domingo, 5 de outubro de 2008

Eleições no Rio: com mais de 95% das urnas apuradas, Paes tem 32,04%, Gabeira 25,76% e Crivella, 18,9%

No Globo online

RIO - Faltando apenas 198.693 votos a serem apurados no Rio, o candidato Marcelo Crivella (PRB) não tem mais como alcançar Fernando Gabeira (PV) na disputa pelo segundo turno. Com 95,67% das urnas apuradas, Eduardo Paes (PMDB) tem 32,04% dos votos (1.005.509), contra 25,76% (808.297) de Fernando Gabeira (PV) e 18,90% (593.227) de Marcelo Crivella (PRB).
Com o resultado, Paes e Gabeira disputarão o segundo turno no dia 26 de outubro.
A pesquisa de boca-de-urna feita pelo Ibope, divulgada logo após o encerramento da votação, já indicava que Paes e Gabeira (PV) deveriam disputar o segundo turno. Paes apareceu na boca-de-urna com 33%, seguido por Gabeira, com 23%. O candidato do PRB, Marcelo Crivella teve 20%. Paes disse que recebeu com alegria o resultado da pesquisa. Ele agradeceu os votos recebidos e afirmou que a população entendeu a mensagem que transmitiu na campanha. Paes também elogiou o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Carlos Ayres Britto, pela "atuação na festa da democracia" e por ter mandado tropas federais para garantir a tranqüilidade nas eleições no Rio. Para o candidato, as tropas deveriam ficar também na segurança do segungo turno.
Gabeira se diz tranqüilo
Após saber o resultado da pesquisa, Gabeira afirmou estar tranqüilo e que vai aguardar o resultado oficial da apuração.
- Eu vejo o resultado com muita tranquilidade. Nós esperamos que essas pesquisas sejam corretas, pois nem sempre estiveram, mas só vou me manifestar comemorando após a apuração dos votos. A sensação que nós tivemos nas ruas hoje é de um grande apoio da população - afirmou. Crivella duvida da pesquisa
Já Crivella afirmou, assim que chegou à sua residência na Barra da Tijuca, que fez um levantamento por meio de sua militância e que terá de 100 a 150 mil votos de vantagem sobre o candidato verde:
- Nossa boca-de-urna mostra exatamente o contrário. Estou com certeza de que iremos para o segundo turno. Minha militância também fez boca-de-urna e nós estamos com uma diferença boa, de 100 a 150 mil votos. E ainda vamos nos aproximar do Eduardo porque hoje chuveu muito.
Crivella também comentou possíveis alianças com partidos para o segundo turno. Segundo o candidato, o PT e o presidente Lula estarão junto com ele:
- Tenho a impressão de que o PT e o presidente Lula ficariam conosco. Tenho essa firme convicção porque tenho conversado com os líderes, mas estamos aguardando a contagem final dos votos. Não é hora de especular sobre isso.
Antes de chegar a seu apartamento na Barra, Crivella chegou a dirigir o próprio carro de campanha a partir da Rua Luiz Coutinho Cavalcânti, em Guadalupe, e cometeu diversas infrações de trânsito. O senador avançou cerca de cinco sinais fechados, vários deles na Rua Edgard Werneck, em Jacarepaguá, além de subir a calçada da Rua Carolina Machado, em Marechal Hermes, para cortar caminho. Na Rua Xavier Curado, ele parou em cima da faixa de pedestres e cortou um caminhão pela contramão.

Oposição sempre

Seguindo o ensinamento de Millor Fernandes de que jornalismo é oposição e o resto é secos e molhados, deixo claro aos meus cinco leitores que o blog continuará atacando, sempre na oposição, SEMPRE NO ATAQUE.

Bota o retrato do véio

Quando o São Paulo foi campeão do Campeonato Brasileiro do ano passado, Juca Kfouri escreveu no seu blog que o meu time ganhou com o pé nas costas. Assim foi Iris Rezende. Ele ganhou estas eleições com um pé nas costas. Talvez sua eleição tenha sido garantida quando o PT se dividiu e uma ligeira maioria decidiu apoiar sua candidatura. Talvez um candidato petista no páreo poderia levar as eleições para o segundo turno.
Iris Rezende mora num prédio em frente ao Bosque dos Buritis. Moro mais ou menos perto já escuto os rojões. Imagino Iris sorridente, abrindo os braços e, é lógico, no seu “intindimentu” planejando os próximos quatro anos. Quatro anos? Será que o PT apoiaria Iris Rezende sem querer nada em troca? Epa! Aí tem coisa. Tem coisa para a oposição. Eu falei em oposição? Ora essa, Iris Rezende praticamente não teve oposição neste primeiro mandato como prefeito. Humberto Aidar denunciou que a prefeitura havia beneficiado a irmã de Iris? Veja onde o petralha está agora.
Com o PT ao seu lado, Iris Rezende poderá pensar em 2010. Eram os petralhas que o acusava de deixar a prefeitura para se candidatar ao governo. Agora o petralhismo virou irista. Tudo o que Iris Rezende fizer terá a aprovação dos petralhas.
E Delúbio Soares? Será que vai ao prédio de Iris abraça-lo? Dá uma vergonha quando leio nos jornais do eixo Rio-São Paulo que Delúbio anda tranquilamente aqui. Sem nem levar uma ovada na cara. Mas pra que criar confusões neste domingo de festa? Para homenagear o velho e seus amigos petralhas relembro uma marchinha de carnaval de 1950 que comemorava a volta de Getúlio Vargas à presidência destêpaiz:

Bota o retrato do velho outra vez
Bota no mesmo lugar
O sorriso do velhinho
Faz a gente trabalhar

Eu já botei o meu
E tu, não vai botar?
Já enfeitei o meu
E tu vais enfeitar ?
O sorriso do velhinho
Faz a gente trabalhar



Ibope e Serpes apontam reeleição de Iris

Do Goiásnet.com

Em suas pesquisas de boca-de-urna, realizadas neste domingo, os institutos Ibope e Serpes apontam a reeleição do prefeito de Goiânia Iris Rezende (PMDB).
Pelo Ibope, Iris Rezende vence a eleição no primeiro turno com 71% dos votos contra 15% de Sandes Júnior (PP). Gilvane Felipe (PPS) e Martiano Cavalcante (PSOL) aparecem com 5% da preferência do eleitorado. O número de votos nulos totalizado foi de 4%.
Se contabilizados apenas os votos válidos - excluídos os votos brancos e nulos - Iris Rezende sobe para 74% e Sandes Júnior cai para 11%, segundo o Ibope. Os índices de Gilvane Felipe e Martiano Cavalcante se mantém em 5%.
O Ibope ouviu 2 mil eleitores na capital. A pesquisa tem margem de erro de 3% e foi registrada com o número 33648/2008 na 133ª Zona Eleitoral.
Pela pesquisa de boca-de-urna do Serpes/Jornal O Popular, Iris Rezende também está reeleito e com um número de votos ainda maior: 74,4%. Sandes Júnior (PP) aparece em segundo lugar, contabilizando 13,2% dos votos. Gilvane Felipe (PPS) é o terceiro colocado: 4,7%, e Martiniano Cavalcante (PSOL) tem 3,6% dos votos.
Considerados apenas os votos válidos, Iris Rezende tem 77,5% dos votos contra 13,8% do candidato pepista Sandes Júnior. Gilvane Felipe soma 4,9% dos votos válidos e Martiniano Cavalcante tem 3,8%.
O Instituto Serpes ouviu 801 eleitores. A margem de erro da pesquisa é de 3,46% para mais ou para menos e foi registrada com o número 6221 no Conselho de Responsabilidade Estadual.

Votos apurados - Aparecida de Goiânia

Maguito Vilela - PMDB
56.469
78%

Marlúcio Pereira - PTB
14.472
20%

Helio Moreira - PSOL
632
0%

Votos apurados - Anápolis

Antonio Gomide - PT
72.150
42%

Onaide Santillo - PMDB
34.548
20%

Ridoval - PSDB
34.056
20%

Maguito Vilela lidera a apuração em Aparecida de Goiânia (GO)

Na Folha online

Com 2% dos votos apurados, o candidato Maguito Vilela (PMDB) aparece com 77% dos votos válidos em Aparecida de Goiânia (GO), contra 21% para Marlúcio Moreira (PTB).
A votação para os cargos de vereador e prefeito foi encerrada na maior parte do país às 17h deste domingo.
O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Carlos Ayres Britto, disse neste domingo que as capitais devem conhecer o resultado das eleições municipais até as 22h. A previsão é de que a apuração seja concluída na maioria dos municípios até a meia-noite. A apuração total deverá ser encerrada amanhã.

Urnas de Santo Antônio do Descoberto e Goiânia serão auditadas

Do site G1

O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Goiás sorteou neste sábado (4) duas urnas eleitorais para serem auditadas pela Votação Paralela, uma em Santo Antônio do Descoberto e outra em Goiânia. De acordo com o Tribunal, a auditoria permitirá que não haja qualquer tipo de especulação acerca da manipulação de resultados.
O Sistema de votação paralela é um procedimento que visa comprovar a confiabilidade do sistema eletrônico de votação. Para tanto, jovens escoteiros e bandeirantes da União dos Escoteiros do Brasil – Região Goiás simularam em cédulas seus votos. Neste domingo (5), estes votos serão computados nas urnas eletrônicas e os resultados comparados.

A urna sorteada em Santo Antônio do Descoberto é da 24ª Zona Eleitoral, seção 007. Já a de Goiânia, a urna escolhida foi da 146ª Zona Eleitoral, seção 177.

Adolescentes furtam urna eletrônica em Goiânia

Do site G1

Um grupo de quatro adolescentes furtou uma urna eletrônica no município de Goiânia (GO). De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE),os quatro jovens já foram presos e a urna recuperada. O furto aconteceu na madrugada deste domingo (5), antes da abertura das seções. A urna foi furtada no Colégio Estadual Professor Joaquim Carvalho Ferreira, no bairro Capuava. De acordo com o secretário de Tecnologia de Informação do TSE, Giuseppe Dutra Janino, o furto não se trata de um possível crime eleitoral, mas de crime comum. “A informação que obtivemos foi de que foram menores, quatro pessoas, que procuravam encontrar algo de valor na escola”, disse Janino.

Sem energia

Também em Goiás, o município de Trindade está sem energia elétrica neste domingo de eleição. Mesmo assim, o TSE afirma que as urnas eletrônicas continuam operando normalmente porque existem baterias capazes de garantir o funcionamento. De acordo com Janino, a previsão é de que o município fique todo o dia sem energia elétrica, mas não há risco para a eleição. “Não haverá qualquer interrupção no sistema de votação eletrônico”.

Pesquisa Ibope - Boca de Urna - Rio de Janeiro

Votos válidos:Eduardo Paes (PMDB): 33%Gabeira (PV): 23%Marcelo Crivella (PRB): 20%Margem de erro: 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.Solicitante: Globo Comunicação e Participações S.A e S/A O Estado deSão Paulo.Registro: Pesquisa registrada sob número 446/ 2008 na 228ª ZonaEleitoral de Rio de Janeiro/ RJ.

Pesquisa Ibope - Boca de Urna - São Paulo

Votos válidos: Marta (PT): 36%Gilberto Kassab (DEM): 32%Geraldo Alckmin (PSDB): 21%Margem de erro: 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.Solicitante: Globo Comunicação e Participações S.A. e S.A. O Estado de São Paulo.Registro: Pesquisa registrada sob número 5407/2008 na 1ª Zona Eleitoral de São Paulo/SP.

Só depois das 19 horas

Não vejo a hora da divulgação das pesquisas de boca de urna aqui em Goiânia. Estou acompanhando pelo site G1. Mas, por problemas em algumas urnas, o período para votação foi adiado até as 19 horas. Portanto, só depois das 19 horas teremos a divulgação das primeiras pesquisas.

TRE esclarece problemas em urnas que apresentaram defeitos e prolonga horário de votação

No DM online

Segundo a presidente do TRE-GO, desembargadora Beatriz Figueirado Franco, os problemas ocorridos nas zonas eleitorais de números 133, 134, e 127 já foram resolvidos.O problema se deu em razão à incompatibilidade dos chips que foram colocados nas urnas, que são modelos do ano de 1998. "Houve problemas no chip e na comunicação entre os mesários e o corpo técnico do TRE. Os mesários passaram o número de telefone interno de reclamação do TRE para os eleitores, o que causou o congestionamento da linha, dificultando o acesso do TRE aos locais que tiveram problemas." expilcou a presidente.Para os eleitores que não votaram, eles devem se dirigir ao local até às 17h e pegar uma senha para a votação, que ocorrerá até as 19 h. Devido ao imprevisto, a apuração começará as 17 h, mas os resultados só serão divulgado após às 19h. E o TRE informa que a divulgação de boca de urna só poderá ser feita também após às 19h.

Será que pode?

Quando estava esperando para entrar na sala de votação hoje, vi um papel pregado na parede falando que era proibido entrar na cabine de votação com crianças mesmo acompanhada dos pais. Aí eu vejo no Em cima da hora da Globo News os candidatos a Prefeitura do Rio de Janeiro na cabine de votação com crianças no colo ou acompanhados dos filhos já crescidinhos. Como assim? Pode ou não pode entrar na cabine de votação com crianças e filhos crescidinhos?

Presidente do TSE prevê divulgação de resultados antes das 22h

No Estadão online

SÃO PAULO - O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Carlos Ayres Britto, afirmou neste domingo, 5, que as eleições transcorrem em um cenário de tranqüilidade em todo o Brasil e que "tudo leva a crer" que a divulgação dos resultados, prevista para as 22 horas, será antecipada. "Nesse clima de regularidade, a possibilidade de antecipação ocorre", disse Britto.
O ministro afirmou ainda que os vencedores serão conhecidos ainda neste domingo na maioria dos municípios brasileiros. "Estamos convictos de que temos as eleições nas mãos, mas não podemos descartar disfunções", ressaltou o presidente do TSE durante entrevista coletiva.

Britto também destacou que, apesar das substituições de urnas eletrônicas terem ocorrido em maior número em 2008 do que em 2006, as dificuldades foram pontuais e não acarretaram maiores problemas. Até as 11h40, 967 urnas foram substituídas, segundo informações do TSE. Do total de 455.971 urnas eletrônicas distribuídas no Brasil para as eleições municipais de 2008, 0,2% do total foram substituídas. Em 2006, até o mesmo horário, 423 haviam sido substituídas, o correspondia a 0,12% do total das 361.431 que estavam em atividade naquela eleição.

Lara Brito... Ah, Lara Brito

Alguém se lembrará de Gilvane Felipe? Quem sabe em 2010 ele não tenta uma vaga na Câmara dos Deputados ou na Assembléia Legislativa? Ou será que ele está pensando em disputar o governo do estado?
Acorda cidade criativa/ No seu peito bate a madrugada viva.Confesso que tentei entender este verso da música do Gilvane Felipe e não consegui. Que madrugada é esta? Uma madrugada viva? Madrugada é para se dormir e não para se viver. E a proposta de parar o crescimento de Goiânia? Bora construir um muro, não é mesmo?
Só Lara Brito salvou a campanha de Gilvane Felipe. Aqueles cabelos, aquele sorriso, aquele olhar, aquele pele clara. Ah, Lara Brito... Falei em verso no parágrafo anterior. Para homenagear Lara Brito: Você é linda, mais que demais/ Você é linda sim/ Onda do mar do amor que bateu em mim. Sorte pra você, Lara!

Pelo menos a culpa não é mais do capitalismo

Martiniano Cavalcante fez uma boa campanha. Ao contrário das anteriores ele estava mais sereno. Até sorridente. Será que Martiniano anda ouvindo conselho de marqueteiro? Pelo menos, desta vez, ele não culpou o capitalismo pelos males de Goiânia. Muito menos ameaçou tirar grana dos burgueses.
Nem tudo são flores. Na última propaganda eleitoral, Martiniano Cavalcante quis ligar o socialismo à liberdade e o amor ao próximo. Como assim? Cuba, China, Coréia do Norte e a antiga União Soviética pregaram o socialismo e nos seus territórios liberdade e amor ao próximo não são elementos presentes. Muito pelo contrário. O Estado socialista vigia o cidadão limitando suas ações. E quanto ao amor, basta lembrar dos milhões de mortos que os socialistas fizeram nestes anos todos. É uma pena que ninguém questiona isso àqueles que querem um partido político com o nome de socialismo e liberdade.

Chamem o Carlos Minc

Sandy Júnior usou boa parte dos seus últimos programas eleitorais criticando os bens de Iris Rezende. Disse que o prefeito declarou fazenda, mas não declarou os bois que possivelmente pastariam ali. Ele até questionou no debate da TV Anhanguera na quinta passada: “Será que ali só tem capim?”. Pois é, será que só tem capim mesmo? As eleições aqui em Goiânia já estão sendo decididas. Em menos de duas horas as urnas serão lacradas, levadas para a sede do Tribunal Regional Eleitoral na Praça Cívica onde começará o processamento dos votos. E depois? De acordo com as pesquisas Serpes e Ibope Iris Rezende já faturou esta eleição. Sandy Júnior vai voltar para a Câmara dos Deputados. Será que ele vai deixar de lado as denúncias que fez na reta final da campanha eleitoral? Será que ele não vai defender nenhuma investigação? Sugiro que Sandy Júnior convide o ministro do Meio Ambiente Carlos Minc para supervisionar a fazenda irista. Boi pirata é com Minc mesmo.

Eleições municipais antecipam disputa presidencial de 2010

Na Folha online

As eleições municipais que ocorrem neste domingo em todo o país antecipam a disputa presidencial de 2010, já que o partido que obtiver os melhores resultados nas urnas dará o primeiro passo para garantir o poder de governar o país entre 2011 e 2014.
Além disso, as legendas que elegerem mais vereadores e prefeitos terão a base que precisam para eleger mais deputados e senadores em 2010.
A pesquisa
Datafolha divulgada em setembro sobre a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva torna previsível o resultado das eleições 2010.
Um exemplo da popularidade de Lula está a campanha do PT à Prefeitura de São Bernardo. O candidato do partido, Luiz Marinho, começou a disputa em terceiro lugar, mas, com o empenho do presidente e uma campanha cara, tornou-se o favorito. Neste domingo, o principal adversário de Marinho é Orlando Morando (PSDB), candidato apoiado pelo atual prefeito Willian Dib (PSB).
Embalado por bons resultados na economia e por grande exposição na campanha eleitoral, o presidente quebrou o seu próprio recorde de avaliação positiva, segundo o Datafolha. A pesquisa mostra que 64% da população consideram seu governo ótimo ou bom. O recorde anterior já colocava Lula na frente de todos os presidentes eleitos após a redemocratização.
Pela primeira vez, o presidente petista tem o apoio da maioria no Sudeste (57%), nas regiões metropolitanas (57%), entre os que têm curso superior (55%) e entre os que vivem em famílias com renda familiar mensal superior a dez salários mínimos (57%).
Os resultados da pesquisa coincidem com a divulgação de um crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de 6% no primeiro semestre e com o momento em que a inflação começa a ceder.

Martiniano Cavalcante vota e diz que sensação da campanha é de dever cumprido

No DM online

O candidato à prefeitura de Goiânia, Martiniano Cavalcante (PSOL), votou agora há pouco no Colégio Victoria Figueiredo, no setor Bueno. Em entrevista à Rádio 730, Martiniano falou sobre sua campanha. "A sensação é de dever cumprido e de alegria, pois trabalhamos com um ideal. Tivemos poucos recursos materiais, mas trabalhamos com um projeto grandioso de transformação para a nossa querida Goiânia."O candidato também falou sobre o segundo turno falou sobre segundo turno. "Agora não é hora de acreditar ou não acreditar, mas pensar que o eleitor vai tomar a melhor decisão. Se Houver segundo turno, espero estar nele", declarou.

Iris vota no Colégio Marista e evita falar em favoritismo

No DM online

O candidato à reeleição para a prefeitura de Goiânia, Iris Rezende (PMDB), votou agora há pouco no Colégio Marista, na 130ª zona eleitoral. Iris passou pela fila da seção, votou rapidamente, cumprimentou as pessoas e falou com a imprensa. O candidato evitou falar em favoritismo na corrida eleitoral. "A expectativa é a melhor possível por uma vitória. Mas aguardo com humildade o resultado final, que será a vontade da nossa população.

Gilvane Felipe vota e acredita que mudança de 'última hora' vai provocar o segundo turno

No Diário da Manhã online

O candidato à prefeitura de Goiânia, Gilvane Felipe (PPS), votou agora há pouco no Colégio Anglo, em Campinas. Na opinião dele, a mobilização de 'última hora' pode mudar o rumo das eleições na capital. "Desde a última quarta-feira temos sentido uma movimentação muito grande do eleitorado, que começou realmente a discutir as eleições e as suas escolhas. Essa reflexão de última hora vai garantir o segundo turno".

Sandes Júnior já votou, no Setor Bueno

No O Popular online

O candidato do PP, Sandes Júnior, já votou no Colégio Renascer, no Setor Bueno. Ele chegou acompanhado da esposa e de correligionários. O candidato da Coligação Goiânia da Gente cumprimentou mesários, votou rapidamente e mostrou otimismo em entrevista à Rádio CBN. Sandes se diz confiante na realização de segundo turno em Goiânia.

Iris Rezende votou às 10 horas, no Colégio Marista

No O Popular online

O candidato à Prefeitura de Goiânia Iris Rezende, do PMDB votou às 10 horas no Colégio Marista, em Goiânia. O atual prefeito de Goiânia vota na seção 1 da zona 133. Ele estava acompanhado do vice da Coligação Goiânia em Primeiro Lugar, Paulo Garcia. Após o voto, perguntado se seria candidato na próxima eleição para governador, Iris preferiu não responder e disse que o futuro a "Deus pertence".
Mais cedo, em entrevista à Rádio CBN, o candidato atribuiu a vitória no primeiro turno em Goiânia à proximidade com a população que adquiriu durante o atual mandato no Paço Municipal.

Gilvani Felipe e Martiniano Cavalcante já votaram

Do O Popular online

O candidato do PPS à Prefeitura de Goiânia, Gilvane Felipe, votou há pouco no Colégio Anglo, em Campinas. Já, Martiniano Cavalcante, do PSol, e que também disputa o governo municipal, votou às 8h30 no colégio Os Pequeninos, no Setor Bueno.

A mesma coisa

Eu estava indo votar e reparando que as ruas estavam limpas. Um ou outro santinho estava no chão. Mas quando chego na calçada da UVA (antigo Colégio Biomédico) (parênteses 2: não me perguntem o que significa UVA) o chão estava repleto de santinhos de vários candidatos dos mais variados partidos. É sempre a mesma coisa. Cada eleição as coisas não mudam. Mas isso tem uma coisa boa. Podemos pisar na cara de alguns safados que desejam ardentemente participar ou manter a farra do boi.

Cada zero no seu quadrado

Já ouvi e já li muita gente afirmar que é errado votar nulo. É mesmo? Então por que será que o Tribunal Superior Eleitoral nunca proibiu tal alternativa? Por um acaso é ilegal preencher os quadrados com zeros? Ah, não me venham com este discurso marxista de definir o futuro. É a esquerda que deseja isso ardentemente. Eles querem decidir o nosso futuro. Não, eu não deixo eles decidirem meu futuro. Nem os esquerdopatas e muito menos conversas ou editoriais repletos de palavras bonitas exaltando o dia que todo mundo é obrigado a digitar um bocado de números num quadrado irão decidir o meu futuro. Ado, aaaaaado cada zero no seu quadrado.
Votei nulo, e daí? Não confio em Iris Rezende, nem em Sandy Júnior, muito menos em Gilvane Felipe ou Martiniano Cavalcante. Nenhum deles apresentou proposta decente para a nossa capital. Só coisas bonitas, só promessas de um futuro melhor para Goiânia. Votei nulo e votei consciente. Por falar em consciente quase saí da cabine de votação dançando: Ado, aaaaado, cada zero no seu quadrado. Mas não fiz isso. Não quero passar o domingo preso num ginásio de esportes só porque não soube controlar minha euforia ao preencher os quadrados eletrônicos com vários zeros. Ado, aaaaado, cada zero no seu quadrado.

Alguma novidade?

As pesquisas Serpes e Ibope mostram Iris Rezende reeleito hoje. E como uma folga nunca vista na história desta cidade. Alguma novidade? Incompetente foram os adversários que não souberam contrapor a administração atual. Incompetente foram os adversários que assumiram sua incompetência no debate realizado pela TV Anhanguera na quinta feira passada. Ora, se eles querem debater mais num segundo turno é porque não tiveram capacidade de planejar um debate sério sobre os problemas e as soluções da cidade nos quase três meses de campanha. Se em três meses eles não conseguiram discutir será que em poucas semanas farão isso? Bem, vamos aos números das pesquisas:

Pesquisa Serpes:

Candidato Estimulada Votos Válidos


Iris Rezende 71,2% 78,6%
Sandy Júnior 13% 14,3%
Gilvane Felipe 3,9% 4,3%
Martiniano Cavalcante 2,5% 2,8%

Pesquisa Ibope:

Candidato Estimulada Votos Válidos


Iris Rezende 70% 75%
Sandy Júnior 16% 17%
Gilvane Felipe 4% 4%
Martiniano Cavalcante 4% 4%

Brasil é o 4º credor dos EUA e nível de exposição preocupa

Por Patrícia Campos Mello
no Estado de São Paulo

O Brasil já é o quarto maior credor individual dos Estados Unidos. Tem US$ 148,4 bilhões em títulos do Tesouro americano, de acordo com os dados mais recentes de Washington, de julho. O País só perde para Japão (US$ 593,4 bilhões), China (US$ 518,7 bilhões) e Grã-Bretanha (US$ 290,8 bilhões) - os países exportadores de petróleo aparecem na frente do Brasil porque estão agrupados.Em meio à crise nos Estados Unidos e ante a perspectiva de um grande aumento na dívida do país, a concentração das reservas brasileiras em títulos do Tesouro americano (Treasuries) desperta preocupação. Rússia e a Índia vêm reduzindo a exposição ao dólar. Esses títulos ainda são o investimento mais seguro do mundo. Recentemente, em meio à turbulência, a remuneração de alguns desses papéis caiu para quase zero por causa do aumento na demanda por esses títulos - resultado de investidores fugindo de qualquer tipo de risco."Não vejo ninguém preocupado com um calote dos Estados Unidos", diz Jon Huenemann, diretor de comércio exterior do escritório Miller Chevallier e ex-representante-assistente de comércio dos EUA. Mas, se a crise se aprofundar, a economia americana entrar em recessão e a dívida explodir, aí pode-se pensar em diversificação, diz o executivo. O economista Brad Setser, pesquisador do Conselho de Relações Exteriores que acompanha os fluxos globais de capital, acha que a administração das reservas brasileiras tem sido cautelosa e não vê problema na concentração em títulos do Tesouro americano. Mas ele aponta que outros países vêm diversificando as reservas."Rússia e Índia vêm diversificando bastante as reservas, reduzindo bastante a exposição ao dólar", diz Setser. A Rússia deve estar com cerca de 45% das reservas denominadas em dólar, ante menos de 40% da Índia. A Índia tem muitos depósitos no BIS. A China tem muitos títulos da Fannie Mae e Freddie Mac, além de Treasuries. Esse foi um dos principais motivos para o resgate das agências pelo governo americano - a China, uma das maiores financiadoras do déficit americano, seria a maior vítima de um calote da Fannie e da Freddie. A Coréia também tem muitos títulos da Fannie e Freddie e papéis de empresas americanas, que vêm se desvalorizando marcadamente nos últimos tempos.

Crise nos EUA afeta vizinhos mexicanos

Por Douglas Duarte
na Folha de São Paulo

Griseldas Solís, 33, faz sua parte: penteia o cabelo para trás com esmero, aplica uma grossa camada de sombra cor-de-rosa nos olhos para combinar com a blusa e os brincos chamativos e se posta o dia inteiro à frente da Boutique MexUSA, numa das esquinas da praça central de Bejucos, cidadezinha de três mil habitantes na Sierra Madre mexicana.Não adianta: poucos aparecem para comprar as blusas decotadas e coloridas que acarpetam as paredes da loja. Não há dinheiro circulando na cidade. A culpada tem as mesmas cores das unhas azul-branco-escarlates de Griseldas: a crise econômica dos EUA, que está batendo duro nas remessas enviadas de volta para casa por imigrantes mexicanos legais e ilegais.No caso da vendedora, o golpe é duplo: a dona da loja, que vive no Texas, já avisou que garante o funcionamento da butique e seu salário de US$ 120 só até dezembro; ao mesmo tempo, o marido de Griseldas, que há 14 anos vai e volta dos EUA para trabalhar, não consegue mandar dinheiro há quatro meses. "As aulas recomeçaram agora e não consegui comprar os uniformes e livros para todos os meus filhos" -quatro, com idades entre 7 e 14 anos.A cidadezinha é um microcosmo do momento tenso por que o México está passando. Um dos setores da economia americana mais afetados com a crise foi justo o da construção, fonte de emprego de um quinto dos estimados 14,5 milhões de mexicanos vivendo no país.Em junho, a taxa de desemprego entre os latinos nos EUA era de 7,7%, contra a média nacional de 5,5%. Além da crise econômica, há a migratória: diversos Estados americanos iniciaram nos últimos meses um cerco aos ilegais. Enquanto se mudam em busca de um Estado mais leniente, os sem-documento têm que economizar.
Mi crisis, su crisis
Após dez anos registrando taxas de crescimento de dois dígitos, em 2007 o volume de remessas desse tipo ao México se estabilizou em US$ 23 bilhões. Em 2008, aponta o Banco Central mexicano, a quantidade de dinheiro começará a cair. O mês de agosto registrou uma retração de 12,2% em relação ao mesmo mês de 2007.As remessas são a segunda maior fonte de moeda estrangeira do México, atrás só do petróleo, e 17% da população recebe dinheiro vindo dos EUA. Na última década, o dinheiro garantiu reformas de casa, matrimônios e alimentação em cidades como Bejucos.A diminuição nas remessas pode ser percebida nas casas de câmbio. Antonio Benítez é dono de uma delas e só teve o que fazer durante o dia porque o delegado municipal canalizou para ele os pagamentos das contas de luz. "Ano passado eu tive em média uns 800 envios mensais. Agora, com sorte, chego a 450."Não é apenas o número de envios. Baixaram também as quantidades por remessa. "Antes os envios eram de US$ 600, US$ 800. Agora há muitos envios de US$ 300 e até menos. Muitos", diz ele. Enquanto a reportagem da Folha esteve no local, pelo menos quatro pessoas apareceram para pagar suas contas e, de passagem, perguntar se parentes haviam mandado dinheiro. "Não, nada", desculpava-se Benítez.Em Bejucos, é difícil encontrar alguém que não tenha parentes do outro lado da fronteira, no Texas. Migrar faz parte da cultura local há pelo menos 120 anos, quando Washington contratava milhares de mexicanos para construir ferrovias, pontes e prédios.Com o tempo, os cultivos de melancia, melão, morango, café e milho ao redor da cidade foram sendo abandonados por quem preferia emigrar. De todos os cultivos, o único que tem crescido é o de maconha.A presença de traficantes na região é vista com ambivalência. "Vinham para cá cheios de dinheiro e compravam roupas e enfeites para suas mulheres, aparelhos de ar-condicionado, TVs. Deixavam tudo para trás quando saíam da cidade", conta um comerciante que prefere não ser identificado.Desde 2006, quando o presidente Felipe Calderón destacou 25 mil soldados para combater os cartéis, os traficantes rarearam. "Sei que é feio dizer, mas eles eram bons para a economia daqui", continua.
Reversão
O engasgo na economia conseguiu algo que parecia impensável há alguns anos: provocar um êxodo no sentido inverso. Um dos que retornaram foi David López, que viveu durante 16 anos em Austin, Texas, trabalhando como pedreiro e pintor.Nos últimos anos, mandou remessas constantes de dinheiro para construir uma casa de dois andares. Com a crise, encerrou o contrato de aluguel do apartamento em Austin, pôs tralhas, mulher e filhos em duas picapes e voltou para casa.O governo do município de Tejupilco, do qual Bejucos faz parte, espera capitalizar alguns de seus empreendimentos com o investimento de gente como López. Um dos projetos é um pequeno complexo pecuário que geraria 109 empregos, que só com a ajuda "da iniciativa privada local" sairá do papel. Mas, no que depender de López, não será assim: "Você acha que vou pôr o pouco que economizei na mão do governo? Está louco, amigo?".

Projeto cria juizado especial para indenizar vítima do serviço público

Por Felipe Recondo
no Estado de São Paulo

O governo já tem pronto o texto de um projeto de lei para criar uma espécie de juizado especial da administração pública para analisar pedidos de indenização feitos por pessoas que tenham sido lesadas de alguma forma por funcionários públicos ou por empresas prestadoras de serviço público. O texto, chamado de Lei de Responsabilidade do Estado (LRE), mudará a mentalidade da União na solução de seus conflitos.Hoje, mesmo admitindo ser responsável pelo dano provocado a um cidadão, o governo recorre invariavelmente até a última instância na Justiça para evitar o pagamento da indenização. A intenção principal do governo, de acordo com um ministro, é facilitar a vida do cidadão que é prejudicado pelo Estado.Mas a conseqüência imediata será livrar a União de pequenos e numerosos processos que chegam ano a ano à Justiça e que fatalmente são decididos em favor do contribuinte.A proposta, que será incluída no texto da Lei 9.784, de 1999, permitirá que casos simples, como acidentes de carro provocados por veículos oficiais ou queima de equipamentos gerada por picos de energia, ou mesmo conflitos mais complexos, como danos morais em decorrência do vazamento de grampos telefônicos em operações policiais, sejam resolvidos rapidamente pela Advocacia-Geral da União, sem a necessidade de intermediação da Justiça.
SEM ADVOGADO
Para isso, a lei determinará que o interessado deverá protocolar no órgão que lhe causou o dano um requerimento em que descreverá os fatos ocorridos, o valor do pedido de indenização e uma declaração de que não acionou a Justiça para resolver esse problema. Além disso, deverá incluir seus dados pessoais, como nome, número dos documentos e o endereço para o recebimento das comunicações do processo. Em nenhum momento precisará do auxílio de um advogado.As demandas serão analisadas e decididas pela Advocacia-Geral da União. Caso a requisição seja atendida e o valor inscrito até o dia 1º de julho, o pagamento será efetuado até 31 de dezembro do ano seguinte em conta que será aberta pelo interessado somente para essa finalidade.Se o interessado ficar insatisfeito com o valor, ele poderá recorrer à própria AGU. Se depois da revisão ele permanecer descontente, poderá acionar a Justiça.Depois do pagamento da indenização, a Advocacia-Geral deverá instaurar um procedimento administrativo para identificar o agente público responsável pelo dano causado ao cidadão. No caso de um acidente de carro, por exemplo, a investigação precisará mostrar se o motorista do carro oficial foi, por exemplo, imprudente e teve culpa pela batida.Se houver essa comprovação, o motorista será intimado a ressarcir os cofres públicos no prazo de 30 dias. Se o pagamento não for feito, uma ação judicial contra o agente será aberta a pedido do governo.O presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), Fernando Mattos, avalia como "salutar" a proposta, mas ressalva que o cidadão sempre poderá recorrer ao Judiciário e diz que a lei só terá efetividade se o governo fizer uma avaliação isenta de cada caso."Se não houver o entendimento de que a administração pública deve atuar como órgão de Estado, muitas vezes discordando dos argumentos dos próprios órgãos e, dando razão para os particulares, essa iniciativa não vai levar a nada e não vai desafogar o Judiciário", afirma."Tudo isso vai depender da cultura da AGU e do espírito que vai orientar o julgador, porque se houver uma cultura burocrática de indeferir qualquer pedido do particular, a lei vai cair no descrédito", acrescenta.

Ninguém quis se mostrar como oposição ao presidente

Por Christiane Samarco
no Estado de São Paulo

Revogaram a oposição no Brasil. É o que afirmam líderes e presidentes de partidos aliados e de oposição que percorreram grandes metrópoles e pequenas cidades do interior do País ao longo dos 60 dias de campanha que antecederam a eleição de hoje. Em tempos de popularidade recorde do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (69% de bom e ótimo na pesquisa CNI-Ibope do dia 29) e de temor do eleitorado em eleger um adversário do governador para dirigir sua cidade, oposicionistas de Norte a Sul adotaram o discurso da "parceria administrativa" com o governo estadual e do diálogo com o Planalto, entremeado de elogios a Lula. "Este é um fenômeno totalmente novo no País", atesta o deputado Jutahy Júnior (PSDB-BA), que percorreu 70 dos 417 municípios baianos e não encontrou em nenhum deles "uma só alma esbravejando" contra o governo."O fenômeno é tão novo que, às vezes, não sei se estou fazendo campanha na Croácia ou no Brasil", ironiza bem-humorado o deputado Alceni Guerra (DEM-PR). O deputado do DEM e o tucano não têm dúvida de que os adversários do Palácio do Planalto e dos governadores não encontraram palanque nem espaço político para fazer oposição na disputa municipal."É o caos político: ficamos sem discurso, sem dinheiro de emendas parlamentares para financiar obras em prefeituras comandadas por aliados e sem espaço para uma fala oposicionista porque a população está satisfeita com o status quo", resume Alceni. Ele lembra dos "bons tempos" da oposição no passado, quando os petistas sempre "faturavam" com a fatia da população que estava insatisfeita com o governo, e conclui: "Hoje não há nada o que faturar porque não há oposição popular ao governo federal."
NICHO
Ao contrário, aliados e adversários do Palácio do Planalto admitem, sem titubear, que candidatos de todos os partidos Brasil afora são só elogios a Lula. "Inclusive nós, do DEM", reconhece Alceni. Em busca um nicho para se aproximar do povo mais simples e feliz com o governo federal, em suas andanças pelo interior do Paraná, o democrata confessa que faz "elogios rasgados" ao presidente.A tática do deputado para ser ouvido é falar do homem simples que migrou do Nordeste para São Paulo e hoje comanda o País, a partir de uma analogia entre as populações paulista e paranaense, ambas formadas por grandes contingentes de migrantes. Na busca de traços comuns entre sua história e a do presidente, recorda os avós que deixaram o Rio Grande Sul de caminhão, como os Silva partiram de Garanhuns.O senador Delcídio Amaral (PT-MS) testemunha que o fenômeno da ausência de oposição na campanha municipal também tomou conta de Mato Grosso do Sul. Ele acredita que muitos adversários gostariam de falar mal, mas não o fazem porque sabem que perderiam votos.
PATRIMÔNIO
"Na eleição passada, o Lula era tratado como a praga da agricultura no Centro-Oeste, mas hoje ninguém ousa levantar a voz contra ele no palanque. Ninguém é doido de bater de frente com o Lula", destaca Delcídio. Para o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), Lula não é mais patrimônio do PT e das forças de esquerda, mas de toda a aliança. "Em todo canto do País tem fotografias do candidato a prefeito e seu vice ao lado do governador e do presidente Lula." E de certa forma, raciocina, o exagero beneficiou a oposição.Guerra está convencido de que os aliados do Planalto "vulgarizaram a imagem do homem de barba" a tal ponto que o chamado "fator Lula" até agora não produziu o efeito esperado na campanha. "São Paulo e Rio são a prova de que a presença de Lula na campanha não foi suficiente para alavancar seus candidatos", diz. "Banalizaram demais o apoio de Lula e pagaram o preço.""A oposição sumiu da campanha por puro oportunismo eleitoral e isso é até ruim para a democracia", critica o líder do PT na Câmara, Maurício Rands (PE). O líder avalia que o oportunismo está privando o debate democrático do contraponto. A seu ver, a oposição não está perdida apenas diante da popularidade inédita de Lula, mas porque o projeto do PT começa a ter "posição hegemônica" na sociedade. "Há uma aceitação incontestável do nosso projeto e eles não contestam porque seria suicídio eleitoral, mas a oposição sabe que a proposta dela é outra", alfineta o petista. Mas os tucanos contestam Rands. Dizem que o grande mérito de Lula foi ter mantido o plano econômico do governo Fernando Henrique Cardoso, a partir da escolha de um tucano para comandar o Banco Central."Quando uma coisa está dando certo, todo mundo se apropria. Com o Plano Real foi assim", recorda o senador, ao lembrar que o PT também acabou se rendendo ao sucesso do plano de estabilização do governo tucano. "Se o processo está dando certo, fazer oposição é remar contra a maré", conclui.

Com Rezende, Goiânia pode eleger o prefeito mais velho

Por Felipe Bachtold
na Folha de São Paulo

Com o apoio do PT e até do ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares, o prefeito de Goiânia, Iris Rezende (PMDB), deve ser reeleito hoje e já se credencia para a disputa do governo do Estado em 2010.Na contramão de grandes cidades como Curitiba e Porto Alegre, onde jovens podem consolidar o poder, Goiás provavelmente vai reeleger o prefeito mais velho das capitais: entre todos os candidatos, Rezende, 74, só é mais jovem do que Paulo Maluf (PP-SP), 77.Ex-governador por dois mandatos e ex-ministro da Justiça e da Agricultura, o candidato à reeleição manteve nas pesquisas eleitorais pontos suficientes para evitar o segundo turno.Íris Rezende foi prefeito de Goiânia pela primeira vez há 42 anos -um após o nascimento do atual prefeito mais bem avaliado pelo Datafolha, o curitibano Beto Richa (PSDB). Em Porto Alegre, a candidata Manuela D'Ávila (PC do B), de 27 anos, está entre os líderes.O goiano diz que sua longevidade na política se deve à "vontade divina". Após sofrer derrotas históricas em 1998 e 2002, ele chegou a se aposentar e a se dedicar apenas a suas fazendas.Neste ano, conseguiu atrair para sua chapa o PT. Rivais dizem que quem assumirá a administração municipal em caso de uma renúncia será a ala petista ligada a Delúbio Soares, do candidato a vice Paulo Garcia.O ex-tesoureiro petista (expulso do partido em 2005) chegou até a participar de um evento do prefeito na campanha. Um irmão de Delúbio é candidato a vereador pelo PT. Rezende não confirma nem nega a intenção de deixar a prefeitura.

PF vê indício de caixa dois no MA em 2006

Por Leonardo Souza
na Folha de São Paulo

Um diálogo entre Teresa Sarney e uma mulher não identificada é apontado no relatório da Operação Boi Barrica, da Polícia Federal, como um dos principais indícios de que a família do empresário Fernando Sarney utilizou uma factoring para formar um caixa dois supostamente empregado na campanha de 2006. De propriedade de Teresa, mulher de Fernando, a São Luiz Factoring não tem nenhum empregado registrado nem linha telefônica, mas movimentou R$ 11,6 milhões naquele ano. Conforme a Folha publicou em janeiro, a PF iniciou as investigações do caso a partir do rastreamento de saques em dinheiro vivo de R$ 3,5 milhões feitos de empresas da família Sarney no período eleitoral de 2006. Desse valor, Fernando sacou R$ 2 milhões nos dias 25 e 26 de outubro -três dias antes do segundo turno. Em escuta autorizada pela Justiça, a PF captou, no dia 10 de janeiro, por volta das 20h, uma conversa entre a mulher de Fernando Sarney e uma mulher não identificada com referência a reportagem publicada naquele dia. O diálogo diz o seguinte: MNI (Mulher não identificada): "Tu já olhou alguma coisa na internet a respeito da família Sarney?" Teresa: "Vi, meu nome tá lá." MNI: "Que doidice é essa?" Teresa: "Aquele dinheiro que a gente sacava na época da campanha." MNI: "Da campanha, né?" Teresa: "Ahã." Fernando é filho do senador José Sarney (PMDB-AP) e irmão da senadora Roseana Sarney (PMDB-MA) e do deputado Sarney Filho (PV-MA). A suspeita dos policiais é que o dinheiro do suposto caixa dois tenha sido usado na campanha de Roseana ao governo do Estado, quando disputou e perdeu a eleição para Jackson Lago (PDT). Na sexta-feira, Fernando Sarney disse ser um homem do setor privado e atribuiu as acusações a "interesses políticos". Na ocasião, ele não quis se manifestar sobre as suspeitas de lavagem de dinheiro alegando não ter tido acesso ao inquérito policial. A Folha não conseguiu localizá-lo ontem. De acordo com a PF, a São Luiz Factoring foi criada para acobertar a movimentação de recursos do grupo Mirante (principal negócio da família Sarney) com a provável finalidade de "sonegação tributária e/ou formação de caixa dois".
Pagamentos
A empresa funciona no mesmo endereço da TV Mirante e é operada por Luzia Campos de Souza, funcionária do grupo, de confiança de Fernando Sarney. A Polícia Federal descreve vários pagamentos e tarefas pessoais realizadas por Luzia a mando de Fernando. A polícia rastreou 23 cheques da factoring para Maria Raimunda Campos Barbosa, irmã de Luzia, no valor somado de R$ 351 mil. Todos foram sacados em dinheiro na boca do caixa, entre 2005 e 2006. "A mesma [Maria Raimunda] não ostenta status social compatível com tal movimentação, evidenciando que a mesma também pode ter sido usada como laranja do grupo", escreveram os policiais. "Outro ponto suspeito" levantado pela PF foi a identificação de centenas de depósitos em espécie em favor da São Luiz, o que não é compatível com a atuação de uma factoring, segundo a PF.Os policiais constataram também "grande quantidade de cheques" da Gráfica Escolar e da Televisão Mirante (ambas da família Sarney) para a São Luiz, alguns de valor superior a R$ 200 mil. "Tal situação pode configurar, ainda, a mera troca de cheques, o que é vedado para [uma] factoring, uma vez que os títulos de créditos vendidos a factoring devem ser embasados em operações oriundas da atividade comercial da empresa cedente dos créditos." Conforme a Folha publicou ontem, no inquérito da Operação Boi Barrica a PF acusa Fernando Sarney de tráfico de influência no Ministério de Minas e Energia, na Eletrobrás, na Eletronorte, na Valec (estatal do Ministério dos Transportes responsável pela construção da Ferrovia Norte-Sul) e na Caixa Econômica Federal, para favorecer negócios privados. Segundo a PF, Fernando Sarney e sua família montaram uma rede de lavagem de dinheiro, em alguns dos casos com a utilização de prováveis laranjas, pela qual movimentaram nos últimos três anos mais de R$ 10 milhões irregularmente. O principal braço do esquema, de acordo com os policiais, é a São Luiz Factoring.

Eleição mobiliza hoje 129 milhões para escolher 5.563 prefeitos

Por Mariangela Galluci
no Estado de São Paulo

Cerca de 129 milhões de brasileiros estão convocados para ir às urnas hoje e escolher 5.563 prefeitos e 52.137 vereadores. Totalmente informatizada desde 2000, a eleição terá neste ano um projeto-piloto em três municípios pequenos, que testarão a votação biométrica, que identifica os eleitores pela impressão digital. A idéia do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é estender essa tecnologia para todo o País dentro de 10 anos, impedindo que uma pessoa vote no lugar de outra.A votação biométrica ocorrerá em São João Batista (SC), Colorado D?Oeste (RO) e Fátima do Sul (MS). Em cada um desses locais votam cerca de 15 mil eleitores.O chefe do cartório de São João Batista, Ayrton Moraes Teixeira, destaca a utilidade do cadastramento biométrico da população: "Além do ganho em segurança, o cadastro tende a virar um projeto de todos os órgãos federais e estaduais de identificação única."O presidente do TSE, Carlos Ayres Britto, disse esperar uma eleição tranqüila para hoje, apesar de o tribunal ter aprovado o envio de tropas federais para 461 municípios, em 11 Estados, com o objetivo de reforçar a segurança. O custo da operação já foi repassado ao Ministério da Defesa. Grande parte das tropas ficará no Rio, onde traficantes e integrantes de milícias ameaçaram eleitores, políticos e jornalistas.A expectativa do TSE é de que a maioria dos prefeitos eleitos seja conhecida até meia-noite de hoje. A totalização dos votos de locais muito distantes, onde as urnas somente chegam de barco, deve ser concluída amanhã. Poderá haver segundo turno nos municípios com mais de 200 mil eleitores, se nenhum dos candidatos obtiver 50% mais 1 dos votos válidos.
PÉ-DE-CABRA
O presidente do TSE sugeriu ontem aos brasileiros que rejeitem políticos que não têm ética ou cometeram irregularidades após assumirem seus cargos. "Há políticos que fazem de sua caneta um pé-de-cabra", declarou ele durante palestra feita em Brasília, pela manhã, durante congresso sobre direito constitucional. "Há muitos políticos que fazem de tudo para chegar às maiores alturas, para fazer as maiores baixezas."Para Britto, a corrupção "abate de uma só cajadada" os princípios previstos na Constituição, como a moralidade e a eficiência. "E tudo começando mediante esse câncer, que é o caixa 2 do financiamento das campanhas", destacou.

Marta e Kassab vão disputar o segundo turno, diz Datafolha

Na Folha de São Paulo

A PETISTA MARTA Suplicy, 63, e o democrata Gilberto Kassab, 48, devem sair hoje das urnas como os dois candidatos que disputarão no próximo dia 26 a responsabilidade de comandar até 2012 a maior prefeitura do país. Pesquisa Datafolha mostra a ex-prefeita na frente, com 36% das intenções de votos válidos (excluídos brancos e nulos). Kassab, o segundo, tem 30%, nove pontos percentuais de dianteira em relação a Geraldo Alckmin (PSDB), a quem superou na reta final. Na simulação de segundo turno, Kassab bate Marta por 50% a 41%. A disputa das próximas três semanas deve se transformar em uma prévia do embate presidencial de 2010 entre o PT e a aliança PSDB-DEM. A vitória tanto de Marta quanto de Kassab levará a cidade a ter, pela primeira vez em 12 anos, um prefeito que já ocupou a cadeira antes.Hoje, 130,6 milhões de eleitores de 5.563 municípios estão aptos a ir às urnas para escolher prefeitos, vices e vereadores entre 379 mil candidatos.As pesquisas indicam que no G-79 -26 capitais e as 53 cidades com mais de 200 mil eleitores- há chance de o novo prefeito ser conhecido hoje em metade delas. PT, PMDB, PSDB e DEM, que já dominam as grandes cidades, têm chances de ampliar as cadeiras.

sábado, 4 de outubro de 2008

Eu desconfio

Eu desconfio dessa gente. Quando vejo Guido Mantega ou Henrique Meireles na televisão e no jornal falando que o Brasil vai saber enfrentar os efeitos da crise econômica nos Estados Unidos eu fico meio receoso. Meio? Eu fico receoso e meio. Parece que o Brasil se transformou numa ilha. Nada nos atinge e somos mais fortes do que todo mundo. Tenho medo das reservas acabarem logo. Ninguém sabe até quando vai durar a crise ou mesmo se o pacote de Bush vai ter mesmo efeito desejado. Eles estão tranqüilos demais. Eles estão gozando da cara dos americanos. Se a crise atravessar o Caribe e desembarcar por aqui não digam que eu não avisei. Tirem a tranqüilidade daqueles que dão risadas da desgraça alheia.

Decidir o futuro?

Detesto esta coisa de decidir o futuro. Quem quer decidir o futuro são os marxistas. A propaganda do TSE quer mostrar ao eleitor que o voto amanhã vai decidir o futuro da cidade. É mesmo? Se a gente pegar as eleições de 2004 e comparar com as deste ano será que o futuro mudou mesmo? Não! O futuro não será decidido amanhã. Nenhum prefeito, vereador ou mesmo marxista tem este direito. Com certeza muitos candidatos vagabundos serão eleitos ou reeleitos e terão também os ingênuos que acham que vão fazer tudo o que prometeram. Quando chegarem ao Paço Municipal perceberão que não será bem assim. Não, minha gente. Um prefeito ou um vereador não tem o direito de decidir o futuro de ninguém. Tem sim que cumprir a Lei, fazer valer o que diz a Constituição. E nada de pensar em mudar o futuro. Deixem o futuro nas mãos de Deus. Estará em boas e limpas mãos.

"Uma reforma mais radical" por Diogo Mainardi

Eu sou um ardoroso defensor da reforma ortográfica. A perspectiva de ser lido em Bafatá, no interior da Guiné-Bissau, da mesma maneira que sou lido em Carinhanha, no interior da Bahia, me enche de entusiasmo. Eu sempre soube que a maior barreira para o meu sucesso em Bafatá era o C mudo. Aguarde-me, Bafatá!
Nossa linguagem escrita está repleta de letras inúteis. A rigor, todas elas. Abolir o trema ou o acento agudo de alguns ditongos deveria ser apenas o primeiro passo para abolir o resto do alfabeto. Se os italianos decidissem abolir a linguagem escrita, perderiam Dante Alighieri. Se os brasileiros decidissem abolir a linguagem escrita, conseguiriam libertar-se de José Sarney.
José Sarney idealizou a reforma ortográfica em 1990. Ela foi escanteada por praticamente duas décadas, até a semana passada, quando Lula a sancionou. A posteridade se recordará da reforma ortográfica como a grande obra de José Sarney, ao lado da emenda parlamentar que permitiu ampliar o aeroporto internacional do Amapá para o atendimento de 700 000 passageiros.
Para os brasileiros, a reforma ortográfica tem um efeito nulo. Ninguém sabia escrever direito antes dela, ninguém saberá escrever direito depois. O caso dos portugueses é mais complicado. Eles concordaram em abrasileirar sua ortografia. Isso acarretou a necessidade de abdicar de um monte de consoantes duplas herdadas do latim. Alguém ainda se lembra de José de Anchieta? Quando ele desembarcou no Brasil, abdicou do latim e passou a rezar em tupi, para poder se comunicar com os canibais. Foi o que os portugueses, mais uma vez, concordaram em fazer agora: para poder se comunicar com os canibais – Quem? Eu? –, adotaram sua língua.
Eu entendo perfeitamente o empenho dos brasileiros em deslatinizar a língua escrita. De certo modo, o latim representa tudo o que rejeitamos: os valores morais, o rigor poético, o conhecimento científico, o respeito às leis, a simetria das formas, o pensamento filosófico, a harmonia com o passado, o estudo religioso. Ele encarna todos os conceitos da cultura ocidental que conseguimos abandonar. Eliminando o C e o P de certas palavras, Portugal poderá se desgrudar da Europa e ancorar na terra dos tupinambás.
Eu já enfrentei outra reforma ortográfica. Em 1971, durante a ditadura militar, Jarbas Passarinho, por decreto, cancelou uma série de acentos. Além do Brasil, só a China de Mao Tsé-tung pensou em fazer duas reformas ortográficas em menos de quarenta anos. Quando a reforma ortográfica de Jarbas Passarinho foi implementada, eu acabara de me alfabetizar. O resultado desse abuso foi despertar em mim uma salutar ojeriza pela escola. Nos anos seguintes, a única tarefa didática que desempenhei com interesse foi me lambuzar com cola Tenaz e, depois de seca, despelá-la aos pedacinhos. Meus amigos fizeram o mesmo. O analfabetismo causado pela reforma ortográfica de 1971 – e pela cola Tenaz – impediu que muitos de nós nos transformássemos em algo parecido com José Sarney. Espero que a reforma ortográfica de 2008 tenha um resultado semelhante. Em Carinhanha e em Bafatá.

Uma vaga para três desesperados

Por Ana Paula Verly, Carlos Braga e Fernanda Thurler
no Jornal do Brasil

A disputa por um lugar no segundo turno está cada vez mais acirrada entre Fernando Gabeira (PV), Jandira Feghali (PCdoB) e Marcelo Crivella (PRB). A dois dias da eleição, os três candidatos – que nas últimas pesquisas de intenção de voto brigam pela segunda posição, atrás de Eduardo Paes (PMDB) – mostraram sinais de que estão desesperados para continuar na corrida para a Prefeitura do Rio. O candidato verde, que até então garantia que os cargos administrativos seriam ocupados apenas por técnicos, abriu a guarda e admitiu a possibilidade de empregar aliados políticos. Jandira e Crivella tiraram da manga a mesma carta. Ambos apresentaram novos resultados de pesquisas, de institutos diferentes, divulgadas no site do jornal O Dia e que apontavam a candidata comunista em segundo e o senador em primeiro lugar.
Marcelo Crivella chegou a Bonsucesso (Zona Norte) comentando números de uma pesquisa do Ibope que o colocava à frente do candidato peemedebista: 29% contra 27%. Gabeira e Jandira apareciam empatados com 10%.
– Essa é a realidade que nós encontramos nas ruas. Trabalhamos com um número acima de 25 pontos – comemorou Crivella.
Durante os 30 minutos que o senador ficou no bairro, o locutor oficial da campanha anunciava no microfone:
– Está aí o candidato líder das pesquisas, Marcelo Crivella.
Segundo a assessoria do candidato, a pesquisa fora divulgada na quinta-feira à noite no site de notícias. O JB entrou em contato com a equipe do site, que confirmou o erro, mas informou que a correção foi feita minutos depois.
Certo de que disputará o segundo turno com Eduardo Paes, Crivella insinuou alianças com o PT e voltou a tachar o peemedebista de candidato dos ricos e definiu-se como o representante dos pobres e melhor candidato para os eleitores daquela região.
– Quero o apoio do índio ao cardeal. Seria muito bom contar com o Alessandro Molon no segundo turno – ressaltou. – Mas, sobre o segundo turno, como numa final de Fla-Flu, o técnico não diz como vai ganhar o jogo, nem como vai escalar o time. Portanto, terão de esperar até domingo.

Medida judicial

Outra pesquisa, do Datafolha, que teria sido divulgada no mesmo site e dava Jandira Feghali com 19%, atrás apenas de Eduardo Paes, com 29%, deixou a candidata e militantes do PCdoB eufóricos e revoltados. A alegria vinha da posição mais confortável na disputa, com um pé no segundo turno. A raiva se devia ao pouco tempo que a pesquisa foi exposta no site. Segundo Jandira, a notícia teria ficado pouquíssimo tempo no ar e foi retirada de forma repentina, rapidez que ela considerou suspeita. Na suposta pesquisa, Gabeira aparecia com 17% e Crivella com 10%.
– Vamos entrar na Justiça para exigir a divulgação dessa pesquisa. Ela foi retirada do ar, mas nós tivemos tempo de imprimi-la – garantiu a candidata.
O Datafolha, porém, informou que sua pesquisa mais recente foi divulgada na quarta-feira. Nela, Jandira Feghali está em terceiro lugar, com 12%, atrás de Gabeira (17%); Crivella (19%); e Paes, (29%). O site admitiu erro também neste caso.

Gabeira com aliados

Com a possibilidade de estar no segundo turno, Fernando Gabeira (PV) começa a mudar o tom do discurso. Pela primeira vez na campanha, admitiu, ontem, a possibilidade de ocupar os cargos públicos de seu governo com aliados políticos, desde que mostrem competência. A dança-das-cadeiras deverá começar já a partir do resultado de amanhã, caso o candidato saia vitorioso.
– A negociação de cargos acontecerá com as pessoas que tenham competência técnica e honradez, que podem ser ou não do partido – adiantou Gabeira, sem revelar os nomes cotados.

PMDB, PSDB e PT projetam eleger mais prefeitos; DEM deve perder municípios

Por Fernando Rodrigues
na Folha de São Paulo

Projeções dos partidos para as eleições de amanhã indicam uma alteração no grupo dos quatro maiores partidos em número de prefeitos. O G4 perde o DEM (ex-PFL) e pode assistir à entrada do PP -partido de Paulo Maluf, que aderiu ao governo Lula no plano federal e espera ter sucesso em dezenas de cidades pequenas no interior. PMDB, PSDB e PT, pela ordem, ficam nas três primeiras colocações.As projeções obtidas pela Folha nem sempre são expressas em público pelos dirigentes partidários, mas são esses os números que orientam os políticos. O PT é o mais otimista ao estimar o avanço percentual que pretende eleger.A avaliação do partido de Lula é sair dos 411 eleitos em 2004 para algo próximo de 700, uma alta de 70%. A imensa maioria dessas possíveis novas cidades petistas está localizada no Nordeste e em regiões onde o partido nunca se firmou eleitoralmente no passado.Os petistas sabem, entretanto, que é limitado o efeito político de conquistar muitas cidades nos "grotões do país", como Tancredo Neves (1910-1985) costumava se referir às localidades muito afastadas. Há um certo temor de que o eventual fracasso em capitais como São Paulo, Salvador e Porto Alegre tire todo o brilho do aumento nominal de prefeitos da sigla.Já o DEM passa por cenário inverso ao do PT. Oposição ao governo federal, a sigla está em franca decadência em cidades pequenas. Elegeu 790 prefeitos em 2004 e hoje já caiu para 670.Nas previsões dos seus dirigentes, deve sair das urnas ainda pior, com algo em torno de 430 prefeitos -uma queda não desprezível de 45,6%.Apesar dessa razia nos seus domínios municipais, o clima entre os democratas é de euforia pelo ineditismo da candidatura de Gilberto Kassab na disputa paulistana. Se ele tiver sucesso passando ao segundo turno amanhã, o DEM acredita que o feito compensará com folga a quase expulsão de seus políticos dos grotões -para onde estaria caminhando o PT, em parte por causa da alta popularidade presidencial e de programas de distribuição de renda como o Bolsa Família.O PSDB pela primeira vez em muitos anos poderá assistir a um segundo turno sem nenhum candidato próprio com chance de vitória nas capitais do chamado "Triângulo das Bermudas" da política brasileira: São Paulo, Rio e Belo Horizonte. O cenário menos dramático é o de Minas Gerais, onde os tucanos apóiam Márcio Lacerda (PSB), o favorito.Mas essa é apenas uma parte do cenário tucano. O partido projeta sair da eleição maior do que entrou em número de cidades governadas. Em 2004, elegeu 871 prefeitos. Pelas contas da sigla, pode chegar agora a 1.000 -alta de 14,8% sobre o obtido quatro anos atrás.Líder absoluto em número de cidades, o PMDB espera ampliar a vantagem. Na base da infidelidade partidária, a legenda já inflou seus 1.057 prefeitos eleitos em 2004 para 1.212 agora. A expectativa dos dirigentes é manter 1.200 -aumento de 13,5% sobre quatro anos atrás.
Surpresa
A possível surpresa na parte de cima do quadro de prefeitos pode ser o PP -um partido derivado diretamente da Arena, legenda de sustentação da ditadura militar (1964-1985).Os pepistas vinham perdendo posições de maneira constante desde 1996. Em 2004, conquistaram 552 prefeitos.Agora, aliados a Lula, esperam subir para 700. O comando do Ministério das Cidades nas mãos da agremiação é apontado como o fator principal do sucesso projetado para amanhã.

PF acusa filho de Sarney de traficar influência em estatal

Por Elvira Lobato
na Folha de São Paulo

A Polícia Federal do Maranhão acusa o empresário Fernando Sarney -filho do ex-presidente José Sarney- de tráfico de influência no Ministério de Minas e Energia, na Eletrobrás, na Eletronorte, na Valec (estatal do Ministério dos Transportes responsável pela construção da Ferrovia Norte-Sul) e na Caixa Econômica Federal, para favorecer negócios privados. Fernando Sarney diz ser um homem do setor privado e atribui as acusações a "interesses políticos".O inquérito policial começou em 2006 para investigar a suposta utilização de recursos de caixa dois na campanha de Roseana Sarney ao governo do Estado, quando disputou e perdeu a eleição para Jackson Lago (PDT). A operação foi batizada de Boi Barrica, grupo folclórico maranhense.A investigação migrou do financiamento da campanha para a influência de Fernando Sarney e de dois empresários ligados a ele -Gianfranco Vitorio Artur Perasso e Flávio Barbosa Lima- na intermediação de negócios privados com estatais. Os dois empresários foram sócios de Fernando Sarney e se formaram engenheiros na mesma turma da USP.Em agosto, a PF pediu a prisão preventiva de Fernando Sarney e do agente da Polícia Federal Aluisio Guimarães Mendes Filho, de Brasília, que teria lhe repassado informações sobre a investigação.O juiz da 1ª Vara Federal Criminal de São Luiz, Neian Milhomem Cruz, negou o pedido de prisão. Porém, antes da negativa, Fernando Sarney já havia obtido habeas corpus preventivo no Superior Tribunal de Justiça para não ser preso.
Ex-ministro
O ex-ministro de Minas e Energia Silas Rondeau é apontado pela PF como integrante ativo do esquema. O atual ministro, Edison Lobão, também é citado como alvo de influência. Os dirigentes de estatais abordados pelo grupo, mencionados no relatório, são maranhenses, e com ligações históricas com a família Sarney.Astrogildo Quental, diretor financeiro da Eletrobrás, foi secretário estadual de Infra-Estrutura do Maranhão no governo de Roseana. Ulisses Assad, diretor de engenharia da Valec, responsável pelas licitações para construção da ferrovia Norte-Sul, foi diretor da Caema (Cia. de Águas e Esgoto do Maranhão), também no governo de Edison Lobão (1991-1994).A investigação foi conduzida pelos delegados Márcio Adriano Anselmo e Thiago Monjardim Santos, ambos de São Luís. Fernando Sarney, sua mulher, Tereza Murad Sarney, e Ana Clara Sarney, uma das filhas do casal, tiveram os sigilos telefônico, fiscal e bancário quebrados. Fernando Sarney teve os telefones grampeados por autorização judicial em dois momentos: no início do inquérito, em 2006, e neste ano.A PF pediu o bloqueio das contas bancárias de Fernando Sarney, da mulher e da filha. A mesma providência foi pedida em relação ao ex-ministro Silas Rondeau, ao diretor da Valec Ulisses Assad, ao diretor da Eletrobrás, Astrogildo Quental, e aos empresários Flávio Lima e Gianfranco Perasso.A polícia pediu o rastreamento de bens e o bloqueio de contas bancárias de 14 pessoas e de 13 empresas, que fariam parte do suposto esquema.
Negócios
Ao monitorar telefonemas e e-mails de Fernando Sarney, Flávio Lima e Gianfranco Perasso, a PF afirma ter flagrado um pagamento de R$ 160 mil efetuado pela construtora EIT (Empresa Industrial Técnica) à PBL Construtora -de Gianfranco e Flávio Lima-, supostamente como compensação por ter sido subcontratada para obras na Ferrovia Norte Sul, por intermediação de Fernando Sarney.O relatório da PF transcreve telefonemas recheados de palavrões, em que Flávio Lima pressiona a EIT a efetuar o pagamento, sob risco de não ser contratada para um outro lote da Norte-Sul cujo contrato já estaria com Fernando Sarney.Em conversa com um funcionário da EIT identificado como Rodrigo, ele ameaça retaliar a empresa na Petrobras e na Eletrobrás. Diz que iria se encontrar com Silas Rondeau, que é conselheiro da Petrobras, e com Astrogildo Quental, diretor da Eletrobrás.Depois de ameaçar a empresa, ele diz que iria vistoriar a obra da EIT na Ferrovia Norte-Sul com Fernando (Sarney) e o diretor da Valec.""Sabe quem vai chegar com Fernando e com Ulisses para fazer a porra da vistoria na sexta-feira? Sou eu!" O pagamento, segundo a PF, foi efetuado duas semanas depois do telefonema descrito.
Nomeação
Além de intermediar encontros entre empresas privadas da área de energia elétrica com o diretor financeiro da Eletrobrás, Fernando Sarney, segundo a Polícia Federal, indicou pelo menos um diretor para a Eletrobrás: Ronaldo Braga, diretor comercial da área de distribuição, que reúne as empresas estaduais energéticas que foram federalizadas (Piauí, Rondônia, Acre, Alagoas e Amazonas).Segundo relatório da PF, Astrogildo Quental ligou para o celular de Fernando Sarney, no dia 21 de maio último, e comunicou a "boa notícia" da nomeação de Braga. "Astrogildo fala que foi uma conquista boa" e que havia acordado a indicação com o ministro Edison Lobão naquela manhã. Ato contínuo, Braga envia o currículo para que Gianfranco o examine, para ser entregue ao governo. No mesmo dia, a PF grava ligação de Gianfranco em que ele diz que a diretoria que Braga passou a ocupar "é o principal cargo para os nossos pleitos".

Lula elogia o Proer, programa feito por FHC

Por João Domingos
no Estado de São Paulo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou o Proer, programa econômico feito pelo antecessor Fernando Henrique Cardoso, para ajudar bancos em dificuldades. Lula disse também que em seu governo jamais baixará um pacote econômico. Apenas vigiará a crise "com lupa", para se antecipar a qualquer ameaça de tempestade econômica que aparecer. Lula atribuiu ainda à sua "competência" e não ao fator sorte o fato de o Brasil estar, segundo ele, imune à crise econômica que começou nos Estados Unidos e se alastrou para a Europa. Lula fez as declarações na cerimônia de 70 anos do Sindicato dos Químicos do ABC, realizada ontem, em Santo André. Ao se referir ao Proer, lembrou que a iniciativa custou U$ 24 bilhões, enquanto que o pacote de salvação dos bancos norte-americanos é de U$ 850 bilhões e ninguém sabe ainda ao certo o que vai acontecer. Para Lula, o Brasil tem condições de enfrentar a crise atual porque hoje seu comércio com os Estados Unidos representa 15% e não mais 40%, como antes. "Hoje temos outros parceiros e os países emergentes têm dólar estocado", disse. Apesar dos elogios ao Proer, Lula criticou a gestão de Fernando Henrique Cardoso. Disse que durante a crise asiática, da Rússia e do México, infinitamente menor do que a atual, o Brasil quebrou duas vezes. Tudo isso aconteceu, segundo o presidente, porque outros dirigentes não tiveram coragem de tomar iniciativas. Ele, pelo contrário, afirnou, fez de tudo para se preparar para eventuais problemas. "Em 2003, apostei minha credibilidade política para consertar a política econômica. Cortei na veia".O resultado, disse Lula, pode ser comprovado agora. "Nos últimos cinco anos, só emprego com carteira assinada, foram 10 milhões, contra 8 milhões de desempregos há 10 anos". Ele atacou os "palpiteiros". "Alguns podem dizer: ''é sorte, a economia estava boa quando ele entrou. Não foi nada disso. Foi graças a esses sacrifícios que fizemos que agora estamos comemorando. Fico pensando quanta gente gostaria de estar na minha pele agora. Tudo está crescendo. Até os jornais estão contratando mais gente. Tem jornal agora até de R$ 0,50", disse Lula.Lula aproveitou para anunciar uma série de investimentos: quatro refinarias em Pernambuco, Maranhão, Ceará e Rio Grande do Norte e cinco novas siderúrgicas no País. Disse que conversou com a Vale para que passe a processar minérios no Brasil, em vez de só exportar a matéria-prima.

Obama e McCain pedem benefícios a cidadão comum

Por Daniel Bergamasco
na Folha de São Paulo

Depois de aprovado o pacote de socorro a Wall Street, os candidatos Barack Obama e John McCain, que o apoiaram, pediram ontem cautela para o governo americano no manejo dos US$ 700 bilhões que serão usados para impedir a quebra de instituições financeiras.Tanto Obama, do Partido Democrata, quanto McCain, do Partido Republicano, afirmam ter se empenhado no convencimento dos legisladores, mas que agora é preciso tomar medidas para que cidadãos comuns sejam beneficiados.Obama, candidato da oposição, pediu "maturidade" ao secretário do Tesouro, Henry Paulson. "Agora o Tesouro tem autoridade para trabalhar com a modificação de crédito imobiliário para prevenir execuções das hipotecas. Ele tem de vir com projetos para fazer isso."McCain -que é apoiado por Bush, mas tenta se distanciar da imagem desgastada de sua gestão, cuja aprovação caiu para 27%- ponderou que a aprovação do pacote não é a solução para a crise americana. "Nossa economia ainda está nos afligindo, afligindo muito. Ações futuras são necessárias e não deverá ser preciso uma crise para fazer o país agir."

Muitas dúvidas sobre o plano de socorro

Por Osmar Freitas Júnior
no Jornal do Brasil

A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou por 263 votos contra 171, o pacote de estímulos para recuperação econômica do país. Com versão original rejeitada na segunda-feira passada, coube ao Senado alterar o conteúdo das medidas, aprová-lo na quarta-feira, e remeter a nova versão para outra votação na Assembléia. A princípio, o Tesouro americano pedia US$ 700 bilhões em um plano apresentado em três folhas de papel.
Entre as idas e vindas pelo Congresso, o documento ganhou mais de 400 páginas, e sofreu inflação de US$ 110 bilhões no custo final. O valor agregado provém de incentivos, que nada têm a ver com o combate à crise monetária. Serviram, porém, para mudar os votos de deputados contrários ao primeiro projeto.

Incentivos supérfluos

Na conta final, incluíram-se, por exemplo, incentivos fiscais à indústria de flechas de brinquedo, e à produção de rum em Porto Rico – país que nunca pareceu desencorajado no trato com este tipo de bebida. De todo modo, a sanção gerou alívio geral, ainda que a maioria dos analistas não acredite que esta seja a solução final para para o problema.
A importância do plano já era sentida pelo fato de merecer agora nome próprio de batismo: Troubled Asset Relief Plan (Tarp) ( algo como plano de alívio para patrimônios prejudicados). O presidente George W. Bush, no mesmo dia, deu chancela ao decreto. O Tesouro deve começar imediatamente leilões de compras de papéis de empréstimos podres: primeiro de bancos regionais com problemas, depois de empresas de investimento.
– Trata-se de um band-aid para quem está com hemorragia, mas foi necessário. Sem ele o paciente morreria mais cedo – sentienciou o megainvestidor George Soros, do Soros Found Management.
O professor de finanças Jacob Yarrof, da Universidade da Califórnia, usou para o JB, imagem didática original sobre a situação.
– É como se um herói de filme tivesse sido jogado para fora de um avião. Estava em queda livre, com velocidade aumentando rapidamente. Se ninguém tomasse providências, ele se esborracharia no chão. Mas lhe jogaram um pára-quedas. O corpo continua caindo, só que poderá fazê-lo mais devagar – avalia Yarrof.
Neste primeiro momento, o instrumento ainda não foi vestido e, portanto, o que se tem é apenas uma esperança. Assim que se ativar o pára-quedas, será preciso controlá-lo muito bem.
Na opinião do professor de finanças, o herói deseja pousar de maneira suave. Se for destrambelhado, não agir com inteligência, ele pode chocar-se contra uma árvore e quebrar o pescoço. Ou, ainda, machucar os pés numa aterrissagem acidentada, o que o impediria de sair dali e procurar escalar uma montanha para chegar numa cidade e resumir sua vida normal.
Outro analista econômico, Paul Kedrosky, ao prever o futuro, dispensa fabulário e vai direto ao ponto:
– O enxugamento do crédito no mercado vai acalmar um pouco, mas os spreads vão continuar gigantescos, com taxas devastadoras para os tomadores de empréstimos. O Fed vai baixar as taxas de juros ainda mais, levando-as a um território igual ao japonês, com percentagem zero. Não mudará a situação, apenas aliviará a pressão – sentencia Kedrosky. – Algum tempo depois das eleições presidenciais, com o mercado de crédito ainda caótico, bancos caindo por todos os lados, e sem vislumbre de final da crise no horizonte, o novo presidente terá de arquitetar um Tarp II.
O analista acredita que, no topo da agenda, constarão os itens mais estímulos fiscais e recapitalização do sistema bancário, com o governo escolhendo os beneficiários favoritos.
A antecipação de novas medidas já começará, do outro lado do Atlântico, no sábado, quando autoridades econômicas do Reino Unido, França, Itália e Alemanha se reunirão em Paris. A meta é a confecção de pacote próprio para proteger a União Européia e ajudar a aliviar a crise também nos Estados Unidos. Mas o próximo presidente americano só assumirá em cerca de quatro meses, e antes disso o mercado globalizado não sabe ao certo, com que filosofia de tratamento poderá recuperar a economia doente.

Dinheiro do pacote será liberado em parcelas

No Estado de São Paulo

O dinheiro do pacote será liberado em partes: primeiro US$ 250 bilhões, seguidos de US$ 100 bilhões, a pedido do presidente Bush, e os restantes US$ 350 bilhões precisam ser aprovados pelo Congresso. Parte desse dinheiro pode ser recuperado quando o governo vender os papéis, se os preços até lá tiverem se recuperado. O projeto inclui limites para remuneração de executivos de bancos participantes, possibilidade de o governo ganhar participação acionária nas instituições. Também foi adotada uma medida de recuperação de perdas: se o Tesouro, ao vender os títulos adquiridos dos bancos, tiver prejuízo depois de cinco anos, o Congresso deve desenvolver um programa para que as instituições financeiras reembolsem o governo.

Plano passa, mas pessimismo persiste

Por Sérgio Dávila
na Folha de São Paulo

Quinze dias depois de o secretário do Tesouro levar ao Congresso dos EUA duas páginas e meia com um plano que dava plenos poderes ao governo para fazer a maior intervenção nos mercados financeiros da história do país, o projeto foi aprovado e virou lei.Mas, numa medida do pessimismo em relação à economia dos EUA e global, as Bolsas fecharam o dia em queda, embaladas por dados negativos sobre a economia não-financeira.A versão que o Legislativo mandou de volta à mesa do presidente George W. Bush, que a assinou às 14h48 locais de ontem, tinha 451 páginas e incluía limitações e salvaguardas.Ainda assim, o principal da foi mantido: nos próximos dias, semanas e meses, e por até dois anos, o titular do Tesouro poderá gastar até US$ 700 bilhões na compra de títulos ligados a empréstimos hipotecários ruins de empresas com dificuldades financeiras, papéis chamados de "podres" ou "tóxicos". Com isso, espera-se, o mercado financeiro será recapitalizado, num efeito dominó que desengessaria a economia.É o testamento econômico de um governo que tem mais 30 dias de poder de fato e a Guerra do Iraque no currículo. "Sei que alguns americanos estão preocupados com essa lei, especialmente quanto ao papel do governo e o custo total", disse Bush, ao saudar a aprovação. "Como forte apoiador do livre mercado, acredito que intervenção governamental deva ocorrer só quando necessária. Nessa situação, a ação era claramente necessária."No momento da aprovação da lei pela Câmara dos Deputados, a Bolsa de Nova York subia 200 pontos. Mas, no fim do dia, recuou 1,5%, encerrando sua pior semana desde os ataques de 11 de setembro de 2001.A queda foi embalada pela divulgação dos números do desemprego, o nono mês seguido de redução de vagas. Esse e outros índices recentes sinalizam que a chamada "economia real" já foi atingida pela crise financeira, o que significa que o plano pode ter saído tarde demais para ter o efeito desejado."Isso não é uma panacéia", disse o megainvestidor Warren Buffett. "Não resolve todos os nossos problemas. Só que teria sido um desastre completo se não tivesse passado.""O pacote vai encerrar o pânico alimentado deliberadamente pelo governo Bush para conseguir passar sua operação-resgate pelo Congresso", disse Dean Baker, do Centro para Pesquisa de Políticas Econômicas. "Fora isso, vai fazer muito pouco para conter a recessão."A lei foi aprovada por 263 votos a favor, ante 171 contra. Foi o fim de uma novela legislativa, em que líderes dos dois partidos majoritários negociaram ferozmente com suas bases e o governo republicano e foram surpreendidos pelo efeito da reação popular contrária nos votos.

É só dar dindin que eles calam

Começo de 2007. O governador Alcides Rodrigues, o popular Cidinho, começa o seu governo (seu mesmo, afinal, assumira o cargo em abril de 2006) falando que o Estado estava quebrado, que não tinha dinheiro no cofre. Como assim? O Tempo Novo não tinha dado um jeito na enorme dívida que o Tempo Velho havia deixado? Pois é. Cidinho disse que seria necessário fazer uma reforma administrativa, colocar as coisas no lugar e acabar com o estado paquidérmico. E a reforma não saía do papel. Cidinho dizia que amanhã sairia. O amanhã era hoje e nada de reforma. E da-lhe editoriais e colunas pedindo a reforma, questionando a falta de grana. Fomos enganados pela propaganda temponovista.
O começo do governo Cidinho foi difícil. A imprensa pegava no pé. Queria saber das coisas, da reforma administrativa que nunca saía do papel. De repente a reforma sai. Cargos são cortados, secretarias eliminadas. Tempos depois as pessoas que saíram foram sendo recolocadas em outros órgãos. E a imprensa goiana foi se calando. As críticas quanto a reforma foram ficando nos arquivos.
Cadê a imprensa que cobrava ação do governo? Cadê os editoriais e as colunas que pediam ação imediata para tapar os buracos nos cofres públicos? Cadê o dinheiro? O gato comeu? Cidinho agora tem grana. E mesmo brigado com Marconi Perillo faz que nem ele: dá dinheiro para a imprensa através de publicidade estatal. E a imprensa agradece. Nada de cobranças. Só fotos de Cidinho inaugurando obras. É só dar dindin que eles calam. Espera só a torneira secar de novo. É só ler a chiadeira nos editoriais e nas colunas e saberá que alguma coisa não saiu lá do Palácio das Esmeraldas. Aqui a imprensa não fica de olho nos políticos. Prefere passar o boné.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

A diversão de Guido Mantega

Guido Mantega está achando o maior barato os Estados Unidos estarem enfrentando esta crise financeira. Ele disse a empresários que a robustez da economia dos países emergentes comparado com a economia dos países desenvolvidos é a “vingança dos colonizados”. É mesmo! O Brasil sempre pensa como se fosse ainda uma colônia. O Brasil sempre se acha vítima de tudo e de todos. Nós nunca seremos livres, independentes. Sempre seremos estes colonizados que se divertem quando o colonizador tropeça. Mas tem aquele velho ditado: Quem ri por último ri melhor. Vamos ver que rirá e quem se divertirá por último nas próximas reuniões do FMI.

Bush sanciona lei que prevê US$ 700 bilhões contra a crise

No Estadão online

SÃO PAULO - O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, assinou nesta sexta-feira, 3, a lei que autoriza a utilização de US$ 700 bilhões para que o Tesouro compre ativos podres de instituições financeiras e mais US$ 150 bilhões em incentivos fiscais e garantias a pequenos e médios bancos. O projeto foi aprovado nesta tarde pela Câmara dos Representantes por 263 votos a 171. Em discurso na Casa Branca, porém, Bush afirmou que os "americanos devem também esperar que leve algum tempo para que a legislação tenha seu total impacto sentido em nossa economia". O presidente aplaudiu a aprovação do pacote de resgate pela Câmara dos Representantes, que"é essencial para ajudar a economia a enfrentar a crise financeira".

Ele reconheceu a ampla preocupação sobre usar o dinheiro do contribuinte para salvar bancos, mas disse que o custo final será "bem menor" do que o gasto inicial do governo, uma vez que o plano é vender os ativos problemáticos de volta para o mercado assim que este se recuperar.

O Departamento do Tesouro dos EUA tem agora 45 dias para elaborar a regulamentação do pacote. Lobistas do setor já tentam influenciar esse processo. "A lei é muito vaga e, por isso, uma de nossas preocupações é que agora é que o trabalho vai começar", disse o presidente da associação Independent Community Bankers of America, Camden Fine. Para ele, a maneira como os funcionários do Tesouro vão interpretar a lei "determinará em grande parte como o sistema inteiro vai funcionar".

Entre as dúvidas a serem resolvidas pelo Tesouro estarão a definição dos tipos de ativos "podres" que o governo vai comprar, o mecanismo de definição de preços, como as operações de compra serão estruturadas e se empresas que não sejam norte-americanas poderão participar.

A diretora executiva de operações da American Bankers Association, Diane Casey-Landry, disse que sua organização já conversou com funcionários do Tesouro e com autoridades reguladoras e que espera que as normas sejam elaboradas "muito rapidamente".

Segundo Casey-Landry, os bancos comerciais estão preocupados com a forma de precificação dos ativos a serem comprados pelo Tesouro em comparação com créditos. "A formação de preço é absolutamente crítica. Os preços não poderão ficar no piso do mercado, mas estabelecer o próprio mercado", acrescentou.

Rejeição

Na segunda-feira passada, 29, a Câmara havia rejeitado a primeira versão do pacote por 228 votos a 205. Depois que o Senado ampliou a proposta com medidas de caráter popular, vários deputados disseram que mudariam seus votos.

O pacote revisado incluiu "agrados" aos republicanos, principais responsáveis pelo veto à primeira versão da lei. O novo projeto prevê mais de US$ 150 bilhões em incentivos fiscais a empresas. Entre as mudanças no texto, está também o aumento no limite do seguro federal para contas correntes, de US$ 100 mil para US$ 250 mil, válido por um ano; a prorrogação de vários incentivos fiscais para empresas e mudanças em impostos.

Também foi inserida na lei medida obrigando seguradoras a cobrirem tratamento de doenças mentais e outra que prevê incentivos fiscais para energia renovável, como eólica e solar, além de deduções no imposto para vítimas de furacão e enchente, e auxílio a escolas rurais.

A primeira versão do pacote, apresentada pelo secretário do Tesouro, Henry Paulson, tinha apenas 3 páginas. A versão rejeitada pela Câmara tinha 110 páginas e o projeto aprovado na quarta no Senado tem mais de 450.

Câmara aprova pacote bilionário para setor financeiro nos EUA

Na Folha online

A Casa dos Representantes (deputados) aprovou nesta sexta-feira o plano de ajuda bilionária ao setor financeiro proposto pelo governo americano, endossando assim a decisão do Senado tomada na quarta-feira (1). A aprovação coloca na mão do secretário do Tesouro, Henry Paulson, US$ 700 bilhões para tentar reverter a crise que começou nos Estados Unidos e abala o mercado financeiro mundial.
O pacote recebeu 263 votos a favor (sendo 91 republicanos e 172 democratas) e 171 votos contra (108 republicanos e 63 democratas).
Assim que o presidente George W. Bush sancionar o texto, o projeto vira lei. Mais cedo, os deputados haviam decidido que o pacote iria à votação
sem sofrer emendas, o que evita a necessidade de nova discussão.
Os deputados mudaram de opinião --a proposta foi rejeitada na última segunda-feira por 228 votos contra e 205 a favor-- depois de acrescentados itens que "adoçaram" o remédio que parecia apenas destinado a salvar o setor financeiro. Entre os itens incluídos pelo Senado estão US$ 150 bilhões em isenções e benefícios fiscais para a classe média, pequenos empresários e famílias atingidas por acidentes naturais.
Paulson agora tem a anuência do Congresso para comprar um artigo conhecido por um nome pouco atraente: títulos "podres", ou papéis cujo resgate é muito improvável --conseqüentemente, cujo risco de calote é alto. A maioria destes ativos são ligados às hipotecas "subprime" (de alto risco), raiz da crise financeira que atinge os EUA.
Ainda que muito aguardado, o pacote aparentemente não bastou para convencer o mercado financeiro. Um dia depois do "sim" do Senado, a maior parte das
Bolsas asiáticas fecharam em queda; as européias subiram ao longo do dia, mas fecharam em baixa.
Em Wall Street, a quinta-feira foi de forte retração, influenciada por dados sobre o setor industrial e pedidos de seguro-desemprego. O temor é que o pacote não tenha chegado a tempo para evitar a "R-word" (a forma como o mercado financeiro se refere à recessão). No Brasil, a Bovespa fechou ontem em baixa de mais de 7%.
Além disso, ontem o
FMI (Fundo Monetário Internacional) divulgou documento no qual considera que o que começou como uma turbulência financeira há pouco mais de um ano, se tornou uma "crise intensa", que deve atingir duramente a economia dos EUA.
"[É] particularmente crucial que os poderes públicos adotem medidas enérgicas para favorecer o restabelecimento dos fundos próprios no sistema financeiro", diz o documento, que teve trechos divulgados ontem. "A reviravolta da conjuntura dos EUA pode ser mais violenta e pode evoluir para uma recessão."

Dólar vai a R$ 2,02 com temor de asfixia no crédito e recessão global

Por Fernando Dantas
no Estado de São Paulo

Nada parece aliviar os mercados. A aprovação pelo Senado dos Estados Unidos, na noite da quarta-feira, do pacote de US$ 700 bilhões para sanear o sistema bancário não acalmou nem um pouco os mercados mundiais. A aprovação ainda pendente na Câmara dos Representantes, os temores de uma recessão global e a percepção crescente de que a crise bancária atinge também a Europa e até o Japão fizeram da quinta-feira outro dia negro, com fortes quedas nas bolsas, alta do dólar ante outras moedas e a continuidade da crescente asfixia do crédito interbancário. "O pacote do Senado americano pode ajudar, mas ainda temos de ver como eles vão operacionalizá-lo; de qualquer maneira, como a avalanche foi muito longe, não se deve esperar uma cura milagrosa", analisou Armínio Fraga, sócio e fundador da Gávea Investimentos, e ex-presidente do Banco Central (BC).No Brasil, a quinta-feira foi particularmente ruim, com alta de 5,37% do dólar comercial, que fechou em R$ 2,021, superando o nível de R$ 2 pela primeira vez desde 29 de agosto de 2007. O Índice Bovespa caiu 7,34%, para 46.145 pontos, depois de ter perdido até 9,41% (chegando perto dos 10% que acionam o circuit breaker, o sistema que paralisa temporariamente as negociações). A ansiedade atingiu até os juros, que subiram, depois de terem caído de forma comportada durante alguns dias. Temores sobre novas perdas de grandes empresas com operações de derivativos e a preocupação com a liquidez de bancos pequenos (apesar do consenso sobre a solidez do sistema financeiro nacional) compuseram o quadro de mal-estar.No exterior, as notícias ruins vieram tanto do setor financeiro quanto da economia real. O site do jornal Financial Times informou que, em uma semana, houve queda de US$ 95 bilhões no volume de investimentos em "commercial papers" (CP) nos Estados Unidos - a maior queda semanal desde que o indicador começou a ser divulgado em 2001. Os CPs são uma fonte vital de crédito de curto prazo para empresas e bancos, e o aperto reflete a intensa retração do crédito interbancário.Na economia real americana, como nota Luís Fernando Lopes, sócio e economista-chefe da gestora de recursos Pátria Investimentos, "os indicadores são todos muito ruins, no desemprego, nos imóveis, na produção industrial". Ontem, foi divulgado que o índice de gerentes de compras da atividade industrial caiu de 49,9 em agosto para 43,5 em setembro, muito mais do que a projeção média de 49,5, e o nível mais baixo desde outubro de 2001. "O problema é que a economia pode já estar bem fraca, antes mesmo de que esta última fase mais violenta da crise se transmita à atividade", diz Gino Olivares, economista-chefe do Opportunity Asset Management. Outra preocupação é a disseminação da crise. "Caiu a ficha agora de que o negócio é muito sério e não se limita aos Estados Unidos, é global", acrescenta Olivares. Para Lopes, do Pátria, "os problemas são os mesmos nos Estados Unidos, na Europa Ocidental e no Japão, como a presença de investidores entupidos de derivativos dos quais ninguém sabe o valor".Ontem, o Índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, recuou 3,22%. A perda de valor de 1.240 empresas americanas acompanhadas pela Economática foi de US$ 560 bilhões. No Brasil, houve uma redução de R$ 91,6 bilhões no valor de mercado das ações das empresas que compõem o Ibovespa. A desvalorização do real ante o dólar em setembro, de 18,5%, perdeu para poucas moedas do mundo, como a coroa da Islândia (25%) e o dólar do Zimbábue (83%). Para Lopes, "o dólar não pode continuar a valorizar 5,5% num dia". Ele teme o efeito inflacionário e espera que o BC tenha uma estratégia para conter a desvalorização do real.

Biden e Palin escapam de gafes em debate

Por Sérgio Dávila
na Folha de São Paulo

O senador Joe Biden procurou ligar John McCain a George W. Bush, como havia sido instruído, e a governadora do Alasca, Sarah Palin, atacou Barack Obama e reforçou a imagem de independência de sua chapa, conforme o combinado. Mas os candidatos a vice da corrida presidencial norte-americana surpreenderam ao fazer o debate da noite de ontem sem fugir do figurino nem cometer nenhuma gafe grave.A surpresa pela ausência de derrapadas mais significativas revela a expectativa em relação ao encontro, que reuniria pela primeira e única vez uma neófita no cenário político nacional que vem causando má impressão por seu despreparo nas poucas interações com a imprensa e um senador veterano com conhecimento sólido em política externa, mas famoso por sua verborragia.A impressão foi confirmada por pelo menos um instantâneo, a pesquisa feita com telespectadores pela emissora CNN, divulgada no fim do debate.Para 84% dos ouvidos, Sarah Palin saiu-se melhor do que o esperado, ante 64% dos que tiveram a mesma opinião em relação a Biden. Os altos índices demonstram a baixa expectativa em relação a ambos. Para 51% dos ouvidos, o senador foi o vencedor, ante 36% que consideraram a governadora a melhor. Dos eleitores independentes, 46% consideraram que Biden venceu, 33% disseram que houve empate e 21% que Palin foi a vencedora.Biden começou repetindo o mantra de seu cabeça-de-chave, de que a crise atual é o testamento do republicano Bush e que a diferença fundamental entre a chapa democrata e a governista era uma mudança completa na política econômica. "Nós vamos focar na classe média, porque, quando a ela cresce, a economia cresce e todo mundo vai bem, não só ricos e grandes empresas", disse.Já Sarah abriu a noite imprimindo o tom "gente como a gente" que manteria até o final, se apresentando ao senador e pedindo para chamá-lo de "Joe" e dizendo que o verdadeiro barômetro da economia era um jogo de futebol num sábado de manhã, um programa típico de pais e filhos da classe média americana. "Aposto como você vai ouvir alguma apreensão" se for a um, disse.Na seqüência, diria que McCain era um verdadeiro independente. "Agora, Barack Obama, é claro, só votou praticamente com seu partido", atacou. "De fato, 96% de seus votos foram com os democratas, o que faz com que deixe de provar ao povo americano seu compromisso de colocar o partidarismo de lado, os interesses especiais de lado e resolver os problemas do povo."
Pontos decorados
A governadora do Alasca de 44 anos se saia melhor quando falava de improviso, sorrindo e olhando para o oponente. Foram poucas vezes. Logo olhava para a câmara e recitava pontos aparentemente decorados -a candidata chegou a se isolar no que foi apelidado de "acampamento de debate", no Arizona, para aperfeiçoar a técnica.Em seus piores momentos, quando o assunto era política externa, parecia insegura e por vezes recorria abertamente às fichas que trazia diante de si, que lia. Pronunciou de maneira errada os nomes dos países Irã e Iraque, do comandante norte-americano no Afeganistão, e repetiu um erro que popularizou Bush: dizer a palavra nuclear como "nucular".Já Biden, 65, se exprimia com mais segurança e naturalidade em assuntos de política externa, ao qual se dedica há décadas no Senado. Ele parecia menos simpático em geral, com expressão imóvel. Também engasgou por três vezes antes de dizer o nome de seu companheiro de chapa -a quem já chamou em uma ocasião de "Barack América". Em outro momento, suspirou alto.Palin fez uso freqüente de palavras ou expressões de uso popular e deu escorregadelas populistas, como quando disse: "Eu posso não responder o que a moderadora perguntou ou o que você [Joe Biden] quer ouvir, mas eu vou falar direto ao povo americano".Biden também procurou se aproximar da classe média, ao contar a história de um eleitor que não sabia quanto custava para encher o tanque de seu carro porque nunca tinha dinheiro para tanto. Ao reivindicar que, como homem, também sabia da dificuldade de criar filhos, emocionou-se -o senador perdeu sua primeira mulher e um filho num acidente e criou dois filhos sozinho.

Lacerda pediu a Lula para ficar no caso Dantas

Por Christiane Samarco, Sônia Filgueiras e Tânia Monteiro
no Estado de São Paulo

Antes de assumir o comando da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), em outubro de 2007, o delegado Paulo Lacerda fez um pedido especial, em tom de apelo, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Numa audiência, no Planalto, Lacerda disse que, apesar de ter de deixar a direção-geral da Polícia Federal (PF) para assumir o novo cargo, "fazia questão de continuar na coordenação das investigações do banqueiro Daniel Dantas". A audiência e o pedido do delegado foram confirmados por três fontes do governo.Em depoimento no Ministério Público Federal, no mês passado, o delegado Protógenes Queiroz, que chefiou a Operação Satiagraha, disse textualmente que a investigação do banqueiro Daniel Dantas era uma "missão presidencial ao Paulo Lacerda". O depoimento foi colhido porque a Procuradoria abriu uma investigação para apurar supostos excessos e ilegalidades de Protógenes no comando da operação Satiagraha. As informações confirmando o teor do depoimento de Protógenes foram dadas ao Estado pela assessoria de imprensa do Ministério Público.A Satiagraha começou em outubro de 2004, com Lacerda na chefia da PF.Em 8 de julho foi executada uma série de mandados judiciais, quando 24 pessoas tiveram a prisão decretada e foram presos Dantas, Naji Nahas, Celso Pitta entre outros. A operação foi um desdobramento de outras duas investigações: a primeira, em 2003, montada para apurar fraudes bancárias no processo falimentar da Parmalat; durante essa apuração apareceram indícios da atuação da Kroll, a serviço de Dantas, quando a polícia chegou ao Banco Opportunity e aos HDs que deram origem à Satiagraha. Na investigação da guerra dos grampos travada entre Dantas e seus sócios nos negócios de telecomunicações, ele aparece como suspeito de ter até mesmo grampeado ministros do governo Lula.Na audiência, no Planalto, o presidente não fez nenhuma objeção ao pedido de Lacerda. Àquela altura, o ex-diretor da PF já havia escolhido o delegado Protógenes para levar adiante o inquérito contra Dantas, e deu ciência de sua escolha ao governo. Um assessor do presidente disse ao Estado que o delegado "tinha mesmo muita gana para pegar o Dantas" por causa de uma reportagem da revista Veja. Ele se referiu à edição de 17 de maio de 2006, em que a revista, usando informações de um dossiê de Dantas, diz que o presidente Lula, quatro de seus ministros à época (Luiz Gushiken, José Dirceu, Márcio Thomaz Bastos e Antônio Palocci), o senador Romeu Tuma (SP) e o próprio Lacerda tinham contas bancárias no exterior. Todos negaram.Por causa do envolvimento do nome de Lula na reportagem, com base em informações de Dantas, é que Lacerda teria dito ao delegado Protógenes que se tratava de uma "missão presidencial". O presidente, tanto quanto Lacerda, "também queria investigar de uma vez por todas o banqueiro", disse a fonte.A Abin, por meio da assessoria de imprensa, disse que a primeira vez que o delegado Paulo Lacerda ouviu falar que a investigação era de interesse do presidente da República foi quando as investigações da PF chegaram à empresa Kroll - que foi contratada por Dantas para investigar seus adversários. "Esse sempre foi último parágrafo da defesa do Dantas, que é um pobre banqueiro vítima de grupos do governo." Segundo a Abin, Lacerda "teve uma reunião com o diretor-geral da PF para pedir muita atenção na investigação (Satiagraha), que era a maior, a mais complexa, que poderia dar mais trabalho. Ele fez essa observação ao sucessor dele (Luiz Fernando Corrêa). Jamais conversou com o presidente ou recebeu orientação do presidente sobre esse assunto. Ele não trata de investigações com o presidente".