sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Choques deixam 8 mortos e Evo adverte que 'paciência tem limites'

Por Renata Miranda
no Estado de São Paulo

No dia mais violento da recente onda de protestos na Bolívia, pelo menos 8 partidários do presidente Evo Morales morreram e 34 ficaram feridos num confronto com opositores no Departamento (Estado) de Pando, no norte do país. O choque ocorreu quando os governistas, quase todos camponeses, tentaram romper um bloqueio de estrada promovido por partidários do governador do departamento, Leopoldo Fernández, feroz opositor de Evo. “Estamos falando de um verdadeiro massacre que tem como responsável o governador de Pando”, declarou o vice-ministro de Coordenação de Movimentos Sociais, Sacha Llorenti, ao confirmar a cifra de mortos. Segundo Llorenti, outros 30 camponeses foram levados pelos opositores a Cobija, capital departamental, e feitos “reféns” na sede do Comitê Cívico de Pando. Horas antes, Evo afirmou que seu governo defenderá a democracia sem responder à violência, mas advertiu que “paciência tem limites”.O aumento na violência ocorreu no mesmo dia em que a Bolívia suspendeu por mais de seis horas o envio de 50% das exportações de gás natural para o Brasil. A distribuição foi retomada após a empresa Transierra - responsável pelo gasoduto que transporta a maior parte do produto para o País - trocar uma válvula que havia sido fechada por grupos opositores. Por causa dos protestos, a distribuição de gás para a Argentina também foi prejudicada. A oposição também tentou sabotar o envio de gás para a região do Altiplano, incluindo La Paz. Mas, até a noite de ontem, nenhuma fonte independente podia confirmar se a tentativa tinha sido bem-sucedida.“O que começou como um ataque violento contra o Estado está se transformando em um violento conflito interno fomentado pelos governadores regionais”, afirmou o vice-ministro do Interior, Rubén Gamarra, referindo-se às mortes em Pando. Fontes da oposição, no entanto, atribuíram as mortes em Pando a partidários do governo de Evo. “Estamos sendo massacrados porque a selva amazônica se converteu em um santuário de guerrilheiros”, afirmou Ruddy Atiare, diretor nacional dos seringueiros de Pando, que faz oposição ao governo central. Num ato público em La Paz, Evo acusou os opositores de promoverem o “terrorismo” e de buscarem “uma resposta radical” por parte de La Paz.O ministro do Interior, Alfredo Rada, também acusou as regiões opositoras de utilizarem uma “estratégia golpista” ao tomarem diversos prédios públicos em Santa Cruz.O presidente do Comitê Pró-Santa Cruz, Blanco Marinkovic, afirmou que a oposição deve decidir nos próximos dias o que fará a respeito dos mais de dez prédios ocupados na cidade. Ele, porém, acusou o governo de infiltrar militares entre os grupos de opositores para provocar violência.Marinkovic também criticou a decisão do governo boliviano de expulsar o embaixador americano, Philip Goldberg, do país (ler abaixo). “Se a razão da expulsão foi ingerência, La Paz também terá de expulsar o embaixador venezuelano, pois a Venezuela é o país que mais se mete nos assuntos internos do país”, disse Marinkovic. “Não concordamos com as idéias que Evo herdou de Hugo Chávez”, afirmou em referência ao que chama de “idéias antiamericanas” defendidas pelo presidente venezuelano.Desde o começo da semana, o clima em Santa Cruz é de apreensão. Por temor da violência, escolas da cidade suspenderam as aulas ontem e hoje.

E quando tinha a CPMF era tudo uma maravilha?

Depois que eu li a reportagem no Jornal do Brasil postada logo abaixo fiquei pensando: “Será que, quando a CPMF existia, a saúde aqui no Brasil era uma maravilha?” Será que está faltando dinheiro? Bem, neste desgoverno dinheiro é o que não falta. O que precisa é direcionar a quantidade certa para o lugar certo e, é lógico, evitar que esta quantidade seja desviada aqui e acolá. Não adianta agora quererem chorar a ausência da CPMF. Ela já foi tarde. E não queiram fazer outro imposto. Que pressionem Lula ou Guido Mantega para liberar o cofre. E nós todos sabemos o quão gordo está o porquinho do Lula. Aliás, seria até interessante pedir para o Ministério da Saúde que fizesse um levantamento sobre o que foi investido na área com o dinheiro da CPMF. Aí nós veríamos que eles tiveram a grana na mão para evitar este rombo.

Saúde tem rombo de R$ 5,5 bilhões

Por Márcio Falcão
no Jornal do Brasil

A bancada da saúde na Câmara e o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conas) refizeram as contas do governo e avaliam que será preciso a liberação de um crédito suplementar de R$ 5,5 bilhões para o setor ter fôlego até o final do ano. Este é o tamanho do rombo que especialistas prevêem para dezembro e que pode levar a falta de repasses para o Sistema Único de Saúde (SUS). O governo, por outro lado, sustenta que não há problemas orçamentários.
O número leva em consideração os serviços e a demanda nos hospitais públicos por todo o país. Serão atingidos, especialmente, os atendimentos ambulatoriais. Há, ainda, previsão de falta de medicamentos para os tratamentos chamados "excepcionais" que assistem pacientes, por exemplo, com esclerose múltipla.
Outro problema identificado estaria no atendimento ao paciente com câncer. A falta de recursos pode prolongar a demora para o início da assistência, que em média está em 188 dias. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o câncer quando atacado nos primeiros 30 dias do diagnóstico tem chance de 95% de cura.
– A crise da saúde permanece - afirma o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), integrante da Frente Parlamentar da Saúde. – O governo é que finge não ver o caos que está por todo lado com a falta de dinheiro e para piorar a equipe econômica ainda não descobriu que saúde é prioridade.

Aumento de repasse

Parte do rombo, cerca de R$ 2,5 bilhões, é motivada pelo aumento, no ano passado, do repasse de recursos do Ministério da Saúde aos Estados para pagamento de procedimentos de alta e média complexidade, que envolve consultas especializadas, cirurgias, internações, entre outros.
Os repasses foram programados com recursos da extinta Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). A origem da falta de verba na saúde, indicam os especialistas consultados pelos deputados, começou com a ausência de uma reprogramação orçamentária com o fim do imposto do cheque.
No ano passado, o orçamento da Saúde foi de R$ 44 bilhões, sendo que desse total, mais de 35% (R$ 15,8 bilhões) tiveram origem na CPMF. O orçamento do ministério neste ano é de R$ 52,2 bilhões. Havia a programação de, até 2011, mais R$ 24 bilhões da CPMF, sendo apenas neste ano, R$ 6 bilhões.
Sem a contribuição, o governo, no entanto, engessou boa parte da ampliação que estava prevista para os próximos quatro anos e tem utilizado apenas os recursos disponíveis no caixa da Pasta, ou seja, o Orçamento, que é o montante do ano anterior mais a variação nominal do Produto Interno Bruto (PIB).
– A arrecadação está indo bem, a economia está crescendo, não se justifica a falta de uma atenção especial para o setor – disse o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE). – O governo precisa acordar antes que seja tarde.

Sensibilidade

A preocupação da bancada da saúde e dos secretários é que neste ano com o atraso na votação da Contribuição Social à Saúde (CSS) – novo imposto nos moldes da CPMF que aguarda votação de um último destaque na Câmara – o incremento para o setor depende da sensibilidade da equipe econômica. A CSS foi a solução encontrada pelo governo para segurar a regulamentação da Emenda 29, dispositivo que define repasses federais, estaduais e municipais para a saúde, e vinculava aplicação da verba da União na área em 10% da receita corrente bruta.
– O governo precisa sentar na mesa e discutir a situação com calma para ter a real idéia do que está acontecendo nos Estados – disse o secretário-executivo do Conas, Jurandir Frutuoso, ex-secretário da Saúde do Ceará. – Ao que tudo indica precisamos definir uma estratégia para evitar problemas no atendimento.

"Questão é saber se apoio da Abin à PF é legal", diz Mendes

Na Folha de São Paulo

O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, disse ontem não importar quantos agentes da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) participaram da Operação Satiagraha, comandada pela Polícia Federal e que teve como principal alvo o banqueiro Daniel Dantas."A questão básica é saber se essa cooperação [da Abin com a PF] é legal. Não gostaria de comentar esse assunto sem me deter sobre a legislação. Se houve prova ilícita, terá que ser excluída dos autos, mas não se pode falar em abstrato. É preciso aguardar a investigação da PF", disse Mendes, que participou ontem em Brasília de seminário sobre execução penal.Em depoimento anteontem na CPI dos Grampos, o diretor do Departamento de Contra-Inteligência da Abin, Paulo Maurício Fortunato Pinto, informou que 52 agentes do órgão atuaram por quatro meses na Operação Satiagraha, da PF. Até então, a Abin admitia só "colaboração" e "participação eventual" de seus servidores.Uma conversa de Mendes com o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) foi grampeada ilegalmente e a suspeita é que agentes da Abin possam estar envolvidos.Na última terça, o CNJ decidiu criar central estatística de grampos e padronizar regras para que juízes autorizem interceptações telefônicas.Segundo Gilmar, existe "um clamor para a idéia de excepcionalidade da concessão desse tipo de interceptação" e que a própria aprovação da resolução pelo conselho vai causar "uma atitude de autocrítica em relação a esse tipo de prática".Mendes afirmou que não irá à CPI. "A orientação no tribunal é que não devemos comparecer à CPI. Entende-se que não é conveniente, tendo em vista os vários aspectos institucionais [envolvidos no caso]."

Lula afasta Lacerda de vez após 'empréstimo' de 52 arapongas à PF

Por Tânia Monteiro
no Estado de São Paulo

A revelação de que havia 52 agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin)na Operação Satiagraha selou a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de retirar definitivamente o delegado Paulo Lacerda do comando da agência. Lacerda foi afastado temporariamente no dia 1º, depois da divulgação do grampo de uma conversa telefônica entre o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO).Com Lacerda outros três integrantes da cúpula da Abin foram afastados: o vice José Milton Campana, o chefe do Departamento de Contra-Inteligência, Paulo Maurício Fortunato Pinto, e o assessor especial da presidência, Renato Porciúncula. O Estado apurou que, como Lacerda, nenhum dos três voltará ao posto que ocupava na Abin. O Palácio do Planalto está certo de que, além da polêmica das maletas de fazer varreduras e grampos - levantada pelo ministro Nelson Jobim (Defesa), na reunião da coordenação política, na semana passada -, a Operação Satiagraha era uma investigação mais de Lacerda do que do delegado que a comandava, Protógenes Queiroz. Afinal, enquanto a PF mobilizou 23 profissionais, entre delegados, agentes, escrivães e peritos, a Abin liberou 52 agentes para trabalhar com Protógenes.Os problemas políticos gerados pela Operação Satiagraha não afetarão, porém, o general Jorge Félix, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), e o ministro da Justiça, Tarso Genro. Quando estourou o escândalo, Félix chegou a pôr o cargo à disposição, mas Lula descartou a possibilidade de sua saída. O diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, também estaria a salvo, apesar de ter revelado falta de controle sobre o que se passa no órgão que comanda.Além de Lacerda, as atenções do governo estão centradas em Protógenes. Por ter convocado Francisco Ambrósio do Nascimento para a Operação Satiagraha - um ex-agente do Serviço Nacional de Informações (SNI), órgão de inteligência do regime militar -, o Planalto considera “liquidada” a carreira do delegado.Embora se queixe de falta de apoio da direção da PF, Protógenes teve a seu dispor, nos dez meses em que comandou a Satiagraha, uma equipe de tamanho considerável. Levantamento que a PF está fazendo, a pedido do Ministério Público, mostra que os recursos, equipamentos e pessoal mobilizado colocam a Satiagraha entre as cinco maiores ações dos últimos três anos.Isso inclui as três maiores operações do período: a Navalha, que prendeu 47 pessoas em maio de 2007 acusadas de fraude em licitações, corrupção e desvio de dinheiro público; a Furacão, que investigou um megaesquema de venda de liminares em favor de casas de bingos e caça-níqueis, e a Dilúvio, que desarticulou um esquema gigantesco de fraudes no comércio exterior. Nas três, foram mobilziados, na fase investigativa, entre 21 e 30 policiais.
FUTURO
A partir de agora, o futuro da Abin será discutido em novas bases. Segundo assessores palacianos, será feita uma análise do modelo da agência, que tem se envolvido em vários “incidentes políticos”. O governo vem tentando fazer mudanças, mas até agora nada foi efetivado.A primeira alteração foi com a nomeação do delegado da Polícia Civil de São Paulo Mauro Marcelo de Lima e Silva, que foi obrigado a pedir demissão do cargo depois ofender o Congresso por causa da convocação do agente da Abin Edgard Lange, na CPI dos Correios. Mauro Marcelo chamou os parlamentares de “bestas-feras em pleno picadeiro”. Lacerda, lembram auxiliares do presidente, levou para a agência atribuições que eram prerrogativas da PF. Ano passado, com a saída de Mauro Marcelo, o próprio Lula se convenceu de que não era uma boa idéia ter as duas organizações debaixo do mesmo guarda-chuva. Avaliou que a Abin deveria se manter como órgão de assessoramento direto do presidente.

Candidatos não vão a favelas no 1º dia de ação do Exército

Na Folha de São Paulo

O primeiro dia do "manto de segurança" formado por Exército e Marinha para assegurar o processo eleitoral em sete favelas do Rio foi tranqüilo e sem incidentes, mas não atraiu candidatos a vereador ou prefeito da cidade. Ou seja, não cumpriu o objetivo a que se propunha.Temendo repercussão negativa com eleitores, nenhum candidato fez campanha nas favelas ocupadas pelos 3.500 militares da Operação Guanabara.Para dificultar ainda mais, o Tribunal Regional Eleitoral vai exigir o agendamento de campanhas e comícios nas áreas ocupadas, sob a justificativa de evitar confusão.No início da operação, fiscais do TRE retiraram quatro caminhões cheios de propagandas irregulares de dentro das comunidades. Houve distribuição de cartilhas informativas sobre a inviolabilidade do voto.Segundo o porta-voz da operação militar, coronel André Luiz Novaes, o objetivo não é garantir a entrada de candidatos, mas assegurar os direitos políticos dos eleitores. "Os candidatos podem se aproveitar desse manto de segurança", disse. Ele negou que a mobilização tenha sido em vão. "Não temos controle de candidatos; a operação não está focada neles. Garantimos a segurança."Nenhum candidato foi visto pela reportagem nas favelas ocupadas. Muitos afirmam que não pretendem fazer campanha junto com o Exército em favelas, pois temem ser malvistos pelos eleitores destas áreas."Não vou entregar santinho a alguém que vai se sentir ameaçado no dia seguinte, quando o Exército sair", disse a vereadora Andrea Gouvêa Vieira (PSDB), candidata à reeleição.O vice-presidente do TRE, desembargador Alberto Motta Moraes, demonstrou irritação ao ouvir a reclamação de candidatos por meio da imprensa."Disponibilizamos a Polícia Militar para fazer campanha em favelas. Ninguém pediu. Ser impedido de fazer campanha por milícia, pelos traficantes é midiático; ser acompanhado pelo Exército é ruim. Tem muito jogo político."No primeiro dia de operação, como já esperado pelos militares, não houve resistência de traficantes. A ocupação foi pré-agendada e avisada, para diminuir a surpresa e as chances de eventuais confrontos.Moradores de Rio das Pedras, foco de milícia, consideraram a ocupação "desnecessária". "Não está incomodando, só assustando um pouco. Não tem necessidade. Em outros lugares violentos, com traficantes, não estão. Sempre me senti muito segura aqui. É aplicação de dinheiro que vai para o valão", disse Madalena Justino, 40, que disse desconhecer a existência de milícia lá.Para o porta-voz do Exército, "a população não está assustada". "Os soldados têm uma postura pacífica, não estão camuflados, as crianças estão brincando e convivendo com eles."O governador do Rio, Sérgio Cabral, pediu que as tropas fiquem. "Tudo o que vier para garantir maior liberdade para os cidadãos decidirem de maneira 100% livre os seus candidatos e para trazer segurança pública ao Rio é muito bem-vindo. Espero que possam contribuir para o processo das eleições. Quem sabe não se entusiasmam e continuam aqui ajudando a combater a violência?"

Pela 1ª vez, Lula é aprovado por todos segmentos sociais

Por Fernando Canzian
na Folha de São Paulo

Embalado por fortes resultados na economia e por grande exposição nacional na atual campanha eleitoral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quebrou o seu próprio recorde de avaliação positiva.Lula também acaba de obter, pela primeira vez, a aprovação da maioria absoluta da população brasileira em todos os segmentos sociais, econômicos e geográficos do país.Segundo pesquisa Datafolha finalizada ontem, 64% da população brasileira considera o governo Lula ótimo ou bom. O recorde anterior já colocava Lula na frente de todos os presidentes eleitos após a redemocratização -55% de aprovação registrados em março passado.O levantamento revela também que a popularidade de Lula acaba de vencer a resistência de segmentos socioeconômicos específicos que mantinham, entre eles, o índice de aprovação abaixo de 50%.Pela primeira vez, Lula tem o apoio da maioria no Sudeste, nas regiões metropolitanas, entre os que têm curso superior e entre os vivem em famílias com renda familiar mensal superior a dez salários mínimos.Entre a pesquisa realizada em março e agora, houve um salto a favor de Lula de 14 pontos percentuais entre os brasileiros mais ricos. Hoje, 57% dos que vivem em famílias que ganham R$ 4.150,00 ou mais por mês aprovam seu governo.Lula também conquistou pela primeira vez a maioria no Sudeste: 57% o aprovam, dez pontos acima da última pesquisa. Há alguns anos Lula também só tinha a maioria ao seu lado em regiões do interior. Agora, 57% dos moradores das regiões metropolitanas o aprovam.Por fim, Lula também venceu a barreira entre os mais escolarizados. Em março, 47% dos brasileiros com curso superior consideravam seu governo ótimo/bom. Agora, são 55%.Os resultados da pesquisa coincidem com a divulgação, anteontem, de um crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de 6% no primeiro semestre do ano. Nesse bom resultado, houve uma significativa participação do consumo das famílias brasileiras, que cresceu 6,7% (a 19ª alta seguida) apoiado em aumentos da renda.A expressiva avaliação de Lula aparece também no momento em que a inflação começa a ceder depois de ter atingido um pico neste ano, há três meses.Coincide ainda com a participação pessoal ou do nome de Lula em várias campanhas municipais, além de grande exposição do presidente nos últimos dias por conta do início (ainda que simbólico) da produção de petróleo nas recém-descobertas reservas do pré-sal."A pesquisa mostra que Lula vem quebrando resistências, especialmente entre os principais segmentos da classe média, o que é muito significativo", afirma o diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino.Na pesquisa, o Datafolha ouviu 2.981 pessoas maiores de 16 anos em 212 municípios do país entre os dias 8 e 11 de setembro. A margem de erro é de dois pontos, para mais ou menos.Além de ter ultrapassado barreiras, o levantamento revela que Lula também ampliou de maneira significativa o reforço à sua popularidade entre os que já o apoiavam.No Nordeste, por exemplo, região que sempre deu os melhores índices de popularidade a Lula, sua avaliação subiu mais sete pontos. Hoje, 3 entre cada 4 nordestinos o apóiam.Houve ainda um salto de oito pontos percentuais a favor do presidente entre os mais pobres, com renda familiar até cinco salários mínimos. Atualmente, 65% desses brasileiros avaliam Lula positivamente.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Tadinho dele

Enquanto Protógenes Queiroz era homenageado na Câmara de Vereadores de Goiânia, era votada e aprovada o aumento salário para vossas excelências. O vereador Clécio Alves (PMDB) diz que o vereador ganha pouco. É mesmo. Olhando a foto dele no Diário da Manhã de hoje fiquei com uma pena. Olha o rostinho dele. Rosto de quem sofre por receber um mísero salário.

O top-top-top é um fanfarrão

Por conta da explosão em um gasoduto na Bolívia, o Brasil receberá menos gás. O que esperar do desgoverno do Apedeuta? Isso mesmo. O governo é solidário com o Índio de Araque. Reação pior (toda reação dele é a pior possível) foi a do assessor top-top-top de Lula Marco Aurélio Garcia. Ao ser perguntado pela reportagem da Folha de São Paulo se a maior preocupação do governo nesta crise era política ou energética, o top-top-top disse a preocupação era o Brasil vencer a Bolívia no jogo pelas Eliminatórias da Copa. Viu que cara mais bem humorado? Viu que presença de espírito? Com crise na Bolívia e redução do envio de gás para cá e o top-top-top preocupado em ver o jogo da seleção.

Explosão reduz envio de gás ao Brasil e Evo denuncia 'golpismo'

Por Renata Miranda
no Estado de São Paulo

A explosão de um gasoduto na região do Chaco, no sul da Bolívia, afetou ontem o fornecimento de gás natural para o Brasil e aprofundou a crise entre setores da oposição e o governo do presidente Evo Morales. A estatal petrolífera boliviana YPFB informou ter sido obrigada a cortar cerca de 10% das exportações do produto para o Brasil por causa do incidente, que as autoridades bolivianas qualificaram de “atentado terrorista”.Desde a semana passada, grande parte da população dos departamentos opositores de Santa Cruz, Tarija, Beni, Pando e Chuquisaca ameaçavam cortar a distribuição do gás para o Brasil e para a Argentina.Embora tenha descartado a hipótese de decretar estado de sítio, Evo reagiu ontem declarando “persona non grata” o embaixador dos EUA no país, Philip Goldberg, e anunciou o envio de mais soldados e policiais para reforçar a segurança nas instalações de gás e petróleo. Segundo o governo boliviano, o diplomata tem conspirado com as oposições regionais para “dividir o país” e desestabilizar o regime. Goldberg se disse “surpreso com a inexplicável decisão”. O Departamento de Estado americano declarou que as acusações contra Goldberg são infundadas.
REPARAÇÃO DEMORADA
“A exportação de gás para o Brasil neste momento será reduzida em mais de 3 milhões de metros cúbicos por dia”, afirmou o presidente da YPFB, Santos Ramírez. Segundo a empresa, são enviados ao País diariamente 31 milhões de metros cúbicos de gás. Ramírez afirmou que a reparação do duto demorará cerca de 20 dias, acrescentando que as perdas totais devem superar US$ 100 milhões. A companhia Transierra informou ontem que o governo boliviano estuda usar outro gasoduto - operado pela empresa Transredes - para restabelecer o fornecimento de gás ao Brasil.Ramírez explicou que a válvula do gasoduto localizado a 50 quilômetros da cidade de Yacuiba, na fronteira com a Argentina, foi danificado após ter sido fechada à força pelos manifestantes. Com isso, a pressão causou a explosão da tubulação.No Departamento de Chuquisaca, em outro incidente, as operações no complexo gasífero de Vuelta Grande também foram suspensas com o objetivo de proteger suas instalações, depois que manifestantes fecharam as válvulas de bombeamento - o que prejudicou a exportação para a Argentina.Os manifestantes exigem a restituição de um imposto sobre o gás e o petróleo que antes era repassado para os governos dos departamentos bolivianos.O ministro da Presidência, Juan Ramón Quintana, ainda afirmou que a onda de protestos da oposição busca “sepultar a nacionalização” dos hidrocarbonetos decretada por Evo em 2006.O governo central acusa os grupos cívicos da rica região de Santa Cruz de incitar o confronto entre a população e os militares para criar uma espécie de “guerra civil”. Por isso, La Paz tem evitado uma resposta mais enérgica às manifestações.“Uma reação agressiva do governo de Evo agravaria ainda mais a situação”, afirmou o analista Fernando Mayorga, da Universidade Pública de Cochabamba. “Os protestos evidenciam a debilidade do Estado boliviano, que não tem capacidade para controlar metade do território nacional.”Ainda ontem, sindicatos agrários ligados ao governo de Evo anunciaram que bloquearão as rotas de acesso a Santa Cruz, o que poderia provocar uma crise de desabastecimento de alimentos e combustíveis na região.“A situação de ingovernabilidade é muito grave porque cada região tem uma capacidade diferente de convocação de protestos. Isso torna difícil que os opositores cheguem a um consenso de que devem negociar com o governo”, disse Mayorga.Confrontos em Santa Cruz e na cidade de Tarija deixaram dezenas de feridos; repartições públicos foram tomadas em Sucre; e o aeroporto de Beni, no noroeste, também foi fechado. Em todo o país, pelo menos uma dezena de prédios públicos foram tomados por manifestantes.O vice-governador de Santa Cruz, Roly Aguilera, afirmou ao Estado que o governo local teme perder o controle sobre as manifestações na região. “Estamos chegando a um ponto em que não será mais possível controlar as massas”, disse. Segundo ele, os protestos são uma “resposta do povo crucenho” à tentativa do governo de impor seus projetos.

Em sete favelas, contra os currais

Por Renata Victal
no Jornal do Brasil

Começa hoje o patrulhamento de homens das Forças Armadas em sete comunidades do Rio de Janeiro. A Operação Guanabara vai colocar ao menos 3.500 soldados nas ruas para garantir a segurança dos moradores, da imprensa e principalmente dos candidatos durante a campanha eleitoral. O objetivo é impedir que as comunidades continuem fechadas a campanhas de candidatos por conta do voto de cabresto de milicianos e traficantes. Veículos blindados e helicópteros também serão usados e as ordens são para atirar caso haja necessidade. Os candidatos que quiserem fazer campanha nesses locais deverão comunicar ao TRE no dia anterior. A operação só terminará no dia quatro de outubro, véspera do pleito.
O Exército ocupará, com apoio da Polícia Militar, as favelas Cidade de Deus, Gardênia Azul e Rio das Pedras, em Jacarepaguá, Zona Oeste. Já fuzileiros navais da Marinha estarão na Vila do João, Conjunto Esperança, Vila Pinheiros e Nova Holanda, no Complexo da Maré, na Zona Norte. Os homens ficarão em pontos específicos das favelas, por 24 horas, em sistema de rodízio, até sábado. No dia seguinte, as favelas Vila Aliança, Taquaral e Coréia (Zona Oeste) serão ocupadas. Outras 17 comunidades também receberão o apoio das tropas.

Rodízio de três dias

O rodízio de três dias em cada comunidade foi considerado satisfatório pelo comando do Exército para que os candidatos possam fazer campanha nesses locais. O esquema também teve o aval do TRE, que definiu os locais onde as Forças Armadas vão atuar.O pedido de tropas foi feito pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e autorizado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Presidente do TSE, o ministro Carlos Ayres Britto disse na terça-feira que já definiu como os militares deverão se portar durante a operação. O conteúdo das regras, no entanto, não foi divulgado pelo presidente do TSE. É sigiloso.
– Em cada comunidade, haverá presença de um juiz do TRE. Ele avaliará possíveis crimes eleitorais. Esse é o foco da operação – explicou o coronel André Luiz Novaes, responsável pela comunicação social da operação.
Segundo o coronel, as Forças Armadas não têm efetivo suficiente para ocupar as 27 comunidades e, por isso, as operações terão de ser itinerantes. Ele afirmou que os candidatos podem aproveitar a presença dos soldados para fazer campanha e que os militares poderão efetuar prisões em flagrante, se necessário, ou mesmo atirar já que o uso da força será feito "proporcionalmente ao que estiver ocorrendo". Os registros de ocorrência serão feito em delegacias comuns.
– Não é uma operação de segurança pública, de polícia. O Exército não vai estar presente nessas comunidades para garantir a segurança pública. Se um crime comum acontecer diante de um militar, ele deve, por obrigação, tomar as providências cabíveis, ou seja, prender em flagrante delito – afirmou o coronel Novaes. – O Exército estenderá um manto de segurança, mas o TRE fará a fiscalização eleitoral.
As chamadas regras de engajamento, que definem como os militares devem se portar, não foram reveladas por "questão de segurança". Mas, o coronel Novaes garantiu que a tropa foi bem treinada e descartou qualquer evento semelhante ao ocorrido no Morro da Providência, quando homens do Exército entregaram três moradores a traficantes do Morro da Mineira, de facção rival, que os mataram.
A operação será coordenada pelo general Rui Monarca da Silveira, subchefe do Estado Maior do Exército, e contará com o reforço da 4ª Brigada de Infantaria do Exército de Juiz de Fora, Minas Gerais. Os municípios de Caxias e São Gonçalo também receberão a tropa no esquema de rodízio de três dias. Já o município de Campos, no interior do Estado, contará com a presença do Exército durante todos os dias.
Ontem o TRE comunicou aos representantes dos partidos políticos, as orientações para campanha nas áreas ocupadas. Os partidos devem solicitar, por ofício, à presidência do tribunal, até as 18h do dia anterior, o acesso às áreas ocupadas. Caberá aos partidos distribuir os horários de campanha entre os candidatos. "Por questões de segurança e logística, os partidos terão de 12h às 18h para a campanha nas áreas ocupadas", diz nota do TRE. De acordo com o vice-presidente do TRE, Alberto Motta Moraes, o reforço na segurança dará tranqüilidade:
– A presença do Estado nessas regiões tem o objetivo de transmitir aos eleitores a segurança de que eles poderão ter confiança de que as eleições vão ocorrer normalmente.

Tráfico e milícia cobram até R$ 30 mil de candidatos

Por Raphael Gomide
na Folha de São Paulo

Traficantes e milicianos estabeleceram tabelas de pedágio para candidatos às eleições de outubro fazerem campanha nas favelas que controlam. O preço varia de R$ 10 mil (para pequenas comunidades) a R$ 30 mil (locais de médio porte).Sem pagar, os postulantes são proibidos de entrar nas localidades para pedir votos e pregar cartazes nas casas.Segundo relatos à Folha de dois candidatos a vereador (que não se identificaram temendo represálias), a prática ocorre nas favelas de São Carlos (Estácio, centro), Turano e Borel (Tijuca, zona norte), Tuiuti (São Cristóvão, norte), Dendê (Ilha do Governador, norte) e Terreirão (Recreio, oeste), dominadas pelo tráfico; e Guaporé (Brás de Pina, norte) e Barbante (Campo Grande, oeste), dominadas por milícias.A partir de hoje, tropas do Exército e da Marinha vão ocupar 27 comunidades identificadas pelo Tribunal Regional Eleitoral como "currais eleitorais". Das citadas acima, só a do Barbante está entre as que receberão o apoio militar. A presença dos soldados poderá permitir (por três dias) a circulação de candidatos nos locais.
Outros "serviços"
Segundo os candidatos, que disseram não ter pago o valor aos criminosos, o dinheiro é apenas um pedágio para o grupo que controla o lugar: qualquer outro "serviço" (como fixação de placas) é pago à parte.Um candidato revelou que em uma das comunidades ele chegou a ir um dia para fazer campanha, mas desistiu após ouvir do líder comunitário que o tráfico exigira o "arrego" [propina] para permitir a sua entrada. Ele já tinha acertado até a cooperação dos moradores, mas desistiu ao ouvir que ele teria de pagar R$ 15 mil.Outra exigência é que a mão-de-obra contratada para atuar na campanha, dentro e fora da favela, seja local. Portanto, é necessário pagar a trabalhadores da comunidade para fazer a propaganda, espalhar cartazes e acompanhar o candidato.Em uma espécie de tabela informal, o mercado eleitoral do Rio estabelece o valor de R$ 100 por semana por colaborador. O mesmo valor é cobrado para fixar uma faixa ou placa na casa de alguém.Motoristas também estão alugando até o vidro de trás dos carros para serem ocupados por adesivos perfurados com propaganda eleitoral, também ao custo de R$ 100.
"Gato placa"
Com carência de recursos, muitos candidatos ao cargo de vereador estão apelando para o que chamam de "gato placa".Eles pagam de R$ 50 a R$ 70 para responsáveis por tomar conta de placas de candidatos a prefeito ou a vereador de campanhas mais ricas vigiarem também o seu painel.Pela "tabela", os trabalhadores recebem em média R$ 100 por semana para cuidar das placas de candidatos. Com isso, o político economiza e não deixa a placa sem vigilância, o que é proibido e pode ser alvo de vandalismo.A expressão "gato placa" surgiu da adaptação do termo "gato", furto de energia elétrica, e ganhou força com a proliferação de "gato net", furto de sinal de televisão a cabo.

EUA enviaram 250 caixas de documentos

Por João Domingos
no Estado de São Paulo

O delegado Protógenes Queiroz revelou ontem em Goiânia que recebeu dos Estados Unidos tantos documentos sobre Daniel Dantas que foram necessárias 250 caixas para guardá-los. Os papéis, informou, foram enviados pela Justiça de Nova York e são todos relativos ao processo que investigou a participação do banqueiro na contratação da empresa Kroll, supostamente para espionar sócios em empresas telefônicas dentro e fora do Brasil.Protógenes, que chefiou a Operação Satiagraha, mas foi afastado sob suspeita de permitir interceptações telefônicas de autoridades sem autorização judicial, confirmou que o ex-araponga do Serviço Nacional de Informações (SNI) Francisco Ambrósio do Nascimento participou da operação como “colaborador eventual”. O delegado participou em Goiânia do lançamento de um movimento de combate à corrupção no País, capitaneado pelo PSOL.“Pedi (aos EUA) as conclusões do que haviam investigado e eles enviaram tantos documentos sobre a investigação, que foram necessárias 250 caixas para guardá-los. Contratei o Francisco Ambrósio como analista desses documentos. Existe um dispositivo legal que prevê a figura do colaborador eventual. Ele trabalhou, sob meu comando, cumprindo expediente na Polícia Federal, na análise destes documentos”, contou. “Mas não para fazer espionagem, e sim ajudar a catalogar e decifrar os documentos.”Protógenes acha que alguém, com outras finalidades, está explorando a participação de Ambrósio na Satiagraha. “Ele não teve ligação com as interceptações telefônicas. Nem acesso, porque estava em outro tipo de trabalho.” Os documentos da Justiça de Nova York teriam chegado à PF no fim do ano passado. Daí, a contratação do ex-araponga em janeiro.Protógenes disse ter informações “de fontes seguras” que a fotografia de Ambrósio que apareceu na capa da revista IstoÉ desta semana foi feita na portaria da Polícia Federal, pelo sistema de identificação dos visitantes. “Não digo que tem alguém da PF passando informações para o outro lado, só que tenho informação, de fonte segura, de que aquela foto é da portaria da Polícia Federal”, disse.
ALGEMAS
O delegado criticou o que chamou de “revisão nos métodos de trabalho” dos policiais, do Ministério Público e do Judiciário. “Que segurança jurídica nós temos hoje? Está sendo criada por uma minoria, uma casta privilegiada. Esses privilégios criam total insegurança, um total desrespeito ao cidadão.”Um dos problemas, segundo ele, é a súmula do Supremo Tribunal Federal (STF) que regulamentou o uso das algemas. “Como dar segurança aos cidadãos, se não podemos algemar? Estamos na contramão da história. Nos EUA algemam-se até os pés.” Em seguida, completou: “Chegou o momento em que temos de pensar qual caminho queremos, qual caminho a sociedade brasileira quer.”

Grampo faz a PF investigar a PF

Por Vasconcelo Quadros
no Jornal do Brasil

A Polícia Federal está investigando a si mesma para tentar demonstrar que o grampo no telefone do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, não partiu da corporação e pode, ao mesmo tempo, acabar livrando da mesma suspeita sua principal rival, a Agência Brasileita de Inteligência (Abin).
Os delegados Rômulo Berredo e Willian Morad foram, ontem, a São Paulo para ouvir policiais e cruzar dados dos registros de escutas telefônicas armazenas no sistema de grampo conhecido por Guardião com as ordens judiciais expedidas pelo juiz da 1ª Vara Criminal da Justiça Federal, Fausto de Sanctis, contra os alvos da Operação Satiagraha.
Os policiais também devem conversar com o magistrado e com procuradores da República responsáveis pelo controle interno da Polícia Federal, que apuram supostas irregularidades cometidas nas investigações desde a prisão do banqueiro Daniel Dantas. Levantamento preliminar aponta que até agora não há indícios da autoria e origem do grampo.
Mesmo assim, os delegados estão fazendo um pente fino nos atos do delegado Protógenes Queiroz, que chefiou a Satiagraha, para esclarecer a real participação de agentes da Abin e ou de outros órgãos durante as investigações.
Protógenes deverá ser ouvido formalmente para esclarecer suspeitas por ele levantados durante palestra proferida ontem na Câmara Municipal de Goiânia e em entrevistas: ele sugeriu que na investigação sobre a escuta que apanhou Mendes e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), a Polícia Federal está produzindo provas que favorecem Dantas, confirmou que o espião Francisco Ambrósio do Nascimento – que pertenceu aos quadros do Serviço Nacional de Informações (SNI) durante a ditadura militar – trabalhou com ele como "colaborador eventual" e desmentiu as versões apresentadas pelas revistas Veja e IstoÉ, apontando, respectivamente, que o espião é dos quadros da Abin e que a escuta se deu durante a Operação Satiagraha.
– Estão apurando a conduta dos investigadores e não dos investigados – afirmou o delegado.

Investigações

Protógenes teria teria usado verba secreta da Polícia Federal para pagar Ambrósio, procedimento que, ao lado da remuneração a informantes, faz parte da rotina das investigações e normalmente é respaldado por prestação de contas. Aposentado do serviço de informações da Aeronáutica, o agente teria feito um free-lancer com o delegado durante cerca de seis meses, mas não teria comandado os 52 funcionários cedidos pela Abin à Satiagraha.
No período em que trabalhou no SNI, Ambrósio atuava basicamente no Congresso colhendo informações que interessavam ao regime. O hábito de circular pelas duas Casas e em gabinetes de senadores e deputados, ele manteve nos últimos tempos, mas sem vínculo com a Abin. O papel do agente e o racha que envolve Protógenes e o comando da PF estão sendo explorados pelos advogados de Dantas para anular a Satiagraha.
O Senado aprovou ontem medidas que restringem o uso do grampo, a maior arma da polícia no combate à corrupção. A autorização judicial não poderá extrapolar a 360 dias e será renovável de dois em dois meses. Além disso, as pena para quem se envolver em escuta clandestina passa de quatro para cinco anos, a comercialização de equipamentos de grampo deverá ser proibida e o Ministério da Justiça deverá exercer controle sobre o que for fabricado e vendido no mercado que abastece os arapongas.

STF veta acesso da CPI a dados da Satiagraha

Por Maria Clara Cabral e Felipe Seligman
na Folha de São Paulo

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Cezar Peluso decidiu anteontem que a CPI das Escutas Telefônicas Clandestinas não poderá ter acesso aos autos das operações Chacal e Satiagraha, ambas da Polícia Federal, que citam "no todo ou em parte" informações constantes nos discos rígidos do Banco Opportunity, do banqueiro Daniel Dantas.A CPI aprovou, na semana passada, um requerimento decretando a quebra de sigilo das duas operações da PF, com a intenção de ter acesso à total documentação constante em seus autos. As duas investigações envolvem o Opportunity.Foi na primeira delas, a Chacal, que a PF apreendeu o disco rígido, que registra 33 mil operações financeiras internacionais, entre dezembro de 1992 e junho de 2004. Já a segunda -Satiagraha- levou à prisão Dantas, o ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta, e o megainvestidor Naji Nahas.Em agosto, a própria CPI havia aprovado dois outros requerimentos para que a 5ª Vara Criminal de São Paulo enviasse cópia dos autos de processos identificados da Operação Chacal e para a análise e cópia dos dados extraídos dos discos rígidos do Opportunity.Na ocasião, Peluso já havia decidido liminarmente pela suspensão de ambos os requerimentos, inicialmente por uma liminar, e, posteriormente, ao estender a validade da primeira decisão.Anteontem, em seu despacho, o ministro reafirmou: "Há risco fundado de que, com eventual acesso aos dados dos inquéritos ou dos processos oriundo daquelas duas operações policiais, em trâmite perante os juízos da 5ª e da 6ª Vara Criminais Federais de São Paulo, se viole o sigilo dos dados bancários de terceiros, objeto de transcrição ou reprodução em ambos os autos, violando ao mesmo tempo, a liminar e a extensão concedidas para proteger".Peluso também afirma que, caso as informações já tenham sido enviadas à CPI, caberá ao presidente e ao relator da Comissão "que lhe acautele e guarde as cópias, mantendo-lhes sobre sigilo". Ele julgou um pedido feito pelo próprio banco Opportunity.

Justiça bloqueia fundo de Dantas com R$ 535,8 mi

Por Lilian Christofoletti
na Folha de São Paulo

A Justiça Federal de São Paulo determinou o bloqueio de um fundo de investimento de R$ 535,8 milhões que pertencem ao banqueiro Daniel Dantas, investigado na Operação Satiagraha, e a outras quatro pessoas ligadas a ele.O pedido de seqüestro do valor partiu do procurador Rodrigo de Grandis, do Ministério Público Federal, que foi alertado pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) sobre operações do Grupo Opportunity, de Dantas, consideradas "irregulares no mercado financeiro".O fundo só ficou conhecido porque, há oito dias, Dantas transferiu a administração dos R$ 535,8 milhões aplicados no Opportunity Special Fundo de Investimento em Ações para a administradora BNY Mellon Serviços Financeiros -as duas empresas têm sede no mesmo prédio no Rio de Janeiro.Ao ser informada, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) repassou um comunicado ao Coaf -órgão de inteligência financeira do governo federal que integra o Ministério da Fazenda- classificando a operação de "atuação irregular no mercado financeiro".A aplicação pertence a Dantas, à irmã dele, Verônica, à mulher, Maria Alice, ao presidente do Opportunity, Dório Ferman, e ao administrador Norberto Aguiar Tomaz -todos, exceto Maria Alice, foram indiciados pela Polícia Federal sob a acusação de formação de quadrilha e de gestão fraudulenta na administração do Opportunity Fund, no paraíso fiscal das ilhas Cayman.O advogado Nélio Machado, que defende Dantas e o Opportunity, afirmou que o dinheiro tem origem declarada, limpa, e que a operação de transferência cumpriu todos os requisitos legais, foi inclusive anunciada em forma de comunicado em jornais de circulação nacional.
R$ 10 milhões
A determinação de seqüestro dos R$ 535,8 milhões foi dada pelo juiz federal Fausto Martin De Sanctis, da 6ª Vara Criminal de São Paulo, o mesmo que mandou Dantas duas vezes para a prisão -os mandados foram anulados pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes.A Justiça bloqueou ainda outros R$ 10 milhões depositados no dia 21 de julho em uma conta bancária da irmã de Dório Ferman, Beassy Schachnik, no banco Itaú, em Recife.No relatório, o Coaf informou que tal "movimentação foi considerada atípica com o seguinte enquadramento: retirada de quantia significativa de conta até então pouco movimentada ou de conta que acolheu depósito inusitado".O Ministério Público Federal quer conhecer a procedência dos R$ 535,8 milhões aplicados no fundo de investimento e dos R$ 10 milhões depositados na conta bancária no Recife.
Nova frente
Segundo o Ministério Público Federal, os R$ 535,8 milhões pela Justiça Federal bloqueados abrem uma nova frente de investigação do caso Satiagraha, que apura supostos crimes de gestão fraudulenta e de evasão de divisas atribuídos a Dantas e ao Grupo Opportunity.Os principais documentos que sustentam essa investigação são supostas transferências ilegais de fundos de investimento para paraísos fiscais.Segundo a Procuradoria, se ficar caracterizada uma eventual procedência ilícita do valor aplicado no fundo de investimento, o caso pode configurar crime de lavagem de dinheiro. Em situação de condenação, a Justiça poderá decretar a perda do montante em favor da União. Mas, se a origem legal for comprovada, o bloqueio cai."Essa movimentação financeira pode indicar a prática de crime de lavagem, abrindo uma nova frente do caso Satiagraha. É mais um delito que supostamente foi praticado pelo grupo", afirmou De Grandis.Na Justiça, Dantas é réu de um processo criminal por suposto oferecimento de US$ 1 milhão a um delegado da Polícia Federal para que o nome dele e de familiares fossem excluídos da investigação Satiagraha.O banqueiro nega ter qualquer participação nas negociações, gravadas pela PF, de tentativa de suborno do policial.

Acharam que ia ser fácil

Não assisti ao jogo da seleção ontem. Numa rápida olhada pelos sites, vejo que o time do Anão empatou com a Bolívia. Como é que é? Empatar com a Bolívia, lanterninha destas Eliminatórias? Depois do jogo contra o Chile lá em Santiago, muita gente imaginou que o Brasil fosse destroçar a Bolívia. Já que não peitamos os bolivianos quando o assunto é gás, quem sabe no futebol não damos um olé? Faltou gás.
O Anão sempre critica a imprensa esportiva. Daqui a pouco ele vai começar a chamá-la de golpista e que está montando um plano para tirá-lo do comando da seleção. Quando a imprensa golpista (ops, esportiva) fala bem da seleção, diz que o time achou seu rumo quando jogou contra os chilenos as coisas desandam. É certo que não teve nenhum clima de oba-oba, mas que muita gente imaginava que o Brasil golearia a lanterninha das Eliminatórias isso é verdade. E empatou. E empatou se marcar nenhum gol. Tem que ser que nem Bernardinho e Muricy Ramalho: Nada está bom. Tudo tem que melhorar. Se a gente acomoda acaba perdendo. Ou empatando com a lanterninha das Eliminatórias da Copa do Mundo.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Eles na TV

Se depender dos nossos candidatos tudo em Goiânia será informatizado. Eureka! Era isso que faltava! COMPUTADOR! Gilvane Felipe (PPS) disse que vai informatizar a área da saúde. Será montado um banco de dados contendo tudo sobre o paciente. Um banco de dados criativo e belo. Um sistema interligado criativo e belo.
Todos os candidatos falam nisso. Pronto! O computador vai salvar tudo desde o trânsito até a saúde.
Sandy Júnior (PP) mostrou a importância do computador na vida das pessoas, mas pisou na bola ao dizer que a máquina propicia o aprendizado. Não! O aluno não aprende porque acessa a internet ou digita um texto no word. O aluno aprende estudando, lendo, discutindo. O computador é apenas um instrumento. Sem ele, o aluno pode sim aprender. Basta ter na escola uma biblioteca de qualidade, com livros de qualidade. E Sandy Júnior ainda insiste em dizer que é possível levar internet gratuita para toda Goiânia, apesar de vários especialistas na área dizerem que não é bem assim.
Vejam vocês o que é a natureza. Em posts anteriores critiquei o teatrinho tosco do programa de Martiniano Cavalcante (PSOL), não é mesmo? O teatrinho hoje até que foi legal. Continuou não tendo graça nenhuma, mas mirou em duas promessas de Sandy Júnior: praia em Goiânia e a tal da “onda verde”. Martiniano está mais sorridente. Deixou de lado aquelas críticas ancestrais contra o capitalismo, a burguesia e o imperialismo norte americano.
E Iris Rezende falou sobre os parques ambientais. Mostrou as belezuras, os locais onde foram construídos (no centro e na periferia). Ah, é lógico! Iris fez e vai fazer muito mais. Só faltou o locutor dizer que Iris vai construir parques não somente em Goiânia, mas em todo o estado. Calma, né? A Prefeitura de Goiânia precisa acelerar urgentemente a reforma no Lago das Rosas. Faço minhas caminhadas lá e a poeira que sobe das obras não é brinquedo. Tempo seco e terra não combinam. E faz tempo que o lago está em reforma. Quase que eu não assisto ao horário eleitoral. Porém, assumi aqui o compromisso de comentar para os meus cinco leitores Eles na TV.

O golpe de Evo e um repúdio à violência

Já estou imaginando os bolivarianinhos jogando a culpa na direita boliviana por conta do caos que se espalhou na região. Veja nos sites de notícias ou pela televisão. Aí eu fiquei pensando: e se Evo Morales fosse um presidente “papagaio de Washington” e fizesse reformas que, segundo a brilhante esquerda, estaria contra a vontade popular? E se os bolivarianinhos tocassem o terror contra um presidente “papagaio de Washington”? Ah, lógico, não seria um caos e sim a manifestação do povo consciente da opressão do imperialismo norte americano.
Repudio a reação violenta da oposição na Bolívia. Creio que ainda existem meios para se dialogar com o governo, apesar do índio de araque querer minar estas possibilidades.
É preciso rever o que este índio maluco está fazendo lá. Hoje já explodiram um gasoduto que abastece o Brasil. Lógico que a esquerda patética vai jogar a culpa na oposição direitista raivosa. Esta é uma reação contra a tentativa de Evo Morales de rasgar a Constituição boliviana. Reitero: repudio a ação violenta da oposição. Ação esta que já está prejudicando o lado de cá da fronteira. Mas Lula é amigo do indiozinho maluco. É bem capaz de Apedeuta fazer alguma coisa para ajudar seu colega de Foro de São Paulo.

"Evo, o golpista"

Do Blog do Reinaldo Azevedo

A situação da Bolívia (ver posts abaixo) pode degenerar em guerra civil. É fácil, convencional e estúpido olhar para o país e acusar a, como é mesmo?, direita golpista. Coisa de energúmenos — que não leram os livros de referência sobre o assunto — ou de quem tem mesmo má-fé ideológica, pura e simplesmente: na dúvida, acuse a direita. A oposição boliviana age da melhor maneira? Acho que não. Mas ela criou a crise sozinha? Ora, tenham paciência!Desde o primeiro no dia no poder, Evo Morales não tem feito outra coisa que não assaltar a institucionalidade que o elegeu. Governos que desrespeitam as regras do jogo democrático ou degeneram em ditaduras ou acabam depostos — e, às vezes, por outras ditaduras. Um maluco como Hugo Chávez pode até ter uma longa permanência no poder. Mas, acreditem, aquilo não dará em boa coisa. Quantos foram os nossos analistas, com as respectivas cabeças ornadas por um belíssimo par de orelhas, que não viviam a indagar: “Oh, o que Chávez fez de antidemocrático? Ele sempre faz referendos e consultas populares”. Como se isso fosse garantia de democracia.Não creio que alguém ignore que se pode recorrer a instrumentos da democracia para solapar a própria democracia. Isso é tão corriqueiro no continente, hoje ou antes. Vejam o Brasil de 1964 se querem um exemplo da casa. A democracia foi para o brejo só porque havia uma elite golpista? Essa é a versão dos que imaginavam outros golpes: o populista — do próprio Jango — e o comunista, das esquerdas. Aquele governo foi deposto porque a desordem foi levada para dentro do poder pelo próprio presidente — e, claro, porque havia golpistas em excesso no Brasil: na direita, na esquerda e na Presidência da República. A democracia morreu por falta de quem a defendesse.Volto à Bolívia. Morales, que costumo chamar aqui de “índio de araque”, tentou mimetizar os métodos Chávez na Bolívia. Só que não com o mesmo sucesso — até porque os bolivianos viram o que aconteceu na Venezuela. Essa história de fazer referendo revogatório de mandato para reivindicar mais poder é também golpe, só que dado por intermédio de um arremedo legal. Um dos caminhos para a degeneração da institucionalidade é justamente essa “plebiscitização” da política. No Brasil, sabemos, há quem sonhe com isso.Desde o primeiro minuto de seu mandato — e, antes, já na campanha —, Evo Morales decidiu ser o presidente da Bolívia Ocidental, justamente onde se concentra a massa de miseráveis que ele pode manipular com seu discurso beligerante contra “os brancos” e contra “os ricos”. Mas a Bolívia Oriental, onde estão "os brancos e ricos", responde por boa parte da riqueza do país e rejeita os métodos escolhidos pelo presidente.A idéia de que a democracia é apenas o regime da maioria é estúpida — o fascismo, por exemplo, era um regime de maioria. A democracia compreende também o respeito à minoria. E isso nada tem a ver com “privilégios”. Gente como Evo Morales, Rafael Correa (Equador) e Chávez não entende o princípio. No Brasil, é bom que se diga, há facções do petismo que ainda não se conformaram com o fato de Lula, popular como é, estar limitado por uma Constituição e por leis.Eis aí. Tentativa de golpe da direita? E por que não se falar, então, em contragolpe? Espero que os opositores de Evo Morales renunciem à violência sem mudar o propósito de conter o aprendiz de ditador. Ele vai ter de negociar. Ou vem por aí um banho de sangue.