sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Selic não cairá, apostam especialistas

Por Ayr Aliski
no Jornal do Brasil

O Comitê de Política Monetária (Copom) não deve reduzir a taxa Selic, o juro básico da economia brasileira, na próxima reunião – que ocorre nos dias 28 e 29 de outubro – avaliam economistas. A Selic, principal instrumento de política monetária do governo, está atualmente no patamar de 13,75%.
O economista Bráulio Borges, da LCA Consultoria, avalia que eventuais alterações na Selic estarão diretamente associadas à taxa de câmbio. Ele acredita que o dólar voltará para cotações abaixo de R$ 2,00 dentro de pouco tempo. Ainda assim, não há previsão de queda da Selic.

Especulações

Anteontem, bancos centrais de sete países reduziram as taxas básicas de juros de suas economias em uma ação coordenada, e inédita, o que agitou o cenário interno brasileiro, gerando especulações sobre uma possível queda da Selic, a ser tomada em reunião extraordinária do Copom. O governo desmentiu a possibilidade de adotar a medida. O Fundo Monetário Internacional (FMI) chegou a comentar que o Brasil estaria pronto para reduzir os juros dentro de poucos meses. No cenário nacional, as análises não são tão otimistas. O economista Alfredo Meneghetti, da Fundação de Economia e Estatística do Rio Grande do Sul (FEE/RS) não acredita em queda da Selic e aposta em maior rigor fiscal.
O dólar voltou a cair anteontem, principalmente depois de o Banco Central leiloou a moeda estrangeira. Isso confirma a aposta de Borges, que não acredita em movimento sustentado da alta do dólar. A mesma análise tem Carlos Tadeu de Freitas, ex-diretor do Banco Central. O economista da LCA Consultoria aposta que a moeda norte-americana oscilará na faixa entre R$ 1,70 e 1,90, entre novembro e dezembro. Ele comenta dados que indicam não haver motivos para a tão acentuada depreciação do real: ingressos de US$ 2,8 bilhões no país em setembro e de US$ 500 milhões nos três primeiros dias úteis de outubro.
Para Borges, a corrida ao dólar não reflete os fundamentos da política econômica e cambial brasileira. Por isso, prevê, a moeda norte-americana deve recuar. As reservas internacionais, destaca ainda, continuam crescendo, atingindo US$ 208,4 bilhões em 4 de outubro, contra US$ 205,2 bilhões, no dia primeiro de setembro.
Mas caso se mantenha o cenário de dólar caro e preços das commodities em baixa, seria necessário até mesmo promover alta dos juros, para não haver o risco de a alta do câmbio contaminar a inflação. Para o atual momento, avalia Borges, o governo está agindo com cautela.
– Quando a reunião do Copom ocorrer, no final de outubro, ainda estaremos no olho do furacão – afirma. Se o dólar não recuar, aí sim haverá alta de juros. – Se ficar entre R$ 2,10 e R$ 2,20, aí o BC vai começar a elevar juros – diz Borges, que acredita que o BC demorou muito para atuar diretamente no mercado de câmbio, o que permitiu a escalada das cotações.
Para Freitas, embora as últimas medições do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) tenham demonstrado algum repasse da alta do dólar aos preços dos bens duráveis, ainda não justifica alta do juro para conter inflação.
– Outros países estão baixando juros por problemas de liqüidez – diz o economista – O ex-diretor do BC não concorda que haverá manutenção do câmbio elevado, com o dólar caro dos últimos dias. – Não está artificial? Não há fundamentos para o dólar ficar acima de R$ 2,00.
Para ele, a atuação firme do BC no mercado de câmbio – o que tem se delineado nos últimos dias – eximirá essas oscilações. Com o dólar voltando para abaixo de R$ 2,00, acaba o risco de inflação de câmbio. Mas também não haverá espaço para baixar a Selic, mesmo com projeções de mercado que indicam retração do Produto Interno Bruto (PIB) no próximo ano: – Se o BC ficar preso à meta de inflação de 4,5%, poderá até voltar a elevar juros – diz.
Meneghetti não acredita em queda da Selic. Segundo ele, o Brasil manterá o compromisso de cumprir a meta de inflação em 4,5% em 2009 e, para atingir o objetivo, não reduzirá o juro básico da economia:
– Deverá manter ou aumentar o juro, podendo chegar ao final do ano em 15% – diz. Ele aposta num possível aumento dos gastos públicos e aperto na política fiscal para amortecer os efeitos da crise.
No Brasil, o Banco Central chegou a adotar no passado o mecanismo de indicar viés para a Selic, ou seja, resguardava-se para alterar o juro antes de nova reunião do Conselho de Política Monetária. Março de 2003 foi a última vez em que o Copom utilizou o mecanismo, indicando viés de alta para uma Selic de 26,5%, mas não lançou mão da opção, e manteve a taxa.

BC poderá intervir em banco socorrido

Na Folha de São Paulo

O Banco Central terá carta-branca para gastar o valor que julgar necessário para socorrer instituições financeiras que estejam com dificuldades, desde que receba, em troca, garantias de que o empréstimo concedido vá efetivamente ser pago. Além disso, o BC também terá poder de intervir diretamente na administração dos bancos que forem socorridos.Ontem, o CMN (Conselho Monetário Nacional) regulamentou, em reunião extraordinária, a medida provisória publicada na segunda-feira que dá ao Banco Central a possibilidade de emprestar dinheiro para instituições financeiras que tenham problemas de caixa.Em troca, os bancos devem oferecer parte de suas carteiras de crédito como garantia.Essas operações, qualificadas pelo governo de "compra" das carteiras de crédito, poderão ser feitas tanto em reais quanto em moeda estrangeira.Os bancos que recorrerem a empréstimos em reais poderão sofrer restrições por parte do BC, que terá poder, por exemplo, para suspender reajustes salariais para os executivos da instituição e limitar a distribuição de dividendos para seus acionistas.Regras rígidasPara Carlos Thadeu de Freitas, ex-diretor do BC, a instituição aprendeu com os "erros do passado" e fez regras mais rígidas que o socorro dado às instituições financeiras com o Proer, no governo Fernando Henrique Cardoso, em 1995.O economista pondera que o risco para a autoridade monetária também é maior, por isso a exigência de acompanhar de perto a administração do banco no dia-a-dia."O BC criou essa linha de empréstimo aos bancos que não é para ser usada. A instituição tem que ser extremamente cautelosa, porque ela não conhece de fato o risco da carteira de crédito do banco, porque não conhece as empresas e pessoas que são clientes desse banco. No Proer, todos estavam falidos, então os riscos eram conhecidos", afirmou Freitas.O economista avalia também que será difícil para o Banco Central acompanhar a administração dos bancos que tomarão empréstimo oferecendo a carteira de crédito como garantia. Segundo Freitas, são muitas exigências difíceis de serem monitoradas.
Liquidez
O economista-chefe da consultoria Austing Rating, Alexsandro Agostini Barbosa, avalia que as medidas adotadas pelo governo serão um instrumento eficaz de injeção de liquidez nos bancos de pequeno e médio porte."O mercado brasileiro não tem uma crise de liquidez. O problema é que os recursos estão empoçados nos grandes bancos", afirmou.Para ele, a decisão de vetar aumento de salários a executivos de bancos que pedirem socorro ao BC é mais uma forma de mostrar que não haverá "farra" com o dinheiro emprestado. "Não adianta o banco tentar proteger capital de executivo", disse Barbosa.
Garantias
Ainda no caso do socorro em reais, o Banco Central só aceitará como garantia carteiras de empréstimos com baixa probabilidade de inadimplência -classificadas nos primeiros três dos nove níveis de risco estabelecidos de acordo com critérios do próprio BC.Além disso, o BC exigirá como garantia uma carteira de crédito que seja, no mínimo, equivalente a 120% do empréstimo pretendido pelos bancos.Ou seja, para receber R$ 100 do BC, a instituição financeira terá que oferecer, em troca, uma carteira que seja de pelo menos R$ 120.No caso dos empréstimos em dólares, os bancos terão que oferecer como garantia títulos da dívida externa emitidos pelo governo brasileiro ou por qualquer outro país, desde que, segundo agências internacionais de classificação de risco, sejam considerados de baixíssimo risco de calote.Nesse caso, também serão aceitos outros dois tipos de garantia: carteiras de financiamentos à exportação concedidos no Brasil e, a critério do BC, garantias reais -imóveis pertencentes ao banco ou mesmo ações da instituição financeira em questão.
Prazo de um ano
Tanto nos financiamentos em dólar quanto em reais, o prazo para que os bancos paguem de volta o BC não pode ultrapassar um ano.Se após o vencimento do empréstimo a instituição financeira não tiver como quitar seu compromisso, o BC assume definitivamente os ativos entregues como garantia e poderá vendê-los no mercado para cobrir suas perdas.Caso, mesmo assim, as garantias não sejam suficientes para compensar o prejuízo causado pela falta de pagamento, a diferença será coberta pelo Tesouro Nacional.O uso das reservas internacionais e a criação de um novo empréstimo do Banco Central foram adotadas com o objetivo de reduzir os efeitos do agravamento da crise financeira dos Estados Unidos na economia brasileira.Essa piora diminuiu a oferta de crédito e criou dificuldades para as instituições que pegavam dinheiro no exterior para as operações realizadas no mercado interno.Por meio das reduções do compulsório que os bancos recolhem, que foram realizadas nas últimas três semanas, o Banco Central também decidiu liberar mais R$ 59,9 bilhões para os bancos.

Prejuízo de empresas preocupa Planalto

Por Sheila D'Amorim e Guilherme Barros
na Folha de São Paulo

Aumentou a preocupação dentro do governo com a dimensão dos estragos das operações de alto risco feitas por empresas que apostaram no dólar desvalorizado até o final do ano. A equipe econômica ainda não sabe bem o tamanho das perdas, mas avalia que podem ter um potencial significativo de estrago.O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) afirmou à Folha que o Banco Central está levantando quais foram as empresas que fizeram as operações de alto risco no mercado de derivativos de dólar para saber a dimensão dos prejuízos. O número que circula no mercado é de R$ 40 bilhões.De acordo com o que a Folha apurou, a lista das empresas e dos bancos que participaram dessas operações já teria sido concluída. O Banco Central não confirma a informação.Mercadante diz, no entanto, que o BC estava monitorando essas operações e pode ter concluído o levantamento. Mercadante está em Portugal, numa viagem com empresários brasileiros. Antes, porém, conversou com o ministro da Fazenda, Guido Mantega.Na próxima semana, Mantega e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, vão ao Congresso falar sobre a crise econômica e podem dar mais detalhes sobre essas operações de alto risco no mercado de derivativos de dólar.Por enquanto, apenas a Sadia e a Aracruz anunciaram perdas com essas operações. A primeira teria tido um prejuízo de R$ 750 milhões, e a segunda, de R$ 1,95 bilhão.Ontem, a agência de classificação de risco Fitch Ratings rebaixou a nota da Aracruz. O "rating" da empresa de celulose foi revisado de "BBB-" para "BB+". Na prática, significa que a empresa perde seu "status" de "grau de investimento", do ponto de vista dessa agência.O prejuízo com operações no mercado futuro de dólar e derivativos não se restringe a Sadia e Aracruz. O governo também está mapeando várias empresas pequenas que tomaram crédito para financiar a produção e ter capital de giro, atrelado à variação cambial.O tamanho do prejuízo com a oscilação do dólar para as empresas vai depender, no entanto, da atuação do BC no mercado de câmbio. Se for bem-sucedido na queda-de-braço que trava com o mercado, o BC evitará que a cotação dispare ainda mais, minimizando o prejuízo das empresas.Isso porque nem todas operações vencem agora. Se, na data do vencimento, a cotação tiver recuado, a perda para as empresas será menor.Além disso, é preciso considerar o tamanho da dívida da empresa no balanço. O medo do governo, de qualquer forma, é que o prejuízo fique com os bancos. De acordo com o senador Aloizio Mercadante, foram poucos os bancos que fizeram essas operações, e, mesmo assim, de pequeno porte.Nos últimos dias, circulou no governo uma preocupação a mais. Se a fiscalização do BC teria ou não tomado conhecimento dessas operações de alto risco das empresas no mercado de derivativos de câmbio.Ao ser questionado sobre isso, o Banco Central enviou a seguinte resposta à Folha:"A legislação bancária não dá ao Banco Central a atribuição ou poder para fiscalizar o risco tomado por empresas no mercado de derivativos ou em outros mercados. Cabe ao Banco Central garantir a higidez do Sistema Financeiro Nacional e fiscalizar o risco assumido por instituições financeiras. Do ponto de vista prudencial, a princípio, quando uma instituição financeira faz uma operação em derivativo e, ao mesmo tempo, faz "hedge" para essa operação, não está incorrendo em aumento de risco. Nesse sentido, nosso arcabouço normativo e de fiscalização em nada difere dos padrões internacionais".Desta vez, o problema parece mesmo ter estourado no colo das empresas. Segundo a Folha apurou, há empresas que já ameaçam, inclusive, não pagar esses contratos e ir para a Justiça discutir a dívida. O medo do governo é que, se a moda pegar, isso poderá ser um passivo de tamanho desconhecido para os bancos e retrair ainda mais o mercado de crédito.

Ações têm queda recorde nos EUA

Por Leandro Modé
no Estado de São Paulo

A perspectiva de recessão prolongada na economia dos Estados Unidos derrubou os principais termômetros do mercado acionário americano para os níveis mais baixos desde 2003. O Índice Dow Jones, o mais tradicional da Bolsa de Nova York, deslizou 7,33%. A queda em pontos (678) foi a terceira maior da história. O Índice Standard & Poor?s 500, que reúne as principais indústrias do país, cedeu 7,62%. A bolsa eletrônica Nasdaq recuou 5,47%. O mercado acionário brasileiro até tentou uma recuperação ontem, mas, perto do fim dos negócios, sucumbiu à piora expressiva das bolsas americanas. Ao final do pregão, o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) caiu 3,92%, para 37.080 pontos, menor nível em dois anos. Durante o dia, o principal indicador da bolsa brasileira chegou a ganhar 4,89%. Segundo analistas, nenhum fato novo justificou a piora de humor no fim dos negócios, embora uma notícia relacionada à montadora General Motors tenha sido citada por alguns operadores para explicar a intensificação das perdas. A agência de classificação de risco de crédito Standard & Poor?s informou, à tarde, que colocou o rating (nota) da empresa em revisão para possível rebaixamento. As ações despencaram 30,6%, para o nível mais baixo desde 1950. "O problema com essa explicação é que, para o mercado, a GM já está quebrada há algum tempo", afirmou o superintendente de Renda Variável do Banco Itaú, Walter Mendes. Para se ter uma idéia, diz ele, o valor de mercado da GM, hoje, é de US$ 2,7 bilhões, ante US$ 108 bilhões da japonesa Toyota, sua maior concorrente. Segundo Mendes, a informação de que o Tesouro dos Estados Unidos pode comprar partes de bancos com problemas explica melhor as quedas de ontem. "Essa solução, que é boa do ponto de vista econômico, é ruim para o investidor, pois dilui seu capital nos bancos." Não à toa, a maioria das ações do setor financeiro caiu de forma expressiva. Os papéis da American Express perderam 10% e os do Bank of America, 9,14%. As ações da seguradora AIG caíram 22,57%, apesar de o Federal Reserve (Fed, o banco central) ter dito que emprestará US$ 37,8 bilhões às suas subsidiárias, além da injeção de US$ 85 bilhões anunciada mês passado pelo Tesouro. Um índice que mede a volatilidade do mercado, chamado de VIX, subiu 11,11% ontem, para o nível recorde de 63,92 pontos. "O efeito bola-de-neve do medo, que deu início à avalanche de colapsos de instituições financeiras, criou um regime inteiramente novo de volatilidade", escreveu o estrategista Andrew Wilkinson, da Interactive Brokers, em nota para clientes.Para Debra Brede, presidente da DK Brede Investment Management, "as pessoas estão agindo por medo". "Seus avós estão dizendo: sobrevivi à Grande Depressão e a mentalidade, neste momento, é de que vamos perder tudo." Segundo ela, "as pessoas não estão dando tempo para que o pacote de socorro do setor financeiro funcione".Esse ponto é fundamental, segundo Mendes. "Não há solução ?bomba atômica? para essa crise", disse. O que existe, segundo ele, é um acúmulo de medidas anunciadas por governos do mundo todo para garantir a solvência do sistema bancário. "Elas funcionarão aos poucos."Para Mendes, o caminho para a melhora das bolsas passa pelo destravamento do mercado global de crédito. "Isso parece claro, tanto que o próprio mercado quer que os governos garantam os depósitos e os empréstimos interbancários." Seguindo Nova York, as bolsas asiáticas iniciaram os pregões de hoje com perdas pesadas. O Índice Nikkei, de Tóquio, despencava 10%, e o Kospi, de Seul, mais de 5%.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Missão dada é missão cumprida

Como é que é? Eduardo Paes pediu desculpas a Lula pela sua atuação na CPI dos Correios? Eu só não escrevo “puta que pariu” porque sou educado. Coloco a sigla PQP. Ao pedir desculpas a Lula, Paes mostrar que realmente é o vagabundinho de Sérgio Cabral. Ao pedir desculpas a Lula, Paes mostra que o mensalão não era tudo aquilo que ele dizia em 2005. HIPÓCRITA! SEM VERGONHA! CANALHA! É isso que Fernando Gabeira tem que dizer na cara do vagabundinho do Sérgio Cabral. É esta a missão do candidato verde: chamar bandido de bandido, vendido de vendido e mentiroso de mentiroso. Vai lá, Gabeira, cumpra sua missão. Missão dada é missão cumprida.

Eduardo Paes pede desculpas a Lula (PQP)

Do Blog da Cristina Lobo

Para ter o presidente Lula em sua campanha a prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB) entregou ao presidente uma carta com pedido de desculpas por sua atuação na CPI dos Correios, onde foi um dos mais ácidos críticos ao presidente. Não é só o presidente Lula que não gosta dele. Dona Marisa Letícia também não esqueceu dos ataques de Paes, particularmente, porque ele dirigia suas críticas a Lulinha - o filho do casal.
A coordenação política do governo está recomendando ao presidente que não vá ao Rio porque lá seria situação semelhante a de Salvador e Porto Alegre - com representante de dois partidos aliados na disputa. Eduardo Paes, do PMDB e Fernando Gabeira, do PV. Não é bem o caso, mas a justificativa está dada.
Porém, quem conversou com Lula hoje diz que ele não estão tão irredutível como no domingo.
É esperar para ver.

E os esquerdopatas?

Será que os esquerdopatas não serão condenados pelos seus crimes cometidos durante a ditadura militar? Será que ninguém vai pedir indenização contra os esquerdistas que queriam implantar no Brasil uma ditadura igual a de Cuba? Até quando será que teremos que agüentar o vitimismo dessa gente? Seqüestros, assassinatos, assaltos, torturas... A esquerdopatia precisa pagar pelos seus erros e a história contar para as próximas gerações.

Anti-Marta significa Pró-Kassab

Nunca fui com a cara da Soninha. Desde os tempos da MTV. Na ESPN eu até assisto ao Bate Bola que ela apresenta mais por conta dos comentaristas ali presentes. Mas não quero falar sobre isso.
Soninha perdeu no primeiro turno. Eu até achei bacana uma campanha divulgada na internet para que ela ficasse na frente de Paulo Maluf. Os dois perderam.
Ela é do PPS. O partido decidiu apoiar a candidatura de Gilberto Kassab. Soninha já disse de bate-pronto que acata a decisão do seu partido, mas não vai subir no palanque do democrata. Ela disse também que não vota na Dona Supla. Bem, Soninha pode até não subir no palanque de Gilberto Kassab. Isto pouco importa. O que importa é que ela é anti-Marta, anti-Dona Supla e isso significa, de uma forma ou de outra, pró-Kassab.

Uma coisa inédita

Iris Rezende fez uma coisa inédita aqui em Goiânia: venceu uma eleição para prefeito no primeiro turno. Quer dizer que acabaram as propagandas, os comícios e as passeatas. Ainda bem. Como vocês sabem, este blogueiro acompanhou os programas políticos da televisão. Comecei descrevendo cada programa e acabei por apenas comenta-los.
Pois bem, como Tio Iris ganhou no primeiro turno não sei o que vai passar na televisão enquanto a grade das emissoras transmitirem as propagandas eleitorais para as cidades onde terá segundo turno. O que vai passar depois do Jornal Nacional? Sei lá. É uma coisa inédita... Quem dera se o SBT repassasse a novela Carrossel. Mas a cabeça do Silvio Santos é que nem bumbum de neném, nunca se sabe o que sairá de lá.

O mesmo peso e a mesma medida

Dona Supla já cometeu gafe. Numa entrevista ao Brasil Urgente da Rede Bandeirantes, ela chamou José Luiz Datena de Faustão. Bem, neste caso nós podemos dizer que Dona Supla usou o mesmo peso e a mesma medida para os dois apresentadores.

Vai ser divertido

De 1989 até 2006, Lula foi o candidato presidencial do PT. Só em 2002 que o sonolento Eduardo Suplicy desafiou-o para uma prévia. O resultado todo mundo já sabe. Agora o PT procura alguém para tentar suceder Lula em 2010. Isto é, se o Apedeuta não acordar irado e decidir mudar a Constituição (ou rasga-la de uma vez) e tentar o terceiro mandato.
O PT não tem ninguém de peso. E estas eleições municipais mostram que a popularidade de Lula não significa transferência de votos para o candidato que divide palanque com o fundador do Foro de São Paulo.
Tarso Genro concedeu uma entrevista hoje para a Agência Brasil. Disse que Dilma Rousseff é a candidata de Lula para 2010. Mesmo? Já estou até imaginando Dilma sambando, colocando chapéu, boné, dançando funk. Será muito divertido ver a ministra sisuda tentando sorrir naturalmente. Vai ser difícil para os petralhas em 2010. Li em alguns jornais que tem gente que não gosta da Dilma. Mas vai ser divertido vê-la perder peso, colocando botox na cara, dando um trato na beleza. Afinal, a ditadura acabou e a nossa guerrilheira pode se maquiar a vontade. O capitalismo não tem remorso. É como eu escrevi aqui outro dia: Vai lá, Dilma, samba, samba que eu quero ver.

Até hoje?

Tarso Genro é com brincalhão. Hoje ele deu uma entrevista para a Agência Brasil. Disse que Dilma Rousseff será a candidata petralha para as eleições presidenciais de 2010. Comento sobre isso num post mais pra frente. Na entrevista, ao comentar sobre a crise econômica, Tarso criticou a herança maldita do governo Fernando Henrique Cardoso. Como os petralhas amam FHC. Lula segue a política econômica do governo anterior (acertadamente) e ainda tem petralha que nem agradece. Até hoje esse papinho de herança maldita?

Tá lento

O computador está lento. Muito lento. Com muita dificuldade li a Folha de São Paulo e o Estado de São Paulo. Até agora não consegui acessar a página do Jornal do Brasil.

E as pesquisas...

No primeiro turno as pesquisas mostraram Gilberto Kassab bem atrás de Dona Supla (e bem na frente de Geraldo Alckmin) em São Paulo. As pesquisas mostraram também Eduardo Paes bem a frente de Fernando Gabeira no Rio de Janeiro. Agora, a pesquisa Datafolha mostra o contrário. Kassab tem 17 pontos de frente contra Dona Supla. E lá no Rio Gabeira tem uma ligeira vantagem para Eduardo Paes. Pesquisas são boas sim, apenas como apontamento e não como um destino definido.

Eu volto pra urna

Trecho de uma reportagem do jornal Hoje:

Inconsoláveis, os derrotados fizeram ontem manifestação na porta do TRE, pedindo a anulação da eleição de vereadores. Na terça-feira, a vereadora Jacyra Alves (PP), que alega ter perdido a reeleição por causa de erros do órgão, protocolou recurso nesse sentindo, assim como o PRTB.

Ah, anular eleição para vereador não, né? Ter que voltar a digitar zeros outra vez não dá. Vamos aguardar a decisão do TRE. Mas voltar pra urna eu não volto.

Explicações

Sempre estou do lado do Tribunal Regional Eleitoral ou mesmo o Superior Eleitoral quando cobram explicações de candidatos espertalhões. Mas agora estou do outro lado. Quero saber do TRE o que realmente aconteceu com as urnas que pifaram horas antes do término da votação no domingo. Por conta deste problema técnico, os resultados das eleições aqui em Goiânia começaram a ser divulgados depois das 19 horas. O que será que aconteceu? Que o TRE se explique.

Vamos ver em 2010

O Popular de hoje traz uma reportagem sobre a queda do número de votos para o PT nas eleições de domingo. Muitos falam que isto se deve a aliança com o PMDB de Iris Rezende. Bem, uma coisa é fato: os petralhas nunca assumem seus erros. Sempre a culpa é dos outros ou, como diria Sartre, “o inferno é os outros”.
O PT conquistou a vice prefeitura. Iris Rezende sairá candidato ao governo em 2010. E quando o PT assumir a prefeitura de novo será que alguém vai lembrar da crise deste ano ou tudo estará bem? Bem, uma coisa é fato: o PT no poder fará de tudo para ficar e colocará seus cupanheros bem no bico da teta. Será que alguém lembrará do fracasso de 2008?

Gabeira e Paes largam empatados na disputa pela prefeitura do Rio

Na Folha de São Paulo

A disputa pela Prefeitura do Rio no segundo turno começa empatada, revela pesquisa Datafolha realizada ontem e anteontem. O candidato do PV, Fernando Gabeira, tem 43% das intenções de voto contra 41% de Eduardo Paes (PMDB), a 18 dias do pleito.Os dois candidatos estão tecnicamente empatados, já que a margem de erro da pesquisa é de três pontos percentuais para mais ou para menos. Assim, Gabeira pode ter entre 40% e 46% dos votos, e Paes, entre 38% e 44%.No primeiro turno, Paes recebeu 31,98% dos votos válidos (1.049.019), e Gabeira obteve 25,61% (839.994 votos).De acordo com o Datafolha, entre os eleitores que disseram ter candidato no segundo turno, Gabeira herdou mais votos entre os eleitores de Jandira Feghali (PC do B) e de Solange Amaral (DEM), candidata do prefeito Cesar Maia, que já anunciou apoio ao deputado federal: 59% dos eleitores que haviam votado no primeiro turno em Jandira migraram agora para o candidato do PV e 41% foram para Paes; entre os eleitores de Solange, 55% foram para Gabeira e 45% para Paes.A vantagem de Gabeira nessa migração o deixou numericamente à frente de Paes, apesar de o candidato do PMDB ser o principal beneficiário do eleitorado de Marcelo Crivella (PRB), terceiro colocado no primeiro turno. Desses 54% optam por Paes e 46% preferem Gabeira.No domingo passado, Crivella recebeu 19,06% dos votos válidos (625.237), Jandira 9,79% (321.012), Alessandro Molon (PT) 4,97% (162.926) e Solange 3,92% (128.596).Os índices de Gabeira ficam acima da média entre os mais jovens (53%), os mais escolarizados (60%), os mais ricos (62%) e entre os que desaprovam os governos do prefeito Cesar Maia (47%), do governador Sérgio Cabral (55%) e do presidente Lula (58%).As taxas de Paes são maiores entre os mais pobres (46%), os menos escolarizados (49%), os mais velhos (50%) e entre os que aprovam as gestões de Cesar Maia (48%), Sérgio Cabral (55%) e Lula (58%).
Votos válidos
A pesquisa Datafolha mostra que 7% dos entrevistados disseram pretender anular ou votar em branco, e 9% se definiram como indecisos, atingindo 16% os que não têm candidato. No levantamento realizado ontem e anteontem com 1.304 eleitores, em votos válidos (ou seja, excetuados os brancos e nulos), Gabeira tem 51%, e Paes, 49%.No primeiro turno, dos 4,580 milhões de leitores do Rio, 17,91% não compareceram, 6,14% anularam o voto e 4,33% votaram em branco.Na simulação anterior de segundo turno entre os dois candidatos, realizada pelo Datafolha nos dias 3 e 4 de outubro, o peemedebista tinha 52% das intenções de voto, e o verde, 36% -uma diferença de 16 pontos percentuais. Na simulação dos dias 29 e 30 de setembro, essa diferença era de 20 pontos (53% a 23%).As simulações de segundo turno realizadas no primeiro turno são sinalizações dadas pelo eleitorado, mas não são comparáveis às pesquisas realizadas durante o segundo turno.No primeiro caso, é pedido ao eleitor que analise seu comportamento na possibilidade de ocorrerem determinadas situações eleitorais, apresentadas com variações. Já no segundo cenário, o eleitor é convidado a se posicionar perante uma situação concreta de disputa entre dois candidatos.

Assessor de Lula se licencia para reforçar campanha de Marta

Por Clarissa Oliveira, Vera Rosa e Jotabê Medeiros
no Estado de São Paulo

O braço direito do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho, desembarca na próxima semana em São Paulo para integrar a coordenação da campanha da petista Marta Suplicy. Diante da preocupação, no PT e no Planalto, com o crescimento do prefeito Gilberto Kassab (DEM) na disputa, o chefe de gabinete de Lula vai tirar duas semanas de férias para reforçar a equipe da ex-ministra, que tenta retomar a dianteira na corrida municipal.A chegada do homem forte do presidente à capital paulista provocou rumores de intervenção federal na condução da campanha, mas dirigentes do PT apressaram-se em negar a interferência. A expectativa, porém, é de que Carvalho ajude a montar o plano para tentar reverter a queda na intenção de voto em Marta, registrada na reta final do primeiro turno.Lula está preocupado com a onda Kassab e acha que, se nada for feito, a petista corre o risco de perder a eleição. Na reunião de ontem da coordenação política do governo, em Brasília, o presidente afirmou que o PT não pode deixar o governador José Serra (PSDB), padrinho de Kassab, ter uma vitória em São Paulo de mão beijada. Detalhe: Serra é pré-candidato à Presidência e, até agora, o principal desafiante da chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, a preferida de Lula para sua própria sucessão, em 2010.O comentário no Planalto é que a campanha de Marta deixou Kassab "correr solto" no primeiro turno e não investiu em propostas para a classe média, ponto fraco do PT. Lula também disse ao marqueteiro João Santana que não gostou do comercial em que um "papagaio" - sátira de Kassab, que, segundo o PT, repete as propostas de Marta - brigava com um "tucano", numa referência ao ex-governador Geraldo Alckmin.Agora, a equipe do PT tentará desconstruir a imagem de Kassab como afilhado de Serra. A intenção é mostrar que Kassab pode até ter sido "adotado" pelo governador, mas seus reais padrinhos seriam o deputado Paulo Maluf (PP) e o ex-prefeito Celso Pitta, de quem o candidato do DEM foi secretário do Planejamento, entre 1997 e 1998.Tudo será discutido numa reunião marcada para hoje entre Gilberto Carvalho e o coordenador da campanha de Marta, deputado Carlos Zarattini (PT-SP). "Ele poderá nos dar um importante reforço, trata-se de um grande articulador político", disse Zarattini, negando interferência federal na estratégia da candidata. "Não há nada de intervenção. Somos um partido só." Carvalho deve aproveitar a viagem à capital para monitorar também campanhas do segundo turno no interior e na Grande São Paulo, já que o PT ainda concorre em seis municípios. O chefe de gabinete de Lula conversou ontem com o presidente estadual do PT, Edinho Silva, e comunicou ter programado a viagem para a próxima semana. "Gilberto é capaz de produzir unidade política e ajudará na coordenação", comemorou Edinho.
REFORÇO
Enquanto espera a chegada de Carvalho, Marta encontrará auxílio na Esplanada. Os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil), Fernando Haddad (Educação), Luiz Dulci (Secretaria-Geral da Presidência), Juca Ferreira (Cultura), Carlos Lupi (Trabalho) e Orlando Silva (Esporte) chegam hoje à capital para participar de reunião intitulada "Ato pela eleição de Marta". Sem conseguir ampliar o leque de alianças nessa nova rodada, a petista quer demonstrar unidade do partido e do governo em torno de sua candidatura, apesar das divergências. Não é só: embora o PV integre a coligação de apoio a Kassab, o ministro Juca Ferreira, líder da dissidência verde em São Paulo, vai anunciar seu aval a Marta."No primeiro turno, eu fiz um silêncio obsequioso, mas no segundo vou manifestar a minha preferência, que é a Marta", contou Ferreira. "Irei ao evento para, entre outras coisas, participar de reunião que vai elaborar o programa de cultura."Para completar os reforços, a petista reunirá também novos prefeitos eleitos pelo PT no Estado. Candidatos da sigla venceram a disputa no primeiro turno em 61 municípios. Outros 40 terão vice-prefeitos do PT.

Kassab larga com 17 pontos de vantagem sobre Marta

Por Cátia Seabra
na Folha de São Paulo

O prefeito Gilberto Kassab (DEM) inicia o segundo turno com 17 pontos de vantagem sobre a ex-prefeita Marta Suplicy, revela o Datafolha. Segundo a primeira pesquisa realizada no segundo turno -e a 18 dias da decisão-, Kassab conta com 54% das intenções de voto contra 37% de Marta, e estaria reeleito se as eleições fossem hoje.Os números mostram o quanto hoje é pequena a margem de manobra de Marta: somados, votos nulos e em branco (5%) e de indecisos (3%) chegam a 8%."Marta não tem outra alternativa a não ser conquistar os eleitores de Kassab", avalia do diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino.Pela pesquisa, Kassab tem hoje 25 pontos percentuais a mais do que a votação obtida no primeiro turno. O prefeito, que domingo teve 33,61%, atinge hoje 59% dos votos válidos. Marta, por sua vez, subiu apenas oito pontos: dos 32,79% saídos das urnas para os 41% registrados na pesquisa.Para o resultado oficial da eleição, a Justiça leva em conta os votos válidos: excluídos brancos, nulos e abstenções. Para o cálculo, o Datafolha excluiu também os indecisos.Paulino explica que o desempenho de Kassab se deve à expressiva migração de votos dos candidatos derrotados."A maioria absoluta dos eleitores de todos os outros candidatos migrou para Kassab."Segundo o Datafolha, Kassab é hoje herdeiro de 74% dos eleitores do tucano Geraldo Alckmin, enquanto 13% migrariam para Marta. Na eleição, Alckmin teve 22,48% dos votos.Ainda que sem apoio formal do PP, Kassab aparece como destinatário de 64% dos eleitores do ex-prefeito Paulo Maluf contra 21% de Marta. Maluf obteve 5,91% dos votos.À espera do anúncio oficial de adesão do PPS, Kassab tem hoje 61% dos eleitores de Soninha Francine. Marta, 21%. Soninha teve 4,19% dos votos.O Datafolha ouviu 1.906 eleitores ontem e anteontem. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.A pesquisa acontece em um momento em que Kassab promove uma arrastão partidário, tendo alinhavado o apoio do PSDB e do PTB, além de avançada costura com o PPS.Sem o início do horário eleitoral -cujo início ainda está indefinido- Kassab aparece como beneficiário desses acordos e ao lado do governador José Serra (PSDB). A pedido do comando de campanha de Kassab, comitês eleitorais desses novos aliados permanecerão ativados. Já Marta contra-ataca com a ocupação das ruas, tanto por cabos eleitorais como por placas espalhadas pela cidade.A disputa promete se acirrar na periferia das zonas sul e leste, únicas regiões onde Marta supera Kassab. No extremo Sul, Marta tem 51% contra 42% de Kassab. Marta registra 50% de preferência no extremo leste contra 42% do prefeito.Kassab alcança 73% das intenções -51 pontos à frente de Marta (22%)- entre os eleitores com renda familiar superior a dez salários mínimos mensais. Marta lidera entre os eleitores com renda inferior a dois mínimos por mês: 49% a 40%. Kassab tem 55% da preferência entre aqueles com renda familiar de dois a cinco mínimos. Marta tem 37% no segmento.A pesquisa aponta ainda para a consolidação dos votos. Dos que declaram voto em Kassab, nulo ou em branco, 74% afirmam que não votariam em Marta de jeito nenhum. Kassab sofre rejeição de 71% dos que não declaram voto nele.

Equador confirma expulsão da Odebrecht

Por Fábio Maisonave
na Folha de São Paulo

O governo equatoriano ratificou ontem que revogará os quatro contratos com a construtora brasileira no país. Hoje, segundo a Folha apurou, está prevista a publicação de um decreto obrigando a empresa a encerrar as suas operações dentro de 30 dias."Tomamos uma decisão, não podemos fazer mais nada, fizemos todos os esforços sobre-humanos, o presidente cedeu muito, mas parece que definitivamente [a Odebrecht] não pode continuar aqui no país", disse ontem à noite o ministro-coordenador das Áreas Estratégicas, Galo Borja, em entrevista à rádio Caravana, após se reunir com o presidente Rafael Correa e outros membros do governo, em Quito."Há uma série de pontos, temos absolutamente quatro projetos que eles administram, dos quais, por exemplo, o de Toachi-Pilatón, eles receberam uma antecipação e não fizeram nada. Fizeram um uso muito ruim dessa antecipação também em San Francisco. Há vários custos para o país", disse.Procurada pela reportagem, a Odebrecht informou, via assessoria de imprensa, que não se manifestaria sobre a decisão do Equador porque ainda não conhecia o seu teor.
Os projetos
Os problemas entre a Odebrecht e o governo equatoriano começaram no dia 6 de junho, quando a usina hidrelétrica de San Francisco, construída pela empresa, parou de funcionar devido a problemas no túnel e nas turbinas.Responsável por 12% da produção energética equatoriana, a usina havia sido inagurada em meados do ano passado e tem uma potência instalada de 230 MW (porte médio). A maior parte do seu financiamento veio por meio de um empréstimo de US$ 243 milhões contraído no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).Insatisfeito com as negociações com a Odebrecht, Correa promulgou um decreto no dia 23 de setembro congelando os bens da empresa, militarizando suas instalações e suspendendo os quatro contratos em andamento, cujos orçamentos somam US$ 650 milhões.Os projetos, em diferentes estágios de construção, são: a hidrelétrica Toachi-Pilatón, o sistema de irrigação Carrizal-Chone, o projeto Baba (abastecimento de água e uma pequena usina) e o aeroporto de Tena, na região amazônica.
Refugiados
O presidente equatoriano ainda retirou os direitos constitucionais de quatro funcionários brasileiros, proibindo-os de deixar o país -dois já estavam fora, e os outros dois permanecem no Equador refugiados na residência oficial da embaixada brasileira.No último dia 27, Correa anunciou que a Odebrecht havia assinado "unilateralmente" o acordo que havia sido proposto pelo governo. A informação só foi confirmada quatro dias mais tarde pela construtora.
Diplomacia
Desde o início da crise, o governo brasileiro, principalmente por intermédio do chanceler Celso Amorim, tem se manifestado "preocupado" com a situação da Odebrecht.Correa, no entanto, tem dito que se trata de um problema entre o governo e uma empresa, e não entre dois Estados.A Odebrecht não é o único imbróglio brasileiro no Equador. No sábado, Correa também ameaçou expulsar a Petrobras caso não haja um acordo em torno do novo contrato de exploração do bloco 18 (32 mil barris diários).Furnas, contratada para fazer a fiscalização da usina San Francisco, tem sido criticada por não ter evitado os problemas durante a construção.Correa acusou ainda o empréstimo do BNDES para a San Francisco de estar irregular e chegou a ameaçar não pagá-lo.

BC vende dólar após moeda bater R$ 2,48

Por Denyse Godoy e Ney Hayashi da Cruz
na Folha de São Paulo

Pela primeira vez em mais de cinco anos, o Banco Central vendeu ao mercado dólares das reservas internacionais a fim de tentar conter a forte desvalorização do real. Ontem pela manhã, enquanto a cotação da moeda americana alcançava R$ 2,48, o BC realizou três leilões de divisas. Assim, conseguiu que o dólar terminasse o dia de ontem em queda de 1,34%, vendido a R$ 2,28.O movimento foi amplamente aprovado por especialistas. "O BC está cumprindo muito bem a sua função", afirma Mário Paiva, analista de câmbio da corretora Liquidez. "Antes, quando existia excesso de dólares no mercado, comprava. Nada mais natural do que voltar a oferecer moeda se há um desequilíbrio. Não é bom para o país uma instabilidade que impede as empresas de se planejarem."Até anteontem, o que o BC vinha fazendo para tentar amenizar o problema de falta de liquidez do mercado eram leilões casados de compra e venda: os dólares eram vendidos em um dia e recomprados pelo BC depois de um mês.Nas operações de ontem, a venda foi definitiva, o que tem impacto sobre as reservas internacionais do país, atualmente em US$ 208 bilhões. "As reservas estão aí para isso", afirma Silvio Campos Neto, economista-chefe do banco Schahin. O BC não costuma divulgar oficialmente o valor dos leilões, mas, segundo estimativas de operadores, o montante negociado ficou entre US$ 1,3 bilhão e US$ 1,7 bilhão.Além disso, o BC vendeu mais US$ 1,3 bilhão em contratos de "swap" cambial, numa transação que equivale a uma venda de dólares no mercado futuro. O papel paga a variação cambial em determinado período, e em troca o seu comprador remunera o BC com juros. As instituições financeiras, no entanto, não estavam satisfeitas com esses contratos e pressionavam para que o BC liberasse dinheiro de verdade.A retomada dos leilões de moeda à vista só não surtiu efeito imediato durante o dia por causa da greve nos bancos e pela extrema desconfiança que paira sobre o mercado, reduzindo o número de transações. Os importadores não querem comprar dólares para quitar suas obrigações porque têm esperança de que o preço baixe. Os exportadores não têm muito o que vender, já que as suas linhas de crédito secaram, e acabam segurando o que resta para tentar obter cotações maiores.Outra fonte de pressão sobre a moeda americana vem de empresas que fizeram operações muito arriscadas no câmbio futuro contando que a divisa continuaria oscilando entre R$ 1,60 e R$ 1,70 e foram surpreendidas pela rápida e ampla desvalorização do real. Por meio de mecanismos bastante complexos, elas haviam se comprometido a vender dólares para bancos em uma quantidade que na verdade não possuíam e agora precisam correr para comprar a moeda e honrar os compromissos. A expectativa é que até o fim da semana mais companhias, a exemplo da Sadia e da Aracruz, revelem ter sofrido prejuízos de maneira semelhante. Acredita-se que as perdas cheguem, no total, a US$ 40 bilhões.
Projeções
É impossível prever até quando a instabilidade vai durar. "Não há fundamentos que justifiquem. A situação de hoje não é sustentável, porém não se sabe por quanto tempo vai se manter", diz Roberto Padovani, diretor para a América Latina do banco WestLB. "Isso é efeito da aversão a risco de estrangeiros, que estão batendo em retirada do Brasil", afirma Campos Neto. Em um cenário externo incerto, os investidores estão cada vez mais cautelosos na aplicação de seus recursos.O Banco Central já anunciou mais uma venda de "swap" cambial para hoje e os bancos e corretoras prevêem que também haverá novos leilões de moeda à vista.

BCs cortam juros, em ação inédita

Por Patrícia Campos Melo
no Estado de São Paulo

Agindo de forma coordenada pela primeira vez na história, o Federal Reserve (Fed), o Banco Central Europeu (BCE) e outros oito bancos centrais reduziram as taxas de juros ontem, na tentativa de conter a turbulência financeira que tomou conta de mercados ao redor do mundo. O Fed, o BCE e os bancos centrais da Grã-Bretanha, Canadá, Suécia, Suíça e Emirados Árabes anunciaram cortes de meio ponto porcentual nas taxas básicas de juros. Posteriormente, os bancos centrais da China, Hong Kong e Austrália se juntaram ao esforço, anunciando reduções em suas taxas. A última vez que algo semelhante aconteceu foi após os ataques de 11 de setembro, qndo o Fed e o BCE reduziram taxas de juros.Mas os mercados não se impressionaram com a demonstração de força dos bancos centrais e tiveram um dia volátil. A Bbolsa de Londres fechou em baixa de 5,18%, a de Frankfurt caiu 5,88% e o índice Dow Jones recuou 2%, na medida em que os investidores duvidavam que os cortes de juros ajudarão a evitar uma recessão mundial. O Fed anunciou o corte antes de sua reunião oficial, marcada para 28 e 29 deste mês. A taxa americana caiu para 1,5%, mas analistas não afastam a possibilidade de o Fed voltar a reduzir os juros no fim do mês, caso os bancos continuem relutando em emprestar dinheiro, mantendo o mercado de crédito paralisado. O BCE reduziu os juros de 4,25% para 3,75% e também pode voltar a cortar a taxa em sua reunião de 6 de novembro. O corte de juros do Banco da Inglaterra, que reduziu a taxa para 4,5%, veio um dia antes da reunião oficial do banco.O secretário do Tesouro, Henry Paulson, exortou os governos do mundo a continuarem atuando juntos para aumentar a liquidez e fortalecer as instituições financeiras. "Os governos precisam continuar trabalhando de forma individual e conjunta para fornecer a liquidez tão necessária, fortalecer as instituições financeiras com injeções de capital e compra de ativos problemáticos, evitar abusos no mercado e proteger a poupança de nossos cidadãos", disse Paulson. Ele se mostrou otimista em relação à eficácia dos cortes de juros anunciados ontem. "O corte coordenado é um sinal bem-vindo de que os bancos centrais ao redor do mundo estão preparados para adotar as medidas necessárias para apoiar a economia mundial nesta época difícil." Paulson pediu um encontro dos ministros do G-20 neste fim de semana para discutir uma reação coordenada à crise. O BCE vinha resistindo a ações coordenadas, porque achava que a crise de crédito estava essencialmente localizada nos EUA, por causa das hipotecas subprimes. Mas a crise bancária que tomou conta da Europa nos últimos dias mudou o rumo do BCE. "Indicadores econômicos apontam que a atividade econômica desacelerou de forma significativa nos últimos meses", dizia o comunicado do Fed de ontem de manhã. "Além disso, a intensificação da turbulência financeira deve pressionar mais o consumo, ao reduzir a habilidade de consumidores e empresas de obterem empréstimos."Desde que a crise de crédito começou, em agosto de 2007, os bancos centrais haviam feito políticas conjuntas de injeção de liquidez, mas não haviam cortado juros de forma coordenada. Os ministros das Finanças de Washington se encontram neste fim de semana em Washington e podem discutir opções para lidar com a piora da crise.O objetivo da redução dos juros é evitar os efeitos da crise de crédito, estimulando o consumo e incentivando bancos a voltarem a emprestar a consumidores e empresas. Mas a reação inicial do mercado demonstrou que nem essa inédita redução coordenada dos juros será a panacéia para a crise. A taxa Libor de empréstimos interbancários continuou subindo e a remuneração dos títulos do Tesouro de curto prazo, caindo. Segundo Paulson, o Tesouro está trabalhando de forma acelerada para implementar o pacote aprovado na semana passada. Mas pediu paciência, e disse que "a turbulência não vai acabar rapidamente".

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

E a oposição vota com o governo

Quando Fernando Henrique Cardoso criou o Proer, programa para ajudar bancos que estavam quase falidos na década de 1990, o PT virou uma arara (eu disse arara e não tucano hehehe). Lembro bem dos discursos inflamados de José Dirceu, José Genoino e companhia petralha. “Como pode o governo dar dinheiro para os banqueiros?” diziam os donos da ética, da verdade e da justiça.
A crise americana está chegando aqui, não é mesmo? Percebam a mudança de discurso deles. Da calma e do sorrisinho no canto da boca passou-se para as reuniões e medidas provisórias aumentando os poderes do Banco Central para combater os efeitos da crise.
O Banco Central no governo Lula pode ajudar bancos que estiverem no vermelho. A oposição até ensaiou um barulhinho, mas logo aderiu à proposta governista. Segundo o deputado tucano José Aníbal, a medida provisória que dá mais poderes ao Banco Central é um “Proer dissimulado”. E lá vai a oposição assinar embaixo no “Proer dissimulado”. Poderia muito bem relembrar os discursos petralhas da década de 1990. Mas a oposição está sempre com o governo faça chuva ou faça sol, principalmente quando o governo está na lama. Nunca vi uma oposição socorrer um governo como esta oposição está fazendo.

Tá com medo, Lula?

Quem vê Lula fazendo o possível para não aparecer apoiando a candidatura de Eduardo Paes no Rio de Janeiro pode até pensar que ele nunca fez aliança com inimigo político. Ora essa, minha gente! Em 2006, Lula estava em campanha presidencial no Pará. Num comício ele estava junto com Jader Barbalho. Isso mesmo, o ladrão da Sudam. Lula chegou a beijar a mão do vagabundo. Pois é, se Lula teve coragem para fazer isso por que não beija a mão de Eduardo Paes em praça pública? Tá com medo, Lula?

E agora, PSDB?

Tem uma ala do PSDB, a que apoiou Geraldo Alckmin no primeiro turno das eleições de São Paulo, que começa a ensaiar uma aproximação com a candidatura de Dona Supla. São os alquimistas grilados porque o partido aderiu oficialmente a candidatura de Gilberto Kassab no segundo turno.
Voltemos um pouco no tempo. O PSDB também se dividiu no primeiro turno. Os tucanos ligados a Geraldo Alckmin quiseram cortar as cabeças dos tucanos que aderiram a campanha de Kassab. Resta saber o que o PSDB vai fazer num momento desses. Será que alguém vai pedir a cabeça daquele tucano que aderir a campanha de Dona Supla no segundo turno?

Só uma pergunta inocente

É oficial. O PT vai mesmo apoiar a candidatura de Eduardo Paes no segundo turno no Rio de Janeiro. Que coerência! O partido mensaleiro se juntando numa boa com um dos seus principais opositores (no passado, lógico). Seria interessante perguntar para o candidato do PMDB se tem dinheiro não contabilizado na sua campanha. Só isso, uma perguntinha inocente.

O que houve?

Estava olhando os números de votos obtidos pelos vereadores no domingo passado. Teve gente (e não foi pouca) que não teve nenhum voto. O que houve? Será que o TRE impugnou alguma candidatura ou nem mesmo o candidato votou nele?

Fiquemos de olho

Iris Rezende quer fazer uma reforma administrativa. Quer criar as subprefeituras. Disse também que os cargos a serem criados não serão preenchidos politicamente. É mesmo? E o PT apóia Iris só por apoiar mesmo, só para entrar na corrente que tomou conta do cenário político goiano do ressurgimento do velhinho? Tá fácil. Os petralhas estão de olho nos cargos da prefeitura e isto precisa ser fiscalizado. Portanto, fiquemos de olho!!!

Sandy Júnior sumiu

Sandy Júnior sumiu. Também, quem quer ouvir o que o segundo colocado quer dizer? Todo mundo quer ver Iris Rezende cortando o cabelo, fazendo unha... E ai daquele que chamá-lo de metrossexual.
Mas este post dedico a Sandy Júnior. No final da campanha ele falou do boi pirata de Iris Rezende. Sem dizer que trouxe de volta as denúncias da Caixego, Astrográfica e a venda da Usina Hidroelétrica de Cachoeira Dourada. Bem, agora que as eleições passaram será que Sandy Júnior topa continuar investigando os bois piratas de Iris? É como eu disse num post no dia da eleição: Chamem o Carlos Minc, o ministro do Meio Ambiente. Quem sabe ele não faz alguma coisa midiática na fazenda do Iris?

Eu ia me esquecendo

Ainda sobre o post abaixo. Eu ia me esquecendo. Se Túlio Maravilha, Nego Jobis e a turminha do Clécio Alves que votaram pela criação dos 13º, 14º e 15º salários para os vereadores, isto deve ser debitado na conta do povo. Eles foram eleitos pela culpa do povo. E ponto final.

Túlio e Nego Jobis

Vejam vocês o que é a natureza. Túlio Maravilha e Nego Jobis comporão a Câmara Municipal de Goiânia no ano que vem. O primeiro é um vovô jogador do Vila Nova e o outro um gari que fazia tempo que tentava chegar lá.
Cileide Alves comenta a eleição dos dois na sua coluna de hoje no jornal O Popular. Fala da dificuldade do vovô jogador em conciliar a carreira de jogador e a atuação na Câmara. Concordo com ela. Túlio quer muito alcançar o milésimo gol (será que as contas deles estão certas?). Vai ser difícil pedir para ele ficar só como vereador. Terá que viajar com o Vila Nova, faltará a votações talvez importantes para a cidade. Sem contar a idéia do vovô jogador de usar seu mandato para criar o Instituto Túlio Maravilha para incentivar crianças carentes a jogar futebol. Mas será que foi preciso Túlio ser eleito para criar tal instituto? Vai ter dinheiro público aí?
Vamos agora a Nego Jobis. Muitos ficaram impressionados com a entrevista que ele concedeu ao Popular ontem. Um vereador eleito para ficar literalmente. Ele quer ser bem assessorado, quer cuidar da cidade, enfim, quer fazer coisas para ser reeleito daqui quatro anos. Já que ele perdeu tantas eleições por que não ficar mais tempo? Ao ler a entrevista do vereador eleito lembrei daquele ditado: “De boas intenções o inferno está cheio”. Quero ver se ele vai ter força e habilidade para driblar os vícios da Câmara Municipal de Goiânia e fazer o que ele deseja fazer. Resta saber também se o que ele disse na entrevista não foi apenas uma conseqüência da euforia depois da vitória. Sei não. Precisamos vigiar mais os vereadores. Não somente os reeleitos que votaram por mais salários como os novatos que querem criar instituições que não se sabe se vai rolar dinheiro público e sonhadores que não se sabe se o sonho vai acabar na primeira tentação que bater na porta do seu gabinete.

O desespero de Dona Supla

Dona Supla está desesperada. Ah, ela está descontrolada. Agora, Dona Supla critica Gilberto Kassab que tenta ainda mais se associar ao governador José Serra. E por um acaso isto é errado? Dona Supla mesmo tentou associar sua imagem a Lula. Ah, ela está desesperada!

Em 2007, PT tentou barrar os investimentos no metrô

Por Fernando Barros de Melo
na Folha de São Paulo

A petista Marta Suplicy promete que, se eleita, a prefeitura irá investir dinheiro próprio na expansão do metrô. Mas em dezembro de 2007 a bancada do PT na Câmara Municipal votou contra a proposta de investir R$ 1 bilhão no metrô na gestão de Gilberto Kassab (DEM).Segundo a proposta de Marta, a prefeitura investiria R$ 490 milhões anuais. Vereadores do PT dizem que votaram contra o repasse porque o projeto foi apresentado "no apagar das luzes" e era eleitoreiro.A proposta original do Orçamento de 2008, enviada por Kassab em 2007, previa R$ 1.000 ao metrô. Em 13 de dezembro, o líder do governo, (PSDB), apresentou uma das 4.964 emendas ao Orçamento, que autorizava a prefeitura a destinar até 13% da receita corrente líquida de 2007 ao metrô -o que daria R$ 1 bilhão.A emenda foi encaminhada à Comissão de Finanças e Orçamento da Câmara, onde os petistas Francisco Chagas e Paulo Fiorilo pediram a retirada da proposta. A maioria recusou. Na votação do Orçamento, em 19 de dezembro, a emenda foi aprovada por 41 votos a 12 (11 da bancada petista mais o de Soninha, que deixara o PT).Fiorilo chegou a discursar no plenário, dizendo que "não deve ter um parlamentar ou munícipe contra investimento no metrô", mas criticou o método de apresentação da proposta: "O inadmissível é que esse artigo surja às 21h30 da véspera da aprovação deste Orçamento sem o debate necessário".Fiorilo diz que a proposta chegou ao plenário no "apagar das luzes": "Nós percebemos que algumas emendas foram incorporadas e que não tinham sido discutidas na comissão. Era uma emenda estratégica, que deveria ter sido debatida".Para o petista, havia um motivo eleitoral: "Já se vislumbrava esse debate e Kassab precisava ter discurso, mesmo que não tivesse dinheiro ainda".

Mapa da reeleição coincide com liberação de recursos por Lula

Por Sonia Filgueiras
no Estado de São Paulo

Dos 15 prefeitos de capitais que conseguiram liquidar a fatura eleitoral no primeiro turno, 9 integram a base aliada e figuram no grupo dos que mais verbas receberam do governo federal neste ano. No topo da lista de liberações está Iradilson Sampaio (PSB), reeleito para Boa Vista (RR), com o importante apoio do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB). Neste ano, o governo liberou R$ 52,9 milhões para a cidade, que tem 159 mil eleitores. Na média, são R$ 332,80 por voto. O petista Roberto Sobrinho, que se reelegeu em Porto Velho (RO), ocupa o segundo lugar da lista (R$ 178,20 por eleitor e R$ 45,1 milhões no total). Em terceiro, outro petista: Raul Filho, reeleito em Palmas (TO), com R$ 102,60 por eleitor e repasses de R$ 13 milhões.O levantamento foi feito pela assessoria de orçamento da liderança do DEM no Congresso no Sistema de Administração Financeira (Siafi). A pesquisa inclui verbas liberadas de 1º de janeiro a 18 de setembro diretamente às prefeituras em decorrência de convênios com o governo federal. As verbas são destinadas a programas sociais do governo compartilhados com as prefeituras, emendas parlamentares e obras variadas, inclusive do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).A Presidência da República informa que as liberações obedeceram a critérios técnicos e às exigências legais. O governo nega favorecimento partidário e informa que obedece ao fluxo previsto nos contratos com as prefeituras, não havendo relação com o calendário eleitoral.Na lista dos 15 vitoriosos no primeiro turno há quatro exceções. Em Natal (quarto lugar), a grande quantidade de repasses para a prefeitura (R$ 45,3 milhões), comandada hoje por Carlos Eduardo Alves (PSB), não evitou a vitória de Micarla de Sousa (PV), apoiada pelo senador oposicionista José Agripino Maia (DEM). Ela venceu a petista Fátima Bezerra (PT). "Mesmo com tantos recursos federais, a oposição ganhou em Natal. Resta saber se o governo federal será republicano, como diz ser, mantendo as liberações, ou interromperá o fluxo de recurso, em uma atitude sectária", diz Agripino.Teresina, embora administrada pelo tucano Silvio Mendes, reeleito, obteve a 12ª colocação na partilha de verbas em comparação ao número de eleitores por conta de obras do PAC. Curitiba, onde se reelegeu Beto Richa (PSDB), recebeu R$ 35,7 milhões - R$ 28,50 por voto. Embora seja do aliado PP, o prefeito de Maceió, Cícero Almeida, nono colocado na lista de liberações, não é tido como governista no cenário regional.As verbas federais não parecem ter ajudado também o oposicionista Wilson Santos (PSDB), prefeito de Cuiabá (MT) - quinta colocação na distribuição de verbas por eleitor. Ele disputará nova rodada com Mauro Mendes (PR).

Marta se esquece de Lula e critica Kassab por se "colar" a Serra

Por Ranier Bragon e Conrado Corsalette
na Folha de São Paulo

A despeito de ter centralizado a campanha na associação de sua imagem à do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a petista Marta Suplicy criticou ontem a estratégia do prefeito Gilberto Kassab (DEM) de se "colar" no governador José Serra (PSDB) neste segundo turno."Quem não tem imagem própria tem que se associar a alguém", afirmou Marta pela manhã, ao visitar Itaquera (extremo leste da cidade).Desde o início de junho, quando desembarcou em São Paulo para assumir a candidatura à prefeitura, Marta vem explorando sua relação com Lula. O jingle, os bordões e o material de campanha são em boa parte amparados em peças recicladas da campanha presidencial. O marqueteiro de agora é o mesmo de Lula-2006, João Santana.Vice de José Serra até 2006, quando o tucano saiu para concorrer ao governo do Estado, Kassab "disputava" no primeiro turno a imagem de Serra com Geraldo Alckmin (PSDB).Durante a visita a Itaquera, Marta voltou a criticar a gestão de Kassab e escutou reclamações de um morador que se disse prejudicado com a reestruturação do transporte coletivo em sua gestão (2001-2004). Marta respondeu que acabou com uma "máfia de empresas inidôneas" e que agora cabe à Justiça resolver pendências.
Esplanada
Sem novos apoios partidários, a petista recorreu à Esplanada dos Ministérios para tentar mostrar força política neste segundo turno. Ela pretende reunir amanhã, num hotel do centro, pelo menos cinco ministros, além de intelectuais e, se possível, artistas.Já confirmaram presença os titulares das pastas do Trabalho, Carlos Lupi (PDT), do Esporte, Orlando Silva (PC do B), e da Cultura, Juca Ferreira (PV). O PV está na coligação de Kassab. A coordenação de campanha de Marta tentava ainda a confirmação dos ministros do PT: Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) e Dilma Rousseff (Casa Civil).O comitê petista tenta fechar para o dia 18, um sábado, a primeira subida de Lula no palanque de Marta neste segundo turno. Será na zona sul ou na região central. Lula apareceu ao lado de Marta por duas vezes no primeiro turno.

Por trás da crise, a especulação

Por Osmar Freitas Jr
no Jornal do Brasil

Addie Polk, da cidade de Akron, no Estado de Ohio, foi encontrada dentro de casa, com um ferimento a bala no peito e um revólver calibre 32 perto da mão. Deixara um bilhete explicando que decidira pelo suicídio ao receber a ação de despejo que seria executada naquele dia. O vizinho que a encontrou, agiu rápido e a vítima foi levada ao hospital, onde o prognóstico é de recuperação. Addie tem 90 anos e vive naquele imóvel desde 1970. Viúva, em 2001 ela hipotecou a residência por US$ 45.620. Não estava conseguindo pagar as prestações. Este é um exemplo dramático do que está ocorrendo nas cidades americanas. A crise das subprimes leva ao desespero Wall Street, Main Street (a rua principal) e todos os outros endereços do catálogo.
A história de Addie até que não teve final tão infeliz. O Congresso americano fez pressão sobre a instituição financeira Fannie Mae – que agora está sob controle estatal – para que perdoasse a dívida desta inadimplente. A nonagenária tem condições agora de morrer em casa.
– Morrerá de fome, provavelmente – dispara o analista econômico Gregory Bauabe, da financeira Prism. – O pacote aprovado pelo Congresso não foi eficaz. Sua meta prioritária era restaurar confiança no mercado e desentupir as linhas de crédito na praça. Como se vê, isso não ocorreu, o que estrangulou as atividades de produtores e comerciantes que dependem de empréstimos de curto prazo. Os consumidores, mostrando índices de confiança que são os mais baixos desde a crise de 1987, ainda têm a muleta dos cartões de crédito. Mas até quando contarão com este suporte?
Os portadores de cartões americanos já estão recebendo pelo correio avisos de rebaixamento em seus limites de crédito. As taxas de juros neste setor também estão se elevando. A dívida total das famílias americanas chega a US$ 1,5 trilhão – incluindo-se nesta conta as prestações de imóveis, automóveis, crediários de lojas, agências de viagem etc. O que não está embutido na soma é a dívida do governo – que recai sobre os ombros dos contribuintes – e que, dividida, alcança mais de US$ 84 mil para cada homem, mulher e criança nos Estados Unidos. O impacto desta realidade, acredita-se, trará o declínio ainda mais acentuado do consumo, que é responsável do 2/3 da economia do país.
– Confesso que estou muito bravo com o desenrolar dos acontecimentos, principalmente com o Tesouro americano. Criou-se uma tal expectativa – de, pelo menos, melhora da crise – com o pacote, e o que vemos é o contrário. O que prova que estas autoridades não sabiam o que estavam fazendo. Acho que o próximo presidente, seja quem for, vai ter de trabalhar ativamente no processo de transição e, antes da pose em janeiro, já ter implementado um segundo plano. O governo Bush e o seu sucessor vão ter de cooperar neste sentido – prevê o professor de Economia da Universidade de Princeton, Paul Krugman.

Mercados

Enquanto isso, ontem, a Bolsa americana registrava queda de 508.39 pontos nas ações blue chip. Empresas sólidas e com capital nos cofres, tiveram seus papéis desvalorizados além da lógica. A Google, por exemplo, teve queda de 50% no valor de suas ações, comparado com novembro de 2007. Isso, a despeito de o chairman do Fed (o banco central americano), Ben Bernanke, ter anunciado que estava preparado para cortar ainda mais as taxas de juros. A Dow Jones havia caido 140 pontos antes desta novidade, para despencar 300 pontos depois dela.
– Estão se usando todas as ferramentas que deveriam elevar a confiança do mercado de equity. Mas não está adiantando. Instaurou-se o ‘pessimismo exuberante’ – para usar o reverso de uma frase de Alan Greespan, ex-chairman do Fed. E neste aparente irracionalismo atual, tem muita gente lucrando. Warren Buffett é apenas o investidor mais reconhecido, que comprou ações de empresas boas, na baixa, e lucrará muito com isso. Existem muitos outros, anônimos, que estão forçando e aproveitando esta liquidação. Não apenas em Wall Street, como no resto do mundo – diz Peter Fisher, ex-subsecretário do Tesouro dos Estados Unidos.
Na cacofonia das análises, Edgar Palmério, analista de mercado do fundo Rushmore, com interesses no Brasil, concorda com Fisher sobre a exuberância pessimista do mercado.
– Na verdade não há somente irracionalidade no momento. Existem muitos que estão aproveitando a onda, encontrando oportunidades na crise. O caso brasileiro é exemplar, o governo fornece crédito para exportadores, para a agricultura, o Banco Central foi autorizado a comprar a carteira de bancos, o governo ofereceu US$ 2,2 bilhões em contratos de swap cambial – que funciona como operação de venda de dólar no mercado futuro. E, apesar disso tudo, o dólar foi a US$ 2,3 e a Bovespa caiu 4,66%. Isso, para mim, é manobra de especuladores. Lá, como cá, e no resto do mundo, tem gente comprando ações de empresas boas, na bacia das almas. No Brasil estão também ganhando em apostas contra o real – diz Palmério.

Meirelles discute hoje texto da MP com deputados

Por Denise Madueño
no Estado de São Paulo

A crise financeira e a Medida Provisória 442, de socorro aos bancos, deram o tom da volta aos trabalhos na Câmara, depois do fim do recesso parlamentar que vigorou antes do primeiro turno. Os partidos defenderam a presença do ministro da Fazenda, Guido Mantega, na Casa para explicar a MP.
Hoje pela manhã, o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, vai receber deputados da oposição para discutir a crise e seus reflexos no Brasil. Já estão confirmadas as presenças do líder do PSDB na Câmara, José Aníbal (SP), do líder do PPS, Fernando Coruja (SC), e de mais alguns deputados dos dois partidos. Também deverá ir à reunião o líder do DEM, deputado Antônio Carlos Magalhães Neto (BA). O encontro no BC será às 10 horas. A oposição já se prepara para modificar a medida provisória editada na segunda-feira pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, autorizando o Banco Central a socorrer bancos em dificuldades por causa da crise financeira internacional. Em discurso no plenário, José Aníbal, afirmou que a MP é o Proer do presidente Lula, lembrando o programa instituído pelo governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para socorrer bancos, criticado e combatido pelo PT. "É o Proer desfigurado, disfarçado, envergonhado e sorrateiro", classificou o líder tucano. Para Aníbal, a MP é "um bom começo", mas "certamente terá de ser melhorada". Fernando Coruja disse que seu partido está estudando os impactos da MP para também propor ajustes. O vice-líder do DEM, José Carlos Aleluia (BA), disse que pretende incluir dispositivos para punir maus administradores. "Se houve má gestão, especulação, não podemos deixar de punir.""Vamos analisar para ver se não é uma medida provisória apenas para o presidente Lula dar dinheiro a banqueiros. É importante criar medidas para punir os maus administradores", disse Aleluia. Apesar disso, o deputado considerou que a crise financeira internacional é motivo suficiente para justificar a edição de medida provisória, ou seja, ela pode ser considerada urgente e relevante, como exige a Constituição. "A idéia de medida provisória é para isso."A MP de socorro aos bancos, no entanto,não parece correr o risco de ser rejeitada. Ela recebeu apoio dos presidentes da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), e do Senado, senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN). Críticos duros do número excessivo de medidas provisórias editadas pelo governo, os dois presidentes consideraram que, desta vez, a medida provisória é legítima.

Dólar dispara com corrida de empresas

No Estado de São Paulo

As incertezas a respeito da economia global e sobre a solvência do sistema financeiro dos Estados Unidos e da Europa mantiveram os investidores distantes de ativos arriscados e derrubaram de novo as bolsas de valores ontem. No Brasil, o dólar disparou 5,09% e atingiu R$ 2,312. Do início de agosto até ontem, a moeda americana já se valorizou 48% ante a brasileira. A cotação de ontem é a maior desde maio de 2006.O Índice da Bolsa de Valores de São Paulo perdeu 4,66%. O Índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, caiu 5,11% e a bolsa eletrônica Nasdaq, 5,85%.Segundo analistas, a principal razão para a alta do dólar nos últimos dias é a corrida de empresas para comprar a moeda e, assim, neutralizar posições vendidas no mercado futuro. A Sadia, por exemplo, anunciou recentemente prejuízo de R$ 760 milhões e a Aracruz, uma perda potencial de R$ 1,95 bilhão. O Banco Central (BC) interveio duas vezes no mercado, mas não conseguiu impedir o salto da cotação. A medida provisória que autoriza o BC a socorrer bancos em dificuldades, editada segunda-feira, já provoca reação dos partidos de oposição. O líder do PSDB na Câmara, José Aníbal (SP), disse que a MP é o "Proer do presidente Lula", lembrando o programa instituído pelo governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. "É o Proer desfigurado, disfarçado, envergonhado e sorrateiro." Nos EUA, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central), Ben Bernanke, indicou que a instituição pode reduzir o juro básico, hoje em 2% ao ano.

Governos elevam intervenção, mas mercados caem mais

Por Clóvis Rossi
na Folha de São Paulo

As autoridades americanas e européias -ministros e bancos centrais- abriram ontem todo um novo pacote de bondades para tentar domar o pânico que assola os mercados financeiros, mas o resultado foi de novo pífio: a principal Bolsa do mundo, a de Nova York, caiu muito de novo (mais de 5%) e, na Europa, microganhos nem de longe compensaram o desastre de segunda-feira.Na maior economia européia, a Alemanha, nem isso: caiu de novo, agora 1,12%. Paris subiu 0,55%; Londres, 0,35%; Madri, 1,2%. No Brasil, quase 5% de queda.O pacote inclui de novo recursos em grande escala, garantias igualmente suculentas e palavras eloqüentes, como a da ministra francesa de Finanças, Christine Lagarde: "Não toleraremos um Lehman Brothers europeu", disse, ao término da reunião com seus colegas de Economia dos 27 países europeus, em Luxemburgo.É uma alusão ao banco americano de investimentos cuja quebra é tida, pelos europeus, como o ponto de partida para a viagem da crise financeira ao outro lado do Atlântico.Os ministros decidiram elevar de 20 mil para 50 mil a garantia para os depósitos bancários no bloco, mas sem criar um fundo conjunto para tanto. Cada país agirá conforme suas próprias necessidades.A Espanha já agiu ontem mesmo: elevou a garantia de 20 mil para 100 mil, coerente com a sua própria proposta, com apoio da França, para que a Europa adotasse esse patamar em conjunto.Os mercados e muitos acadêmicos vinham demandando há semanas uma resposta coordenada, mas tudo o que os ministros conseguiram foi uma "moldura coordenada" para "ações públicas que têm que ser decididas no nível nacional", conforme comunicado do governo alemão.Decidiram também dar apoio à instituições financeiras que representem um risco sistêmico -ou seja, cuja quebra poderia pôr em risco todo o sistema financeiro. É a versão técnica de não tolerar "um Lehman Brothers europeu".O governo espanhol ontem mesmo anunciou a criação de um fundo de 30 bilhões, ampliável a 50 bilhões, para comprar ativos sadios de entidades financeiras, com o objetivo de "sustentar a atividade produtiva e o crédito", como disse o presidente do governo, José Luis Rodríguez Zapatero.O premiê britânico, Gordon Brown, fez o mesmo: anunciou esquema, a ser detalhado hoje, de usar até 50 bilhões de libras (US$ 88 bilhões) para comprar ações preferenciais de bancos relevantes.Nos EUA, Ben Bernanke, presidente do Fed, anunciou o BC americano comprará "commercial papers", títulos de curto prazo de grandes empresas. Com isso, espera lubrificar os congelados mecanismos de crédito.Já o BCE (Banco Central Europeu) anunciou a duplicação dos recursos a emprestar a bancos comerciais por períodos de até seis meses, elevando-os para 50 bilhões. Além disso, em operação conjunta, o Fed e os BCs de Canadá, Reino Unido, Japão e Suíça decidiram despejar mais US$ 450 bilhões para os bancos destravarem os créditos.
Crédito congelado
Muito mais que a queda nas Bolsas é o congelamento do crédito que assusta as autoridades porque a economia não funciona sem ele. Os bancos temem até emprestar dinheiro uns aos outros, quanto mais a pessoas físicas ou jurídicas, o que trava a economia.O resultado do pacote de bondades de ontem ainda não pode ser devidamente avaliado porque as medidas foram pingando ao longo do dia. De todo modo, um dado é relevante: a Libor (a taxa com a qual os bancos emprestam uns aos outros) está no mais alto nível em quase oito anos. Subiu a 3,94%, "taxa de parar o coração", segundo a revista britânica "The Economist".Sinal claro de que as instituições financeiras preferem entesourar recursos em vez de emprestá-los ao mercado, embora essa seja sua razão de viver.Mas pânico é pânico, e se revela em outra taxa, a Euribor, usada na maioria das hipotecas na Espanha: subiu ontem de novo, até chegar aos 5,49%, o ponto mais alto de sua história.Nesse cenário, é razoável supor que as autoridades acabarão por seguir a decisão de ontem da Austrália de reduzir sua taxa de juros de 7% para 6%, um corte que duplica o que o mercado esperava.Já há um pequeno coro se formando a favor do corte de juros, começando pelo diretor da Câmara Britânica de Comércio, David Frost, para quem "o Banco da Inglaterra [o BC britânico] precisa reduzir as taxas de juros imediatamente".É uma idéia que tem o apoio do novo guru da economia, Nouriel Roubini, da Universidade de Nova York, chamado de "Mr. Doom" (sr. catástrofe), porque vivia prevendo uma baita crise.Em entrevista ao "site" do Council on Foreign Relations, Roubini disse que "a Europa, os Estados Unidos e outras economias líderes deveriam coordenar grandes reduções de juros, para mostrar que estão levando a sério o combate à crise e aos problemas econômicos mais abrangentes que ela poderia gerar".

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Paes e PT: Tudo a ver

É isso aí. O PT que armou o mensalão vai apoiar Eduardo Paes, um dos que mais combateram este mesmo mensalão. Viva o dinheiro não contabilizado! Viva a piada de salão! Paes e PT, tudo a ver

Vossa excelência

Eduardo Paes, Sérgio Cabral e Lula almoçaram juntos hoje no Rio de Janeiro. Eduardo Paes combateu o mensalão que teve Lula como principal beneficiário. Sérgio Cabral criticou a falta de atenção do governo Lula para com o Rio. Agora os três estão no mesmo barco. Que afundem todos! Que afundem ao som da música dos Titãs Vossa Excelência:

Estão nas mangas dos Senhores Ministros
Nas capas dos Senhores Magistrados
Nas golas dos Senhores Deputados
Nos fundilhos dos Senhores Vereadores
Nas perucas dos Senhores Senadores
Senhores!
Senhores!
Senhores!
Minha Senhora!
Senhores!
Senhores!
Filha da Puta!
Bandido!
Corrupto!
Ladrão!
Sorrindo para a câmera
Sem saber que estamos vendo
Chorando que dá pena
Quando sabem que estão em cena
Sorrindo para as câmeras
Sem saber que são filmados
""" Um dia o sol ainda vai nascer """
""" Quadrado """
Isso não prova nada!
Sob pressão da opinião pública
É que não haveremos de tomar nenhuma decisão!
Vamos esperar que tudo caia no esquecimento
Aí então...
Faça-se a justiça!
Vamos arrumar vossas acomodações, Excelência.
Filha da Puta! Bandido!
Corrupto! Ladrão!

Se a casa cair, deixa que caia...



Lula pediu que os brasileiros mantenham seus hábitos de consumo. Ele está nem aí para a crise que assola a economia mundial. Aí eu lembrei um refrão de uma música da dupla Gino e Geno que mostra um pouco este clima:
E Se a casa cair
Deixa que caia
Hoje eu vou amanhecer na gandaia

É isso aí!

Lula ainda acredita que vivemos numa ilha

Para os lulistas o Brasil é uma ilha. Nada nos atrapalha. Crise? Que crise? Lula diz que está tudo normal e que nada vai nos abalar, que nada vai segurar estêpaiz. Lula repete os jargões da ditadura. E os jargões da ditadura deram no que deram. O Brasil não é uma ilha. A crise, cedo ou tarde, chegará até aqui. Será que vai ser por meio de uma crise econômica que o brasileiro enxergará que o PT fez um mal danado para o país?

O apoio do PSDB a Kassab

Do Rio de Janeiro vamos para São Paulo. O PSDB oficializou o apoio a Gilberto Kassab no segundo turno das eleições. Tudo natural. Só espero que o partido contenha os fãs de Geraldo Alckmin. A lambança que este senhor fez no primeiro turno nunca foi vista. Até a Dona Supla elogiou a “postura” de Alckmin. Claro, atacando Kassab e poupando a petralha como não ser agradecida? Vai ser uma campanha difícil, os petralhas vão bater pesado. Se o problema for a ligação do atual prefeito com Paulo Maluf, sua equipe de campanha poderia resgatar uma foto do petralha Cândido Vaccareza sentado bem pertinho de Maluf num restaurante em São Paulo.

Muito além dos cargos

Fernando Gabeira disse que o apoio do DEMO é bem vindo e que não seja interesseiro. É... Vamos acreditar que os demistas queiram mesmo apoiar Gabeira somente pelo projeto político do candidato, pelo verde do partido. É lógico que o apoio é bem vindo, mas isso não pode impedir o candidato de fazer críticas à atual administração que pertence ao DEMO. Vejam que Solange Amaral terminou mal no primeiro turno. Quando eu estava no Rio de Janeiro li uma matéria no Globo que mostrava que o atual prefeito César Maia havia convocado servidores comissionados da prefeitura para participar de um evento em favor da campanha de Solange. Isso é grave! Usa a máquina da prefeitura em favor da candidata da situação. Será que o apoio do DEMO vai impedir Gabeira de criticar o que existe de ruim no Rio de Janeiro? Na semana que passei lá vi que o trânsito está um caos. É preciso pensar muito além dos cargos. Isso pode ser pensado depois das eleições. Que Gabeira saiba conduzir este processo de alianças e que seu discurso não mude só porque o partido do César Maia declarou apoio à sua candidatura.

Um comentário, uma coluna e uma missão

Recebo um comentário de um leitor chamado Lucas Maia informando sobre as alianças que Fernando Gabeira está costurando no Rio de Janeiro. Por falar no candidato verde, relembro uma coluna do Diogo Mainardi que saiu na Veja do dia 31 de maio de 2006 com o título Gabeira para presidente. Segue abaixo:

Fernando Gabeira é meu candidato a presidente. O que falta agora é convencê-lo a se candidatar.

O primeiro contato não foi muito animador. Eu disse que votaria nele. Ele respondeu que só se candidataria se fosse para ganhar. Como assim? Ele quer ganhar? Ganhar ele não ganha. O que eu espero dele não é isso. O que eu espero dele é que manifeste toda a minha repulsa por lulistas e oposicionistas.

Na semana passada, Fernando Gabeira disse que se sentia frustrado "ao ver que os bandidos estão triunfando na vida pública". E concluiu: "Não rolei tanto barranco para entregar o ouro aos bandidos". Claro que rolou. Claro que ele terá de entregar o ouro aos bandidos. Como todos nós. Mas o tom de seu discurso está certo. O que Fernando Gabeira pode oferecer a mim e a um montão de gente como eu, durante a campanha eleitoral, é isso mesmo: um tantinho de teatro e um tantinho de demagogia, chamando sempre os bandidos de bandidos.

Os oposicionistas não entendem por que não conseguiram arrebanhar o eleitorado antilulista. Eles não conseguiram porque o eleitorado não é tonto e sabe perfeitamente que eles não são antilulistas. Como declarou Fernando Gabeira na última quarta-feira, o Congresso foi tomado por quadrilhas. Essas quadrilhas estão acima do interesse partidário ou ideológico. Diante delas, lulistas e oposicionistas se comportam de maneira igual. O caso da empresa do filho de Lula é emblemático. Os oposicionistas tinham a oportunidade de atingir diretamente o presidente, mas preferiram ignorar o assunto, porque suas afinidades com a Telemar acabaram prevalecendo.

Para conquistar o eleitorado antilulista, Fernando Gabeira terá de dar o passo que ele ainda não ousou dar. Ele chamou Severino Cavalcanti de bandido. Ele chamou Ney Suassuna de bandido. Ele chamou Romero Jucá de bandido. Ele chamou Natan Donadon de bandido. Ele só não chamou Lula de bandido. Estou aqui, esperando.

Há também a questão do táxi. Fernando Gabeira lembrou que, em sua campanha para o governo do Rio de Janeiro, em 1986, ele não tinha dinheiro nem para o táxi. Respondi que era melhor ficar sem táxi. Das duas, uma: ou o candidato rouba e toma táxi, ou não rouba e não toma táxi. Fernando Gabeira não rouba. Por isso é meu candidato. Então não pode tomar táxi. Ele concordou comigo.

Fernando Gabeira apoiou Lula na campanha presidencial de 2002. Eu não. Fernando Gabeira foi contra a CPI dos Bingos. Eu não. Fernando Gabeira foi contra a guerra no Iraque. Eu não. Fernando Gabeira se preocupa com o acúmulo de nitrogênio no solo. Eu não. Mas não importa o que ele pensa. Fernando Gabeira é o único político que ainda pode dar algum sentido à disputa eleitoral, representando a recusa de uma parcela do eleitorado em aceitar calada essa bandidagem tão rudimentar.

Eu apóio Fernando Gabeira para presidente. Meu maior temor é que ocorra um acidente e ele seja eleito. Um candidato só é realmente bom se a gente sabe que ele nunca poderá ganhar.


Queria ver o primeiro debate entre Eduardo Paes e Fernando Gabeira. Assim como Gabeira, Paes foi contra os mensaleiros lulistas. Hoje, Paes é aliado de Lula por intermédio de Sérgio Cabral. Procurem no Youtube um vídeo que o governador do Rio de Janeiro (na época senador) fala sobre o governo Lula. Fernando Gabeira pode até não ser eleito, mas pode muito bem mostrar para todo mundo a safadeza e o oportunismo de Sérgio Cabral e Eduardo Paes. E, é claro, quem sabem, ele não chama os dois e o próprio Lula de bandidos. Talvez seja esta a missão de Gabeira no segundo turno. Mostra as incompetências de Sérgio Cabral na área de segurança. Mesmo se conseguir o apoio do DEMO não deixar de criticar César Maia. Por que não? Se os morros hoje estão ocupados por milícias, traficantes e Forças Armadas é porque os governos estadual e municipal não deram conta do recado. Foram incompetentes.
Talvez esta seja a missão de Gabeira: mostrar as coisas como são, chamar os bandidos de bandidos, os vendidos de vendidos e os incompetentes de incompetentes.
Nós, antilulistas, agradeceríamos o candidato verde se ele cumprisse a sua missão.

E Marconi esteve com Marlúcio

Marlúcio Pereira perdeu feio para Maguito Vilela nas eleições em Aparecida de Goiânia. Não podemos nos esquecer que Marconi Perillo deixou de participar de várias caminhadas com Sandy Júnior para apoiar o seu candidato em Aparecida. Será que a força marconiana está se perdendo até 2010? Assim foi com Lula. Muitos acreditaram que era só o Apedeuta subir no palanque do candidato que ele dispararia nas pesquisas e sairia, pelo menos, em primeiro lugar no primeiro turno. Que nada! Sim, Lula e Marconi Perillo são populares, mas isso não significa que isto eleja o candidato deles.

De novo não

Não adianta. Eles foram eleitos pela culpa do povo. A turma do Clécio Alves que quis criar o 13º, 14º e 15º salários para os vereadores foi eleita. Que coisa, não? Cadê o João e o José Atento para cantar: De novo não, de novo não, de novo não chega de enganação?

Governo bate oposição?

Leio nos jornais de hoje que o governo bateu a oposição nestas eleições. É mesmo? Me diga qual candidato foi contra Lula? Veja Eduardo Paes. Há dois anos atrás ele era um oposicionista ferrenho de Lula. Hoje ele pede que Lula o apóie para vencer Fernando Gabeira no segundo turno das eleições do Rio de Janeiro. Todo mundo falou (ou ainda fala) em parcerias com o governo federal. Aqui em Goiânia tanto Iris Rezende como Sandy Júnior fizeram suas promessas afirmando que o dinheiro viria das inúmeras variantes do PAC. Pelo visto muitos políticos viraram lulistas da noite para o dia. Governo bateu oposição? Quem é oposição ao lulismo nestêopaiz?

Tirando da reta

Alcides Rodrigues, o popular Cidinho e Marconi Perillo falaram que a culpa pela derrota dos seus candidatos é dos próprios candidatos. Interessante. Quando ganham, eles dizem que a vitória foi de todo mundo, que o projeto “Tempo Novo” continua mas sólido do que nunca. Tá certo! Mal humorado sou eu, não é mesmo?

A hora de costurar alianças

Por Fernanda Thurler e Renata Victal
no Jornal do Brasil

Aberta a temporada de alianças políticas para o segundo turno, é hora de apressar o passo. Quem for mais ágil, leva. Tudo indica que Eduardo Paes (PMDB/PTB/PP/PSL) saiu na frente não apenas nas urnas. Além de ter avisado ontem que já negocia com o PT, PDT e PSC, o candidato marcou coletiva de imprensa hoje para anunciar oficialmente o apoio do Partido Socialista Brasileiro (PSB), que no primeiro turno esteve coligado com o PCdoB de Jandira Feghali. Paes também avisou que não quer conversa com o atual prefeito Cesar Maia (DEM). Já Fernando Gabeira (PV/PSDB/PPS) preferiu cautela. Anúncios de alianças, provavelmente, só serão feitos amanhã, afirmou o candidato, que não descarta conversar com Maia e até mesmo com o religioso Marcelo Crivella (PRB). O candidato só faz questão de frisar que não oferecerá cargo algum em troca de alianças.
– Os partidos serão aceitos desde que aceitam também a decisão de que não vão ocupar a máquina administrativa. Já falei com alguns deputados. O importante não é compor uma sopa de letras de partidos, mas convencer os eleitores que não votaram em nós – contou Gabeira, adiantando o nome de Marcelo Freixo (PSOL). – Gostaria que ele (Freixo) estivesse próximo da nossa experiência porque é presidente da CPI das Milícias. Ter o apoio dele e do Chico Alencar seria bom. Quero distância dos ficha sujas.
Tudo indica que o estilo do é pegar ou largar de Gabeira seduziu o DEM. Na noite de ontem, depois de longa reunião em Brasília, o partido declarou que apoiará os candidatos do PSDB e PPS e que, no Rio de Janeiro, soma esforços para o adversário de Paes. Mais cedo, antes de saber da decisão, Gabeira já havia dito que o apoio do prefeito será importante.
– Eles já estão há 16 anos no governo, conhecem bem a máquina, conhecem bem os problemas e se eles tiverem boa vontade nesse processo de transição, a cidade vai lucrar – ressaltou Gabeira. – O fato de ter vivido problemas semelhantes e saber como foram resolvidos em outras épocas, deve ser levado em conta. Por isso a boa relação com o prefeito Cesar Maia é interessante.
Para o cientista político da Uerj, Manuel Sanches, o apoio de Maia a Gabeira vai além das facilidades num eventual governo de transição.
– O que importa são a máquina e os recursos do grupo de empresários que tradicionalmente financia as campanhas do atual prefeito. Essa aliança pode representar facilidades como carros, combustível e serviços de gráfica.
Quanto ao número de votos que esse apoio pode representar para o candidato do PV no segundo turno, Sanches é mais comedido.
– A maior parte dos eleitores de Solange já migrou para Gabeira ainda no primeiro turno.
Gabeira, que classificou Paes como "uma pessoa capaz, enérgica e dedicada", não ouviu do adversário nenhum elogio. Ontem, o peemedebista centrou fogo nas negociações e no contato com os eleitores. Nada de tom amistoso em relação ao adversário. Em entrevista coletiva, Paes disse que espera poder construir uma ampla aliança.
Paes disse que também está estabelecendo contato com o PRB de Marcelo Crivella e o PCdoB de Jandira, mas negou ter procurados os candidatos. Sobre a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o peemedebista está confiante. Paes diz ter certeza de que seu passado como oposição no Congresso não impede a aliança.
– Eu acho que todos nós temos embates políticos e sabemos superar isso. O presidente Lula é um homem que tem demonstrado um carinho enorme pela cidade do Rio.
Pela manhã, o peemedebista recebeu em sua casa na Barra da Tijuca a visita do ministro Carlos Lupi (PDT) e da secretária estadual de de Assistência Social e Direitos Humanos, Benedita da Silva (PT).
– O Rio de Janeiro precisa de uma força politica que possa unir a cidade. Pretendo me unir a partidos que queiram mudanças para a cidade – afirmou Paes.
Benedita da Silva disse que o PT ainda não definiu posicionamento:
– Ainda não me reuni com os representantes do partido, mas estamos conversando.
Já o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, demonstrou estar mais com o pé no palanque do PMDB.
– Eu disse que ao Paes que tenho uma dificuldade de caminhar ao lado do Gabeira porque ele está representando a oposição.
O presidente do diretório municipal do PT, Alberes Lima, afirmou ter maioria para aprovar a aliança com Paes, ex-opositor do governo Luiz Inácio Lula da Silva no Congresso. Lima desmentiu informações sobre uma ala do PT favorável a Gabeira.
– Estão dizendo que há um núcleo do PT que defende o Gabeira. Eu quero conhecer esse pessoal, porque não conheço não.
Ciente da declaração do representante petista no Rio, o candidato verde deixou claro que pretende negociar com pessoas, não com partidos, e que vai procurar Alessandro Molon:
– Participamos de muitos debates juntos e compartilhamos algumas propostas. Vou procurar o Molon.

Marta perde força na classe média

Por Carlos Marchi
no Estado de São Paulo

Se os números da eleição de domingo forem comparados aos de 2004, logo se perceberá que a candidata Marta Suplicy (PT) perdeu substância eleitoral na classe média e foi "empurrada" para a periferia, observam analistas consultados pelo Estado. Em 2004 ela teve 47% dos votos do Capão Redondo, no extremo da zona sul, por exemplo; agora, teve 53%. Em compensação, no bairro central da Bela Vista, ela conquistou 30% dos votos em 2004 e agora não passou dos 24%. "Marta foi empurrada para a periferia", confirma o cientista político Alberto Carlos Almeida, do Instituto Análise.
A votação da petista - que já não era homogênea em 2004 - se tornou agora bem mais concentrada nos bairros mais pobres. Na campanha do primeiro turno Marta se apresentou claramente como a "candidata dos pobres". Recebeu duas respostas: os pobres realmente a premiaram massivamente com seu voto, mas ela perdeu espaço em todos os grupos de classe média nos quais avançara em 2004. "Ela vai ter de buscar mais votos na classe média", opina o cientista político Aldo Fornazieri, da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo.A candidata até aumentou o número proporcional de vitórias em zonas eleitorais. Em 2004, ganhou em 15 das 42 zonas então existentes (36%); agora, venceu em 23 das 57 zonas (40%). Mas seu porcentual geral de votos válidos em 2008 (32,56%) foi reduzido em 3,26 pontos porcentuais, tomando por base seu estoque de 2004 (35,82%). Embora vivendo situações diferentes (em 2004 eram dois candidatos, José Serra e Paulo Maluf, em espectros diferentes), alertam os especialistas, Marta teve de ampliar sua vantagem na periferia para compensar as perdas acentuadas nas regiões mais centrais.
MUDANÇAS
A perda de substância eleitoral pela petista alcançou alguns números expressivos em alguns bairros nem tão centrais assim: na Penha, zona leste, ela obteve 26,53% dos votos em 2004 e agora não passou de 17,49%. No Sapopemba, também na zona leste, ela venceu Serra em 2004, com 43,63% dos votos; agora teve de se contentar com 33,19% - e ainda perdeu lá para Gilberto Kassab (DEM), que atingiu 34,45%.Em Perdizes, bairro de classe média da zona oeste, a petista obteve 24,54% dos votos em 2004, mas agora alcançou escassos 16,39%. Para contrabalançar, no bairro pobre do Grajaú, no extremo da zona sul, alcançou agora 68,4% dos votos, bem mais que os 63,69% de 2004. Os exemplos se sucedem: em Santana, classe média da zona norte, teve 25,99% em 2004 e agora caiu para 12,19%. Em Piraporinha, no extremo da zona sul, obteve 52% em 2004 e agora pulou para 59,56%.Almeida registra que o mesmo fenômeno marcou as duas eleições presidenciais de Lula: "Em 2002, Lula teve uma votação bem mais homogênea, mas em 2006 sua votação migrou para as áreas mais pobres." Ele opina que Marta deverá, no segundo turno, buscar um discurso mais voltado para a saúde, que parece ter influenciado o voto da grande maioria do eleitorado no primeiro turno.Fornazieri observa que a eleição paulistana mostrou uma apropriação de discurso: da mesma forma que Lula potencializou os programas sociais antes criados por Fernando Henrique Cardoso, Kassab agora tomou para si o discurso de forte inflexão social que antes era exclusivo do PT.

Sob comando de Serra, PSDB anuncia hoje apoio a Kassab

Por Cátia Seabra
na Folha de São Paulo

Sob a direção do governador José Serra, o PSDB adotou rito sumário para a costura do apoio à candidatura de Gilberto Kassab (DEM). O anúncio oficial acontece hoje, às 13h, com a presença do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. O ex-governador Geraldo Alckmin não participará.Com a decisão, Kassab poderá exibir depoimento de Serra em seu programa de TV já a partir de amanhã. A gravação de Serra já está programada.Além disso, a estrutura dos comitês do PSDB ficará à disposição da campanha de Kassab.Graças a intervenção do presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra (PE), o Diretório Municipal aprovou, na noite de ontem, o apoio a Kassab.Sem perspectiva de fechar novas alianças, Marta Suplicy (PT) minimizou a movimentação, alegando que apoio partidário, a essa altura, não influencia o eleitor. A reunião de hoje foi convocada pelo presidente estadual do PSDB, Mendes Thame, já na noite de domingo. O cronograma foi definido com Guerra e o presidente municipal, José Henrique Reis Lobo.Além de não participar do ato de hoje, Alckmin deverá viajar durante o segundo turno para o México, onde vive seu filho.No Palácio dos Bandeirantes, a avaliação é que não se deve perpetuar o desgaste sofrido no primeiro turno. "Queremos fazer isso rapidamente para evitar desgaste", disse Thame. A pedido de Serra, Lobo disse a deputados alckmistas que eles não sofrerão retaliações.Dois deles serão chamados para uma reunião com o governador. Ficou também combinado que os pedidos de expulsão de kassabistas ficarão para depois.Ainda assim, a reunião deixou evidentes as mágoas herdadas do primeiro turno. Coordenador de campanha de Alckmin, Edson Aparecido apoiou a expulsão dos tucanos kassabistas.Líder do PSDB na Câmara, José Aníbal disse que as feridas permanecerão abertas caso os kassabistas não sejam punidos.Ontem, num almoço com o comando nacional do DEM, Kassab pediu que o partido não interviesse na discussão interna do PSDB. No almoço, Kassab recomendou que se deixasse a negociação nas mãos de Serra e do chefe da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira.A direção nacional do DEM ficou encarregada de divulgar nota de apoio ao PSDB em todas as cidades do país. O gesto -programado para hoje- foi antecipado a pedido de Kassab.Marta Suplicy minimizou a negociação de alianças. "Cúpula de partido não resolve voto do eleitor. Estou na Cidade Tiradentes [extremo leste], o eleitor daqui não está interessado em quem apóia quem, está interessado em quem vai resolver o problema do hospital Tiradentes aqui do lado."Marta afirmou que ligou ainda no domingo para Alckmin para "parabenizá-lo pela elegância e pela ética": "Porque ele enfrentou as adversidades que enfrentou", disse ela, que já faz alguns dias vem lançando afagos ao eleitorado tucano.Encarregado da costura de aliança à candidatura de Kassab, o democrata Guilherme Afif se reúne hoje com o presidente municipal do PPS, Carlos Fernandes. A idéia é que o partido anuncie apoio a Kassab na quarta, após reunião com a candidata derrotada, Soninha.

Socorro só é eficaz se problema for bem dimensionado

Por Ayr Aliski
no Jornal do Brasil

No final dos anos 90, o governo brasileiro gastou R$ 20,4 bilhões para sanar a crise que ameaçava o sistema financeiro nacional. Sete bancos desapareceram entre o fim de 1995 e o início de 1997, e todos foram incorporados por instituições mais fortes, por meio do Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (Proer).
Dados do BC comprovam o efeito de enxugamento promovido na metade final da última década. No final de 1993, o Sistema Financeiro Nacional (SFN) contava com 1.065 instituições, caindo para 833 empresas ao final de 1998, ou seja, uma redução de 23,66%.
A crise do sistema financeiro nos anos 1990 tornou-se evidente com o fim da inflação. Instituições que operavam apoiadas no floating inflacionário perderam capacidade de atuar no novo cenário de estabilidade e estavam sob risco de falência. Apresentavam carteiras lotadas de ativos de alto risco. Sem liquidez e capacidade de cumprir compromissos, estavam prestes a deixar seus clientes a descoberto.
Frente ao risco sistêmico existente, o governo criou o Proer, para os bancos privados. Menos de um ano depois, surgia o Programa de Incentivo à Redução do Estado na Atividade Bancária (Proes), dirigido aos bancos estaduais.
O Proer criou uma linha especial de assistência destinada a financiar as reorganizações operacionais, financeiras e societárias. Estabeleceu também que nas fusões, a instituição em crise era dividida em duas, ficando com o Banco Central os ativos de má-qualidade e os créditos. O restante era vendido, ou seja, os bancos compradores assumiam os correntistas e os ativos de boa qualidade.
O economista Carlos Eduardo de Freitas foi diretor da Área Externa do BC entre 1985 e 1988. Acompanhou de perto o processo de fusões de instituições bancárias promovidas pelo Proer e pelo Proes.
– O resultado foi muito bom, o sistema financeiro foi preservado – diz ele.
Freitas alerta que eventual inoperância do governo poderia ter gerado um sistema de falências em cadeia, atingindo não apenas o sistema bancário, mas enfraquecendo toda a economia.
Segundo Freitas, em uma crise de tamanha dimensão, o dinheiro do contribuinte está comprometido. A diferença, destaca, é entre reordenar o mercado por meio de ações regulatórias ou correr o risco de desestabilizar toda a economia. Ele adverte que a falta de ação na contenção da crise de 1929 nos Estados Unidos gerou a recessão, com efeitos negativos durante uma década.
Segundo o economista, no entanto, não há como comparar a crise atual do sistema financeiro dos Estados Unidos com a que provocou a implantação do Proer.
– Nossa situação era mais simples, o governo agiu sobre problemas localizados, de forma cirúrgica. Nos Estados Unidos, há uma dificuldade para dimensionar o problema. A bolha estourou e espalhou o vírus para todo o organismo – diz.
O senador Marco Maciel (DEM-PE), vice-presidente da República na época de implantação do Proer, relembrou a implantação do programa de socorro ao sistema financeiro nos anos 1990. Em pronunciamento no Senado, Maciel disse que o programa evitou que fosse implantada uma crise de efeitos imprevisíveis e argumentou que as despesas de mais de R$ 20 bilhões com o Proer, cerca de 2,7% do Produto Interno Bruto (PIB), foram "relativamente baixas", tendo em vista que estancaram a crise.