou ainda que a proposta incorpora vários pontos do PL 116, que cria novas regras para o mercado de TV por assinatura e de conteúdo audiovisual, mas não trata de regras para cumprimento do limite de participação de capital estrangeiro nos meios de comunicação.
Será mantida a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), que cuida de questões mais técnicas, como a elaboração de planos e distribuição de canais.
Para o governo, a agência não significa censura, porque o conteúdo será analisado depois de veiculado.
Representantes do setor, porém, avaliam que a proposta abre brechas para cercear jornalismo e dramaturgia. Além disso, dizem, a Constituição já prevê punição para os abusos.
A criação da agência para regular conteúdo tem apoio de entidades que defendem o "controle social da mídia".

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Foi um golpe

Vou concordar com Lula hoje. O mensalão foi um golpe. Foi um golpe no teto de vidro que o PT construiu durante 25 anos. Foi um golpe na ética hipócrita que os petralhas defendiam durante anos e anos. Depois do mensalão nós vimos que aqueles cordeirinhos que, quando eram da oposição, gritavam por punição aos corruptos e exigiam ética na política eram, na verdade, lobos vorazes. O mensalão golpeou em um ano um discurso cheio de hipocrisia que o PT construiu durante 25 anos. Lula tem razão: o mensalão foi um golpe. Golpeou toda a falsidade petralha e mostrou que todo mundo que entrava no Palácio do Planalto passava a mão na bunda do presidente e ele não fazia nada, ou melhor, fazia de conta de que não fazia nada. O mensalão mostrou que o PT é um partido que se vende em qualquer negociação e que o presidente destêpaiz é um grande bundão.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Um fora da lei homenageado na casa que faz a lei

Acabo de ler na Folha online que o chefe do MST João Pedro Stédile foi homenageado na Câmara dos Deputados. O deputado Brizola Neto (PDT) achou que Stedile deveria receber a Medalha do Mérito Legislativo "por seus serviços prestados para a sociedade". Quer serviços esse sujeito prestou para a sociedade? Ele comanda uma facção que toca o terror no campo, que invade propriedade privada e depreda patrimônio público. É um fora de lei recebendo uma homenagem dentro da casa que faz as leis. Pois é. O circo já está armado. Agora sim Tiririca tem todas as condições de ser deputado federal.

Lula e Sarney

Vergonhosa! Lamentável! Nojenta! É assim que descrevo mais uma defesa que Lula faz de José Sarney. Primeiro Lula disse que Sarney era uma pessoa incomum. Agora ele fala que é um "preconceito" falar em "oligarquia Sarney". Como assim? Lula passou muito tempo de sua vida política atacando esta oligarquia que assalta e atrasa o Maranhão. Lula já chamou Sarney de ladrão! É sempre bom lembrar do que Lula dizia da "oligarquia Sarney" há um tempo atrás...


Essa "gente que passa o tempo inteiro discaradamente mentindo na televisão" está com Lula hoje

Lula acusa repórter de preconceito e o manda "se tratar"

Na Folha


Durante o fechamento simbólico da primeira de 14 comportas da Usina Hidrelétrica Estreito, no rio Tocantins, no Maranhão, o presidente Lula se irritou com uma pergunta sobre se agradeceria o apoio da "oligarquia Sarney", acusando o repórter de "preconceito".
Lula dividia o palanque com a governadora reeleita Roseana Sarney (PMDB) e seu marido, o empresário Jorge Murad, em cuja empresa a Polícia Federal encontrou, em 2002, R$ 1,34 milhão em dinheiro vivo, cuja origem não foi identificada.
O presidente, durante seu discurso, voltou a mencionar um suposto golpe em curso contra seu governo, em 2005, na esteira das denúncias do mensalão, relatando uma conversa que teve com o senador José Sarney (PMDB).
Ele teria dito à época que era a "encarnação do povo" e que seus adversários "não sabiam o que iria acontecer" caso fosse dado "um passo além da institucionalidade".
Após o evento, questionado por um repórter do jornal "O Estado de S. Paulo" se "agradeceria à oligarquia Sarney pelo apoio dado ao seu governo", Lula se irritou, chamou a pergunta de preconceituosa, recomendou um tratamento de "psicanálise" ao repórter e saiu em defesa da família Sarney.
"Eu agradeço [aos Sarney] e a pergunta preconceituosa sua é grave para quem está há oito anos comigo em Brasília. Significa que você não evoluiu nada do ponto de vista do preconceito, que é uma doença", disse Lula.
"O presidente Sarney é o presidente do Senado. E o Sarney colaborou muito para que a institucionalidade fosse cumprida. Você devia se tratar, quem sabe fazer psicanálise, para diminuir um pouco esse preconceito", concluiu.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

PT amplia guerra com PMDB para controlar Correios e Banco do Brasil

Por Vera Rosa
no Estadão



Diante da perspectiva de comandar o Ministério das Comunicações, o PT planeja desalojar o PMDB da direção da Empresa de Correios e Telégrafos (ECT). O pedido será encaminhado pela cúpula do partido à presidente eleita, Dilma Rousseff.
A ideia, no entanto, é passar um verniz de ‘desloteamento’ político nos Correios para apresentar a reivindicação como uma tentativa de profissionalizar a estatal, alvo de uma sucessão de crises nos últimos meses.
A direção do PT aposta que o futuro ministro das Comunicações será Paulo Bernardo, atual titular do Planejamento, e já começou a vasculhar uma das chamadas joias da coroa.
Há apenas quatro meses na presidência dos Correios, David José de Matos foi indicado pelo deputado Tadeu Filipelli (PMDB-DF), vice-governador eleito do Distrito Federal, mas também é amigo de Erenice Guerra, a ministra da Casa Civil que caiu em setembro, no rastro de acusações de tráfico de influência na pasta.
Mapa. Uma comissão formada por seis dirigentes do PT já começou a fazer o mapeamento dos cargos federais. A equação não é fácil de ser fechada porque o PT da presidente eleita Dilma Rousseff e o PMDB do futuro vice-presidente, Michel Temer (SP), dão cotoveladas em busca dos principais assentos para demarcar seus respectivos territórios.
O Ministério das Comunicações está sob controle peemedebista e a sigla só aceita abrir mão do pasta se levar Transportes, hoje capitaneado pelo PR.
O assunto foi avaliado na segunda-feira, 29, em reunião de Dilma com o presidente do PT, José Eduardo Dutra, e o deputado Antonio Palocci, futuro chefe da Casa Civil. Desde setembro Bernardo atua como uma espécie de interventor nos Correios e faz um diagnóstico dos problemas da empresa, que não são poucos.
Banco do Brasil. Além de ocupar a cadeira mais importante dos Correios, o partido de Dilma também quer trocar o presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendini. A maior instituição financeira do País tem ativos de R$ 725 bilhões. Sem levar em conta o PMDB, que está de olho na presidência do Banco do Brasil, uma ala do PT pretende emplacar ali o atual secretário de Política Econômica, Nelson Barbosa.
Em conversas reservadas, porém, interlocutores de Dilma admitem que a escolha será resultado de uma disputa de bastidores entre Palocci e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, mantido no cargo. Tanto Mantega como Palocci, ex-ministro da Fazenda de 2003 a 2006, têm influência no banco.
Bendini chegou à cúpula do BB na cota do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas até no Palácio do Planalto há quem defenda a sua saída, sob a alegação de que ele "não atende" as demandas políticas. Barbosa, por sua vez, tem cativado as tendências do PT.
Na sexta-feira, o secretário fez uma exposição sobre a conjuntura econômica durante seminário promovido pela chapa petista "O partido que muda o Brasil" e encantou os espectadores com seu discurso na linha desenvolvimentista. A portas fechadas, Barbosa disse que a maior preocupação, no governo Dilma, é como manter o processo de crescimento com o cenário internacional adverso.
Apesar da cobiça do PMDB, a presidente da Caixa Econômica Federal (CEF), Maria Fernanda Ramos Coelho, deve ser mantida no posto.

Sarney e Collor estão pertinho de Lula

Lula, para variar, criticou os governos anteriores. No plural. Hummm... Ele disse que os governos anteriores não investiram em educação e por causa disso criou-se um exército de jovens sem oportunidade. Tirando Fernando Henrique Cardoso, Lula tem ao seu lado dois ex-presidentes: José Sarney e Fernando Collor de Melo. Bem que ele poderia dar uma bronca nos dois por causa desse exército de jovens sem oportunidades.

Documento revela que, para EUA, Itamaraty é adversário

Por Fernando Rodrigues
na Folha



Telegramas confidenciais de diplomatas dos EUA indicam que o governo daquele país considera o Ministério das Relações Exteriores do Brasil como um adversário que adota uma "inclinação antinorte-americana".
Esses mesmos documentos mostram que os EUA enxergam o ministro da Defesa, Nelson Jobim, como um aliado em contraposição ao quase inimigo Itamaraty.
Mantido no cargo no governo de Dilma Rousseff, o ministro é elogiado e descrito como "talvez um dos mais confiáveis líderes no Brasil".
A Folha leu com exclusividade seis telegramas de um lote de 1.947 documentos elaborados pela Embaixada dos EUA em Brasília, sobretudo na última década.
Os despachos foram obtidos pela organização não governamental WikiLeaks. As íntegras desses papéis estarão hoje no site da ONG (cablegate.wikileaks.org/), que também produzirá reportagens em português. A Folha.com divulgará os telegramas completos.
Num dos telegramas, de 25 de janeiro de 2008, o então embaixador dos EUA em Brasília, Clifford Sobel, relata aos seus superiores como havia sido um almoço mantido dias antes com Nelson Jobim. Nesse encontro, o ministro brasileiro contribuiu para reforçar a imagem negativa do Itamaraty perante os norte-americanos.
Indagado sobre acordos bilaterais entre os dois países, Jobim citou o então secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, Samuel Pinheiro Guimarães.
Segundo o relato produzido por Clifford Sobel, "Jobim disse que Guimarães "odeia os EUA" e trabalha para criar problemas na relação [entre os dois países]."
Não há nos seis telegramas confidenciais lidos pela Folha nenhuma menção a atos ilícitos nas relações bilaterais Brasil-EUA. São apenas descrições de encontros, almoços e reuniões.
Ao mencionar um acordo bilateral, Clifford Sobel diz que caberá ao presidente Lula decidir entre as posições de um "inusualmente ativo ministro da Defesa interessado em desenvolver laços mais próximos com os EUA e um Ministério das Relações Exteriores firmemente comprometido em manter controle sobre todos os aspectos da política internacional".
Num telegrama de 13 de março de 2008, Sobel afirma que o Itamaraty trabalhou ativamente para limitar a agenda de uma viagem de Jobim aos EUA.
Ao relatar a visita (de 18 a 21 de março de 2008), os EUA pareciam frustrados: "Embora existam boas perspectivas para melhorar nossa relação na área de defesa com o Brasil, a obstrução do Itamaraty continuará um problema".

CAÇAS DA FAB
Apesar de elogiado, Jobim nunca apresentou em reuniões nenhuma proposta especial aos EUA a respeito da licitação dos 36 aviões caça que serão comprados pela Força Aérea Brasileira.
Em todos os relatos confidenciais os diplomatas dos EUA em Brasília mencionam frases de Jobim que coincidem com o que o ministro declarou em público.
Em uma ocasião, por exemplo, os norte-americanos escrevem: "Compras de fornecedores dos EUA serão mais competitivas quando [o país] autorizar uma produção brasileira de futuros sistemas militares".
Procurado pela Folha, o Departamento de Estado dos EUA se recusou a comentar as comunicações sigilosas.
Uma porta-voz do departamento enfatizou que os países mantêm boas relações. A Casa Branca não respondeu à reportagem até a conclusão desta edição.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

De novo Direto ao ponto

Mais uma vez Augusto Nunes vai Direto ao ponto. A oposição não pode desconsiderar os mais de 40 milhões de votos obtidos nas eleições de outubro. Alguma coisa tem que ser feita e urgente. Segue o post do blog do Augusto Nunes:

A anedótica impontualidade, que desde sempre o faz chegar atrasado a todos os compromissos, acabou contaminando o calendário político e subvertendo o relógio eleitoral de José Serra. O candidato à Presidência da República demorou demais para entrar oficialmente na disputa, para concentrar-se na campanha, para costurar a coligação nacional, para montar as alianças regionais ou para decidir quem seria o vice. Nesta quinta-feira, ao aparecer no Senado depois de três semanas de sumiço (e depois da hora marcada), confirmou que vai terminar o ano como começou: chegando à estação quando o trem já partiu.
Em público, Serra assumiu (com 25 dias de atraso) a responsabilidade pela derrota. “A culpa sempre é do candidato”, reconheceu na primeira linha do mea culpa revogado pelo que disse em encontros reservados com senadores tucanos. A soma das conversas informa que Serra divide a culpa pelo fracasso entre o rolo compressor do governo federal e o desinteresse de companheiros de partido pela eleição presidencial. Ressentido com o que qualifica de “traições”, a maior das quais imagina ter sido protagonizada por Aécio Neves, quer ser compensado com a presidência nacional do PSDB.
Colecionador de bons desempenhos como deputado federal, senador, secretário de Estado, ministro, prefeito e governador, é compreensível que Serra recuse a aposentadoria. Também é aceitável que atribua à própria força eleitoral uma parcela considerável dos votos obtidos em 31 de outubro. É natural, enfim, que não se sinta forçado a abandonar a vida pública por uma derrota: a morte política nunca ocorre antes da morte física. O incompreensível, o inaceitável, o antinatural é perceber que a ficha ainda não caiu. Alguma alma caridosa precisa contar-lhe que nenhum candidato com chances de conquistar a presidência foi tão indiscutivelmente culpado pela própria derrota.
“Cada um tem um estilo e Serra foi fiel ao estilo dele: define uma linha e, aconteça o que acontecer, vai em frente”, resumiu com a habitual elegância o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na entrevista publicada pela Folha em 2 de novembro. Resumo da ópera: fora o marqueteiro Luiz Gonzalez, o candidato da oposição oficial não consultou ninguém, não pediu um só conselho a quem quer que seja. Fez questão de errar sozinho — e só não cometeu mais erros por falta de tempo.
Ao abortar a ideia das prévias partidárias, por exemplo, perdeu quaisquer chances de ter Aécio Neves como vice. Ao contemplar o legado de FHC com o olhar deliberadamente vesgo do inimigo, enxergou um problema onde sempre existiu, mais que uma solução, o maior trunfo eleitoral dos oposicionistas. Dilma Rousseff atravessou a campanha celebrando o Brasil de anúncio da Petrobras que Lula finge ter construído. O ex-ministro de Fernando Henrique Cardoso fez de conta que nem participou do governo que mudou para muito melhor o país real.
Em vez de defender as privatizações que aumentaram a distância entre o Brasil e as cavernas, preferiu acusar Dilma de ser menos estatizante do que parece. Em vez do Serra decidido a encerrar a Era da Mediocridade, apresentou-se ao eleitorado um certo Zé pronto para ocupar o lugar do Silva e aperfeiçoar a obra do presidente que estava, segundo o suposto adversário, “acima do bem e do mal”. A adversária que todo candidato pede a Deus implorou pelo nocaute o tempo todo. O oponente fugiu ao combate e tentou ganhar encostado voluntariamente nas cordas.
Prisioneiro da falácia marqueteira segundo a qual eleitores preferem que participantes de um duelo troquem cobranças por arrulhos e interpelações por sonetos românticos, Serra desperdiçou incontáveis oportunidades de liquidar o duelo. As pesquisas de intenção de voto avisaram que questões vinculadas a valores morais e princípios éticos influenciariam a decisão do eleitor. Inibido pela paralisante estratégia do medo, inquieto com a possível exposição de pecados tucanos, Serra arriou a bandeira do combate à corrupção desfraldada no discurso em que se despediu do cargo de governador.
Açulada pela tibieza do oponente, a política aprendiz colocou na mesma categoria criminosa a confusa história protagonizada por Paulo Preto e o escândalo medonho da Casa Civil estrelado por Erenice Guerra — o andor mais vistoso da procissão infame engrossada por estupradores de sigilo fiscal, fabricantes de dossiês cafajestes e governantes fora-da-lei. Tecnicamente, Serra perdeu para a sucessora escolhida por um presidente sem compromisso com a verdade, a legislação eleitoral e o Código Penal. Vistas as coisas de perto, Serra foi o grande algoz de si próprio. Não existem traidores a condenar. Não há responsabilidades a apurar.
“Ele nunca vai admitir isso”, concordam 10 em cada 10 tucanos. “Se foi teimoso a vida inteira, não é agora que vai mudar. Ocorre que a paisagem brasileira mudou, e quem não se adaptar à guinada histórica não tem chances de salvação. As urnas de 2010 testemunharam o nascimento da oposição real. Difere da oposição oficial na cara, no ânimo, na alma. Tem um patrimônio superior a 40 milhões de votos e outros 20 milhões a conquistar. Tem as linhas gerais de um programa, como veremos em outro post. E tem um estadista, Fernando Henrique Cardoso, acumulando as funções de patriarca e ideológo.
Faltam líderes que efetivamente representem a oposição real, e não há vagas nesse grupo de elite para quem faz o que fez Serra na campanha de 2010. Falta um partido que se oponha ao governo antes e depois da eleição, livre-se dos delinquentes de estimação e não perca tempo com intrigas domésticas. O PSDB até pode transformar-se nesse porta-voz da resistência democrática. Por enquanto, não é.

Vergonhoso!

Sim, é um deboche. Só pode ser um deboche. Lula elogia Fernando Haddad. O ministro que afundou o Enem. Mesmo perto de deixar a presidência Lula não pede uma oportunidade de debochar dos brasileiros. E Haddad de debochar dos milhares de estudantes prejudicados pelos erros no Enem.

E as obras do PAC?

No meio da troca de tiros entre bandidos e policiais eu pergunto: como vão as obras do PAC nas favelas cariocas? 

PF disfarça prisão de terroristas, dizem EUA

Por Fernando Rodrigues
na Folha



A Polícia Federal do Brasil "frequentemente prende pessoas ligadas ao terrorismo, mas os acusa de uma variedade de crimes não relacionados a terrorismo para evitar chamar a atenção da imprensa e dos altos escalões do governo", relatou de maneira secreta em 8 de janeiro de 2008 o então embaixador dos Estados Unidos em Brasília, Clifford Sobel.
Essa informação faz parte de um lote de 1.947 telegramas produzidos pela diplomacia norte-americana durante a última década, em Brasília. A organização WikiLeaks teve acesso a eles. Vai divulgá-los gradualmente a partir desta semana no site www.wikileaks.org.
Ao todo, são 251.287 telegramas produzidos pela diplomacia dos EUA a partir de vários países de 28 de dezembro de 1966 até 28 de fevereiro deste ano. O WikiLeaks afirma ser "o maior conjunto de documentos confidenciais a ser levado a público na história".
A Folha leu com exclusividade seis dos 1.947 telegramas despachados a partir de Brasília. Tratam de possíveis ações de ativistas de origem árabe no país. No comunicado secreto de 2008, o embaixador Clifford Sobel confirma de maneira indireta alguns relatos já conhecidos, mas sempre negados pelo governo brasileiro.
A intenção da administração do presidente Lula de negar a existência de células terroristas no país se daria por duas razões, segundo o norte-americano. Primeiro, um temor de "estigmatizar" a comunidade árabe no Brasil. Segundo, o receio de "prejuízo para a imagem" da chamada tríplice fronteira (entre Brasil, Argentina e Paraguai) como destino turístico.
Clifford Sobel escreveu que a atitude do governo brasileiro também "visa a evitar uma associação muito próxima ao que é considerado como uma demasiada agressiva guerra ao terror".
No seu telegrama secreto, o diplomata revela que a PF "monitora as atividades de extremistas suspeitos que podem estar ligados a grupos terroristas no exterior e compartilha essas informações" com os Estados Unidos.

TERRORISMO
Os seis telegramas a que a Folha teve acesso não listam suspeitos de terrorismo que teriam sido detidos pela polícia no Brasil. Há, entretanto, uma menção direta a dois casos já revelados com exclusividade pelo jornal.
Os documentos da diplomacia dos EUA citam a ligação de um libanês preso em abril de 2009 e acusado de ter ligações com o grupo Al Qaeda. O episódio foi noticiado na Folha pelo colunista Janio de Freitas. A outra menção é sobre uma operação da PF em Santa Catarina, quando foi presa uma pessoa suspeita de ligações com extremistas sunitas.
Em maio de 2006, o então embaixador dos EUA, John Danilovich, relatou em telegrama secreto uma conversa que manteve com Jorge Armando Felix, ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) da Presidência.
O diplomata faz uma revelação curiosa. Diz que o governo do Brasil estimularia a delação entre integrantes da comunidade árabe: "O governo brasileiro está apelando a árabes moderados de segunda geração, muitos dos quais empresários bem sucedidos no Brasil, para observarem de perto outros árabes que poderiam ser influenciados por extremistas", relata.
Em dois trechos dos telegramas aos quais a Folha teve acesso há menções críticas à então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. O assunto é a inexistência de legislação no Brasil para tipificar atos terroristas -algo pelo qual os EUA fazem forte lobby em vários países.
Dilma é apresentada como a responsável por ter impedido o envio de uma proposta de lei antiterror ao Congresso. Num telegrama classificado como confidencial, de 4 de novembro de 2008, Clifford Sobel cita um especialista e diz que seriam mínimas as chances de ter essa legislação porque o governo Lula estava "amontoado de militantes esquerdistas".