segunda-feira, 30 de junho de 2008

Primeiras análises

Iris aumenta a diferença ou E agora, Sandes?
Pesquisa Serpes-O Popular divulgada hoje mostra que Íris Rezende tem 67,6% das intenções de voto enquanto Sandes Junior tem 15,3%. Uma diferença monstruosa. A pesquisa mostra que Sandes subiu oito pontos percentuais depois que Raquel Teixeira e Demóstenes Torres tiraram seus nomes da disputa. Íris também cresceu nove pontos percentuais. Resta fazer a seguinte pergunta para Sandes Júnior: E agora?
1998 e 2002
O governador de Goiás Alcides Rodrigues, o popular Cidinho, apóia a candidatura de Sandes. Seus aliados sempre relembram as eleições de 1998 e 2002 quando Íris também era favorito e, no decorrer da campanha, perdeu as duas eleições. Pois é, mas em 2004 o dinossauro Íris voltou e venceu as eleições para a Prefeitura de Goiânia. Aliás, nestas mesmas eleições, Sandes Júnior nem foi para o segundo turno. Os que lembram da vitória do Tempo Novo sobre o favorito Íris sempre ressaltam que os partidos estavam unidos. Até agora Sandes não conseguiu unir os partidos do Tempo Novo. Basta ver as matérias dos jornais daqui de Goiânia que mostram a ausência das lideranças aliadas na convenção do PP que confirmou o nome de Sandes Junior para a disputa pela Prefeitura de Goiânia.
PT com Íris
Íris Rezende é candidato à reeleição. Terá como vice o petista Paulo Garcia. O apoio do PT ajuda e muito a candidatura peemedebista. E o PT apóia Íris porque não é bobo. Sabe que o prefeito vai sair da prefeitura em 2010 para se candidatar ao governo do Estado. Sabe que a partir de 2010 assumirá a Prefeitura de Goiânia outra vez podendo até pensar nas próximas eleições municiais de 2012. Em 2004, o PT bateu muito na tecla que Íris, caso fosse eleito prefeito, deixaria o Paço Municipal em 2006 para se candidatar ao Palácio das Esmeraldas. Agora, com o apoio do PT, o PMDB pode planejar as eleições estaduais de 2010 tendo o nome de Íris Rezende livre de qualquer pressão sobre a sua possível saída. Aliás, Paulo Garcia mesmo disse na convenção do PMDB ontem que a aliança com Íris é de médio e longo prazo. Ou seja, o PT assumir a prefeitura em 2010 e tentar a reeleição em 2012.
E como bater Iris?
Vai ser difícil bater em Íris Rezende nas eleições deste ano. Este blogueiro não morre de amores, mas tem que admitir que vai ser difícil bater no velhinho. Ele não fez somente asfalto. Tem os parques, as praças. Até na cultura Íris fez alguma coisa. Os intelekituwaiwais ficaram até surpresos. Mas tem a questão do transporte coletivo. Em 2004, Íris disse que, nos seis primeiros meses de sua gestão, resolveria os problemas do transporte coletivo. Ele não cumpriu sua promessa. Pode-se até dizer que a prefeitura comprou 300, 400 ou 500 novos ônibus (novos?), mas isso não resolve o problema. Tem também a questão do trânsito que, a cada dia que passa, só piora. Vamos ver como é que os candidatos vão se comportar. Vamos ver se Sandes Junior vai bater firme contra Íris, se vai reverter um pouco a diferença. E vamos ver se Íris Rezende outra vez favorito vai colocar em prática o discurso “Sandálias da Humildade” amplamente divulgado na convenção de ontem.

E o São Paulo empatou

Meu pai e eu acompanhamos só o primeiro tempo do jogo do São Paulo contra o Cruzeiro no Mineirão. Um primeiro tempo em que o Cruzeiro jogou muito mais que o São Paulo e que mereceu descer para o vestiário com um gol de vantagem. Não vimos o segundo tempo, mas li no Blog do Juca Kfouri que o São Paulo voltou a campo bem melhor e, aos 40 segundo da etapa complementar, Borges recebeu um bonito passe de Richarlyson e marcou o gol de empate do Tricolor do Morumbi. Aos poucos o São Paulo vai mostrando que sabe fazer gols mesmo sem o Adriano.

Beneficiando Dona Supla

E Geraldo Alckmin já começou a criticar a gestão Gilberto Kassab. Disse que a iluminação da cidade é precária, que os ônibus andam “a 9 por hora”, que faltam vagas nas creches e nos hospitais. Enfim, parecia até que Alckmin era de um partido da oposição. Continuo com a opinião de que a candidatura de Alckmin só vai atrapalhar a candidatura de Kassab. Alckmin atrapalhando Kassab só pode beneficiar Dona Supla.

MST anuncia ofensiva para cobrar assentamentos no Pontal

Por José Maria Tomazela
no Estado de São Paulo

O Movimento dos Sem-Terra (MST) encontrou na demora do licenciamento ambiental para novos assentamentos mais um motivo para confrontar o governo estadual em ano de eleições municipais. No Pontal do Paranapanema, extremo oeste do Estado de São Paulo, áreas foram desapropriadas há até quatro anos, mas o assentamento das famílias não foi autorizado por falta de aprovação pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente, segundo o MST. De acordo com o coordenador regional Valmir Rodrigues Chaves, o secretário Xico Graziano deverá ser cobrado durante a visita que fará hoje à região. "Faremos com que ele saiba que há um grande descontentamento com essa situação." Graziano inaugura um portal no Parque Estadual do Morro do Diabo e lança projeto ecológico num assentamento em Teodoro Sampaio - cidade que é a principal base do MST no Pontal. Chaves disse que o governo estadual "tem feito de tudo" para dificultar o assentamento de famílias que permanecem acampadas na região. "Muitas estão debaixo da lona preta faz seis anos ou mais." Ele citou como exemplo o projeto de lei do governador José Serra (PSDB) que propõe a regularização das áreas com mais de 500 hectares, objeto de disputa entre os fazendeiros, que se consideram proprietários legítimos, e o Estado, que diz serem terras devolutas. A pendência envolve 275 mil hectares - mais que suficientes para assentar todos os sem-terra da região, segundo o MST. O projeto está na Assembléia e deve ser votado neste ano, mas sua aprovação, segundo Chaves, inviabiliza a reforma agrária. Ele disse que as terras já estão sendo arrendadas para usinas de cana. Integrantes do movimento ligados ao líder José Rainha Júnior preparam uma grande marcha para protestar contra o que consideram uma "política do Estado a favor do agronegócio" na região. A manifestação ocorrerá entre os dias 23 e 25 de julho e terá três frentes, partindo respectivamente de Tarabai, Rancharia e Santo Anastácio. Na chegada, no dia 25, Dia do Agricultor, em Presidente Prudente, os manifestantes esperam ser recebidos por integrantes do Ministério Público Estadual e da Igreja Católica. José Rainha, que está afastado dos postos de coordenação do MST, mas lidera um grande número de acampamentos na região, disse que o governo estadual foi rápido para licenciar uma usina de açúcar e álcool do grupo Odebrecht em Mirante do Paranapanema. "A licença saiu em menos de dois anos, enquanto para os assentamentos a demora já tem quatro anos e ainda não saiu." É o caso, segundo ele, da Fazenda Porto Maria, em Rosana, desapropriada no início de 2004. Já a fazenda Santo Expedito, em Teodoro Sampaio, aguarda a licença ambiental há três anos. Outros dois projetos de assentamento, nas Fazendas São Camilo, em Presidente Venceslau, e Asa Branca, em Mirante do Paranapanema, estão na fila de licenciamento. "Os trabalhadores estavam dentro das áreas. O governo pediu para que saíssem, mas não deu a licença ambiental."A Secretaria do Meio Ambiente informou que a licença prévia para o assentamento de Porto Maria já foi concedida, mas a de instalação, fase final do processo, só ocorreu no dia 12 de junho. De acordo com a secretaria, normalmente a demora entre o pedido e a expedição da licença se deve a documentação incompleta.
VILÕES
Rainha disse que a marcha pretende mostrar "quem são os vilões" do meio ambiente na região. "O grande impacto ambiental no Pontal foi criado pelas hidrelétricas nos rios Paraná e Paranapanema, agravado pelo desmatamento promovido pela pecuária extensiva", acusou. O líder sem-terra disse que não é contra a produção de açúcar e álcool, desde que o trabalhador seja respeitado. "O que não pode é virar tudo canavial, tirando o espaço da agricultura familiar, que produz empregos e alimentos."A marcha terá a participação de sindicatos rurais ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT) e de integrantes de outros movimentos de sem-terra, como Trabalhadores Unidos pela Terra (Uniterra), Movimento dos Agricultores Sem-Terra (Mast) e Movimento Terra Brasil.

EUA ameaçam barrar especulação

Por Patrícia Campos Mello
no Estado de São Paulo

Quatro anos atrás, o barril do petróleo custava US$ 40. Na sexta-feira, fechou em US$ 140,21. Muitos prevêem que chegará aos US$ 180 no fim do verão do Hemisfério Norte. Para muitos legisladores, só oferta e demanda não explicam esses preços recordes. Há algo de podre no mercado de papéis futuros de petróleo.Na semana passada, o senador americano Joe Lieberman propôs uma série de medidas para acabar com a especulação no mercado de petróleo. O democrata Lieberman, assim como um número crescente de especialistas, acha que o aumento da demanda da China e da Índia, a queda do dólar, a falta de investimento e redução na produção não são os únicos culpados pelo preço recorde do petróleo, que se aproxima de US$ 150. Especulação no mercado futuro está por trás de grande parte da alta dos preços. Segundo alguns analistas, se os especuladores fossem banidos do mercado, o barril poderia cair para até US$ 60. Em ano eleitoral, a alta nos combustíveis é um tema explosivo. O Congresso americano realizou mais de 50 audiências para investigar as causas da alta do petróleo. Só na semana passada, foram 16 audiências. Lieberman propõe banir os fundos de pensão e de hedge do mercado de petróleo. Esses fundos, que investiam pouco mais de US$ 15 bilhões em commodities até o ano 2000, hoje ultrapassam os US$ 250 bilhões. Em seu programa de energia, o candidato democrata Barack Obama também promete fechar o cerco contra a especulação no mercado de petróleo. Ele propõe a eliminação da chamada "brecha Enron", que isenta vários investidores em energia de regulamentações. A Enron se beneficiou disso, daí o nome. Obama também prega uma maior transparência dos fundos que seguem índices de commodities e um aumento no porcentual da aplicação que os investidores precisam depositar, que é a margem. Grande parte dos compradores de títulos futuros não é especulador: são as linhas aéreas, empresas de transportes e outros que adquirem papéis que permitem comprar petróleo a certo preço no futuro, para se proteger das oscilações de preços. Mas muitos fundos usam esses papéis para rechear seus portfólios de investimento e vêm aumentando muito suas compras, principalmente aqueles que apostam que o preço vai continuar subindo. (ler ao lado)Michael Masters, dono do fundo hedge Masters Capital Management, diz que há um choque de demanda por causa desses novos participantes no mercado futuro de commodities, investidores institucionais como fundos de pensão, fundos hedge e fundos soberanos. Masters calcula que o aumento da demanda da China, de 920 milhões de barris por ano, é semelhante ao aumento da demanda desses fundos por papéis futuros de petróleo, equivalente a 848 milhões barris. O órgão de supervisão desse mercado, a Comissão de Negociação de Papéis de Petróleo Futuro, afirma que a influência dos especuladores sobre os preços é mínima e a alta se deve a fatores de oferta e demanda.Mas vários observadores acreditam que a influência dos especuladores sobre o preço é grande. "A especulação afeta cada vez mais o preço do petróleo", disse ao jornal Daily Telegraph o megainvestidor George Soros. "O preço segue uma trajetória característica de bolhas." Ali al-Naimi, ministro do Petróleo da Arábia Saudita, declarou que o boom nos preços é causado por investidores e não por falta de oferta. Em audiência no Senado, John Hofmeister, presidente da Shell, disse que o barril deveria custar entre US$ 35 e US$ 60. "Nunca vimos tanto dinheiro fluindo para commodities. É é como se as commodities tivessem sido promovidas a grau de investimento. Antes, eram consideradas um investimento altamente arriscado, mas agora todos os fundos de pensão investem nisso", diz Charles Maxwell, pesquisador sênior da Weeden & Co que estuda petróleo há 50 anos. Maxwell acredita que certamente essa migração de recursos influencia no preço. Mas, para ele, o maior combustível para a alta de preços é mesmo a falta de um amortecedor entre oferta e demanda. "Sempre tivemos uma oferta 10% acima da demanda; agora, se não incluirmos a capacidade de produção de petróleo de má qualidade, a sobra não chega a 0,25% da demanda", afirma. "Por isso, o preço não pára de subir. Sabemos que, caso haja qualquer problema, não existe capacidade ociosa para tapar o buraco." Ou seja, o mercado está à mercê de qualquer probleminha na Venezuela, Irã ou Rússia.Para Daniel Yergin, diretor-gerente da Cambridge Energy e autor do best-seller O Prêmio, há uma combinação de fatores, além da dita especulação. A alta nos custos de pesquisa e desenvolvimento de novos campos, combinada com o crescimento de demanda em países emergentes, é um fator determinante. Muitos países com rápido crescimento de demanda, como a China, mantêm os preços domésticos do petróleo artificialmente baixos por causa de subsídios, então a demanda não cai como seria o natural em um ambiente de altos preços, embora a China tenha anunciado recentemente que vai cortar parte desses subsídios. Muitos especialistas apontam para o perigo de fazer dos especuladores um bode expiatório dessa crise. Maxwell, da Weeden & Co, acha que o Congresso está exagerando e as medidas para coibir especulação vão afugentar investidores dos EUA. "Os investidores vão migrar para outras bolsas para aplicar em petróleo, os EUA vão perder esse dinheiro", diz.

"Apagão" do gás ameaça a expansão industrial no país

Por Agnaldo Brito
na Folha de São Paulo

Um "apagão" na oferta de gás natural na região Sudeste fez vários setores industriais, entre os quais químico, cerâmico, têxtil e de vidro, abandonarem parte dos projetos de investimento. As expansões que dependam de nova oferta de gás natural foram paralisadas. A Comgás, maior distribuidora do país, cancelou todas as negociações para vender mais gás.A situação é a mesma no Rio de Janeiro. As concessionárias CEG e CEG-Rio, além de não negociarem expansões, discutem a mudança de contrato para combustíveis substitutos, como o GLP (gás liquefeito de petróleo) ou óleo combustível.A Bayer, por exemplo, negocia um novo contrato que permitirá a substituição de até 50 mil metros cúbicos por dia de gás por óleo combustível. "Estamos discutindo com quem ficará essa conta", diz Roberto Salvador, gerente de energia da unidade de Belford Roxo (RJ).A Comgás afirma que até 2010 não há como ofertar mais gás para a indústria. Enquanto o governo paulista tenta mensurar o investimento abortado, a Secretaria de Energia, a Fiesp e a Comgás preparam uma estratégia para pressionar a Petrobras a assinar um pré-contrato de oferta de gás. A idéia é que o documento sirva de lastro para negociar uma expansão de oferta à indústria.Não há garantia de que haja resultado. O problema é o desconhecimento sobre os projetos do Plangás (Plano de Aceleração da Produção de Gás Natural). Lançado em 2006, no calor da crise provocada pela nacionalização promovida pelo presidente boliviano Evo Morales, o plano fixou metas para elevar até 2012 a produção nacional de gás natural. A previsão da Petrobras é alcançar, até o fim deste ano, 45,7 milhões de metros cúbicos.Para o Sudeste, base do parque industrial brasileiro, a promessa da Petrobras é elevar a produção a 40 milhões de m3/ dia até o fim do ano. Segundo a secretária de Energia de São Paulo, Dilma Pena, não há por enquanto qualquer expectativa de que essa meta seja alcançada. Acompanhamento da Comgás demonstra que dos sete projetos previstos para 2008 nenhum entrou em operação.Entre eles está a produção em campos de gás não associado (apenas gás sem petróleo) da bacia do Espírito Santo (Camarupim e Canapu). Entre os poços de gás associado (com petróleo) estão Jabuti, as plataformas P-51 e P-53 (Marlim Sul Módulo 2 e Marlim Leste, respectivamente) e o campo de Lagosta, este da bacia de Santos, que produzirá com o declinante campo de Merluza. "Tudo o que está ofertado da Petrobras às três concessionárias paulistas foi contratado. A situação é de empate entre oferta e demanda", diz Pena.
Pé no freio
Companhias enfrentam neste momento restrições de investimento ante a falta de perspectiva de oferta segura de gás. Na renegociação assinada em dezembro do ano passado, a Comgás fechou contratos para 6 milhões de metros cúbicos de gás por dia. O problema é que 1,5 milhão de metros cúbicos desse gás nacional está na modalidade de contrato interruptível. "Ninguém vai assinar um contrato de suprimento de gás com uma cláusula dessa", diz Lucien Bernard Mulder Belmonte, superintendente da Abividro (Associação Técnica Brasileira das Indústrias Automáticas de Vidro).Uma das indústrias de vidro, diz Belmonte, tem neste momento 30 milhões de investimento em expansão parados por falta de 10 mil m3/dia. "É um volume ínfimo. Pois nem isso tem sido atendido", afirma Belmonte. Não é o único setor. A direção da Bayer engavetou projetos de expansão da produção de poliuretano na unidade petroquímica de Belford Roxo (RJ). "Não sabemos qual seria o investimento, mas diante da situação atual não há como discutir ampliações de consumo", diz o gerente Roberto Salvador.A indústria do pólo de Santa Gertrudes (SP), que responde por 67% do revestimento cerâmico consumido no Brasil, vive sua maior restrição de crescimento. Com cinco linhas, a Cecafi Revestimento Cerâmico enfrenta o problema. Neste mês, recebeu da Comgás o aviso de que teria o fornecimento reduzido para os níveis do contrato original. Os 6% de demanda adicional foram cortados com medidas operacionais nas linhas, o que incluiu a redução da produtividade.A preocupação agora é com a impossibilidade de crescimento. A expansão da construção civil, que neste momento impulsionou a compra de material básico de construção, deverá alcançar a fase de acabamento. "Justamente no momento em que o setor pode aproveitar a maior demanda não teremos como crescer", diz Valdir Júnior, diretor da Cecafi.

Cúpula tucana intervém, e PSDB homologa candidatura própria

Por Graciliano Rocha
na Folha de São Paulo

Após uma operação da cúpula nacional do PSDB, o partido homologou ontem o nome de Nelson Marchezan Júnior como candidato a prefeito de Porto Alegre.Para a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), a candidatura própria foi uma solução intermediária: os tucanos não apoiarão a reeleição do peemedebista José Fogaça, como o governo queria, na intenção de reforçar o laço com o PMDB, seu principal aliado na Assembléia, nem subirão no palanque de Onyx Lorenzoni, do DEM, partido do vice-governador Paulo Feijó, inimigo político de Yeda.A candidatura própria foi sacramentada anteontem, após apelo do presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE). Guerra ligou para Marchezan, até então o principal defensor da aliança com o DEM, e disse que sua candidatura teria respaldo da direção nacional tucana.O candidato ainda busca uma coligação com partidos nanicos e um nome para completar a chapa. "Por enquanto, só temos o candidato", disse Marchezan.Ao lado da vice-presidente nacional do PSDB, senadora Marisa Serrano (MS), Yeda prometeu apoio a Marchezan e fez um balanço da crise política que já derrubou quatro de seus secretários.Yeda culpou antecessores pelo desvio de R$ 44 milhões no Detran (Departamento Estadual de Trânsito) entre 2003 e 2007, alvo de operação da Polícia Federal em novembro do ano passado, dez meses depois de sua posse.O PMDB oficializou ontem a candidatura de Fogaça à reeleição. Ele tem o apoio do PDT e do PTB. Também já foram homologadas as candidaturas de Maria do Rosário (PT), Manuela D'Ávila (PC do B) e Luciana Genro (PSOL).

PC do B lança Jandira e reclama de falta de apoio dos petistas

Na Folha de São Paulo

O PC do B formalizou ontem a candidatura da ex-deputada federal Jandira Feghali à prefeitura reclamando com veemência do PT pela não-retribuição do apoio dado em São Paulo ao nome de Marta Suplicy. Reclamaram o ministro Orlando Silva (Esporte), o presidente do partido, Renato Rabelo, e a própria candidata.Segundo pesquisa Datafolha de março, Jandira está tecnicamente empatada na liderança das intenções de voto com Marcelo Crivella (PRB). Ela tem 18 pontos percentuais, e ele, 20.O tom da convenção foi de evidente contrariedade pelo fato de o PT não ter abdicado da pré-candidatura de Alessandro Molon, mesmo após Aldo Rebelo ter cedido espaço em benefício da ex-prefeita petista em São Paulo. Também criticaram o PDT, que manteve a candidatura de Paulo Ramos à prefeitura."Levamos em conta o apelo de Lula em São Paulo. Retiramos a candidatura de uma liderança da expressão de Aldo Rebelo, e, no Rio, não houve retribuição, não conseguimos unir as forças da esquerda", afirmou Rabelo.Para Jandira, "falta de bom senso, projetos pessoais de poder e disputas internas nos partidos" impediram uma aliança em torno do seu nome. Ela conseguiu apoio do PRTB, PTN e PHS.A Folha procurou Molon, e o presidente estadual do PT, Alberto Cantalice, mas eles não foram encontrados.
Democratas
Durante convenção que oficializou Solange Amaral como candidata do DEM à prefeitura, o atual prefeito do Rio, Cesar Maia, disse que vai se candidatar ao Senado. "Vou procurar emprego e depois volto em 2010 como candidato a senador."

PSB lança Lacerda com vice do PT e apoio informal de Aécio

Por Paulo Peixoto
na Folha de São Paulo

Após o PSB homologar ontem a chapa formada pelo ex-secretário de Estado Marcio Lacerda e o deputado estadual Roberto Carvalho (PT) para a disputa da Prefeitura de Belo Horizonte, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), anunciará hoje, na convenção tucana, o apoio informal do partido à dupla. Antes da convenção, Aécio e o prefeito petista de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, idealizadores da aliança PT-PSDB, farão um último esforço junto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Eles têm o apoio declarado do presidente à aliança e mantêm a esperança de que mais um apelo de Lula possa mudar a posição da direção nacional do PT. O PT nacional não aceita o PSDB de Aécio formalmente na aliança, porque o PSDB faz oposição ao governo federal no Congresso e, sobretudo, por avaliar que a coligação pode beneficiar o tucano na corrida presidencial de 2010 -situação que, em tese, prejudicaria um eventual candidato petista à sucessão de Lula. Em nota conjunta divulgada na última sexta por PSDB e PPS, outro rejeitado pela direção nacional do PT, os dois partidos já sinalizavam que o caminho da informalidade é um gesto "generoso e responsável". O efeito prático da participação informal do PSDB na aliança é que a chapa não teria o tempo de TV do PSDB e do PPS, além de Aécio ficar impedido de aparecer nos programas eleitorais.
Convenção
Na convenção do PSB ontem, na Assembléia Legislativa, Pimentel mandou recado à Executiva Nacional do PT. "Tentaram impedir o entendimento político superior que há em Minas Gerais entre o governador, o prefeito e o presidente. Não conseguiram, estamos juntos." Lacerda minimizou as conseqüências da falta de apoio formal do PSDB. "Acho que a generosidade do PSDB e do PPS em apoiar demonstra que existe por trás dessa decisão uma força muito grande."

Marta corteja classe média e ataca gestão Serra-Kassab

Por Ranier Bragon e Cláudio Dantas Sequeira
na Folha de São Paulo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não compareceu, mas a convenção que lançou ontem a candidatura de Marta Suplicy (PT) à Prefeitura de São Paulo escancarou a estratégia de usá-lo como principal cabo eleitoral da campanha.Diante de uma foto de Marta e Lula lado a lado e ao som de um samba e de um forró que remetiam a antigos jingles do presidente -como o "deixa ela trabalhar" e "eu quero Marta lá"-, cerca de 2.500 militantes do PT aprovaram a coligação com PC do B (Aldo Rebelo será o vice), PSB, PDT, PRB e PTN.Em seu discurso, Marta explorou a divisão tucana -"Aqui, estamos unidos"-, distribuiu promessas à classe média -"Poderemos ampliar a inclusão dos mais pobres e sustentar a ascensão social daqueles que compõem a novíssima classe média"- e centrou críticas no prefeito Gilberto Kassab (DEM) e no governador José Serra (PSDB), acusados de promover "enrolação social" e soluções "faz-de-conta"."Serra assumiu [a prefeitura, em 2005] fazendo graça de melhor ministro da Saúde. Não teve desempenho à altura do alarde feito." O afago à classe média é estratégia da petista para reconquistar apoio nesse estrato paulistano, crítico na gestão dela (2001-2004) da criação da taxa do lixo, entre outras medidas.Sobre Geraldo Alckmin (PSDB), houve apenas uma menção, relativa às escolas de lata que ele teria copiado da gestão municipal "Pitta-Kassab". O prefeito foi secretário de Celso Pitta (1997-2000).A petista disse que centrará sua administração na "inovação, participação e inclusão". "Tenho orgulho de ser companheira histórica do presidente Lula, de ter participado do seu governo e de ter o seu apoio."
"Fator Lula"
O "fator Lula" levou dirigentes do partido a falar pela primeira vez em vitória no primeiro turno. "Para derrotar a Marta, o PSDB e o DEM terão que derrotar o PT, o PSB, o PDT, o PC do B e passar por cima do presidente Lula. Eles sabem que isso é praticamente intransponível, então temos que trabalhar para Marta vencer no primeiro turno", discursou o presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia.Realizado ao custo de R$ 85 mil em uma casa de eventos da zona oeste, a convenção contou com "chuva" de estrelas brilhantes. Apenas um ministro -o sucessor de Marta no Turismo, Luiz Barretto- apareceu.O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva (PDT), não foi, embora tenha subido ao palanque na convenção pedetista da véspera. Ele é investigado por suspeita de participação em esquema de desvio de recursos públicos."Não fazemos justiça com as próprias mãos. Nós respeitamos o Paulinho. Seu apoio é importante", disse Aldo à Folha. De manhã, um pequeno grupo de petistas rechaçou a aliança."Aqui não é jogo de partidos que inventaram parentesco para ganhar eleição", afirmou Marta, se esquecendo que o PT tentou se aliar ao PMDB e ao PR, que fecharam com Kassab.

domingo, 29 de junho de 2008

Inquérito de dossiê anti-FHC está parado

Por Lucas Ferraz
na Folha de São Paulo

Inicialmente previsto para ser concluído nos primeiros dias de julho, o inquérito da Polícia Federal que investiga a confecção e o vazamento do dossiê produzido pela Casa Civil com gastos sigilosos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) está parado desde o início de junho.Antes de ouvir funcionários considerados essenciais na elaboração do material e sem concluir o inquérito, o delegado Sérgio Menezes o encaminhou ao Ministério Público Federal motivado por uma representação do PSDB sobre o envolvimento de autoridades com foro privilegiado. O único indiciado até o momento foi o então secretário de controle interno da Casa Civil, José Aparecido Nunes Pires, por quebrar o sigilo funcional. Ele vazou o dossiê.Conforme a Folha revelou, o dossiê foi montado dentro da Casa Civil, em fevereiro, antes da instalação da CPI dos Cartões. A ordem para a confecção do material partiu de Erenice Guerra, secretária-executiva da pasta e braço direito da ministra Dilma Rousseff. Ela e o secretário de administração da pasta, Norberto Temóteo, ainda não foram ouvidos pela PF.Com a decisão do delegado de enviar o inquérito ao Ministério Público, caberá à Procuradoria Geral da República apresentar parecer se posicionando pela investigação no STF (Supremo Tribunal Federal), mas o inquérito tampouco chegou às mãos do procurador.O fato foi motivado por uma representação do PSDB, de março, em que o partido pede para Antonio Fernando Souza investigar a suposta participação na confecção do material de Dilma e a responsabilidade no caso dos ministros do Planejamento (Paulo Bernardo) e da CGU (Controladoria Geral da União), Jorge Hage, e do deputado Pepe Vargas (PT-RS).A representação foi apresentada ao delegado na primeira semana do mês pelo deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP). Menezes anexou o documento ao inquérito e o mandou ao Ministério Público do DF -que o enviou à Justiça Federal.A praxe em investigações policiais é o delegado concluir o inquérito e, caso haja indícios de participação de autoridades com foro, solicitar ao STF a ampliação das investigações.Na Operação Santa Tereza (sobre fraudes em empréstimos de recursos públicos), a PF não tinha como foco o suposto envolvimento do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), mas, sem suspender a investigação, enviou o relatório ao Ministério Público, que pediu ao STF que investigasse o congressista -decisão acatada.Ao remeter o inquérito com a representação ao Ministério Público Federal, o delegado joga a decisão de ampliar a investigação para Antonio Fernando sem ao menos concluir o inquérito, iniciado em abril.A Folha não localizou o delegado. Segundo a Procuradoria, não há prazo para o procurador analisar o caso. Se o parecer pedir investigação do STF, novas diligências devem ser feitas. Caso contrário, o inquérito volta ao delegado com novo prazo.

Dobradinha do PSDB com o PT só enfrenta resistência em BH

Na Folha de São Paulo

O dilema que envolve Belo Horizonte, o quarto maior colégio eleitoral do país, onde a dobradinha PT-PSDB não deverá ser oficializada apesar do empenho do governador Aécio Neves (PSDB) e do prefeito Fernando Pimentel (PT), não se repete país afora. Mais: nas principais cidades do país, há pelo menos 12 casos em que o PT vai às urnas junto com tucanos, DEM ou PPS.O mapa das coligações feito pela Folha permanece em aberto já que alguns casos são passíveis de reviravolta até amanhã, prazo final para que os partidos realizem suas convenções municipais. PSDB e PT realizam suas convenções amanhã na capital mineira.O levantamento mostra que, se a Executiva Nacional do PT adotasse o mesmo critério dos demais municípios, tucanos e petistas poderiam estar lado a lado na chapa encabeçada por Márcio Lacerda (PSB), ex-secretário de Aécio.O argumento do PT é que, nos 12 casos semelhantes ao da capital mineira -cidades com densidade eleitoral de mais de 200 mil habitantes-, o partido encabeçaria a chapa. Pelas contas dos dois partidos, em números gerais, eles poderão estar juntos em até 200 dos mais de 5.000 municípios -foram 120 em 2004.As negociações para ter PT e PSDB unidos em Belo Horizonte envolveram até o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas, com vistas à eleição ao Palácio do Planalto em 2010, na qual Aécio é um dos nomes cotados para concorrer pelo PSDB, o PT vetou. Um dos principais opositores à costura foi o ministro Patrus Ananias (Desenvolvimento Social)."A leitura foi exagerada, de que a aliança local tinha interpretação nacional por conta de 2010", disse o prefeito da capital mineira, Fernando Pimentel (PT), um dos principais atores da tentativa de aliança.
Pelo país
Em Sergipe, o governador Marcelo Déda (PT) articulou uma ampla aliança política em Aracaju, com sete dos maiores partidos no Estado, incluindo o PSDB e o PPS. O candidato à reeleição, Edvaldo Nogueira (PC do B), era vice de Déda. Ele enfrentará o grupo do senador Almeida Lima (PMDB).Fora das capitais, nas grandes cidades, há vários casos similares, como o de Juiz de Fora (MG), de Pelotas (RS) e o de Carapicuíba (SP). Nesta última capital, o PT estará com o DEM, seu oposicionista mais ferrenho no plano federal."A cidade avaliou como natural, porque o candidato é presidente do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo e apoiou Lula em 2006. As pessoas achariam estranho se ele não estivesse com a gente", diz Sérgio Ribeiro, candidato do PT à prefeitura, que terá como vice o democrata Salim Reis.

Alianças municipais ignoram disputa entre Lula e oposição

Por Ranier Bragon e Silvio Navarro
na Folha de São Paulo

As alianças firmadas pelos partidos políticos para as eleições municipais de outubro ignoram, em sua maioria, a correlação de forças entre o governo Luiz Inácio Lula da Silva e as três grandes siglas que lhe fazem oposição no plano federal -PSDB, DEM e PPS. Das 26 capitais do país, em 24 há coligação entre "lulistas" e adversários -as exceções são Vitória (ES) e Florianópolis (SC).A Folha levantou os acertos já firmados e aqueles que ainda estão em fase final de negociação -as convenções terminam amanhã- nas cem maiores cidades brasileiras. Em regra, prevalecem os arranjos locais.A tendência é que as convenções confirmem o embaralhamento entre governistas e oposição em pelo menos 80% dos cem maiores municípios."O Brasil é muito desigual. Se fosse na Holanda, aí as coligações dos distritos seriam as mesmas nacionais. Aqui é uma confusão só, não dá para entender, parece até incoerente", diz o deputado federal Luciano Castro (PR-RR).Durante a semana, ele passa a maior parte do tempo em embate com DEM, PSDB e PPS, na Câmara dos Deputados, onde lidera uma das bancadas mais governistas de Brasília. Quando volta a Boa Vista, entretanto, Castro é o candidato à prefeitura da coligação que inclui DEM, PSDB e PPS."Mas aqui eu digo: "Não fale mal do Lula perto de mim, que eu não gosto"."Em pelo menos quatro capitais o PT de Lula vai às urnas aliado a tucanos, democratas ou ao PPS: Aracaju, Manaus, Porto Velho e João Pessoa. Além disso, em Belo Horizonte se aliará formal ou informalmente ao candidato de Aécio Neves (PSDB). Fora das capitais, há dobradinhas entre os petistas e a oposição nas grandes cidades."Se todas as alianças regionais são diferentes do plano nacional, isso deveria ser ainda mais forte em Belo Horizonte. Só mostra que não se ouviu o que o povo estava pedindo", afirmou o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE).Em São Vicente, a 20ª maior cidade de São Paulo, o PSB lidera uma coligação que inclui praticamente todos os partidos do município, incluindo o PT, o PMDB, o PSDB, o DEM e o PPS -a oposição se restringe a uma candidatura do nanico PMN."Noto um clima no país de que as pessoas querem é uma grande união das forças políticas em benefício do país. É um equívoco achar que a boa política consiste, necessariamente, em haver lados opostos. Não sei quem disse aquela frase de que toda unanimidade é burra, mas eu acho que a frase é que é burra. A unanimidade é boa", disse o presidente do PSB-SP, Márcio França, se referindo à frase do escritor e jornalista Nelson Rodrigues (1912-1980).Segundo ele -que já foi prefeito de São Vicente por dois mandatos consecutivos-, a aliança de governo e oposição em sua cidade rendeu generosas verbas tanto dos cofres federais quanto dos estaduais.Para o cientista político Carlos Ranulfo Melo, da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), a coalizão que sustenta o governo Lula no Congresso "é tão grande que perde parâmetros". "É um bloco que tem de tudo, esquerda e direita, e aonde cabe tudo", afirma.As coligações pelo país mostram também que o chamado bloquinho de esquerda -PC do B, PSB e PDT-, montado em 2007, não resistiu ao seu primeiro teste de fogo.Patrocinado, entre outros, pelo candidato a vice na chapa de Marta Suplicy (PT-SP), o deputado federal Aldo Rebelo (PC do B), o bloquinho surgiu em Brasília com o objetivo de se tornar uma força política similar aos blocos que dominam a cena nacional (PT, de um lado, e PSDB e DEM, de outro).Das 26 capitais, apenas em 10 o bloquinho deve sair unido, mesmo assim só em duas é cabeça de chapa -Manaus e Aracaju. Nas outras oito, continua satélite de candidaturas majoritárias do PT."O bloco não fracassou. Ele iniciou o processo de criação de seu espaço político, e isso não se dá sem dificuldade. Em São Paulo, o bloco marchou unido e tem peso significativo na candidatura da Marta. Dessa forma, se prepara para desempenhar um papel mais importante em 2010", afirmou Aldo.

sábado, 28 de junho de 2008

Vamos comentar de novo

Domingo passado escrevi um texto um pouco maior do que o habitual sobre o PSDB. Critiquei o partido por não fazer uma oposição séria ao lulismo. Critiquei o partido por não reivindicar seus feitos (pior, o partido nega) e deixar que Lula fale que só o seu governo fez o que nunca ninguém fez na história destêpaiz. Tem gente que me acha tucano. Estou nem aí para o que os outros pensam ou falam de mim. Quando falam que sou tucano sempre respondo que, se fosse tucano, teria um nariz igual ao do Luicano Huck.
Vamos voltar ao tema. No Diário da Manhã de hoje leio um artigo escrito pelo deputado federal tucano Leonardo Viela. Com o título “O PSDB plantou e o Brasil está colhendo”, o tucano fala dos feitos do seu partido nos governos federal e estadual. Fala dos benefícios das privatizações, da estabilidade da moeda e outras coisas mais.
Outro tucano falando que o PSDB fez coisa boa no governo? Não me diga! Há dois anos atrás (e é aqui que volto ao tema do post de domingo) eu não via este orgulho pelos feitos dos governos tucanos. Não vi Geraldo Alckmin defendendo as privatizações. Pior: ele negou seus benefícios. Deixou-se pautar pelo lulismo bolivariano que espalhou pelos quatro cantos que um provável governo Alckmin privatizaria a Petrobrás, o Banco do Brasil, a Caixa...
Não adianta agora os tucanos quererem reivindicar o que foi feito nos seus governos. Tudo bem que isso vem no momento em que o partido comemora vinte anos. Mas será que eles só vão defender o que fizeram na data do aniversário do partido? Talvez seja tarde demais para fazer isso. O lulismo já tomou conta do pedaço e o PSDB não sabe fazer oposição a um governo que copiou o que foi feito na gestão tucana 1995-2002. Eu sei que é chato ficar repetindo o assunto, mas é importante lembrar.

Ela defende ele

Num post abaixo tem a reportagem da Folha de São Paulo falando sobre o apoio de Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, à candidatura de Dona Supla para a Prefeitura de São Paulo. Ela defendeu ele e ele defendeu ela. Mas nem sempre foi assim. No último trecho da reportagem vemos que em 2004 Paulinho apoiou a candidatura de José Serra no segundo turno das eleições municipais. Na ocasião, Paulinho disse que tinha medo do PT. Será que o medo acabou? É um valentão mesmo esse Paulinho.
Marta Suplicy defendeu Paulinho, né? Vamos acompanhar o desenrolar do processo contra ele no Conselho de Ética da Câmara. Vamos acompanhar também os passos de Marta Suplicy. E vamos sempre perguntar a ela se ela ainda defende ele.

Uribe quer ''refazer'' eleição de 2006

No Estado de São Paulo com agências internacionais

O presidente colombiano, Álvaro Uribe, pediu ao Congresso que aprove "com rapidez" uma proposta de referendo no qual a população decidiria sobre se devem ser repetidas ou não as eleições presidenciais de 2006, em que ele foi reeleito. "Convocarei o Congresso para que aprove um projeto de lei de referendo, que chame o povo a pedir a imediata repetição das eleições", afirmou Uribe, num pronunciamento transmitido por rádio e TV à meia-noite de quinta-feira. O pronunciamento lançou a Colômbia num clima de grande incerteza política. Como Uribe tem hoje 84% de aprovação, poderia, segundo analistas, utilizar a nova votação para obter um terceiro mandato - sem precisar aprovar uma nova reforma permitindo outra reeleição. A manobra do presidente é uma resposta à uma decisão da Suprema Corte que, horas antes, pediu à Corte Constitucional que investigue a legalidade da emenda que estabeleceu a possibilidade de reeleição presidencial em 2004 e permitiu a Uribe obter um segundo mandato, em 2006.Em abril, a ex-congressista Yidis Medina confessou ter mudado seu voto - decisivo para a aprovação da reeleição - porque autoridades do governo teriam lhe oferecido cargos públicos. A emenda foi aprovada, na época, por 18 votos a favor e 16 contra. A Suprema Corte, na quinta-feira, condenou Yidis a 47 meses de prisão domiciliar por aceitar suborno e investiga outro ex-congressista, Teodolindo Avendano, por suposta ligação com o esquema de compra de votos. "(A reforma que permitiu a reeleição) foi expressão de um claro desvio de poder", anunciou a Corte, antes de Uribe tentar virar o jogo com o projeto de referendo. A troca de farpas entre o tribunal e o presidente prosseguiu ontem à tarde, quando o ministro de Proteção Social, Diego Palácio anunciou, ao lado de Uribe, que pedirá à Comissão de Acusações do Congresso que investigue os juízes da Suprema Corte por "acusação falsa". Uribe disse que também solicitará a apuração de denúncias de um ex- líder paramilitar de que manteve contatos com alguns juízes. A briga de Uribe com a Corte Suprema é antiga. O tribunal já condenou dezenas de parlamentares - entre eles o primo do presidente, Mario Uribe - por vínculos com paramilitares de ultradireita no escândalo que ficou conhecido como "parapolítica". Uribe obteve mais de 60% dos votos na eleição de 2006 e, e é popular em razão do relativo sucesso no combate à guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Até agora, Uribe não esclareceu se pretende concorrer a um terceiro mandato. Desde o início do ano, porém, seus partidários têm recolhido assinaturas entre a população para pedir que o Congresso aprove uma emenda permitindo a nova reeleição.Ainda ontem, a procuradoria colombiana anunciou que cinco funcionários e ex-aliados de Uribe serão investigados por pressionar pela aprovação da reeleição em 2004.

Com Paulinho, Marta anuncia coligação

Por Fernando Barros de Melo
na Folha de São Paulo

Ao lado do deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT), o Paulinho da Força Sindical, a petista Marta Suplicy apresentou ontem a coligação "Nova Atitude", que disputará a Prefeitura de São Paulo. Paulinho é alvo de processo no Conselho de Ética da Câmara.Também estava no evento de ontem o deputado Aldo Rebelo (PC do B), que será o vice da chapa de Marta, além de lideranças dos partidos da coligação, formada por PT, PC do B, PSB, PDT, PRB e PTN.As denúncias contra Paulinho surgiram na Operação Santa Tereza, da Polícia Federal, que desarticulou em abril grupo suspeito de fraudes em empréstimos do BNDES.Marta, Aldo e o próprio Paulinho disseram que as denúncias não interferem na campanha. "Ninguém pode ser julgado antes da hora. Não vemos nenhum problema na participação de todos os membros dos partidos aliados", disse Marta."O processo está sob investigação da Câmara a pedido dele próprio", completou Aldo.Questionado, Paulinho afirmou que pesquisas do PDT indicam que sua imagem melhorou junto ao eleitorado. "É só perguntar para todos os companheiros aqui que você vai saber como fui importante para essa coalizão", disse.Paulinho pediu o microfone e disse que seu apoio resultará na adesão de sindicalistas à campanha de Marta. Na festa do 1º de maio, a petista foi vaiada durante três minutos em evento da Força Sindical, entidade ligada à Paulinho.Ontem Marta exaltou o apoio de sindicatos à sua candidatura. "Paulinho brincou que era pouco voto. Não é não. Tem voto e tem militância. Temos aqui todos os sindicatos", disse Marta. Entre sindicatos citados no evento, os dos metroviários e de condutores de ônibus.Paulinho disse que fumou um "cachimbo da paz" com Aldo Rebelo para fechar a aliança.Já Marta localizou um "outro lado" na campanha, o DEM e o PSDB. "Do outro lado, temos os "demos" e tucanos juntos, que não faz a menor diferença."
Passado
No segundo turno da eleição municipal de 2004, Paulinho, candidato derrotado no primeiro turno, apoiou o tucano José Serra.Para não apoiar Marta, argumentou não ter "boas relações" com ela. "Eu tenho uma boa relação com o PT nacional, mas não tenho boas relações com a Marta em São Paulo", disse em novembro de 2004.Paulinho afirmou "temer o PT". "Nós achamos que é bom para São Paulo e é bom para o Brasil que o PT perca a eleição em São Paulo", disse Paulinho.Em resposta, Marta comparou o deputado à atriz Regina Duarte, que na campanha presidencial de Serra, em 2002, disse que tinha medo da chegada do PT à Presidência. "Pena que a Regina Duarte tenha voltado a se manifestar no Paulinho", afirmou Marta.

28% dos que recebem Bolsa Família temem passar fome

Na Folha de São Paulo

Ao investigar o grau de segurança alimentar de seus beneficiados, a pesquisa do Ibase mostra que em apenas 17% dos casos eles estavam em situação total de segurança.Outros 28%, no entanto, enquadravam-se no que se chama de insegurança leve: não passam fome ou deixam de consumir alimentos, mas temem que isso aconteça no futuro. Havia ainda 34% das famílias que se encontravam em estágio moderado de insegurança, ou seja, há restrição de alimentos consumidos, mas não há fome.Em 21% dos casos, a insegurança alimentar foi considerada grave. "Não é necessariamente uma situação famélica como a que ocorre na África, mas são domicílios onde faltam alimentos em casa e, por isso, nem todas as refeições são feitas", diz Francisco Menezes, coordenador-geral da pesquisa.Além de investigar a situação de segurança alimentar, a pesquisa afirma também que quase metade (49%) das mulheres que recebiam o benefício disse se sentir mais independente financeiramente. Outros 39% declararam que seu poder de decisão em relação ao dinheiro da família aumentou. O programa repassa os recursos, prioritariamente, às mulheres.Em alguns casos, a pesquisa registrou que o pagamento do benefício foi o que permitiu à mulher se separar do marido."Repassamos os recursos para as mulheres por entender que elas fazem melhores escolhas para beneficiar a família, mas sabemos que essa política acaba tendo reflexos nas relações de gênero também", diz Rosani Cunha, do Ministério do Desenvolvimento Social.
Insuficiente
Apesar de, segundo a pesquisa do Ibase, o Bolsa Família ter impactos positivos na alimentação e não causar "efeito-preguiça", outras pesquisas mostram que uma das maiores dificuldades do programa é não conseguir beneficiar toda a população a qual ele se destina.Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do IBGE de 2006 mostram, por exemplo, que, naquele ano, mais da metade dos domicílios mais pobres estava fora do programa e que famílias com menor necessidade estavam incluídas, enquanto outras com mais necessidade, não.Em 2006, de um total de 8,2 milhões de residências que atendiam ao critério de renda do programa naquele ano (rendimento mensal per capita inferior a R$ 120), apenas 47% recebiam o benefício.A mesma pesquisa mostrava também que o total de domicílios beneficiados naquele ano era de 8,1 milhões, mas que, desses, apenas 3,8 milhões tinham rendimento menor que R$ 120 per capita, o que sugere que uma parte dos domicílios estaria recebendo o Bolsa Família, enquanto outros de menor renda ficavam fora dele.Na época, a pasta do Desenvolvimento Social alegou que o programa estava em expansão e que, após 2006, muitas famílias foram incluídas e outras que não deveriam estar recebendo haviam sido excluídas.

Bolsa Família aplaca a fome, mas não acaba com a miséria

Por Antônio Gois
na Folha de São Paulo

Os beneficiários do Bolsa Família afirmam que o programa os ajuda a consumir mais alimentos -especialmente açúcares- e não causou, na opinião dos favorecidos, o "efeito-preguiça", ou seja, o acomodamento do trabalhador por causa da renda garantida. Mas faltam programas que ajudem a superar a pobreza e diminuir a dependência dos recursos.É o que mostra uma pesquisa coordenada pelo Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas) e feita pelo instituto Vox Populi com 5.000 beneficiários do Bolsa Família.Nesta semana, o governo do presidente Lula anunciou um reajuste médio de 8% nos benefícios do Bolsa Família, o principal programa social da gestão petista. O valor médio pago pelo programa passa dos atuais R$ 78,70 para R$ 85.Com financiamento da Finep (órgão de apoio à pesquisa do Ministério da Ciência e Tecnologia), o objetivo principal do levantamento foi investigar o nível de segurança alimentar e nutricional dos favorecidos.Os itens onde eles disseram mais gastar o dinheiro do Bolsa Família foram alimentação, material escolar e vestuário.No quesito alimentação, o principal aumento foi no consumo de açúcares: 78% dos titulares disseram ter aumentado a compra de açúcar, sorvetes, gelatinas, bombons ou refrigerantes. Em seguida aparecem arroz, cereais e leite.De acordo com Francisco Menezes, diretor do Ibase e coordenador-geral da pesquisa, o Bolsa Família tem ajudado seus beneficiados a aumentar a variedade de alimentos consumidos. Ele sugere, no entanto, que sejam criados programas para aumentar o consumo de produtos como legumes, verduras, frutas e carnes e diminuir o de açúcares."Não dá para dizer que as famílias estão fazendo mau uso do dinheiro. A pesquisa mostra que aumentou o consumo de arroz e feijão, o que é muito positivo. Mas, ao mesmo tempo, também cresceu o gasto com doces, biscoitos e refrigerantes, o que nos levou a recomendar programas de educação alimentar", diz Menezes.O diretor do Ibase lembra, no entanto, que o alto consumo de açúcares também pode ser uma estratégia de sobrevivência, já que são produtos que podem ser estocados e ajudam rapidamente a aplacar a fome.A secretária de Renda da Cidadania do Ministério do Desenvolvimento Social, Rosani Cunha, diz que isso não aconteceu só no programa. "A Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE já mostrava essa tendência para toda a população."Outra recomendação de melhoria do programa feita na pesquisa do Ibase é aumentar a articulação com programas que permitam às famílias sair da situação de pobreza.A pesquisa identificou que apenas 16% dos titulares do benefício disseram que o Bolsa Família os ajudou a ingressar em programas de geração de renda. No caso de cursos profissionalizantes, o percentual foi ainda menor: 8%."A maioria entende que o programa é temporário e quer trabalhar no setor formal. Por isso, fizemos uma forte recomendação de que o Bolsa Família se articule mais com outros programas", diz Menezes.Cunha disse que a estratégia de integração com outros projetos começou com o programa Brasil Alfabetizado, mas que já está se expandindo: "Para qualificar, é preciso antes aumentar a escolaridade".Serguei Soares, pesquisador do Ipea e autor de vários estudos sobre o Bolsa Família, minimiza a importância dos programas de qualificação profissional para tirar da pobreza as famílias. "De nada adiantar você qualificar uma pessoa se não houver oportunidade de emprego. Agora que voltamos a ter crescimento, é possível que os programas tenham mais eficácia, mas é preciso crescer."Sobre a não existência do "efeito-preguiça", 99,5% dos entrevistados disseram que não deixaram de fazer algum tipo de trabalho depois que passaram a receber o programa.

"Primeira e dama" por Roberto Pompeu de Toledo

Ruth Cardoso não gostava de ser chamada de primeira-dama, como já era amplamente sabido e ficou mais sabido ainda, pela repetição, nestes últimos dias. Mas que fazer? A morte comprovou que ela era, irremediavelmente, a primeira-dama. Não no sentido vulgar, tosco, de mau gosto, importado dos Estados Unidos, recendendo a chiquês e lantejoulas, de mulher do presidente, do governador ou do prefeito, mas no sentido puro e primordial das palavras "primeira" e "dama". Ruth Cardoso caracterizava-se pela combinação de elegância e despretensão, de sofisticação intelectual e simplicidade. Seu funeral juntou, na mesma louvação e na mesma tristeza, pessoas de diferentes áreas e posições políticas opostas. E, por uma vez, pode-se ter certeza de que não era louvação porque dos mortos sempre se diz que foram bons. A admiração e o respeito que despertava faziam dela uma unanimidade.
Ela teria consciência disso? Que pena, se não tivesse. Que ingrato, não ter consciência, em vida, da própria dimensão. Talvez ela intuísse. Mas tanto os que se vão quanto os que ficam não podem ter clareza de coisas que só se impõem em sua plenitude como produto do trabalho da morte. A morte congela e resume e, ao fazê-lo, esclarece. A consciência plena de que Ruth Cardoso era uma unanimidade impôs-se à família, aos amigos, aos intelectuais, aos artistas, aos políticos e ao Brasil na sua morte. O marido é partidário, como não poderia deixar de ser; ela era suprapartidária. Ruth Cardoso assumiu sem complicações a tarefa complicadíssima de ajudar os pobres sem assistencialismo, por meio do programa Comunidade Solidária. Encarou o trabalho pretensiosíssimo de tentar melhorar o Brasil sem pretensão. Era a amiga insuperável dos amigos, a incentivadora, a rede de proteção. Foi velada sob uma bandeira do Brasil que significava mais do que uma imposição de protocolo e enterrada sob uma aura de magnanimidade. A morte a esculpiu, com capricho e precisão, como primeira e dama.
Ruth Cardoso morreu sentada à mesa da cozinha de seu apartamento, enquanto mordiscava uma goiabada, na companhia do filho. De repente fez "Uh", como um soluço, como um arrepio vindo das entranhas, e caiu desacordada para não mais se recuperar. Morreu de morte que não manda aviso. O poeta João Cabral de Melo Neto, a propósito da morte do também poeta W.H. Auden, ocorrida enquanto dormia, num quarto de hotel em Viena, escreveu:
Se morre da morte que ela quer.
É ela que escolhe seu estilo,
sem cogitar se a coisa que mata
rima com sua morte ou faz sentido.
Mas ela certo te respeitava
de muito ler reler teus livros,
pois matou-te com a guilhotina,
fuzil limpo, do ataque cardíaco.

A Ruth Cardoso a morte honrou igualmente com o presente da morte sem doença longa e dor, UTI, respiração artificial e soro, quando não a tenebrosa morte-em-vida do desmemoriamento ou a morte-sem-papel-passado da vida reduzida à sua expressão vegetativa. É um prêmio contra a suprema injustiça de, além de se ter de morrer, fazê-lo sofrendo, moído de dor, ou reduzido a um abantesma a que falta até consciência de si próprio, ou humilhado pela perda do controle dos esfíncteres. Só há dois problemas. Um é que os que ficam, embora poupados das longas semanas, ou meses, ou anos, de sobressaltos, de preocupações, de vigília em hospitais e de plantões à beira da cama, sem falar do preço astronômico das doenças, especialmente as terminais, são fulminados pelo choque do inesperado. O outro é que...
O.k., Ruth Cardoso teve a sorte de ser contemplada com "a guilhotina, fuzil limpo, do ataque cardíaco", mas... precisava ser agora? Não podia ser a mesma morte daqui a cinco, a sete ou a dez anos? Ô parceira intratável, essa tal de morte. Com ela, não há negociação.
Nos casos em que a mulher morre primeiro que o marido, menos freqüentes que o inverso, o desamparo do cônjuge sobrevivente parece maior. A mulher se esvai em lágrimas na morte do marido, mas não costuma lhe custar tanto engrenar na nova vida. O marido se contém na morte da mulher, mas desde o primeiro instante já se adivinha que o desfalque será arrasador. A condição de viúva parece amoldar-se com mais naturalidade ao gênero feminino. Assim como dão à luz sozinhas, criam os filhos tantas vezes sozinhas e sozinhas cuidam dos doentes, passar a viver sozinhas é mais uma transição que absorvem como inevitável. Ao viúvo falta o mesmo instrumental para contornar a nova situação. A solidão que lhe desaba em cima é drástica e irreparável.