sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Os petistas e as tragédias

Num post aí abaixo coloquei na íntegra a coluna do Diogo Mainardi que está na última edição da revista Veja deste ano. Transcrevo os dois primeiros parágrafos da coluna: Luiz Moyses perdeu a mulher na tragédia da TAM. Na tragédia do Aeroporto de Congonhas. Na tragédia do Airbus. Na tragédia da Anac. Na tragédia da Infraero. Na tragédia de Lula. Chame do jeito que quiser. Luiz Moyses era de Porto Alegre. Depois do acidente, a TAM o acomodou no Hotel Blue Tree, em Moema, perto de Congonhas. Em 31 de agosto de 2007, à noite, ele estava no bar do hotel, acompanhado por dois outros familiares de vítimas do Airbus. No mesmo dia, ocorrera a abertura do III Congresso Nacional do PT. Mais de 150 delegados do partido também estavam hospedados no Hotel Blue Tree. O PT sempre se deu bem com o Hotel Blue Tree. Um dos delegados petistas foi confraternizar com Luiz Moyses, imaginando que ele fosse um correligionário. Luiz Moyses repeliu-o dizendo que Lula era o culpado pela morte de sua mulher. O delegado petista tentou agredi-lo. Insultou-o. Disse que os parentes dos mortos da TAM estavam chorando demais. O agressor só foi contido pelo deputado baiano Joseph Bandeira e pelos guarda-costas do partido.
Pois é. Estes caras estão lá no Palácio do Planalto, no Alvorada, no Itamaraty, nos ministérios, no Congresso. Pessoas, como este delegado petista, estão espalhadas pelo estado brasileiro. Aquele gesto de Marco Aurélio Garcia dentro do Palácio do Planalto ao saber da notícia de que havia um problema na turbina do avião da TAM é apenas uma demonstração do quanto esta gente imunda está preocupada com as tragédias brasileiras. A primeira coisa que os petistas fizeram logo após o acidente foi poupar Lula. Aliás, Lula nem deu as caras no dia do acidente. Só uma semana depois ele fez um pronunciamento em cadeia de rádio e TV para tratar do assunto. Enquanto Lula tratava do tersol no olho, seu assessor fazia gestos obscenos mostrando que não se importa com os mortos e muito menos com a dor dos familiares. Era tragédia anunciada. No final de setembro do ano passado aconteceu um outro acidente aéreo. Um Boing da Gol se chocou no ar com um jato Legacy e caiu na Serra do Cachimbo no Mato Grosso. Nesta tragédia 164 pessoas morreram. Foi preciso este acidente para o Brasil ver que o governo do “nunca antes na história destêpaiz” não fez nada na área de aviação civil. A agência que deveria fiscalizar as empresas aéreas não fez nada. Os controladores de vôo estavam despreparados. Estava exposto o fracasso petista. Mas, os puxa saco do governo saíram em defesa de Lula. Nunca vou esquecer daquela matéria mentirosa da revista Carta Capital falando que a Rede Globo teria dado preferência nas fotos do dinheiro apreendido com os petistas que compraram o dossiê anti-tucano e não noticiaram o acidente com o avião da Gol. Eu lia Carta Capital toda semana. Desde o começo do escândalo do mensalão parei de comprá-la. Ela defendia Lula com unhas e dentes. Passado o tempo percebo que fui vendo as vilanias petistas. Em 2003 vi o PT lotar os cargos da Prefeitura de Goiânia com cabos eleitorais. Em 2005 vi a imprensa petista em ação, tentando acobertar Lula e seus ladrões.
Nas duas tragédias aéreas, ocorridas num espaço de tempo de 10 meses, os petistas mostraram que não têm caráter, que zombam do sofrimento alheio ou, como disse o delegado do PT citado na coluna do Diogo os parentes das vítimas “choram demais”. Marilena Chauí foi outra que saiu em defesa de Lula. Quando viu pela televisão que um avião havia se chocado com um prédio próximo ao Aeroporto de Congonhas, a filósofa pensou primeiro em Lula. Ela temeu um golpe contra o seu ídolo. Marco Aurélio Garcia, Mino Carta, Paulo Henrique Amorim, Marilena Chauí, enfim, os petistas em geral zombam da tragédia brasileira. Usam os mesmos argumentos só para defender Lula: sempre foi assim ou o governo anterior não fez nada na área afetada. Se Mino Carta acha que o Jornal Nacional boicotou o acidente com o avião da Gol eu tenho certeza que Lula boicotou, no seu pronunciamento de final de ano transmitido ontem, o acidente no Aeroporto de Congonhas. Essa gente não está nem aí para as tragédias brasileiras. Os petistas fazem top top top e um cordão de isolamento em Lula.

Papa Bento 16 transmite mensagem de pesar por morte de Bhutto

Da Folha online

O papa Bento 16 transmitiu nesta sexta-feira suas condolências à família e ao povo do Paquistão pela morte da ex-premiê e líder opositora Benazir Bhutto, assassinada ontem em um atentado terrorista.
O pontífice manifestou seu pesar pela morte de Bhutto em telegrama assinado pelo secretário de Estado do Vaticano, o cardeal Tarcisio Bertone, e dirigido ao presidente da Conferência dos Bispos Católicos do Paquistão, Lawrence John Saldanha.
"Após o brutal ato terrorista no qual Benazir Bhutto, ex-premiê e chefe do Partido Popular do Paquistão, foi morta, o Santo Padre expressa seus sentimentos de profundo pesar e proximidade espiritual aos membros da família e a toda nação paquistanesa", diz o telegrama.
O papa "pede que novos atos violentos sejam evitados e que se faça todo o esforço para a construção do clima de respeito e confiança necessário para a manutenção da ordem na sociedade e o funcionamento efetivo das instituições políticas do país", conclui o comunicado.

"Ficamos mais bestiais" por Diogo Mainardi

Luiz Moyses perdeu a mulher na tragédia da TAM. Na tragédia do Aeroporto de Congonhas. Na tragédia do Airbus. Na tragédia da Anac. Na tragédia da Infraero. Na tragédia de Lula. Chame do jeito que quiser.
Luiz Moyses era de Porto Alegre. Depois do acidente, a TAM o acomodou no Hotel Blue Tree, em Moema, perto de Congonhas. Em 31 de agosto de 2007, à noite, ele estava no bar do hotel, acompanhado por dois outros familiares de vítimas do Airbus. No mesmo dia, ocorrera a abertura do III Congresso Nacional do PT. Mais de 150 delegados do partido também estavam hospedados no Hotel Blue Tree. O PT sempre se deu bem com o Hotel Blue Tree. Um dos delegados petistas foi confraternizar com Luiz Moyses, imaginando que ele fosse um correligionário. Luiz Moyses repeliu-o dizendo que Lula era o culpado pela morte de sua mulher. O delegado petista tentou agredi-lo. Insultou-o. Disse que os parentes dos mortos da TAM estavam chorando demais. O agressor só foi contido pelo deputado baiano Joseph Bandeira e pelos guarda-costas do partido.
O próprio Luiz Moyses relatou-me o episódio alguns meses atrás. Nesta semana, à procura de uma imagem que sintetizasse o ano, lembrei-me dele. Mais do que pelo acidente de Congonhas, 2007 ficará marcado pela bestialidade que deflagrou. Da alegria indecente de Lula na posse de Nelson Jobim ao top, top, top de Marco Aurélio Garcia quando o Jornal Nacional falou sobre o reversor pifado, o Brasil desceu mais uns degrauzinhos na escala de civilidade.
Em 2005 e 2006, o conflito foi entre lulistas e antilulistas, entre achacadores e achacados, entre quadrilheiros de um bando e de outro. 2007 foi pior: o conflito passou a ser mais essencial, mais primário, entre a selvageria e a humanidade. Os fatos do Hotel Blue Tree resumem idealmente o que aconteceu no país nos últimos tempos. Num artigo pomposo como este, em que se analisa o passado em busca de ensinamentos para o futuro, cai bem citar um autor ilustre.
É kitsch, mas cai bem. Pensando em Lula, em Marco Aurélio Garcia e no agressor de Luiz Moyses, cito o autor mais manjado de todos, Samuel Johnson: "A piedade não é natural ao homem. Crianças são sempre cruéis. Selvagens são sempre cruéis. A piedade é adquirida e aperfeiçoada pelo cultivo da razão".
A mulher de Luiz Moyses chamava-se Nádia. Foi sua primeira namorada. Eram casados havia sete anos. Quando Nádia morreu, Luiz Moyses vendeu sua empresa e mudou-se de Porto Alegre. Atualmente, ele tenta reconstruir sua vida em outro lugar, ao mesmo tempo que coordena as atividades do grupo de parentes dos 199 mortos de Congonhas. Chegou a ser recebido por Lula no Palácio do Planalto. Perguntou o motivo do descaso do governo com a segurança nos aeroportos. Lula respondeu, segundo ele, que "o povo brasileiro nunca pediu segurança, pediu que modernizássemos os terminais". Lula teria acrescentado que o Brasil "possui os melhores terminais do mundo, com shopping center e tudo o mais".
O ano acabou. A tragédia da TAM ficou para trás. Menos para Luiz Moyses e todas as pessoas que perderam parentes ou amigos. Eles continuam a buscar respostas para os acontecimentos daquele fim de tarde de julho. Reúnem-se, confortam-se, trocam mensagens. A última suspeita que circula entre eles é que o piloto do Airbus teria pedido autorização para aterrissar no Aeroporto de Guarulhos, mas tivera seu pedido negado pelos controladores. Em 2007, o Brasil pediu para aterrissar numa pista longa e segura, mas acabou numa pista incerta e escorregadia, "com shopping center e tudo o mais".

Alerta Geral: As Farc são terroristas

Alerta Geral: As Farc são terroristas! Lula manda seu assessor top top top para ajudar o ditadorzinho venezuelano a fechar o acordo com os terroristas das Farc, a facção criminosa escondida na mata colombiana e que manda droga para o Brasil. O acordo prevê a libertação de três reféns que estão em poder dos terroristas há seis anos. Cadê a nossa imprensa relembrando isso? As Farc são terroristas! As Farc são terroristas! As Farc são terroristas! Alerta geral: As Farc são terroristas! Alguém pode me dizer se os outros reféns vão ser libertados? O Lula que condena a ação terrorista que matou a líder oposicionista paquistanesa Benazir Bhutto é o mesmo que manda seu assessor top top top negociar com terroristas colombianos que, assim como os terroristas paquistaneses, seqüestram e matam. Cadê a oposição destêpaiz? Este governo está sentado na mesa de negociações com terroristas, com aqueles que abastecem o depósito de Fernandinho Beira Mar e companhia. Cadê a Justiça que não intima Lula? Este governo está tratando terrorista como se fosse amigo. Vamos falar do Foro de São Paulo! Alerta Geral: As Farc são terroristas! Até agora nenhum governo que aceitou negociar com os terroristas anunciou punições às Farc. Quer dizer que depois da reunião na Venezuela as Farc continuarão livres na mata colombiana planejando seqüestros e mandando drogas para o Brasil. Alerta Geral: Lula negocia com traficantes de drogas! Alerta Geral: Precisamos derrubar Lula!

Ainda sobre a oposição

Cobro do PSDB uma posição a respeito da situação do senador Eduardo Azeredo. Quando o mensalão mineiro veio à tona (no auge do mensalão petista) os tucanos baixaram a cabeça e trataram logo de fazer um acordo com os petistas para que cada um dos que pegaram dinheiro de Marcos Valério não fossem processados pelas CPI’s que tomavam conta do caso. O acordo deu certo só dentro da comissão do Congresso. O procurador Antônio Fernandes de Souza mandou os mensaleiros petistas e tucanos para o Supremo Tribunal Federal.
Em 2005, quando vieram à tona as tramóias feitas na campanha eleitoral de Eduardo Azeredo ao governo de Minas Gerais, os tucanos deveriam expulsá-lo do partido. Assim, não cairiam na conversa mole do petismo (que se confirmou na campanha de 2006) de que todo mundo era igual. Geraldo Alckmin não conseguiu explicar o seu “banho de ética” se tinha companheiro de partido que recebeu dinheiro do valerioduto. Sim, o PSDB aceitou as regras impostas pelo petismo. Além de concordar que é normal fazer caixa 2 nas eleições, entregou de mão beijada para Lula todos os feitos do governo Fernando Henrique Cardoso. O discurso de Lula, transmitido ontem, mostra que tudo que tem sido feito neste governo é obra das mentes geniais dos petistas. Mentira! É obra da esperteza lulista (Lula, de bobo, só tem o andado) que se apropria do que não é seu e da incapacidade da oposição em denunciar isso. Por um acaso vocês viram algum tucano dizendo, em alto e bom som, que o Bolsa – Família é uma junção dos programa sociais do governo anterior? Isso é fato! Está escrito! Na campanha presidencial de 2006 Alckmin quase não falou disso. Só o vi dizendo a respeito no primeiro debate eleitoral do segundo turno na TV Bandeirantes.
No discurso de ontem, Lula estava empolgado. Não se contentou em falar que apenas ele fez tudo para os pobres nestêpaiz. O Apedeutakoba falou até sobre o meio ambiente. Tudo bem que ele não falou das pendengas entre o Ministério do Meio Ambiente e as obras do PAC. O ministério de Marina Silva não queria liberar licenças ambientais para que as obras começassem. Deu o maior bafafá. Lula estava empolgado mesmo. Ele até agradeceu a oposição. Isso mesmo! E aí? Será que a oposição está feliz com o discurso de Lula? Será que o agradecimento amoleceu o coração do Tasso Jereissati e do Demóstenes Torres? Como disse num post passado: o PT faz o inverso daquilo que está escrito no papel e lido por eles com bastante ênfase. Pode ter certeza que, em 2008, Lula e seus puxa-saco voltarão a carga contra a oposição por causa do fim da CPMF. Será que a oposição vai ter peito de mostrar que os feitos da economia na era lulista acontecem por causa da continuação da política econômica do governo Fernando Henrique Cardoso ou os caras do PSDB e do DEMO (eu sempre chamei o DEM de DEMO desde a sua criação) deixarão Lula tomar para si os feitos do governo que os dois partidos ajudaram a montar entre 1995 e 2002? Será que a oposição vai continuar mostrando que estes mesmos petistas, tão defensores da CPMF, quando eram oposição, criticavam duramente o imposto do cheque? O PSDB precisa de uma vez por todas resolver o caso Eduardo Azeredo. Ou o expulsa de uma vez, ou agüenta as provocações petistas. Ou a oposição começa a tomar jeito, ou Lula continuará surfando não somente na popularidade, mas nas obras e nos resultados que não lhe pertencem.

A oposição aqui em Goiás

E a oposição aqui em Goiás? É triste ver políticos que atacaram o governador de Goiás Alcides Rodrigues, o popular Cidinho, chegarem ao final do ano participando de festa no Palácio das Esmeraldas. Mas não tem problema não. Este blog vai mirar cada um deles, desde o Palácio das Esmeraldas até o Palácio do Planalto passando pela Assembléia Legislativa, Câmara Municipal e Congresso Nacional. Oposição de fato só mesmo na internet.

Como é que é?

Eu já pensava que a reforma administrativa do governador de Goiás Alcides Rodrigues, o popular Cidinho, estivesse funcionando, cortando gastos e enxugando a máquina. Vejo no Diário da Manhã de hoje que a reforma está praticamente pronta esperando o aval de Cidinho e do seu secretário da Fazenda Jorcelino Braga. Como é que é? A reforma ainda não está pronta? O que este governo está esperando para agir? Cadê a oposição cobrando a lista dos marajás que recebem muito mais do que o próprio governador? Ano que vem teremos eleições municipais. Uma coisa é certa: nem todo mundo que sair candidato da base aliada vai ganhar a prefeitura ou uma vaga na Câmara Municipal de todos os municípios goianos. Resta saber até que ponto este enxugamento da máquina, este corte de gastos vai agüentar. Será que depois das eleições Cidinho não vai criar agências ou inventar secretarias para abrigar os derrotados das eleições? A cada dia que passa a minha descrença nesta reforma administrativa só vai aumentando.

Será que os tucanos não vão fazer nada?

Outra vez o nome do senador tucano Eduardo Azeredo aparece na imprensa relacionado com o mensalão mineiro. Será que outra vez os tucanos vão ficar calados e não vão dar um chute da bunda do senador incômodo? É por essas e outras que os petistas não sentem vergonha pelas malandragens que fizeram. É que tem gente no ninho tucano tão malandro como José Dirceu, Delúbio Soares. E no ninho tem tucano que não sabe de nada assim como Lula não sabia de nada sobre o mensalão petista.

Venezuela diz que resgate pode ocorrer até o domingo

Por Fabiano Maisonnave
na Folha de São Paulo

Um dia após ter recebido o aval da Colômbia, o governo venezuelano intensificou ontem a organização do resgate de três reféns em poder das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). Embora a expectativa em Caracas seja a de que a missão deslanche ainda hoje, o governo Hugo Chávez advertiu que a operação pode atrasar até domingo.O vice-chanceler venezuelano para a América do Sul, Rodolfo Sanz, disse ontem à emissora estatal VTV que a operação ocorrerá "entre sexta [hoje] e domingo. "A idéia é que [os seqüestrados] recebam o Ano Novo com as suas famílias." Segundo ele, a hora do início do resgate "é competência e potestade exclusiva do comandante presidente Hugo Chávez".Ao longo do dia de ontem, os observadores internacionais começaram a chegar a Caracas para participar do resgate. O enviado brasileiro, o assessor internacional do presidente Lula, Marco Aurélio Garcia, aterrissou na capital venezuelana no final da tarde.Já o ex-presidente argentino Néstor Kirchner tinha a chegada prevista para o início da noite, no que será a sua primeira incumbência oficial desde que transferiu o poder à sua mulher, Cristina Fernández. Observadores dos governos de Equador, Cuba, França e Bolívia também deverão participar da missão de resgate.A missão, batizada de "operação transparência" por Chávez, será ainda acompanhada por um batalhão de repórteres escolhido pelo Ministério das Comunicações, reforçando o forte tom midiático dado pelo presidente venezuelano ao longo de sua participação nas negociações com as Farc.Todos devem ser levados de Caracas a um aeroporto próximo da fronteira colombiana. Dali, a missão partirá em helicópteros e aviões identificados com o símbolo da Cruz Vermelha Internacional -única exigência feita pelo governo colombiano- até a cidade de Villavicencio (100 km de Bogotá).Em seguida, haverá outra missão aérea para buscar os seqüestrados, que finalmente deverão ser levados ao território venezuelano.A decisão das Farc de libertar três reféns foi tornada pública no último dia 18, em gesto de "desagravo" ao presidente Chávez, cuja mediação nas negociações entre a guerrilha e Bogotá foi interrompida no mês passado pelo presidente colombiano, Álvaro Uribe. O fim abrupto provocou a mais grave crise diplomática entre os dois países dos últimos 20 anos.Os três reféns a ser liberados são Clara Rojas, assessora da ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, ambas seqüestradas em 2002, a ex-deputada Consuelo Gonzalez, levada um ano antes, e Emmanuel, de apenas 3 anos, nascido em cativeiro e filho de Rojas e de um membro das Farc.

Relator prevê R$ 8 bi a mais em receitas

Na Folha de São Paulo

O relator da proposta de Orçamento para 2008, deputado José Pimentel (PT-CE), afirmou ontem ter revisto a expectativa de receita para o ano que vem em R$ 8 bilhões a mais. Segundo ele, isso será usado para reduzir o impacto do fim da CPMF, que tinha arrecadação prevista de R$ 38 bilhões para 2008.Pimentel disse que a nova expectativa de arrecadação leva em consideração o aumento da expectativa oficial de crescimento do PIB deste ano, que passou de 4,9% para 5,2%. "Eu diria que a sangria diminui um pouco. Com mais esses R$ 8 bilhões, há um alívio maior. Agora temos de encontrar os outros R$ 30 bilhões", disse.O ministro Paulo Bernardo (Planejamento) disse que o governo pode ser obrigado a recorrer a algum "ajuste tributário pontual" para compensar o rombo de R$ 38 bilhões, mas que o foco continua sendo o corte de despesas."Fazer alguma compensação tributária é uma possibilidade. (...) Não podemos fazer discurso enganoso", afirmou.

Ex-premiê Benazir morre em atentado

Na Folha de São Paulo

A ex-premiê do Paquistão Benazir Bhutto foi morta ontem em um atentado na cidade de Rawalpindi, próxima à capital do país, Islamabad. O ataque acontece num ano marcado pelo derramamento de sangue causado pela instabilidade política no Paquistão, país que detém a bomba atômica e posição crucial na geopolítica asiática.Benazir, 54, havia encerrado um comício da campanha para as eleições parlamentares, marcadas em princípio para o próximo dia 8 de janeiro. Testemunhas relatam que ela deixava o parque Liaquat Bagh em um carro cercado por simpatizantes quando alguém se aproximou e disparou contra ela.A rede de TV CNN conta que Benazir acenava às pessoas através do teto solar do carro no momento dos disparos . Em seguida um homem-bomba se explodiu, matando não só Benazir mas ao menos 22 outras pessoas. Segundo o Ministério do Interior do Paquistão, a causa da morte foi um tiro no pescoço, dado pela mesma pessoa que se explodiu em seguida.Benazir foi levada ao Hospital Geral de Rawalpindi, onde médicos tentaram reanimá-la por mais de meia hora, segundo o "New York Times". Mas ela foi declarada morta às 18h16 locais (11h16 em Brasília)."Coloquei minha vida em risco e vim até aqui porque sinto que este país está em perigo. As pessoas estão preocupadas. Vamos tirar o país desta crise", dissera ela no comício.No final do dia, seu corpo estava sendo transportado para sua cidade natal, Larkana.
Acordo
Adversária política do ditador do Paquistão, Pervez Musharraf, Benazir Bhutto tentava costurar com ele um acordo para que, após as eleições, ocupasse o cargo de premiê sob sua Presidência.A perspectiva desse acordo, que havia desandado recentemente, fez com que o governo Musharraf a anistiasse e possibilitou sua volta ao Paquistão em outubro último -condenada por corrupção, ela estava exilada no Reino Unido.Logo no dia de sua volta, 18, ela foi alvo de um grande atentado, em Karachi, que matou 140 pessoas.Em pronunciamento na TV, Pervez Musharraf pediu ontem calma à população e lamentou o atentado, "uma crueldade que é trabalho dos terroristas com os quais estamos lutando", decretando três dias de luto.Tendo abandonado o posto de general do Exército no último dia 28 de novembro, após ter seu mandato como presidente renovado pelo Parlamento, Musharraf, que deu o golpe em 1999, tenta acomodar pressões internas de facções islâmicas radicais e de forças pró-democracia. Além disso, é pressionado a prestar conta aos EUA do combate a milícias islâmicas radicais que se abrigam no território do país.Apesar do apelo de Musharraf e de as forças de segurança terem sido postas em estado de alerta, a morte de Benazir despertou a fúria de simpatizantes, principalmente contra o governo, manifestada em distúrbios que mataram mais 14 pessoas.
Futuro incerto
A primeira grande dúvida que surge com a morte da ex-premiê é acerca da realização das eleições de janeiro. De cara, o PPP perde a figura em torno da qual se unia.Além disso, o também ex-premiê Nawaz Sharif, que, embora tivesse diferenças com Benazir, é feroz adversário de Musharraf, já pedia ontem a renúncia do ditador e anunciava que seu partido, o PLM-N, boicotará a eleição. Sharif ainda atribuiu a Musharraf "a origem de todos os problemas do país".Tanto a morte de Benazir quanto a reação de Sharif podem prover um cenário favorável para que Musharraf volte a decretar estado de emergência -que vigorou por seis semanas, até o último dia 15- e suspenda o pleito.
Radicais islâmicos
Apesar de ninguém haver ainda reivindicado a autoria do atentado, as suspeitas recaem principalmente sobre grupos extremistas islâmicos. O jornal britânico "The Guardian" lembra que as posições pró-Ocidente de Benazir faziam dela um alvo para os grupos radicais que atuam no Paquistão.Depois do atentado frustrado de Karachi, em outubro, o marido de Benazir, Asif Ali Zardari, acusou membros do ISI, o serviço de segurança do Paquistão, por sua autoria. A agência abriga adeptos do islamismo radical, pró-Taleban, e ganhou força no Paquistão sob o governo do general Zia ul Haq, que derrubou o pai de Benazir, Zulfikar Ali Bhutto, do poder em 1977.

Alta da inflação é risco maior do que crise internacional, alerta BC

Por Sérgio Gobetti
no Estado de São Paulo

O Banco Central alertou ontem que o superaquecimento da economia, impulsionada pelo crédito mais barato e comemorado pelos brasileiros neste Natal, está aumentando as incertezas sobre a evolução da inflação e constitui fator “tão ou mais importante” que as ameaças do cenário externo. As projeções para 2008, anunciadas ontem pelo diretor de Política Econômica do BC, Mário Mesquita, apontam para uma inflação de 4,3% no próximo ano, um décimo de ponto porcentual acima da previsão divulgada em setembro, mas dentro da meta de 4,5%.As mudanças nas expectativas do mercado ainda são suaves, mas o Relatório de Inflação divulgado ontem sugere que as pressões inflacionárias decorrentes de fatores internos são maiores e menos localizadas do que se pensava anteriormente.No setor de alimentos, por exemplo, os dados indicam uma “progressiva exaustão” dos efeitos da recente elevação dos preços sobre o restante da economia, mas, em contrapartida, estariam surgindo outros potenciais focos de preocupação, como o aumento dos preços dos serviços e outros impulsionados pelo aumento do consumo.“A nossa avaliação é de que o balanço dos riscos de inflação se deteriorou”, afirma Mesquita. “O processo inflacionário nunca começa de forma uniforme, e nossa função é evitar que processos localizados se tornem generalizados.” A estimativa do BC é que a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) feche este ano em 4,3% e o Produto Interno Bruto (PIB), com expansão real de 5,2%. Para o próximo ano, as projeções do BC indicam crescimento econômico de 4,5%, menor do que o esperado pela equipe do Ministério da Fazenda.No relatório, entretanto, os economistas do BC voltam a apontar um velho problema que sempre aparece nas discussões sobre as pretensas limitações que o Brasil enfrenta para crescer mais aceleradamente com estabilidade inflacionária: a falta de oferta suficiente de produção para atender à demanda dos consumidores e das próprias empresas por insumos. “A robustez da demanda doméstica tem exercido pressão sobre a capacidade de oferta de todos os setores da economia, especialmente os não expostos à concorrência externa”, diz o texto.Aparentemente, essa tendência de a oferta crescer mais do que a demanda parece contraditória com outras constatações do documento, como a surpreendente evolução dos investimentos em 2007, estimada em 12,2%, bem acima do consumo das famílias, cuja previsão de crescimento é de 5,9%. O relatório também registra a expectativa de 53% dos empresários de elevar investimentos em 2008, de acordo com sondagem da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Em tese, esses investimentos contribuem para ampliar a oferta e “mitigar pressões inflacionárias”, como assinalado no texto, mas Mesquita avalia que seu efeito imediato continua sendo sobre a demanda.Ou seja, é como se, no curto prazo, os investimentos ainda estivessem simplesmente aumentando a demanda por bens de capital e serviços, levando algum tempo para também elevar a capacidade produtiva.De acordo com o BC, a demanda agregada deve continuar crescendo em 2008, até porque parcela significativa dos efeitos dos cortes na taxa de juros (interrompidos em setembro) ainda não se refletiu sobre a atividade econômica. “Ainda há substancial estímulo monetário para atuar sobre a economia brasileira”, disse Mesquita.Entre as várias fontes de estímulo à demanda agregada que devem se manter em 2008, o BC destaca os impulsos fiscais, decorrentes de aumento de investimentos ou de redução da receita, como no caso da CPMF. “Ainda é cedo para se avaliar possíveis conseqüências da não-prorrogação da CPMF sobre a demanda agregada, pois estas dependem de desdobramentos futuros da política fiscal”, diz o texto, referindo-se às dúvidas de como o governo vai se ajustar ao novo cenário - reduzindo gastos, reduzindo o superávit, aumentando os tributos ou um mix disso tudo.O relatório também registra as incertezas sobre o cenário internacional, como o risco de aumento dos preços de petróleo e de algumas matérias-primas e de desaceleração mais acentuada da economia americana. Em pelo menos um aspecto, entretanto, a retração da economia mundial poderia ajudar a reduzir as pressões de demanda, via redução das exportações. Isso, porém, prejudicaria a balança comercial. “Ainda não sabemos a profundidade do mergulho da economia americana, se será suave ou abrupto”, afirmou Mesquita.

Ex-advogado de Valério julgou Azeredo no TRE

Por Eduardo Kattah
no Estado de São Paulo

O advogado Rogério Tolentino, atuando como juiz eleitoral entre agosto e outubro de 1998, participou de pelo menos 21 julgamentos envolvendo o então candidato à reeleição ao governo de Minas, Eduardo Azeredo (PSDB), e sua coligação. Junto com a denúncia encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o chamado mensalão tucano, o procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, solicitou que o Ministério Público Federal em Minas apure o “pagamento de vantagem indevida” por parte do publicitário Marcos Valério e seus ex-sócios a Tolentino, “em troca de decisões favoráveis aos interesses eleitorais” de Azeredo.No inquérito que investigou o esquema montado durante a campanha tucana, a Polícia Federal registrou que Tolentino recebeu R$ 302,3 mil no período de agosto a outubro daquele ano, por meio de depósitos em sua conta e de sua mulher, Vera Maria Tolentino. Os recursos, segundo a PF, teriam saído de empresas estatais mineiras “desviados para o caixa de coordenação financeira da campanha”.O próprio advogado solicitou no fim de novembro ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) cópia dos acórdãos dos julgamentos no período para sua defesa perante o Ministério Público Federal. Os documentos, aos quais o Estado teve acesso, revelam que o então juiz eleitoral votou favoravelmente a Azeredo ou à coligação Construindo o Futuro de Minas em pelo menos dez julgamentos e foi voto vencido em quatro oportunidades.
RELATOR
Ele atuou como relator em quatro votações. Em dois julgamentos, deu razão aos recursos do candidato tucano e em outros dois foi acompanhado pelo colegiado, negando provimento a medidas cautelares propostas por Azeredo e sua coligação. Nas votações restantes, Tolentino acompanhou a decisão do colegiado em relação aos recursos apresentados pelo então governador, candidato à reeleição.A defesa de Tolentino nega favorecimento a Azeredo em sua atuação como juiz eleitoral. O advogado afirma que o montante recebido entre agosto e outubro de 1998 se refere a pagamento - de honorários atrasados por quatro anos - feitos pela agência SMPB, de Marcos Valério.Um dos personagens mais próximos do publicitário - com quem divide escritório na zona sul de Belo Horizonte e para quem já atuou como advogado -, Tolentino é réu no processo do mensalão petista e responde pelos crimes de corrupção ativa, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.
‘ESTRATÉGICA FUNÇÃO’
No pedido de investigação, o procurador-geral cita o elo entre Tolentino, Valério e seus ex-sócios na agência SMPB e diz que, “ocupando a estratégica função de juiz eleitoral”, ele “provavelmente pode ter recebido valores para beneficiar os candidatos que participaram da campanha em referência”. O relatório da PF, assinado pelo delegado Luiz Flávio Zampronha, afirma que o advogado possivelmente justificaria os pagamentos como “supostos serviços de consultoria jurídica”. O documento destaca que Tolentino “não faz parte do quadro societário das empresas diretamente evolvidas nas fraudes”.Observa, porém, que as análises financeiras indicaram que ele “foi sistematicamente beneficiado com recursos públicos desviados, recebendo pagamentos em valores idênticos aos demais envolvidos em diversas operações ilícitas realizadas, a demonstrar sua participação direta nos fatos”.
PRESTAÇÃO DE CONTAS
Ao Tribunal Regional Eleitoral, o advogado solicitou também os nomes dos sete membros da corte no biênio 1998-2000, para reiterar a defesa de que não atuou como relator da prestação de contas de Azeredo.Tolentino foi juiz-relator das contas do candidato vitorioso na disputa: o ex-presidente Itamar Franco. As prestações de contas de Azeredo e Itamar foram aprovadas. Tolentino foi nomeado para compor o tribunal pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em julho de 1998.

Ministro apóia Justiça italiana e prega revogação da Lei de Anistia

Por Expedito Filho e Anelise Sanchez
no Estado de São Paulo

O ministro especial da Secretaria dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, defendeu ontem, em Brasília, a anulação da Lei de Anistia e disse que os tribunais brasileiros precisam se adaptar aos tratados de direitos humanos assinados pelo País que condenam crimes políticos e prática de tortura. “Haverá um momento de se resolver uma parada complicadíssima: as leis brasileiras à luz dos tratados internacionais de que o País é parte. Realmente, um país como o Brasil, que está reivindicando assento no Conselho de Segurança da ONU, não pode ter leis que colidem com os tratados. Isso é pressuposto”, afirmou, em entrevista ao Estado.Vannuchi considerou positiva a ação da Justiça italiana. Ele lembrou que o Estatuto de Roma, do qual o Brasil é signatário, condena os crimes cometidos por motivação política. E ressaltou que a Convenção da Organização das Nações Unidas também tem posição contundente contra a tortura. “Esses instrumentos são poderosos para anular a Lei de Anistia, e o Supremo Tribunal Federal brasileiro (STF) nunca foi suscitado. A única consulta até hoje sobre a legalidade dessa Lei de Anistia foi feita ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Esse não é o tribunal constitucional do Brasil.” E ressaltou que o processo da Justiça italiana trata de episódio ocorrido em março de 1980, que não está coberto pela Lei de Anistia, que é de agosto de 1979. O ministro disse que o País tem de se modernizar do ponto de vista dos direitos, perder o medo de discutir o passado e ir “à raiz das coisas, com moderação e serenidade”. “Ninguém quer criar nenhum problema para as Forças Armadas. Agora, o direito à memória e à verdade é inegociável. Se deve ter punição ou não, isso terá de ser decidido em última instância pelo Supremo.” Vannuchi anunciou que a Justiça italiana pedirá ainda a condenação dos responsáveis por outra morte ocorrida nos anos de chumbo: a do guerrilheiro Libero Giancarlo Castiglia, nascido na Itália e morto durante as operações na guerrilha do Araguaia. O embaixador da Itália em Brasília já manifestou interesse na localização dos restos mortais de Castiglia para repatriação.
PEDIDO FORMAL
Logo após interrogar Nestor Jorge Fernandez Troccoli, ex-membro do serviço secreto da Marinha uruguaia, o procurador da República italiano, Giancarlo Capaldo, informou ontem, em Roma, que o ministro da Justiça, Tarso Genro, receberá nas próximas horas pedido formal de extradição dos brasileiros acusados de participação na Operação Condor.Desde 1999, Cataldo investiga os crimes atribuídos aos regimes militares latino-americanos durante as décadas de 70 e 80. Tudo teve início quando as famílias de 25 vítimas italianas apresentaram denúncias e recorreram à Justiça de seu país.Na segunda-feira, a juíza Luisanna Figliolia pediu a custódia cautelar de 140 pessoas supostamente envolvidas na Operação Condor, entre elas 13 brasileiros, 61 argentinos, 22 chilenos e 32 uruguaios. Inicialmente a lista reunia mais de 200 indiciados, mas com o passar dos anos o número se reduziu porque alguns morreram. É o caso, por exemplo, do general Walter Pires, ministro do Exército durante o governo de João Baptista Figueiredo.Entre os brasileiros estão Carlos Alberto Ponzi, ex-chefe do SNI em Porto Alegre; Agnello de Araújo Brito, ex-superintendente da Polícia Federal do Rio; Antônio Bandeira, ex-comandante do 3° Exército; Henrique Domingues, ex-comandante do Estado-Maior do 3° Exército; Luís Macksen de Castro Rodrigues, ex-superintendente da PF no Rio Grande do Sul; João Oswaldo Leivas Job, ex-secretário de Segurança no Rio Grande do Sul; Átila Rohrsetzer, ex-diretor da Divisão Central de Informações; Marco Aurélio da Silva Reis, ex-diretor do Dops no Rio Grande do Sul; Octávio de Medeiros, ex-chefe do Serviço Nacional de Informações (SNI); Euclydes de Oliveira Figueiredo Filho, ex-comandante do 1º Exército, e Edmundo Murgel, ex-secretário de Segurança no Rio. Os brasileiros são acusados de colaborar com o seqüestro e a morte de Horacio Domingo Campiglia e com a Operação Condor, esquema de repressão que uniu os regimes militares da América do Sul. “O teor da colaboração dos países latino-americanos envolvidos na Operação Condor será um indício do respeito que possuem pelos direitos humanos”, disse Capaldo.Giancarlo Maniga, advogado de algumas das famílias de vítimas italianas, afirmou ao Estado que elas “esperam que seja feita justiça e os responsáveis por páginas obscuras da história sejam punidos, salvando pelo menos a memória de seus parentes”. Por enquanto, apenas um dos acusados, o uruguaio Troccoli, que continua a declarar-se inocente, está preso. Outros expoentes citados na lista de Capaldo são o ex-general argentino Jorge Rafael Videla, o almirante argentino Emilio Eduardo Massera e o uruguaio Jorge Maria Bordaberry.

Retrospectiva histórica equivocada

Segundo reportagem do jornal Hoje o presidente do PT metropolitano Valdi Camárcio disse que o partido tem patrimônio considerável em Goiânia. Ele acredita que o PT tenha 25% dos votos dos goianienses. Mas, na reportagem, uma frase de Valdi me chamou atenção: Nossa retrospectiva histórica não permite aproximações com o PMDB de Íris. Ah, é? Nas eleições estaduais do ano passado, no segundo turno, o PT apoiou o PMDB de Íris Rezende que tinha Maguito Vilela com candidato. O Tribuna do Planalto entrevistou o então candidato ao governo do estado pelo PMDB na sua edição do dia 14 de outubro de 2006:

Os focos de resistência à parceria PT-PMDB podem atrapalhá-lo de alguma forma?
Não. Nunca vi uma campanha tão sintonizada como a que estamos fazendo. Está tudo muito afinado. É lógico que uma ou outra pessoa não está totalmente afinada com a candidatura do presidente Lula, como uma ou outra também não está afinada com a minha candidatura. Às vezes gente até do meu próprio partido. Mas isso é normal, é próprio da democracia. Em política não existe unanimidade. Sempre tem algum desencontro de idéias. Tem prefeito do PMDB que não me apóia - isso não é regra, é exceção.


Como sempre os petistas estão equivocados. A retrospectiva histórica de Valdi Camárcio está equivocada. Mas não tem problema não. Sinto um enorme prazer em lembrar estes equívocos históricos do petismo.

Aqueles livros na estante

Como disse José Múcio: “É clima de natal!” E em clima de natal não se confessa. Confessar é coisa de Semana Santa e ainda está um pouco longe para isso. Mas, aproveito o clima natalino para fazer uma confissão. Sim, eu vi Lula na televisão ontem. Não vi o pronunciamento inteiro, mas vi sua cara. Minha mãe me chamou para ver. Se ela me chama eu vou. Votei em Lula nas eleições de 2002. Minha mãe sabe o quanto me arrependi por isso. Talvez ela tenha me chamado para me provocar. Quinta eu falei que não ia assistir ao pronunciamento de Lula. Pedi a vocês que fizessem o mesmo. Confesso que assisti. Tudo bem que não foi o discurso inteiro, mas vi a cara barbuda do “homi”. Pronto! Já confessei. Não preciso estender a mão à palmatória.
Li o pronunciamento na íntegra pela internet, como prometi no post. Lula fez um balanço do ano de 2007. Agradeceu todo mundo, até a oposição. Até a oposição? Há pouco tempo atrás Lula chamava o DEM de DEMO. Há poucos dias esse mesmo Lula disse que a oposição era a favor do “quanto pior, melhor”. Sei não. A oposição conseguiu uma boa vitória com o fim da CPMF. Lula agradecendo a oposição é certeza de que ele vai voltar a carga contra ela no ano que vem. Afinal, Lula faz o inverso de tudo aquilo que fala. Mas, como eu adoro guardar discursos de políticos, vou arquivar este e mostrar outra vez aqui no blog quando Lula criticar a oposição. No seu discurso de fim de ano Lula focalizou principalmente na inclusão social e na economia. Este Bolsa Família que Lula tanto elogiou ontem nada mais é do que a junção de programas sociais criados pelo governo anterior. A oposição burra não soube colocar isto na última campanha presidencial. A economia é a mesma coisa. Veja um post aí abaixo no qual comento a entrevista que o presidente do Banco Central Henrique Meirelles concedeu ao Diário da Manhã de ontem. Eu quero que alguém me diga que a equipe econômica de Lula segue alguma coisa que o PT defendia para a área quando era oposição. Não! Lula segue o que o governo Fernando Henrique Cardoso fazia e que ele e o PT criticavam bastante. Aliás, outra vez ataco a oposição burra. Nas eleições presidenciais de 2006 não vi Geraldo Alckmin esfregar na cara de Lula de que ele foi contra o Plano Real. Você sabia que Lula achava que o plano que acabou com a inflação era um “estelionato eleitoral”? Será que, se Lula falasse que não pagaria a dívida externa a nossa economia estaria assim, uma beleza? Lula estava empolgado. Falou até do meio ambiente. Só faltou dizer que um dos seus principais gurus nesta área é Fernando Collor de Melo que, por sua vez, dispensa apresentações. Além disso, neste ano, vimos o Ministério do Meio Ambiente não liberar licenças ambientais para obras do PAC. Foi o maior barulho e, até agora, não se sabe como andam estas obras. Por falar em obras, Lula disse que o PAC vai transformar o país num canteiro de obras. Ao ouvir isso, é bem capaz dos lobistas espertalhões já armarem seus esquemas com deputados e senadores para que verba pública seja liberada e mais esqueletos de prédios e viadutos que levam o nada ao lugar nenhum se espalhem por aí. Lula acredita que o Brasil vai avançar mais. A segurança, a saúde e a educação receberão bilhões de reais. Só vou comentar sobre a segurança por conta de um fato recente. Ontem, Marco Aurélio Garcia (aquele do top-top-top) foi até a Venezuela se encontrar com o ditadorzinho Hugo Chávez e ajudar nas negociações com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) para que três reféns capturados pelos terroristas sejam libertados. As Farc tem haver com a violência no Brasil. O traficante Fernandinho Beira Mar mantinha relações com os terroristas colombianos. Mais de 70% da droga comercializada por ele vinha das matas da Colômbia. E mesmo assim, mesmo com a promessa de Lula de aumentar as verbas para a segurança, um assessor próximo vai negociar com essa gente. Sim, este governo é amigo dos terroristas assassinos que abastecem o tráfico. Lula sempre termina seu discurso com a mesma frase. Ele é o brasileiro mais satisfeito e o mais insatisfeito. Ele sempre é o mais. Ele sempre é o maior. A importância de Lula é tanta que, nos poucos instantes que o vi hoje, só prestei atenção naquela estante cheia de livros atrás dele. Lula sempre está de costas para os livros. Quando Lula for chutado do poder torço para que os livros permaneçam ali. Afinal, os governantes, mesmo aqueles que se acham mais e maiores, passam, mas os livros ficam. Isso me deixa muito feliz.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Lula e o terrorismo

O mundo inteiro condena o assassinato da líder oposicionista do Paquistão Benazir Bhutto. Ela foi alvo de um ato terrorista ocorrido logo após um comício. Um terrorista atirou contra Bhutto e depois detonou as bombas que estavam presas ao seu corpo. Além da líder oposicionista morreram outras 20 pessoas. Vários líderes de diversos países mandaram mensagens condenado o ato terrorista acontecido hoje no Paquistão. Os Estados Unidos e a Grã Bretanha reforçaram a luta contra o terrorismo.
O Brasil também mandou seu recado. Entrei no site do Ministério das Relações Exteriores e li a mensagem enviada por Lula ao presidente paquistanês Pervez Musharraf. Na nota está escrito: Foi com grande pesar e indignação que tomei conhecimento do ataque terrorista perpetrado em 27 de dezembro, que resultou na morte da ex-Primeira-Ministra Benazir Bhutto e de dezenas de outros cidadãos paquistaneses.
Ao expressar meu firme repúdio ao recurso à violência na vida política, transmito a Vossa Excelência o sentimento de solidariedade do povo e do Governo do Brasil diante desse inaceitável ato terrorista. Peço transmitir aos familiares das vítimas e ao povo paquistanês as profundas condolências do Governo brasileiro.
Ao mesmo tempo em que o governo brasileiro condena o ato terrorista que matou Benazir Bhutto, um integrante do governo vai até a Venezuela colaborar com o ditadorzinho Hugo Chávez nas negociações com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) para que três reféns sejam libertados. Marco Aurélio Garcia estará junto do ditadorzinho venezuelano negociando com os terroristas das Farc. Sim, precisamos dizer isso: as Farc são terroristas. Cada ato das Farc é um ato terrorista. Assim como os terroristas que mataram Benazir Bhutto se escondem atrás do Alcorão, os terroristas das Farc se escondem nas matas colombianas, seqüestrando pessoas e mandando drogas para o Brasil. Não custa nada lembrar que Fernandinho Beira Mar era grande parceiro dos terroristas das Farc. Sim, ao mesmo tempo em que o governo brasileiro condena o ato terrorista que acabou matando Benazir Bhutto, um dos assessores deste governo vai negociar com terroristas a libertação de três reféns. Ninguém sabe até agora se os terroristas das Farc serão punidos pelos seqüestros e pelos atos terroristas cometidos. Enquanto isso o mundo inteiro pressionará o governo paquistanês para que prendam os terroristas assassinos de Bhutto e outras 20 pessoas. O governo brasileiro repudia a violência na política lá no Paquistão, mas se cala quando o ditadorzinho venezuelano elogia os terroristas das Farc que utilizam a violência na vida política. É lamentável o que aconteceu no Paquistão e o que está acontecendo na Venezuela.

Morte de Bhutto gera protestos; forças de segurança entram em alerta

Da Folha online

O assassinato da ex-premiê e líder opositora do Paquistão, Benazir Bhutto, ocorrido nesta quinta-feira, em Rawalpindi, deu início a uma série de protestos violentos por todo o país, por parte de seus simpatizantes. As forças de segurança estão em alerta.
O ditador Pervez Musharraf, principal adversário de Bhutto nas eleições parlamentares marcadas para janeiro próximo, atribuiu o ataque a terroristas. Em pronunciamento pela televisão, ele pediu calma à população.
Relatos ainda preliminares indicam que um terrorista se aproximou de Bhutto, atirou contra a nuca dela e, em seguida, explodiu as bombas que carregava consigo. Ao menos outras 20 pessoas morreram no atentado. Bhutto foi socorrida, no entanto, não resistiu aos ferimentos e morreu.
Os simpatizantes de Bhutto que esperavam notícias do lado de fora do hospital reagiram quebrando a porta de vidro da entrada principal do pronto-socorro e apedrejando carros, quando souberam da morte dela. Parte dos manifestantes gritava "Musharraf assassino".
O policiamento foi reforçado em todas as localidades, principalmente na província de Sindh, considerada reduto de Bhutto. Diversas rodovias da região foram bloqueadas por barricadas de pneus em chamas e são patrulhadas pela polícia, que tenta evitar a ida dos manifestantes à província vizinha de Punjab.
Manifestações com milhares de pessoas ocorrem também em Karachi. Lá, de acordo com testemunhas, ao menos três bancos, um escritório do governo e uma agência dos correios foram incendiados, e o comércio foi fechado. Na cidade de Hyderabad, centro de Sindh, ao menos 20 carros foram incendiados. Houve protestos também em Rawalpindi, onde lojas e postos de combustíveis foram fechados, por medo de ataques.
Em Muzaffarabad, capital da Caxemira paquistanesa, manifestantes também bloquearam rodovias e gritaram palavras de ordem contra Musharraf.
Houve perturbações ainda na cidade de Multan e de Lahore, onde integrantes do PPP (Partido do Povo do Paquistão), de Bhutto, queimaram três ônibus.
Em Jacobabad, reduto do primeiro-ministro interino do Paquistão, Mohammedmian Soomro, que fica ao sul do país, um tribunal e outro prédio oficial foram incendiados. Lojas, algumas pertencentes a Soomro, também foram queimadas.

Eles voltam

Segue trecho da matéria que saiu no jornal Hoje que mostra mais um político otimista: o presidente da Câmara Municipal de Goiânia Deivison Costa. Para ele, o ano foi uma maravilha. Sim, Deivison comentou a demissão dos comissionados: Sobre a demissão de mais de 500 comissionados, o presidente explicou que a medida foi necessária para a Câmara se adequar à Lei de Responsabilidade Fiscal. “Mas deixamos para demiti-los no fim do mês para que recebessem os dias trabalhados em dezembro e o 13º”, salientou. Deivison disse que fez questão de assinar portaria para que os comissionados demitidos possam retornar em janeiro. “Os funcionários eram demitidos em novembro, e poderiam voltar só após três meses. Com a portaria, foi possível garantir mais estabilidade para aos comissionados”. Espera aí. Deixa-me ver se entendi. Deivison Costa demite os comissionados agora em dezembro para adequar à Lei de Responsabilidade Fiscal. Certo. Depois, em janeiro, estes mesmos comissionados voltam. Será que é isso se adequar à Lei de Responsabilidade Fiscal? Isso é uma manobra! É uma maneira porca de burlar a Lei. Por falar em comissionados, o prefeito de Goiânia Íris Rezende demitiu ontem os parentes dos vereadores que ocupavam cargos na Câmara Técnica de Planejamento do novo Plano Diretor. Os políticos sempre têm o mesmo discurso quando o assunto é nepotismo: contratam seus parentes por conta das suas habilidades. Bem, se estes parentes são realmente hábeis, possuem capacidade extraordinária, por que não prestam concurso público? Se capacidade não falta, com certeza eles sairão bem nas provas, não é mesmo? A mãe de Deivison Costa fazia parte da Câmara Técnica. Agora que ela está fora do páreo é bem capaz do presidente da Câmara Municipal de Goiânia arranjar algum emprego para ela em outro órgão. Pode até ser um órgão estadual, já que, segundo a matéria do Hoje, Deivison Costa tem um ótimo relacionamento com o governo do estado. O que precisa mesmo é fiscalizar os órgãos públicos. Os políticos são vagabundos e muito espertos. Se seus parentes são demitidos, pode ter certeza que eles voltam. Ah, se voltam...

E se o PT seguisse sua cartilha econômica?

O presidente do Banco Central Henrique Meirelles concedeu uma entrevista para o Diário da Manhã publicada hoje. A entrevista foi um misto de perguntas dos jornalistas do próprio jornal e personalidades goianas. Todo mundo fez sua pergunta para o presidente do BC. Desde as conseqüências do fim da CPMF até a sua possível candidatura ao governo do estado em 2010. Henrique Meirelles, assim como Lula, segue otimista. O ano que vem vai ser “o ano”. Nem mesmo o fim da CPMF tira o otimismo de Henrique Meirelles. Sobre a candidatura ao Palácio das Esmeraldas, Henrique Meirelles afirma que está mais preocupado com o andamento da economia brasileira.
Já que não sou uma personalidade goiana e não pude mandar minha pergunta para o presidente do Banco Central, faço-a aqui: E se o PT seguisse a sua cartilha econômica quando chegou ao poder em 2003 nós estaríamos economicamente bem agora ou o país já teria afundado? Quando Lula escolheu Henrique Meirelles para o posto de presidente do Banco Central houve muita chiadeira. Muita gente ficou assustada ao ver um esquerdista colocando um banqueiro para comandar a economia brasileira. Os esquerdistas brasileiros detestam banqueiros. Numa entrevista à Caros Amigos no ano 2000 Lula disse que os banqueiros tinham que ter medo do PT. Vimos que, em dois anos, o discurso lulista mudou radicalmente. Os banqueiros viraram “companheiros”. Nunca antes na história destêpaiz os banqueiros lucraram tanto desde a chegada dos esquerdistas ao poder em 2003. Henrique Meirelles foi bastante criticado pela ala radical do PT. Aquela ala que não concordava com a Carta ao Povo Brasileiro, mensagem que o então candidato Lula afirmava manter os contratos do governo Fernando Henrique Cardoso. As críticas contra a política econômica adotada por Lula provocaram a expulsão de Heloísa Helena, Luciana Genro e Babá. Os três expulsos resolveram montar um outro partido. Mais um.
Fica nítido que esquecemos do discurso petista do passado. Esquecemos a cartilha deles para a economia. Esquecemos as suas promessas de que, uma vez eleitos, haveria moratória e muito radicalismo. Esquecemos que Lula segue a política econômica do governo anterior, aquela que ele sempre criticava. Pois é. Eu reconheço que não sou uma personalidade goiana, portanto, não tenho créditos para mandar uma pergunta para o presidente do Banco Central Henrique Meirelles. Mas fica aqui: e se o PT seguisse a sua cartilha econômica quando chegou ao poder em 2003 nós estaríamos economicamente bem agora ou o país teria afundado?

Só mais um lembrete

Hugo Chávez disse que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) têm um “projeto político”. Será que vai ter gente caindo na conversa mole do ditadorzinho de araque? Num post passado eu já falei a respeito deste assunto. Só faço mais um lembrete: esses amiguinhos do Chávez e do Lula, que estão embrenhados na mata colombiana, são narcoterroristas. Aliás, as Farc eram ligadas ao traficante Fernandinho Beira Mar. Daí você imagina o “projeto político” dessa gente.