sábado, 21 de agosto de 2010

Eles conseguiram piorar as coisas

Dilma Rousseff já ganhou as eleições? Não! Mas para a rede petralha sim. As eleições só vão ocorrer no dia 3 de outubro e ainda estamos no dia 21 de agosto. A recente pesquisa DataFolha mostra que a distância entre Dilma e José Serra aumentou para 17 pontos. A campanha que Lula fez para Dilma iniciada ainda em 2007 está dando efeito.
As coisas estão feias para o PSDB. Os tucanos conseguiram me convencer que é possível fazer uma campanha presidencial pior que a de Geraldo Alckmin em 2006. Serra usar Lula em sua campanha foi o fim. Foi apelação. Serra ataca e depois exalta Lula. Que oposição é essa? Tem horas que eu fico meio na dúvida sobre quem é oposição ao lulismo. Não tem ninguém.
Dilma ainda não ganhou, mas disparou nas pesquisas de intenções de voto. Do jeito que as coisas estão feias para os tucanos é bem capaz de Serra dizer no seu programa eleitoral que ele é o verdadeiro candidato de Lula.

"Sai o Silva e entra o Boécio" por Diogo Mainardi

Michel Temer é melhor do que Dilma Rousseff. Comecei a pensar assim dois meses atrás, depois de ver o resultado de uma pesquisa do Ibope. Se Boécio, encarcerado na cidade de Pavia, no ano de 523, consolou-se com a Filosofia, eu só posso consolar-me com Michel Temer. Melhor dizendo, só posso consolar-me com a hipótese meramente especulativa de que o candidato a vice-presidente na chapa governista, Michel Temer, herde nos próximos anos o cargo de Dilma Rousseff.

A Filosofia materializou-se na cela de Boécio como uma “mulher de aspecto venerável, com os olhos brilhantes e penetrantes”. Nos últimos tempos, foi dessa maneira que Michel Temer se materializou diante de mim, com aqueles seus olhos opacos e broncos. Um Michel Temer prosopopeico. Um Michel Temer aristotélico. Um Michel Temer com o pi grego bordado na veste. Depois de se consolar com a Filosofia, Boécio foi executado com um instrumento que lhe esmagou a caixa craniana. Os petistas costumam esmagar minha caixa craniana praticamente todos os dias.

O fato de me consolar com Michel Temer foi um sinal de que eu tinha de mudar de ares urgentemente. Por sorte, era o que eu vinha programando desde meados do ano passado, quando Dilma Rousseff ainda estava empacada nas pesquisas eleitorais. Duas semanas atrás, finalmente pude arrumar as malas e partir. Os petistas comemoraram dizendo que fugi do Brasil porque estava com medo de ser preso. Na realidade, eu só fugi do Brasil porque estava com medo de minha mulher, que comanda meus movimentos. Mas os petistas vislumbram a vitória de Dilma Rousseff como uma vitória do bolivarianismo, em que qualquer jornalista mais impertinente poderá ser preso. E quem é que promete deter esse bolivarianismo, em seus encontros com empresários e jornalistas? Ele mesmo: Michel Temer, o Boécio da Camargo Corrêa.

Se Dilma Rousseff for eleita, sofreremos um processo de esmagamento craniano. O Brasil já teve presidentes intelectualmente, moralmente e politicamente despreparados para o cargo. Nunca, porém, teve alguém como Dilma Rousseff. A Filosofia, para Boécio, era uma maneira de resistir às hordas bárbaras, preservando a sabedoria dos antigos. Desoladamente, só posso resistir às hordas bolivarianas preservando a sabedoria de Michel Temer, de José Sarney, de Renan Calheiros, de Jader Barbalho, de Fernando Collor de Mello e de Boécio. Fiz até um jingle para a campanha, que tem tudo para pegar. Cante comigo: “Sai o Silva e entra o Boécio”.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Era só o que faltava

Pronto! Era só o que faltava. José Serra usando imagem de Lula em sua propaganda eleitoral. Eu pensava que o PSDB tinha chegado ao fundo do poço depois da campanha pífia de Geraldo Alckmin em 2006. Eu até escrevi aqui que era impossível fazer uma campanha tão ruim como aquela. E não é que os tucanos me surpreenderam?
Peraí! Serra é candidato da situação ou da oposição? Até agora não sei de que lado ele está. Tem horas que ele critica o governo e tem horas que ele usa o Apedeuta como coadjuvante? Realmente não dá para entender. Parece que quando a coisa tá ruim para o lado do PSDB sempre pode piorar mais. E não é o adversário que ajuda a piorar, é o próprio ninho tucano que colabora.

Analista do fisco diz que deu senha a colega

Por Andrea Michael
na Folha

Investigada por acessar sem motivação o sigilo fiscal do dirigente tucano Eduardo Jorge, a analista tributária Antonia Aparecida Rodrigues dos Santos Silva afirmou em depoimento ter entregue sua senha a pelo menos duas colegas do escritório de Mauá (SP) do Fisco.
No depoimento, ao qual a Folha teve acesso, Antonia disse ter compartilhado os dados confidencias para que as colegas a ajudassem, devido ao excesso de trabalho.
Adeilda Ferreira, dona da máquina em que foi acessando o IR do tucano, e Ana Maria Caroto confirmaram ter recebido da colega a senha -com a qual têm acesso a dados de contribuintes.

RASCUNHO
Adeilda afirmou que deixou um papel com a senha da colega em cima de um bloco do tipo "risque rabisque", para rascunhos, em tese ao alcance de outros servidores.
Também afirmou que a senha foi anotada em uma agenda deixada sobre sua mesa de trabalho.
As declarações de que as senhas eram tratadas com desleixo podem dificultar a conclusão das investigações internas do Fisco e a apuração de responsáveis.
Em junho, a Folha revelou que cópia do Imposto de Renda do político constava de dossiê montado pelo "grupo de inteligência" que atuou na pré-campanha da petista Dilma Rousseff.
O sindicato da categoria, responsável pela defesa de Antonia, disse que reafirma sua confiança nela, que nega a quebra do sigilo.
Marcelo Panzardi, advogado de Adeilda, afirmou que a "a vulnerabilidade é do sistema, e se transforma numa falha que também coloca o servidor sob suspeita".
O advogado de Ana Maria Caroto não foi localizado.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Eles e a imprensa

Dilma Rousseff e José Serra estiveram no Rio de Janeiro hoje participando do 8º Congresso Brasileiro de Jornais. Os dois falaram sobre liberdade de imprensa.
Dilma e o PT só falam de liberdade de imprensa da boca para fora. A realidade é totalmente outra. Eles querem não uma imprensa de bico calado, mas sim uma imprensa que diga e que escreva apenas o que eles querem ou o que vai dar algum resultado bom para eles. Eles não querem críticas, querem elogios.
Pergunta pra Dilma se ela condena as atitudes arbitrárias de Hugo Chávez na Colômbia contra a imprensa? Pergunta pra Dilma se ela apóia a liberdade de imprensa em Cuba? Quando os amiguinhos deles censuram a imprensa ele ficam calados. Como as eleições estão chegando e é muito bonito falar de liberdade de imprensa aparece a Dilma dizendo que quer uma imprensa livre.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Eles na TV

Vi a propaganda dos candidatos a presidência na TV. José Serra começou exaltando os seus feitos como ministro, prefeito e governador de São Paulo. Disse que vai ampliar no Brasil o que ele fez em terras paulistanas. Sei não, mas achei meio forçado a visita do Serra na casa dos beneficiados pelos seus programas sociais.
Depois veio os radicais de esquerda que ainda acreditam que o socialismo ainda existem e que só uma revolução vai mudar estêpaiz. No dia que eles reconhecerem os crimes cometidos por Fidel, Mao e Stálin eu prometo que paro para ouvir o que eles dizem.
Dilma Rousseff começou seu programa da noite lá no Chuí. Lula falou de Porto Velho. Será que Lula estava mesmo na capital de Roraima? Tinhas cenas que pareciam montagem. Assim como Serra exaltou seus feitos em São Paulo, Dilma exaltou o que Lula fez no Brasil. Lula falou também, é claro. Disse que Dilma foi a chefe do seu governo. É, ela só foi Chefe da Casa Civil depois da queda de José Dirceu no auge do mensalão. Lula não tinha uma coroa e sim o cara. O cara do Lula era o Dirceu. Mas para que falar do Zé, não é mesmo? Deixem que o PSDB falem sobre isso.
A campanha presidencial na TV pode ser dividida assim: aqueles que querem fazer no país inteiro o que fizeram um dia como ministro, como prefeito e como governador e aqueles que acham que o Muro de Berlim ainda está de pé e que a foice e o martelo vão guiar os rumos destêpaiz.
PS: Esqueci da Marina Silva. Como toda Verde ela falou sobre as alterações na Terra e... só!

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Amanhã começa

Amanhã começa a campanha eleitoral na TV e no rádio. Sim, eu vou assistir e comentar aqui.

domingo, 15 de agosto de 2010

É LULA APOIANDO COLLOR, É COLLOR APOIANDO DILMA

Por Bernardo Mello Franco
na Folha

"Não se esqueçam deste nome: Dilma Rousseff presidenta, número 13 na cabeça! Obrigado, minha gente!"
Foi assim, misturando o velho bordão às novas alianças, que o senador Fernando Collor (PTB) encerrou comício para cerca de mil pessoas em Feira Grande (AL), a primeira de cinco cidades que visitaria na sexta-feira.
Ele quer voltar ao governo alagoano 21 anos após renunciar para concorrer ao Planalto. Para isso, tenta apagar o passado e colar sua imagem na do ex-desafeto Luiz Inácio Lula da Silva e em sua candidata.
"Lula vai encerrar o mandato como o melhor presidente que o Brasil já teve", disse a uma rádio, na quarta-feira. "Sou candidato do presidente Lula, da ministra Dilma e do governo federal."
Na versão de Collor, o petista teria adotado a cartilha que o levou ao poder. "Continuo na mesma posição, com as ideias que defendi em 1989", sustenta.
Como o PT alagoano está coligado ao PDT de Ronaldo Lessa, o Tribunal Regional Eleitoral proibiu o jingle "É Lula apoiando Collor, é Collor apoiando Dilma".
Ele mandou regravar o trecho com uma mensagem subliminar: "Não adianta, o povo sabe quem tá apoiando quem, o povo tá decidido e vai apoiar também".
Desde o início da campanha, Collor só anda com um adesivo de Dilma no peito direito. No esquerdo, exibia um broche com a imagem de Nossa Senhora Aparecida.
O resto do figurino lembrava os tempos da Presidência: Rolex de ouro, calça Ralph Lauren, camisa Tommy Hilfiger e tênis Nike para percorrer as ruas de barro de mãos dadas com Caroline, 28 anos mais nova.
Rejeitado pela classe média de Maceió, o senador aposta nos grotões, onde ainda é recebido como popstar. Em Feira Grande, o povo se acotovelou num campo de futebol para assistir à sua chegada, de helicóptero.
Desembarcou de punhos cerrados e desceu em disparada para a praça, seguido por populares. Militantes pagas pelo prefeito Fabinho do Chico da Granja (PTB) agitavam bandeiras por R$ 20.
Collor discursou na escadaria da igreja. Em 21 minutos, prometeu escola, asfalto, merenda, ambulância e lares para idosos. Atacou "a ladroagem e a sem-vergonhice" e ameaçou esmagar bandidos "que atormentam a família alagoana" com "o peso da minha munheca".
A seu lado, a ex-prefeita de Arapiraca (AL) Célia Rocha definiu o governo estadual como "primeiro passo" para voltar ao Planalto.
Ele não nega o plano. "Depende das circunstâncias e do destino que Deus reserva", disse, dois dias antes.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Petralhada tá que tá

Dizem que a imprensa é golpista, não é mesmo? Ontem eu estava zapeando por alguns sites e vi uma saraivada de críticas ao Jornal Nacional por causa das entrevistas com os candidatos a presidência. Entrevista completa só assisti a da Dilma Rousseff. Do José Serra vi só alguns lances. As entrevistas da Marina Silva e do Plínio Arruda Sampaio não vi.

Não sei porquê a petralhada tá que tá? William Bonner e Fátima Bernardes foram agressivos com Dilma Rousseff? Queriam o que? Os dois só não perguntaram para Dilma sobre o mensalão. Serra e Marina tiveram que responder. Ou seja, a candidata do governo não responde sobre o maior escândalo deste governo e do Brasil e ainda dizem que ela foi perseguida.

Aí, como sempre, tem aquela galera que adora ver teoria da conspiração em tudo. Dizem que Bonner e Fátima facilitaram para Serra. Mentira! Serra foi apertado como as outras candidatas. Bonner não deixou Serra concluir as considerações finais porque o tempo estava mais do que estourado. Aliás, se o Jornal Nacional está apoiando Serra, então Dona Lily Marinho, viúva de Roberto Marinho, tinha que dar um puxão de orelha nos seus filhos. Ela tá com Dilma e ninguém mais.

Querem ver que, se Dilma Rousseff vencer estas eleições, vai ter petralha dizendo que a mídia perdeu de novo (ela teria perdido em 2006 quando Lula foi reeleito). Se Paulo Henrique Amorim entrevistas José Serra e Dilma Rousseff queria ver quem ele apertaria mais e queria ver também se alguém iria dizer sobre manipulação.

Serra é ou não é oposição?

Quem bateu em Lula nesta campanha? Ninguém! Todos os candidatos, de uma forma ou de outra, fizeram rasgados elogios à ele ou preferem se omitir. Parece que o lulismo é uma perfeição, não contém erros e deve ser assim por muitos e muitos anos.

Não vi nenhum candidato que se diz oposicionista criticando a perseguição do lulismo e do PT à imprensa. Não vi José Serra cobrando de Dilma Rousseff uma posição clara sobre o famigerado Programa Nacional de Direitos Humanos. Não vi José Serra questionando Dilma sobre os usos e abusos do governo, sobre ilegalidades, sobre deboches à Constituição.

Não assisti ao debate da Band ontem com os candidatos ao governo de São Paulo, mas os sites de notícia dizem que o tucano Geraldo Alckmin criticou o governo Lula. Pois é. Criticou quatro anos depois porque quando Alckmin era candidato a presidente não apertou Lula contra a parede (e olha que ele teve motivos: mensalão, dossiê, caos aéreo). José Serra está repetindo o mesmo erro de Alckmin: não assumir sua posição de oposicionista. Quer uma continuidade que não é uma continuidade.

Os tucanos não se posicionam sobre outro assunto: o que fazer com Fernando Henrique Cardoso? O PT está muito mais preocupado com o ex-presidente do que os próprios tucanos. Por que até agora Serra não pegou os números positivos dos oito anos de mandato de FHC e contrapôs com os números positivos do governo Lula apresentados por Dilma? Por que este medo de apresentar ex-presidente e relembrar o que ele fez? Sim, a economia hoje vai bem porque Lula deixou de lado as trapalhadas esquerdopatas que ele prometia fazer e assumiu a linha adotada pelo governo anterior. Imaginem o Brasil seguindo a cartilha petista de uns anos atrás?

A campanha oficial na TV ainda não começou. Dilma segue o roteiro traçado por Lula. Serra mantém os números nas pesquisas, mas repete os mesmos erros de Geraldo Alckmin em 2006: não tem uma posição definida. Só faltava a campanha tucana ser mais morna que a das eleições presidenciais passadas. Será que o PSDB consegue tal façanha? Aí Lula terá mais um fato a comemorar: nenhum candidato a presidente desde 2003 bateu nele.

Dilma na frente, Serra atrás

DataFolha de hoje mostra Dilma Rousseff na frente de José Serra. Ela com 41% e ele com 33%. Os petralhas devem estar soltando rojões de felicidades. Mas eu não acho que a batalha está vencido. Deve dar segundo turno pau a pau.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

"Um pouco mais de gentileza"?

Lula comentou a entrevista de Dilma Rousseff no Jornal Nacional anteontem. Para ele, sua candidata deveria ser tratado com "um pouco mais de gentileza". Vai ver Lula queria que Willian Bonner e Fátima Bernardes passassem a mão na cabeça de Dilma.
A primeira entrevista do telejornal global com os presidenciáveis causou muitas discussões. Eu achei correta. Candidato tem que ser tratado a tapas e pontapés. Tem que ser questionado em todos os pontos, sobre todos os ângulos.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Dilma com Canalheiros, Barbalho, Sarney e Collor

Assisti ontem à entrevista de Dilma Rousseff no Jornal Nacional. Willian Bonner perguntou sobre as alianças petistas que envolviam José Sarney, Fernando Collor de Melo, Renan Canalheiros e Jader Barbalho. Dilma não respondeu diretamente sobre estes larápios da política brasileira, mas concordou com o apoio deles.
Interessante. Dilma vive criticando o governo Fernando Henrique, mas ela se esquece que os aliados de FHC são os aliados dela hoje. O vice de Dilma, Michel Temer, foi presidente da Câmara na era FHC. Ou seja, eles ratificaram as decisões do governo do PSDB.
O PT não tem vergonha dos seus aliados. É com eles que Dilma quer governar o Brasil. Se ontem eles protagonizaram escândalos políticos cabeludos pode ter certeza que Dilma terá muita dor de cabeça com eles caso vença as eleições. E não adianta Dilma dizer que não sabia de nada ou que foi enganada. Quem responde no Jornal Nacional que o PT amadureceu ao fazer alianças com José Sarney, Fernando Collor de Melo, Renan Canalheiros e Jader Barbalho sabe muito bem com quem está se aliado e o que está dizendo em horário nobre.

domingo, 8 de agosto de 2010

Podres poderes terrenos

Editorial do Jornal Opção

Bra­sí­lia, ter­ça-fei­ra, 3. O can­di­da­to a vi­ce na cha­pa de Dil­ma Rous­seff (PT) e pre­si­den­te da Câ­ma­ra dos De­pu­ta­dos, Mi­chel Te­mer (PMDB), li­de­ra um al­mo­ço com par­la­men­ta­res da ba­se ali­a­da e mi­nis­tros do go­ver­no Lu­la. A re­u­ni­ão é fe­cha­da, sem a pre­sen­ça de jor­na­lis­tas. Mas há tan­ta gen­te (na ca­sa do se­na­dor Gim Ar­gel­lo — PTB/DF), que é pre­ci­so usar um mi­cro­fo­ne. É daí que vi­e­ram as no­tí­cias so­bre o que se pas­sou. Com ares sa­cer­do­tais, Te­mer diz a fra­se mais quen­te da se­ma­na: “Não que­re­mos par­ti­lhar ape­nas o pão. Que­re­mos par­ti­lhar o go­ver­no de Dil­ma”. Uma sal­va de pal­mas sa­ú­da o que po­de ser con­si­de­ra­do mar­co ini­ci­al do gran­de lo­te­a­men­to já aber­to em Bra­sí­lia.

Nin­guém du­vi­da de que se­ria fer­re­nha a dis­pu­ta sub­ter­râ­nea por es­pa­ços na even­tual ad­mi­nis­tra­ção da pe­tis­ta. Só não con­ta­vam com um fla­gran­te des­ses, já de­vi­da­men­te “mi­ni­mi­za­do” por Te­mer. Um fla­gran­te que re­ve­la uma si­tu­a­ção só ago­ra le­va­da a sé­rio pe­los ana­lis­tas po­lí­ti­cos: um even­tual go­ver­no Dil­ma jun­ta­ria a fo­me com a von­ta­de de co­mer. Pa­ra li­dar com a fo­me de seus ali­a­dos, a pu­pi­la de Lu­la não te­ria o ne­ces­sá­rio pul­so de le­gi­ti­mi­da­de elei­to­ral que seu mes­tre sem­pre te­ve. A ad­mi­nis­tra­ção da pe­tis­ta es­ta­ria fa­tal­men­te à mer­cê do fi­si­o­lo­gis­mo de uma co­a­li­zão mon­ta­da so­bre con­ve­niên­cias e mé­to­dos ex­pli­ci­ta­dos pe­lo ex-par­cei­ro Ro­ber­to Jef­fer­son ain­da em 2005. In­vo­can­do po­dres po­de­res ter­re­nos, o ato de fé de Te­mer (ao con­cla­mar seus pa­res a di­vi­dir o bu­tim an­tes mes­mo do jo­go co­me­çar de fa­to) faz tre­mer qual­quer ci­da­dão de bem. E não pe­lo vi­sí­vel sal­to al­to, mas pe­la ní­ti­da sen­sa­ção de que eles tu­do po­dem.
Comentário
Não tiro nenhuma palavra do editorial do jornal. A base lulista está de salto alto achando que a eleição está vencida. E olha que nem começou a campanha na TV e no rádio. Está mais claro do que nunca que um possível governo Dilma teremos além das mãos de Lula, as mãos de Michel Temer, José Sarney, Renan Canalheiros. Quem vai governar o Brasil caso Dilma seja eleita vai ser Lula e os esfomeados do PMDB.

Com licença médica, Joaquim Barbosa vai a festa de amigos e a bar em Brasília

No Estadão

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, que está de licença por recomendação médica, alegando que tem um "problema crônico na coluna" e, por isso, enfrenta dificuldade para despachar e estar presente aos julgamentos no plenário do STF, não tem problemas para marcar presença em festas de amigos ou se encontrar com eles em um conhecido restaurante-bar de Brasília.Na tarde de sábado (ontem), a reportagem do Estado encontrou o ministro e uns amigos no bar do Mercado Municipal, um point da Asa Sul. Na noite de sexta-feira, ele esteve numa festa de aniversário, no Lago Sul, na presença de advogados e magistrados que vivem em Brasília.

Joaquim Barbosa está em licença médica desde 26 abril. Se cumprir todos os dias da mais nova licença, ele vai ficar 127 dias fora do STF, só neste ano. Em 2007, ele esteve dois dias de licença. Em 2008, ficou outros 66 dias licenciado. Ano passado pegou mais um mês de licença. Advogados e colegas de tribunal reclamam que os processos estão parados no gabinete do ministro.

Processos estocados. Neste sábado, a reportagem do Estado aproximou-se da mesa onde Barbosa estava no Bar Municipal. O ministro demonstrou insatisfação e disse que não daria entrevista. Em seguida, entretanto, passou a criticar um texto publicado pelo jornal no último dia 5 intitulado "Licenças de Barbosa emperram o Supremo".

No texto havia a informação de que Barbosa é o campeão de processos estocados no STF, apesar de ter sido poupado das distribuições nos meses em que ficou em licença. De acordo com estatísticas do tribunal, tramitam sob a sua relatoria 13.193 processos, incluindo os que estão no Ministério Público Federal para parecer. O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante Júnior, disse que o STF deveria encontrar uma solução para os processos que estão parados e que essa saída poderia ser a redistribuição das ações.

De acordo com Barbosa, o jornal tinha publicado uma "leviandade". O ministro afirmou que a reportagem foi usada por um grupo de pessoas que, segundo ele, quer a sua saída do STF. "Mas eu vou continuar no tribunal", disse, irritado. Ele afirmou que não é verdade que as suas licenças emperram os trabalhos da Corte. O ministro reclamou que não foi procurado pela reportagem para se manifestar sobre as queixas feitas por advogados e colegas de STF por causa de suas licenças médicas. Ministros do Supremo chegaram a dizer que se Barbosa não tem condições de trabalhar deveria se aposentar.

"Você não me procurou", disse. A verdade é que o Estado só publicou a reportagem do último dia 5 depois de contatar um assessor do ministro. Esse funcionário disse que Barbosa não daria entrevista. Ao ser confrontado com essa informação, o ministro disse: "Você tinha de ter ligado para o meu celular". Depois, não quis mais falar.

Volta temporária. Na semana passada, o presidente do STF, Cezar Peluso, anunciou que Barbosa voltaria ao plenário da Corte. O regresso será, porém, temporário: é só para participar de um julgamento que diz respeito ao mensalão petista, processo do qual ele é relator, e outros casos em que a conclusão do julgamento depende do voto dele. O ministro participará desse julgamentos e retornará para a licença, para se tratar em São Paulo.

Entre os processos nas mãos de Barbosa está uma ação que discute se as empresas exportadoras de bens e serviços devem recolher ou não a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Na sessão da semana passada, o julgamento do processo foi interrompido porque o placar ficou empatado em 5 a 5. Caberá a Barbosa desempatar o julgamento.

De acordo com estatísticas disponíveis para assessores do tribunal, Barbosa é o campeão em processos no STF, apesar de ter sido poupado das distribuições nos meses em que ficou em licença. Tramitam sob sua relatoria 13.193 processos, incluindo os que estão na Procuradoria-Geral da República para parecer. Na outra ponta das estatísticas, Eros Grau, que se aposentou na segunda-feira, era o responsável por 3.515 processos em tramitação. Ao todo, estão em andamento no tribunal 92.936 ações.

Previ é fábrica de dossiê do PT, diz ex-diretor

Na Folha de São Paulo

Ex-diretor e ex-assessor da presidência da Previ (fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil), Gerardo Xavier Santiago diz que o fundo funciona como "fábrica de dossiês" contra a oposição do governo Lula e máquina de arrecadação para o PT.
Gerardo foi gerente-executivo da Previ entre 2003 e 2007, sendo ligado diretamente ao ex-presidente do fundo Sérgio Rosa, que deixou o cargo em junho de 2010. Gerardo saiu da Previ após brigar com Rosa em 2007, quando deixou o PT.
As declarações sobre a espionagem foram feitas à revista "Veja" desta semana. À revista ele afirma que o fundo é "um bunker de um grupo do PT" e que "a Previ está a serviço de um determinado grupo muito poderoso, comandado por Ricardo Berzoini, Sérgio Rosa, Luiz Gushiken e João Vaccari Neto".
Segundo revelou a Folha neste mês, um dossiê sobre a filha do ministro Guido Mantega foi feito por essa ala do PT, ligada ao sindicalismo bancário. O Planalto atribui o dossiê ao grupo de Rosa, que perdeu espaço na campanha de Dilma Rousseff.
"Estranharia se na minha época tivessem me pedido coisa semelhante contra o Mantega. Uma coisa é fazer com o adversário. É uma involução do PT por causa da disputa interna", afirmou Gerardo à Folha.
Ele também disse que concedeu a entrevista à "Veja" há dois anos e confirmou as acusações à revista nesta semana, antes da publicação.
O ex-diretor, que também já foi do Sindicato dos Bancários do Rio, disse à Folha que, além de montar dossiês, a Previ serviu a interesses do partido para aumentar a arrecadação. Segundo ele, a Previ montou uma rede de conselheiros ligados ao PT em empresas nas quais o fundo tem participação. A intenção era influenciar as doações das companhias para beneficiar o partido.
Santiago diz que o primeiro dossiê produzido por ele na Previ é de 2002, no governo FHC. O material deveria, diz ele, comprometer a gestão tucana e provar a ingerência do governo na Previ.
"Dossiês com conteúdo ofensivo, para atingir e desmoralizar adversários políticos, só no governo Lula mesmo, na gestão do Sérgio Rosa", diz o ex-diretor à "Veja".
Santiago lista os oposicionistas que teriam sido investigados com base em dados sigilosos, cujo acesso teria sido ordenado por Rosa: o senador Antônio Carlos Magalhães (DEM-BA), já morto, o governador José Serra (PSDB) e o então presidente do DEM Jorge Bornhausen.
O ex-diretor diz na entrevista que reuniu denúncias sobre eles em 2005, na CPI dos Correios, e que Rosa solicitou "informações sobre investimentos problemáticos da Previ que estivessem ligados a políticos da oposição".
O PT não se manifestou. A Previ disse que "a atual cúpula desconhece essa prática e está muito tranquila em relação a suas recentes práticas de governança". Rosa não comentou o assunto.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Peleguinhos em ação

Matéria que está na Folha de São Paulo de hoje assinada por José Ernesto Credendio

Grupos ligados ao MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e outros entidades de sem-terra do Pontal do Paranapanema (extremo oeste de São Paulo) iniciaram campanha em favor de Dilma Rousseff (PT).
Os sem-terra do Pontal espalharam bandeiras e distribuíram panfletos de apoio a ela. Oficialmente o MST não apoia nenhum candidato.
Grandes bandeiras do PT, ao lado de flâmulas do MST, foram colocadas na entrada de acampamentos e assentamentos no Pontal e na região de Araçatuba (SP).
Ontem, o líder sem terra José Rainha Jr. percorreu acampamentos para pregar pela petista e atacar o presidenciável tucano, José Serra.
Segundo Rainha, a campanha vai passar por cerca de 150 assentamentos e 70 acampamentos. "Estamos mostrando que o Serra, para a nossa região, só trouxe pedágio e presídio", disse.
Em um manifesto denominado "A Nossa Tarefa", entidades defendem Dilma como "companheira" e afirmam que o "único objetivo" é eleger a petista neste ano.
"Vamos transformar cada cidadão em um soldado desta campanha, é nosso dever é nossa obrigação, não podemos ficar esperando que a nossa candidata Dilma pronuncie sobre a Reforma Agrária... Dilma será a presidenta da continuidade de um governo operário nordestino, que a elite tanto combate", afirma o panfleto.
Além do MST, o papel cita os grupos sem terra MTST, MLST, Mast e Uniterra, além da CUT (Central Única dos Trabalhadores).

Comentário
Pois é. Já nem me lembro a quantidade de posta aqui no blog mostrando a pelegada em ação. Quando não é a UNE fazendo companha para Dilma Rustoff é a CUT. Quando não é a CUT fazendo campanha para Dilma Rustoff é o MST. Ou os três juntos pegam a bandeira do PT e pedem votos para Dilma.
Eles querem Dilma no poder para continuar mamando nas tetas estatais. Quer ver que, se José Serra vencer as eleições em outubro, a pelegada vai voltar a ocupar as ruas e pedir "um outro mundo possível"?

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Berzoini diz ter pedido apuração de dossiê

Por Lucas Ferraz
na Folha

Apontado pelo Palácio do Planalto como um dos suspeitos de produzir um dossiê contra o ministro Guido Mantega (Fazenda), o deputado federal Ricardo Berzoini (SP), ex-presidente do PT, divulgou ontem em seu blog uma carta em que se defende das acusações.
Ele diz ter procurado Mantega e pedido a ele uma investigação para apurar responsabilidades pela elaboração do material.
Conforme a Folha revelou ontem, o ministro da Fazenda foi alvo de um dossiê que o governo atribui a uma ala do PT egressa do sindicalismo bancário. O material acusa a filha do ministro, Marina Mantega, de suposto tráfico de influência dentro do Banco do Brasil -o que ela nega.
O objetivo era fazer com que Guido Mantega desistisse da nomeação de Paulo Caffarelli, vice-presidente do BB, para a presidência da Previ (fundo de pensão dos funcionários do banco), cujo patrimônio hoje soma cerca de R$ 150 bilhões.
Caffarelli acabou não nomeado, assim como o nome defendido para a Previ pelos petistas da área bancária.
"Recentemente, em conversa com o ministro Mantega, sobre outros assuntos de interesse da política econômica, comentei sobre a tal carta apócrifa. (...) Sugeri ao ministro que determinasse ao BB a abertura de sindicância interna para apurar eventual participação de funcionários do banco em sua elaboração", escreveu Berzoini em sua página na internet.
O deputado também nega que seu afastamento da campanha presidencial de Dilma Rousseff (PT) tenha relação com o episódio. "Gostaria de dedicar o ano de 2010 ao meu mandato", afirmou.
O atual presidente do PT, José Eduardo Dutra, confirmou que o dossiê, também nomeado por ele como "carta apócrifa", circulou em abril, como consta na reportagem da Folha. Ao analisar o caso, foi irônico. "Desde a novela "Direito de nascer" [exibida entre 1964-65], nunca uma carta anônima teve tanto destaque na imprensa."
Sobre o fogo amigo petista, o senador tucano Alvaro Dias (PR) afirmou que o PT estaria se especializando na elaboração de dossiês. "Quando se começa a esquecer o último, aparece outro."

domingo, 1 de agosto de 2010

Tô aqui!

Meus cinco leitores andam preocupados. Cadê meus posts?
Amanhã estarei de volta com força total!

sábado, 24 de julho de 2010

"Vou embora" por Diogo Mainardi

Fabiano, o retirante de Vidas Secas, é igual a um bicho. Graciliano Ramos compara-o a um cavalo. Ele compara-o também a um tatu, a um macaco, a um cachorro e a um pato. Se Fabiano é igual a um bicho, eu sou igual a Fabiano. Está lá, na primeira parte do romance:

“A sina [de Fabiano] era correr mundo, andar para cima e para baixo, à toa, como judeu errante. Um vagabundo empurrado pela seca. Achava-se ali de passagem, era hóspede. Sim senhor, hóspede que tomava amizade à casa, ao curral, ao chiqueiro das cabras”.

Oito anos depois de desembarcar no Rio de Janeiro, de passagem, estou indo embora. Um vagabundo empurrado pela vagabundagem. É uma sina: andar para cima e para baixo, à toa. Sim senhor, tomei amizade à cidade. O Rio de Janeiro — e, em particular, Ipanema, que me hospedou — tornou-se para mim um verdadeiro chiqueiro das cabras.

Os quatro protagonistas de Vidas Secas — Fabiano, Sinhá Vitória, o menino mais velho e o menino mais novo — vagam silenciosamente pela caatinga, “onde avultam as ossadas e o negrume dos urubus”. Quando o menino mais velho, sedento e faminto, cai na lama rachada, tomado por uma vertigem que o impede de dar um passo a mais, Fabiano diz:

— Anda, excomungado.

Eu, minha mulher, o menino mais velho e o menino mais novo vagamos rumorosamente pelos corredores desertos do aeroporto Tom Jobim, onde avultam as ossadas e o negrume da Air France. Quando o menino mais velho, que caminha com um andador, resolve empacar, recusando-se a dar um passo a mais, eu digo, sim senhor:

— Anda, excomungado.

Fabiano tem medo de ser preso. Eu também tenho medo de ser preso. Fabiano tinha uma cadela chamada Baleia. Eu vi uma baleia, algumas semanas atrás, no mar de Ipanema. Fabiano, para matar a fome, acaba comendo seu papagaio. Eu, antes de ir embora do Rio de Janeiro, tratei de comer todas as sobras da geladeira, inclusive um ovo de Páscoa coberto de bolor.

Nas primeiras linhas de Vidas Secas, Fabiano parte, sem saber para onde. Nas últimas linhas do romance, ele parte novamente, sonhando com “uma terra desconhecida e civilizada”, onde os meninos iriam para a escola e sua mulher nunca mais teria de lamber o focinho ensanguentado de uma cadela. Depois de comparar Fabiano a um cavalo, a um tatu, a um macaco, a um cachorro e a um pato, Graciliano Ramos, nos instantes finais, apieda-se e, bisonhamente, humaniza-o. Fabiano sonha em parar de andar para cima e para baixo, à toa. O que eu digo? Eu digo:

— Anda, excomungado.