terça-feira, 17 de junho de 2008

Divulgue sim

O presidente da Câmara Arlindo Chinaglia criticou a decisão do TSE de divulgar os nomes dos políticos com a “ficha suja”. Chinaglia disse que o Tribunal Superior Eleitoral deveria agilizar a votação dos processos contra candidatos pendentes na Justiça Eleitoral. Eu continuo com e mesma opinião de ontem. Que o TSE divulgue a lista dos candidatos sujos, que julgue todos os processos e que os culpados sejam punidos e que nunca mais saiam como candidatos a alguma coisa.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Estêpaiz é estranho

No post abaixo deste comemoro a decisão do Tribunal Superior Eleitoral de divulgar os nomes dos políticos com a “ficha suja”. Mas o TSE não voltou atrás naquela decisão emitida semana passada permitindo que políticos condenados em primeira instância participassem das próximas eleições. Divulgam as listas com os sujos, deixa-os se candidatar. E se os candidatos com nomes sujos forem eleitos? Ai, meu Deus, como estêpaiz é estranho.

TSE vai divulgar nomes dos políticos com "ficha suja"

Semana passada, aqui no blog, critiquei o Tribunal Superior Eleitoral que decidiu que candidatos com “ficha suja” poderiam disputar as próximas eleições. Agora leio no Estadão online que o TSE vai divulgar os nomes dos políticos com a “ficha suja”. Está mais do que certo o TSE. Tem que divulgar os nomes dos sujos e espertalhões que esperavam fazer campanha com a cara bem limpinha.

Eu duvido

O vice-prefeito de Juiz de Fora José Eduardo Araújo assumiu a prefeitura depois que Carlos Alberto Bejani renunciou ao cargo. Bejani é acusado de participar de um esquema de desvio de dinheiro público. Araújo já chegou avisando que vai fazer um “choque de moralidade” nos seus seis meses e alguns dias de mandato.
Choque de moralidade? Ainda tem político no Brasil que fala em moralidade? José Eduardo Araújo disse que vai administrar com transparência e mostrar tudo o que está acontecendo na Prefeitura de Juiz de Fora. Será que o homem vai botar pra quebrar mesmo? Eu prefiro duvidar. Temos eleições pela frente. Não sei como as investigações andariam. O mais importante é que elas aconteçam.
José Eduardo Araújo disse que há um ano e meio atrás as coisas iam bem, mas depois ele começou a ver certas coisas e se afastou de Bejani. O que aconteceu de tão grave assim? Aí tem coisa. Que coisa é essa? Tem muita coisa debaixo do pano e eu reafirmo o que disse linhas acima: eu prefiro duvidar dessa história de “choque de moralidade”.

Sempre no ataque

Aqui em Goiás continua a história do “denuncismo”. Não se pode mais denunciar político que faz caixa 2, político que corrompe, político que rouba, político que falsifica ata de reunião. Todo mundo é vítima e o Ministério Público que vá procurar outra coisa para fazer. Aqui, tem gente que acha melhor deixar os políticos em paz. Eu não! Mais uma vez eu afirmo: sou do “investiguismo”. Se tem denúncia, que seja investigada e os culpados punidos. Aqui em Goiás tem muita gente passando a mão na cabeça de político. Vai ver é por isso que as denúncias contra políticos raramente ficam dois dias nas páginas dos jornais. Foi preciso a Folha de São Paulo e a revista Época denunciarem as maracutaias marconi-cidistas. Infelizmente a nossa imprensa ainda depende dos políticos. E eu continuo na mesma: sempre no ataque.

Alckmin só dá azar

Querem ver que a Dona Supla vai lucrar com a briguinha entre Geraldo Alckmin e Gilberto Kassab? Ontem, Alckmin vestiu a camisa da seleção brasileira para assistir à partida das eliminatórias contra o Paraguai. Muito boa a manchete do Estado de São Paulo de hoje: “Alckmin de camisa 10, e seleção perde”. Imaginem se Alckmin veste a camisa 10 nas eleições de outubro. Ele só dá azar.

Alckmin e Kassab ignoram trégua e trocam provocações

Por Catia Seabra
na Folha de São Paulo

Recusando-se à formalização de um pacto de não-agressão, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) e o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) deram ontem mostras de que não haverá trégua no primeiro turno.Alckmin listou problemas da cidade em resposta à declaração de guerra de Kassab. Em entrevista à Folha, o prefeito de São Paulo disse que trataria o tucano como um adversário."Só temos um adversário: os problemas de São Paulo. As pessoas não são invisíveis para mim. Enxergo o sofrimento do povo, o sofrimento com transportes, saúde e educação."Instado a comentar declarações de Kassab, Alckmin disse que não trataria de "picuinhas políticas". "A população está cansada dessas picuinhas."Alckmin - que costuma reclamar de pressão do prefeito sobre o PSDB - se recusou a comentar as afirmações de Kassab de que está feliz com a atuação dos tucanos pró-aliança, dizendo que cabe ao povo julgá-lo. Mas, indiretamente, cobrou respeito. "Procuramos fazer a aliança. Mas respeitamos os outros partidos", disse.Antes de assistir, de camisa verde e amarela, à derrota da seleção, Alckmin foi irônico ao responder se haveria chance de aliança no primeiro turno. "Existe, desde que o DEM não tenha candidato."Atendendo a sugestões, prometeu apoio ao governador José Serra (PSDB) na corrida presidencial, "se Deus quiser"."Sempre apoiei Serra. Se Deus quiser, vou apoiar também em 2010. Mas esse é um assunto que não tem sentido discutir neste momento."Kassab, por sua vez, voltou a criticar Alckmin ao dizer que considera inadequado imposição de vontade em prejuízo da aliança. Ele reafirmou a esperança de vitória na convenção do PSDB, no domingo (dia 22).Ao discursar na convenção do PV, Kassab disse apostar na aliança, "apesar da vontade de alguns líderes do PSDB". E comentou: "É totalmente inadequado não procurarmos de todas as maneiras manter uma aliança que vai bem. É uma aliança que dá bons resultados para São Paulo. Tanto é que, no próprio PSDB, existem os que defendem sua manutenção".Ao responder se Alckmin era o destinatário da crítica, Kassab disse apenas que não queria fulanizar. O prefeito reafirmou que é grato aos líderes tucanos que pregam a aliança.No lançamento de sua candidatura, Kassab disse que políticos responsáveis sabem "a importância de esquecer as vaidades e os projetos pessoais quando se trata de preservar alianças, agir com lealdade".

Governo subestima número de invasões, mostra estudo

Por Eduardo Scolese
na Folha de São Paulo

O número de invasões de terra anunciado em balanços do governo federal nos últimos oito anos está 55% abaixo da realidade de conflitos do campo.Entre 2000 e 2007, ocorreram no país ao menos 4.008 invasões, contra as 1.827 divulgadas pela Ouvidoria Agrária Nacional, ligada ao Ministério do Desenvolvimento Agrário.Em 2007, por exemplo, o balanço oficial apontou 298 ações dos sem-terra, ante as 533 registradas no recém-concluído trabalho de uma das principais autoridades da questão agrária no país, o geógrafo Bernardo Mançano Fernandes.Para chegar a esses números, Fernandes e sua equipe de alunos da Unesp (Universidade Estadual Paulista) cruzaram as áreas invadidas que aparecem nas listas da ouvidoria, da CPT (Comissão Pastoral da Terra) e de três universidades.Dessa confrontação, obtida pela Folha, surgiu uma nova lista, com cada uma das ações identificada com o nome da fazenda invadida, o município, o número de famílias envolvidas, o movimento que liderou a ação e a data da entrada dos sem-terra na propriedade.Fernandes teve acesso a dados detalhados da ouvidoria agrária. Ele obteve a lista que contém, uma a uma, todas ações registradas pelo órgão e que sustentam os balanços oficiais -que trazem só o número total de invasões.O trabalho revela a ineficácia nos levantamentos da Pastoral da Terra, que faz isso desde os anos 80. Segundo o cruzamento feito por Fernandes, entre 2000 e 2007 o braço agrário da Igreja Católica deixou de incluir 1.171 ações em seus balanços. A CPT registrou 2.837 invasões nesse intervalo, 29% abaixo das 4.008 apontadas no trabalho da Unesp."Os dados da CPT e da ouvidoria não correspondem à realidade, mas correspondem à realidade possível. A confrontação permitiu perceber que essa realidade é maior ainda", afirma o professor Fernandes. Segundo ele, não há "conspiração" nem "interesse" na divulgação de dados maiores ou menores nos balanços divulgados até hoje por CPT e ouvidoria.A discrepância dos dados fica clara em 2004, ano do primeiro "Abril Vermelho". Ao final daquele ano, a ouvidoria anunciou 326 invasões, contra 496 da CPT. Agora, após a confrontação dos dados, a Unesp fala em 703 ações identificadas.A Folha apurou que tanto a CPT como a ouvidoria agrária trabalham para unificar seus dados, com auxílio da Unesp, antes de soltar novos balanços. Os últimos dados divulgados pela ouvidoria são de março."A CPT sempre disse que, de fato, não consegue cobrir toda a realidade", afirma Antonio Canuto, secretário da coordenação nacional da CPT. "A gente diz que isso [balanços] é uma ponta do que se conhece."Procurado pela reportagem, o ouvidor agrário nacional, Gercino José da Silva Filho, não se manifestou.Maria de Oliveira, que durante cinco anos atuou como ouvidora agrária nacional substituta, admite que o órgão não consegue levantar a realidade nacional das invasões. "A ouvidoria é confiável naqueles dados que conseguiu buscar, que obteve comprovação. Mas isso não representa que a gente tenha 100% das informações."Segundo o estudo, de 1988 a 2007, foram 7.562 invasões no país, uma média de 378 por ano e pouco mais de uma por dia.

Alta de preço dos alimentos contamina outros produtos

Por Pedro Soares
na Folha de São Paulo

Primeiro, foram os alimentos a pressionar a inflação. Agora, os reajustes se dissiparam e atingem a maior parte da cesta de produtos que integra o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), do IBGE. Em maio, dos 465 itens pesquisados pelo índice oficial, 71,35% registraram alta. O percentual supera em quase dez pontos o de abril (61,98%).Em maio do ano passado, o chamado índice de difusão era bem menor: 56,99%, segundo dados da Tendências. "Esse patamar de maio é bem alto. Se se configurar uma tendência, como parece, mostra uma disseminação da inflação que é preocupante", diz Marcela Prada, economista da consultoria.Para ela, a pressão dos alimentos contamina outros preços. "Há um ambiente de aquecimento econômico propício para reajuste", afirma.Em maio, o IPCA surpreendeu os especialistas e bateu em 0,79% -acima do 0,55% de abril. Foi a maior alta desde abril de 2005 (0,87%) e a mais elevada variação para um mês de maio desde o início do Plano Real, em 1994.Diante do resultado, economistas já cogitam a possibilidade de o índice ultrapassar o teto da meta do governo para 2008, de 6,5%. Um dos motivos é a maior difusão da inflação que começa a tomar corpo.Tal fenômeno se evidencia com o comportamento dos preços dos serviços, que avançam a reboque da alta da inflação dos alimentos, do aquecimento da economia e da expansão da renda do trabalhador.A manicure Dircinéia dos Santos Lima, a Néia, 38, ilustra a situação recente. Ela cobrava R$ 15 para fazer a mão e o pé há um ano. Como seu orçamento ficou mais apertado e as clientes não reclamaram, conseguiu subir o preço para R$ 20.Estão nessa lista serviços de conserto de transporte escolar (alta de 3,54% de janeiro a maio de 2008), estacionamento (3,16%), médicos e dentários (3,47%), costureira (3,30%), academia de ginástica (4,34%) e natação (2,93%).Fazer as unhas passou a custar 4,58% mais neste ano. No salão de beleza, o recordista na alta de preços foi depilação (7,73%). O serviço superou o reajuste do hotel -5,07%. O aumento mais expressivo, porém, ficou com os ingressos de jogos esportivos -33,73%. Todos subiram acima do IPCA -2,88% de janeiro a maio.Segundo Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de índices de preços do IBGE, há um "claro movimento de alta, especialmente dos serviços pessoais". "Existem duas influências importantes: o reajuste do salário mínimo e mais recentemente a alta dos preços dos alimentos. Para quem é autônomo, a alimentação é muito sentida no orçamento, e a tendência é que se tente repassar os aumentos para o custo dos serviços", diz.A economia aquecida, diz, propicia os repasses. "No caso de serviços como manicure, cabeleireiro, costureira, o consumidor é mais fiel. Não troca facilmente. Assim, o repasse é mais fácil. Os clientes aceitam mais os reajustes."Para Carlos Thadeu de Freitas Filho, da SLW Corretora, a economia aquecida "dá sustentação aos repasses de custo", o que abre espaço para o reajustes dos serviços.Essa tendência, diz, é mais notada em serviços nos quais o peso da mão-de-obra é maior e cuja expansão do consumo está atrelada ao aumento da renda. É o caso típico dos serviços do salão de beleza.

domingo, 15 de junho de 2008

Vergonha

E o Brasil perdeu para o Paraguai por 2 a 0. Roque Santa Cruz e o gordão Cabañas marcaram. Acertei meu palpite. E olha que na quarta feira a seleção brasileira vai pegar a Argentina em Belo Horizonte. A cada dia que passa tenho plena certeza que Dunga é anão e não técnico da seleção brasileira.

Meu palpite

O Brasil perde para o Paraguai. Dois a zero.

Facinho de confundir

Ontem foi oficializada a candidatura de Gilberto Kassab à reeleição para a Prefeitura de São Paulo. Aliados de José Serra prestigiaram o evento. O vice governador Alberto Goldman representou o governador que está em viagem ao Japão. Goldman tropeçou no seu discurso ao confundir Gilberto Kassab com Geraldo Alckmin. Lembrei de uma música dos Mamonas Assassinas: o meu nome é Dejair facinho de confundir com o João do Caminhão. Alckmin, Kassab... São nomes parecidos mesmos e “facinho de confundir”.
A candidatura de Geraldo Alckmin só está aí para confundir. Como é que ele vai fazer campanha a partir de julho se o seu partido também apóia Kassab? Isso só beneficia Marta Suplicy.
Tá mais do que na hora de alguém dizer para o Chuchu: “Pede pra sair”.

Rumo a Série B

E o Goiás continua na sua luta rumo a Série B. Perdeu para o Grêmio por 3 a 0 aqui no Serra Dourada.

McCain quer se aproximar do Brasil

Por Patrícia Campos Melo
no Estado de São Paulo

O candidato republicano John McCain quer acabar com a tarifa de importação sobre o etanol brasileiro e eliminar o subsídio ao etanol de milho americano. Ele também apóia a entrada do Brasil no Conselho de Segurança da ONU e no G-8. Durante três dias da semana passada, a reportagem do Estado acompanhou McCain em campanha por Nova York, Boston, Filadélfia e Washington. E constatou que o republicano tem mais ligações com o Brasil que os brasileiros imaginam. Seu jatinho de campanha é um Embraer 190, da Jet Blue. McCain já esteve várias vezes no Rio de Janeiro nos anos 50, quando namorou uma carioca.Se for eleito presidente dos EUA, o candidato republicano deve se aproximar do Brasil, nação que elogia por sua política de energia limpa. "Cometemos uma série de erros ao não adotar uma política energética sustentável - um deles são os subsídios para o etanol de milho, que eu avisei em Iowa que iriam destruir o mercado e foi de fato o que aconteceu: o etanol de milho está causando um sério problema de inflação", disse McCain em entrevista ao Estado em Boston. "Além disso, está errado impor uma tarifa de US$ 0,54 por galão de etanol de cana brasileiro, que é muito mais eficiente do que o etanol de milho." Já o candidato democrata Barack Obama defende uma cooperação energética com o Brasil, mas não quer acabar com a tarifa nem com o subsídio. Além do setor energético, McCain prega uma aliança com o Brasil na chamada "liga das democracias" - uma união de países para se contrapor ao que chama de regimes autocráticos da China e Rússia. Ele apóia um assento permanente para o Brasil no Conselho de Segurança da ONU, a participação do País em um G-8 ampliado (que incluiria a Índia e excluiria a Rússia) e a retomada das discussões da Área de Livre Comércio (Alca) com o Brasil - o senador defende o livre comércio como forma de "espalhar" a democracia pelo continente. Dentro da campanha de McCain, as posições de Obama para a América Latina são ridicularizadas. "Obama nunca pisou na região, não foi nem de férias para Cancún", diz um assessor. McCain já esteve três vezes na Colômbia e outras tantas no Brasil. A primeira vez foi em 1957, quando ele ainda estudava na Academia Naval e conheceu uma modelo brasileira. Segundo um assessor, ela se chamava Maria e morava "perto do Pão de Açúcar". Eles namoraram por alguns meses e McCain voltou ao Rio para vê-la.Assessores do republicano afirmam que o projeto de Obama para a região se limita a "tomar chá" com Hugo Chávez , enquanto desencoraja aliados como Colômbia por sua oposição ao livre comércio. "Bloquear o acordo comercial com a Colômbia, impor medidas protecionistas e sentar para bater papo com ditadores como Chávez? Como é que isso vai dar certo?", diz um assessor.

Pressão do governo asfixia agências

Por Renée Pereira
no Estado de São Paulo

As denúncias de pressões do governo na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) no caso da venda da Varig, reveladas ao Estado por sua ex-diretora, e as dificuldades da Agência Nacional de Telecomunicações para aprovar mudanças na regulamentação do setor escancaram a atual situação de esvaziamento dos órgãos reguladores no Brasil.Criadas para atuar com independência e garantir regras estáveis a investidores e consumidores, as agências têm sido asfixiadas por intervenções do Executivo, contingenciamento de verbas, nomeações políticas e quadros incompletos de diretoria.Esse é um problema grave na Anatel, que demorou a aprovar uma regulamentação para concluir a compra da Brasil Telecom pela Oi. Sem um diretor, a votação ficou empatada e o impasse durou meses. O consenso, após pressões, chegou na quinta-feira, mas o órgão continua com o quadro incompleto.A falta de quórum também afeta a Agência Nacional de Petróleo (ANP) e a Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT). Desde fevereiro, a ANTT trabalha com dois diretores e um diretor-geral interino. O cargo deverá ser ocupado por Bernardo Figueiredo, assessor da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Essa proximidade, porém, não agrada ao setor, que vê na iniciativa uma forma de aniquilar a independência dos reguladores. "Trata-se de outro tipo de captura das agências, da mesma forma como o contingenciamento", diz o presidente da Associação Brasileira das Agências Reguladoras, Wanderlino Teixeira de Carvalho.Segundo ele, ao contrário da Anac, onde a intervenção foi explícita, nos demais casos, o enfraquecimento das autarquias ocorre de forma indireta. Sem recursos, diz ele, as agências ficam sem capacidade para fiscalizar os serviços e regulamentar os setores. Esse é um ponto crucial na atração de investimento em qualquer país, afirmam especialistas."De fato, se não há autonomia orçamentária, a agência corre o risco de ter de negociar recursos com o Executivo e se deparar com um ministro mais afoito. Essa é uma preocupação legítima", afirma o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Jerson Kelman, que diz ter 100% de autonomia no órgão. Ele conta, porém, que alguns parlamentares fazem ameaças na tentativa de influenciar decisões. "Mas são casos patológicos", diz, sem dar detalhes.Outro problema é a indicação de políticos para cargos que deveriam ser exercidos por técnicos, diz Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura. "Na ANP, a indicação do ex-deputado Haroldo Lima deixou o órgão desprotegido. Hoje a Petrobrás tem mais influência na regulação do setor que a ANP." A agência já nasceu sob influência política. O primeiro diretor foi o então genro do presidente FHC, David Zylbersztajn.

Relatórios mostram que caos aéreo continua

Por Allan Gripp
na Folha de São Paulo

O governo decretou o fim do caos aéreo, mas a aparente tranqüilidade nos aeroportos escamoteia o fato de que graves falhas no controle do tráfego de aviões continuam acontecendo. Essas falhas, centrais para a crise que engolfou o setor a partir do choque de um jato Legacy com um Boeing da Gol em setembro de 2006, são relatadas em 60 documentos e relatórios confidenciais confeccionados a partir do segundo semestre de 2007 aos quais a Folha teve acesso.Os registros de quase-colisões estão em relatórios de perigo, reportes de incidentes, livros de ocorrências e imagens de telas dos radares nos Cindactas (Centros Integrados de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo). Muitos deles foram feitos em 2008.Em 25 de janeiro, um Boeing da Gol e um Airbus da TAM entraram em rota de colisão ao iniciaram procedimento de descida em São Paulo. De acordo com o informe de incidentes 02/2008, ao atingirem o nível de vôo 365 (36.500 pés, ou 11,12 km), o risco de um choque fez disparar o sistema anticolisão das aeronaves.O registro do incidente revela que o controlador tinha como assistente um estagiário, que, em seu relatório, disse não ter acompanhado as instruções do companheiro. O controlador alegou que o comandante da Gol, que seguia para Guarulhos vindo de Lima, confundiu a posição determinada por ele.Situações como esta podem se dar por falhas de pilotos, controladores ou problemas técnicos, estes relatados em grande quantidade pelos controladores nos livros de ocorrência. Por falta de comunicação, um avião da companhia Trip, que acabara de decolar de Cuiabá rumo a Rondonópolis (MT), quase se chocou com a aeronave prefixo PT-KDS. O incidente aconteceu em 28 de novembro do ano passado.No livro, o controlador diz que o episódio foi "extremamente grave", pois os aviões se encontravam na mesma altitude e separados por "menos de 2 milhas (milhas náuticas, o equivalente a 3.704 metros)". Nesse caso, o sistema anticolisão do avião da Trip disparou, evitando o acidente. O controlador afirma que acontecem com freqüência "decolagens sem comunicação em aeródromos vizinhos" a Cuiabá.Em 20 de março deste ano, outra quase-colisão. Desta vez, um Boeing-737 da Gol, que se aproximava de Belo Horizonte vindo de São Paulo foi autorizado a iniciar a descida, "sem restrição", passando do nível 360 (36 mil pés) para o 200 (20 mil pés). Entre os dois níveis, porém, havia um outro 737 da Varig, que informou ao controle ter recebido "resolution", o alerta do sistema anticolisão.Nesse caso, o controlador responsável reconheceu o erro e o atribuiu ao fato de estar detido no trabalho. O informe de incidente não revela o motivo da prisão. Quando estão presos, os controladores trabalham normalmente, mas permanecem aquartelados depois do expediente. "Acredito que por estar detido na unidade e preocupado com a minha família que está sem assistência meu nível de atenção está baixo", relatou ele.Falhas nos radares também podem induzir os controladores a erros. Os arquivos da Aeronáutica guardam dezenas de relatos de casos assim. No Cindacta-4 (Manaus), é comum o aparecimento nas telas dos radares dos chamados alvos falsos -quando surgem registros de aviões que não existem.Também são comuns a duplicação de alvos, o que pode levar o controlador orientar uma aeronave sem saber a real posição em que ela se encontra.Os controladores registram ainda a existência de zonas cegas, onde não é possível o monitoramento por radar ou contato via rádio. O livro de ocorrência do centro de controle de Cuiabá registra, no dia 18 de dezembro de 2007: "Na área de Sinop e Sorriso (MT) não é possível fazer contato com o ACC-BS (centro de controle de Brasília), nem com o ACC-Amazônico (Manaus)."A região é a mesma onde aconteceu o acidente com o Boeing da Gol. À época, apesar das negativas da Aeronáutica, vários controladores relatavam problemas na comunicação.Os livros de ocorrência contêm relatos de defeitos em equipamentos vitais, como TFs (redes telefônicas para coordenação do controle aéreo) e do ILS (Instrument Landing System), sistema para orientação precisa do pouso.Os controladores, em alguns centros, reclamam ainda de más condições de trabalho. Em Cuiabá, os livros trazem queixas da grande quantidade de mosquitos nas salas de controle e até da presença de ratos sob os consoles de trabalho.Procurada pela Folha, a Ifatca (Federação Internacional das Associações dos Controladores de Tráfego Aéreo), que realizou ano passado uma inspeção no Cindacta-1 (Brasília), fez duras críticas ao controle aéreo brasileiro, que classificou de "frágil"."Se nada significativo for feito pelo Brasil e pelas autoridades responsáveis, o próximo acidente está "planejado". Nós só não podemos dizer quando e onde irá acontecer", disse Christoph Gilgen, 45, representante da Ifatca na Suíça.

Guerra contra drogas não reduz produção

Na Folha de São Paulo

Bilhões de dólares gastos no combate às drogas nas Américas -em especial ao menos US$ 10,7 bilhões empregados na Colômbia, maior produtor de cocaína do mundo, entre 1999 e 2005- transformaram-se em resultados desanimadores em termos de redução do consumo, do plantio de coca e do rastro de violência que o tráfico espalha pelo continente.Passados dez anos da Assembléia Geral da ONU que estabeleceu metas para atacar o problema, as cifras preliminares de 2007 já assustam.O Escritório da Política de Controle de Drogas da Casa Branca estimou em fevereiro que 1.421 toneladas métricas de cocaína saíram da América Latina. A cifra representaria um salto de 40% sobre 2006 -até agora, tanto Washington quanto a ONU vinham citando como êxito a relativa estabilidade da produção de coca, em contraposição ao avanço exponencial do começo dos anos 90.A Casa Branca culpa a Venezuela pelo avanço, apontando que o país tem sido cada vez mais usado como rota dos traficantes. Mas, na produtora Colômbia, nem as recentes vitórias militares sobre a narcoguerrilha das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) nem a erradicação recorde de plantações de coca melhoraram o quadro.Anteontem, o jornal colombiano "El Tiempo" antecipou que houve aumento de 25% na área de plantio de coca em 2007. Passou dos 78 mil ha de 2006 para 98 mil -cifra próxima aos 102 mil ha de 2002, ano seguinte à criação do Plano Colômbia, pacote de combate ao narcotráfico e à guerrilha co-financiado pelos EUA.Markus Schultze-Kraft, diretor para a América Latina do prestigioso centro de análises International Crisis Group (ICG), diz que o enfraquecimento das Farc afetou pouco o narcotráfico: "Não vemos relação direta entre esse êxito e o controle do tráfico. Há problemas de fundo", disse à Folha.Coordenador de dois estudos do ICG sobre o tema, ele citou como alimentadores do negócio o contágio da classe política e as falhas nas políticas globais para conter a demanda por drogas. Schultze-Kraft ressalta o poder de reacomodação da indústria do pó, que sobreviveu ao desmonte dos grandes cartéis colombianos, nos anos 90, e à recente desmobilização da principal coalizão de grupos paramilitares do país.Fabio Posada Rivera, editor da Unidade de Investigação do diário "El País", de Cali, explica: "A direção hoje é compartimentada para evitar delações e traições. São chefões menos vistosos e mais eficazes".
Escalada mexicana
As transformações no epicentro colombiano tiveram impacto no resto do continente. Em especial no México, onde os chefões locais assumiram a distribuição da maior parte da cocaína que vem dos Andes após o desmembramento dos cartéis de Cali e Medellín, que vendiam a própria produção.Hoje os cartéis mexicanos controlam diretamente três quartos do mercado de drogas americano, o maior do mundo. O país vive uma escalada da violência ligada ao crime organizado -1.585 mortes de janeiro a maio deste ano, cerca de 30% a mais do que em 2007."[Os narcotraficantes] estão na economia, na vida cotidiana, na cultura, no surgimento de novas escolas, novos negócios", diz Javier Valdez, jornalista e fundador do semanário mexicano "Rio Doce". Como na Colômbia, os jornalistas são alvo da violência. Uma cabeça ensangüentada foi entregue em um jornal de Tabasco (sul), em advertência a um diretor.Por trás da carnificina, há, para o diretor do Crisis Group, "uma confrontação, a sangue e fogo", entre o governo do conservador Felipe Calderón, interessado em expurgar parte das polícias estaduais e locais corruptas, e os interesses arraigados do crime organizado.Pouco depois de assumir, em dezembro de 2006, Calderón tomou uma medida controvertida: usar as Forças Armadas no combate ao tráfico. Para Schultze-Kraft, que defende o fortalecimento das polícias e recuo dos militares, essa não é a solução. "O que o México precisa é de uma boa Polícia Federal. A atual, muito pequena, não é tão corrupta como as estaduais e municipais, mas é débil."

Trânsito é péssimo para 87%, mas só 5% acham que é o pior problema de SP

Por Evandro Spinelli
na Folha de São Paulo

O trânsito em São Paulo é quase uma unanimidade: 87% avaliam como ruim ou péssimo, segundo pesquisa de março do Datafolha. Mas, surpreendentemente, quando se pergunta qual é o pior problema da cidade, o trânsito aparece em sétimo lugar, com 5%.O agora candidato Gilberto Kassab (DEM) sabe que terá de mostrar que está enfrentando o problema do trânsito -área com pior avaliação de seu governo entre nove setores relacionados-, tanto que demitiu na semana passada o presidente da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) e, no dia seguinte, anunciou, pela segunda vez, um pacote de 40 pequenas medidas de efeito discutível, conforme especialistas.O pior problema de São Paulo, com 17% -segundo pesquisa feita em 14 de fevereiro-, é a segurança, área sob responsabilidade do governo do Estado.Saúde vem logo em seguida, com 16% -55% dos moradores dizem que o sistema é ruim ou péssimo. Em fevereiro, era considerada a área de pior desempenho do prefeito, que aposta na boa avaliação das AMAs (assistências médicas ambulatoriais). Em fevereiro, quando foi feita a pesquisa que põe a saúde em segundo lugar entre os piores problemas, o governo tinha entregue 63 AMAs. Desde lá já foram inauguradas outras 42.Transporte coletivo é outra área sensível -terceira no ranking dos piores problemas, com 12%. É um setor em que Marta Suplicy, pré-candidata do PT, tem bom desempenho. Kassab optou por discurso em defesa do metrô e anunciou que aplicará R$ 1 bilhão na ampliação da malha metroviária.A área de educação, apesar de ser a quinta colocada no ranking dos maiores problemas, com 9%, é uma das duas áreas em que Kassab vai melhor -a outra é o projeto Cidade Limpa.

Apoiado por serristas, Kassab oficializa candidatura em SP

Por Catia Abreu e Fernando Barros de Melo
na Folha de São Paulo

Numa flagrante demonstração do racha partidário, uma caravana de tucanos participou ontem do lançamento da candidatura do prefeito Gilberto Kassab (DEM) à reeleição em São Paulo. A pedido do governador José Serra (PSDB), que está em viagem no Japão, o vice-governador Alberto Goldman participou da convenção. Em discurso, defendeu aliança já no primeiro turno. "Não posso antecipar o resultado da convenção, mas espero que essa aliança política seja transformada de imediato numa aliança eleitoral", disse, referindo-se à convenção do PSDB no dia 22."Se não for possível, estaremos juntos em 90 dias".Apesar do discurso, Goldman acabou vaiado por ter cometido dois atos falhos -ele chamou Kassab de Geraldo Alckmin e, depois, de Geraldo Kassab.Em seguida, se justificou: "Nossa aliança é tão forte que confundi os nomes". "Como disse Kassab, Alckmin faz parte do seu governo", disse.O vice-governador deixou claro que representava Serra no evento, institucionalmente.Isso tudo exatamente a uma semana da convenção do PSDB, que vai decidir se Geraldo Alckmin será o candidato tucano. Um ônibus levou ontem os kassabistas da casa do prefeito até a Assembléia Legislativa, onde foram realizadas simultaneamente as convenções do DEM e do PMDB.Dez subprefeitos e sete vereadores do PSDB participaram do encontro, que custou R$ 50 mil. Um dos organizadores da caravana, o secretário municipal dos Esportes, Walter Feldman, chegou a levar faixas em apoio à aliança.Outro tucano elogiou o jingle da campanha, tocado nas caixas de som dentro e fora do plenário da Assembléia, onde ocorreu a oficialização da candidatura. "Não temos que mudar/ Está andando direito/ Quero continuar/ É Kassab prefeito."Ex-tucana, hoje no PHS, Zulaiê Cobra anunciou seu apoio ao prefeito e recorreu a um dos expedientes usados por Alckmin. Lembrou de Mario Covas, morto em 2001. "Estou aqui representando um grande homem, que foi o Mario Covas."Kassab agradeceu nominalmente a presença dos tucanos, entre eles os vereadores Gilberto Natalini e Netinho e o vice-governador, Alberto Goldman. Segundo o prefeito, a aliança com o PSDB é indestrutível.Sem citar em nenhum momento a ex-ministra Marta Suplicy, pré-candidata do PT, Kassab atacou a "inapetência" e "incompetência administrativa" da gestão petista. "Vimos que para salvar a saúde e a educação não podíamos ficar na superficialidade. Não podíamos ficar no botox, contra a herança que recebemos", afirmou."Não podemos permitir que os responsáveis pelos problemas que enfrentamos ponham a perder tudo que construímos", completou o prefeito.No final do discurso de mais de 20 minutos, ele alfinetou Alckmin. "Todos sabem que não se trata de projeto pessoal [a candidatura]. E quem é político responsável sabe a importância de esquecer as vaidades e os projetos pessoais quando se trata de preservar alianças, agir com lealdade", afirmou.O presidente nacional do DEM, Rodrigo Maia, também fez questão de afirmar que a administração municipal é o "governo Serra/Kassab".Na saída do evento, no palco montado no estacionamento da Assembléia, Kassab discursou para militantes do DEM do PR, do PV, tucanos e do PMDB. Somente o vereador Milton Leite (DEM), disponibilizou três ônibus para levar pessoas da região da Capela do Socorro.À tarde, os vereadores tucanos e delegados pró-Kassab se reuniram e decidiram manter a proposta de aliança. Eles têm até terça-feira para inscrever a tese para a convenção.

Governo prepara mudanças na mineração

Por Valdo Cruz e Sheila D'Amorim
na Folha de São Paulo

De olho na disparada dos preços das commodities minerais no mercado internacional e na falta de fertilizantes no país -que tem contribuído para a alta dos alimentos-, o governo Lula vai propor um novo marco regulatório no setor de mineração para tentar aumentar a produção brasileira.O ministro Edison Lobão (Minas e Energia), responsável pelos estudos, adiantou à Folha que as mudanças serão acompanhadas de um aumento da tributação sobre a exploração de minerais no país, medida polêmica que, antes mesmo de sair do papel, já provoca críticas no setor.Além disso, o governo pretende regulamentar a extração mineral em terras indígenas, permitir que empresas estrangeiras atuem na faixa de fronteira brasileira e estabelecer regras que evitem que empresas não explorem as minas existentes e, ainda assim, mantenham as concessões.Segundo o ministro, o novo marco regulatório que o governo pretende criar terá dois objetivos: aumentar os investimentos no setor, principalmente na busca de novas jazidas, e garantir que o país tenha maior acesso à riqueza gerada pela mineração, ou seja, fazer com que as empresas contribuam mais pela exploração de reservas. A previsão atual é que sejam investidos no setor de mineração US$ 32 bilhões nos próximos cinco anos, fora petróleo e gás."A tributação média no setor de mineração, exceto petróleo e gás, é de 14%. Já a Petrobras paga 65%. Essa situação não pode prosseguir. O país tem de participar dessa riqueza no setor mineral", diz Lobão, lembrando que o preço do minério de ferro subiu num único ano mais de 65%.Dados oficiais indicam que, enquanto os royalties da área petrolífera renderam ao setor público R$ 54,693 bilhões de 2004 a 2007, a compensação financeira pela exploração de minerais rendeu no mesmo período R$ 1,74 bilhão.O deputado José Fernando Aparecido de Oliveira (PV-MG), defensor do aumento da tributação na Câmara dos Deputados, destaca que a Vale e a Petrobras têm atualmente uma lucratividade muito semelhante, só que a primeira "paga muito menos tributos pela exploração das nossas riquezas do que a segunda"."Nos últimos anos, cuidamos muito da pesquisa de petróleo, mas deixamos em segundo plano outros minerais", afirma Lobão, revelando ainda que o governo fará um novo levantamento geológico na região amazônica para conhecer o potencial mineral local.
Mapeamento
Segundo dados do Ministério de Minas e Energia, apenas 10% do território nacional tem mapeamento geológico oficial suficiente para atrair recursos, resultado do baixo investimento no setor de pesquisa nos últimos 20 anos. Na região amazônica, esse índice é ainda menor: apenas 2%."Sem um levantamento moderno do nosso potencial mineral, como vamos atrair investimentos para o setor?", indaga Lobão, lembrando que países como Estados Unidos e Canadá têm mapeamento geológico que cobre de forma satisfatória os respectivos territórios.Na Amazônia, há um vazio cartográfico que abrange toda a região norte dos Estados do Amazonas e do Pará e o sul de Roraima e do Amapá, numa extensão de 1,8 milhão de quilômetros quadrados. Para suprir essa deficiência, o governo decidiu fazer uma nova carta terrestre, náutica e geológica dessa área.Cerca de R$ 180 milhões serão destinados até 2010 para o mapeamento geológico dessa região, visando descobrir novos potenciais minerais na Amazônia. Apesar do baixo conhecimento de seus recursos minerais, a Amazônia Legal responde por 26% da produção de minério de ferro do país, mais de 55% da de alumínio e 43% da de manganês, de acordo com os dados do governo.O tema mineração foi discutido na mais recente reunião ministerial. O presidente Lula havia pedido à área econômica e ao ministro Reinhold Stephanes (Agricultura) que buscassem soluções para tentar minimizar o impacto da alta dos alimentos no mercado internacional na inflação brasileira.Na apresentação, Stephanes destacou o peso dos fertilizantes na produção agrícola e, depois, disse que a solução deve vir de uma ação do governo. Na reunião foi sugerida a criação de uma empresa em parceria com a Petrobras e a Vale para cuidar especificamente de fertilizantes -a exemplo do que o país já teve no passado com a Fosfertil, privatizada em 1993.Lobão foi encarregado pelo presidente de montar um grupo de trabalho com as duas empresas para encontrar uma solução para a falta de minerais utilizados na fabricação de fertilizantes, como nitrogênio, potássio e fosfato.