terça-feira, 20 de maio de 2008

Minc recebe aval para criar Guarda Nacional Ambiental

Por Marta Salomon
na Folha de São Paulo

Logo depois de aceitar pessoalmente o convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para comandar o Ministério do Meio Ambiente, Carlos Minc anunciou que o combate ao desmatamento ilegal na Amazônia será intensificado."Diante da falsa expectativa em relação à descontinuidade da política ambiental, as ações da Operação Arco de Fogo [da Polícia Federal] estão mantidas e, mais do que isso, terão de ser intensificadas", afirmou ele, à saída do gabinete do presidente. Sua posse está marcada para terça-feira que vem.Minc adiantou que o governo não vai relaxar a exigência de os bancos oficiais liberarem financiamentos nos 557 municípios do bioma Amazônia apenas a produtores rurais que comprovem regularidade ambiental. "Não vai mudar", afirmou. "Por ora não vai mudar, é uma questão de princípio", completou em seguida, sobre a resolução do Banco Central que enfrenta forte oposição do agronegócio.Da coleção de propostas que levou para a primeira conversa com o presidente Lula, Minc afirmou ter obtido aval para a criação de uma Guarda Nacional Ambiental, formada por policiais treinados especialmente para proteger as áreas de conservação federais.Na véspera, Minc havia proposto pôr as Forças Armadas para cuidar dos parques, o que dependeria de mudança na Constituição. "O presidente aceitou, e [nesse formato, de guarda nacional] terá efeito mais imediato", disse.O novo ministro disse que suas idéias foram bem recebidas. "O presidente disse: "Seja criativo, Minc, a única coisa que você não pode fazer é não ter idéia'". Mas Minc deixou o Planalto sem uma resposta clara ao pedido de liberar mais recursos para o Meio Ambiente. Segundo cálculo de Minc, cerca de R$ 900 milhões ficariam bloqueados por ano.
Visita a Marina
Antes de ir se encontrar com Lula, com quem falara duas vezes ao telefone sobre o convite, Minc foi procurar a ex-ministra Marina Silva. Após mais de duas horas de encontro com a senadora, Minc já havia reconsiderado também a proposta de mudar a legislação que trata do licenciamento ambiental, um dos pontos mais conflituosos da gestão da antecessora.As licenças ambientais concedidas com rapidez no Rio de Janeiro -onde Minc era secretário estadual do Ambiente- e que "encheram os olhos do presidente", ponderou ontem, devem ser "rápidas e rigorosas".Minc fez um apelo a Marina. "Espero que você não me deixe só." Depois de alertá-lo sobre os desafios no cargo -entre eles enfrentar "uma grita" contra medidas de combate ao desmatamento na Amazônia-, a ex-ministra lhe desejou boa sorte no novo cargo."A pior coisa que poderia acontecer para Lula e o país depois da saída da Marina era ter um ministro fraco, um ministro que não se impusesse, que não tivesse recursos para trabalhar", insistiu Minc, ainda a caminho do Planalto.Em conversa com o deputado Sarney Filho (PV-MA), presidente da Frente Parlamentar Ambientalista, Minc disse que "não jogaria sua biografia fora" na passagem pelo governo.Na conversa com Lula, ele foi informado de que a coordenação do PAS (Plano Amazônia Sustentável) ficará mesmo com o ministro Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos), numa decisão que desagradou Marina Silva ainda no cargo.No entanto, Minc teve sinal verde para montar sua equipe. Ainda ontem anunciou a indicação de Isabella Teixeira para ocupar a Secretaria Executiva do Meio Ambiente, o segundo cargo na hierarquia do ministério. Isabella é subsecretária do Ambiente no Rio e acaba de concluir doutorado sobre petróleo e ambiente.

Assessor envolverá Dilma ao depor em CPI

Por Andreza Matais, Simone Iglesias e Fernanda Odilla
na Folha de São Paulo

Detalhes discutidos em um almoço entre o ex-secretário de controle interno da Casa Civil José Aparecido Nunes Pires e André Fernandes, assessor do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), serão usados hoje por Fernandes em seu depoimento à CPI dos Cartões para implicar a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) e a secretária-executiva Erenice Guerra na confecção do dossiê com gastos do governo Fernando Henrique Cardoso. A conversa, apurou a Folha, foi gravada por Fernandes.O almoço, no Clube Naval, em Brasília, foi testemunhado por Nélio Lacerda Wanderlei, diretor do Ministério do Planejamento, que seria amigo de ambos, e ocorreu dias depois de Aparecido ter enviado por e-mail a planilha com gastos do governo FHC a Fernandes. Aparecido disse na Polícia Federal que encaminhou o documento por engano.O relato do almoço está no depoimento do assessor de Álvaro Dias na PF. Na conversa, Fernandes questiona Aparecido sobre a produção do dossiê. Aparecido teria responsabilizado a ministra e sua secretária-executiva. "Isso é coisa da Dilma e da Erenice."A interlocutores, Aparecido disse que foi vítima de uma "armadilha" e traído por um amigo de quase 20 anos. "O PT é o partido pelo qual compartilho os ideais de justiça e de uma sociedade mais justa e democrática", afirmou Aparecido, por meio de seus advogados, ao justificar que não faria nada contra o governo Lula. Ele é filiado ao PT desde a década de 80.O assessor de Álvaro Dias será o primeiro a depor hoje. A presidente da CPI, senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), decidiu seguir a mesma ordem da PF nos depoimentos e que um não terá conhecimento do conteúdo da fala do outro. Se houver contradição, será votado pedido de acareação para ocorrer ainda hoje.Parlamentares da base aliada vão tentar inverter a ordem para que Aparecido fale primeiro e minimize o impacto das revelações de André. O ex-secretário vai repetir na CPI o que disse na PF, que não poderia comentar sobre a participação de Dilma e Erenice. Ele afirmou que recebeu de Norberto Temóteo, secretário de administração da Casa Civil, o pedido para ceder dois servidores para ajudar na elaboração do dossiê.A PF pretende ouvir Temóteo ainda esta semana. A CPI votará amanhã requerimento para convocar ele e Marcelo Veloso, funcionário da Casa Civil que gravou em um pen drive o dossiê para Aparecido.O Supremo Tribunal Federal concedeu habeas corpus para que o ex-secretário não possa ser preso durante o depoimento na CPI, mesmo se recusar a assinar o termo de dizer a verdade na sessão. Ele também pode ficar em silêncio.O ministro Carlos Ayres Britto reconsiderou a própria decisão. Na semana passada, Britto havia negado o pedido dos defensores de Aparecido.Ayres Britto considerou em sua decisão que o indiciamento feito pela PF, na semana passada, mudou a situação de José Aparecido. "Faço para garantir ao paciente o amplo exercício da garantia constitucional de não auto-incriminação", disse.

Governo diz que nova CPMF será atribuição do Congresso

Por Letícia Sander e Valdo Cruz
na Folha de São Paulo

Por determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governo jogou para o Congresso a responsabilidade de apontar uma fonte para financiar projetos da área da saúde e, se houver acordo, recriar um imposto nos moldes da extinta CPMF. Caso contrário, vetará o aumento de verbas da saúde sem previsão de receita. O tema tomou a maior parte da reunião de Lula com seus principais subordinados, na manhã de ontem. Depois de duas horas de debates, coube ao ministro José Múcio (Relações Institucionais) o anúncio de que não partirá do Planalto, pelo menos oficialmente, a idéia de recriar a CPMF. "Nós não vamos interferir. O governo vai aguardar que a Casa [o Congresso] dê uma solução. Não queremos reviver a situação que vivemos em dezembro [quando a CPMF foi extinta, depois de uma derrota do governo no Senado]", disse. Na semana passada, ministros e líderes reuniram-se reservadamente e discutiram a possibilidade de o governo apresentar a proposta da recriação da CPMF, mas com uma alíquota menor, de 0,08%. Ficou decidido que a idéia seria apresentada ao presidente, que não quis patrociná-la. Lula concorda com a proposta, mas avalia não ter sentido bancá-la como se fosse do governo devido à derrota do ano passado. Durante a reunião, Lula foi questionado se o Planalto deveria anunciar que vetaria a proposta de aumento das verbas para a saúde caso não seja aprovada a receita específica. "Não precisamos criar um clima de animosidade, tenho certeza de que o Congresso vai fazer tudo de forma sustentável", respondeu. Acrescentou, porém, que o veto será necessário se não for aprovada a receita para bancar as verbas extras da saúde. O presidente determinou ainda que as negociações sobre o tema deverão ser conduzidas pelo ministro José Múcio, com o ministro Guido Mantega (Fazenda) fora da "linha de frente" das conversas com a Câmara. Segundo Múcio, o governo não tem verba para arcar com os compromissos previstos na chamada emenda 29, já aprovada no Senado e na pauta de votação da Câmara. O projeto prevê mais dinheiro para a saúde até 2010. Somente neste ano, se aprovado, o orçamento da saúde saltará de R$ 48,5 bilhões para R$ 58,4 bilhões. A estratégia definida ontem no Palácio do Planalto, de aprovar a idéia sem participar diretamente da cooptação de votos, ficou explícita nas declarações de Múcio. "O governo verdadeiramente, oficialmente, não vai propor. Em sendo aprovada [a recriação do imposto], a vitória é do Parlamento. Em não sendo, a conseqüência também é do Parlamento", disse. Na Câmara, o PT diz que pode apresentar uma proposta para a criação de um novo imposto. "Já solicitei estudos para a apresentação de um projeto que crie uma nova contribuição sem a necessidade de uma PEC. Se não tiver jeito, no entanto, estou disposto a "ser o pai" [de uma PEC], pois apenas o aumento de tributação em cima do cigarro não seria suficiente [para arcar com as despesas da emenda 29]", afirmou o líder do PT na Casa, Maurício Rands (PE). O líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), disse que só apoiará a criação de um novo tributo com a prova do governo de que o fundo seria destinado exclusivamente para a saúde.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

O injustiçado amigo das Farc

Batista Custódio escreveu um texto inflamado no Diário da Manhã de hoje. Joga a culpa da morte do adolescente assassinado às margens do Córrego Cascavel por marginais no povo, nas autoridades de segurança pública. Menos no governador Alcides Rodrigues, o popular Cidinho (que colocou e pode tirar estas autoridades). Ele coloca a culpa no povo, na população, enfim, em todos nós, pela morte do garoto. Epa! Me inclua fora dessa. Eu não dei tiro em ninguém. Não assassinei ninguém. Não me venha com essa conversa mole de que o povo é o culpado. É engraçado como usam o povo para tudo. “O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo”, “Todo poder ao povo”, “Eu sou o (ou do) povo”. O povo vai do céu ao inferno numa velocidade incrível.
Ontem coloquei aqui um artigo escrito por Clóvis Rossi na Folha de São Paulo. Ele falava do Foro de São Paulo. Timidamente a imprensa brasileira começa a falar alguma coisa. Quem faz parte do foro? Lula, Chávez, Morales, Correa e... Isso mesmo: as Farc. Os narcoterroristas colombianos dividem mesa com Lula, Chávez, Morales, Correa, com a esquerdopatia do Foro de São Paulo. Daqui alguns dias acontece o 14º Congresso do Foro de São Paulo. Teremos as ilustres presenças dos citados acima. Será que alguém vai apontar o dedo para as Farc, afirmando que elas produzem drogas e as distribuem para o mundo inteiro com a ajuda dos governantes do foro, que 70% da droga de Fernandinho Beira Mar vem da selva colombiana? Lula é amigo das Farc. Batista. Este Lula que você tanto defende. Ele é amigo dos produtores de drogas que mandam suas mercadorias para cá. Quem sabe se o Foro de São Paulo não fosse divulgado, quem sabe se o seu jornal não passasse a divulgá-lo vidas não seriam poupadas dos tiros dos traficantes? Será que ninguém vai prestar atenção para o 14º Congresso do Foro de São Paulo? Será que a aliança Lula-Farc, mais uma vez, será jogada para debaixo do tapete? Não me venham com esta conversa mole de que tudo é culpa do povo. O povo é sempre usado para defender idéias. E o povo fora do papel, aquele que a esquerda julga conhecer mais do que todo mundo (o que é uma grande mentira) ficaria mais seguro se o Foro de São Paulo fosse denunciado, se as relações Lula-Chávez-Morales-Corrêa-Farc fossem minadas. Será que Batista Custódio topa denunciar o Foro de São Paulo? Vai ver ele acha que isso é só um denuncismo contra Lula. Vai ver, assim como Mino Carta, ele acha que Lula é vítima, um injustiçado. O injustiçado amigo das Farc.

É tudo papo furado

Ver Carlos Minc fazendo essas exigências, querendo peitar tudo e todos me lembra o PT no final de 2002 e início de 2003. Assim que Lula ganhou a eleição, os petistas diziam que o Brasil começaria ali, que os problemas seriam resolvidos, que o dinheiro público seria investido onde deveria ser investido e não desviado. Hoje, sabemos que tudo isso não passou de papo furado. Assim como é papo furado as exigências de Carlos Minc. Ele é apenas um cara folclórico que ninguém sabe explicar o motivo de Lula o escolher para substituir Marina Silva no Ministério do Meio Ambiente. Assim como o PT deixou suas propostas cheias de sonhos, Carlos Minc será deixado de lado, não vai agüentar a primeira pressão que sofrer. É tudo papo furado.

Oposição vê chantagem em proposta de nova CPMF

Por Felipe Recondo
no Estado de São Paulo

A proposta do governo de recriar a CPMF é vista pela oposição como ameaça e uma tentativa de evitar a votação, na Câmara dos Deputados, da emenda 29, projeto de lei que eleva os gastos federais no setor de saúde e que deve entrar em pauta ainda este mês. A possibilidade de criação de um novo tributo sobre a movimentação financeira para compensar esse aumento de gastos serviria de argumento para evitar a votação do projeto na Câmara. "Eu acho que é uma estratégia de chantagem, uma tentativa de constrangimento, porque o governo sabe que não há a menor condição de o Congresso, especialmente em ano eleitoral, aceitar a criação de um novo imposto. Chega a ser primário", critica o líder do DEM na Câmara, deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (BA). Os líderes da oposição lembram que a arrecadação de tributos administrados pela Receita Federal vem batendo recordes sucessivos, mesmo com o fim da CPMF. Como mostrou reportagem do Estado ontem, o governo estima que a arrecadação em 2008 deve superar em pelo menos R$ 15 bilhões a programação orçamentária oficial. Só em abril, a arrecadação superou em cerca de R$ 1,5 bilhão a previsão oficial. "O problema do governo é que ele gasta mal. Precisa, por isso, aumentar sua base de arrecadação e não quer focar os gastos que são essenciais para a população, como saúde", argumenta o presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ). A emenda 29, já aprovada no Senado, estabelece a obrigatoriedade de a União repassar 10% de suas receitas brutas para a saúde, de forma escalonada, até 2011. Atualmente, o governo destina em torno de 7% das receitas para a saúde. Diante da possibilidade da aprovação da proposta, o governo havia ameaçado vetar o projeto. "O presidente Lula já viu que vetar essa proposta seria ruim e viu que essa ameaça não fez a base do governo recuar na Câmara, que quer votar a favor e vai votar", avalia o líder do PSDB, deputado José Aníbal (SP). "Qual é o jogo agora? É chamar os partidos aliados e dizer que precisa criar uma nova fonte de arrecadação. Conversa fiada, porque há excesso de arrecadação", afirma Aníbal. O novo tributo, que teria alíquota de 0,08%, precisaria ser criado por proposta de emenda constitucional encaminhada ao Congresso. Precisaria, para ser aprovado, de apoio maciço da base do governo, votos difíceis de obter em ano eleitoral. "Quem tem o mínimo de bom senso não vai querer retomar essa discussão", afirma Rodrigo Maia. "Isso serviria de prato cheio para a oposição, permitindo inclusive reacender todo aquele embate político em que saímos vitoriosos no ano passado com o fim da CPMF", acrescenta ACM Neto.
COMBATE À SONEGAÇÃO
Para o diretor do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE), Adriano Pires, é um contra-senso a criação de um novo imposto no País. "A arrecadação nos primeiros meses do ano cresceu mais do que se esperava, o que demonstra que a CPMF não fez tanta falta assim", disse. Ele defende que o governo melhore a fiscalização e crie mecanismos para combater a sonegação, como forma de melhorar a arrecadação. Ainda na opinião dele, é preciso "melhorar a qualidade da cobrança" para substituir a renda que era obtida com a CPMF. "Não é criando novo imposto. Mesmo porque todos sabem que com a criação de um novo imposto, há sempre aumento de sonegação", comentou.A proposta de criação de um novo tributo sobre movimentações financeiras para custear o aumento de repasses para a saúde, previsto no projeto de lei em discussão na Câmara, será o principal tema da reunião do presidente Lula com sua coordenação política hoje em Brasília.Mas a nova CPMF não seria suficiente para cobrir todo o aumento de despesas previsto no projeto de lei. Por isso, outras fontes de receita, como aumento da carga tributária sobre cigarros e bebidas, estão em discussão.

CPI dos Cartões mira em dois servidores citados por vazador

Por Andreza Matais e Simone Iglesias
na Folha de São Paulo

Integrantes da CPI dos Cartões tentarão aprovar até amanhã a convocação de mais dois funcionários da Casa Civil supostamente envolvidos na produção e no vazamento do dossiê com gastos do governo Fernando Henrique Cardoso.Norberto Temóteo Queiroz, secretário de administração, e Marcelo Veloso Nascimento, assistente de auditoria da Secretaria de Controle Interno, foram citados no depoimento na Polícia Federal de José Aparecido Nunes Pires, responsável pelo vazamento dos dados e indiciado sob a acusação de quebra de sigilo funcional.Segundo o ex-secretário de controle interno da Casa Civil, partiu de Temóteo o pedido para que ele cedesse funcionários para ajudar no trabalho. Foram escolhidos Veloso e Humberto Gomes Júnior. "Ele [Temóteo] explicou que precisava organizar um banco de dados. A CPI estava sendo instalada", afirmou José Aparecido na PF.O ex-secretário disse que recebeu de Veloso cópia do dossiê gravada em um pen drive.Veloso afirmou à Folha que não se manifestaria sobre o envolvimento de seu nome. "Não vou comentar. Preciso primeiro consultar algumas pessoas antes de me pronunciar." Subordinado a Aparecido, ele está no cargo desde outubro.Temóteo acompanha a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, desde a época em que ela respondia pela pasta de Minas e Energia -foi o coordenador-geral de orçamento e finanças. Segundo a Folha apurou, ele participou da reunião em 8 de fevereiro, convocada pela secretária-executiva Erenice Guerra, que montou a força-tarefa para preparar o dossiê. Ele não foi encontrado ontem pela reportagem.Já há na pauta um requerimento do senador José Nery (PSOL-PA) para a convocação de Temóteo. O deputado federal Vic Pires (DEM-PA) apresenta hoje pedido para que a CPI também ouça Veloso."É importante que os dois sejam ouvidos porque existe uma cadeia de comando e precisamos chegar a quem esteve hierarquicamente à frente do dossiê. Norberto agiu sob orientação de quem? De Erenice? E Erenice?", disse o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP).No depoimento na PF, Aparecido afirmou que não saberia dizer se houve participação de Erenice ou de Dilma, porque seu contato teria sido exclusivamente com Temóteo.A base aliada não concorda com as convocações. "Aparecido já esclareceu tudo. Disse que foi um engano, o que desmonta a tese do dossiê para constranger a oposição", declarou Paulo Teixeira (PT-SP).A Folha apurou que Aparecido repetirá na CPI a versão que apresentou na PF de que enviou o arquivo por engano. "Reconheço que saiu da minha máquina, mas foi sem dolo ou má-fé. Tive uma surpresa quando percebi que tinha enviado", disse, segundo o inquérito.O ministro José Múcio Monteiro (Relações Institucionais) afirmou ontem que o Planalto "torce" para que o ex-secretário diga exatamente o que aconteceu, "que foi uma troca de informações entre amigos".O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Carlos Ayres Britto aprecia hoje o pedido de reconsideração feito por Aparecido para que possa comparecer à CPI com o advogado, ficar em silêncio e não assinar compromisso de dizer a verdade na condição de investigado.Os depoimentos dele e de André Fernandes, assessor do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), que recebeu o dossiê por e-mail de José Aparecido, estão previstos para amanhã.

Custo da missão no Haiti vai passar de R$ 500 mi em 2008

Por Cláudio Dantas Sequeira e Rubens Valente
na Folha de São Paulo

A missão de estabilização das Nações Unidas no Haiti (Minustah) custou aos cofres públicos R$ 464 milhões. Até o final deste ano, o valor deve atingir R$ 545,5 milhões, com a execução do empenho de R$ 89 milhões previstos no Orçamento de 2008. É quase o que o Ministério da Defesa gastará neste ano com controle do espaço aéreo (R$ 583 milhões) ou 60% de tudo o que o governo investiu em segurança pública em 2007.De todo o gasto no Haiti, a ONU reembolsou ao Tesouro brasileiro apenas 31% (R$ 144 milhões), contrapartida bem abaixo dos 50% previstos no início da missão. Na prestação de contas, o ministério diz que a ONU reembolsa os países com defasagem de seis meses.As categorias de reembolso seguem o Manual de Equipamento de Propriedade do Contingente e incluem custo da tropa, transporte do contingente, equipamentos de grande porte -como veículos e geradores elétricos.O total destinado à missão neste ano ainda não foi utilizado. De janeiro a abril, a operação consumiu R$ 10,3 milhões, provenientes de restos a pagar. Em 2007, custou R$ 123,3 milhões. Em 2006, R$ 118,2 milhões. Somados, 2005 e 2004 totalizaram R$ 220 milhões.Nos últimos quatro anos, o Ministério da Defesa garantiu a participação brasileira na Minustah através de créditos extraordinários, abertos por medidas provisórias. O Planalto se escora no artigo 62 da Constituição, que prevê a adoção de MPs em "caso de relevância e urgência". Mas nem sempre a decisão se justificou.Em agosto de 2006, por exemplo, a ONU decidiu renovar o mandato da Minustah até novembro de 2007. Em vez de incluir os R$ 70 mil previstos na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2007, o Ministério do Planejamento esperou quatro meses para apresentar a MP 343, que abrangia créditos para mais seis pastas.Em fevereiro, o Estado Maior calculou que precisaria de mais R$ 60 milhões para o resto do ano. A verba só foi solicitada em agosto, na MP 383. O mesmo ocorreu com a MP 287, em março de 2006. O Ministério da Defesa alegou a ampliação do mandato da Minustah através da resolução 1.608, aprovada pela ONU em junho de 2005 -nove meses antes.As únicas MPs que se encaixam na justificativa de "imprevisibilidade de gastos", alegadas pela Defesa, são as editadas em 2004 e 2005, quando a primeira renovação do mandato da Minustah ainda era incerta.Nas MPs em que pediu verba para o Haiti, o ministério incluiu créditos para obras em aeroportos, para os Jogos Pan-americanos, reforma da estação de pesquisa na Antártida e para ajudar na "revitalização e recuperação econômico-financeira" da Imbel (Indústria de Material Bélico do Brasil).A edição de MPs prejudica o debate parlamentar. Na Defesa, há o temor de que os recursos sejam contingenciados. É o que está ocorrendo em 2008. Pela primeira vez, a previsão de gastos da Minustah foi incluída na LDO. Da previsão de R$ 120 milhões, R$ 31,5 milhões foram contingenciados.

Minc propõe que militares façam defesa da Amazônia

Por Malu Toledo
na Folha de São Paulo

Convidado para assumir o lugar de Marina Silva no Ministério do Meio Ambiente, Carlos Minc (PT) afirmou ontem, ao desembarcar no Rio, vindo de Paris, que vai propor ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que as Forças Armadas ajudem na proteção da Amazônia.Atual secretário de Estado do Ambiente do Rio, Minc disse que fará pelo menos dez sugestões ao presidente na reunião marcada para às 17h30 de hoje no Palácio do Planalto, quando será formalizado o convite para o ministério. Algumas das propostas já foram divulgadas por ele na entrevista dada em Paris.Minc disse que pretende complementar o PAS (Plano Amazônia Sustentável) com um programa de "desmatamento zero em sete anos". Segundo o petista, a idéia se baseia em um plano de "desmatamento zero" elaborado por ONGs e fundações e pelo atual presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Luciano Coutinho, que foi abandonado. Minc considera o plano "consistente", embora admita que o conheça só "superficialmente".Ele acha que abaixo do ministro Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos), coordenador do PAS, deveria ter um gestor local, alguém que conheça bem a região. Lula entregou a coordenação do plano a Unger com a alegação de que Marina não tinha "isenção".Minc disse que espera que Lula dê condições para que ele trabalhe como fez o governador Sérgio Cabral (PMDB-RJ). Ele vai sugerir que regimentos das Forças Armadas se integrem na defesa das unidades de conservação da Amazônia, como foi feito com os bombeiros que se tornaram guarda-parques em áreas protegidas do Rio.Assim como fez no Estado, ele pretende agilizar a liberação de licenciamentos ambientais. Minc disse que a rapidez com que licenciou obras como o Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro) "encheu os olhos do presidente".Outra sugestão é que a Academia Brasileira de Ciências faça um projeto de pesquisa de ponta para utilização da biodiversidade e da biotecnologia da floresta amazônica. "Transformar o banco genético da Amazônia em pastagem de baixa produtividade é colocar a ecologia contra a barbárie", disse.
Encontro com Marina
Em Paris, Minc sentiu a pressão de substituir Marina ao responder à imprensa internacional quais as garantias de que a Amazônia não será devastada. Ele disse que pretende manter a política da ex-ministra e que se reunirá com ela hoje, antes da conversa que terá com Lula."Eu, que não pedi para ser ministro, tive de explicar para a imprensa internacional porque a Amazônia não vai virar carvão. Não vai virar carvão porque a gente vai manter não só a política da Marina como vamos fazer outras coisas que ela não fez, que eu espero que tenhamos capacidade de fazer."Após dizer que o governador de Mato Grosso, Blairo Maggi (PR), se pudesse, plantaria soja até nos Andes, Minc contemporizou. Ele afirmou que, assim como os ruralistas, os ambientalistas também têm que ter bom senso e algum limite."Nós, os ambientalistas, os ecochatos de plantão, também temos que ter bom senso. Se os ambientalistas, sobretudo os mais puros e duros, se nós fôssemos muito fortes há 80 anos, provavelmente não haveria Pão de Açúcar e Corcovado, que foram feitos em costão rochoso. Acho que o limite deve ser para todos. Espero que com essa o Maggi continue não gostando muito de mim, mas pelo menos fique achando que eu sou menos maluco do que o que eu realmente sou", disse.Sobre as críticas de que teria sido arrogante ao colocar condições para aceitar o cargo, disse que seria arrogância se ele se considerasse o "Super Minc" e não assumisse que tem dúvidas de estar à altura do trabalho.

domingo, 18 de maio de 2008

"Isto é uma vergonha"

Delúbio Soares está sempre presente nos eventos políticos aqui em Goiás. O problema é que muita gente anda paparicando-o. E olha que ele faz parte da quadrilha que planejava manter o PT por muito tempo no poder. Como diria Boris Casoy: “Isto é uma vergonha”

Atuação oposicionista?

Estão dizendo que o governo federal está por trás das denúncias contra o senador Marconi Perillo. Tudo por causa da sua atuação oposicionista. Marconi opositor a Lula? Quando? Onde? Que momento Marconi Perillo teve uma grande atuação contra Lula? Por favor, Polícia Federal, continue com as investigações. Marconi é vítima coisíssima nenhuma.

Lula e o Foro de São Paulo

Olavo de Carvalho, Graça Salgueiro, Reinaldo Azevedo... Sim, eles estavam certos. O Foro de São Paulo existe sim. O foro que reúne as esquerdas desde 1990. O foro fundado por Lula. O foro que conta com as Farc. Entre os dias 22 e 25 próximos, o Foro de São Paulo vai realizar o seu 14º encontro no Uruguai. As Farc estarão lá. Os grupos de Chávez, Rafael Correa e Evo Morales também. Claro que o PT vai marcar sua presença. Claro que Lula vai estar de olho nos acontecimentos. Os petistas vão sentar na mesma mesa dos terroristas que seqüestram, matam e mandam drogas para o mundo todo (não custa lembrar que 70% da droga de Fernandinho Beira Mar vem dos amigos terroristas do PT). Será que os petistas vão cobrar das Farc a libertação dos reféns? Claro que não! No Foro de São Paulo as Farc são aliadas. O petismo aplaude tudo o que as Farc fazem dentro do foro. Sabe aquelas declarações de neutralidade que Lula e seu fiel secretário no foro Marco Aurélio Garcia dão quando são perguntados sobre as Farc? É tudo jogo de cena. O fato é que o PT e as Farc são aliados e entre os dias 22 e 25 próximos estarão dividindo cadeiras no encontro do Foro de São Paulo.
Olavo de Carvalho, Graça Salgueiro, Reinaldo Azevedo... Sim, eles estavam certos. O Foro de São Paulo existe sim e o governo brasileiro vai mandar cupanheros para o encontro que se realizará no Uruguai. O nosso governo junto com as Farc. É uma relação perigosa que ainda tem gente que insiste em não acreditar.

A partida de Meirelles

Por Suely Caldas
no Estado de São Paulo

Sempre prudente, sensato e cuidadoso, o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, surpreendeu ao confirmar, na terça-feira, após depoimento na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, que vai mesmo deixar o cargo. Não disse quando, mas deve acontecer até setembro de 2009, a tempo de se filiar a um partido político e tentar a eleição de 2010. Indagado pela imprensa se era candidato ao governo de Goiás, respondeu: "Na minha vida aprendi a ser muito disciplinado e uma das características desta disciplina é que, no momento, sou presidente do Banco Central. Estou dedicado a isso. Vou pensar nesse assunto durante a quarentena."Sua assessoria fez enorme esforço para descolar a resposta do contexto político, mas, no dia seguinte, Meirelles deu outra dica sobre seu futuro: participou de uma solenidade política em Anápolis (GO), onde dividiu espaço e discursos não com pessoas de perfil técnico, mas com o governador, o prefeito da cidade, senadores e deputados goianos. Em quase seis anos no BC, é a primeira vez que ele deixa a sisudez do cargo para se misturar a políticos em ato público.Meirelles escolheu o pior e mais impróprio momento para revelar-se: a inflação disparando, juros futuros em alta, superávit externo em queda e o ministro Guido Mantega impondo a criação de um fundo soberano. Por ter explicitado várias vezes resistência à idéia desse fundo - pelo menos enquanto o Brasil não começar a reduzir sua enorme dívida -, o presidente do BC passou para o mercado uma mensagem ruim, uma espécie de rendição nos embates com o Ministério da Fazenda, nada bom para o futuro da economia. Afinal, se o BC é o principal fiador de uma política econômica que reduziu a inflação e os juros e expandiu a produção e o emprego, uma escolha errada de substituto pode pôr em risco esse êxito. Seria um petista? Alguém sem nenhuma familiaridade e experiência no trato com o mercado? Abriu-se uma estrada longa para especulações.Para quem acompanha a trajetória e o comportamento estritamente técnico de Meirelles à frente do BC soou estranha sua conduta. Sobretudo porque ele, mais do que qualquer ministro do governo Lula, conhece perfeitamente os estragos ou euforias que a conduta de um presidente do BC tem o poder de fazer prosperar no mercado. É claro que a piora dos indicadores macroeconômicos está na base, mas o agravamento das expectativas dos agentes financeiros, nos últimos dias, teve que ver também com as dúvidas geradas pela sensação de partida de Meirelles.O quadro econômico é delicado neste momento. Na quinta-feira a pesquisa Termômetro-Agência Estado, aplicada nas 34 principais instituições financeiras do País, avaliou que, em junho, o Copom vai elevar a taxa Selic entre 0,5% e 1% e que até o final do ano ela avança para 14,5% (hoje está em 11,75%). Ou seja, se os juros crescem, a dívida pública vai junto, a atividade econômica desaquece, o emprego e a renda caem. Esse prenúncio de futuro decorre de pressões sobre os preços e da sensação de descontrole da inflação. O IGP-10 de maio da FGV acumula alta de 5,26% no ano e 13,35% nos últimos 12 meses. O IPCA, que mede a meta de inflação, cresceu 0,55% em abril e os agentes do mercado prevêem que encerrará o ano em 5,8%, bem acima dos 4,5% do centro da meta.O mais grave é a rapidez com que o quadro de inflação e juros piora e sem sinais de recuo. Acusado de exagero, quando elevou em 0,5% a taxa Selic em abril, o BC explicou ter aplicado a fórmula Maquiavel: o mal se faz de uma só vez. Esperava parar por aí e a inflação ceder. Mas Maquiavel não funcionou desta vez e o Copom vai elevar a taxa novamente na reunião de junho.A idéia de candidatar-se ao governo de Goiás é cogitada por Henrique Meirelles desde 2002, quando foi eleito senador pelo PSDB e renunciou ao mandato (sem chegar a exercê-lo) para presidir o BC. É seu direito retomá-la. Mas, em qualquer lugar do mundo, sucessão em Banco Central é algo complicado porque mexe com um mercado financeiro que, por lucrar com oscilações de preço de ativos, fica muito feliz quando surgem motivos para especulações. Por isso tem de ser conduzida com cuidado.A piora no quadro econômico deve agora concentrar as atenções de Meirelles. Atos políticos podem ser adiados e há muito tempo para isso. Mas é fundamental que ele retome sua liderança ante o presidente Lula e o convença a continuar no bom caminho e não cometer aventuras, como criar este fundo soberano.

Inquérito cita Paulinho 75 vezes

Por Fausto Macedo e Roberto Almeida
no Estado de São Paulo

O deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força, pediu arquivamento do caso BNDES ao corregedor da Câmara, Inocêncio Oliveira (PR-PE), alegando que seu nome foi citado apenas três vezes na investigação da Polícia Federal. Mas o inquérito Santa Tereza, missão conjunta da PF com a Procuradoria da República que apura desvios de verbas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, revela que o nome do parlamentar é citado pelo menos 75 vezes.Apenas no relatório 10, o último produzido pela Polícia Federal, Paulinho aparece 26 vezes - ora é citado pelas iniciais PA, ora é Paulinho, ora é o deputado federal Paulo Pereira da Silva.Também é "chefe" e "chefe maior" de João Pedro de Moura, o lobista a quem os federais atribuem papel crucial no esquema BNDES, e do coronel Wilson Consani, apontado como araponga de Paulinho para missões ainda não esclarecidas. O pedetista é mencionado em todas as etapas da investigação, passo a passo, inclusive na fase que antecedeu a operação e também após as prisões, que foram realizadas na manhã de 24 de abril.Até conversas dele ao telefone estão lançadas nos autos da Operação Santa Tereza. Longos diálogos, um deles com o advogado Ricardo Tosto, ex-conselheiro do BNDES - no qual, para a Procuradoria da República, Paulinho planeja desqualificar a investigação, usando de suas influências políticas na Câmara para pressionar a PF e o ministro da Justiça, Tarso Genro.Paulinho é citado freqüentemente, muitas vezes na transcrição de diálogos entre os mentores do golpe, outras vezes em anotações e observações dos analistas federais, responsáveis pelas interceptações telefônicas e procedimentos de vigilância externa dos alvos da operação.
MOCHILA
Até filmado ele foi, dentro da Câmara, ao lado de Moura, seu antigo aliado. Os federais seguiam o lobista e o pegaram entrando no gabinete de Paulinho com uma mochila.Os investigadores associam Paulinho aos nomes mais importantes na estrutura da organização que se infiltrou em administrações municipais e no BNDES. São três os nomes mais próximos a Paulinho, segundo a PF: Moura, que está preso no Cadeião 2 de Guarulhos, Consani, homem de confiança do deputado, e Tosto."Em áudio capturado na data de 23 de abril, às 23h53:29, coronel Consani, assessor de Paulinho na Força Sindical, conversa com Paulinho (deputado federal Paulo Pereira da Silva)", assinala relatório da PF. "Falam a respeito da operação que está prestes a ser deflagrada."Outra escuta pegou Tosto e José Gaspar, vice-presidente estadual do PDT. "Comentam sobre as atitudes de Paulinho, falam que ele está perdendo a imagem de bom moço que ele passou durante a campanha e que também irá passar uma imagem de truculento, fascista e incompetente porque as ações que ele irá intentar serão consideradas ineptas (ações que Paulinho pretende intentar contra a imprensa que noticiou sobre liberação de verbas)."

Governo terá receita extra de R$ 15 bi

Por Adriana Fernandes
no Estado de São Paulo

A arrecadação do governo federal descolou do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e abriu espaço para a equipe econômica ampliar as desonerações. Como ocorreu nos três primeiros meses do ano, a arrecadação de abril da Receita Federal - ainda não divulgada - também "bombou" e deu o sinal verde para o governo aumentar as desonerações e anunciar a criação do Fundo Soberano do Brasil (FSB) com recursos excedentes do superávit primário das contas públicas. No mês passado, apenas a arrecadação dos tributos diretamente administrados pela Receita Federal superou em cerca de R$ 1,5 bilhão a previsão para abril que consta da lei orçamentária deste ano.Cálculos preliminares apontam que pelo menos R$ 15 bilhões poderão entrar a mais do que o projetado pelo governo no decreto de programação orçamentária, que cortou R$ 19,4 bilhões nas despesas do Orçamento de 2008. A folga poderá ser até maior, segundo fontes ouvidas pelo Estado. Mas a ordem no Ministério da Fazenda é de cautela para evitar pressões e garantir uma reserva para eventuais surpresas negativas até o fim do ano. O maior ganho deverá ser obtido, sobretudo, com o Imposto de Renda (IR), a Contribuição Social para o Lucro (CSLL), o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e o Imposto de Importação (II).As receitas de alguns tributos projetadas no decreto acabaram subestimadas diante do comportamento da economia nos primeiros três meses do ano. A área técnica da Comissão de Orçamento do Congresso também estima um adicional de no mínimo R$ 16 bilhões em relação ao decreto em pelo menos três tributos (IR, Cofins e IPI).Segundo análise de um consultor da Comissão de Orçamento, obtida pelo Estado, somente o IR poderá garantir cerca de R$ 12 bilhões. O governo estimou para este ano uma arrecadação do IR (livre de restituição) de R$ 168,37 bilhões, ante R$ 148 bilhões em 2007. Mas a avaliação do consultor é que poderão entrar pelo menos R$ 180 bilhões com o tributo, que inclui o IRPJ e o IRPF. A Cofins e o IPI dariam mais R$ 2 bilhões cada um. No primeiro trimestre do ano, o IRPJ e a CSLL apresentaram crescimento real (correção pelo IPCA) de 25%, o que assegurou R$ 7,2 bilhões a mais ante o mesmo período de 2007. O IRPJ cresceu nesse período 28,02% e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos do trabalho (na folha de salário), 32,84%. "Um crescimento de R$ 20 bilhões de um ano para o outro é pouco diante do que estávamos vendo na arrecadação", disse uma fonte do governo. A arrecadação do Imposto de Importação e da CSLL também pode surpreender, superando as projeções do decreto. A arrecadação do IOF também poderá ser maior. É que o governo, além de aumentar, no início do ano, o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e a CSLL para compensar o fim da CPMF, estabeleceu, em março, uma alíquota de 1,5% para as aplicações de investidores estrangeiros em fundos de renda fixa e títulos do Tesouro.

PC do B paga R$ 3,3 mi por sua 1ª sede própria desde a fundação

Por Fernando Barros de Melo
na Folha de São Paulo

Turbinado por doações e membro da base de Luiz Inácio Lula da Silva desde o primeiro dia de governo, o PC do B (Partido Comunista do Brasil) comprou um edifício no centro de São Paulo por R$ 3,3 milhões. Ali, ficará a primeira sede própria do partido desde sua fundação, em 1922 .A mudança está prevista para o final deste mês. "É o sonho da casa própria", disse o secretário de Finanças, Vital Nolasco, que atribui a compra a doações e ao aumento de participação da sigla no Fundo Partidário.A relação das doações para o PC do B no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) mostra que ele recebeu, em 2007, R$ 874,8 mil de pessoas jurídicas, sendo R$ 602,8 mil da empresa STB (Student Travel Bureau), operadora especializada em turismo cultural para jovens.A STB mantém acordo com a UNE (União Nacional dos Estudantes) para fornecer a Carteira Mundial do Estudante, que oferece descontos em cinemas, teatros e shows e pode ser usada no exterior.A UNE é presidida por Lúcia Stumpf, filiada ao PC do B há mais de oito anos. Ela nega qualquer ingerência do partido.Segundo a entidade estudantil, para cada carteira mundial "confeccionada e entregue pela UNE ao estudante, a STB recebe um terço do valor pago e vice-versa". A carteira pode ser feita por estudantes dos ensinos fundamental e médio (R$ 30), universitários da graduação, pós-graduação e estudantes de MBA (R$ 40).A UNE informou ter arrecadado no ano passado cerca de R$ 3 milhões com seus dois tipos de carteirinhas, a nacional e a internacional.Questionada sobre quanto recebe por cada carteira emitida, a STB disse que o contrato "possui cláusula de confidencialidade e esses dados não podem ser divulgados". A resposta foi a mesma para a pergunta sobre a arrecadação de 2007.As doações de pessoas físicas para o PC do B totalizaram R$ 2,85 milhões no ano passado. Há repasses entre R$ 15 e até alguns acima de R$ 100 mil.Parlamentares do próprio partido fizeram doações, assim como membros de outras siglas, como o deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL), que contribuiu com R$ 1.000.Hoje, o PC do B tem 13 deputados federais em exercício e um senador. Não tem nenhum governador, mas tem dez prefeitos pelo país.
Sede
A nova sede do partido, um prédio de seis andares e um mezanino, foi comprada em janeiro. Localizada na rua Rego Freitas, são 2.384 m2 de área construída sobre um terreno de 300 m2. Desde 2002, a sede ficava em uma casa alugada no bairro Jardim Paulista (SP).Ex-proprietária do prédio que abrigará as secretarias nacionais do PC do B e um auditório para aulas, a artista plástica Liane Chammas, 62, afirma que durante o processo de venda resolveu se filiar à sigla."Eles me procuraram através de corretores. A partir do momento que conheci o pessoal, houve uma empatia. Foi uma venda muito gratificante para mim", disse. "Acabei conhecendo a filosofia, lendo o livro do PC do B, que tem uma proposta de trabalho muito honesta", completou.Segundo a artista, no dia em que entregou as chaves, ela pediu que "o próximo presidente do Brasil saia do PC do B".

Ex-secretário admite que vazou dossiê, mas nega ter havido má-fé

Por Andreza Matais e Simone Iglesias
na Folha de São Paulo

O ex-secretário de controle interno José Aparecido Pires Nunes, responsável pelo vazamento do dossiê com gastos do governo Fernando Henrique Cardoso, nomeou à Polícia Federal outros dois funcionários da Casa Civil que participaram da montagem do documento. Em depoimento na sexta-feira, ele disse que recebeu a planilha pronta de Marcelo Veloso, da equipe que ele comandava no Planalto, e que a ordem para que cedesse servidores para o levantamento das despesas do governo tucano partiu de Norberto Temóteo, secretário de Administração. Aparecido admitiu que enviou o e-mail para o gabinete do senador tucano Álvaro Dias (PR), mas que a planilha Excel seguiu por engano. "Reconheço que saiu da minha máquina, mas foi sem dolo ou má fé. Tive uma surpresa quando percebi que tinha enviado. (...) Não lembro como", relatou no inquérito da PF. O advogado Luiz Maximiliano Telesca confirmou à Folha que "em nenhum momento" seu cliente assumiu à PF que teve intenção de vazar dados. O ex-secretário contou que Veloso, por ser seu subordinado, entregou-lhe um pen-drive. Dele, teria baixado dois documentos em seu computador: um texto em Word com o título "Supervisão Ministerial" e a planilha em Excel com os gastos de FHC, Ruth Cardoso e ex-ministros, chamada de "Suprimento de Fundos". As iniciais idênticas, SUP, teriam-no confundido ao anexar o arquivo ao e-mail endereçado a André Fernandes. Ele afirmou que pretendia enviar o texto, não a planilha, ao assessor do senador do PSDB, de quem é amigo desde 1989. O documento do Word continha dados sobre a legislação acerca de documentos sigilosos que Andé havia lhe pedido. "Ele foi enfático ao dizer que não passou os dados propositadamente", disse Telesca. O delegado Sérgio Menezes, encarregado do caso, perguntou se a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) ou a secretária-executiva Erenice Guerra tinham ordenado o levantamento ou tido algum envolvimento. Aparecido não as eximiu. Disse que não poderia comentar sobre isso porque não dispunha dessa informação. Afirmou que foi Temóteo quem lhe pediu reforços porque o Planalto decidira se preparar para responder a futuras indagações sobre gastos com cartões corporativos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de seus ministros. "Ele [Temóteo] explicou que precisava organizar um banco de dados. A CPI estava sendo instalada." Menezes também questionou a eventual participação do ex-ministro José Dirceu no episódio. Aparecido, militante histórico do PT, negou que tenha submetido o dossiê ou combinado seu vazamento com o ex-ministro, que foi seu chefe na Casa Civil. Disse à PF que os dois conversam "freqüentemente", mas que os dois nunca trataram desse assunto. Aparecido foi indiciado sob a acusação de "quebra de sigilo funcional", enquadrado artigo 325 do Código Penal, que prevê pena de reclusão de dois a seis anos, além de multa. Segundo a Folha apurou, a PF já colheu o depoimento de Veloso. Pretende ouvir Temóteo ainda nesta semana. Espera que ele esclareça, enfim, quem encomendou o dossiê. A íntegra do depoimento de Aparecido à PF será revelada nesta terça-feira, quando ele e André Fernandes serão ouvidos pela CPI dos Cartões.
Origem
O dossiê começou a ser produzido logo depois do Carnaval deste ano, em fevereiro. Foi montado fora da ordem cronológica, com ênfase em gastos "exóticos" de Fernando Henrique e de Ruth Cardoso e em formato diferente do do Suprim, o sistema oficial de controle de despesas com suprimentos de fundos do governo.

O Foro e as Farc

Por Clóvis Rossi
na Folha de São Paulo

LIMA - Um trecho dos documentos que o governo da Colômbia deixou vazar para a mídia contendo informações armazenadas num computador das Farc avaliza argumento do PT, ou mais exatamente de Marco Aurélio Garcia, assessor diplomático do presidente Lula. Garcia afirma que o partido deixou de ter contatos com o grupo colombiano há muito tempo. De fato, o material diz que o líder histórico das Farc, Manuel Marulanda, o "Tirofijo", queixa-se dos governos que chama de "social-democratas", entre eles o de Lula. Bom deixar claro que, no vocabulário da extrema esquerda, "social-democrata" é palavrão. Marulanda reclama de que esses governos agora querem expulsar as Farc do Foro de São Paulo, o conglomerado de grupos e partidos de esquerda e extrema esquerda criado nos anos 90 por iniciativa principalmente do PT. A participação das Farc nessa coalizão sempre foi utilizada pelos críticos do PT pela direita para tentar demonstrar que o partido não passa de um bando de comunistas que se vestem de cordeiros, mas são lobos. Na semana que vem, o Foro volta a se reunir. Será em Montevidéu, capital de um país governado por outro partido que o integra, a Frente Ampla, do arqui-moderado Tabaré Vázquez. Com um reforço: o bispo, agora suspenso pelo Vaticano, Fernando Lugo, presidente eleito do Paraguai, tem na multifacetada coalizão que o elegeu um partido ("Pátria Livre"), igualmente do Foro. Será, portanto, uma oportunidade de ouro para que esses presidentes, mais o PT, acertem as contas, para o bem ou para o mal, com as Farc. Se as consideram forças beligerantes, como o venezuelano Hugo Chávez acha que elas são, fica tudo como está. Se, ao contrário, as vêem como terroristas, como diz o colombiano Álvaro Uribe, que as expulsem. Só não vale assobiar e olhar para o lado.

sábado, 17 de maio de 2008

Blindando Dilma

Se minha memória não me enganar eu já escrevi um post com este título. Escrevo porque acabo de ler no Globo que o ex-secretário da Casa Civil José Aparecido Nunes confessou ter saído do seu computador o dossiê com os gastos sigilosos de Fernando Henrique Cardoso. Mas, no depoimento prestado à Polícia Federal ontem, ele isentou Dilma Rousseff e seu braço direito na Casa Civil Erenice Guerra de participar no envio. Pelo visto, a ordem é blindar Dilma. Aparecido que se vire e se defenda. Enquanto isso, não sabemos quem, de fato, produziu o dossiê.
Ah, eu ia me esquecendo. Aparecido disse também que não é um dossiê e sim um banco de dados. Esta é outra ordem do governo. Quando o nome do ex-secretário veio à tona, disseram que ele contaria tudo e não cairia sozinho. Agora parece querer poupar a chefe e seu braço direito.

Chega de CPMF

O lulismo tem fome de dinheiro. Desde o fim da CPMF, no final do ano passado, que o governo estuda arrancar mais um pouco do suado dinheiro que a gente ganha. Eles dizem que o dinheiro que eles planejam arrecadar vai para a saúde. É mesmo? Até parece que, quando a CPMF ainda estava em voga, a saúde no Brasil era uma maravilha. Só na cabeça do Lula para a saúde estar quase perfeita. Só na cabeça do Lula essa ganância por dinheiro do povão mesmo com os recordes de arrecadação que este desgoverno quebra a cada mês.