quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Jornalista admite à PF que encomendou dados fiscais

Por Leonardo Souza
na Folha

O jornalista Amaury Ribeiro Jr., ligado ao chamado "grupo de inteligência" da pré-campanha de Dilma Rousseff (PT), reconheceu em depoimento à Polícia Federal que encomendou dados de dirigentes tucanos e familiares de José Serra (PSDB), como a Folha revelou ontem.
Amaury nega que tenha pedido documentos fiscais sigilosos. Porém, todos os alvos do jornalista tiveram seus dados violados em duas agências da Receita Federal em São Paulo.
Os dados foram parar no dossiê que circulou na pré-campanha de Dilma, como a Folha mostrou em junho.
Para a PF, não há dúvida de que foi Amaury quem comprou as declarações de imposto de renda, pelas quais pagou R$ 12 mil.
A polícia agora investiga se alguém o contratou para fazer isso.
Quando os documentos foram incluídos no dossiê, já neste ano, o jornalista atuava para o "grupo de inteligência" do comitê de pré-campanha de Dilma. Sua estadia na capital era paga por integrantes do PT.
Mas, quando houve a violação dos sigilos, em outubro de 2009, Amaury mantinha vínculo empregatício com o jornal "Estado de Minas".
O PT atribui ao diário mineiro proximidade política com o ex-governador tucano Aécio Neves, eleito senador.
O jornalista não disse à PF se recebeu orientação de políticos do PSDB de Minas para levar adiante a "pesquisa". Nem se a encomenda foi do próprio jornal.
No depoimento, ele afirmou que iniciou a apuração ao descobrir que o deputado Marcelo Itagiba (PSDB-RJ), ligado a Serra, estaria reunindo munição contra Aécio.
No período, Serra e Aécio disputavam a indicação do partido para a candidatura à Presidência.
Amaury não deixa claro, porém, se recebeu ordens ou se iniciou a apuração por conta própria.
Ele desconversou quando questionado se pagou pelos dados -o que seria admitir um crime. Em nota, reiterou que "jamais pagaria" por informações sigilosas "de qualquer cidadão".
O despachante Dirceu Rodrigues Garcia, porém, declarou à PF que o jornalista pagou R$ 12 mil em dinheiro vivo pelas informações.
Segundo o delegado Alessandro Moretti, Amaury afirmou que todas as despesas relacionadas a seu trabalho, como as viagens de Brasília a São Paulo para buscar os dados, foram custeadas pelo jornal "Estado de Minas".
Amaury, no entanto, atribuiu a uma ala do PT o vazamento dos dados para a imprensa. Segundo ele, uma ala do partido disputava o controle de contratos da campanha petista.
Amaury contou à PF que petistas roubaram os dados de seu computador num quarto de hotel em Brasília.
Segundo a PF, Amaury deixou "Estado de Minas" no mesmo mês em que os dados dos tucanos foram violados -outubro de 2009.
O jornalista até aqui nega que estivesse trabalhando para a campanha do PT. Mas ele participou de reunião do "grupo de inteligência" em 20 de abril deste ano, num restaurante de Brasília.
Na época, o responsável pela comunicação da pré-campanha de Dilma era o jornalista Luiz Lanzetta, que participou do encontro.
Em entrevista ao portal G1, em junho, Lanzetta disse que havia uma disputa de poder no PT envolvendo um grupo ligado à ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy (2001-2004) e o grupo comandado pelo ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

OS BURUCUTUS DO PETRALHISMO ESTÃO A SOLTA

"Eles vão apanhar nas ruas e nas urnas". Quem disse essa frase? José Dirceu num comício em 1998. Naquele ano, o então governador Mário Covas foi alvo da covardia petralha. Ele enfrentou grevistas que queriam agredi-lo. Quase levou uma cadeirada na cabeça. A frase de Dirceu dita há mais de dez anos ecoa na cabeça vazia dos petralhas de plantão.
Se ontem foi Mário Covas hoje foi José Serra. O candidato tucano foi alvo da ira petralha hoje no Rio de Janeiro.
Os burucutos do petralhismo estão a solta. Quem deu pilha? José Dirceu ensina o que fazer desde 1998.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Apuração sobre Erenice só sai após eleição

Por Simone Iglesias
na Folha

A Casa Civil irá divulgar só após a eleição o resultado de sindicância interna aberta para investigar tráfico de influência de servidores ligados a Israel Guerra, filho da ex-ministra Erenice Guerra.
Erenice, braço direito no governo da candidata petista Dilma Rousseff, deixou o comando da Casa Civil em setembro. Após a revista "Veja" revelar que Israel integrava um esquema de lobby, a Folha mostrou que um empresário o acusou de cobrar dinheiro para obter liberação de empréstimo no BNDES.
Dois amigos de Israel, Vinícius de Castro e Stevan Knezevic, lotados na Casa Civil, são apontados como integrantes do esquema.
Vinícius chegou a agendar uma reunião na Casa Civil em novembro de 2009 com empresários interessados em projetos com o governo. Dois deles, Rubnei Quícoli e o sócio da empresa EDRB, Aldo Wagner, disseram à Folha que Erenice estava na reunião. O governo confirma a audiência, mas nega que Erenice tenha participado.
A "Veja" já havia publicado que Israel Guerra intercedeu pela empresa MTA Linhas Aéreas para a obtenção de um contrato com os Correios mediante taxa de "êxito". Outra reportagem da revista diz que Vinicius teria recebido R$ 200 mil como comissão referente à venda de um remédio junto à União. O dinheiro estaria em uma gaveta dentro da Casa Civil.
Uma comissão integrada por três servidores de carreira foi então formada em 17 de setembro para investigar a atuação dos servidores. O prazo para apurar as denúncias venceu anteontem.
Um portaria publicada no "Diário Oficial" prorrogou por mais 30 dias os trabalhos da comissão. Segundo a assessoria de imprensa da Casa Civil, a mudança ocorreu porque a comissão não concluiu a apuração do caso.
A Folha questionou a Casa Civil sobre a sindicância e quem foram as pessoas ouvidas até agora. A assessoria não respondeu, alegando que o trabalho é "sigiloso".
O resultado será apresentado ao interino da Casa Civil, Carlos Eduardo Esteves Lima, e a ele caberá decidir o que será feito da investigação e se ela será divulgada ou se as conclusões serão mantidas sob sigilo. Dependendo do que descobrir, a investigação pode atingir Erenice.
A Casa Civil negou motivação eleitoral para prorrogar a sindicância e disse que é praxe que as investigações internas durem 60 dias. A assessoria disse que ainda poderá haver mais uma prorrogação de 30 dias, dependendo da evolução das investigações.
Ontem, a Comissão de Ética Pública da Presidência também se reuniria para analisar processo sobre envolvimento de Erenice em tráfico de influência, mas o encontro foi cancelado por falta de quorum. Na mais recente reunião da comissão, foi aplicada uma censura pública à ex-ministra por ter cometido falta ética.

BB e Petrobras custeiam revista da CUT pró-Dilma

Por Silvio Navarro
na Folha

Proibida de circular pela Justiça Eleitoral pelo conteúdo favorável à campanha de Dilma Rousseff (PT), a edição deste mês da "Revista do Brasil", vinculada à CUT (Central Única do Trabalhador), teve anúncios pagos por Petrobras e Banco do Brasil.
A estatal e o banco confirmam que são anunciantes da revista, mas se recusaram a informar o valor repassado.
Ontem, o ministro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) Joelson Dias determinou a interrupção da circulação da revista, cuja tiragem é de 360 mil exemplares mensais.
O responsável pela publicação, Paulo Salvador, disse, porém, que todas as revistas já foram distribuídas.
O entendimento do ministro é que a publicação faz defesa aberta da candidatura de Dilma. Pela Lei Eleitoral, sindicatos não podem contribuir direta ou indiretamente com campanhas políticas.
A decisão atende a um pedido da coligação de José Serra (PSDB). O mesmo ministro do TSE aplicou multa a Serra e ao diretório tucano na Bahia em julho por propaganda antecipada em maio.
Diz o TSE: "A representante noticia e traz elementos que demonstram a divulgação, por entidade sindical, ou criada por sindicatos, de mensagens de conteúdo aparentemente eleitoral, em publicações que distribuem e também em seus sítios na internet, o que, ao menos em tese, configuraria violação ao inciso da Lei Eleitoral".
A edição barrada traz uma foto de Dilma na capa sob o título "A vez de Dilma - o país está bem perto de seguir mudando para melhor".
Há, inclusive, foto de Dilma cumprimentando Marina Silva (PV) em evento com o presidente Lula. Também inclui reportagem sobre a derrota de oposicionistas da "velha guarda" no Senado.
Em meio à atual polêmica religiosa, a edição traz o bispo de Jales (SP), dom Demétrio Valentini, enaltecendo Lula e lembrando que Dilma é sua candidata.
A despeito da decisão do TSE, o conteúdo da revista estava na internet ontem.
O "conselho diretivo" da revista é formado por dirigentes da CUT e filiados ao PT, como o presidente da central, Artur Henrique, e Maria Izabel Noronha, a Bebel, que comandou greve de professores contra Serra.
A revista é produzida pela Editora Gráfica Atitude, administrada em rodízio pelos presidentes em exercício do Sindicato dos Metalúrgicos e do Sindicato dos Bancários.
Já estiveram à frente da empresa, por exemplo, o deputado estadual eleito Luiz Cláudio Marcolino (PT), aliado do deputado federal Ricardo Berzoini (PT), e o vice-presidente da CUT, José Lopez Feijóo, membro do "Conselhão" do governo federal.

domingo, 17 de outubro de 2010

Paulo Preto e privatizações

Hoje tem debate presidencial na Rede TV. Já até imagino os temas que Dona Laquestoff vai abordar. Dois com certeza estarão na ponta da agulha da petista: Paulo Preto e as privatizações.

sábado, 16 de outubro de 2010

"Borat Rousseff" por Diogo Mainardi

Se Borat tem o potássio, Dilma Rousseff tem o pré-sal. Um é igual ao outro. Da mesma maneira que Dilma Rousseff louva nossas reservas de petróleo do pré-sal, Borat louva as reservas de potássio de seu país. Para estimular o sentimento nacionalista do eleitorado, Dilma Rousseff pode até tentar adaptar o hino de Borat:

O Brasil é um país glorioso!

É o exportador número um do pré-sal.

O resto da América do Sul tem um pré-sal inferior

O pai de Dilma Rousseff nasceu em Gabrovo, na Bulgária. O vilarejo romeno de Glod está localizado ali perto. Foi em Glod que Sacha Baron Cohen filmou Borat. Se o pai de Dilma Rousseff tivesse permanecido na Bulgária, a atual candidata a presidente do Brasil, com um tantinho de sorte, poderia ter sido uma das protagonistas do filme, exatamente como Spiridom Ciorebea.

Spiridom Ciorebea é um dos moradores de Glod. Sacha Baron Cohen escalou-o para o papel de Livamuka Sakonov, o aborteiro do vilarejo de Borat. Spiridom Ciorebea acabou processando os autores do filme. Assim como Dilma Rousseff, ele recusou-se a aceitar que o caracterizassem como um fautor do aborto. Assim como Dilma Rousseff, ele foi desmentido publicamente e perdeu o processo.

Borat é sempre acompanhado por Azamat Bagatov, seu produtor, que foi treinado no Ministério da Propaganda soviético. Dilma Rousseff é sempre acompanhada por José Eduardo Dutra, presidente do PT. Recentemente, José Eduardo Dutra disse que o debate sobre o aborto pertence à Idade Média. O que pertence à modernidade, para o PT, é a Casa Civil de Erenice Guerra e de seu filho Israel.

Israel? Borat, em sua viagem aos Estados Unidos, tenta comprar uma pistola para se proteger dos judeus. Impossibilitado de comprar uma pistola, resolve comprar um urso. O urso de Dilma Rousseff é Mahmoud Ahmadinejad, o ditador iraniano que prometeu resolver o problema dos judeus, riscando Israel do mapa.

Na hierarquia de Borat, Deus ocupa o primeiro lugar. Depois: o homem, o cavalo, o cachorro, a mulher, o rato e o inseto. Na hierarquia de Dilma Rousseff, Deus era um retardatário, mas durante a campanha eleitoral Ele foi empurrado rapidamente para a frente, ultrapassando até mesmo o inseto e o rato.

Borat abandona a mulher e os filhos em seu vilarejo e, depois de tentar raptar a playmate Pamela Anderson, arruma outra mulher nos Estados Unidos. Nesse ponto, seu caso é semelhante ao do pai de Dilma Rousseff. Quando saiu de Gabrovo, ele abandonou sua mulher, grávida de oito meses, e casou-se novamente no Brasil.

Dilma Rousseff conta com o apoio de Oscar Niemeyer, Chico Buarque e Fernando Morais. Borat, por sua vez, conta com o apoio de Urkin, o estuprador de seu vilarejo.

O Brasil é um país glorioso! Borat para presidente!

Preconceito contra Dilma? Conta outra

Lula disse que os ricos tem preconceito e medo da Dona Laquestoff. É mesmo? Vamos ver quem está doando dinheiro para campanha dela. Com certeza tem muito rico na lista.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Será que ela topa?

Dilma Rostock segue o roteiro neste segundo turno: detonar o governo Fernando Henrique Cardoso levando José Serra junto. Segundo a propaganda petista, o governo FHC foi o pior de todos os tempos. Será que foi pior que o governo Sarney? Será que foi pior que o governo Collor? Dilma está perto destes, como posso dizer, "estadistas" e pode muito bem fazer a comparação.
Não vou ficar enrolando muito aqui. Queria fazer um desafio para a Dona Laquestoff. Será que ela topa rejeitar as alianças com todos os políticos que a apoiam hoje e que apoiaram o governo Fernando Henrique Cardoso? Ora, o discurso dela ficaria muito mais coerente se ela desse um pé na bunda de Michel Temer. O vice dela foi aliado de FHC. Como pode Dilma Laquestoff fazer tantas críticas à FHC se o vice dela assinava embaixo todos os feitos do governo tucano? Não é só Michel Temer que apoiou FHC. Jader Barbalho, Renan Canalheiros (este foi até ministro de FHC), Romero Jucá (este era um dos líderes de FHC no Congresso e ajudou a enterrar os infinitos pedidos de CPI vindos do PT quando este era oposição).
Dilma Laquestoff precisa deixar de ser hipócrita e praticar o que ela diz (e olha que eu nem meti o dedo no tema religião, hein?). Se ela fala que FHC afundou o Brasil por que não rompe relações com aliados dela que foram aliados de FHC e apoiaram todos os atos do governo tucano?
Como viram, é muito simples apontar as mentiras, as contradições, as enganações do discurso petralha. Resta saber se José Serra vai deixar Dilma Laquestoff difundir a idéia de que o governo FHC foi um desastre e que ele afundou junto.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

O que assombra Dilma

Acabo de ler o texto que segue abaixo no blog do Augusto Nunes. Se José Serra começar a bater forte na tecla Sarney e Collor perto da Dilma Rostock é capaz dela partir "pros tapas":

No debate transmitido pela Band, José Serra brandiu por poucos segundos a arma que, acionada com firmeza e pontaria, liquidará de vez a aventura de Dilma Rousseff: o confronto entre os ex-presidentes que apoiam cada candidato. O palanque da sucessora que Lula inventou é assombrado por José Sarney e Fernando Collor. A campanha da oposição tem Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso.

Sarney conduziu o país à falência com o Plano Cruzado, levou a inflação às nuvens e saiu do Planalto pela porta dos fundos. Fora o resto. Collor conseguiu catapultar os índices inflacionários para o espaço sideral, apadrinhou uma quadrilha federal só igualada em gula e desfaçatez pelo bando do mensalão e foi despejado do Planalto por ter desonrado o cargo. Fora o resto.

Itamar Franco resgatou a nação da UTI e lançou o Plano Real. Fernando Henrique sepultou a inflação para sempre, modernizou o país com a privatização de mamutes estatais, enquadrou os perdulários malandros com a Lei de Responsabilidade Fiscal e consolidou as diretrizes da política econômica que Lula, por instinto de sobrevivência, cuidou de manter intocadas. Com tamanho zelo que nomeou para o comando do Banco Central, em 2003, o deputado federal Henrique Meirelles, eleito pelo PSDB de Goiás.

O Brasil, ensinou Ivan Lessa, esquece a cada 15 anos o que aconteceu nos 15 anos anteriores. E milhões de jovens nem conheceram o país atormentado pela inflação medonha e agredido pelo primitivismo das estatais devastadas pela inépcia e pela corrução. Alguns programas eleitorais e debates na TV bastarão para recordar aos amnésicos crônicos como foram os governos de Sarney e Collor — e descrever didaticamente para as novas gerações o inferno de que se livraram graças aos governos de Itamar e FHC.

Collor e Sarney simbolizam o antigo, o coronelismo de terno e gravata, a roubalheira federal anabolizada pelo turbilhão inflacionário. Itamar e Fernando Henrique representam o país que pensa e presta. Dilma quer falar do passado? Seja feita a sua vontade. Os eleitores aprenderão que Lula, depois de malbaratar as safras plantadas pelos dois antecessores que apoiam Serra, pretende alojar no Planalto uma fraude que reverencia a dupla que arruinou o Brasil.

Imprensa só é boa quando favorece Dilma e o PT

A Folha de hoje fala de Paulo Vieira de Souza, ex-diretor de Engenharia da Dersa. Ele foi citado por Dilma Rostock durante o debate da Band. Ela disse que Souza fugiu com R$ 4 milhões da campanha tucana. Na reportagem, Paulo Vieira exige que Dilma apresente provas e que José Serra o defenda.
Quem denunciou a tal fuga de grana na campanha do PSDB foi a revista Isto É.
Dilma disse, por meio de sua assessoria, que as referências foram publicadas pela imprensa e que são de conhecimento público. Ah, é? Interessante! Quando a imprensa denuncia alguma coisa no ninho tucano não vejo ninguém criticando a imprensa, não vejo Lula acusando a imprensa de ser um partido. Quando a denúncia pode render alguns pontinhos para Dilma Rostock a imprensa é boa, merece citação já no primeiro debate na televisão. Mas se a imprensa denuncia as tretas da ex-assessora de Dilma na Casa Civil aí é o fim do mundo. Imprensa boa para o petismo é aquela que acusa o adversário.
Franklin Martins disse recentemente que a liberdade de imprensa não garante uma imprensa boa. Depois dessa reportagem da revista Isto É ele vai rever seus conceitos.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Eles estão descontrolados

É impressão minha ou os petistas estão descontrolados? A propaganda do PT mostrou trechos do debate na Band ontem. Mostrou Dilma Laquestoff atacando as privatizações, os feitos do governo FHC e, como não poderia deixar de ser, se fez de vítima na polêmica sobre o aborto. A Dona Laquestoff tá possessa de raiva. Não sei se essa agressividade vai dar resultado, mas que demonstra um certo desespero do PT isso demonstra. Demonstra que eles estão descontrolados.

Sobre o debate

Assisti ao debate da TV Bandeirantes ontem. José Serra e Dilma Rousseff decidiram deixar o clima "paz e amor" nos bastidores e partiram para o ataque. Dilma estava muito nervosa, já Serra estava mais tranquilo. Não sei se a estratégia do ataque vai render alguma coisa para Dilma.
Claro que as privatizações seriam abordadas. Dilma criticou as privatizações realizadas no governo FHC. Serra defendeu as privatizações e disse que o PT fez o mesmo. Ufa! Pensei que o Serra fosse vestir uma jaqueta com os logotipos das estatais e deixar Dilma atacar. Fez bem em defender o que foi bom para o Brasil. Graças às privatizações que temos telefone celular.
Acho que falta a Serra se valorizar mais. Quando Dilma detonava a administração tucana em São Paulo Serra deveria ter dito que, se a administração tucana era tão ruim por que Geraldo Alckmin fora eleito governador já no primeiro turno? Aliás, o próprio Serra foi eleito no primeiro turno para governador em 2006.
Falaram sobre o aborto. Dilma ainda não explicou pra gente se ela é realmente contra ou a favor. Ela disse que era a favor num debate realizado pela Folha de São Paulo em 2007. Três anos depois ela fala que é contra. Vai entender.
O debate demonstrou que o clima esquentou. Vamos ver no que vai dar. Vamos analisar também. Acho que Serra foi melhor no debate. Resta saber se ele vai aguentar a pressão vindo do lado de lá.

domingo, 10 de outubro de 2010

Outro blog bom

Aí ao lado tem a lista de alguns blogs que este blogueiro acompanha. Segue mais uma sugestão: http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/ É o blog do Augusto Nunes. O cara é bom.

Eles na TV

Assisti ao primeiro programa eleitoral do segundo turno. O programa do José Serra melhorou. Finalmente o PSDB percebeu que aquele negócio de "fiz-em-são-paulo-vou-fazer-no-brasil" não dá certo. Geraldo Alckmin tentou fazer isso em 2006 e perdeu para Lula. O programa tucano, depois de 8 anos, resolveu mostrar Fernando Henrique Cardoso, valorizar o Plano Real e mostrar que Lula deu continuidade à política econômica do governo FHC. Que demora, hein? Vamos ver o desenrolar da propaganda. Se brincar o Serra pode voltar a dizer "fiz-em-são-paulo-vou-fazer-no-brasil".
O programa de Dilma Rousseff tentou mostrar que ela saiu fortalecida depois do primeiro turno. Falou da quantidade de votos recebidos. E, como não poderia deixar de ser, fez comparações entre o governo Lula e o governo FHC. Para os petistas, FHC governou só para os ricos. Pois é. Só não falaram o recorde de lucros dos banqueiros no governo Lula. E olha que o Lula sempre falou mal dos banqueiros quando era opositor. Imagina o que ele faria se elogiasse?
Vamos ver o desenrolar desta história. Vamos acompanhar. Não vamos fazer o que os diretores dos institutos de pesquisa fizeram durante o primeiro turno. É melhor acompanhar, analisar do que se fazer de Mãe Diná das eleições.

sábado, 2 de outubro de 2010

"Agora, Mozart!" por Diogo Mainardi

Demi Moore tem um Toto. Brad Pitt tem um Toto. Madonna tem um Toto. Leonardo DiCaprio tem um Toto. Nesta semana, imitei-os e também encomendei um Toto.

O que é Toto? Toto é um vaso sanitário. Mais exatamente: Toto é uma marca japonesa de vasos sanitários. O modelo que encomendei foi o Neorest 550. Uma reportagem da revista Barron’s apelidou-o de “Maserati do encanamento”. Para mim, foi a reportagem do ano.

O Neorest 550 tem a tampa aquecida. Segundo a Barron’s, Whoopi Goldberg, que mandou instalar vasos sanitários da Toto em seus seis banheiros, aprecia particularmente essa característica. A tampa sobe e desce automaticamente. E se higieniza depois de cada uso. Para abafar os sons provenientes do banheiro, o Neorest 550 toca Mozart. Enquanto isso, um catalisador se encarrega de eliminar os odores mais repulsivos.

O motivo que me levou a encomendar o Neorest 550, porém, foi outro. Ele possui um mecanismo interno que, acionado por con-trole remoto, funciona como um bidê, borrifando água morna do centro, da parte dianteira e da parte traseira. Em seguida, um jato de ar quente enxuga a área umedecida. Tito, meu menino mais ve-lho, tem uma série de impedimentos motores, mas faz quase tudo sozinho, exceto ir ao banheiro. Com o Toto, Tito poderá superar também essa barreira.

Nos últimos oito anos, publiquei um monte de artigos sobre Lula. A partir deste domingo, com a escolha de um novo presidente, ele ficará para trás. Nunca mais terei de citar seu nome. Nunca mais precisarei saber o que ele diz. Poderei me dedicar a temas menos passageiros, como o vaso sanitário da Toto.

Pessoalmente, meu interesse por Lula sempre foi nulo. Em 2002, quando foi eleito pela primeira vez, eu o via como um gordinho oportunista. Agora, em 2010, depois de dois mandatos sucessivos, continuo a vê-lo da mesma maneira: como um gordinho oportunista. Entre Lula e o vaso sanitário da Toto, interesso-me muito mais pelo vaso sanitário da Toto. Se o maior mérito de Lula, reconhecido por todos, foi ter evitado mexer na economia, posso garantir que o vaso sanitário da Toto, em seu lugar, teria mexido ainda menos. E teria tocado Mozart para abafar os sons provenientes do PT.

Mas, assim como Lula aparelhou a Anac, ele aparelhou também, por longo tempo, minha coluna. Semanalmente, ao abrir a gaveta de minha escrivaninha, eu me surpreendia com o que encontrava e dizia: “Caraca, mais um aparentado de Erenice Guerra está escondido aqui dentro!”. E, em vez de escrever sobre o vaso sanitário da Toto, acabava escrevendo outro artigo sobre Lula.

Neste domingo, Lula tentará eleger uma aparentada de Erenice Guerra como sua sucessora. Será seu ato final. Depois disso, acabou. Escrevo seu nome pela última vez em minha vida: Lula. E agora? Agora, Mozart!

terça-feira, 21 de setembro de 2010

"Pega água lá"

Não estou assistindo às propagandas políticas na televisão. Mas ontem, enquanto jantava, assisti algumas partes. Ontem foi dia dos candidatos ao governo fazerem suas promessas que nunca serão realizadas.
Vi Iris Rezende conversando com Lula. Os dois tentaram parecer amigos de infância, como se fossem aliados de muitos anos. Lula vive criticando o governo anterior, não é mesmo? Mas Iris Rezende foi ministro da Justiça do governo anterior. Será que Lula sabia disso? Acho que não. Lula e seus petralhas nunca sabem de nada. Aliás, meses atrás Lula esteve em Goiânia e nem citou Iris Rezende como seu candidato por estas terras. Teceu vários elogios à Henrique Meirelles. Iris foi tão ofuscado que Lula o confundiu com um garçom quando disse para o então prefeito de Goiânia: "Pega água lá". Vai ver, depois da conversa entre Lula e Iris mostrada ontem, o primeiro deve ter dito ao segundo: "Pega água lá".

Cidinho é o FHC de Vanderlan

O Diário da Manhã de hoje nos mostra que o governador Alcides Rodrigues é uma espécie de Fernando Henrique Cardoso da campanha de Vanderlan Cardoso (PR). Cidinho não é mostrado. Das poucas propagandas que vi do candidato que se diz governista (o slogan dele é "Goiás no rumo certo") não vi Alcides Rodrigues pedindo votos para Vanderlan ou Vanderlan dizendo que, se eleito, vai continuar a fazer tudo aquilo que Cidinho fez. Alcides virou Fernando Henrique Cardoso: deve ser escondido, é nome amaldiçoado e se pronunciado deve bater três vezes na madeira. Assim como o tucano José Serra esconde FHC da sua campanha, Vanderlan esconde Cidinho.

sábado, 18 de setembro de 2010

O hino do blog

Em tempos de Lula, Dilma, Erenice, Dirceu e petralhadas nada melhor que o hino deste blog, Metal contra as nuvens da Legião Urbana:

Não sou escravo de ninguém
Ninguém, senhor do meu domínio
Sei o que devo defender
E, por valor eu tenho
E temo o que agora se desfaz.

Viajamos sete léguas
Por entre abismos e florestas
Por Deus nunca me vi tão só
É a própria fé o que destrói
Estes são dias desleais.

Eu sou metal, raio, relâmpago e trovão
Eu sou metal, eu sou o ouro em seu brasão
Eu sou metal, me sabe o sopro do dragão.

Reconheço meu pesar
Quando tudo é traição,
O que venho encontrar
É a virtude em outras mãos.

Minha terra é a terra que é minha
E sempre será
Minha terra tem a lua, tem estrelas
E sempre terá.

Quase acreditei na sua promessa
E o que vejo é fome e destruição
Perdi a minha sela e a minha espada
Perdi o meu castelo e minha princesa.

Quase acreditei, quase acreditei

E, por honra, se existir verdade
Existem os tolos e existe o ladrão
E há quem se alimente do que é roubo
Mas vou guardar o meu tesouro
Caso você esteja mentindo.

Olha o sopro do dragão...

É a verdade o que assombra
O descaso que condena,
A estupidez, o que destrói

Eu vejo tudo que se foi
E o que não existe mais
Tenho os sentidos já dormentes,
O corpo quer, a alma entende.

Esta é a terra-de-ninguém
Sei que devo resistir
Eu quero a espada em minhas mãos.

Eu sou metal, raio, relâmpago e trovão
Eu sou metal, eu sou o ouro em seu brasão
Eu sou metal, me sabe o sopro do dragão.

Não me entrego sem lutar
Tenho, ainda, coração
Não aprendi a me render
Que caia o inimigo então.

- Tudo passa, tudo passará...

E nossa história não estará pelo avesso
Assim, sem final feliz.
Teremos coisas bonitas pra contar.

E até lá, vamos viver
Temos muito ainda por fazer
Não olhe pra trás
Apenas começamos.
O mundo começa agora
Apenas começamos.

domingo, 5 de setembro de 2010

A herança do lulismo é a ilegalidade

Vergonhosa, asquerosa, nojenta. Eis as definições para a quebra do sigilo fiscal da filha de José Serra praticada por algum aloprado petralha escondido na folha de pagamento da Receita Federal. É apenas uma amostra do que o lulismo está fazendo no governo. Contra adversários eles armam dossiês, cometem falcatruas, rasgam a Constituição. E ainda contam com a benção de Lula. Este, aliás, quer jogar a culpa em Serra. Não só Lula como o PT. A priori, os petralhas disseram que foi a própria filha do candidato tucano que pediu seus dados à Receita. Depois nós vemos a mentira caindo quando a procuração que seria de Verônica Serra era falsa.
Para beneficiar Lula e seus aliados, os aloprados petralhas são capazes de tudo. Em 2006 as garras deles foram flagradas pela Polícia Federal quando tentavam comprar um dossiê falso contra José Serra. Quatro anos depois nós vemos os mesmos aloprados em ação, mostrando que o fato ocorrido quatro anos antes em nada interferiu em suas atividades ilegais. Eles continuaram usando a máquina pública em favor do partido. Enquanto Lula continuar aplaudindo seus aloprados a máquina pública continuará sendo usada para produzir dossiês, acessar dados sigilosos de forma ilegal.
E a herança que Lula vai deixar é a ilegalidade. Tudo é permitido para beneficiar aliados até quebrando sigilo fiscal da filha do candidato a oposição. Os aloprados de 2006 estão soltos. Quem me garante que os aloprados de 2010 irão para a cadeia? Enquanto Lula passar a mão na cabeça deles não haverá punição. E sem punição a Constituição continuará sendo rasgada por aloprados que fazem seus serviços sujos a mando do chefe.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Lula e a imprensa (outra vez)

Sei não, mas caso Dilma Rousseff seja eleita presidente da República, a imprensa vai penar. Os petistas estão muito enfurecidos com ela. Até Franklin Martins atacou a imprensa.
Ontem, para variar, Lula desceu o sarrafo na imprensa. Disse ele: Eu acho que o empresariado aprendeu muito, o governo aprendeu muito, os sindicalistas aprenderam muito. Acho que a imprensa vai precisar aprender um pouco ainda, porque eu nunca vi gostar tanto de notícia ruim.
Notícia ruim? Ora essa, seu Lula! Veja a maneira como a imprensa tratou a sua candidata quando as pesquisas presidenciais começaram a ser divulgadas. Quando José Serra ainda liderava as pesquisas sempre os jornais falavam que Dilma Rousseff cresceria. Serra era líder, mas a manchete dizia que Dilma estava crescendo.
Mesmo quando a maré está favorável o petismo acha uma maneira, um momento para atacar a imprensa. Isso é muito ruim. Notícia boa ou notícia ruim, é isso que os jornais, as revistas, os sites, as televisões, as rádios devem noticiar. Lula quer uma imprensa ajoelhada, que só escreva e fale o que foi bom para ele, seu governo e seus aliados. Não conseguiu. Só faltava Dilma Rousseff vencer as eleições e Franklin Martins decretar uma medida que coloque a imprensa nos moldes do novo governo. Aí vai ser dose.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

E o PSDB não vai fazer nada?

O PT diz que vai processar José Serra por causa das declarações sobre a quebra de sigilo fiscal que alguns petralhas fizeram contra aliados do tucano. O PT processando Serra... Será que o PSDB nunca pensou em processar o PT pelas declarações contra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso? Tem horas que eu tenho dó do FHC. Ninguém o defende, nem o próprio partido.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Foi o Lula que disse

O Estadão online de hoje tem uma reportagem que merece atenção. Lula está melancólico. Sabe que seus dias de vida boa no Palácio do Planalto está acabando. Aí ele solta uma das suas. Lula disse que queria mais alguns anos de mandato. Ai que dó dele.
Lembro de vários petistas e aliados dos petistas pedirem para alterar a Constituição e permitir que Lula disputasse um terceiro mandato. Lula negou. O PT dizia que era coisa da imprensa e da oposição (os alvos de sempre). Hoje Lula desmente as argumentações petistas. Ele queria sim ficar mais tempo no poder. Segue abaixo a reportagem do Estadão online e toda a melancolia lulista por deixar a vida boa no Palácio do Planalto.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva "lamentou" não ter mandado ao Congresso uma emenda à Constituição que lhe permitisse aumentar o seu mandato na Presidência da República. "Está certo que está no final do mandato, mas junto com esta lei complementar podia ter mandado uma emendinha para mais alguns anos de mandato", disse ele, ao sancionar alterações na Lei Complementar 97, que amplia os poderes do Ministro da Defesa e estende à Marinha e à Aeronáutica o poder de polícia nas fronteiras, que apenas o Exército possuía.

Em seu primeiro discurso na primeira cerimônia realizada na volta ao Palácio do Planalto, Lula falou ainda do seu "arrependimento" de não ter comprado um maior, ou talvez dois aviões do tipo Airbus A-319, como o adquirido, por causa do tamanho das delegações de empresários que costuma levar em suas viagens pelo mundo para ampliar os negócios com o Brasil. "Hoje eu sei que precisava", prosseguiu Lula, no discurso de improviso.

O presidente brincou ainda com os comandantes militares ao agradecer a cooperação e a compreensão deles no entendimento da necessidade de modificações na legislação. Brincou porque chamou todos de "companheiros", lembrando que, se tivesse mais um ano de governo, daqui a pouco estaria chamando-os de "camaradas", expressão usada pelos comunistas ao se dirigir aos seus colegas.

CPI da Câmara do DF recomenda indiciamento de 22 pessoas

No G1

A conclusão da CPI da Codeplan, da Câmara Legislativa do Distrito Federal, sugere ao Ministério Público o indiciamento de 22 pessoas, entre elas os ex-governadores José Roberto Arruda e Joaquim Roriz e o ex-vice Paulo Octávio, por pagamentos sem contrato, dispensa de licitações, superfaturamento de preços, entre outras irregularidades.

Procurado pela TV Globo, Arruda não foi encontrado. Paulo Octávio disse que só responderá depois que tiver acesso ao relatório. Roriz afirmou que os contratos foram firmados no governo do PT.

O relatório da CPI tem 98 páginas onde o suposto esquema de corrupção é detalhado com base nas investigações da Polícia Federal, nos depoimentos prestados ao Ministério Público Federal e à CPI. Leia mais aqui.

Comentário

Pois é. O PT sempre diz que o seu mensalão é uma invenção da imprensa. Imagine se José Roberto Arruda, chefe do mensalão do DEMO, disser que tudo isso que está aí na reportagem é uma armação da imprensa golpista? Tudo que é ruim para o PT a culpa é da imprensa, da elite e da oposição. Tudo que é ruim para a oposição (e logicamente bom para o PT) merece apoio, investigação e punição aos culpados. Pobre do José Roberto Arruda que não tem ninguém para teorizar suas sujeiras como o PT tem espalhado em tantos lugares.

É tudo culpa da imprensa

Já sei! Já sei! É tudo culpa da imprensa, não é mesmo? A reportagem abaixo, publicada no Estadão online, mostra como os aloprados petistas usam a máquina pública para o bem do partido. Eles fizeram isso em 2006 e fazem agora em 2010.
É simplesmente nojento ler os comentários que seguem abaixo da reportagem. É a baba petralha sendo expelida a todo momento. Baba contra a imprensa, é claro! Foi algum jornalista que fez a funcionária da Receita Federal repassar a senha para quem não devia. Se dependesse de Franklin Martins nós nem saberíamos desta notícia.

Mais aloprados do que nunca

Por Leandro Colon e Rui Nogueira
no Estadão online

Investigação interna da Receita Federal revela que acessos suspeitos aos sigilos fiscais de adversários do PT foram além do manuseio dos dados do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge. Os documentos mostram que, no mesmo dia, de um mesmo computador e em sequência, servidores do Fisco abriram os dados sigilosos de Eduardo Jorge e de mais três pessoas ligadas ao alto comando do PSDB. São elas: Luiz Carlos Mendonça de Barros, Ricardo Sérgio de Oliveira e Gregório Marin Preciado.

O Estado teve acesso a informações do processo aberto pela Corregedoria da Receita para saber quem acessou e por que os dados de Eduardo Jorge foram abertos em terminais da delegacia da Receita Federal em Mauá (SP). Essas informações foram parar num dossiê que teria sido montado por integrantes do comitê de campanha da candidata à Presidência Dilma Rousseff (PT). A oposição acusa funcionários do governo de violarem os sigilos fiscais de tucanos para fabricar dossiês na campanha eleitoral.

Os dados da investigação revelam que as declarações de renda de Eduardo Jorge e dos outros três tucanos foram acessadas do mesmo computador, por uma única senha, entre 12h27 e 12h43 do dia 8 de outubro do ano passado. O terminal usado foi a da servidora Adeilda Ferreira Leão dos Santos. A senha era de Antonia Aparecida Rodrigues dos Santos Neves Silva. Às 12h27, foi aberta a declaração de renda de 2009 de Mendonça de Barros, ex-ministro das Comunicações do governo de Fernando Henrique Cardoso. Três minutos depois, às 12h30, acessaram os dados do empresário Gregorio Marin Preciado, casado com uma prima de José Serra. Às 12h31, a declaração de Renda de Ricardo Sérgio foi aberta. Ele é ex-diretor do Banco do Brasil no governo FHC. Às 12h43m41s daquele mesmo dia, o mesmo terminal acessou a declaração de renda de 2009 de Eduardo Jorge. Quatorze segundos depois, os dados referentes a 2008 foram abertos por um servidor da Receita.

Os nomes dos tucanos foram destacados pela própria investigação da Receita Federal, como "contribuintes que despertaram interesse na apuração". O trabalho de apuração da Receita compreendeu os acessos ocorridos naquela delegacia entre 3 de agosto e 7 de dezembro de 2009. Em depoimento à corregedoria da Receita, as duas funcionárias negam envolvimento na abertura desses dados. Dona da senha usada, Antonia Aparecida alega que repassou o código a outras duas colegas e que não sabe quem fez essas consultas.

"Já ganhou!" "Já ganhou!"

A imprensa "dilmou" de vez. Já falam que os aliados do PT querem mais fatias do bolo. Ela nem venceu as eleições ainda. O clima de "Já ganhou!" extrapolou os comitês petistas e invadiu as redações.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

O PT É CONTRA A IMPRENSA LIVRE

Abaixo está uma reportagem da Folha de São Paulo que prova de uma vez por todas que o PT odeia a liberdade de imprensa. Franklin Martins em estado puro. Segue abaixo:

Em discurso ao lado do presidente Lula, o ministro Franklin Martins (Comunicação Social) criticou a imprensa e disse que os jornais e emissoras de TV vão perder o controle sobre as notícias levadas à opinião pública.
Eles participaram ontem do lançamento da TVT, do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. A cerimônia reuniu cinco ministros em clima de campanha para a presidenciável Dilma Rousseff (PT), que não compareceu.
Franklin disse que o canal ajudará a internet a quebrar o poder dos "aquários", jargão que identifica a chefia das redações dos grandes veículos nacionais. "Isso é uma revolução e incomoda muita gente que ficava no Olimpo. Mas é irreversível, e está apenas começando".
O diretor do sindicato, Valter Sanches, disse ter planos ambiciosos para competir com as grandes redes: "Queremos fazer jornalismo investigativo de fato, sem atender interesses políticos".
O sindicato é filiado à CUT (Central Única dos Trabalhadores), ligada ao PT.
A TVT estreia com uma hora e meia de produção própria no canal 46 UHF na Grande SP, em outros dez Estados e na internet.
Em discurso lido, Lula disse que a emissora evita que os trabalhadores "continuem impedidos de exercer a liberdade de expressão". "O brasileiro sabe distinguir o que é informação e o que é distorção dos fatos", disse.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

A imprensa continua dilmista

Estou lendo a Folha de São Paulo. Parece que Dilma Rousseff já venceu as eleições. Uma reportagem fala que ela vai fazer um ajuste fiscal no primeiro ano de governo. Outra fala que ela já discute com Lula os ministérios e tenta conter a fome do PMDB por mais cargos no governo. Mais dilmista impossível.

sábado, 21 de agosto de 2010

Eles conseguiram piorar as coisas

Dilma Rousseff já ganhou as eleições? Não! Mas para a rede petralha sim. As eleições só vão ocorrer no dia 3 de outubro e ainda estamos no dia 21 de agosto. A recente pesquisa DataFolha mostra que a distância entre Dilma e José Serra aumentou para 17 pontos. A campanha que Lula fez para Dilma iniciada ainda em 2007 está dando efeito.
As coisas estão feias para o PSDB. Os tucanos conseguiram me convencer que é possível fazer uma campanha presidencial pior que a de Geraldo Alckmin em 2006. Serra usar Lula em sua campanha foi o fim. Foi apelação. Serra ataca e depois exalta Lula. Que oposição é essa? Tem horas que eu fico meio na dúvida sobre quem é oposição ao lulismo. Não tem ninguém.
Dilma ainda não ganhou, mas disparou nas pesquisas de intenções de voto. Do jeito que as coisas estão feias para os tucanos é bem capaz de Serra dizer no seu programa eleitoral que ele é o verdadeiro candidato de Lula.

"Sai o Silva e entra o Boécio" por Diogo Mainardi

Michel Temer é melhor do que Dilma Rousseff. Comecei a pensar assim dois meses atrás, depois de ver o resultado de uma pesquisa do Ibope. Se Boécio, encarcerado na cidade de Pavia, no ano de 523, consolou-se com a Filosofia, eu só posso consolar-me com Michel Temer. Melhor dizendo, só posso consolar-me com a hipótese meramente especulativa de que o candidato a vice-presidente na chapa governista, Michel Temer, herde nos próximos anos o cargo de Dilma Rousseff.

A Filosofia materializou-se na cela de Boécio como uma “mulher de aspecto venerável, com os olhos brilhantes e penetrantes”. Nos últimos tempos, foi dessa maneira que Michel Temer se materializou diante de mim, com aqueles seus olhos opacos e broncos. Um Michel Temer prosopopeico. Um Michel Temer aristotélico. Um Michel Temer com o pi grego bordado na veste. Depois de se consolar com a Filosofia, Boécio foi executado com um instrumento que lhe esmagou a caixa craniana. Os petistas costumam esmagar minha caixa craniana praticamente todos os dias.

O fato de me consolar com Michel Temer foi um sinal de que eu tinha de mudar de ares urgentemente. Por sorte, era o que eu vinha programando desde meados do ano passado, quando Dilma Rousseff ainda estava empacada nas pesquisas eleitorais. Duas semanas atrás, finalmente pude arrumar as malas e partir. Os petistas comemoraram dizendo que fugi do Brasil porque estava com medo de ser preso. Na realidade, eu só fugi do Brasil porque estava com medo de minha mulher, que comanda meus movimentos. Mas os petistas vislumbram a vitória de Dilma Rousseff como uma vitória do bolivarianismo, em que qualquer jornalista mais impertinente poderá ser preso. E quem é que promete deter esse bolivarianismo, em seus encontros com empresários e jornalistas? Ele mesmo: Michel Temer, o Boécio da Camargo Corrêa.

Se Dilma Rousseff for eleita, sofreremos um processo de esmagamento craniano. O Brasil já teve presidentes intelectualmente, moralmente e politicamente despreparados para o cargo. Nunca, porém, teve alguém como Dilma Rousseff. A Filosofia, para Boécio, era uma maneira de resistir às hordas bárbaras, preservando a sabedoria dos antigos. Desoladamente, só posso resistir às hordas bolivarianas preservando a sabedoria de Michel Temer, de José Sarney, de Renan Calheiros, de Jader Barbalho, de Fernando Collor de Mello e de Boécio. Fiz até um jingle para a campanha, que tem tudo para pegar. Cante comigo: “Sai o Silva e entra o Boécio”.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Era só o que faltava

Pronto! Era só o que faltava. José Serra usando imagem de Lula em sua propaganda eleitoral. Eu pensava que o PSDB tinha chegado ao fundo do poço depois da campanha pífia de Geraldo Alckmin em 2006. Eu até escrevi aqui que era impossível fazer uma campanha tão ruim como aquela. E não é que os tucanos me surpreenderam?
Peraí! Serra é candidato da situação ou da oposição? Até agora não sei de que lado ele está. Tem horas que ele critica o governo e tem horas que ele usa o Apedeuta como coadjuvante? Realmente não dá para entender. Parece que quando a coisa tá ruim para o lado do PSDB sempre pode piorar mais. E não é o adversário que ajuda a piorar, é o próprio ninho tucano que colabora.

Analista do fisco diz que deu senha a colega

Por Andrea Michael
na Folha

Investigada por acessar sem motivação o sigilo fiscal do dirigente tucano Eduardo Jorge, a analista tributária Antonia Aparecida Rodrigues dos Santos Silva afirmou em depoimento ter entregue sua senha a pelo menos duas colegas do escritório de Mauá (SP) do Fisco.
No depoimento, ao qual a Folha teve acesso, Antonia disse ter compartilhado os dados confidencias para que as colegas a ajudassem, devido ao excesso de trabalho.
Adeilda Ferreira, dona da máquina em que foi acessando o IR do tucano, e Ana Maria Caroto confirmaram ter recebido da colega a senha -com a qual têm acesso a dados de contribuintes.

RASCUNHO
Adeilda afirmou que deixou um papel com a senha da colega em cima de um bloco do tipo "risque rabisque", para rascunhos, em tese ao alcance de outros servidores.
Também afirmou que a senha foi anotada em uma agenda deixada sobre sua mesa de trabalho.
As declarações de que as senhas eram tratadas com desleixo podem dificultar a conclusão das investigações internas do Fisco e a apuração de responsáveis.
Em junho, a Folha revelou que cópia do Imposto de Renda do político constava de dossiê montado pelo "grupo de inteligência" que atuou na pré-campanha da petista Dilma Rousseff.
O sindicato da categoria, responsável pela defesa de Antonia, disse que reafirma sua confiança nela, que nega a quebra do sigilo.
Marcelo Panzardi, advogado de Adeilda, afirmou que a "a vulnerabilidade é do sistema, e se transforma numa falha que também coloca o servidor sob suspeita".
O advogado de Ana Maria Caroto não foi localizado.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Eles e a imprensa

Dilma Rousseff e José Serra estiveram no Rio de Janeiro hoje participando do 8º Congresso Brasileiro de Jornais. Os dois falaram sobre liberdade de imprensa.
Dilma e o PT só falam de liberdade de imprensa da boca para fora. A realidade é totalmente outra. Eles querem não uma imprensa de bico calado, mas sim uma imprensa que diga e que escreva apenas o que eles querem ou o que vai dar algum resultado bom para eles. Eles não querem críticas, querem elogios.
Pergunta pra Dilma se ela condena as atitudes arbitrárias de Hugo Chávez na Colômbia contra a imprensa? Pergunta pra Dilma se ela apóia a liberdade de imprensa em Cuba? Quando os amiguinhos deles censuram a imprensa ele ficam calados. Como as eleições estão chegando e é muito bonito falar de liberdade de imprensa aparece a Dilma dizendo que quer uma imprensa livre.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Eles na TV

Vi a propaganda dos candidatos a presidência na TV. José Serra começou exaltando os seus feitos como ministro, prefeito e governador de São Paulo. Disse que vai ampliar no Brasil o que ele fez em terras paulistanas. Sei não, mas achei meio forçado a visita do Serra na casa dos beneficiados pelos seus programas sociais.
Depois veio os radicais de esquerda que ainda acreditam que o socialismo ainda existem e que só uma revolução vai mudar estêpaiz. No dia que eles reconhecerem os crimes cometidos por Fidel, Mao e Stálin eu prometo que paro para ouvir o que eles dizem.
Dilma Rousseff começou seu programa da noite lá no Chuí. Lula falou de Porto Velho. Será que Lula estava mesmo na capital de Roraima? Tinhas cenas que pareciam montagem. Assim como Serra exaltou seus feitos em São Paulo, Dilma exaltou o que Lula fez no Brasil. Lula falou também, é claro. Disse que Dilma foi a chefe do seu governo. É, ela só foi Chefe da Casa Civil depois da queda de José Dirceu no auge do mensalão. Lula não tinha uma coroa e sim o cara. O cara do Lula era o Dirceu. Mas para que falar do Zé, não é mesmo? Deixem que o PSDB falem sobre isso.
A campanha presidencial na TV pode ser dividida assim: aqueles que querem fazer no país inteiro o que fizeram um dia como ministro, como prefeito e como governador e aqueles que acham que o Muro de Berlim ainda está de pé e que a foice e o martelo vão guiar os rumos destêpaiz.
PS: Esqueci da Marina Silva. Como toda Verde ela falou sobre as alterações na Terra e... só!

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Amanhã começa

Amanhã começa a campanha eleitoral na TV e no rádio. Sim, eu vou assistir e comentar aqui.

domingo, 15 de agosto de 2010

É LULA APOIANDO COLLOR, É COLLOR APOIANDO DILMA

Por Bernardo Mello Franco
na Folha

"Não se esqueçam deste nome: Dilma Rousseff presidenta, número 13 na cabeça! Obrigado, minha gente!"
Foi assim, misturando o velho bordão às novas alianças, que o senador Fernando Collor (PTB) encerrou comício para cerca de mil pessoas em Feira Grande (AL), a primeira de cinco cidades que visitaria na sexta-feira.
Ele quer voltar ao governo alagoano 21 anos após renunciar para concorrer ao Planalto. Para isso, tenta apagar o passado e colar sua imagem na do ex-desafeto Luiz Inácio Lula da Silva e em sua candidata.
"Lula vai encerrar o mandato como o melhor presidente que o Brasil já teve", disse a uma rádio, na quarta-feira. "Sou candidato do presidente Lula, da ministra Dilma e do governo federal."
Na versão de Collor, o petista teria adotado a cartilha que o levou ao poder. "Continuo na mesma posição, com as ideias que defendi em 1989", sustenta.
Como o PT alagoano está coligado ao PDT de Ronaldo Lessa, o Tribunal Regional Eleitoral proibiu o jingle "É Lula apoiando Collor, é Collor apoiando Dilma".
Ele mandou regravar o trecho com uma mensagem subliminar: "Não adianta, o povo sabe quem tá apoiando quem, o povo tá decidido e vai apoiar também".
Desde o início da campanha, Collor só anda com um adesivo de Dilma no peito direito. No esquerdo, exibia um broche com a imagem de Nossa Senhora Aparecida.
O resto do figurino lembrava os tempos da Presidência: Rolex de ouro, calça Ralph Lauren, camisa Tommy Hilfiger e tênis Nike para percorrer as ruas de barro de mãos dadas com Caroline, 28 anos mais nova.
Rejeitado pela classe média de Maceió, o senador aposta nos grotões, onde ainda é recebido como popstar. Em Feira Grande, o povo se acotovelou num campo de futebol para assistir à sua chegada, de helicóptero.
Desembarcou de punhos cerrados e desceu em disparada para a praça, seguido por populares. Militantes pagas pelo prefeito Fabinho do Chico da Granja (PTB) agitavam bandeiras por R$ 20.
Collor discursou na escadaria da igreja. Em 21 minutos, prometeu escola, asfalto, merenda, ambulância e lares para idosos. Atacou "a ladroagem e a sem-vergonhice" e ameaçou esmagar bandidos "que atormentam a família alagoana" com "o peso da minha munheca".
A seu lado, a ex-prefeita de Arapiraca (AL) Célia Rocha definiu o governo estadual como "primeiro passo" para voltar ao Planalto.
Ele não nega o plano. "Depende das circunstâncias e do destino que Deus reserva", disse, dois dias antes.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Petralhada tá que tá

Dizem que a imprensa é golpista, não é mesmo? Ontem eu estava zapeando por alguns sites e vi uma saraivada de críticas ao Jornal Nacional por causa das entrevistas com os candidatos a presidência. Entrevista completa só assisti a da Dilma Rousseff. Do José Serra vi só alguns lances. As entrevistas da Marina Silva e do Plínio Arruda Sampaio não vi.

Não sei porquê a petralhada tá que tá? William Bonner e Fátima Bernardes foram agressivos com Dilma Rousseff? Queriam o que? Os dois só não perguntaram para Dilma sobre o mensalão. Serra e Marina tiveram que responder. Ou seja, a candidata do governo não responde sobre o maior escândalo deste governo e do Brasil e ainda dizem que ela foi perseguida.

Aí, como sempre, tem aquela galera que adora ver teoria da conspiração em tudo. Dizem que Bonner e Fátima facilitaram para Serra. Mentira! Serra foi apertado como as outras candidatas. Bonner não deixou Serra concluir as considerações finais porque o tempo estava mais do que estourado. Aliás, se o Jornal Nacional está apoiando Serra, então Dona Lily Marinho, viúva de Roberto Marinho, tinha que dar um puxão de orelha nos seus filhos. Ela tá com Dilma e ninguém mais.

Querem ver que, se Dilma Rousseff vencer estas eleições, vai ter petralha dizendo que a mídia perdeu de novo (ela teria perdido em 2006 quando Lula foi reeleito). Se Paulo Henrique Amorim entrevistas José Serra e Dilma Rousseff queria ver quem ele apertaria mais e queria ver também se alguém iria dizer sobre manipulação.

Serra é ou não é oposição?

Quem bateu em Lula nesta campanha? Ninguém! Todos os candidatos, de uma forma ou de outra, fizeram rasgados elogios à ele ou preferem se omitir. Parece que o lulismo é uma perfeição, não contém erros e deve ser assim por muitos e muitos anos.

Não vi nenhum candidato que se diz oposicionista criticando a perseguição do lulismo e do PT à imprensa. Não vi José Serra cobrando de Dilma Rousseff uma posição clara sobre o famigerado Programa Nacional de Direitos Humanos. Não vi José Serra questionando Dilma sobre os usos e abusos do governo, sobre ilegalidades, sobre deboches à Constituição.

Não assisti ao debate da Band ontem com os candidatos ao governo de São Paulo, mas os sites de notícia dizem que o tucano Geraldo Alckmin criticou o governo Lula. Pois é. Criticou quatro anos depois porque quando Alckmin era candidato a presidente não apertou Lula contra a parede (e olha que ele teve motivos: mensalão, dossiê, caos aéreo). José Serra está repetindo o mesmo erro de Alckmin: não assumir sua posição de oposicionista. Quer uma continuidade que não é uma continuidade.

Os tucanos não se posicionam sobre outro assunto: o que fazer com Fernando Henrique Cardoso? O PT está muito mais preocupado com o ex-presidente do que os próprios tucanos. Por que até agora Serra não pegou os números positivos dos oito anos de mandato de FHC e contrapôs com os números positivos do governo Lula apresentados por Dilma? Por que este medo de apresentar ex-presidente e relembrar o que ele fez? Sim, a economia hoje vai bem porque Lula deixou de lado as trapalhadas esquerdopatas que ele prometia fazer e assumiu a linha adotada pelo governo anterior. Imaginem o Brasil seguindo a cartilha petista de uns anos atrás?

A campanha oficial na TV ainda não começou. Dilma segue o roteiro traçado por Lula. Serra mantém os números nas pesquisas, mas repete os mesmos erros de Geraldo Alckmin em 2006: não tem uma posição definida. Só faltava a campanha tucana ser mais morna que a das eleições presidenciais passadas. Será que o PSDB consegue tal façanha? Aí Lula terá mais um fato a comemorar: nenhum candidato a presidente desde 2003 bateu nele.

Dilma na frente, Serra atrás

DataFolha de hoje mostra Dilma Rousseff na frente de José Serra. Ela com 41% e ele com 33%. Os petralhas devem estar soltando rojões de felicidades. Mas eu não acho que a batalha está vencido. Deve dar segundo turno pau a pau.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

"Um pouco mais de gentileza"?

Lula comentou a entrevista de Dilma Rousseff no Jornal Nacional anteontem. Para ele, sua candidata deveria ser tratado com "um pouco mais de gentileza". Vai ver Lula queria que Willian Bonner e Fátima Bernardes passassem a mão na cabeça de Dilma.
A primeira entrevista do telejornal global com os presidenciáveis causou muitas discussões. Eu achei correta. Candidato tem que ser tratado a tapas e pontapés. Tem que ser questionado em todos os pontos, sobre todos os ângulos.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Dilma com Canalheiros, Barbalho, Sarney e Collor

Assisti ontem à entrevista de Dilma Rousseff no Jornal Nacional. Willian Bonner perguntou sobre as alianças petistas que envolviam José Sarney, Fernando Collor de Melo, Renan Canalheiros e Jader Barbalho. Dilma não respondeu diretamente sobre estes larápios da política brasileira, mas concordou com o apoio deles.
Interessante. Dilma vive criticando o governo Fernando Henrique, mas ela se esquece que os aliados de FHC são os aliados dela hoje. O vice de Dilma, Michel Temer, foi presidente da Câmara na era FHC. Ou seja, eles ratificaram as decisões do governo do PSDB.
O PT não tem vergonha dos seus aliados. É com eles que Dilma quer governar o Brasil. Se ontem eles protagonizaram escândalos políticos cabeludos pode ter certeza que Dilma terá muita dor de cabeça com eles caso vença as eleições. E não adianta Dilma dizer que não sabia de nada ou que foi enganada. Quem responde no Jornal Nacional que o PT amadureceu ao fazer alianças com José Sarney, Fernando Collor de Melo, Renan Canalheiros e Jader Barbalho sabe muito bem com quem está se aliado e o que está dizendo em horário nobre.

domingo, 8 de agosto de 2010

Podres poderes terrenos

Editorial do Jornal Opção

Bra­sí­lia, ter­ça-fei­ra, 3. O can­di­da­to a vi­ce na cha­pa de Dil­ma Rous­seff (PT) e pre­si­den­te da Câ­ma­ra dos De­pu­ta­dos, Mi­chel Te­mer (PMDB), li­de­ra um al­mo­ço com par­la­men­ta­res da ba­se ali­a­da e mi­nis­tros do go­ver­no Lu­la. A re­u­ni­ão é fe­cha­da, sem a pre­sen­ça de jor­na­lis­tas. Mas há tan­ta gen­te (na ca­sa do se­na­dor Gim Ar­gel­lo — PTB/DF), que é pre­ci­so usar um mi­cro­fo­ne. É daí que vi­e­ram as no­tí­cias so­bre o que se pas­sou. Com ares sa­cer­do­tais, Te­mer diz a fra­se mais quen­te da se­ma­na: “Não que­re­mos par­ti­lhar ape­nas o pão. Que­re­mos par­ti­lhar o go­ver­no de Dil­ma”. Uma sal­va de pal­mas sa­ú­da o que po­de ser con­si­de­ra­do mar­co ini­ci­al do gran­de lo­te­a­men­to já aber­to em Bra­sí­lia.

Nin­guém du­vi­da de que se­ria fer­re­nha a dis­pu­ta sub­ter­râ­nea por es­pa­ços na even­tual ad­mi­nis­tra­ção da pe­tis­ta. Só não con­ta­vam com um fla­gran­te des­ses, já de­vi­da­men­te “mi­ni­mi­za­do” por Te­mer. Um fla­gran­te que re­ve­la uma si­tu­a­ção só ago­ra le­va­da a sé­rio pe­los ana­lis­tas po­lí­ti­cos: um even­tual go­ver­no Dil­ma jun­ta­ria a fo­me com a von­ta­de de co­mer. Pa­ra li­dar com a fo­me de seus ali­a­dos, a pu­pi­la de Lu­la não te­ria o ne­ces­sá­rio pul­so de le­gi­ti­mi­da­de elei­to­ral que seu mes­tre sem­pre te­ve. A ad­mi­nis­tra­ção da pe­tis­ta es­ta­ria fa­tal­men­te à mer­cê do fi­si­o­lo­gis­mo de uma co­a­li­zão mon­ta­da so­bre con­ve­niên­cias e mé­to­dos ex­pli­ci­ta­dos pe­lo ex-par­cei­ro Ro­ber­to Jef­fer­son ain­da em 2005. In­vo­can­do po­dres po­de­res ter­re­nos, o ato de fé de Te­mer (ao con­cla­mar seus pa­res a di­vi­dir o bu­tim an­tes mes­mo do jo­go co­me­çar de fa­to) faz tre­mer qual­quer ci­da­dão de bem. E não pe­lo vi­sí­vel sal­to al­to, mas pe­la ní­ti­da sen­sa­ção de que eles tu­do po­dem.
Comentário
Não tiro nenhuma palavra do editorial do jornal. A base lulista está de salto alto achando que a eleição está vencida. E olha que nem começou a campanha na TV e no rádio. Está mais claro do que nunca que um possível governo Dilma teremos além das mãos de Lula, as mãos de Michel Temer, José Sarney, Renan Canalheiros. Quem vai governar o Brasil caso Dilma seja eleita vai ser Lula e os esfomeados do PMDB.

Com licença médica, Joaquim Barbosa vai a festa de amigos e a bar em Brasília

No Estadão

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, que está de licença por recomendação médica, alegando que tem um "problema crônico na coluna" e, por isso, enfrenta dificuldade para despachar e estar presente aos julgamentos no plenário do STF, não tem problemas para marcar presença em festas de amigos ou se encontrar com eles em um conhecido restaurante-bar de Brasília.Na tarde de sábado (ontem), a reportagem do Estado encontrou o ministro e uns amigos no bar do Mercado Municipal, um point da Asa Sul. Na noite de sexta-feira, ele esteve numa festa de aniversário, no Lago Sul, na presença de advogados e magistrados que vivem em Brasília.

Joaquim Barbosa está em licença médica desde 26 abril. Se cumprir todos os dias da mais nova licença, ele vai ficar 127 dias fora do STF, só neste ano. Em 2007, ele esteve dois dias de licença. Em 2008, ficou outros 66 dias licenciado. Ano passado pegou mais um mês de licença. Advogados e colegas de tribunal reclamam que os processos estão parados no gabinete do ministro.

Processos estocados. Neste sábado, a reportagem do Estado aproximou-se da mesa onde Barbosa estava no Bar Municipal. O ministro demonstrou insatisfação e disse que não daria entrevista. Em seguida, entretanto, passou a criticar um texto publicado pelo jornal no último dia 5 intitulado "Licenças de Barbosa emperram o Supremo".

No texto havia a informação de que Barbosa é o campeão de processos estocados no STF, apesar de ter sido poupado das distribuições nos meses em que ficou em licença. De acordo com estatísticas do tribunal, tramitam sob a sua relatoria 13.193 processos, incluindo os que estão no Ministério Público Federal para parecer. O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante Júnior, disse que o STF deveria encontrar uma solução para os processos que estão parados e que essa saída poderia ser a redistribuição das ações.

De acordo com Barbosa, o jornal tinha publicado uma "leviandade". O ministro afirmou que a reportagem foi usada por um grupo de pessoas que, segundo ele, quer a sua saída do STF. "Mas eu vou continuar no tribunal", disse, irritado. Ele afirmou que não é verdade que as suas licenças emperram os trabalhos da Corte. O ministro reclamou que não foi procurado pela reportagem para se manifestar sobre as queixas feitas por advogados e colegas de STF por causa de suas licenças médicas. Ministros do Supremo chegaram a dizer que se Barbosa não tem condições de trabalhar deveria se aposentar.

"Você não me procurou", disse. A verdade é que o Estado só publicou a reportagem do último dia 5 depois de contatar um assessor do ministro. Esse funcionário disse que Barbosa não daria entrevista. Ao ser confrontado com essa informação, o ministro disse: "Você tinha de ter ligado para o meu celular". Depois, não quis mais falar.

Volta temporária. Na semana passada, o presidente do STF, Cezar Peluso, anunciou que Barbosa voltaria ao plenário da Corte. O regresso será, porém, temporário: é só para participar de um julgamento que diz respeito ao mensalão petista, processo do qual ele é relator, e outros casos em que a conclusão do julgamento depende do voto dele. O ministro participará desse julgamentos e retornará para a licença, para se tratar em São Paulo.

Entre os processos nas mãos de Barbosa está uma ação que discute se as empresas exportadoras de bens e serviços devem recolher ou não a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Na sessão da semana passada, o julgamento do processo foi interrompido porque o placar ficou empatado em 5 a 5. Caberá a Barbosa desempatar o julgamento.

De acordo com estatísticas disponíveis para assessores do tribunal, Barbosa é o campeão em processos no STF, apesar de ter sido poupado das distribuições nos meses em que ficou em licença. Tramitam sob sua relatoria 13.193 processos, incluindo os que estão na Procuradoria-Geral da República para parecer. Na outra ponta das estatísticas, Eros Grau, que se aposentou na segunda-feira, era o responsável por 3.515 processos em tramitação. Ao todo, estão em andamento no tribunal 92.936 ações.

Previ é fábrica de dossiê do PT, diz ex-diretor

Na Folha de São Paulo

Ex-diretor e ex-assessor da presidência da Previ (fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil), Gerardo Xavier Santiago diz que o fundo funciona como "fábrica de dossiês" contra a oposição do governo Lula e máquina de arrecadação para o PT.
Gerardo foi gerente-executivo da Previ entre 2003 e 2007, sendo ligado diretamente ao ex-presidente do fundo Sérgio Rosa, que deixou o cargo em junho de 2010. Gerardo saiu da Previ após brigar com Rosa em 2007, quando deixou o PT.
As declarações sobre a espionagem foram feitas à revista "Veja" desta semana. À revista ele afirma que o fundo é "um bunker de um grupo do PT" e que "a Previ está a serviço de um determinado grupo muito poderoso, comandado por Ricardo Berzoini, Sérgio Rosa, Luiz Gushiken e João Vaccari Neto".
Segundo revelou a Folha neste mês, um dossiê sobre a filha do ministro Guido Mantega foi feito por essa ala do PT, ligada ao sindicalismo bancário. O Planalto atribui o dossiê ao grupo de Rosa, que perdeu espaço na campanha de Dilma Rousseff.
"Estranharia se na minha época tivessem me pedido coisa semelhante contra o Mantega. Uma coisa é fazer com o adversário. É uma involução do PT por causa da disputa interna", afirmou Gerardo à Folha.
Ele também disse que concedeu a entrevista à "Veja" há dois anos e confirmou as acusações à revista nesta semana, antes da publicação.
O ex-diretor, que também já foi do Sindicato dos Bancários do Rio, disse à Folha que, além de montar dossiês, a Previ serviu a interesses do partido para aumentar a arrecadação. Segundo ele, a Previ montou uma rede de conselheiros ligados ao PT em empresas nas quais o fundo tem participação. A intenção era influenciar as doações das companhias para beneficiar o partido.
Santiago diz que o primeiro dossiê produzido por ele na Previ é de 2002, no governo FHC. O material deveria, diz ele, comprometer a gestão tucana e provar a ingerência do governo na Previ.
"Dossiês com conteúdo ofensivo, para atingir e desmoralizar adversários políticos, só no governo Lula mesmo, na gestão do Sérgio Rosa", diz o ex-diretor à "Veja".
Santiago lista os oposicionistas que teriam sido investigados com base em dados sigilosos, cujo acesso teria sido ordenado por Rosa: o senador Antônio Carlos Magalhães (DEM-BA), já morto, o governador José Serra (PSDB) e o então presidente do DEM Jorge Bornhausen.
O ex-diretor diz na entrevista que reuniu denúncias sobre eles em 2005, na CPI dos Correios, e que Rosa solicitou "informações sobre investimentos problemáticos da Previ que estivessem ligados a políticos da oposição".
O PT não se manifestou. A Previ disse que "a atual cúpula desconhece essa prática e está muito tranquila em relação a suas recentes práticas de governança". Rosa não comentou o assunto.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Peleguinhos em ação

Matéria que está na Folha de São Paulo de hoje assinada por José Ernesto Credendio

Grupos ligados ao MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e outros entidades de sem-terra do Pontal do Paranapanema (extremo oeste de São Paulo) iniciaram campanha em favor de Dilma Rousseff (PT).
Os sem-terra do Pontal espalharam bandeiras e distribuíram panfletos de apoio a ela. Oficialmente o MST não apoia nenhum candidato.
Grandes bandeiras do PT, ao lado de flâmulas do MST, foram colocadas na entrada de acampamentos e assentamentos no Pontal e na região de Araçatuba (SP).
Ontem, o líder sem terra José Rainha Jr. percorreu acampamentos para pregar pela petista e atacar o presidenciável tucano, José Serra.
Segundo Rainha, a campanha vai passar por cerca de 150 assentamentos e 70 acampamentos. "Estamos mostrando que o Serra, para a nossa região, só trouxe pedágio e presídio", disse.
Em um manifesto denominado "A Nossa Tarefa", entidades defendem Dilma como "companheira" e afirmam que o "único objetivo" é eleger a petista neste ano.
"Vamos transformar cada cidadão em um soldado desta campanha, é nosso dever é nossa obrigação, não podemos ficar esperando que a nossa candidata Dilma pronuncie sobre a Reforma Agrária... Dilma será a presidenta da continuidade de um governo operário nordestino, que a elite tanto combate", afirma o panfleto.
Além do MST, o papel cita os grupos sem terra MTST, MLST, Mast e Uniterra, além da CUT (Central Única dos Trabalhadores).

Comentário
Pois é. Já nem me lembro a quantidade de posta aqui no blog mostrando a pelegada em ação. Quando não é a UNE fazendo companha para Dilma Rustoff é a CUT. Quando não é a CUT fazendo campanha para Dilma Rustoff é o MST. Ou os três juntos pegam a bandeira do PT e pedem votos para Dilma.
Eles querem Dilma no poder para continuar mamando nas tetas estatais. Quer ver que, se José Serra vencer as eleições em outubro, a pelegada vai voltar a ocupar as ruas e pedir "um outro mundo possível"?

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Berzoini diz ter pedido apuração de dossiê

Por Lucas Ferraz
na Folha

Apontado pelo Palácio do Planalto como um dos suspeitos de produzir um dossiê contra o ministro Guido Mantega (Fazenda), o deputado federal Ricardo Berzoini (SP), ex-presidente do PT, divulgou ontem em seu blog uma carta em que se defende das acusações.
Ele diz ter procurado Mantega e pedido a ele uma investigação para apurar responsabilidades pela elaboração do material.
Conforme a Folha revelou ontem, o ministro da Fazenda foi alvo de um dossiê que o governo atribui a uma ala do PT egressa do sindicalismo bancário. O material acusa a filha do ministro, Marina Mantega, de suposto tráfico de influência dentro do Banco do Brasil -o que ela nega.
O objetivo era fazer com que Guido Mantega desistisse da nomeação de Paulo Caffarelli, vice-presidente do BB, para a presidência da Previ (fundo de pensão dos funcionários do banco), cujo patrimônio hoje soma cerca de R$ 150 bilhões.
Caffarelli acabou não nomeado, assim como o nome defendido para a Previ pelos petistas da área bancária.
"Recentemente, em conversa com o ministro Mantega, sobre outros assuntos de interesse da política econômica, comentei sobre a tal carta apócrifa. (...) Sugeri ao ministro que determinasse ao BB a abertura de sindicância interna para apurar eventual participação de funcionários do banco em sua elaboração", escreveu Berzoini em sua página na internet.
O deputado também nega que seu afastamento da campanha presidencial de Dilma Rousseff (PT) tenha relação com o episódio. "Gostaria de dedicar o ano de 2010 ao meu mandato", afirmou.
O atual presidente do PT, José Eduardo Dutra, confirmou que o dossiê, também nomeado por ele como "carta apócrifa", circulou em abril, como consta na reportagem da Folha. Ao analisar o caso, foi irônico. "Desde a novela "Direito de nascer" [exibida entre 1964-65], nunca uma carta anônima teve tanto destaque na imprensa."
Sobre o fogo amigo petista, o senador tucano Alvaro Dias (PR) afirmou que o PT estaria se especializando na elaboração de dossiês. "Quando se começa a esquecer o último, aparece outro."

domingo, 1 de agosto de 2010

Tô aqui!

Meus cinco leitores andam preocupados. Cadê meus posts?
Amanhã estarei de volta com força total!

sábado, 24 de julho de 2010

"Vou embora" por Diogo Mainardi

Fabiano, o retirante de Vidas Secas, é igual a um bicho. Graciliano Ramos compara-o a um cavalo. Ele compara-o também a um tatu, a um macaco, a um cachorro e a um pato. Se Fabiano é igual a um bicho, eu sou igual a Fabiano. Está lá, na primeira parte do romance:

“A sina [de Fabiano] era correr mundo, andar para cima e para baixo, à toa, como judeu errante. Um vagabundo empurrado pela seca. Achava-se ali de passagem, era hóspede. Sim senhor, hóspede que tomava amizade à casa, ao curral, ao chiqueiro das cabras”.

Oito anos depois de desembarcar no Rio de Janeiro, de passagem, estou indo embora. Um vagabundo empurrado pela vagabundagem. É uma sina: andar para cima e para baixo, à toa. Sim senhor, tomei amizade à cidade. O Rio de Janeiro — e, em particular, Ipanema, que me hospedou — tornou-se para mim um verdadeiro chiqueiro das cabras.

Os quatro protagonistas de Vidas Secas — Fabiano, Sinhá Vitória, o menino mais velho e o menino mais novo — vagam silenciosamente pela caatinga, “onde avultam as ossadas e o negrume dos urubus”. Quando o menino mais velho, sedento e faminto, cai na lama rachada, tomado por uma vertigem que o impede de dar um passo a mais, Fabiano diz:

— Anda, excomungado.

Eu, minha mulher, o menino mais velho e o menino mais novo vagamos rumorosamente pelos corredores desertos do aeroporto Tom Jobim, onde avultam as ossadas e o negrume da Air France. Quando o menino mais velho, que caminha com um andador, resolve empacar, recusando-se a dar um passo a mais, eu digo, sim senhor:

— Anda, excomungado.

Fabiano tem medo de ser preso. Eu também tenho medo de ser preso. Fabiano tinha uma cadela chamada Baleia. Eu vi uma baleia, algumas semanas atrás, no mar de Ipanema. Fabiano, para matar a fome, acaba comendo seu papagaio. Eu, antes de ir embora do Rio de Janeiro, tratei de comer todas as sobras da geladeira, inclusive um ovo de Páscoa coberto de bolor.

Nas primeiras linhas de Vidas Secas, Fabiano parte, sem saber para onde. Nas últimas linhas do romance, ele parte novamente, sonhando com “uma terra desconhecida e civilizada”, onde os meninos iriam para a escola e sua mulher nunca mais teria de lamber o focinho ensanguentado de uma cadela. Depois de comparar Fabiano a um cavalo, a um tatu, a um macaco, a um cachorro e a um pato, Graciliano Ramos, nos instantes finais, apieda-se e, bisonhamente, humaniza-o. Fabiano sonha em parar de andar para cima e para baixo, à toa. O que eu digo? Eu digo:

— Anda, excomungado.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

"Bandidos e poltrões" por Olavo de Carvalho

Os termos em que o sr. Presidente da República apelou a José Serra, pedindo-lhe que pare de tocar na ferida das ligações PT-Farc, são uma obra-prima de tartufismo como raramente se viu na história do teatro universal.

Em vez de negar peremptoriamente que aquelas ligações existem – o que seria muito temerário, dada a abundância de provas –, ele tentou sensibilizar o coração do candidato, exigindo dele a omissão cúmplice que, na iminência da revelação de crimes escabrosos, se esperaria de um velho companheiro de militância para quem a solidariedade mafiosa deve estar, segundo os cânones da moral presidencial, acima da verdade, acima do respeito aos eleitores, acima dos interesses da pátria, acima do bem e do mal.

A chantagem emocional é o mais velho recurso dos patifes apanhados de calças na mão, mas o sr. Presidente da República, mesmo sendo incapaz de abster-se desse golpe baixo, poderia ao menos ter tido a decência de usá-lo em privado, em vez de mostrar em público, uma vez mais, que não tem o menor senso de moralidade.

O autor desse apelo abjeto assinou, em 2001, como presidente do Foro de São Paulo, um voto de solidariedade integral às Farc e outras organizações criminosas, e deu provas em cima de provas de que seu governo e seu partido vêm cumprindo o compromisso à risca. Recusar-se a qualificar essas organizações como terroristas e narcotraficantes, que é o que elas são com toda a evidência, já é prova de solidariedade. Somem a isto as mobilizações políticas montadas instantaneamente pelo PT e outras agremiações de esquerda para libertar qualquer membro daquelas quadrilhas que seja preso no território nacional; a participação de ministros do governo Lula na propaganda das Farc através da revista América Libre; a contínua colaboração entre Farc e PT na formulação da estratégia esquerdista continental através das assembléias e grupos de trabalho do Foro de São Paulo; a recusa obstinada de levar em consideração as descobertas do juiz federal Odilon de Oliveira, que apresentou provas cabais da parceria entre as Farc e quadrilhas locais de assassinos e seqüestradores (tornando-se por isso virtualmente um prisioneiro, enquanto os acusados continuam à solta); somem tudo isso e me digam se existe, além do instinto de autodefesa dos envolvidos na tramóia, alguma razão para não falar de ligações entre PT e Farc, entre PT e MIR, entre PT e ELN ou entre o PT e qualquer outra organização pertencente ao Foro de São Paulo.

Quanto ao próprio Foro, que, sob as bênçãos do nosso partido governante, continua todo mês gastando quantias consideráveis em viagens de centenas de seus membros entre as várias capitais latino-americanas, o sr. Lula seria, mesmo quando ainda candidato, o primeiro a ter a obrigação de esclarecer qual o estatuto legal da entidade e de onde vem o dinheiro que a sustenta. Como ninguém teve a coragem de lhe perguntar isso em 2002 nem em 2006, ele se sentiu livre para não dizer nada. Com o tempo, a licença para silenciar, que então lhe foi concedida como um favor pela polidez covarde dos seus adversários, da mídia, das classes empresariais, dos militares e de tutti quanti, tornou-se, na cabeça dele, um direito adquirido. É em nome desse direito imaginário que ele agora exige dos candidatos oposicionistas a gentileza da omissão cúmplice, mesmo quando essa gentileza arrisque, uma vez mais, tirar das mãos deles a arma da verdade e da justiça, a mais poderosa em qualquer eleição presidencial.

Está na hora de mostrar que esse direito nunca existiu, exceto como conjunção momentânea de interesses vis entre bandidos e poltrões.

Se o PT insistir em querer processar o candidato vice-presidencial Índio da Costa, o que este e José Serra têm a fazer para desmoralizar por completo a fanfarronada petista é muito simples:

1. Inserir no processo as atas completas das assembléias do Foro de São Paulo, a lista dos membros da entidade e a coleção das revistas America Libre. Isso já basta para comprovar a ligação que o PT desmente.

2. Inserir nos autos os dois discursos em que o sr. Lula reconhece, até com orgulho, o caráter secreto e clandestino das atividades do Foro de São Paulo.

3. Convocar o testemunho do juiz Federal Odilon de Oliveira, provando que o PT continuou a relacionar-se em bons termos com as Farc enquanto a Justiça Federal já tinha provas suficientes de que essa organização criminosa colaborava com quadrilhas locais empenhadas em matar cidadãos brasileiros a granel.

Façam isso e não apenas vencerão o processo e as eleições: conquistarão a gratidão de todos os brasileiros honrados.

Blogueira Yoani Sánchez é impedida de viajar ao Brasil

Na Folha

Yoani Sánchez afirmou ontem, no Twitter, não ter recebido permissão do governo cubano para vir ao Brasil. Ela deveria ir à Bahia para assistir ao documentário "Conexão Cuba Honduras", que estreará hoje.
Do ativista brasileiro Dado Galvão, o documentário conta histórias de blogueiros cubanos e hondurenhos perseguidos pela censura.
Ela disse que, mesmo com carta-convite de autoridades brasileiras e de estar com o passaporte em dia, o governo cubano não deu a permissão.
Em março, a blogueira escreveu uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pedindo que ele intercedesse junto ao regime cubano, mas não obteve resposta.

Venezuela rompe relação com Colômbia

Por Andrea Murta e Flávia Marreiro
na Folha de São Paulo

A Venezuela anunciou ontem o rompimento de relações diplomáticas com a Colômbia, pouco após Bogotá apresentar na Organização dos Estados Americanos, em Washington, supostas provas da acolhida a guerrilhas colombianas no país vizinho.
Caracas fechou a sua embaixada na capital da Colômbia e deu 72 horas para que o embaixador colombiano deixe o país. O Executivo convocou uma reunião de emergência do Conselho de Defesa Nacional da Venezuela para estudar o caso.
O presidente Hugo Chávez acusou o colombiano Álvaro Uribe de tentar provocar uma guerra entre os vizinhos, com histórico de crises recentes.
As supostas evidências são fotografias, vídeos e fotos aéreas com identificações de coordenadas feitas pelos colombianos para indicar locais onde creem haver acampamentos das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e do ELN (Exército de Libertação Nacional) em solo venezuelano.
Há cinco acampamentos -quatro das Farc e um do ELN- cujas coordenadas foram, segundo a Colômbia, confirmadas por grupos desmobilizados e por GPS. O governo crê haver atualmente de 20 a 39 acampamentos na Venezuela -ao longo dos anos, 87 já foram montados. Leia mais aqui.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Cadê Lula? Cadê Top-Top Garcia?

Estou lendo na Folha de São Paulo sobre a libertação de presos políticos que estavam em Cuba. Eles foram libertados depois de um acordo entre a Igreja Católia, Espanha e Cuba. Cadê Lula comentando a libertação de presos políticos de Cuba? Cadê Marco Aurélio Garcia, o assessor top-top-top? Eles não apareceram! Quando não podem colaborar para o sucesso dos irmãos Castro, os dois fogem como o diabo foge da cruz. Ah, se fosse para ajudar a maldita revolução cubana...
Cadê os humanistas brasileiros? Pois é.

LULA, O FORA DA LEI

Reportagem de hoje na Folha. Apesar das multas Lula continua desafiando a legislação eleitoral. Reportagem assinada por Simone Iglesias e Felipe Seligman.


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou sua candidata ao Planalto, Dilma Rousseff (PT), em evento oficial na sede do governo.
"A verdade é a seguinte: eu não posso deixar de dizer, aqui, que nós devemos o sucesso disto tudo que a gente está comemorando a uma mulher. Eu nem poderia falar o nome dela porque tem um processo eleitoral, mas a história a gente também não pode esconder por causa de eleição", afirmou Lula.
Em seguida, Lula disse: "A verdade é que a companheira Dilma Rousseff assumiu a responsabilidade de fazer esse TAV [trem-bala], e foi ela que cuidou, junto com a Miriam Belchior, junto com a Erenice [Guerra]. Não podemos negar isso", completou, no lançamento do edital do trem-bala, no Centro Cultural Banco do Brasil, sede da Presidência durante a reforma do Palácio do Planalto.
O presidente já recebeu seis multas no valor total de R$ 42,5 mil por fazer campanha antecipada para Dilma, mas é a primeira vez que Lula cita o nome da candidata em evento oficial após o registro da candidatura, que ocorreu no dia 5 passado.
Ontem, Lula também criticou indiretamente o adversário de Dilma, o tucano José Serra. Ao falar que o país precisa de mais engenheiros, disse: "Já tivemos em SP buraco de metrô (...)".
De acordo com advogados e ex-ministros do TSE ouvidos pela Folha, a atitude de Lula pode em tese ser caracterizada como abuso de poder político, ao utilizar a máquina pública para promover sua candidata. A punição é a inelegibilidade.
Os advogados avaliam porém, que é muito difícil que Lula e Dilma sejam punidos no caso. Isso porque o TSE entende que, além de irregular, a conduta de um agente público tem que ter a potencialidade de interferir no resultado do pleito.
Também ontem, o TSE divulgou que Dilma foi multada pela quarta vez por propaganda antecipada. A multa desta vez foi de R$ 6.000.