quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Opositores explodem gasoduto boliviano que abastece o Brasil

No Estadão online com agências internacionais

LA PAZ - A companhia petrolífera estatal boliviana Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) informou nesta quarta-feira, 10, que um "atentado terrorista" atribuído a manifestantes opositores ao governo do presidente Evo Morales provocou destruição em um gasoduto, forçando um corte de 10% no fornecimento de gás natural que o país envia ao Brasil. O duto, que extrai gás de vários campos na região, está localizando na região de Chaco, no sul do país, segundo a agência Reuters. Sua reparação irá demorar cerca de 20 dias e as perdas totais superam US$ 100 milhões, declarou o presidente da YPFB, Santos Ramirez.
Segundo ele, 3 milhões de metros cúbicos de gás deixarão de ser fornecidos ao País - diariamente, a empresa enviava 31 milhões de metros cúbicos. Ramirez explicou que a válvula do gasoduto, localizado a cerca de 50 quilômetros da cidade de Yacuiba, na fronteira com a Argentina, foi danificada por manifestantes antigovernamentais, que tentaram fechá-la violentamente.

No Brasil, o Ministério das Minas e Energia informou que até a tarde desta quarta ainda não havia notado redução no fluxo de gás para o país. Segundo a assessoria do ministério, técnicos que estão acompanhando a questão não confirmaram por enquanto a alteração no volume de recebimento diário.

A Comgás, maior distribuidora de gás natural do Brasil, também informou que o fornecimento da Bolívia está normal até o momento. A empresa, que atua no Estado de São Paulo, recebe cerca de 650 mil metros cúbicos diários do combustível da Bolívia. De acordo com o jornal argentino Âmbito Financiero, os opositores ainda cortaram o fornecimento de gás para a Argentina.

Há mais de uma semana grupos opositores de Evo estão organizando ações como ocupações de estradas, invasões de edifícios públicos e tomadas de postos da fronteira com o Brasil, a Argentina e o Paraguai em cinco departamentos opositores - Santa Cruz, Tarija, Beni, Chuquisaca e Pando.

Além disso, no sul da Bolívia, grupos radicais também ocuparam na madrugada desta quarta, perto da localidade de Villamontes, uma fábrica de envasilhamento de gás liqüefeito de petróleo em bujões.Os grupos opositores, entre eles uma pessoa disfarçada de militar, atacaram dois soldados que guardavam o local, os desarmaram e invadiram a instalação para causar a suspensão de suas atividades,mostraram os canais de televisão locais.
O objetivo dos manifestantes é protestar contra o projeto de uma nova Constituição, aprovado por parlamentares governistas em novembro, que Evo pretende referendar em votação em dezembro. Os manifestantes exigem ainda a restituição de parcela do imposto sobre gás e petróleo, que era repassada para os governos, mas foi confiscada pelo governo para financiar uma pensão nacional para idosos.

O ministro da Presidência, Juan Ramón Quintana, anunciou que, a partir desta quarta, será disponibilizada uma "maior presença" militar nas instalações petrolíferas para evitar "os atentados criminosos" nessa região produtora de hidrocarbonetos.

Ele também disse que os atentados e a onda de protestos da oposição buscam "sepultar a nacionalização" decretada por Evo em 2006, "levar pela frente o governo e derrubar a democracia."

Os protestos abrem mais um capítulo da disputa entre o governo Evo e a oposição regional. Eleito em 2005 prometendo refundar a Bolívia, Evo teve seu mandato ratificado no referendo revogatório de agosto com 67% dos votos e agora quer acelerar suas reformas. A oposição resiste e exige que o governo reconheça os estatutos autonômicos aprovados em consultas populares em quatro departamentos.

Eles não mudam e eu não mudo

Lucas Pacheco era marqueteiro da campanha de Geraldo Alckmin. No primeiro post de hoje copiei e colei a entrevista que ele concedeu à Folha de São Paulo. Ele saiu atacando os tucanos ligados ao governador José Serra pelas dificuldades da campanha. Pelo visto, os alckmistas ainda acreditam que estão certos. É isso mesmo! Vamos bater na gestão Gilberto Kassab e deixar Dona Supla disparar na frente das pesquisas. Vamos mostrar o “Geraldo” bom moço de Pindamoiangaba e deixar Dona Supla dizer que vai vencer esta eleição no primeiro turno. Se eles pelos menos reconhecessem que estão errados, que não é assim que se faz, que é preciso mirar em Dona Supla... Mas eles não mudam. Acham que é certo criticar uma gestão com a cara deles. Eles acham que o povo é besta, que não se sabe que assim como tem tucano na candidatura Alckmin tem tucano na gestão Kassab. Eles não mudam. Eu também não mudo. Se eles acham correto bater numa gestão aliada que façam isso. Eu continuarei batendo neles.

Dólar vai a R$ 1,77 e Ibovespa perde 4,5%

Por Leandro Modé
no Estado de São Paulo

A onda de pânico que varre o mercado financeiro global fez novos estragos no Brasil ontem. O Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) perdeu 4,50%, terceira maior queda de 2008. O dólar subiu 2,07%, para R$ 1,772, valor mais alto desde 30 de janeiro. Entre 20 de maio, quando atingiu a pontuação máxima, e ontem, o Ibovespa caiu 34%. A moeda americana avançou mais de 13% ante a brasileira desde a menor cotação dos últimos anos, no dia 31 de julho (R$ 1,562). No exterior, o otimismo da segunda-feira, provocado pelo socorro do governo americano às agências hipotecárias Fannie Mae e Freddie Mac, foi substituído por um sentimento que muitos analistas classificaram de realismo. Segundo essa avaliação, as perspectivas para a economia global são as piores desde o início da década. O Índice Dow Jones deslizou 2,43% e a bolsa Nasdaq, 2,64%. O Índice CAC-40, da Bolsa de Paris, perdeu 1,08% e o FTSE, de Londres, 0,56%. Se já não bastasse o pessimismo com a situação macroeconômica mundial, o temor em relação à saúde do banco de investimentos americano Lehman Brothers voltou com força (ver mais ao lado). A expectativa de menor crescimento global em 2008 e 2009 castigou outra vez as principais commodities. O barril do petróleo negociado em Nova York caiu para o menor preço desde 1º de abril, cotado por US$ 103,26. Em Londres, o contrato para outubro chegou a ser vendido abaixo de US$ 100 pela primeira vez também desde abril. No fechamento, valia US$ 100,34. Com isso, as ações preferenciais (PN) da Petrobrás perderam 6,27% e as ordinárias (ON), 6,63%. O economista-chefe do BES Investimento, Jankiel Santos, explicou que muitas economias da Europa, além do Japão, já enfrentam retração. Nos EUA, a recuperação levará mais tempo do que se pensava. "Criou-se a percepção de que os emergentes não vão agüentar esse rojão", afirmou. Por isso, nas últimas semanas, os estrangeiros têm saído em massa do Brasil. Santos comentou que, recentemente, ouviu de um estrangeiro uma frase que sintetiza a situação. " ?Sei que os fundamentos econômicos do Brasil são bons, mas o fato é que meu fundo está sangrando e tenho de fazer caixa para enfrentar os saques dos clientes? ", revelou. Nas contas de Cristiano Souza, economista do Banco Real, o crescimento médio do mundo deve sair de 5% em 2007 para entre 3,5% e 4% neste ano e em 2009. Ontem, o vice-diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), John Lipsky, disse que a instituição projeta leve recuperação para 2009 - a expansão média global atingiria 4%, ante 3% neste ano. Apesar do cenário nebuloso para o mundo, a maioria dos analistas já vê exagero na correção das últimas semanas, sobretudo no câmbio. "Agora estamos no meio do pânico, mas, quando o tempo passar, os investidores verão que os emergentes crescem 6% ao ano e os desenvolvidos, 2%", disse o economista-chefe da Gradual Corretora, Pedro Paulo Bartolomei da Silveira. "Aí os fundamentos vão pesar e as moedas dos emergentes deverão ganhar terreno."

Oposição boliviana faz bloqueios e ameaça cortar gás para o Brasil

No Estado de São Paulo com agências internacionais

Um grupo da oposição boliviana ocupou ontem a instalação de uma distribuidora de gás natural para o Brasil na região do Chaco, em Tarija, enquanto em outros quatro departamentos (Estados) do país, manifestantes continuavam a tomar edifícios públicos e bloquear estradas. As instalações invadidas pertencem à franco-brasileira Transierra e ficam no vilarejo de Villamontes, a cerca de 1.200 quilômetros de La Paz. "Grupos civis entraram na nossa usina de Taihuasi e foram enviados técnicos ao local para avaliar a situação e verificar possíveis danos", afirmou o assessor de Relações Institucionais da Transierra, Hugo Muñoz.O gasoduto que passa pela região de Villamontes leva mais de 17 milhões de metros cúbicos de gás diariamente ao Brasil. A Transierra - empresa na qual a Petrobrás tem participação de mais de 40% - transporta o gás proveniente dos campos de San Alberto e San Antonio. À tarde, Felipe Mosa, dirigente do Comitê Cívico de Villamontes e líder do movimento de ocupação da Transierra, disse à TV boliviana ATB que os manifestantes já haviam fechado quatro válvulas de gás que vão ao Brasil. "Não enviaremos combustível ao Brasil até que o governo atenda nossos pedidos", afirmou. A informação, porém, foi desmentida mais tarde pelo novo ministro de Hidrocarbonetos da Bolívia, Saúl Ávalos, e por funcionários do governo boliviano que disseram ter consultado a Petrobrás. Em Brasília, a chancelaria e o Ministério de Minas e Energia brasileiro também disseram não ter informações de que a exportação de gás tivesse sido interrompida.A invasão ocorreu em meio a uma escalada de tensões na Bolívia. Há mais de uma semana grupos opositores do presidente Evo Morales estão organizando ações como ocupações de estradas, invasões de edifícios públicos e tomadas de postos da fronteira com o Brasil, a Argentina e o Paraguai em cinco departamentos opositores - Santa Cruz, Tarija, Beni, Chuquisaca e Pando. O objetivo é protestar contra o projeto de uma nova Constituição, aprovado por parlamentares governistas em novembro, que Evo pretende referendar em votação em dezembro. Os manifestantes exigem, ainda, a restituição de parcela do imposto sobre gás e petróleo, que era repassada para os governos, mas foi confiscada pelo governo para financiar uma pensão nacional para idosos. O governo denunciou ontem a tentativa de um "golpe civil" liderado pelos opositores, mas descartou a possibilidade de decretar estado de sítio para conter a tensão política.Ontem, choques entre grupos de oposição e a polícia em Santa Cruz deixaram cerca de dez feridos. Os conflitos ocorreram quando a polícia expulsou jovens ligados à União Juvenil Crucenha que haviam ocupado e saqueado a agência estatal de arrecadação de impostos e a sede do Instituto para a Reforma Agrária. Eles também incendiaram o escritório regional da TV Boliviana (estatal), invadiram o prédio da empresa estatal de telecomunicações, saquearam as instalações, jogaram documentos pelas janelas e queimaram móveis.Na cidade de Tarija, manifestantes ocuparam a Superintendência de Hidrocarbonetos e, em Yacuiba, na fronteira com a Argentina, a sede da estatal de telefonia.Em Beni, no norte da Bolívia, o aeroporto foi fechado após a invasão de grupos que protestavam contra o governo. Os bloqueios causavam desabastecimento de combustíveis e gás de cozinha em diversas localidades. Os protestos abrem mais um capítulo da disputa entre o governo Evo e a oposição regional. Eleito em 2005 prometendo refundar a Bolívia, Evo teve seu mandato ratificado no referendo revogatório de agosto com 67% dos votos e agora quer acelerar suas reformas. A oposição resiste e exige que o governo reconheça os estatutos autonômicos aprovados em consultas populares em quatro departamentos.

MST ocupa fazenda no RS durante oito horas

Por Elder Ogliari
no Estado de São Paulo

Um grupo com cerca de 150 sem-terra manteve a Fazenda São João da Armada sob ocupação durante oito horas, ontem, em Canguçu, na zona sul do Rio Grande do Sul. Os invasores saíram de um acampamento próximo e entraram na área ao amanhecer, anunciando que queriam a desapropriação, pelo governo federal, da fazenda de 1,1 mil hectares, como um dos atos necessários ao cumprimento de acordo que prevê assentamento de duas mil famílias até o final deste ano. No início da tarde, ao saberem que a Brigada Militar estava preparando um pelotão para a desocupação, os sem-terra optaram pela retirada. "Nosso objetivo não era nem o confronto e nem passar por humilhações, mas mostrar que mantemos o processo de luta pela terra", explicou Leonice Flores, integrante do Movimento dos Sem-Terra (MST) no Estado.
ESTADO POLICIALESCO
Representantes de movimentos sociais e sindicais denunciaram ontem em audiência pública à Comissão Especial do Conselho de Defesa da Pessoa Humana, ligada à Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, a criação de um estado policialesco, capaz de monitorar a vida de líderes comunitários, recorrer à tortura psicológica e praticar atos de violência contra manifestantes no Rio Grande do Sul.O ouvidor agrário da Secretaria da Segurança do Rio Grande do Sul, Adão Paiani, disse que não poderia compactuar com a tese de que existe uma ação monolítica do governo do Estado para criminar o movimento social e pediu aos participantes que encaminhem denúncias dos casos, que considera isolados, para investigação. Para o comandante da Brigada Militar, coronel Paulo Mendes, o MST deve saber que o órgão não abre mão de "evitar badernas".

Operação Satiagraha pode ser anulada, dizem magistrados

Por Lilian Christofoletti
na Folha de São Paulo

A participação de um agente aposentado do SNI (Serviço Nacional de Informações) na investigação sigilosa promovida pela Polícia Federal contra o banqueiro Daniel Dantas, na avaliação de juízes e advogados ouvidos pela Folha, é considerada ilegal e coloca em risco toda a operação.Se ficar provado que o agente aposentado Francisco Ambrósio do Nascimento, que participou da investigação Satiagraha a convite do delegado Protógenes Queiroz, teve algum envolvimento no trabalho de escutas telefônicas, por exemplo, os diálogos daquele grampo serão anulados pela Justiça Federal.O próprio delegado, no entendimento desses especialistas, poderá ser responsabilizado pelo crime de quebra de sigilo da investigação.Advogados e juízes, que pediram que a identidade deles fosse preservada pela reportagem, citaram a teoria dos "frutos da árvore envenenada", nascida de jurisprudência da Suprema Corte norte-americana, segundo a qual, se a árvore está envenenada, todos os seus frutos também estão."É ilegal chamar um estranho, uma pessoa que não integra a corporação policial, para participar da operação. Esse fato é como uma clareira numa floresta fechada, mostra como a investigação foi feita, ou seja, desde o início, completamente cheia de vícios", disse o advogado de Dantas, Nélio Machado.A Folha apurou que um dos objetivos da Justiça Federal e do Ministério Público Federal será especificar qual foi a real participação do agente no caso.A entrada dele na Satiagraha, tida como ilegal, deverá ter desdobramentos diferentes no processo e no inquérito movidos contra o banqueiro. Na ação, em que Dantas responde por suposta tentativa de suborno de um policial, será verificado se alguma prova passou pelas mãos de Nascimento. Se sim, ela deverá ser anulada.Quanto ao inquérito, que apura crimes financeiros atribuídos a Dantas, a defesa do banqueiro deverá esperar o oferecimento da denúncia (acusação formal) pelo Ministério Público. Depois, irá pedir a nulidade das provas.À PF, o servidor aposentado disse que seu serviço mais comum na Satiagraha era descobrir, por meio de contatos em companhias telefônicas, de água e luz, quem morava em determinados endereços."É profundamente irregular convocar pessoas estranhas à PF para executar uma investigação", afirmou o advogado Alberto Zacharias Toron.O procurador da República Rodrigo de Grandis, autor da denúncia contra Dantas, disse que a participação do ex-agente não poderá anular provas, pois as escutas tiveram autorização da Justiça. "Não se pode falar na teoria dos "frutos da árvore envenenada" porque a árvore, nesse caso, não está envenenada. Todas as provas foram obtidas com ordem judicial."Sobre a atuação do ex-agente, De Grandis disse que o policial pode ter cometido um erro funcional. "Isso deve ser resolvido na Corregedoria da PF."

PF e GSI culpam Protógenes por escuta telefônica

Por Maria Clara Cabral e Alan Gripp
na Folha de São Paulo

Em reunião secreta no Congresso, integrantes das cúpulas da Polícia Federal e do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) deixaram claro que a principal hipótese da investigação sobre os grampos clandestinos em telefones de autoridades aponta para a equipe do delegado Protógenes Queiroz.Segundo relatos de deputados e senadores presentes à sessão da Comissão de Controle das Atividades de Inteligência do Congresso, a PF deu detalhes sobre a participação do agente aposentado do SNI (Serviço Nacional de Informações) Francisco Ambrósio do Nascimento nas investigações da Operação Satiagraha, chefiada por Queiroz. Ambrósio não tem vínculo formal com a PF nem com a Abin.Na reunião, o ex-agente do SNI foi chamado por congressistas que atuam na área de segurança pública de "grampeiro profissional" e "araponga". Foram ouvidos o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, o diretor afastado da Abin, Paulo Lacerda, e o ministro-chefe do GSI, Jorge Felix, responsável hierárquico pela Abin.Corrêa levou ao Congresso uma maleta de interceptação telefônica pertencente à PF, mas não chegou a mostrá-la aos congressistas. O aparelho, que dispensa a ajuda de operadoras de telefonia, vinha sendo usado sem o ciência do Ministério Público, que abriu inquérito para apurar possíveis abusos.A reunião foi marcada por desentendimentos entre congressistas e depoentes.O ministro Nelson Jobim (Defesa), que falaria hoje à CPI dos Grampos, teve o depoimento adiado. Ontem ele avisou à comissão que não compareceria devido a uma crise alérgica.

CNJ decide criar central para controlar escutas telefônicas

Por Felipe Seligman
na Folha de São Paulo

O CNJ (Conselho Nacional de Justiça) decidiu ontem criar uma central estatística de grampos no próprio órgão e padronizou as regras que devem ser seguidas pelos magistrados para a concessão das interceptações telefônicas legais.A resolução aprovada ontem, por 12 votos a 1, abrange tanto a centralização das informações como as regras de atuação dos juízes e passa a valer assim que for publicada no "Diário de Justiça", o que deve ocorrer até o final de semana.No caso da central, o texto define que os magistrados deverão enviar mensalmente às corregedorias de seus tribunais a quantidade de grampos autorizados e os números dos ofícios expedidos às teles.Até o décimo dia de cada mês, as corregedorias deverão enviar ao CNJ as informações que receberam no período anterior, personalizando-as por magistrado. Com tais dados, o conselho poderá, conforme a Folha adiantou em agosto, saber o número real de interceptações telefônicas existentes no país.A primeira estatística oficial de grampos legais existentes no Brasil deverá ser divulgada até novembro deste ano .O conteúdo das informações, os nomes dos titulares dos telefones e o número dos aparelhos interceptados, no entanto, continuarão sigilosos, segundo o CNJ. Só podem ter acesso a tais informações os policiais, membros do Ministério Público e magistrados responsáveis pelas investigações, além das operadoras de telefonia.Com as informações personalizadas, o CNJ também poderá diagnosticar excessos. Se um juiz estiver deferindo pedidos de grampos em quantidade maior que a de seus colegas, o conselho deverá pedir à corregedoria de seu tribunal uma investigação administrativa.A idéia inicial, que partiu do presidente do órgão e do STF (Supremo Tribunal de Justiça), Gilmar Mendes, seria construir um sistema capaz de monitorar em tempo real a quantidade de interceptações. A própria resolução diz, no entanto, que tal acompanhamento seria impossível no momento.Mendes já criticou o que chama de "descontrole e excesso" das escutas. "A decisão não afeta a independência dos juízes ou a autonomia de julgar ou de deferir os processos. A idéia é trabalhar com as corregedorias dos tribunais e do CNJ de modo a fazer um acompanhamento e verificar eventuais desvios ou tendências", disse ontem.Recentemente, o ministro foi grampeado ilegalmente em conversa com o senador Demóstenes Torres (DEM-GO). A Polícia Federal investiga se a interceptação teria sido realizada pela Abin e se existe relação com a Operação Satiagraha. Na ocasião, Mendes ordenou a soltura de acusados presos, como Daniel Dantas.Segundo a resolução, os magistrados deverão expressar por escrito, em cada determinação de grampear, que fica proibida a "interceptação de outros números não discriminados na decisão". O CNJ diz que os pedidos de grampo devem ser sempre encaminhados em "envelope lacrado", que só poderá ser aberto pelo juiz responsável. Também não poderá constar fora do envelope que se trata de um pedido de escuta.O juiz deve deixar os áudios e as transcrições das conversas relevantes, "sempre que possível", protegidos por senhas.Inicialmente, a proposta de resolução sofreu resistências no próprio CNJ, expostas na sessão de ontem, de que a resolução poderia interferir na "independência" e na "autonomia" dos juízes. O conselheiro Felipe Locke, o único a votar contra, disse que a iniciativa "não resolve o problema das escutas ilegais". Já Técio Lins, apesar de votar a favor, disse que a resolução "não chega nem perto do verdadeiro problema que a questão suscita".

Brasil é o lanterna entre os Brics

Por Rosana Hessel
no Jornal do Brasil

O Brasil ganhou uma posição no ranking global do estudo Doing Business 2009, publicado anualmente pelo Banco Mundial (Bird) e pelo seu braço financeiro voltado para a iniciativa privada, a International Financial Corporation (IFC). Ganhou uma posição e ficou na 125ª colocação em um conjunto de 181 economias globais na pesquisa que mostra onde é mais fácil fazer negócios. Mas se não fosse a inclusão de Brunei, Bahamas e Catar – que entraram no ranking em classificações melhores do que o país – teria melhorado quatro posições, informa a economista da IFC e do Bird, Rita Ramalho, que participou da elaboração do relatório de 211 páginas divulgado ontem pelas duas instituições.
Entretanto, nesta lista liderada por Cingapura, Nova Zelândia e Estados Unidos, o Brasil ficou atrás da maioria dos vizinhos sul-americanos como Chile, Colômbia, Argentina, Paraguai e Uruguai e de economias bem menores tanto em Produto Interno Bruto (PIB) quanto em população, como Suazilândia (108 lugar), Zâmbia (100), República Dominicana (97), Botsuana (38) e Azerbaijão (33). Este último foi o grande destaque do estudo. Saltou nada menos que 64 degraus.
– O Azerbaijão foi o país que mais fez reformas positivas para melhorar o ambiente de negócios – concluiu Rita. – O Brasil teve melhora nos procedimentos de importação e exportação, que ajudaram o país a melhorar a classificação em relação ao ano passado, mas ele não acompanhou o ritmo de seus vizinhos ou mesmo dos Bric (grupo de países emergentes de crescimento rápido integrado por Brasil, Rússia, Índia e China).
A economista destacou que o Brasil continuou na última colocação entre os países Bric.
– A Índia fez menos reformas neste ano, mas mesmo assim continuou à frente do Brasil – lembrou Rita. – A Índia desceu dois degraus para a 122ª colocação enquanto a China subiu da 90ª para a 83ª posição. Já a Rússia caiu da 112ª para a 120ª classificação.

Abertura de empresas

O Brasil continuou entre os países menos atraentes para se abrir uma empresa, figurando entre as nações com os prazos mais extensos e com maior número de procedimentos. Na Nova Zelândia, por exemplo, é necessário apenas um dia para se abrir uma empresa. No Brasil, 152 dias, e no Suriname, mais de dois anos.
A economista informou que foi computada apenas uma reforma regulamentar para o Brasil no estudo.
– Houve uma melhora também em um item sobre a facilitação da venda de propriedades entre empresas, cujo prazo caiu de 46 para 42 dias, mas isso acabou não constando no estudo – disse.
Entre os países da América Latina, o Chile continuou como o melhor colocado da região apesar de ter perdido posições em relação ao estudo do ano passado. Ficou com a 40 posição no ranking geral. Em segundo lugar, ficou a Colômbia, que foi o país que mais realizou reformas e pulou do 66º lugar para o 53º.
De acordo com Rita, o estudo registrou um número recorde de reformas em geral: foram 239 em 113 países. A África foi a região que mais realizou reformas. Foram 58 mudanças regulamentares em 28 países no continente mais pobre do globo. Ela lembrou também que Leste Europeu e Ásia foram regiões com maior volume de reformas. Já a América Latina conseguiu se destacar pouco nesse quesito:
– A região foi o continente que menos fez reformas, mas pelo menos cada país fez ao menos uma.

Publicitário deixa campanha de Alckmin e ataca serristas

Por Renata Lo Prete
na Folha de São Paulo

O marqueteiro Lucas Pacheco está fora da campanha de Geraldo Alckmin, que disputa a Prefeitura de São Paulo pelo PSDB. Em entrevista à Folha, ele culpou os tucanos ligados a José Serra pelas dificuldades enfrentadas pela campanha.Pacheco, que será substituído por Raul Cruz Lima, critica sobretudo os "lobos em pele de cordeiro" -referência velada a José Henrique Reis Lobo, presidente do PSDB municipal e secretário do governador.

FOLHA - O que deu errado?
LUCAS PACHECO - Desde o princípio entendi que o Geraldo corria em faixa própria. Costumava dizer que estávamos na Castelo Branco. À direita, o prefeito, contando com a simpatia da máquina estadual. À esquerda, a candidata do PT, também numa faixa muito bem pavimentada. Para nós sobrou o canteiro central: a grama. Eu dizia que o Geraldo era o candidato off-road.

FOLHA - E por que não funcionou?
PACHECO - Nossa estratégia se baseava em quatro pontos. Primeiro: o Geraldo colocar o dedo na ferida, apontar os graves problemas que a cidade tem. Porque isso aqui não é "Alice no País das Maravilhas". Segundo: apresentar propostas viáveis, criativas. Terceiro: resgatar a obra do Geraldo. Afinal, ele estava um pouco esquecido. Mostrar o que ele já fez, aliado a todos os atributos positivos e à baixa rejeição que ele tem. Quarto -e mais importante: resolver a equação política.

FOLHA - Que equação?
PACHECO - Essa situação de você ter duas candidaturas disputando a mesma fatia do mercado eleitoral. O PSDB alckmista e o PSDB kassabista.

FOLHA - Mas isso não é um dado de realidade, uma vez que o partido está na prefeitura e, ao mesmo tempo, Alckmin resolveu disputar a eleição?
PACHECO - O que sustenta uma campanha é o pilar político. Há um segundo pilar, que envolve mobilização, organização, recursos, e um terceiro, que é a comunicação. Mas o fundamental é o pilar político.

FOLHA - Qual foi a linha decidida antes de o programa de TV estrear?
PACHECO - O primeiro programa foi para o ar em 20 de agosto. Reapresentava o Geraldo ao eleitor. No segundo programa, dois dias depois, começamos a executar a estratégia de colocar o dedo na ferida. Dos problemas da saúde, da educação. O Tobias da Vai-Vai cantava um samba quase fúnebre que dizia que faltam mais de cem mil vagas nas escolas e nas creches. No dia seguinte, um sábado, o mundo tucano-kassabista, ligado ao governo do Estado, caiu sobre a cabeça do candidato. Começou uma pressão insuportável. Diziam que estávamos batendo na gestão do Serra na prefeitura. Estávamos mostrando os problemas. Não dá para fazer campanha autista.

FOLHA - Quem fazia a pressão?
PACHECO - Os lobos em pele de cordeiro. Que se diziam porta-vozes da insatisfação do Serra. Fizeram uma orquestração para acuar o candidato. Tentar espremê-lo. Assim como tentaram, primeiro, inviabilizar a candidatura, trabalharam depois para tornar seu discurso inviável. Se ele não puder apontar os problemas, vai dizer o quê? Não é o prefeito. Não foi prefeito. É um ex-governador que acredita ter uma missão. E eu acredito que ele tem. Mas não deixaram ele falar. Quero deixar registrado que, no meio de todo esse processo, ele teve dois leões ao lado dele: o Edson Aparecido [coordenador-geral da campanha] e o Julio Semeguini [deputado federal muito próximo a Alckmin].

FOLHA - "Lobos em pele de cordeiro" é referência a José Henrique Reis Lobo, secretário do governo Serra e presidente do PSDB municipal?
PACHECO - É uma referência a todos os que diziam ao candidato que ele deveria esquecer o Kassab e falar apenas da Marta, que ele podia acreditar que estava muito próximo o dia em que o PSDB ia chegar junto. O PSDB que ele não tem. Foram muitos acenos. Diziam que ele teria apoio explícito, e não apenas gravado em fita. Mas diziam apenas para acalmá-lo e para convencê-lo a não falar da gestão Kassab.

FOLHA - O sr. se refere ao vídeo com declaração de José Serra que lhe foi entregue para ser incluído no primeiro programa de TV?
PACHECO - O que eu posso dizer é que essas pessoas falavam em nome dele.

FOLHA - O que o sr. achou da declaração gravada por Serra?
PACHECO - Correta. De homem de partido. Nada além disso.

FOLHA - O candidato cedeu?
PACHECO - Ele foi convencido de que a mudança poderia contribuir para unir o partido em torno dele. Mas isso nunca aconteceu. Não era isso o que queriam. Eles queriam que o Geraldo fosse desidratado.

FOLHA - Como ficou o programa?
PACHECO - Tivemos que fazê-lo apenas em cima de atributos e propostas. Isso, numa cidade que se divide entre o voto no PT e o voto anti-PT, é mortal. A classe média que vota no PSDB e que vive na Manhattan paulistana, que nunca foi à Brasilândia, a Itaquera, nunca viu uma AMA nem uma UBS, começou a assistir àquele festival de maravilhas [no programa de Kassab] e a achar que está tudo ótimo. Mudar pra quê? É mudança ou continuidade? Eu acho que o Geraldo tem de ser o candidato da mudança. E ficou impossível dizer isso na TV.

FOLHA - Como o sr. responde ao que dizem que a propaganda de Alckmin é tecnicamente ruim?
PACHECO - Não temos os recursos das outras duas campanhas, feitas, aliás, por dois profissionais por quem tenho o maior respeito [João Santana, de Marta Suplicy, e Luiz Gonzalez, de Kassab]. E temos menos tempo. Tinha de adotar uma estética mais próxima da vida das pessoas que sofrem. Mas os lobos em pele de cordeiro conseguiram contaminar o noticiário com a versão de que havia crise de formato, não de conteúdo. Vi coisas nesta campanha que fariam o malufismo corar.

FOLHA - Por exemplo?
PACHECO - As acusações de compra de delegados [por kassabistas] antes da convenção do PSDB. Isso na cidade mais avançada do país.

FOLHA - O sr. está fora?
PACHECO - Decidi sair depois de conversar com o Geraldo e com o Edson, para o bem do candidato. Quando você insiste numa tese, passa a atrapalhar o processo. Mas ponho a maior fé na campanha, no Raul Cruz Lima, que vai assumir, e na vitória. Depois de três meses, estou louco para ver meus netos.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Podcast do Diogo Mainardi: "Os grampos do ferreiro"

Bem antes de grampear o ministro Gilmar Mendes, bem antes de Paulo Lacerda assumir o cargo de diretor-geral, a Abin foi acusada de cometer ilegalidades contra o bando de Daniel Dantas. Ninguém se lembra, mas eu sim.
Em 2004, Lula nomeou Mauro Marcelo para chefiar a Abin. Eles se conheciam desde 1994, quando Mauro Marcelo, delegado da Polícia Civil, coordenou as investigações sobre o seqüestro de um sobrinho de Roberto Teixeira. Para pagar o resgate, Lula arrecadou quatrocentos mil dólares junto a empresários, mas o sobrinho de seu compadre foi libertado antes do pagamento. Sabe-se lá que fim levou o dinheiro. O que se sabe é que, na campanha presidencial de 2002, Mauro Marcelo cuidou da segurança de Lula, ao lado de gente como Freud Godoy e César Alvarez. E, com isso, a amizade deles se estreitou.
Mauro Marcelo, depois de ser nomeado para a Abin, encontrou-se com Giuliano Tavaroli, diretor da Telecom Italia. Segundo o depoimento do próprio Tavaroli à magistratura italiana, Mauro Marcelo teria oferecido à operadora o apoio institucional do governo na batalha contra Daniel Dantas, alegando que o banqueiro "era inimigo do presidente Lula". Outras testemunhas do processo contra os arapongas da Telecom Italia confirmaram o papel de Mauro Marcelo e acrescentaram que ele tinha um parceiro nessa empreitada: o detetive particular Eloy de Lacerda, com o qual ele compartilhava uma Ferrari. Os dois teriam um acordo para dividir inclusive os trezentos mil dólares pagos pela Telecom Italia.
Quem acompanha meus artigos já sabia disso tudo. A novidade surgiu há dois meses, quando esse mesmo Eloy de Lacerda, uma semana depois da Operação Satiagraha, foi preso pela Polícia Federal, na Operação Ferreiro, sendo acusado, veja só, de comandar uma rede de arapongas que realizavam grampos ilegais.
Pergunto: as duas operações estão relacionadas? Eloy de Lacerda, que em 2005 foi acionado pela Abin para espionar Daniel Dantas, participou também da Operação Satiagraha? Ele está metido nesse episódio de grampos ilegais contra juízes do STF e congressistas? Nesse caso, sua prisão teria alguma ligação com o rapa que o comando da PF ordenou contra os aloprados do delegado Protógenes Queiroz? Lula saberia que seu indicado à chefia da Abin, Mauro Marcelo, ofereceu apoio institucional aos adversários de Dantas? Por que Lula era considerado um inimigo de Dantas? Só porque Dantas contratou os arapongas da Kroll para bisbilhotar os negócios nebulosos do PT?
Estou aqui, esperando respostas.
Ouça aqui

O pós-2010

Eu temo muito, não o resultado das eleições de 2010, alguém vai ganhar, é natural. Eu temo é o pós-2010. Que ambiente nós vamos encontrar? O mesmo ambiente radicalizado de que quem perde as eleições atua no sentido de inviabilizar as reformas propostas por quem ganha ou nós vamos ter, a partir da maturidade que adquirimos tanto nós do PSDB que governamos por oito anos o Brasil como o PT do presidente Lula que governará por oito anos, uma agenda comum?
Aécio Neves disse isso aí acima hoje. E ele tem razão. Coitado do próximo presidente. Vai herdar uma maquina quebrada, repleta de cupanheros que não vão querer largar o osso. Não vai ter dinheiro para fazer muita coisa porque Lula está gastando tudo agora (e gasta mal). O problema do Brasil é o pós-2010. Se o PT voltar para a oposição vai ser muito mais radical do que era antes. Não adianta o PSDB vir com esse papinho inocente de que, se eles foram moderados na oposição na era lulista, portanto, os petralhas têm que saber se comportar quando voltarem para o outro lado. O PT vai tentar parar tudo e, é lógico, sempre lembrando Lula. E onde Lula vai estar? Ora essa, comandando a oposição petralha. Tenho dó do próximo presidente. Vai ter que penar muito para governar estêpaiz.

Sandy Júnior sonha

Sandy Júnior disse que Iris Rezende vai continuar caindo nas pesquisas. A última divulgada, a do Grupom, mostra uma queda de 5% nos índices de Iris. Nada indica que estes 5% que saíram de Iris foram para Sandy Júnior. Assim como nada indica que seu índice irá subir um pouco mais. Lembro do final do primeiro turno das eleições municipais de 2004. Sandy Júnior deu uma entrevista coletiva reconhecendo a derrota e disse que o sonho não tinha acabado e que um dia iria ser prefeito de Goiânia. Pois é, o sonho não acabou e Sandy Júnior ainda acredita que Iris cairá ainda mais nas pesquisas. Falta ele sonhar com seus números subindo. Sonhar não é proibido.

Por onde já bloguei

No link dos blogs acabo de colocar o endereço do meu antigo blog. Era no site do Terra. Está lá. Quem quiser ler e ver por onde bloguei fique a vontade.

Ele só faz besteira

Eu pensei que fosse só birra, mas acabei chegando a conclusão que não é. Geraldo Alckmin gosta de levar pé na bunda. Desde 2006 que faço isso. Desde a última campanha presidencial que desço a lenha nos tucanos que não conseguiram organizar uma campanha descente para combater o lulismo bolivariano.
Geraldo Alckmin não aprendeu nada com os erros, com as burrices, com as trapalhadas de 2006. Ele estava tecnicamente empatado com Dona Supla no primeiro lugar das pesquisas. Aí ele começou a lembrar dos tempos que sempre foi um bom menino em Pindamoiangaba. Aí ele começou a atacar Gilberto Kassab ao invés de Dona Supla. Ele foi fazendo uma besteira atrás da outra. O resultado não poderia ser diferente. Olha Dona Supla liderando das pesquisas e Alckmin empatado tecnicamente com Kassab em segundo lugar.
Será que Alckmin não se toca que, atacando a atual gestão, está dando um tiro no pé? Todo mundo sabe que dentro da Prefeitura de São Paulo tem aliados do partido de... Geraldo Alckmin. Ele disse que Dona Supla já teve seu momento e que o atual prefeito também. Mas espere um pouco. O atual prefeito não está terminando o mandato iniciado por José Serra, aquele que Alckmin quer puxar para sua campanha? Realmente não dá para entender.
Desde 2006 que eu falo para deixarem Geraldo Alckmin na geladeira. Mas ele insiste em aparecer. Ele insiste em mostrar a sua face bom menino. Ele só faz besteira mesmo. De besteira em besteira é bem capaz de Alckmin ver de fora os momentos de Dona Supla e Gilberto Kassab no segundo turno.

Dantas dribla Receita com recursos judiciais

Por Andréa Michael
na Folha de São Paulo

Graças à passagem do tempo, em parte propiciada pela apresentação de recursos judiciais, o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, livrou milhares de operações de seus clientes de passar pelo crivo da Receita. O fisco vai analisar apenas 670 das quase 24 mil movimentações que constam do disco rígido do banco apreendido pela Polícia Federal em 2004 e que tiveram o responsável identificado pela fiscalização.Assim, em vez de ter como base de cálculo US$ 6 bilhões para cobrar impostos devidos aos cofres públicos, os fiscais da Receita irão se debruçar sobre um montante de US$ 534 milhões -a soma das 670 operações entre 2003 e 2004.A Folha tentou, sem sucesso, falar com o advogado de Dantas até a conclusão da edição.Por lei, a Receita só pode cobrar impostos devidos retroativos a um prazo de cinco anos. A matéria-prima do trabalho dos fiscais poderia ser maior, não fossem os sucessivos recursos que os advogados do banqueiro apresentaram e por meio dos quais conseguiram, inclusive no STF (Supremo Tribunal Federal), a proibição da abertura e da análise dos dados contidos no disco rígido apreendido na Operação Chacal e que registra 33 mil operações financeiras internacionais, entre dezembro de 1992 e junho de 2004.O principal argumento dos advogados é que as movimentações não eram alvo da Chacal, que tinha como foco a contratação da empresa Kroll para espionar, inclusive com métodos ilegais, a Telecom Italia -que mantinha disputas judiciais com a Brasil Telecom, então gerida pelo Opportunity.Por uma manobra jurídica do Ministério Público e da PF, o sigilo do disco rígido foi quebrado, sob o argumento de que necessitavam ter acesso aos dados para verificar eventual envolvimento do banqueiro com o mensalão -o esquema de pagamento a congressistas da base aliada em troca de apoio ao governo Lula. Tudo isso ancorado no fato de que as companhias telefônicas de Dantas teriam contribuído com R$ 150 milhões para tais pagamentos.Três anos depois de aprovada a quebra do sigilo do disco rígido pela Justiça, os peritos acessaram seus dados e constataram a prática de crime financeiro. Elaboraram um laudo que foi um dos fundamentos para a prisão de Dantas na Operação Satiagraha, em julho.As operações financeiras sob investigação da Receita e da PF fazem parte de um tipo de aplicação destinada a um fundo no qual só podem investir pessoas não-residentes no país. Ao colocar seu dinheiro no Brasil, ganham como benefício isenção de Imposto de Renda.Havia a suspeita, confirmada pela Satiagraha, de que residentes no Brasil usavam essa movimentação para burlar a lei e livrar-se de tributos.A passagem do tempo, com os sucessivos recursos, na prática fez com que uma montanha de US$ 5,5 bilhões eventualmente ilegais tenha sido legalizada, o que beneficia diretamente clientes de Dantas.As 670 operações sob investigação têm como titulares 120 pessoas físicas e jurídicas. Entre impostos, juros e correção monetária, devem recolher mais de R$ 6 bilhões.Ainda que prescritos do ponto de vista da Receita, os crimes financeiros continuam sob investigação, na esfera criminal, da equipe da PF da Satiagraha.

Alckmin muda tom e diz que rivais pioraram cidade

Por Thiago Faria e Catia Seabra
na Folha de São Paulo

Em mais uma demonstração do racha do partido, o candidato do PSDB à Prefeitura, Geraldo Alckmin, fez ontem -dois dias antes de um jantar de confraternização partidária- duras críticas à administração Serra/Kassab. Contrariando recomendações do próprio governador José Serra e do comando nacional do PSDB, Alckmin disse que a atual gestão, repleta de tucanos, não resolveu os problemas da cidade.Alvo de discórdia numa reunião de campanha na noite de ontem, a estratégia surgiu após a última pesquisa Datafolha, na qual Alckmin (22%) e o prefeito Gilberto Kassab (18%) aparecem tecnicamente empatados."A ex-prefeita já teve a sua oportunidade. O atual prefeito também. E os problemas de São Paulo, problemas estruturantes, maiores, não foram resolvidos. Pelo contrário, estão sendo agravados. Veja a questão do transporte coletivo, o quanto piorou. A questão da saúde piorou, é impressionante. A questão da educação: aumentou o número de crianças fora de creches e Emeis", disse Alckmin.À frente da Prefeitura de São Paulo de 2005 a março de 2006, Serra evitou comentar publicamente a atitude do candidato do PSDB. O governador, informou, por sua assessoria, que não "iria comentar declaração de candidato". Mas ele telefonou para dirigentes tucanos para reclamar de Alckmin.Avesso à linha de ataque, o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), reclamou: "Não está certo. É uma questão de bom senso. Quando ele está bem [nas pesquisas], afrouxa. Quando cai, bate", reagiu Guerra, em São Paulo para acompanhar as eleições.Tentando reassumir o lugar de antipetista, Alckmin disse que tem mais chance de vencer Marta Suplicy. "É natural que candidatos que estavam bem mais abaixo cresçam um pouco. Isso não muda o cenário. Acho que o cenário está muito claro. Nós temos a chance de vencer a candidata do PT", declarou.Embora minimize o peso das pesquisas e afirme que essas oscilações são normais, Alckmin fez questão de ressaltar seu baixo índice de rejeição, de 17%. "As pesquisas indicam que nós vamos para o segundo turno e lá temos a menor rejeição."A estratégia de ataque rachou o Diretório Municipal do PSDB. Na reunião de ontem à noite, os alckmistas cobraram maior participação de Serra na campanha e exigiram punições aos kassabistas. O serrista José Henrique Reis Lobo encerrou seu discurso afirmando que que o partido deveria ter tomado uma decisão em favor da campanha: "Só perdemos nosso tempo reclamando e defendendo a punição dos dissidentes. Tudo tem a sua hora".

Senado: grampo feito fora de casa

Por Luiz Orlando Carneiro e Márcio Falcão
no Jornal do Brasil

A suspeita de que as escutas telefônicas que comprovariam o grampo de autoridades brasileiras e que teriam o envolvimento de agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) partiram dos telefones do Senado foi descartada pela Polícia Legislativa. Ontem, o Departamento de Polícia entregou um relatório preliminar ao presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), sustentando que as interceptações ilegais foram feitas fora da Casa. O documento reforça a tese de que o grampo teria sido realizado no celular do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes.
O texto de 20 páginas vai ser distribuído hoje por Garibaldi aos senadores da Mesa Diretora. Segundo o diretor da polícia do Senado, Pedro Carvalho, o resultado da investigação considerou a varredura na central telefônica e nos gabinetes da presidência e dos senadores Arthur Virgílio (PSDB-AM), Álvaro Dias (PSDB-PR), Tasso Jereissati (PSDB-CE) e Tião Viana (PT-AC). O relatório definitivo da polícia deve ser concluído em 30 dias. As investigações continuam, uma vez que não foi esclarecido como as interceptações teriam flagrado este número de senadores. Na Casa, policias tentam confirmar ainda se há a possibilidade do grampo ter sido instalado pelas operadoras que controlam o sistema telefônico local, sem a fixação direta no Senado.
– Não foi constatado nenhum grampo, nenhuma violação - disse Carvalho.
Além do laudo da Polícia Legislativa e da Polícia Federal, Carvalho solicitou a Garibaldi a inspeção por outra instituição, que pode ser a Universidade de Brasília ou a Polícia Civil, para garantir a imparcialidade do trabalho. O Departamento de Polícia do Senado esclarece ainda no documento que a Casa não possui aparelhos para grampo. Os técnicos apontam que o Oscor 5000, aparelho de fabricação americana utilizado para detectar escutas ambientais, não pode realizar interceptações telefônicas. O aparelho do Senado é idêntico ao da Abin.
Sem querer comentar o relatório da Polícia do Senado, Garibaldi quer acelerar a votação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do projeto de lei que estabelece regras mais duras para a realização de escutas telefônicas.

Mendes depõe, Jobim não

Na Câmara, governistas e oposicionistas articulam os rumos da CPI das Escutas Telefônicas. Mas o calendário eleitoral e problemas na agenda podem dificultar o andamento dos trabalhos. Ontem, ao chegar para a posse novo corregedor do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Gilson Dipp, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, informou que não poderá comparecer amanhã à CPI porque viajará com o presidente Lula à Amazônia. Agora, a oposição trabalha para chamar o ministro da Justiça, Tarso Genro, para dar explicações.
Ontem, o presidente do STF, Gilmar Mendes, prestou depoimento aos delegados da Polícia Federal William Morad e Rômulo Berredo, que comandam as investigações. Mendes confirmou a autenticidade de uma conversa com o senador Demóstenes Torres (DEM-GO). Questionado se teria a sensação de ter sido alvo de outras escutas, o presidente da Suprema Corte afirmou que, em 2007, durante a Operação Navalha, ao julgar o habeas corpus do ex-deputado distrital Pedro Passos, teve a certeza. Um dos advogados do ex-deputado já teria conhecimento da liberação de seu cliente antes de divulgada a decisão.

Governo prevê elevar gasto com publicidade em 2009

Por Fábio Zanini
na Folha de São Paulo

O governo federal elevou os recursos orçamentários previstos para comunicação e publicidade na proposta de Orçamento de 2009 enviada ao Congresso, na comparação com 2008.No ano que vem, quando o presidente Lula deve começar a promover um candidato para sucedê-lo, a rubrica que inclui propaganda institucional, de divulgação das ações de governo, aumentará de R$ 139,2 milhões para R$ 184 milhões. O crescimento de 32,18% está bem acima da inflação prevista para 2008, de no máximo 6,5%.Segundo a Secretaria de Comunicação Social do governo, responsável pela publicidade da Presidência e dos ministérios (as estatais têm verba própria), haverá novas ações de comunicação. O governo planeja gastar R$ 15 milhões na contratação de uma empresa para fazer a assessoria de imprensa do Brasil no exterior, licitação que é contestada na Justiça.Nos próximos dias, será anunciada uma licitação no valor de R$ 11 milhões para "comunicação digital" do governo, que envolve a reformulação do site da Presidência e do portal "Mais Brasil", de divulgação dos programas sociais. Um portal em inglês, francês e espanhol também será feito. Mais R$ 4 milhões irão para uma série de pesquisas de opinião para avaliar o conhecimento e avaliação da população sobre programas como PAC, Pronasci, Bolsa Família e outros.Segundo o subchefe-executivo da Secom, Ottoni Fernandes, o Orçamento de 2009 vai recompor o corte sofrido neste ano em razão do fim da CPMF. A secretaria tinha pedido inicialmente R$ 179 milhões, mas ficou com R$ 139,2 milhões.Para a propaganda de utilidade pública (campanhas de vacinação, por exemplo), os recursos em 2009 serão os mesmos deste ano, R$ 16 milhões.Fernandes afirma que o governo federal tem a obrigação de prestar contas à sociedade. "Publicidade de utilidade pública e publicidade institucional para promover valores são importantes de serem feitas. [...] Claro que para nós é bom prestar contas, promover o governo, mas não tem nada adjetivo nas campanhas, não tem nada que promova personalidades", declara o secretário.Outros programas relacionados a comunicação também terão aumento. O item que reúne verba para rádio e TV pública (incluindo a nova TV Brasil) terá em 2009 R$ 417 milhões, ou 16,54% a mais do que neste ano.A presidente da TV Brasil, Tereza Cruvinel, afirmou à Folha, no entanto, que os recursos para a emissora se mantiveram estáveis em R$ 382 milhões e que o aumento se deu em outros itens do programa.Um terceiro programa, destinado à "difusão da cultura e da imagem do Brasil no exterior" receberá R$ 40 milhões, salto de 63,04% em relação a 2008.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Eu aguento

Eu sei que está muito chata a propaganda política, mas eu procuro acompanhar sempre, escrever e publicar aqui no blog. Tudo para vocês, meus cinco leitores queridos.