sábado, 12 de julho de 2008

"Os males do Brasil são" por Roberto Pompeu de Toledo

Quando se afirma que o Exército não está preparado para funções de segurança pública, como repetidamente se fez no caso dos militares que entregaram três jovens do morro carioca da Providência para ser executados por traficantes de um morro rival, a suposição é que a polícia, ela sim, está. O caso do menino morto na semana passada por policiais que dispararam no carro em que viajava com a mãe mostra quanto está – ô, se está! Outra suposição é que, se o Exército não está preparado para a segurança pública, para alguma outra coisa haverá de estar. Para quê?
Um estudo do oficial reformado da Marinha Virgílio Freire mostra problemas que começam na distribuição da força pelo território nacional. "De um total de 124 unidades operacionais de combate, apenas 22 estão na região de fronteira mais sensível, ou seja, os estados do Amapá, Pará, Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima", afirma o estudo. Isso equivale a 17% da força. As regiões Sudeste e Sul abrigam porcentagens bem mais altas – 35% e 37%. A maior concentração no Sul, segundo Freire, revela uma estratégia "antiquada, elaborada na época da guerra do Paraguai". Não há sombra de guerra à vista com Argentina, Uruguai ou Paraguai. ("O Exército precisa ser informado urgentemente da existência do Mercosul", diz Freire.) Em contraste, as fronteiras Norte são hoje as mais ameaçadas, inclusive "pelas guerrilhas, como a das Farc". Freire é contra pôr o Exército a policiar as ruas. Se melhor cobrisse a região Norte, no entanto, estaria servindo à segurança pública na primeira linha de combate – as fronteiras por onde vaza o contrabando de armas e drogas.
O estudo do ex-oficial aponta outro problema no fato de os soldados serem recrutas de 18 anos, que prestam serviço por apenas doze meses. Foi uma tropinha de dez meninos desses que, sob o comando de um segundo-tenente de 25 anos, entregou os jovens da Providência a seus carrascos. Os recrutas, segundo Freire, deveriam ser substituídos por profissionais. A reforma do Exército, assim como a tributária e a política, é outra que cai de podre, mas... ai, que preguiça. Adiar os problemas e ceder à força da inércia os males do Brasil são.
A aposta do momento é quanto vai durar o furor fiscalizatório em torno da dosagem de álcool no sangue dos motoristas. O desejável é que dure muito, de preferência para sempre, mas a experiência indica que os esforços para o bom cumprimento das leis, entre nós, começam com ímpeto de leão, decaem gradualmente e terminam num ronrom de gatinho saciado. Em fazer leis somos bons. Em vigiar para que sejam observadas... ai, que preguiça.
Quando da entrada em vigor do Código de Trânsito, também começamos bem, com a fiscalização resultando em multas e os famosos e temíveis pontos na carteira. O Código de Trânsito não assusta mais. Se tudo correr conforme a tradição, logo a Lei Seca para os motoristas também não assustará mais. E então o que acontecerá? Será feita outra lei. Outro dos cacoetes nacionais é preferir fazer uma nova lei a pôr a antiga para funcionar. Não passa muito tempo, e abandona-se a lei ao deus-dará. Não nos faltam leis que perambulam pelos códigos como órfãos desamparados.
A fiscalização é irmã gêmea da manutenção. Uma está para as leis assim como a outra para as obras. Se somos falhos na fiscalização, não haveríamos de ser bons na manutenção. Não faltam governantes bons em fazer estradas, pontes ou viadutos. Faltam os que conservem os antigos. Para o governante, é mais atraente fazer uma obra nova do que manter as já existentes. Falta de fiscalização e falta de manutenção os males do Brasil são.

Quem ainda não percebeu o avanço da inflação atente para o teste da nota de 50. Chegar com uma nota de 50 reais no caixa da padaria, até pouco tempo atrás, era arriscar ser xingado. Tomar um táxi só com nota de 50 no bolso era uma temeridade. Não mais. Boa maneira de detectar como a inflação avança, ao seu jeito sorrateiro, é se dar conta de como está ficando fácil trocar a nota de 50. Tão altiva, com uma onça-pintada estampada na face, é outra que, como a vigilância das leis, corre o risco de decrescer até o ronrom de um gatinho.
Inflação à brasileira é fenômeno que começa com o derretimento das notas e termina no jetom do telefone. O jetom entra em cena quando desaparecem as moedas, tão desprezível o valor que representavam. Talvez desta vez o jetom não se apresente, pois o telefone celular condenou à decadência os telefones públicos. Mas isso não anula a ameaça às moedas. Deve-se defender com unhas e dentes o porta-moedas que se leva no bolso, ou na bolsa. O porta-moedas é a última linha de resistência contra a inflação. Quando ele deixa de ser útil, porque as moedas desapareceram de circulação, é sinal de que fomos tragados para o abismo. Nota com onça que faz ronrom e porta-moedas que se elimina do kit que se leva no bolso os males do Brasil são.

"Luis Nassif, o banana" por Diogo Mainardi

Eu sou lobista de Daniel Dantas. É o que diz o blogueiro Luis Nassif. Como foi que eu ajudei Daniel Dantas? Acusando-o de ter financiado Lula. E também acusando Naji Nahas de ter financiado Lula. O fato de eu ter publicado uma série de documentos judiciais sobre Naji Nahas e a Telecom Italia me incrimina, segundo Luis Nassif. Entende-se: em meu lugar, ele teria picotado e obedientemente engolido esses documentos, que denunciam as ilegalidades cometidas pela empresa e pelo governo. Quem patrocina o site de Luis Nassif? A Telecom Italia. Quem impediu que ele falisse e perdesse até as cuecas? O BNDES.
Eu já ridicularizei Luis Nassif três anos atrás, demonstrando que ele reproduziu integralmente em sua coluna a nota de um lobista ligado a Luiz Gushiken. Ele foi demitido da Folha de S.Paulo pouco tempo depois, por causa de um fato ainda mais nauseabundo: a suspeita de ter usado seus artigos no jornal para achacar o governo de Geraldo Alckmin. Em 2004, Luis Nassif convidou o secretário Saulo de Castro para um fórum de debates organizado por sua empresa, Dinheiro Vivo. O detalhe sórdido era o seguinte: para o secretário poder participar do evento, o governo paulista teria de desembolsar 50.000 reais. Saulo de Castro negou o pedido.
Em 2005, Luis Nassif voltou à carga, cobrando uma tarifa ligeiramente mais modesta, de 35.000 reais. A assessora de Saulo de Castro mandou um e-mail para o chefe com este comentário: "Não é à toa que a empresa se chama Dinheiro Vivo". Saulo de Castro negou o pedido mais uma vez. Luis Nassif decidiu retaliar. Em sua coluna, passou a atacar sistematicamente o governo Alckmin, em particular o secretário Saulo de Castro. Quando o diretor da Folha de S.Paulo, Otavio Frias Filho, foi informado das suspeitas em torno de Luis Nassif, demitiu-o imediatamente. Nesta semana, falei sobre o episódio com Otavio Frias Filho. Ele confirmou.
Com a carreira no jornalismo arruinada, Luis Nassif refugiou-se na internet, onde seu passado era desconhecido, como o de Mengele em Bertioga. O bando de Luiz Gushiken arranjou-lhe uma sinecura no iG. Enquanto fazia um blog para meia dúzia de leitores, ele era obrigado a escapar de seus credores no BNDES, que queriam penhorar seus carros e apartamentos para tentar recuperar uma parte do rombo de 4 milhões de reais da Dinheiro Vivo. No fim de 2007, depois de um misterioso encontro com a diretoria do BNDES, ele conseguiu fechar um acordo judicial altamente lesivo para o banco, que lhe garantiu os seguintes mimos: o abatimento de 1 milhão de reais de sua dívida, o prazo de dez anos para saldá-la, a retirada de todas as garantias para o pagamento do empréstimo e a dispensa de uma multa de 300.000 reais. Algumas semanas depois, ele retribuiu a generosidade estatal usando o único método que conhece: uma campanha de mentiras descaradas contra mim e contra VEJA, tidos como inimigos do governo.
Luis Nassif é um banana. Ninguém dá bola para ele. Por isso mesmo, minha idéia era persegui-lo apenas judicialmente. De fato, estou processando o iG. Tenho uma tonelada de mensagens, documentos e testemunhas que desmoralizam toda a imundície publicada em seu blog. Mas suas calúnias ganharam outro peso depois que Daniel Dantas e Naji Nahas foram presos. Claramente, o pessoal que o emprega está preocupado com o rumo que esse inquérito pode tomar. Há um empenho para impedir que os dois sejam associados a Lula, como eu sempre fiz. Quando Daniel Dantas e Naji Nahas foram presos, eu comemorei. Luis Nassif deve ter pensado em todos os documentos que terá de picotar e engolir. E em todos os patrocinadores que poderá ganhar.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

11 horas após ser solto pelo STF, Dantas é preso de novo

Por Lilian Christofoletti
na Folha de São Paulo

Menos de 12 horas depois de deixar a carceragem da Polícia Federal, o banqueiro Daniel Dantas, que havia sido beneficiado por um habeas corpus do Supremo Tribunal Federal, voltou para a prisão, desta vez acusado de corrupção ativa. Dantas estava em um escritório na avenida Nove de Julho, em São Paulo, quando foi surpreendido com a nova ordem de prisão contra ele. O banqueiro havia deixado a carceragem às 5h30, ao lado da irmã, Verônica Dantas, e de outros nove funcionários do Grupo Opportunity, todos acusados de crimes financeiros -suposta formação de quadrilha, gestão fraudulenta, evasão e lavagem de dinheiro. Ele passou o dia num flat e, depois, foi a um escritório. Havia sido informado para não deixar São Paulo pois seu interrogatório estava previsto para ontem mesmo. Recebeu a voz de prisão por volta das 15h30. Em seguida, foi levado para o Instituto Médico Legal, onde se submeteu, pela segunda vez no mesmo dia, a um exame de corpo de delito -a primeira foi pela manhã ao deixar a prisão. Por volta das 16h50, Dantas já estava a caminho da carceragem da PF, na Lapa, onde chegou às 17h. "Esta prisão não tem nada a ver com a primeira. Os fatos e os fundamentos são completamente diferentes", afirmou o procurador da República Rodrigo De Grandis. A prisão decretada ontem é preventiva (a duração será fixada pela Justiça) e atingiu apenas o banqueiro por suposto crime de corrupção ativa -oferecimento de US$ 1 milhão a um delegado para que ele, a irmã e os funcionários fossem excluídos da investigação. A Procuradoria apresentou ao juiz Fausto Martin de Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal, um depoimento e um documento que, segundo o órgão, são provas novas do caso. O documento foi achado pela PF na casa do banqueiro, no Rio. Num papel impresso, que seria de 2004, estava escrito "Contribuições ao CLUBE". Abaixo: "contribuição para que um dos companheiros não fosse indiciado criminalmente". "O documento comprova que a corrupção é um expediente contumaz no grupo criminoso chefiado por Dantas", disse De Grandis. O segundo fato exibido como prova foi o depoimento de Hugo Chicaroni, preso pela tentativa de subornar o policial -na casa dele foram apreendidos cerca de R$ 1,3 milhão. Chicaroni intermediou o encontro de um delegado da PF, que havia se identificado como o chefe da investigação, com o advogado Wilson Mirza Abraham, amigo do banqueiro, e Humberto Braz, o "braço direito de Dantas na organização criminosa", segundo a polícia. A Procuradoria pediu a prisão de Abraham, o que foi negado pela Justiça. O advogado disse não ter participado de nenhuma tentativa de suborno. Com a anuência da Justiça, o policial recebeu R$ 50 mil mais R$ 80 mil. Há cerca de dez dias, disse Chicaroni, "algumas pessoas ligadas ao Opportunity levaram à casa do declarante [Chicaroni] a quantia de R$ 865 mil, que deveriam ser entregues ao delegado". À PF Chicaroni disse ter sido apresentado ao grupo de Dantas pelo desembargador aposentado do Tribunal Regional Federal paulista Pedro Rotta, que ficou no órgão de 89 a 97. Primeira prisãoA primeira prisão, decretada no último dia 8 pelo mesmo juiz que ordenou a detenção de ontem, era temporária -cinco dias prorrogáveis por mais cinco. O motivo era garantir o sucesso das ações de busca nas casas e escritórios dos envolvidos. Na noite de anteontem, a ordem foi anulada em uma polêmica decisão do presidente do Supremo, Gilmar Mendes, que considerou equivocado o entendimento do juiz. Para De Grandis, Mendes "pulou" instâncias inferiores: TRF (Tribunal Regional Federal) e o STJ (Superior Tribunal de Justiça). Nas escutas telefônicas, pessoas próximas a Dantas dizem que ele só se preocupava com a Justiça de 1ª instância, "uma vez que no STJ e no STF ele resolveria tudo com facilidade".

quinta-feira, 10 de julho de 2008

O mérito é da CPI dos Correios

Editorial do Estado de São Paulo

A Operação Satiagraha pode surpreender pelo nome, ou melhor, pela estranha predileção da Polícia Federal (PF) por termos exóticos para batizar as suas investigações de grande ressonância - este, do sânscrito, significando "firmeza na verdade", era um dos conceitos costumeiros das pregações do Mahatma Gandhi. Mas é de duvidar que alguém, ao menos entre os brasileiros habituados a ler jornal, tenha se surpreendido com os nomes dos três principais alvos da operação, dos 24 cuja prisão foi decretada por um juiz criminal de São Paulo, Fausto de Sanctis. Afinal, não é de hoje que, por uma penca de motivos, o banqueiro Daniel Dantas, o especulador Naji Nahas e o ex-prefeito paulistano Celso Pitta freqüentam a crônica policial, e todos têm "fichas sujas". Tampouco surpreende a promiscuidade do dinheiro fraudulento com a política, ou vice-versa, para a qual a contribuição do trio não pode ser subestimada, variando apenas as peculiaridades dos delitos identificados pelos federais.Ora cada um por si, como líderes de duas "organizações criminosas", ora mantendo "negócios pontuais conjuntos", apurou a PF, Dantas, o voraz wheeler-dealer do Banco Opportunity e das teles, e o ladino Nahas, que certa vez conseguiu quebrar a Bolsa do Rio, respondem por um dos maiores esquemas de evasão de divisas e lavagem de dinheiro já flagrado no País, acusados de movimentar somas monumentais de origem ilícita. Só pelo Opportunity Fund, teoricamente vedado a brasileiros, passaram quase US$ 2 bilhões em 10 anos. E o escolado Pitta - "pé-de-chinelo" em comparação com os outros dois - recorria a Nahas para expatriar ou repatriar recursos clandestinos. Além de tráfico de valores e branqueamento de dinheiro manchado, as acusações falam em corrupção ativa, formação de quadrilha, crime contra o sistema financeiro, operação ilegal de instituição financeira, gestão fraudulenta, concessão de empréstimos vedados e uso indevido de informação privilegiada.A grande surpresa é que o desvendamento dessas falcatruas remonta a uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), desmentindo as expectativas de que tais investigações acabam em pizza. Em abril de 2006, o deputado paranaense Osmar Serraglio, relator da CPI dos Correios, propôs o indiciamento de Daniel Dantas, a partir da descoberta de que duas empresas controladas por ele pagaram R$ 152,4 milhões a Marcos Valério Fernandes, o operador do mensalão. Ajudando a financiar a compra de congressistas para votarem com o Planalto, Dantas imaginou que os seus negócios seriam recompensados pelo governo petista. "Quase logrou êxito em sua empreitada", anotou Serraglio, "não fosse a brusca guinada política, provocada pela revelação do esquema." Pouco depois, com o desdobramento do inquérito do mensalão, a Polícia Federal, acionada pela Procuradoria-Geral da República, tratou de puxar os outros fios da meada - um trabalho de primeira, como se vê.Mas, para variar, os federais tinham de meter os pés pelas mãos. O convite à Rede Globo para registrar o momento da prisão de um estremunhado Celso Pitta, pouco antes do amanhecer da terça-feira, revela que a PF continua a cultivar a "espetacularização", como diz o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. A responsabilidade do diretor-geral do órgão, Luiz Fernando Corrêa, e do delegado Protógenes Queiroz, condutor da Operação Satiagraha, são inegáveis. Outro abuso foi o pedido de prisão da jornalista que em abril último revelou a investigação em curso. A PF queria também fazer uma busca e apreensão na sua casa. Não obteve nada. "Ainda bem que o juiz negou, se tivesse aceito seria um absurdo", reagiu o titular do STF. "Prender uma jornalista por revelar uma informação faz inveja ao regime soviético." A alegação de quebra de sigilo é simplesmente primária. A repórter teria fornecido a advogados de Dantas o número da investigação a seu respeito. Se o fez, não cometeu crime algum. Diferentemente de processos que correm sob sigilo de Justiça, cujos autos são de conhecimento apenas dos envolvidos, uma vez revelada a existência de um inquérito - no caso, em razão de um vazamento da própria polícia -, a autoridade encarregada não pode esconder dos advogados do inquirido que ele está sob investigação por tais ou quais motivos. A PF que identifique o seu boquirroto e deixe de ser inquisitorial.

Irã testa mísseis de longo alcance

No Estado de São Paulo com agências internacionais

O Irã testou ontem nove mísseis de médio e longo alcance perto do Estreito de Ormuz, uma pequena faixa de água por onde passa 40% do suprimento de petróleo do mundo. Teerã vem reiteradamente ameaçando fechar o estreito e os testes provocaram um aumento de US$ 2 no preço do barril de petróleo. O Irã também advertiu EUA e Israel de que está pronto para retaliar se for atacado por causa de seu polêmico programa nuclear. Israel - situado a mil quilômetros da fronteira iraniana - e muitas bases militares dos EUA no Oriente Médio poderiam ser atingidos por alguns dos mísseis testados ontem pela Guarda Revolucionária, entre eles o Shahab-3, de 2 mil quilômetros de alcance.Segundo o general Hossein Salami, comandante da força aérea da Guarda Revolucionária, os testes tiveram como objetivo "mostrar nossa determinação e poder contra os inimigos, que nas últimas semanas ameaçaram o Irã com uma linguagem dura". Os EUA dizem que buscam resolver pela via diplomática a disputa sobre o programa nuclear iraniano, mas todas as opções estão sobre a mesa. Israel, por sua vez, indicou recentemente que poderia atacar as instalações nucleares do Irã.O secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, declarou ontem que os EUA não estão perto de um confronto com o Irã. Mas ele e a secretária americana de Estado, Condoleezza Rice, disseram que os testes de mísseis provam que o Irã é uma ameaça e destacaram a necessidade de um sistema de defesa antimísseis no Leste Europeu - ao qual a Rússia se opõe.Especialistas militares russos deram pouca importância aos testes do Irã, afirmando que o país levará entre oito e dez anos para obter mísseis balísticos intercontinentais. "Estamos certos de que a indústria iraniana não está pronta para produzir os mísseis intercontinentais, contra os quais os EUA estão instalando um sistema de defesa na Polônia e na República Checa", declarou o general da reserva Victor Yesin.A Casa Branca alertou que o Irã deve "abster-se de fazer mais testes de mísseis se realmente busca conquistar a confiança do mundo". O subsecretário de Estado William Burns disse à Comissão de Assuntos Exteriores da Câmara que o Irã obteve apenas um "modesto" avanço em seu programa nuclear, afetado pelas sanções da ONU.Em Jerusalém, Mark Reguev, porta-voz do premiê Ehud Olmert, disse que "Israel não busca a guerra nem hostilidades com o Irã". No entanto, ele afirmou que ninguém na comunidade internacional deveria ser indiferente aos programas nuclear e de mísseis balísticos do Irã.A França recebeu com "preocupação" os testes, enquanto a Grã-Bretanha disse que eles "só reforçam a inquietação sobre as intenções do Irã". A Alemanha lamentou que o Irã tenha respondido com um gesto de "má-vontade" a uma oferta de incentivos econômicos para suspender o enriquecimento de urânio.
OS CANDIDATOS E O IRÃ
Obama: O democrata reconhecei que o Irã é uma ameaça para a região, mas afirma que uma diplomacia direta com os líderes iranianos daria ao governo dos EUA maior credibilidade para pressionar por sanções internacionais mais duras. Se opôs à votação no Congresso que declarou a Guarda Revolucionária do Irã uma organização terrorista. Segundo ele, isso pode servir de pretexto para um ataque militarMcCain: O candidato republicano diz que um ataque militar talvez seja necessário porque, de acordo com ele, só há uma coisa pior do que uma guerra contra o Irã: um governo iraniano com armas nucleares. McCain também defende sanções econômicas mais duras e se opõe veementemente à idéia de uma diplomacia ativa e do diálogo de alto nível com o presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad

STF analisará dossiê sobre gastos de FHC

No Estado de São Paulo

Chegou ontem ao Supremo Tribunal Federal a investigação do vazamento do dossiê montado na Casa Civil com gastos dos cartões corporativos feitos no governo Fernando Henrique Cardoso. O caso estava na Justiça Federal, pois nenhum dos investigados tinha foro privilegiado. Porém, os nomes dos ministros da Justiça, Tarso Genro, e da Casa Civil, Dilma Rousseff, foram incluídos na investigação depois que o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) questionou o envolvimento de ambos no caso. Somente em agosto, quando os ministros voltam do recesso, o relator será escolhido.

EUA querem aproximar Brasil e Colômbia

Por Andrea Murta
na Folha de São Paulo

Poucas horas após chegar de uma visita a Bogotá, o secretário-adjunto de Estado dos EUA para o Hemisfério Ocidental, Thomas Shannon, deixou no ar um recado ao Brasil: é chegado o momento de fortalecer relações com a Colômbia."A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Colômbia [nos dias 18 a 20 próximos] vai ser bastante importante para o Brasil e para Bogotá. De todos os países da América do Sul, talvez a relação do Brasil com a Colômbia seja a menos desenvolvida, por razões históricas e pelo isolamento que a Colômbia sofreu por muitos anos devido à sua luta interna", disse Shannon em entrevista ontem em São Paulo.Exibindo pulseira com as cores nacionais colombianas no braço direito, o secretário-adjunto afirmou que a "Colômbia representa hoje um aspecto muito importante do futuro da América do Sul", por seu "êxito na política de segurança democrática" e pela busca de relações comerciais globais. "Uma forte relação entre Brasil e Colômbia seria importante para todo o continente."Shannon não foi o único a lembrar a percepção de frieza entre os dois países após o resgate, na semana passada, de 15 reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) pelo Exército colombiano. A reação do Brasil à ação foi tida como mais discreta do que a dos demais países da região -Lula pediu que o chanceler Celso Amorim cumprimentasse o governo colombiano.Sobre as Farc, o diplomata disse que seu governo não se opõe a negociações com o grupo, apesar de os EUA tradicionalmente serem contra contatos com organizações que considera terroristas. "Não somos contra negociações, somos contra concessões. Somos realistas", disse.Mas ele defendeu que a Colômbia negocie com as Farc da mesma maneira que negociou, pelo menos oficialmente, com os grupos paramilitares de direita, que concordaram em se desmobilizar em 2005. "Não há um processo de paz que os reconhece como iguais. Os paramilitares têm que se submeter ao Estado e à Justiça. E os membros têm que se reintegrar à sociedade como indivíduos, não como bloco. Pode ser feito o mesmo com as Farc."
Terceiro mandato
Shannon evitou condenar a possibilidade de Uribe concorrer a um terceiro mandato consecutivo, como vêm pleiteando seus partidários. "É um assunto supersensível e interno da Colômbia. Seria um erro da parte dos EUA expressar uma opinião antes que os próprios colombianos possam discuti-lo."Ele lembrou também o impacto político forte que o resgate da ex-candidata à Presidência da Colômbia, Ingrid Betancourt, teve no país. A popular ex-refém tende a se alinhar à esquerda de Uribe e tem potencial para alterar o cenário local."Com a capacidade do governo [Uribe] de eliminar os paramilitares, de marginalizar o ELN [Exército de Libertação Nacional] e de golpear fortemente as Farc, se abre mais espaço político no país. Algum líder vai ocupar esse espaço", diagnosticou. Ele afirma, porém, que ainda é cedo para avaliar o papel futuro de Ingrid.
Quarta Frota
Shannon abordou ainda um assunto que vêm tirando o sono de governos latinos: a reativação da Quarta Frota da Marinha dos EUA, a partir do próximo sábado, para defender interesses americanos nas águas da América do Sul e do Caribe.Para o secretário-adjunto, a reativação é uma questão administrativa. "As embarcações que operam ao redor das Américas não mudam. A Quarta Frota não tem capacidade ofensiva, não tem porta-aviões nem submarinos. O trabalho local continua o mesmo, que é principalmente de ajuda humanitária e interdição de tráfico de drogas e pessoas."Ele garante ainda que haverá respeito às águas nacionais. "Não nos interessa e não temos razões para navegar em rios ou áreas litorâneas onde o mar pertence a um Estado."Para reforçar a resposta americana, além de Shannon o Embaixador dos EUA no Brasil, Clifford M. Sobel, falou sobre a Quarta Frota ontem aos senadores Pedro Simon (PMDB-RS), Eduardo Suplicy (PT-SP), Cristovam Buarque (PDT-DF) e João Pedro (PT-AM).Shannon manifestou otimismo com a relação entre os EUA e a América Latina. Elogiou até o venezuelano Hugo Chávez: "Ele disse a nosso embaixador na Venezuela que sente falta dos cafés da manhã que tinham juntos. Isso para nós é muito bem vindo".

Paulinho se contradiz no Conselho de Ética ao depor sobre doação

Por Maria Clara Cabral
na Folha de São Paulo

O deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força Sindical, caiu em contradição ontem, durante novo depoimento ao Conselho de Ética da Câmara, sobre a doação do apartamento para a ONG Meu Guri pelo ex-conselheiro do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) João Pedro de Moura.Segundo o deputado, o depósito de R$ 37,5 mil realizado por Moura para a Meu Guri, presidida por Elza de Fátima Pereira, mulher de Paulinho, foi resultado de uma negociação envolvendo o apartamento. Ontem, Paulinho disse que foi feita uma procuração para que Elza vendesse o imóvel e revertesse os recursos para a entidade, mas o bem nunca foi efetivamente transferido à ONG.Como o apartamento não foi vendido e acumulou dívidas, Moura, que é apontado como um dos principais envolvidos no esquema de desvio de recursos do BNDES, fez o depósito como forma de ajudar a instituição e "anular" a procuração.No depoimento de anteontem, no entanto, Paulinho havia afirmado que Moura resolveu comprar de volta o apartamento por R$ 37,5 mil, porque o imóvel com as dívidas já estava em nome da ONG, que não podia reverter a doação.O advogado do parlamentar, Leônidas Scholz, negou que seu cliente tenha mudado de versão. Disse que ele apenas cometeu um equívoco. "Ele se equivocou ontem [anteontem] na demonstração técnica, foi um erro de técnica jurídica. Não houve nenhuma escritura de doação de imóvel, apenas uma procuração de venda. Está tudo mais claro do que o sol do Mediterrâneo", afirmou.Scholz negou que o depósito seja fruto de qualquer desvio de recursos e alega que o ex-assessor de Paulinho resolveu fazer a doação para ajudar as crianças da ONG após passar por problemas cardíacos.Na defesa escrita do congressista, entregue ao conselho, aparece a segunda versão, com a cópia de uma procuração, datada de 2004, feita por Moura para que Elza vendesse o imóvel, sem a transferência efetiva.O depoimento de ontem foi o segundo prestado por Paulinho ao conselho. O relator do processo, Paulo Piau (PMDB-MG), disse que os dois dias de oitiva serviram para aprofundar ainda mais as dúvidas. "Todas as dúvidas com relação ao apartamento permanecem. Não avançamos muito hoje [ontem], mas temos informações preciosas sobre o assunto", afirmou.Os membros do conselho aprovaram ontem a realização de um novo depoimento secreto de Paulinho, desta vez para analisar o inquérito da Polícia Federal que descobriu a fraude no BNDES e corre em segredo de Justiça. O delegado da PF Rodrigo Levin e o diretor da Polícia Legislativa, Claudionor Rocha, também serão ouvidos pelos deputados.

STF liberta Dantas e mais 10 presos em operação da PF

Por Felipe Seligman
na Folha de São Paulo

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Gilmar Mendes, mandou soltar na noite de ontem o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, e sua irmã Verônica Dantas, que estavam presos na sede da Polícia Federal em São Paulo. Eles são acusados dos seguintes crimes: gestão fraudulenta, formação de quadrilha, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e uso de informações privilegiadas, entre outros.Mendes estendeu a decisão para outros nove funcionários e executivos do Opportunity presos na terça pela Operação Satiagraha, por entender que o pedido da defesa se enquadrava para tais casos. São eles Daniele Ninnio (diretora jurídica), Arthur Carvalho (executivo), Carlos Rodenburg (sócio), Eduardo Monteiro (executivo), Dorio Ferman (presidente), Itamar Benigno Filho (executivo), Norberto Aguar Tomaz (executivo, Maria Amalia Coutrim (executiva) e Rodrigo Bhering Andrade (ex-diretor).O presidente do STF argumentou, em sua decisão, que a principal razão para a prisão temporária -a coleta de provas- já havia sido cumprida. Sobre o argumento de que a reclusão seria necessária para garantir o interrogatório, como alegou a Justiça Federal paulista, Mendes afirmou que não existe previsão legal para tal."Não se pode decretar prisão temporária com base na mera necessidade de oitiva dos investigados, para fins de instrução processual. O interrogatório constitui ato normal do inquérito policial, em regra levado a efeito com o investigado solto, ante a garantia fundamental de presunção de inocência", afirmou o ministro.A determinação do STF seria enviada na madrugada de hoje para PF em São Paulo, por fax.Na manhã de ontem, Mendes chegou a adiar a decisão, quando requisitou à 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo o envio "imediato" de informações sobre as razões que motivaram a prisão dos irmãos. Tais informações chegaram ao Supremo, por fax, algumas horas depois.Mendes negou liberdade ao ex-presidente da Brasil Telecom Participações, Humberto Braz, considerado braço direito de Dantas. O presidente do STF alegou que Braz não estava" abrangido pelo decreto de prisão temporária". Acusado de ser um dos emissários enviados pelo banqueiro para oferecer US$ 1 milhão a um delegado em troca da exclusão de Dantas, Verônica e do filho dela da investigação, Braz está foragido.
Acesso
Mendes também autorizou ontem que os advogados de Daniel e Verônica Dantas tenham acesso aos inquéritos da Justiça e da PF que culminaram na prisão temporária deles, do ex-prefeito Celso Pitta e do megainvestidor Naji Nahas, além de outras 13 pessoas.O presidente do Supremo pediu a cópia da decisão sobre a prisão temporária de Dantas, Verônica e os funcionários, os pedidos de busca e apreensão e a prestação das "informações que entender pertinentes".A defesa do banqueiro tenta ter acesso aos inquéritos desde 26 de abril, quando a Folha publicou reportagem informando que Dantas e seus principais sócios e executivos eram alvo de apuração da PF. Desde então, os advogados entraram com dois habeas corpus, primeiro no STJ e depois no STF. Um foi negado liminarmente. O outro estava sob a análise do STF. A defesa voltou ao Supremo anteontem, alegando que as circunstâncias demandavam urgência na decisão.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Uma piada de salão

Vamos lá, minha gente! Vamos ao que disse Tarso Genro hoje. O ministro da Justiça disse que, no Brasil, não existe intocáveis e que os ricos devem respeitar as leis. É mesmo? Não existem mais intocáveis nestêpaiz? A fala de Tarso só pode ser uma piada. Tem muita gente intocável nestêpaiz. Tem José Dirceu, José Genoíno, Delúbio Soares, Marcos Valério. Sem contar os aliados petistas de todas as horas como Jader Barbalho, Paulo Maluf, Renan Canalheiros, José Sarney, Romero Jucá... É, minha gente, o que Tarso Genro disse foi uma piada mesmo. Ou como diria Delúbio Soares: uma piada de salão.

Ah, Lula, deixa! Ah, Tarso Genro, deixa!

Ao saber da prisão de Daniel Dantas, Naji Nahas e Celso Pitta resolvi olhar nos blogs petralhas a reação deles. Era o que eu imaginava. Comemoravam felizes da vida. Comemoravam mais a prisão de Daniel Dantas. Não é de hoje que eu vejo os petralhas jogando pedras nele. Como eu já disse aqui, eu comprava a revista Carta Capital. Lembro de diversas capas da revista com a foto do banqueiro do Opportunity. Mino Carta o chamava de “orelhudo”. Bem, graças a Deus parei de comprar a revista. Já estou até imaginando a capa da revista desta semana. Comemoração pela prisão de Dantas e louvores ao petralhismo.
Vocês já devem saber por que os petralhas estão felizes pela prisão do banqueiro. É que, segundo eles, Dantas pode incriminar muitos tucanos. É mesmo? Ora, então vamos deixar Daniel Dantas falar. Que ele fale tudo, tudo mesmo. Será que os petralhas vão aceitar? E na hora que o banqueiro falar das suas relações com José Dirceu, Delúbio Soares, Marcos Valério. Xiiii, aí a coisa fica preta, né? Já que este governo gosta de falar que prende rico, poderia deixar Daniel Dantas falar tudo o que sabe. Ah, Lula, deixa! Ah, Tarso Genro, deixa!

Alegria que dura pouco

Os petralhas felizes da vida com a prisão de Daniel Dantas. É bom eles sossegarem. Segundo a Polícia Federal tem petralha defendendo o banqueiro como o ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalg, o governador da Bahia Jaques Vagner e, como sempre ele tinha que aparecer, José Dirceu. É bom a turminha sossegar.

Esse dinheiro pode aparecer

Abro o site do Estadão online e vejo a foto do dinheiro que, segundo o Ministério Público, Daniel Dantas teria oferecido para um delegado da Polícia Federal na tentativa de ter o seu nome, da sua irmã Verônica e do sócio Carlos Rosemberg das investigações. A foto do dinheiro foi divulgada. Na hora que eu vi a foto lembrei de outra. Os petralhas disseram que a Rede Globo teria dado um golpe na campanha de Lula em 2006 ao dar mais atenção para o dinheiro apreendido com os petralhas aloprados na compra do dossiê anti-tucano do que o acidente com o Boing da Gol. Eles não têm limites. Usam até uma tragédia para proteger Lula. A matéria denunciando o golpe que teria levado as eleições presidências para o segundo turno foi divulgada por Carta Capital. Em pensar que eu lia esta revista... Bem, deixa pra lá.
Gostaria de saber se os jornalistas lulistas vão criticar a divulgação da foto com o dinheiro que seria de Daniel Dantas e que seria usado para subornar um delegado da PF. Quero saber se Mino Carta vai escrever algum artigo condenando a foto. Não, eles não vão fazer isso. Se isso beneficiasse Lula até que poderíamos esperar alguma coisa.

Senado torna ''ficha-suja'' inelegível

Por Rosa Costa
no Estado de São Paulo

A Comissão de Constituição e Justiça do Senado (CCJ) aprovou ontem projeto que endurece a Lei de Inelegibilidade ao determinar, entre outras deliberações, que os chamados candidatos "fichas-sujas", condenados em primeira ou única instância, não poderão disputar eleições.A proposta torna, ainda, a lei mais rígida contra presidente da República, governadores, prefeitos, integrantes do Congresso, Assembléias Legislativas e Câmaras Municipais que renunciarem ao mandato após a apresentação de representação ou requerimento que possam resultar na perda de mandato. Eles ficarão inelegíveis pelo prazo de oito anos, a contar da data da renúncia.As mudanças, na melhor das hipóteses, só deverão entrar em vigor nas eleições de 2010. Até lá, terão de ser votadas no plenário do Senado, antes de serem encaminhadas à Câmara. A líder do bloco de apoio ao governo, senadora Ideli Salvatti (PT-SC), fez uma série de ressalvas contra o projeto, por considerá-lo inconstitucional."Nossa legislação é muito clara, ninguém poder sofrer a retirada de um direito, sem o julgamento transitado em julgado, como prevê a Constituição", alegou Ideli. Ela reconheceu o apelo da população para brecar os candidatos "fichas-sujas", mas previu que a regulamentação da Lei de Inelegibilidade não será suficiente para tanto.
JURISTAS
O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) disse ter ouvido de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), entre eles o também presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Carlos Ayres Britto, a informação de que a alteração da lei é suficiente para vetar candidatos condenados. "Se os maiores juristas dizem que não há ilegalidade, não temos por que duvidar", defendeu. De acordo com Demóstenes, restam ao Congresso duas alternativas: mudar a lei para brecar os "fichas-sujas" ou ter essa competência substituída por uma decisão do Judiciário, a exemplo do que ocorreu com a fidelidade partidária. "Será que vamos ficar aqui parados, esperando que o Judiciário decida para a gente obedecer em 2010?", questionou. Mesmo partindo do Senado, Ideli ou nenhum outro parlamentar governista tentou incluir o projeto da CCJ na pauta de votações desta semana, apesar de o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), declarar há dias que a proposta seria votada amanhã. Ideli ressaltou que o assunto nem sequer foi tratado na reunião de líderes de ontem.
TRIBUNAL DE CONTAS
O projeto torna inelegíveis os candidatos condenados, entre outros motivos, pelos crimes eleitoral, de exploração sexual de crianças e adolescentes, contra a ordem tributária, os hediondos e aqueles cuja pena máxima seja maior do que 10 anos. A lei também endureceu para os gestores condenados pelo Tribunais de Contas dos municípios, Estados e União. Só poderão disputar eleições os que forem autorizados por uma liminar obtida na Justiça. Logo, fica extinto o privilégio atual, que libera a candidatura pelo simples gesto do candidato de contestar a condenação no Judiciário.

CPI ligou Dantas a valerioduto em 2006

Por Marcelo de Moraes
no Estado de São Paulo

No relatório da CPI dos Correios, o deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) dedicou 20 páginas às supostas irregularidades envolvendo Daniel Dantas com o valerioduto. À época do trabalho, concluído em abril de 2006, Serraglio propôs o indiciamento de Dantas por suspeita de tráfico de influência, sonegação fiscal e corrupção ativa.Segundo a CPI, empresas controladas por Dantas foram abastecedoras do valerioduto, injetando recursos nas firmas do empresário Marcos Valério, que os teria repassado para políticos e autoridades. Valério é réu no processo do mensalão.No texto, Serraglio descreve a existência de uma rede de troca de recursos, tráfico de influência e pagamentos entre as empresas de Valério e as gerenciadas por Dantas e cita até a destruição de notas fiscais que mostrariam a natureza dos serviços prestados.No capítulo intitulado O Opportunity e o Esquema Marcos Valério, o relatório da CPI diz que "no curso das investigações revelou-se que a Telemig Celular S/A e Amazônia Celular S/A eram dois dos principais clientes das empresas de Marcos Valério Fernandes de Souza, confessadamente o operador dos pagamentos feitos a parlamentares"."O senhor Daniel Valente Dantas é o fundador do Grupo Opportunity, que gere recursos próprios e de terceiros por intermédio de fundos de investimentos e empresas com sede no Brasil e no exterior. O Grupo Opportunity, por intermédio do Opportunity Fund, é o controlador das empresas Telemig Celular S/A, Amazônia Celular S/A e, durante o período compreendido entre 1998 e setembro de 2005, da Brasil Telecom S/A", narra o deputado. O relatório da CPI afirma que "empresas controladas pelo Grupo Opportunity, Telemig Celular S/A e Amazônia Celular S/A realizaram em conjunto pagamentos da ordem de R$ 152.458.434,00 desde 2000".Segundo o documento, a partir de 2003, a situação teria se complicado quando as empresas de Dantas perderam o controle dos recursos de fundos de pensão de empresas controladas pelo setor público."O Sr. Dantas não mediu esforços e canalizou recursos das citadas empresas para as de Marcos Valério, que os distribuiu entre seus interlocutores com o intuito de auxiliar o Sr. Dantas a restabelecer-se. É fato que o Sr. Dantas quase logrou êxito em sua empreitada, não fosse a brusca guinada política, provocada pela revelação do esquema", explica no texto.A primeira ligação entre Valério e Dantas foi feita em meados de 2005 pela ex-secretária da SMPB Comunicação - agência de publicidade de Valério - Fernanda Karina Somaggio à Polícia Federal. Ela disse que Valério "sempre conversava ao telefone" com Dantas. O empresário alegou que mantinha relação comercial com ele em razão de contas publicitárias.A assessoria de Valério informou que ele não falaria sobre a operação da Polícia Federal, alegando que "não tinha nada a ver com a investigação".

Ingrid dá guinada e passa a atacar Uribe

Por Eliana Cantanhede
na Folha de São Paulo

Menos de uma semana depois de ser resgatada espetacularmente do cativeiro, a ex-candidata a presidente da Colômbia Ingrid Betancourt consolidou ontem a guinada iniciada na véspera em relação ao governo de Álvaro Uribe. Se em suas primeiras entrevistas foi pró-Uribe, admitindo até o terceiro mandato do presidente, ontem ela declarou que não teria votado nele e que "a Colômbia está isolada na região"."[A Colômbia] é o único país que tem guerrilha e por isso estamos na extrema direita. Quem elegeu Uribe foram as Farc [Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, o grupo que a fez refém]. Se não existissem as Farc, não existiria Uribe. Os colombianos votaram em Uribe porque estão até o pescoço com as Farc", disse ela, numa nítida mudança de tom, na véspera de completar sete dias de libertação.As declarações foram à BBC Mundo em Paris e não chegaram a surpreender o meio político e diplomático em Bogotá, onde ela já é vista como potencial opositora de Uribe e teve 31% de intenções de votos numa pesquisa publicada no último domingo. Mas esse percentual só existe num cenário: com o próprio Uribe fora da disputa. Com ele, ninguém tem a menor chance, nem ela.Segundo Betancourt, sua "divergência fundamental com ele é a natureza da guerrilha: Uribe concebe o problema colombiano como uma crise de violência, de segurança, que cria um mal-estar social. Eu penso o contrário, que é porque há um mal-estar social que há violência". Apesar disso, não classificou as Farc como de "esquerda".
"Êxito ou fracasso"
Ela não descartou uma possível candidatura à Presidência: "Os espaços têm que se abrir naturalmente. Se vejo em algum momento que é bom para a Colômbia que eu esteja aí, aí estarei", disse, posicionando-se no espectro político oposto ao de Uribe: "Sempre serei de esquerda". Na véspera, ela dissera que o presidente precisa "abandonar a linguagem do ódio".Em entrevista à Folha, o assessor e ideólogo de Uribe José Obdulio Gaviria advertiu que Betancourt só tem chances na política colombiana se alinhada com Uribe: "Ela precisa definir se seu programa será uma continuidade do presidente Uribe ou de oposição. Isso determinará seu êxito ou seu fracasso."Na oposição, o senador e também presidenciável Gustavo Petro, do Polo Democrático Alternativo, disse à Folha que a guinada de Betancourt é "natural". "Creio que havia carga emocional enorme e até fragilidade física nos primeiros momentos da libertação [quando ela foi simpática com Uribe]. Com o tempo, ela vai ter cada vez mais condições de refletir com serenidade sobre o que acontece na Colômbia".
Pró-mediadores
Na avaliação colombiana, um dos fatores que podem ter empurrado Betancourt para a oposição a Uribe -além das origens políticas distintas (ela era do partido verde Oxigênio)- foi a decisão do presidente de romper com os mediadores franceses e suíços empenhados no diálogo entre o governo e as Farc para a libertação de reféns. Ela, que tem dupla nacionalidade, colombiana e francesa, considera "muito importante" manter os mediadores."O problema dos seqüestrados requer o trabalho de muita gente. Uma pessoa só não pode conseguir [a libertação]", disse. Ainda há 25 seqüestrados políticos e cerca de 700 comuns em poder das Farc.Ontem, Betancourt foi homenageada pelo Senado da França e pediu aos congressistas que gravem vídeos pela libertação dos demais reféns para serem transmitidos na marcha prevista para o próximo dia 20 na Colômbia. Ela própria decidiu não comparecer, a pedido da família.Na entrevista à BBC mundo, Betancourt fez um apelo aos presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e do Equador, Rafael Correa: "Não me importa que Chávez tenha contato com as Farc, se este contato faz com que tenha influência sobre eles e que, através dessa influência, possa convencê-los a libertar meus companheiros".

Para membros do conselho, defesa de Paulinho é frágil

Por Maria Clara Cabral
na Folha de São Paulo

O depoimento do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força Sindical, teve, na opinião dos membros do Conselho de Ética da Câmara, dois pontos vulneráveis: a explicação sobre o cheque de João Pedro de Moura, no valor de R$ 37,5 mil, destinado para a ONG Meu Guri, e a ligação do parlamentar com o coronel da Polícia Militar, Wilson Consani.Ontem, por cerca de duas horas, Paulinho deu explicações aos membros do conselho e negou as acusações de participação em esquema de desvio de dinheiro do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).No depoimento, Paulinho tentou explicar diversas vezes a transação realizada com Moura em torno de um apartamento. Segundo o deputado, Moura, que foi conselheiro do BNDES, teria doado o imóvel, avaliado em cerca de R$ 80 mil, para a Meu Guri, presidida por Elza Pereira, mulher do deputado. Como não foi vendido e acumulou dívidas, Moura deu o cheque de R$ 37,5 mil para "comprar de volta" o apartamento."Ele precisa dar uma explicação mais contundente, pois essa está muito vulnerável. São questões que ainda precisam ser respondidas", disse o relator do processo no conselho, Paulo Piau (PMDB-MG).Paulinho também admitiu que conhecia "e bem" Moura e que o ex-assessor esteve diversas vezes em seu gabinete para conversar sobre a Força Sindical. O deputado negou saber que Moura usava cartões com seu nome, mas admitiu que as gravações interceptadas pela Polícia Federal com citações de "Paulinho" dão a entender que se referem a ele."Não nego que o conhecia [Moura], e bem, e que várias vezes ele esteve em meu gabinete. Não nego que o Paulinho citado [nas conversas] induz a ser Paulo Pereira da Silva. Mas nego as acusações. Não é preciso ir longe para conhecer alguém que use o nome de outro para obter prestígio", disse.Em seu relatório, a PF constatou que Moura figurou formalmente como testemunha da doação de R$ 1,32 milhão feito pelo BNDES para a ONG Meu Guri. Meses depois de assinar o contrato prevendo a liberação da verba, Moura foi nomeado conselheiro do banco.Outro ponto fraco do depoimento, na opinião dos membros do colegiado, é a ligação de Paulinho com o coronel da Polícia Militar, Wilson Consani, apontado pela PF como operador do esquema de desvio de verbas do BNDES.O pedetista admitiu ainda que falou com Consani na véspera em que a Operação Santa Tereza foi deflagrada. Paulinho alega, porém, que a gravação divulgada que falavam sobre uma "operação" não era a da PF, e sim uma operação que envolvia uma das filhas do deputado.No relatório do corregedor-geral da Câmara, Inocêncio Oliveira (PR-PE), é citada uma ligação, interceptada pela PF, em que Adriana Consani, mulher de Consani, conversa com seu marido sobre o contato feito com Paulinho para falar sobre as prisões realizadas pela operação. Apesar de o relatório da PF mostrar que, durante a conversa, o casal fez seis citações a Paulinho, o deputado nega ter feito qualquer contato com Adriana. "As informações dele são completamente divergentes da corregedoria", disse Efraim Filho (DEM-PB).

Operação da PF prende Pitta, Daniel Dantas e Naji Nahas

Por José Ernesto Crendendio, Lilian Christofoletti e Mauro César Carvalho
na Folha de São Paulo

Numa das maiores ações contra crimes financeiros no país, a Polícia Federal prendeu ontem o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, o megainvestidor Naji Nahas e o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta. Eles são acusados dos seguintes crimes: gestão fraudulenta, formação de quadrilha, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e uso de informações privilegiadas, entre outros. Só um dos fundos de investimento de Dantas, que teria abrigado recursos irregulares, recebeu cerca de US$ 2 bilhões (R$ 3,2 bilhões) entre 1992 e 2004, segundo a PF. O juiz Fausto Martin de Sanctis, da 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo, decretou a prisão temporária de 22 pessoas e a preventiva de mais duas, entre empresários, doleiros e laranjas do grupo. A lista inclui Verônica Dantas, irmã do banqueiro, e Carlos Rodemburg, sócio e vice-presidente do banco Opportunity. Dantas é acusado de usar um cipoal de empresas para cometer fraudes, remessas ilegais e lavar dinheiro, segundo a PF. Entre outros artifícios, ele é acusado de manipular resultados contábeis, transferir recursos de maneira irregular de uma empresa para outra do próprio grupo e usar caixa dois. A PF diz que o fundo de Dantas em um paraíso fiscal, que só pode receber recursos de quem não reside no Brasil, contava com dinheiro de brasileiros. Nahas é apontado como o operador de Dantas que cuidava da lavagem do dinheiro -processo pelo qual o recurso ilícito ingressa no mercado legal. Ele é acusado de usar uma rede de doleiros e empresas de fachada para lavar dinheiro no exterior. Pitta, ainda segundo a denúncia, recorria a Nahas para repatriar recursos que mantinha fora do Brasil. Nahas ainda teria obtido acesso a informações privilegiadas do Fed (Federal Reserve, o Banco Central dos EUA) sobre o corte de meio ponto da taxa de juros norte-americana em 18 de setembro de 2007. O Fed disse que não comenta investigações em outros países. Gravações da Polícia Federal mostram que Najas teria informações privilegiadas sobre descobertas da Petrobras na bacia de Santos. Uma semana antes de ANP (Agência Nacional de Petróleo) anunciar que as reservas chegaria a até 33 bilhões de barris, em abril, ele manda um funcionário comprar ações, supostamente da Petrobras. Um emissário de Dantas foi preso ao oferecer até US$ 1 milhão (R$ 1,6 milhão) a um delegado da PF para excluir das investigações o banqueiro, sua irmã Verônica e o filho dele. A PF e o Ministério Público Federal também requisitaram a prisão do ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT), negada pela Justiça. Advogado, ele é suspeito de buscar apoio no Congresso e no governo federal para descobrir investigações sigilosas contra Dantas no âmbito da Justiça Federal. Numa das conversas gravadas, Greenhalgh fala com Gilberto Carvalho, chefe-de-gabinete da Presidência da República. Também são citados no inquérito os nomes de José Dirceu, ex-chefe da Casa Civil, e Mangabeira Unger, chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos. Mangabeira foi consultor da Brasil Telecom. Pelas informações divulgadas, não é possível saber o eventual papel dos dois no suposto esquema. Além de Greenhalgh, a PF diz o publicitário Guilherme Sodré Martins, considerado o "melhor amigo" do governador da Bahia, Jacques Wagner (PT), teria participado da tentativa de proteger Dantas. O ministro da Justiça, Tarso Genro, classificou de "normal" a operação. "É uma operação que vem sendo realizada há quatro anos e que, de dois anos para cá, tomou impulso. Está tudo sendo realizado de acordo com a PF, o Ministério Público e a Justiça", disse. Segundo ele, advogados terão acesso à investigação e poderão "verificar os dados que estão lá dentro". A investigação começou a partir do desdobramento do inquérito do mensalão no Supremo Tribunal Federal. O ministro Joaquim Barbosa enviou informações à Procuradoria Geral da República sobre a participação das empresas do Estado no "Valerioduto". O inquérito do mensalão concluiu que a Telemig e a Amazônia Celular, empresas com participação de Dantas, eram as principais depositantes de contas do "Valerioduto", que alimentava o esquema. Entre 2000 e 2005, as duas empresas injetaram R$ 158 milhões nas agências de publicidade de Marcos Valério. Segundo o Ministério Público, Dantas e Nahas se associaram para lucrar especulando com ações a partir de informações privilegiadas.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Esquentando

Os sites da internet estão pegando fogo por conta da prisão de Daniel Dantas, Celso Pitta e Naji Nahas.

Não mudamos nada

O TSE proibiu críticas a candidatos nestas eleições aqui na internet. Vou sentir muita falta. Não vou poder atacar as propostas mirabolantes de vossas excelências nas áreas de saúde, transporte, segurança, educação. Esta proibição do TSE me lembrou uma coisa. Em época de eleição, Boris Casoy sempre falava que não poderia criticar candidatos em período eleitoral. Isso faz uns dez anos. Pois é, não mudamos nada.