terça-feira, 30 de setembro de 2008

PT e PSDB são aliados em mais de 1.000 municípios

Por Fernanda Odila e Alan Gripp
na Folha de São Paulo

O PT marcha de mãos dadas com ao menos um dos três partidos de oposição ao governo Lula (PSDB, DEM e PPS) em 41,2% dos municípios do Brasil -2.292 das 5.563 cidades. O número é 13,9% maior do que em 2004, uma prova de que o tensionamento da política federal vem sendo deixado de lado em nome de questões locais.A Folha analisou todas as 30.847 coligações válidas, registradas no Tribunal Superior Eleitoral em 2008 e 2004.As alianças que unem as quatro legendas numa única chapa subiram 36% em relação às eleições anteriores, passando de 89 para 121 neste ano.A dobradinha PT-DEM, impensada em nível nacional, foi a que registrou maior crescimento em relação à eleição passada: 41,9%. Em 2004, os partidos estiveram juntos em 674 cidades. Agora, são 957.Com o PSDB, possivelmente o maior rival na campanha da sucessão de Lula, o PT selou 1.095 alianças -20,9% a mais do que há quatro anos (905).Com o PPS, satélite democrata-tucano, as parcerias ficaram no mesmo patamar -de 1.105 para 1.129 (a maior das alianças entre PT e pelo menos um dos partidos da oposição em números absolutos). O dado novo é que ela acontece em quatro capitais: Manaus (AM), João Pessoa (PB) e Palmas (TO), além de Aracaju (SE).As alianças em que o pragmatismo local prevaleceu sobre a política nacional não ocorreram apenas em cidades minúsculas e longe de Brasília.As quatro siglas estão unidas, por exemplo, em municípios como São João de Meriti (RJ), com 462 mil habitantes, e São Vicente (SP), com 323 mil.Entre os acertos formais, o mais significativo ocorreu em Aracaju. Lá, ao contrário de Belo Horizonte -onde o PT bateu pé, obrigando o prefeito Fernando Pimentel (PT) e o governador Aécio Neves (PSDB) a formarem uma aliança branca em torno da candidatura de Márcio Lacerda (PSB)-, o casamento é de papel passado.Na capital sergipana, o comunista Edvaldo Nogueira tenta novo mandato com o apoio de petistas, tucanos e também do PPS.Há casos em que o PT se uniu à oposição para reassumir o comando da prefeitura. Em Paraty (RJ), o petista Carlos José Gama Miranda, o Casé, encabeça a chapa formada por PSDB, DEM e PPS e outras quatro legendas para tentar impedir a reeleição do prefeito José Carlos Porto Neto (PTB).E há ainda municípios em que o PT se aliou à oposição para manter outra força política na prefeitura, como em Campinas. Na última eleição, Dr. Hélio (PDT) se elegeu prefeito somente com o apoio do PMDB e do DEM. Este ano, a chapa ganhou mais nove partidos, entre eles o PT e o PC do B. "As questões ideológicas permanecem, mas os embates não invadiram a administração", disse Hélio.A "trégua" entre PT e oposição ocorreu principalmente no Paraná e em Minas Gerais. No primeiro Estado, os petistas estão juntos com os três partidos de oposição em 19 municípios. Em São Paulo,as dobradinhas PT-DEM saltaram de 79 para 119, aumento de 51%. Em Minas, petistas e democratas também se aproximaram. Hoje, estão juntos em 175 coligações ante as 143 de 2004."O PT passou a existir em municípios em que não estava presente, o que facilitou novas alianças. Mas sempre em torno de questões locais", disse o senador Sérgio Guerra, presidente nacional do PSDB. Para Guerra, PT e PSDB são mais fortes juntos. "A tendência é crescer mais", avaliou. Em 2004, petistas e tucanos elegeram 54% dos candidatos apoiados pelas duas siglas.Em Nova Iguaçu (RJ), a chapa que elegeu Lindberg Farias (PT) em 2004 contava com PSDB e DEM. Os tucanos abandonaram a coligação este ano, mas os democratas permaneceram.

Lula muda o tom e diz que Brasil pode ter ''pequeno aperto''

Por Wilson Tosta e Leonencio Nossa
no Estado de São Paulo

Pouco depois da rejeição, pelo Congresso dos Estados Unidos, do pacote de US$ 700 bilhões de ajuda ao sistema financeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou preocupação em relação a possíveis conseqüências negativas, para a economia brasileira, da crise nos mercados. Durante entrevista ao programa semanal de rádio "Café com o Presidente", divulgada pela manhã, Lula já admitia que o Brasil pode passar por um aperto "muito pequeno" na economia. Embora comedida, a fala do presidente foi menos otimista que discursos anteriores."É importante que o povo brasileiro saiba que uma crise de recessão num país como os Estados Unidos pode trazer problemas a todos os países, porque eles representam a maior economia do mundo." As declarações de ontem do presidente marcaram uma mudança de tom em suas análises sobre a turbulência financeira. Antes, Lula dizia que "a crise não atravessou o Atlântico" e repetia que o Brasil sofreria pouco por causa dela. Ontem, porém, foi diferente. O presidente voltou a falar em confiança na economia do País, mas ressaltou que há problemas sérios e deixou claro que a solução está com os EUA, embora repetisse a disposição de continuar os investimentos no Brasil. Lula falou a jornalistas após participar da solenidade pelos cem anos da morte de Machado de Assis, na Academia Brasileira de Letras, no Rio. O presidente ressaltou estar "tranqüilo" e voltou a dizer que o Brasil não deixará passar a oportunidade de voltar a crescer. Mas deixou claro que a solução dependerá da "sabedoria do governo americano". Lula pediu "responsabilidade" ao Congresso e ao Executivo dos Estados Unidos para evitar uma crise que atingiria o "mundo inteiro". E criticou duramente a falta de controle dos americanos sobre os bancos."Eles precisam ter responsabilidade, porque os países pobres, que fizeram tudo para ter uma boa política fiscal, fizeram tudo para ter tranqüilidade, não podem agora ser vítimas do cassino que eles montaram na economia americana." "Não é justo que países latino-americanos, países africanos, países asiáticos paguem pela irresponsabilidade de setores do sistema financeiro americano", acrescentou. Lula lembrou que, no Brasil, um banco de investimento não pode se alavancar além de dez vezes o patrimônio líquido. "Nos Estados Unidos, não tem limite", declarou, em tom escandalizado."Posso dizer a vocês que estamos conscientes do que está acontecendo no mundo", afirmou. Lula ressaltou, ainda, que tem feito reuniões sistemáticas com a área econômica e o Banco Central para discutir a crise. "Sabemos que a crise é grave, sabemos que vai diminuir o crédito no mundo, mas estamos seguros de que nossas exportações continuam indo bem, as importações de máquinas e equipamentos continuam indo bem, a indústria continua crescendo, temos projetos importantes do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), temos projetos importantes de infra-estrutura que não vamos paralisar, vamos continuar."Lula atribuiu a rejeição do pacote pelo Congresso americano à disputa eleitoral pela presidência dos EUA, que ocorrerá em novembro. "Acho que foi rejeitado porque, nessas alturas do campeonato, tem gente tentando tirar proveito", afirmou. "Mas penso que a responsabilidade que os americanos têm diante do mundo vai obrigá-los a tomar uma posição. Ali não existe meio-termo. Ou eles assumem a responsabilidade de cobrir o rombo que eles permitiram que fosse criado ou eles vão criar uma crise muito séria no mundo inteiro." Ele disse que chegou a hora de o Congresso e o governo dos EUA assumirem "a responsabilidade que lhes cabe nessa história". "Eles criaram um rombo no sistema financeiro, então agora têm que tampar."No rádio, Lula já havia ressaltado que o mercado interno daria sustentação à economia brasileira durante a crise, garantindo números positivos em exportação, emprego e investimentos.

Republicanos culpam a democrata Nancy Pelosi pela derrota

No Jornal do Brasil

Depois de um fim de semana de intensas negociações no Congresso, a aprovação do socorro de US$ 700 bilhões a instituições financeiras dos Estados Unidos era tida como certa. Mas não foi. E, em Washington, a pergunta era: "O que aconteceu?"
Líderes republicanos que pressionaram membros relutantes de seu partido a aprovarem a medida culparam nominalmente a líder da Câmara, a democrata Nancy Pelosi. O problema, dizem, foi um discurso que a representante da Califórnia fez pela manhã, no saguão da Câmara:
– O número US$ 700 bilhões é enorme, mas é apenas uma parte do custo das políticas econômicas de George Bush, políticas construídas sobre negligências orçamentárias combinadas com uma política de "vale tudo" que nos trouxeram onde estamos hoje – disse Nancy.
Para John Boehner, líder da minoria republicana na Câmara, com este "discurso partidário" Nancy jogou fora o frágil acordo para aprovar o socorro financeiro, porque fez mudarem de idéia "pelo menos uma dezena de republicanos que tinham sido arduamente convencidos a apoiar o pacote" – rejeitado por muitos por usar o dinheiro do contribuinte para salvar instituições que lucram com a especulação de Wall Street.
– Acredito que a segunda-feira teria sido diferente não fosse por este discurso bipartidário – afirmou Boehner.
A medida foi vetada por 228 deputados: 133 republicanos voltaram-se contra o presidente, George Bush, assim como 95 democratas. O socorro recebeu apoio de 140 democratas e apenas 65 republicanos, no que o jornal The New York Times classificou como uma "derrota política catastrófica" para Bush, que na quarta-feira fez um discurso, em horário nobre, no qual deixou claro que "toda a economia dos EUA" estava em risco se o plano não fosse aprovado.
Não adiantou.
No entanto, o democrata Barney Frank, um dos principais negociadores do pacote, recusou a acusação de que a declaração de Nancy tenha sido responsável pela recusa republicana em aprovar o pacote.
– Não é possível que porque alguém os magoou eles tenham resolvido descontar no país – disse. – Não é plausível.
Há ainda quem diga que os "republicanos relutantes" são os mesmos que este mês enfrentaram eleições em seus distritos e não querem se indispor com seus eleitores, insatisfeitos com a possibilidade de pagarem a conta da crise. Na divisão dos US$ 700 bilhões, mais de US$ 2 mil sairá do bolso de cada contribuinte americano.
A líder da Câmara também saiu em defesa própria. Ressaltou que os líderes democratas e republicanos pediram que a maioria dos deputados de cada partido votassem a favor do socorro, mas que "apenas os democratas cumpriram a promessa":
Mas o site Politico.com chamou a atenção para a primeira versão do discurso, distribuída pela assessoria da deputada, na qual constavam trechos deixados de fora por Nancy, quando ela falou no saguão. A prévia, apesar de mencionar "irresponsabilidade fiscal", não citava Bush. "A versão ao vivo foi bem mais incendiária", avaliou o site, que se tornou referência em cobertura das eleições americanas.
Foram quatro horas de debate antes do início da votação, no qual membros dos dois partidos fizeram discursos apaixonados a favor e contra a medida do governo Bush. O pleito começou com os líderes republicanos e democratas alertando aos colegas que "a única maneira de proteger a economia da crise de crédito" era "votar a favor" do pacote. O período de votação ficou aberto por 40 minutos além do prazo de meio-dia, numa tentativa de convencer alguns legisladores que tinham votado "não" de que haveria danos demais ao mercado e que eles deveriam mudar o voto. Depois, mais negociações, a portas fechadas. Não houve sucesso.
E, mesmo que uma nova votação ocorra depois da quinta-feira, ainda não se sabe se o resultado será positivo. Uma fonte contou à CNN que se o pacote atual receber apenas "ajustes", vai continuar sem passar pelos legisladores republicanos, já que alguns itens da lista de propostas, como a suspensão de impostos sobre lucros, não são prioridade na negociação.

Bush corre em busca de nova versão para pacote

Por Patrícia Campos Mello
no Estado de São Paulo

A Câmara americana rejeitou ontem a proposta de lei que autoriza o pacote de US$ 700 bilhões para resgatar o sistema financeiro, provocando caos na bolsa e nos mercados de crédito. Líderes do Congresso pretendem votar uma versão modificada da lei ainda esta semana, mas não há garantias de que conseguirão angariar o apoio necessário.Menos de um terço dos congressistas republicanos, 65, votou a favor da lei, um grande golpe contra o presidente republicano George W. Bush. Ele havia advertido que o pacote era essencial para garantir a estabilidade financeira no país. O plano permitiria ao Tesouro americano usar até US$ 700 bilhões para comprar títulos podres - lastreados em hipotecas inadimplentes - e assim descongelar o mercado de crédito. Mas a 35 dias da eleição, muitos congressistas consideraram que votar a favor do pacote era suicídio político. O resgate dos bancos é altamente impopular entre os eleitores, que o consideram "socorro para banqueiros". Segundo pesquisa do USA Today, só 22% dos eleitores apóiam o plano no formato atual. O presidente Bush se disse "muito decepcionado" com a derrota da legislação, e afirmou que iria se reunir com a equipe econômica para discutir os próximos passos. Ele investiu muito peso político na aprovação do plano. Depois da derrota da lei, o secretário do Tesouro, Henry Paulson, disse que continuará trabalhando com o Congresso para passar uma legislação, porque o pacote "é importante demais para falhar". "Precisamos aprovar alguma coisa que funcione o mais rápido possível", disse, esclarecendo que o plano anterior funcionava. O pacote foi proposto há 12 dias por Paulson, que pediu a aprovação rápida da legislação para evitar a paralisação dos mercados de crédito. Depois de uma série de concessões para democratas e republicanos, havia expectativa de que a Câmara aprovaria a lei ontem. A rejeição foi uma surpresa e muitos acusaram a líder da Câmara, Nancy Pelosi, de inabilidade, por deixar que a lei fosse votada sem ter garantido o apoio necessário. Foram 228 votos contra e 205 a favor. Republicanos conservadores acham que o pacote é um atentado contra as leis do livre mercado e o conservadorismo econômico. "Trata-se de um caixão em cima do caixão do Reagan", disse o congressista Darrel Issa. "É um caminho sem volta para o socialismo", afirmou o congressista republicano Jeb Hensearling.Os republicanos culparam a líder Nancy Pelosi pelo fracasso, por ela ter feito um "discurso partidário" antes da votação, com muitas críticas ao governo Bush, o que teria irritado os republicanos. Além disso, eles apontam que Pelosi não garantiu o voto dos democratas mais à esquerda - 95 democratas votaram contra o pacote e 140 a favor. Líderes dos dois partidos prometeram votar um novo projeto de lei ainda nesta semana. "Precisamos renovar nos esforços para achar uma solução que o Congresso possa apoiar", disse o líder da minoria na Câmara, o republicano John A. Boehner. Ele havia chamado a lei de "sanduíche de lama", mas disse que era necessário apoiá-la. Mas os democratas não irão apresentar o projeto novamente sem garantia sólida de apoio dos republicanos. O líder da maioria na Câmara, Steny Hoyer, disse que o Senado pode votar um projeto de lei de pacote de resgate na quinta-feira, e que esse texto poderia depois seguir para a Câmara para ser votado. "Nós não entraremos em recesso enquanto essa questão não for resolvida", disse Hoyer. Ele afirmou que está trabalhando em um consenso com líderes republicanos.Defensores do pacote disseram que quanto mais tempo o país ficar sem a legislação, mais paralisado o mercado de crédito ficará, e empresas terão dificuldades para financiar suas operações. "Quando as conseqüências da inação do Congresso se tornarem claras, os americanos não vão tolerar aqueles que ficaram parados e deixaram a calamidade acontecer", escreveram os líderes da Câmara de Comércio do EUA em carta aos congressistas.O candidato republicano John McCain chegou a se gabar de sua atuação para formar um consenso na votação da lei, antes de o projeto ser rejeitado na Câmara. Depois do fracasso, acusou os democratas e seu rival Barack Obama de terem sido "muito partidários". Já Obama se disse "confiante" na aprovação da lei. "É importante os mercados ficarem calmos, porque as coisas nunca são fáceis no Congresso, mas o trabalho será feito", disse.

Fracasso político para aprovar pacote nos EUA aprofunda crise nos mercados

Por Sérgio Dávila e Tony Sciarreta
na Folha de São Paulo

A rejeição ao pacote do governo Bush de socorro aos mercados derrubou as Bolsas pelo mundo e revelou um fracasso de liderança política de dimensões quase tão grandes quanto a crise econômica. Apesar do apoio do governo, dos líderes democratas e republicanos no Congresso e dos principais candidatos à Presidência, o projeto com ajuda de até US$ 700 bilhões às instituições financeiras caiu na Câmara com 228 votos contra e só 205 a favor.O histórico fracasso político aconteceu mesmo após um acordo entre as cúpulas dos partidos Democrata e Republicano, costurado durante o final da semana e que recebeu o apoio expresso dos candidatos democrata Barack Obama e republicano John McCain.O índice Dow Jones da Bolsa de Nova York recuou 6,98% e teve a pior queda de sua história em pontos num único dia.No Brasil, a baixa foi de 9,36% na Bovespa, após a Bolsa desabar 10,16% e acionar o "circuit break", sistema que interrompe os negócio por meia hora. Foi a primeira vez que isso ocorreu desde 14 de janeiro de 1999, época da desvalorização do real. O dólar quase bateu em R$ 2,00, mas fechou a R$ 1,966, com alta de 6,21%.O petróleo caiu 9,84% e voltou a US$ 96,37 em Nova York, arrastando as demais commodities e levando à baixa de até 15% nas ações da Petrobras.O Fed (BC dos EUA) decidiu dobrar para US$ 620 bilhões o volume de dinheiro disponível para noves BCs de Europa, Austrália, Canadá e Japão. Também triplicou para US$ 225 bilhões os recursos disponíveis para os bancos.
Base governista
Na Câmara, a rejeição surpreendente ao pacote partiu principalmente da base governista, de olho nas eleições para a renovação da Casa em novembro. Surpresos também ficaram os líderes democratas, maioria no Congresso, que anunciaram horas antes que havia um acordo."Estou desapontado com a votação. Fizemos um plano que era grande porque temos um grande problema", disse o presidente Bush. O secretário do Tesouro, Henry Paulson, disse que os instrumentos à disposição do governo "eram significativos mas insuficientes" e repetiu várias vezes que era preciso "fazer algo" e "rápido".Dos 435 votos do Congresso, 140 democratas e 65 republicanos votaram a favor do plano, ante respectivamente 95 e 133 que votaram contra. A Câmara só deve voltar a se reunir na quinta, e o Senado, amanhã, devido ao Ano Novo judaico, hoje. Uma das hipóteses que as lideranças estudavam era que o Senado (onde o apoio ao pacote parece ser mais forte) votasse o projeto antes, colocando ainda mais pressão nos deputados.As Bolsas asiáticas abriram hoje com forte queda. O índice Nikkei, de Tóquio, recuava 4,64%, e Taiwan tinha queda de 6,04%. Em Hong Kong, a desvalorização era de 5,47%.

Até quando?

A crise lá nos Estados Unidos está feia. O pacote econômico de George W. Bush está empacado no Congresso. O Apedeuta acha que os americanos têm que fazer de tudo para esta crise não se espalhar e chegar até aqui. Tudo bem, eu não tenho um conhecimento econômico a altura de uma Mirian Leitão, mas eu tenho minhas opiniões. Sei não, mas a equipe econômica brasileira está muito otimista. É visível um certo sorrisinho no cantinho da boca dos petralhas quando falam que o Brasil está muito mais resistente a estes tipos de crises do que há dez anos atrás. Mas até quando durará esta resistência. Ninguém sabe até quando vai durar a crise. Será que perderemos tudo em poucos dias? Ninguém sabe de nada. Aliás, Lula agora sabe de tudo, tanto que até oferece conselhos ao “cupanhero Bush”.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Eles na TV

Peguei o horário eleitoral já em andamento. Sandy Júnior atacou Iris Rezende dizendo que o prefeito não declarou uma quantidade de bois ao TRE. Bem, de acordo com a pesquisa que saiu hoje no Popular os ataques de Sandy Júnior não fizeram efeito na sua campanha. Ele nem alcança os 20%. O problema é que Iris Rezende não responde aos ataques de Sandy Júnior. Por quê? E por que Iris Rezende não fala das suas propostas fora do estúdio? Ah, não sei por que eu fui inventar este negócio de comentar o horário político. Como peguei o horário eleitoral em andamento nem sei o que Gilvane Felipe e Martiniano Cavalcante falaram. Deve ter sido a mesma coisa.

Nada de novo ou de novo não

Chego do Rio de Janeiro imaginando que alguma coisa de novo pudesse estar acontecendo na campanha daqui de Goiânia. Que nada! Tudo a mesma coisa. Iris Rezende continua na frente (bem na frente, apesar da pequena queda) e Sandy Júnior continua atrás (bem atrás, apesar do pequeno crescimento). Lá no Rio de Janeiro as coisas estão pegando fogo. O Globo de ontem informava que Fernando Gabeira assumia o terceiro lugar nas pesquisas embolando de vez quem vai para o segundo turno com Eduardo Paes. Aqui, Iris vai ganhar com um pé nas costas. Ah, ainda tem o João Atento, o bonequinho do Sandy Júnior que tenta ser engraçado que nem o Nerso da Capetinga. Por favo, de novo não: de novo não, de novo não, chega de enganação.

Voltei

Cheguei hoje do Rio de Janeiro. Cidade maravilhosa, cheia de encantos mil. Vamos pra luta sempre no ataque.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Olha eu aqui

Estou aqui na livraria Saraiva do shopping Rio Sul. Pois é, aqui tem computador. Não sei se vai ter jeito de postar alguma coisa amanhã. O dia vai ser corrido. É o meu último dia completo aqui no Rio de Janeiro. Aos meus cinco leitores digo que estou muito feliz, revigorado, pronto pra luta, sempre no ataque. Eu precisava desta viagem. Muito! Bem, eu disse que tavez amanhã eu não poderia postar aqui, né? Mas eu num sei não. É bem capaz de ter alguma coisa amanhã. Sei não. Caso contrário volto domingo pra Goiânia, na reta final da campanha. Uma campanha que Iris Rezende está levando com um pé nas costas. Ah, que tristeza é esta oposição...

Méquisbéqui

Muitos colocam a culpa nos republicanos pela não aprovação ontem no Congresso do pacote econômico proposto por George W. Bush. Muitos dizem que os republicanos querem se aproveitar para tentar beneficiar a campanha de John McCain. Será? Mas a campanha do republicano não está suspensa? Ele fez a coisa certa.
Nesta crise, o mais importante não está sendo perguntado: Será que Barack Obama (líder nas pesquisas mais recentes) terá capacidade de enfrentar a crise que o governo Bush deixará? Eu creio que não. Mas os americanos estão botando fé no homem. E daí se tem terrorista o apoiando? E daí se ele não tem experiência? O mais importante é seu discurso. É, vai ver falta isso mesmo. Falta fazer um discurso motivador para renovar os ânimos dos bancos americanos.
Isso tudo vai passar. É só o capitalismo sacudindo a poeira e dando a volta por cima. O melhor será McCain na presidência e Obama ganhando experiência no Senado (e quem sabe aprendendo a escolher os colaboradores da sua campanha).
Acham que John McCain já perdeu as eleições? Só fiz acima uma previsão de um possível governo Obama. Não se esqueçam que McCain era quase uma carta fora do baralho no começo das prévias republicanas. Não se assustem se daqui algumas semanas as vozes que hoje querem a cabeças dos investidores espertalhões mudarem para: "Méquisbéqui!"

Pra valer só em 2010

Como não tenho a senha para acessar o Popular daqui da internet eu vou me virando com as manchetes da capa. Iris Rezende disse que pode sim se candidatar ao governo em 2010. Alguma novidade? É claro que ele vai. A certeza é tão grande que até os petralhas se uniram ao velhinho. São espertos os cupanheros. Sabem que em 2010 voltarão a comandar a cidade. Meu Deus, ver a companheirada de novo mamando nas tetas da prefeitura vai ser dose.
No ano passado, quando alguém perguntava para Iris se ele disputaria a reeleição sempre desconversava. Olha o velhinho aí fazendo carreatas e adesivaços. Era o povo que queria, não é mesmo? Iris dirá que este mesmo povo o quer em 2010 no Palácio das Esmeraldas.
Como meus cinco leitores sabem, não tenho fontes, nem informantes em nenhum lugar. Tudo o que escrevo é opinião minha, impressões minhas. Sei não, mas sinto um certo enfraquecimento de Marconi Perillo. Ele já deixou Sandy Júnior com seu João Atento e está correndo o interior. Talvez porque sabe que em Goiânia e Aparecida o PMDB já está tomando conta. Quero ver em 2010. Será que teremos outro embate Iris Rezende x Marconi Perillo? Ah, em 2010 nós teremos o fator Alcides Rodrigues, o popular Cidinho, que está mais próximo do PT e do PMDB do que dos desanimados do tal do Tempo Novo. É como eu disse antes mesmo de começar esta campanha: eleição pra valer mesmo será 2010. E quem sabe em 2010 Cidinho não nos conta os motivos do Estado ter quebrado na virada do ano de 2006 para 2007?

O entusiasmo de Cristovam

Em 2006 eu votei em Cristovam Buarque para presidente. O Brasil não se preocupa com educação e ele perdeu. Vejo hoje no Diário da Manhã que o senador pediu voto para Tatiana Lemos, filha de Isaura Lemos e Euler Ivo. Os dois comandam o PDT há muito tempo e ninguém fala nisso. Diz a matéria que Cristovam pediu votos para Tatiana com entusiasmo. Sei... Se um candidato a vereador de Nova Iguaçu (falo isso porque estou aqui no Rio e os candidatos de uhu é Nova Iguaçu aparecem na TV) for até o Senado Federal pedir para Cristovam gravar algumas palavrinhas ele grava. E dirá com "entusiasmo". Aí eu fico me perguntando: até quando o PDT vai deixar Isaura Lemos e Euler Ivo mandarem no partido? Será que alguém vai ter entusiasmo de pedir renovação no partido?

Um goiano em terras cariocas - 3

Como eu imaginava o blog não teve post ontem. Quando eu o criei em outubro do ano passado (nossa, está perto de fazer um ano) eu queria postar todo dia. Mas, estou no Rio de Janeiro e a cidade me oferece tanta coisa que nem tem jeito de colocar tudo aqui. Não ganho nada com o blog (e não me vanglorio por isso), ou melhor, gasto com ele. Estou numa lanhouse em frente a Praça Tiradentes. Já, já eu dou uma olhada no Diário da Manhã para ver como anda a campanha aí. Aqui só se fala do debate entre os candidatos realizado pelo Jornal do Brasil. O debate foi transmitido ao vivo via internet (debate assim não é só uma exclusividade do portal do Batista Custódio).
Ontem caminhei por Copacabana. Sim, eu vi a lendária e tão destruída estátua de Carlos Drummond de Andrade. Não, não fiz como os outros turistas tentando dialogar com ele. Simplesmente tirei uma foto. Queria ver o nosso poeta ali, de pernas cruzadas, pensando no próximo poema ou na crônica que teria que entregar no outro dia.
Fui até Ipanema. Como não? Caminhei por lá também. Vi a Rua Vinícius de Moraes, o bar onde Vinícius e Tom Jobim viram uma menina cheia de graça passando a caminho do mar. Fui também às ruas Barão da Torre e Nascimento Silva no número 107. São as ruas onde Tom Jobim morou. Para a minha tristeza, a casa da rua Barão da Torre virou uma escola, mas, para a minha alegria, a casa da rua Nascimento Silva tem uma placa lembrando que ali morou o nosso maestro maior.
O Rio de Janeiro continua lindo. E o curso enfadonho. Meu Deus, História Antiga não é a minha praia mesmo. Minha praia é Ipanema. Mas, este goiano do pé rachado terá que voltar no Domingo. Estou feliz aqui, tranquilo, em paz. Só falta o Pão de Açúcar, o Cristo Redentor, a Casa Rui Barbosa e a Academia Brasileira de Letras para completar minha passagem por aqui. Tudo sem esquecer do certificado do curso. Apesar de enfadonho, tenho que agradecer que foi realizado aqui.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Ai, que preguiça!

Dei uma passada rapidinha pelo Diário da Manhã de hoje. Pelo visto, as eleições aí não mudaram nada. Sandy Júnior continua atacando Iris Rezende e insiste que o João Atento é o mais novo Nerso da Capetinga. Ai que preguiça. Aqui no Rio de Janeiro os demais candidatos atacam Eduardo Paes. Ele prefere não falar nada. Igualzinho Iris Rezende. Ai que preguiça.
Estou numa lanhouse. Hoje tem debate entre os candidatos organizado pelo Jornal do Brasil. A transmissão será pela internet e meu tempo e dinheiro são curtos demais para assistir daqui. Amanhã comento. Mas Sandy Júnior insistindo no João Atento... Ai, que preguiça!

Um goiano em terras cariocas - 2

Acabei de chegar da Igreja da Candelária. O trânsito aqui está um caos. E 0lha que aqui tem metrô, Sandy Júnior.
Ontem vi a campanha dos vereadores. Vi a Carla Jerominho pedindo votos. Isso mesmo, a amiga dos milicianos que está presa. Vi cada figura! Aqui não tem candidato só do Rio, mas sim de São Gonçalo, Niterói, Nova Iguaçu... Aí em Goiânia só tem candidato que farão de tudo para fazer uma Goiânia melhor. Não tem um candidato que apareça na TV dizendo que vai fazer uma Inhumas melhor, uma Trindade melhor, uma Senador Canedo melhor. Ah, e a maioria dos candidatos apóia Lula. É por isso que o Apedeuta está tão popular. Ninguém é do contra. Até César Maia não pega no pé do homi.
Vou voltar magrinho. Estou andando muito. Meu coração agradece.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Eles na TV (versão carioca)

É estranho assistir ao horário político e não ver Iris Rezende, Sandy Júnior, Gilvane Felipe e Martiniano Cavalcante. Aqui são mais candidatos. Tem Eduardo Paes, Marcelo Crivela, Chico Alencar e Fernando Gabeira. E uns outros que eu nunca vi na vida, mas que prometem fazer do Rio de Janeiro a cidade mais bela que existe. Se ela já é maravilhosa imagine se não tiver problema nenhum?
Quase todos os candidatos apóiam Lula. Eles falam que Lula vai ajudar o Rio a fazer isso e aquilo. Finalmente vi in loco Eduardo Paes se juntando ao lulismo. Xinguei-o. Em pensar que em 2005 o então deputado tucano dizia que o governo Lula era o mais corrupto. É um cara de pau mesmo.
E Marcelo Crivela? Ele estava mansinho de mais para quem se diz inconformado com as injustiças sociais. E o Gabeira? Ele está empolgadíssimo com as pesquisas que mostram sua candidatura crescendo entre o eleitorado. Será que ele vai para o segundo turno? Acho que não. São promessas e mais promessas. É o que eu disse mais acima: se o Rio de Janeiro já é a cidade maravilhosa, imagine se ela não tiver problema nenhum.
Ah, os candidatos falam do UPA. Nã0, não tem nada a ver com "upa, upa, cavalinho". É a Unidade de Pronto Atendimento. Pela propaganda é uma maravilha. Até Lula está incluido nisso. Por falar em UPA, a popularidade do Apedeuta anda tão em alta que ele monta em quase todos os candidatos cariocas e diz sorridente: "Upa, upa, cavalinho".

Um goiano em terras cariocas

Olha eu aqui. Estou no Rio de Janeiro. Escrevi um texto ontem a noite para postar aqui, mas acabei esquecendo de trazer. Estou numa lanhouse. O hotel que estou hospedado fica quase em frente à Praça Tiradentes. Sabe o que aconteceu nesta praça? Simplesmente foi o local onde o mais fomoso dos inconfidentes foi morto. Caminhando um pouco pela Avenida Visconde de Rio Branco chega-se ao Campo de Santana ou Praça da República. Foi ali que Deodoro da Fonseca decretou o fim do Império e o Brasil assistia bestializado a instauração da República. Mais a frente, já na Avenida Presidente Vargas, tem a Central do Brasil. Não me lembrei do filme homônimo, mas sim do local onde João Goulart fez o tradicional "Discurso da Central do Brasil" no dia 13 de março de 1964. Discurso este que prometia as reformas de base. Jango discursava bem ao lado do Comando Militar do Leste, hoje Palácio Deodoro da Fonseca. Fotografei tudo. Quando chegar em Goiânia coloco aqui.
Estou sozinho nesta viagem. Estou achando muito bom. O curso de História Antiga é enfadonho, mas o mais importante é que estou aqui no Rio de Janeiro. Ainda não fui á praia. É que só hoje fez Sol. Eu ainda vou lá, afinal, quem vai ao Rio e não entra no mar é a mesma coisa de ir a Roma e não ver o Papa.
Encontrei vários sebos. Comprei alguns livros. Me disseram que as coisas aqui eram caras, mas vejo que não é bem assim. Muito livro bom e barato. Ah, por falar em coisas que disseram sobre o Rio de Janeiro gostaria de tranquilizar meus cinco leitores. Não escrevi ontem por falta de tempo. Não achei (e nem quero achar) nenhuma bala perdida e que nenhuma pessoa de má índole cruze o meu caminho.
O sotaque carioca ainda me é estranho. Estou acostumado a puxar o erre e dizer "trem", "bão", "sô" e outras goianidades. Que meus cinco leitores fiquem tranquilos: não voltarei falando o carioquês.
Ah, ontem eu vi a propaganda eleitoral daqui. Mas isso só conto no próximo post.

domingo, 21 de setembro de 2008

Fui...

Vou me aprontar agora. Meu vôo sai às 9:05 da manhã. Faço uma conexão em São Paulo, no Aeroporto de Congonhas. De lá parto finalmente para o Galeão. Espero poder publicar pelo menos um post por dia. Se uma lan house estiver aberta perto do hotel prometo que manterei meus cinco leitores informados não somente sobre as belezas cariocas como os delírios dos candidatos a Prefeitura do Rio de Janeiro. Fui...

Campanha fria no Rio

Por Idelina Jardim
no Jornal do Brasil

Apesar de faltarem duas semanas para a votação, a campanha para prefeito do Rio ainda não esquentou. A frieza é atribuída especialmente à falta de debates ­ até agora dois deles, marcados por emissoras de TV, foram cancelados por discordância do candidato do PDT, Paulo Ramos. ­ Falta discussão, e os eleitores estão desmotivados pela sucessão de eleições ­ analisa o professor de opinião pública da Uerj, Herich Ulrich. Especialista em marketing, o publicitário Rodrigo Ganem diz que o problema só ocorre na capital: ­ Na Baixada está a todo o vapor e nos bairros da periferia tende a esquentar cada vez mais, com a participação ativa da população ­ acredita. ­ Na capital, o carioca está cansado de tantas histórias e maus tratos por parte dos políticos. Para o cientista político, Marcus Figueiredo, a eleição municipal este ano está mesmo "sem graça", com pouco calor se comparadas às campanhas anteriores: ­ A ultima eleição que valeu a pena discutir na rua foi a de 1992: César Maia contra Benetita. De lá para cá, a política perdeu espaço, e entrou no seu lugar a disputa pela administração eficiente. A entrada do Exército em comunidades dominadas por tráfico e milícia contribui para o descredito, acredita o publicitário Ganem: ­ Ter que chamar a força nacional para garantir a segurança é muito feio para o Rio e preocupante. Traz um pouco desse cansaço.
Candidatos têm esperança
Os candidatos a prefeito acham que, nesta reta final, a tendência é esquentar. Para a candidata Solange Amaral (DEM) isso se dará quando os indecisos decidirem seus votos. ­ Em algum momento vai esquentar. Quando as pessoas começarem a conversar umas com as outras, o alto índice de indecisos vai se transformar em decisão de voto. Neste momento, as pessoas ainda estão vendo quem está com quem. Segundo pesquisa induzida do Datafolha realizada entre os dias 17 e 18 de setembro, o Rio tem 6% de indecisos. Uma queda significativa, em relação ao levantamento anterior, feito entre os dias 4 e 5 de setembro, que registrava 47%. Nas cidades de São Paulo e Porto Alegre o percentual de indecisos é de 4% , enquanto Recife registra 3%. A última pesquisa Ibope, feita entre os dias 9 e 11 de setembro, no entanto diz que a porcentagem de indecisos na capital é de 11%. A linha estratégica de Solange, também vale para Alessandro Molon (PT), que aposta todas suas fichas nos indecisos. ­ A partir desta semana, o eleitor carioca começa a decidir o seu voto. Essa eleição está em aberto ­ enfatiza o candidato Fernando Gabeira (PV), através de sua assessoria, afirma que espera radicalizações no processo. ­ A tendência nessas duas últimas semanas é de que haja um tom mais emocional, com mais calor e acusações, Por outro lado, Jandira Feghali (PC do B) justifica a importância do debate para aquecer de vez o período eleitoral. ­ A campanha no Rio de Janeiro ainda não teve nenhum debate, e isso é muito prejudicial para a formação da opinião do eleitor. Ainda mais quando, de repente, todo mundo é Lula desde pequenininho e alguns candidatos fazem campanhas milionárias para conquistar eleitores ­ desabafa. Chico Alencar (PSOL) atribui o clima frio à mídia, que, segundo ele, não cede espaço suficiente. ­ Os principais meios de comunicação de massa não realizaram debates entre os candidatos. Isso sempre permite confrontar, polemizar. Assim, claro, fica uma eleição de iguais, porque só a propaganda eleitoral pasteuriza, uniformiza. Desse modo todos os gatos são pardos e todos os ratos são lindos.
Máquinas atuantes
O candidato Marcelo Crivella (PRB) foi o único que considerou a campanha normal. Destacou que os candidatos estão se respeitando e tentando mostrar aos eleitores suas propostas políticas. Mas alfinetou os concorrentes ao dizer que "em toda campanha existe aquele candidato que tem o apoio da máquina do Estado ou do municipio". Paulo Ramos (PDT) diz que a campanha está fria porque os que preferidos dos meios de comunicação e dos órgãos de pesquisa têm basicamente os mesmos projetos. ­ Aí não tem conflito. Está faltando um espaço igualitário ­ critica o pedetista. Para Vinícius Cordeiro (PTdoB), a campanha teve dois momentos: antes e depois da TV. ­ O que me causa frustração é a natureza da cobertura dos grandes órgãos de comunicação e a falta de espaço para debates para que as propostas divergentes dos candidatos ficassem mais claras.