sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Novela sem final feliz para todos

Por Marcelo Migliaccio
no Jornal do Brasil

Os programas de Eduardo Paes (PMDB) e Fernando Gabeira (PV) para o horário eleitoral da TV foram considerados os melhores pelos cientistas políticos ouvidos pelo JB. O público, no entanto, parece não ter gostado de nenhum, como mostram os números de audiência do Ibope aferidos em São Paulo, mas que, segundo a assessoria de imprensa da Rede Globo, são semelhantes aos do Rio. Na transmissão da tarde, a quantidade de aparelhos ligados caiu 17% e, nas noturnas, 12%.
– A propaganda na TV perdeu um pouco da importância no cenário político – analisa o cientista político da Uerj Manuel Sanshes. – Como os discursos e as propostas se parecem muito, o atrativo passou a ser mais a forma que o conteúdo.
Para a sua colega da Uerj Alessandra Aldé, no entanto, a televisão ainda tem peso considerável nas eleições majoritárias. Ela lembra, porém, outros aspectos.
– A TV influi, mas o eleitor está mais morno, não vemos muitos adesivos em carros, por exemplo. Não há grandes paixões – ressalta.
Paulo Baía, sociólogo e professor da UFRJ, achou os programas de Paes e de Gabeira os mais eficazes. O segundo, porém, apenas nos últimos 30 dias.
– Quando Paes, o único que foi competente desde o início, cresceu, Gabeira, Jandira e Crivella mudaram o tom – opina. – Exibiram as propostas com clareza, tentaram se diferenciar.
Alessandra diz que Paes acertou na receita do bolo:
– Ele deu ênfase à sua qualificação pessoal, à união com os governos estadual e federal. O eleitor municipal é muito pragmático, quer saber de melhorias no seu dia-a-dia.

As decepções

Baía diz que sua expectativa era maior em relação ao programa de Alessandro Molon (PT):
– Ele tinha um tempo razoável (4m04s), mas não foi bem na linguagem de TV, nem na do rádio. A eleição se profissionalizou, e a televisão tanto pode ajudar como prejudicar o candidato.
Alessandra acha que outro que saiu-se mal foi Marcelo Crivella.
– Mesmo os que são simpáticos à sua candidatura precisavam de argumentos. Isso já havia acontecido na campanha dele de 2006.
Baía concorda:
– Crivella, que domina o meio televisivo, começou meio deprimido, centrando muito na sua relação com o vice-presidente da República, José Alencar, e com o próprio presidente Lula. Depois, ficou mais desperto.
Alessandra diz que a candidata do PCdoB e o do PT também não aproveitaram bem seus tempos.
– Jandira e Molon tiveram dificuldade com a linguagem televisiva e apostaram nos argumentos éticos e em suas qualidades pessoais. Também usaram muita gravação em estúdio, centrada na imagem do candidato. O problema é que o eleitor acha os discursos muito parecidos e quer que os concorrentes se diferenciem.
Contra Solange Amaral (DEM), Alessandra diz que pesou o continuísmo da administração Cesar Maia.
– O grupo dela está há 16 anos no poder. As pesquisas de intenção de voto mostram que apostar na vinculação com o prefeito não foi uma boa estratégia.
Baía acha que os chamados nanicos também não arriscaram grandes saltos.
– O Chico Alencar fez um programa quase leninista-trotskista. Se ele usasse a visão humanista e uma dinâmica semelhante a dos seus livros, se sairia melhor – argumenta. – Já os candidatos do PCO e do PCB apresentaram na TV um programa de rádio da década de 20.

Folclore da vereança

A campanha para vereador na TV atraiu mais pelo inusitado do que pelas propostas.
– Com a fragmentação do tempo, o eleitor tende a depreciar os candidatos e a se incomodar por achar as aparições e as mensagens rápidas meio ridículas – diz Alessandra. – Vale uma reflexão sobre esse sistema, tanto dos partidos quanto da Justiça Eleitoral.

Ah, Protógenes Queiroz

Ah, Protógenes Queiroz... Se hoje o maldito banqueiro Daniel Dantas está livre, leve e solto, se deve a este senhor. Ele está nem aí se a operação que ele comandou foi ilegal. O negócio dele é colocar uzricu na cadeia. Ele acha que fazendo isso estará colaborando e muito para melhorar a vida duzoprimidu.
O delegado maluquinho não pára de receber homenagens. Ora, se até os honrosos comandantes do serviço aéreo brasileiro receberam homenagens dias depois do acidente com o Airbus da TAM em São Paulo por que privar o porta voz duzoprimidu de tal solenidade?

Para Protógenes, críticas ajudam os criminosos

Na Folha de São Paulo

O delegado Protógenes Queiroz recebeu ontem em Brasília a medalha "aspirante mega", entregue pela Associação Nacional dos Veteranos da Força Expedicionária Brasileira da regional de Pernambuco, por "lutar pela liberdade" e aos "bons serviços prestados à nação".Afastado do inquérito da Operação Satiagraha da PF, o delegado rebateu as críticas que pesam sobre a investigação chefiada por ele e que levou à prisão do banqueiro Daniel Dantas.Protógenes criticou os "conflitos e escândalos" fabricados para favorecer os "criminosos". "Assisto o assassinato da reputação de pessoas e instituições sem que nosso trabalho fosse compreendido por aqueles que tinham o dever de preservá-lo."

Eleição combina voto local com articulações para 2010

Por Melchiades Filho
na Folha de São Paulo

O domingo deverá confirmar a máxima de que a oposição não ganha eleições -a situação é que as perde. Segundo as pesquisas, o prefeito bem avaliado se reelegerá ou fará o sucessor.A hipótese de que prevalecem as demandas cotidianas, as queixas do eleitor e sua opinião sobre a administração que encara as urnas explica a tendência continuísta. O brasileiro em geral se diz satisfeito -com a situação econômica (o crash dos EUA nem respingou nas campanhas), com a inclusão social e de consumo dos anos recentes e, também, com a atuação obreira e eficiente de muitos prefeitos neste quadriênio, anabolizada pela injeção orçamentária no Fundo de Participação dos Municípios.Pode parecer descabido, diante disso, falar da influência de Lula, da euforia mineira por Aécio Neves ou de qualquer outra força eleitoral que não diga respeito às questões locais.Fosse decisivo o dedo de Lula, afinal, o Rio não veria subir nas pesquisas justamente os candidatos menos identificados com o presidente (Eduardo Paes e Fernando Gabeira). Fosse automática a transferência dos votos aecistas, também, o PSDB mineiro não estaria na pindaíba, com horizonte de vitória em 7 (e olhe lá) das 28 principais cidades do Estado.Mas raramente as chapas municipais são montadas como parte de estratégias de manutenção ou tomada de poder restritas às cidades. A razão do voto pode ser local, mas a da articulação política não é.O Planalto, por exemplo, operou em todo o país para enfraquecer as lideranças nacionais da oposição -e manter sob controle os aliados com ambição majoritária daqui a dois anos. E como desconsiderar a "onda vermelha" se, mesmo que o PT não venha a confirmá-la, ela já pauta os movimentos de todos os partidos?Não é exagero ou erro, portanto, "federalizar" a análise ou fazer projeções para 2010. As eleições nos municípios fazem parte de alianças ou projetos que poderão pegar embalo ou não -a teia de interesses que a Folha procura retratar aqui.

Maluf no Planalto, Maluf no restaurante

Quer dizer que Dona Supla quer associar Gilberto Kassab a Paulo Maluf. Beleza! Como a campanha do candidato a reeleição não é a do Geraldo Alckmin, espero que lembre o eleitor que Maluf é lulista e sempre está presente em eventos no Palácio do Planalto causando nenhum constrangimento para o Apedeuta.
Sem falar que no ano passado o petralha Cândido Vaccareza, um dos principais aliados de Dona Supla, foi fotografado num restaurante em São Paulo junto com... Paulo Maluf. Isso mesmo! Que Dona Supla associe Kassab com Maluf, mas que explique as ligações dela com o dito cujo.

Marta e Kassab recolhem munição pesada para usar no segundo turno

Por Ana Paula Scinocca, Vera Rosa e Marcelo de Moraes
no Estado de São Paulo

Prováveis adversários no segundo turno da sucessão paulistana, Gilberto Kassab (DEM) e Marta Suplicy (PT) preparam munição pesada para a próxima rodada da disputa. O comando das duas campanhas já trabalha com a perspectiva de recrudescimento dos ataques, terminada a votação do domingo.Convencida de que o PT vai explorar o episódio em que Kassab expulsa de uma unidade de saúde o autônomo Kaiser Celestino da Silva, aos gritos de "vagabundo", a equipe do prefeito já organiza a reação. Coordenadores de sua campanha mandaram selecionar a gravação do bate-boca ocorrido em fevereiro de 2004 quando Marta, à época prefeita, discutiu com a dentista Simone Corrêa, que reclamava das freqüentes enchentes do Córrego Pirajuçara.A cena da ríspida discussão foi usada na campanha de 2004 contra a petista. Na ocasião, Marta perdeu a disputa para José Serra (PSDB), que tinha Kassab como vice. Apesar de alegar que só pretende apresentar propostas, o prefeito também mandou seus assessores deixarem reservada a fita em que Marta, então ministra do Turismo, deu um inusitado conselho aos viajantes.Questionada sobre o que os passageiros deveriam fazer para enfrentar o caos aéreo, em junho de 2007, ela respondeu: "Relaxa e goza." A frase infeliz foi amplamente divulgada, no primeiro turno, pelo programa de Paulo Maluf, candidato do PP.Do outro lado do ringue, o arsenal petista contra Kassab também é bastante variado. A primeira providência do comitê de Marta será associá-lo a Maluf, na tentativa de colar no prefeito os altos índices de rejeição do candidato do PP - hoje na casa dos 53%, segundo o Ibope. Secretário de Planejamento na gestão de Celso Pitta (1997-2000), Kassab apressou-se ontem em minimizar a exploração de seu passado malufista. "Se eu for para o segundo turno, minha preocupação é mostrar minhas realizações e propostas", desconversou.Na nova escalada de ataques, a propaganda de Marta na TV deverá acusar o prefeito de não usar os recursos federais disponíveis para São Paulo, já aprovados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Serão apresentados vários exemplos do que os petistas chamam de "inoperância".O principal trunfo do PT contra o candidato do DEM é o Bolsa-Família, considerado a vitrine de Lula. Dados do governo federal recebidos pelo comitê de Marta indicam que 30% das famílias aptas a receber o dinheiro do programa, na capital paulista, não conseguem ser cadastradas, por falta de técnicos da prefeitura. Atualmente, 11 milhões de famílias, em todo o País, são beneficiadas. Elas recebem, em média, R$ 85, mas o valor pode chegar a R$ 182 mensais."Vamos mostrar como os recursos do Bolsa-Família são aplicados na cidade", disse o deputado Carlos Zarattini (PT-SP), coordenador da campanha de Marta. "Além disso, lembraremos que o prefeito Kassab não fez corredores de ônibus e o investimento em metrô é uma ficção."Outro programa que enfrenta problemas na capital, segundo o PT, é o ProJovem. São Paulo teria direito a qualificar 20 mil jovens, mas também não conseguiu cadastrá-los. Mais: o Programa de Mobilidade Urbana, que tem o objetivo de promover a articulação das políticas de transporte e trânsito, não saiu do papel.
TERCEIRIZAÇÃO
Tanto no PT como no DEM a ordem é "terceirizar os torpedos", para preservar os candidatos. O presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), ainda duvida que Marta nacionalize demais o debate, mas tem estratégia para reagir."O eleitor local não quer discutir taxas de juros. Quer saber do buraco de sua rua", afirmou Maia. "De qualquer forma, se Marta nacionalizar a discussão, podemos trazer a crise internacional da economia para o debate: como isso vai refletir na vida do cidadão, como vai aumentar o custo de vida, como vai prejudicar a classe média", completou. "Essa seria uma discussão para depois, mas podemos antecipá-la."O comitê de Kassab também teme a eventual utilização de denúncia contra ele e o secretário da Desburocratização, Rodrigo Garcia. Eles foram investigados pelo Ministério Público Estadual por suposta incompatibilidade entre seus patrimônios e rendas.As investigações abrangeram Kassab, Garcia e as empresas R&K Indústria Gráfica e Editora Ltda., R&K Comércio e Participação Ltda., R&K Engenharia e Empreendimentos Ltda e Centroeste Agropecuária do Brasil Ltda., que já não existem mais. De acordo com as investigações, o patrimônio de Kassab aumentou 316% entre 1994 e 1998.

Kassab diz que, se for reeleito, manterá tucanos no governo

Por Cátia Seabra
na Folha de São Paulo

Disposto a atrair o eleitorado do PSDB num eventual segundo turno, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) acenou ontem com a manutenção dos secretários tucanos em seu governo, caso seja reeleito. O gesto traz uma tentativa de aplacar a desconfiança de que venha a desvirtuar, num segundo mandato, as diretrizes desenhadas pelo hoje governador José Serra.Ao responder a um eleitor, que o questionara exclusivamente sobre a permanência do secretário Andrea Matarazzo (Coordenação de Subprefeituras), Kassab disse que não tem também a intenção de substituir os tucanos nas pastas da Saúde, Educação e Esportes.Já na véspera, o prefeito admitira apenas "mudanças rotineiras": "Se a equipe está fazendo um excelente trabalho, não há por que mudar".Embora funcione com antídoto contra o assédio dos petistas ao eleitorado do PSDB -hoje em disputa-, o afago de Kassab contraria seus aliados de palanque: PMDB, PR e PV.O presidente nacional do PV, José Luiz Penna, afirma, por exemplo, que a aliança pressupõe ampliação do espaço do partido, hoje com uma secretaria e duas subprefeituras.Segundo ele, o partido ambiciona uma outra subprefeitura e outra secretaria, como Cultura, Esportes e SPTuris - as duas últimas ocupadas por tucanos. "São áreas que têm a ver com o nosso perfil. O espaço vai depender da nossa performance [eleitoral]", planeja.O presidente estadual do PMDB, Orestes Quércia, disse acreditar em mudanças na estrutura da prefeitura: "Vamos conversar sobre isso depois".Já o presidente municipal do partido, Bebeto Haddad, disse que esse seria um novo governo: "Quem vai montar é ele [o prefeito Kassab]. Mas ele não vai se eleger sozinho".Presidente da Câmara Municipal, o vereador Antônio Carlos Rodrigues lembra que o acordo político incluiu a possibilidade de participação no governo. "A coligação é também para participação no governo. O PSDB está no coração e no pulmão da prefeitura. Aí, não sobra nada", avaliou.Ontem, após vistoriar as obras do viaduto Jaraguá, no extremo norte, Kassab afirmou que a reedição da aliança PSDB/DEM "é a solução natural para o segundo turno"."O PSDB e o Democratas são aliados na cidade de São Paulo, governam o Estado juntos, fazem oposição ao governo federal. Mas, diante da impossibilidade de caminharmos juntos no primeiro turno, agora é natural que caminhemos juntos, qualquer que seja o candidato que vá para o segundo turno."Apostando na participação de Serra no segundo turno, Kassab afirmou que as realizações são "de um governo que é do PSDB e do DEM".O candidato -que reproduziu passos percorridos por Serra na reta final de 2004, do almoço num restaurante na Freguesia do Ó à missa de Marcelo Rossi- afirmou que investirá na comparação com Marta Suplicy num segundo turno."A rejeição a qualquer candidato está associada, para aqueles que ocuparam cargos públicos, também a sua atuação no Executivo", alfinetou.

Não teve graça

Não assisti ao debate na íntegra entre os candidatos a Prefeito de Goiânia ontem na TV Anhanguera. Só umas partes. Fui visitar uma amiga que sofreu acidente. Iris Rezende não foi. Ele justificou dizendo que seus adversários fariam acusações e não discussões de propostas. Bem, sem Iris na arena não teve graça nenhuma. Ver Sandy Júnior perguntando para Gilvane Felipe que depois perguntou para Martiniano Cavalcante que, por sua vez, perguntou para Sandy Júnior desanima qualquer interessado no debate. Em 1998, Iris Rezende reclamou da ausência de Marconi Perillo nos debates do segundo turno. Em 2006, os candidatos presidenciais reclamaram da ausência de Lula nos debates do primeiro turno. Adianta reclamar da ausência de quem lidera as pesquisas? Isto não é tudo e não define uma eleição. Se bem que uma puxadinha de orelha da emissora organizadora do debate valeria alguma coisa. Iria além dos discursos previamente preparados pelos candidatos presentes.
Mas uma coisa me chamou atenção. Martiniano disse achar incoerência Sandy Júnior, do partido de Paulo Maluf, o PP, reclamar de corrupção. Bem, mais uma vez perdemos a oportunidade de ver um socialista que diz amar o próximo ter que responder os crimes cometidos pelos líderes esquerdopatas como Fidel, Che, Mao, Stálin e Lênin. Os crimes da esquerda são deixados debaixo do tapete. Preferem fazer de tudo para juntar socialismo como liberdade ou socialismo com amor.
A Globo puxou a orelha de Lula pela sua ausência no debate do primeiro turno. Willian Bonner, o então mediador do debate, relembrou que uma das regras do debate era a proibição de calúnias contra os candidatos, fato apontado pelo Apedeuta para não comparecer. Será que a TV Anhanguera puxou ou vai puxar a orelha de Iris Rezende?
Para os três candidatos a prefeito presentes no debate Goiânia vive o caos e cada um deles tem um projeto que será implantado em quatro anos e todos os seus problemas acabaram.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Metáforas futebolísticas

Geraldo Alckmin quer fazer metáforas futebolísticas. Disse que ontem o Palmeiras se classificou para as oitavas-de-final da Copa Sul Americana nos 43 minutos do segundo tempo. Isso quer dizer que, nos 43 minutos do primeiro turno, Alckmin marcará um gol em Gilberto Kassab e irá para o segundo turno contra Dona Supla. É mesmo? Então vamos continuar nas metáforas futebolísticas. Acho que foi no ano 2000 (eu não tenho uma memória igual a do Paulo Vinícius Coelho), mas o Palmeiras estava jogando a final da Copa Mercosul contra o Vasco da Gama no Palestra Itália. Foi para os vestiários ganhando por 3 a 0. Era o título! Era só segurar o adversário, esperar o apito final e correr pra torcida. E não é que o Vasco da Gama não só empatou a partida como virou o marcado no segundo tempo? Este jogo sim parece muito com a campanha de Alckmin. No começo, o picolé de chuchu paulista estava empatado com Dona Supla na dianteira das pesquisas. Foi só ele começar a bater em Gilberto Kassab e falar “o Lula, tudo bem, o problema é o PT” para o chuchu cair para a terceira posição, oito pontos atrás de Kassab na última pesquisa Datafolha. É, Geraldo, o futebol é uma caixinha de surpresas, usando outra metáfora.

Pânico por crise externa faz Bovespa desabar quase 8%

No Estadão online

SÃO PAULO - Incertezas sobre a aprovação da nova versão do pacote de ajuda ao sistema financeiro nos EUA e o temor com um período de recessão nos Estados Unidos e, conseqüentemente, no mundo todo, fizeram a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) desabar 7,34%. Nos Estados Unidos, o dia também foi de forte queda. O índice Dow Jones recuou 3,22% e a Nasdaq caiu 4,48%; O dólar comercial fechou pela primeira vez acima de R$ 2,00 desde agosto de 2007. No encerramento dos negócios, a moeda norte-americana foi vendida a R$ 2,0210, em alta de 5,37%. A aprovação no Senado do plano de ajuda às instituições financeiras norte-americanas não conseguiu restaurar a confiança dos investidores, derrubando as bolsas de valores em todo o mundo. Na Europa, os índices das principais bolsas terminaram em baixa, pressionados pelo aumento no pedido de auxílios-desemprego nos EUA e pela diminuição das encomendas para a indústria.

Em Londres, o índice FTSE 100 fechou em baixa de 89,30 pontos, ou 1,80%, para 4.870,3 pontos. O índice DAX, na Bolsa de Frankfurt, recuou 145,70 pontos, ou 2,51%, para 5.660,63. Em Paris, o índice CAC-40 teve declínio de 91,26 pontos, ou 2,25%, para 3.963,28 pontos. Os papéis dos setores de mineração, químicos e automóveis foram especialmente prejudicados pelos dados da economia norte-americana, que sugerem contração da economia.

A percepção de que o pacote não vai livrar a economia dos EUA de uma recessão e o receio quanto ao resultado da votação na Câmara, onde o plano foi rejeitado na segunda-feira, mantêm os investidores pessimistas. Segundo um assessor do partido democrata, a nova votação na Câmara terá início às 13h30 de sexta-feira. Contudo, a presidente da Câmara, a democrata Nancy Pelosi, disse que não levará o pacote à votação antes de assegurar os votos necessários para sua aprovação.

Pessimismo

Os pedidos de auxílio-desemprego nos EUA subiram para 497 mil - maior nível desde 29 de setembro de 2001 -, enquanto as encomendas para a indústria recuaram para o menor valor em dois anos. Após a aprovação do pacote de auxílio ao mercado financeiro pelo Senado norte-americano, na noite de quarta-feira, os investidores mostraram mais cautela.

Na zona do euro, o Banco Central Europeu (BCE) manteve a taxa de juros em 4,25%. Contudo, na entrevista coletiva que se segue ao anúncio da decisão de política monetária, o presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, reconheceu que houve discussões sobre um corte na taxa durante a reunião do conselho.

A suavização da política monetária de curto prazo do BCE impulsionou os bancos europeus. As ações do Fortis avançaram 12%, enquanto as do Allied Irish Banks subiram 8%. ING subiu 2,5%. O banco suíço UBS disse que terá um lucro modesto no terceiro trimestre deste ano em decorrência de um corte substancial nas posições relacionadas a hipotecas. As ações subiram 8,12%.

Nos EUA, a Securities and Exchange Commission (SEC, a CVM norte-americana) decidiu prorrogar sua medida de emergência temporária que proíbe as operações de vendas a descoberto em ações de companhias financeiras. A medida foi anunciada no final da noite de quarta-feira. A SEC disse que a proibição sobre as vendas a descoberto, que deveria vencer nesta quinta, permanecerá em vigor para dar tempo para o Congresso trabalhar sobre o pacote de socorro para o setor financeiro, mas não irá se estender para além da meia-noite do dia 17 de outubro.

Mais preocupados com o nome

E finalmente o governo vai fazer alguma coisa para evitar que a crise econômica nos Estados Unidos atravesse o Caribe (e não o Atlântico) e chegue até aqui. Como tenho dito em posts anteriores, enquanto o mundo inteiro está com medo da crise, nossos ilustres comandantes (tanto da área política como da área econômica) exaltam o país como se estivéssemos preparados para tudo.
O Jornal do Brasil de hoje mostra que o governo finalmente vai fazer alguma coisa para defender o país caso a crise se aproxime. Mas a matéria mostra que nossos ilustres comandantes estão mais preocupados com o nome das medidas a serem tomadas. Eles não querem que a defesa brasileira contra a crise se chame “pacote”. Segundo eles, isso relembra as crises que o Brasil enfrentou na década de 1990. Por falar em crises do passado, é visível um certo sorrisinho nos lábios dos petralhas. Eles dizem: “Estão vendo? O mundo está em crise econômica e o nosso chefe está dando conta do recado”. É mesmo? E como conseguimos esta defesa, esta força? Ora, negando o que os petralhas disseram sobre a economia nos últimos anos. Concordo com Reinaldo Azevedo: “O que é bom para o PT é ruim para o Brasil”. Imagine se o Apedeuta seguisse a risca o que ele e seus radicais pregaram num passado não muito distante? Será que os petralhas sorririam bem de leve ao ver a economia do inimigo esfarelar e isso não provocar nenhuma alergia por aqui?
O problema é que a gente sempre acha que ninguém segurará o nosso país. Mas sempre tem alguma coisa que nos impede de ir para frente. Com certeza os Estados Unidos se recuperarão desta crise. O capitalismo sairá fortalecido. E nós continuaremos escolhendo um nome para as medidas econômicas.

Senado dos EUA expande e aprova pacote

Por Sérgio Dávila
na Folha de São Paulo

Por 74 votos a favor e 25 contra, o Senado norte-americano aprovou ontem à noite com folga o pacote de resgate do mercado financeiro proposto pelo governo norte-americano, o maior da história do país. Com as mudanças acrescentadas pelos políticos para ajudar que a medida passasse, o total previsto do plano pula dos US$ 700 bilhões originalmente pedidos para US$ 850 bilhões.Agora, deve ir à Câmara dos Representantes (deputados federais), onde será votado amanhã. A aprovação no Senado melhorou as perspectivas de passagem do projeto por essa Casa, que o rejeitou na segunda-feira, derrubando o mercado mundial. Se todos os que foram a favor então mantiverem sua opinião na sexta, o governo precisa virar a posição de apenas 12 congressistas.Se aprovada, vai para sanção do presidente George W. Bush e vira lei. Se modificada, terá de passar por uma comissão bipartidária das duas Casas. Se rejeitada, o processo é reiniciado ou mesmo interrompido. "Essa não é uma lei para a Baixa Manhattan, mas para todo o país", disse o líder democrata do Senado, Harry Reid, ao anunciar a passagem, referindo-se à localização de Wall Street. A frase seria repetida com variação pelo líder republicano, Mitch McConnell.Ambos os candidatos majoritários à sucessão de Bush, o democrata Barack Obama e o republicano John McCain, voltaram a Washington apenas para participar da sessão e votar a favor. "Não podemos correr o risco de ver as economias dos EUA e do mundo caírem num buraco profundo", disse Obama. A única ausência entre os cem senadores foi de Ted Kennedy, que passa por tratamento por um câncer.Bush saudou o resultado: "Com as melhorias que o Senado fez, acredito que membros de ambos os partidos da Câmara possam apoiar a medida". A votação é parte da manobra política do governo Bush e líderes dos dois partidos majoritários para aumentar a pressão sobre a Câmara. Para tanto, foram incluídos dois itens que agradariam a republicanos conservadores e democratas progressistas, principais opositores.Um deles é um corte generalizado nos impostos da classe média, de pequenos empresários e de famílias vítimas de acidentes naturais, num total de mais de 25 milhões de beneficiados, a um custo adicional de US$ 150 bilhões na próxima década para o pacote. Nessa soma, entram ainda incentivos fiscais a empresas que investirem em energia alternativa e em pesquisa e desenvolvimento.O outro é o aumento da garantia federal de depósitos bancários individuais dos atuais US$ 100 mil para US$ 250 mil -e a derrubada do limite de empréstimo que o FDIC, órgão que garante as operações do setor bancário nos EUA, pode pedir ao Tesouro para garantir esses depósitos.O objetivo é acalmar o cliente e evitar não só uma corrida aos caixas como a transferência de depósitos de pequenas instituições para grandes, o que acabaria por quebrar as primeiras. Era ponto de honra da poderosa associação de pequenos e médios bancos, de grande influência sobre republicanos.As alterações se somam às feitas antes do envio à Câmara, no domingo, que incluíram parcelamento da liberação do dinheiro, limites de pagamento a executivos das empresas que forem auxiliadas pelo governo, possibilidade de participação nessas empresas por meio de ações e a criação de órgão subordinado ao Congresso que vigiará as ações do Tesouro.O plano original pulou de 2,5 páginas para 110 na Câmara e as 451 de ontem no Senado -o salto entre as Casas se deve também ao fato de a medida ter sido incluída como emenda de uma legislação sobre direitos de aposentados já votada pela Câmara, como maneira de atravessar a burocracia.O governo passou o dia inteiro em negociações com o Congresso, que viu o vento da pressão popular mudar de lado, de ostensivamente contra a aprovação para parcialmente favorável à medida (leia texto ao lado). Foi auxiliado na pressão por entidades empresariais e de comércio e lobistas. À tarde, pela sexta vez em seis dias, Bush voltou ao assunto."É importante fazer o crédito voltar a circular para que pequenos negócios em nossas comunidades possam financiar suas operações", disse, "para que pequenas municipalidades tenham dinheiro para cuidar da necessidade de seus cidadãos e para que Estados respondam suas necessidades."A Casa Branca mudou o tom de defesa de seu plano, que prevê a maior intervenção federal no mercado financeiro da história do país. Segundo a nova retórica oficial, em jogo agora não estão mais as instituições financeiras de Wall Street, mas o crédito para o norte-americano médio, os pequenos empresários -a classe média.A guinada veio depois da derrota de segunda-feira, em que tanto os líderes republicanos quanto os democratas não anteciparam o peso que a rejeição popular ao pacote teria na decisão do baixo clero da Câmara dos Representantes. A totalidade das cadeiras dessa Casa está em jogo nas eleições de 4 de novembro, ante apenas um terço das do Senado.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Sobre as dívidas

Uma senhora meio revoltada relembrou as denúncias contra o PMDB na última propaganda de Sandy Júnior. Falou que o partido deixou uma grande dívida para o Tempo Novo que começava em 1999. É mesmo? E será que os temponovistas não vão explicar para gente a dívida que Marconi Perillo deixou para Alcides Rodrigues, o popular Cidinho, bem como a reforma administrativa que atrasou dias e dias para sair do papel?

Eles na TV

Os candidatos abusaram da emoção. Um monte de gente foi chamado para falar do seu candidato. Parece que os quatro que disputam a Prefeitura de Goiânia nunca cometeram nenhum pecado. Que coisa, não? Mas a eleição, infelizmente, será garantida já no dia cinco de outubro. Infelizmente Iris vencerá e Sandy Júnior outra vez aparecerá dizendo que seu sonho de ser prefeito não acabou. E ele hoje, de novo, relembrou as denúncias contra o PMDB. Só gostaria de saber se ele vai dar prosseguimento nas investigações.
Iris Rezende mostrou o que fez e o que vai fazer mais. Mais para mostrar em 2010 quando for candidato ao governo. O problema não mora no desconhecido Paulo Garcia, vice de Iris, e sim no PT que voltará a mamar diretamente nas tetas da prefeitura.
A única coisa boa da campanha de Gilvane Felipe foi Lara Brito. Quero ela como apresentadora de algum programa de alguma emissora.
É lamentável ver Martiniano Cavalcante confundindo as coisas no final da campanha eleitoral. Estava indo tudo tão bem, o capitalismo não era mais o grande mal de Goiânia. Mas, no último programa eleitoral, ele desliza. Socialismo não combina com liberdade e nem com amor ao próximo. Vejam as biografias de Che, Fidel, Mao, Stálin e Lennin para ver se eles defendiam um socialismo com liberdade e amor. Com certeza não achará.

E o Gabeira está chegando

Acompanhei não tão atentamente a campanha eleitoral no Rio de Janeiro. Lá vai dar segundo turno. É o brincalhão Eduardo Paes contra um embolado de candidatos que estão tecnicamente empatados no segundo lugar. Marcelo Crivela, Fernando Gabeira e Jandira Feghai disputam uma vaga para o último turno. Gabeira cresceu muito. Nas suas propagandas eleitorais ele dizia que muitos aprovavam sua conduta como político, mas não votavam nele porque não tinha chance nas pesquisas. Gabeira disse que agora seus admiradores poderiam votar tranquilamente nele porque desta vez ele tem chances. Pelo que mostra a pesquisa Datafolha, as chances estão aumentando.

Crivella e Gabeira disputam vaga no 2º turno

Na Folha de São Paulo

Às vésperas do fim da campanha pela Prefeitura do Rio, pesquisa Datafolha mostra o candidato do PMDB, Eduardo Paes, na liderança com 29% das intenções de voto -dez pontos a mais que o adversário mais próximo- e registra um acirramento na disputa por uma vaga no segundo turno contra ele.Marcelo Crivella (PRB) oscilou positivamente um ponto, atingindo 19%, contra 17% de Fernando Gabeira (PV), que oscilou positivamente dois pontos em relação à pesquisa anterior, acumulando crescimento de seis pontos nas duas últimas semanas. Jandira Feghali (PC do B) oscilou negativamente um ponto, passando de 13% para 12% dos votos.Como a margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos, Crivella pode ter entre 16% e 22%, Gabeira, entre 14% e 20%, e Jandira, entre 9% e 15%. Assim, o candidato do PRB está tecnicamente empatado com o do PV, que está tecnicamente empatado com a candidata do PC do B, mas Jandira não tem chances estatísticas de estar no mesmo patamar de Crivella.Em um bloco bem mais abaixo, aparecem Solange Amaral (DEM) com 5%, Alessandro Molon (PT) com 4%, Chico Alencar (PSOL), 2%, e Paulo Ramos (PDT), 1%. Os demais postulantes à prefeitura obtiveram menos de 1% das menções dos entrevistados.Nas três simulações de segundo turno em que está envolvido, Eduardo Paes lidera. Pela primeira vez, o Datafolha realizou uma simulação entre os candidatos do PMDB e do PV. Paes venceria Gabeira por 53% a 33%, uma diferença de 20 pontos percentuais. O confronto mais apertado na simulação de segundo turno seria contra Jandira, com uma vantagem do peemedebista de 14 pontos (51% a 37%). Na disputa contra Crivella, Paes vence por 58% a 29%, diferença de 29 pontos.Considerando-se apenas os votos válidos (quando são retirados da conta os votos em branco ou nulo), Paes tem 33%, Crivella, 21%, Gabeira, 19% e Jandira, 13%. A divulgação oficial dos resultados eleitorais é feita por meio de votos válidos.Entre o eleitorado de maior renda, Gabeira disparou em primeiro, com 14 pontos à frente de Paes. O candidato do PV atinge 41% dos votos contra 27% do peemedebista. Nessa faixa, com eleitores com renda superior a dez salários mínimos, Jandira tem 13% e Crivella, apenas 4%. Na faixa dos que ganham até dois mínimos, Paes tem 32%; Crivella, 31%; Jandira, 12%, e Gabeira atinge 9%.O contraste se repete na avaliação dos eleitores por nível de escolaridade. Entre os que têm nível superior, Gabeira atinge 35% contra 31% de Paes, 14% de Jandira e 7% de Crivella. Entre os que têm só ensino fundamental, Paes chega a 34%, contra 28% de Crivella, 14% de Jandira e 7% de Gabeira.

É burrice mesmo

Desde o final das eleições presidenciais de 2006 que eu venho falando para deixarem Geraldo Alckmin de escanteio. Vejam no arquivo do blog a quantidade de vezes que falei para deixarem de lado. Naquele ano, Alckmin entregou as eleições para Lula, deixou os petralhas pautarem os debates e não soube defender o que o seu partido fez quando estava na presidência.
Dias atrás eu disse que Alckmin era um petralha infiltrado no ninho tucano. Pois é. Vejam a pesquisa Datafolha mostrando Gilberto Kassab oito pontos a frente do picolé de chuchu paulista. O que Kassab fez? Ora essa, ele está focado em Dona Supla. Direto a desafia a comparar as administrações dos dois. E Alckmin, ou melhor, o Geraldo? Ataca... Kassab!!! Foi na propaganda tucana que vimos a já famosa frase: “O Lula tudo bem, o problema é o PT”. Ora, quer dizer que Lula é uma coisa e o PT e outra coisa?
Tem um ditado que diz o seguinte: errar é humano, permanecer no erro é burrice. Alckmin permanece no erro. Que o leitor tire suas próprias conclusões sobre o candidato baseado no ditado popular.

Kassab se isola em segundo com 8 pontos sobre Alckmin

Por Cátia Seabra
na Folha de São Paulo

A cinco dias das eleições, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) abre oito pontos de vantagem sobre o adversário do PSDB, Geraldo Alckmin, e assume a segunda colocação na disputa pela Prefeitura de São Paulo, revela o Datafolha.Kassab está oito pontos atrás da ex-prefeita Marta Suplicy. Segundo pesquisa Datafolha realizada ontem e anteontem, a petista lidera a corrida com 35% das intenções de voto. Kassab tem 27% e Alckmin conta com 19% da preferência.Em comparação com a pesquisa anterior, realizada nos dias 25 e 26, a vantagem de Kassab sobre Alckmin passou de quatro para oito. Antes com 24%, Kassab ganhou três pontos. Alckmin, por sua vez, oscilou de 20% para 19%.Como Marta sofreu oscilação negativa de dois pontos, sua vantagem sobre Kassab caiu de 13 para oito pontos. O Datafolha ouviu 1.954 eleitores.Diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino afirma que "Kassab polarizou a disputa com Marta". Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, essa é a primeira vez que Kassab se descola de Alckmin."Kassab assumiu a segunda posição fora da margem de erros. Se a eleição fosse hoje, Kassab disputaria o segundo turno com Marta", afirmou Paulino.Segundo o Datafolha, o ex-prefeito Paulo Maluf (PP) conta com 7% das intenções de voto, e Sonia Francine, a Soninha (PPS), com 4%.A pesquisa mostra que Marta teria 38% dos votos válidos. Kassab atingiria 29% e Alckmin, 20%. Para o resultado oficial da eleição, a Justiça leva em conta os votos válidos, excluídos brancos, nulos e abstenções. Já o Datafolha excluiu também os indecisos.Pelos números da pesquisa, Kassab começa a "roubar" votos de Marta. Entre eleitores de 16 a 24 anos, por exemplo, a petista perdeu nove pontos, caindo para 35%. Kassab herdou oito, chegando a 27%.Ainda segundo o Datafolha, o índice de aprovação da administração Kassab é de 49%. O percentual dos que classificam seu desempenho ruim ou péssimo passou de 15% para 13%, enquanto 36% avaliaram a gestão como regular.Da semana passada para cá, Kassab subiu três pontos na pesquisa espontânea -realizada antes da apresentação dos nomes dos candidatos-, passando de 19% para 22%. Marta oscilou de 29% para 28% e Alckmin se manteve com 14%.Segundo a pesquisa, 16% dos entrevistados afirmam que ainda podem mudar de voto. Entre os eleitores de Alckmin, 19% admitem rever a posição, sendo que 9% optariam por Kassab e 5% por Marta. Dos eleitores de Kassab, 14% podem mudar: 9% votariam em Alckmin; enquanto Marta herdaria 4%.A chegada de Kassab ao segundo lugar exige do PSDB uma ginástica para evitar que os ânimos se acirrem no segundo turno. O próprio governador José Serra tem pedido que tucanos tranqüilizem os alckmistas mais inflamados.Mais da metade -52% dos eleitores- diz que Serra deve apoiar Alckmin. De julho para cá, a taxa caiu 11 pontos. No período, subiu de 24% para 36% o percentual dos que defendem o apoio de Serra a Kassab.

As diferenças de 1998, 2004 e 2006

Os temponovistas adoram lembrar as eleições de 1998 e 2006. Foram os anos em que os candidatos do tal do Tempo Novo derrotaram os candidatos do PMDB de virada. Em 1998, Marconi Perillo derrotou Iris Rezende nas eleições estaduais. Iris era o favorito e foi perdendo pontos para Marconi que subia a cada pesquisa. Assim foi em 2006 quando o desconhecido Alcides Rodrigues, o popular Cidinho, derrotou Maguito Vilela que até já sonhava em ganhar aquela eleição no primeiro turno. Quem quase a levou foi Cidinho.
Sandy Júnior foi sabatinado ontem no Jornal do Meio Dia da TV Serra Dourada. Ao ser questionado sobre a sua estagnação nas pesquisas, Sandy Júnior relembrou as eleições de 1998 e 2006. O jornalista Jordevá Rosa foi correto ao lembrar que naquelas eleições os candidatos do Tempo Novo estavam crescendo nas pesquisas. Já Sandy Júnior... O candidato também lançou dúvidas sobre as pesquisas. É mesmo. Lembremos de 2004. Muita gente imaginava que o segundo turno das eleições municipais daquele ano seria entre Iris Rezende e Sandy Júnior, os dois primeiros colocados nas pesquisas. Quem foi de fato para o segundo turno? Pedro Wilson que estava em terceiro. Sim, as pesquisas erram. As eleições passadas têm mostrado que os institutos erraram feio. Mas 1998 não é 2006 que é totalmente diferente de 2004 e que 2008 é um outro ano.

As eleições chegando e nenhuma novidade

Realmente esta campanha eleitoral aqui em Goiânia está um tédio. Nem na reta final está prevista uma emoçãozinha. Sandy Júnior apela para os bois piratas de Iris Rezende. Este não responde a nenhuma acusação na sua propaganda eleitoral demonstrando que “o que vem debaixo não me atinge”. Talvez Iris respondesse se as acusações de Sandy Júnior tirassem alguns pontos das pesquisas. A queda do prefeito está dentro da margem de erro assim como a ascendência de Sandy Júnior. Dia 5 de outubro já está chegando. Pelo visto, Goiânia continuará com o retrato do velho na parede.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

TSE mantém candidatura de Maguito Vilela à Prefeitura de Aparecida de Goiânia (GO)

Na Folha online

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) negou nesta terça-feira o recurso apresentado pela coligação "Aparecida Nossa Gente Nossa Força" e manteve a candidatura do ex-governador de Goiás Maguito Vilela (PMDB) à Prefeitura de Aparecida de Goiânia. A decisão é do ministro Felix Fischer.
A coligação "Aparecida Nossa Gente Nossa Força" é formada pelo PTB, PR, PSDB, PT, PRTB, PTN, PSDC, PRB, PSB, PRP e PSL e tem como candidato a prefeito Marlúcio Pereira da Silva (PTB).
No recurso, a coligação questionou o registro de candidatura de Vilela alegando que teriam ocorrido irregularidades na convenção do PMDB que escolheu o ex-governador para a disputa.
Ao rejeitar o recurso, o ministro ressaltou que a coligação não tem legitimidade para questionar as deliberações tomadas na convenção do PMDB.
A Justiça Eleitoral de Aparecida de Goiânia e a o TRE-GO (Tribunal Regional Eleitoral) de Goiás também já tinham rejeitado recurso da coligação.

Mais uma reunião do foro

Em Manaus não acontece um encontro de líderes sul-americanos e sim mais um encontro do Foro de São Paulo. Lula, Hugo Chávez e Evo Morales fazem parte do foro esquerdopata. Se eles se reúnem não significa apenas uma reuniãozinha de líderes de países da América do Sul e sim o encontro de integrantes do foro que apóia as Farc e a bagunça que a esquerda está provocando.

Usando a mesma tática

Em 2006, o então candidato a reeleição Alcides Rodrigues, o popular Cidinho, foi acusado pelo seu adversário (e hoje grande amigo) Maguito Vilela de não ter pago o IPVA do seu carro. Cidinho criticou a denúncia. No final, como todos sabem, o PMDB perdeu mais uma eleição que mais uma vez imaginava que ganharia facilmente.
Ontem, o candidato do PP, mesmo partido de Cidinho, Sandy Júnior, acusou o atual candidato a reeleição Iris Rezende de não declarar um monte de cabeças de gado ao TRE. Sandy Júnior usa a mesma tática de Maguito em 2006. Muito atrás nas pesquisas, vai jogando denúncia. Aqui, a maioria é contra o tal do denuncismo. Eu sou a favor do investiguismo. Que toda denúncia seja investigada. Será que Sandy Júnior topa levar a denúncia dos bois piratas de Iris a diante ou ficará só nesta eleição? Será que Maguito Vilela sabe se Cidinho já pagou o IPVA do carro? Toda denúncia deve ser investigada e não esquecida no final da campanha eleitoral. É a mesma tática de sempre: as denúncias acabam quando a Justiça Eleitoral decreta o vencedor.

Todo mundo é parceiro de Lula

Quer dizer que a aprovação de Lula chegou aos 80%? Também, todo mundo se diz parceiro dele. Lá no Rio de Janeiro todo mundo quer entrar na onda lulista. Eduardo Paes (ele seria o Brincalhão da Semana passada se eu tivesse acesso à internet no sábado) sempre disse nos seus programas eleitorais que, se for eleito prefeito do Rio de Janeiro, vai trabalhar com o governador Sérgio Cabral e o presidente Lula. Isso mesmo! O antigo valente contra o mensalão quer se unir ao grande beneficiado do esquema. É um cara de pau. É um brincalhão. Mas não é só o Eduardo Paes que é lulista lá no Rio. Alessandro Molon também é. Ele é o candidato do PT. Jandira Fegali do PC do B disse estar com Lula tanto nas vitórias como nas derrotas. Solange Amaral é a candidata do atual prefeito César Maia. Prefere colar sua imagem na atual administração. Pelo visto a administração César Maia não está muito bem. Se analisarmos o desempenho da candidata dele nas pesquisas... Solange está lá trás, não me lembro a porcentagem exata agora. Claro, César Maia culpa a metodologia das pesquisas.
Vamos voltar para Goiânia. Vamos nos focar nos dois principais candidatos, aqueles que estão (se é que eu posso dizer isso) mais bem colocados nas pesquisas. Tanto Iris Rezende como Sandy Júnior falam que são parceiros de Lula. Quem seria mais parceiro: Iris ou Sandy Júnior? Todo mundo é parceiro do Apedeuta. Tanto a oposição como a situação se julgam as melhores amigas do metalurgicozinho. Se Lula é tão bom assim, se ele é disputado desse jeito é porque é bom. E também porque a economia está bem. Bem, aí eu já não sei até quando a nossa economia estará bem. Enquanto todo mundo for lulista a onda de popularidade do Apedeuta passará em muitas praias. O problema é que isso favorece os mais espertalhões, os que não têm vergonha na cara e os caras de pau de invadir a onda alheia. E invadir coisa alheia é ilegal. Mas o que é ilegal num país apaixonado pelo seu presidente e seus parceiros? Estamos perdidos. Quando a ressaca do mar vir eu quero estar longe.

''República da polícia'' vira cruzada de Mendes

Por Fausto Macedo
no Estado de São Paulo

O ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), voltou a advertir ontem, após conferência em São Paulo sobre os 20 anos da Constituição, para os riscos do que chamou de "república da polícia, república do juiz, do promotor". Em sua cruzada contra abusos de investigações patrocinadas por órgãos oficiais sob o manto do combate ao crime organizado e à corrupção, ele incluiu em seu libelo excessos e desobediências de comissões parlamentares de inquérito."Já tivemos exemplos em que havia um consórcio entre Ministério Público e um dado juiz e a partir daí se imaginava que se tinha fundado uma república. Vivemos isso em algum momento. Agora, em tempos mais recentes, temos vivido um tipo de república da polícia e também, às vezes, o consórcio com juiz e promotor."Mendes reiterou a necessidade de enfrentar a "ditadura do grampo telefônico". "Aqui talvez seja um processo de devido controle dos principais setores envolvidos, seja o próprio Judiciário, o próprio Ministério Público, mas aí são dissintonias que não têm nenhum significado no sistema macro estrutural da Constituição. São questões que podem ser corrigidas sem nenhuma alteração constitucional. Uma mera alteração legislativa, às vezes, ou uma mera reinterpretação por parte do Judiciário já pode fazer essas correções." Ele condenou "tribunais de exceção" e as seguidas incursões de segmentos da máquina pública pela soberania.Recorreu às investigações sobre o atentado a Carlos Lacerda e a morte de Getúlio Vargas, em 1954, para reforçar sua argumentação."Tivemos em algum momento uma tentativa de autonomização até de CPIs e tivemos no passado a história da chamada República do Galeão. Então, podemos ter problemas de autonomização de processos de investigação. Quaisquer que eles sejam precisamos ter cuidados para que andem dentro dos marcos institucionais."
DISTORÇÃO
Mendes declarou que "num Estado de Direito não há soberanos, todos estão submetidos à lei". "Quando alguém, quando algum setor começa a se autonomizar é porque estamos tendo alguma distorção no modelo de Estado de Direito", ressaltou o presidente do Supremo. "Várias CPIs, em algum momento, se autonomizaram. Tivemos a CPI dos Bingos, não faz muito tempo. E a dos Correios (mensalão).""Podemos falar em algum momento que tivemos medo de que as comissões de inquérito se exacerbassem", insistiu o ministro, dirigindo-se às CPIs. "Tivemos caso, por exemplo, em que uma decisão do Supremo, do ministro Cezar Peluso, foi descumprida por uma CPI, aquela CPI da Pirataria. Disseram não à ordem, alegaram que a orientação era para que não houvesse audiência no período da manhã e que estavam realizando a audiência à tarde. Veja, é o tipo de situação que preocupa. Quer dizer, os órgãos decolam de modelos institucionais."Para ele, tribunal de exceção não é uma definição que se aplica exclusivamente a magistrados que agem em parceria com delegados e procuradores. "Em geral, são órgãos que se autonomizam, quaisquer que sejam eles".O presidente do STF voltou a mirar a "república da polícia", recado direto à Polícia Federal, que tem responsabilidade de investigar corrupção e fraudes na administração pública. "Podemos ter excessos com inquéritos policiais, não é? E assim por diante. Então, é preciso ter cuidado nesse processo para que as instituições funcionem. E quando elas não funcionam é bom que o Judiciário se articule."

Marta diz que PSDB maltrata Alckmin

Por Ranier Bragon
na Folha de São Paulo

A seis dias do primeiro turno das eleições, a candidata do PT à Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, iniciou ontem uma ofensiva sobre o eleitorado tucano ao dizer que o "peessedebista de coração" estaria contrariado com a, segundo ela, "fritura" da candidatura de Geraldo Alckmin pelo PSDB."Eles estão fritando o candidato antes da hora. Eu nem sei quem eu vou enfrentar no segundo turno, mas parece que o PSDB já tem o prato feito. Isso provavelmente pode agradar ao [governador José] Serra e ao [Gilberto] Kassab, mas certamente vai desagradar, e muito, aos peessedebistas de coração", disse Marta durante evento em São Miguel Paulista (extremo leste da cidade).Embora afirme respeitar os dois candidatos e desautorizar declarações de seus aliados sobre quem ela espera enfrentar no segundo turno, a fala de Marta sobre o suposto "descontentamento" do eleitorado de Alckmin reflete o que, nos bastidores da campanha petista, é visto como o cenário mais provável: a ida de Gilberto Kassab (DEM) ao segundo turno."O que está acontecendo [no PSDB] não é digno. Eu acho que o que está acontecendo não me parece uma coisa de compostura. Se eu, que não tenho nada a ver com a história, acho isso, imagina o que estão pensando os eleitores. Surpreende-me que o PSDB frite seu candidato sem ter razão para fazê-lo", acrescentou a petista.
Ligações
Entre petistas, há quem defenda que, caso se confirme a vitória de Kassab sobre Alckmin, os primeiros programas do PT no segundo turno já abordem as antigas ligações do democrata com o ex-prefeito Celso Pitta (1997-2000) e com Paulo Maluf (PP), e a atual aliança com o ex-governador Orestes Quércia (PMDB). Com isso, dizem, Kassab iniciaria o segundo turno na defensiva.No cenário ideal para o PT, a tentativa seria repetir a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2006, contra Alckmin. No segundo turno, o PT explorou as privatizações tucanas, deixando o adversário na defensiva.Ontem Marta participou de eventos de rua na zona leste. Em favela do bairro Belém, ela chegou a dançar uma mistura de funk e rap durante apresentação de crianças da comunidade. Antes, em São Miguel Paulista, pediu votos para os vereadores do PT, já que, segundo ela, ser eleita prefeita sem uma bancada de apoio é "programa de índio". A campanha de Marta deve se encerrar no sábado com uma caminhada no centro da cidade.

PT e PSDB são aliados em mais de 1.000 municípios

Por Fernanda Odila e Alan Gripp
na Folha de São Paulo

O PT marcha de mãos dadas com ao menos um dos três partidos de oposição ao governo Lula (PSDB, DEM e PPS) em 41,2% dos municípios do Brasil -2.292 das 5.563 cidades. O número é 13,9% maior do que em 2004, uma prova de que o tensionamento da política federal vem sendo deixado de lado em nome de questões locais.A Folha analisou todas as 30.847 coligações válidas, registradas no Tribunal Superior Eleitoral em 2008 e 2004.As alianças que unem as quatro legendas numa única chapa subiram 36% em relação às eleições anteriores, passando de 89 para 121 neste ano.A dobradinha PT-DEM, impensada em nível nacional, foi a que registrou maior crescimento em relação à eleição passada: 41,9%. Em 2004, os partidos estiveram juntos em 674 cidades. Agora, são 957.Com o PSDB, possivelmente o maior rival na campanha da sucessão de Lula, o PT selou 1.095 alianças -20,9% a mais do que há quatro anos (905).Com o PPS, satélite democrata-tucano, as parcerias ficaram no mesmo patamar -de 1.105 para 1.129 (a maior das alianças entre PT e pelo menos um dos partidos da oposição em números absolutos). O dado novo é que ela acontece em quatro capitais: Manaus (AM), João Pessoa (PB) e Palmas (TO), além de Aracaju (SE).As alianças em que o pragmatismo local prevaleceu sobre a política nacional não ocorreram apenas em cidades minúsculas e longe de Brasília.As quatro siglas estão unidas, por exemplo, em municípios como São João de Meriti (RJ), com 462 mil habitantes, e São Vicente (SP), com 323 mil.Entre os acertos formais, o mais significativo ocorreu em Aracaju. Lá, ao contrário de Belo Horizonte -onde o PT bateu pé, obrigando o prefeito Fernando Pimentel (PT) e o governador Aécio Neves (PSDB) a formarem uma aliança branca em torno da candidatura de Márcio Lacerda (PSB)-, o casamento é de papel passado.Na capital sergipana, o comunista Edvaldo Nogueira tenta novo mandato com o apoio de petistas, tucanos e também do PPS.Há casos em que o PT se uniu à oposição para reassumir o comando da prefeitura. Em Paraty (RJ), o petista Carlos José Gama Miranda, o Casé, encabeça a chapa formada por PSDB, DEM e PPS e outras quatro legendas para tentar impedir a reeleição do prefeito José Carlos Porto Neto (PTB).E há ainda municípios em que o PT se aliou à oposição para manter outra força política na prefeitura, como em Campinas. Na última eleição, Dr. Hélio (PDT) se elegeu prefeito somente com o apoio do PMDB e do DEM. Este ano, a chapa ganhou mais nove partidos, entre eles o PT e o PC do B. "As questões ideológicas permanecem, mas os embates não invadiram a administração", disse Hélio.A "trégua" entre PT e oposição ocorreu principalmente no Paraná e em Minas Gerais. No primeiro Estado, os petistas estão juntos com os três partidos de oposição em 19 municípios. Em São Paulo,as dobradinhas PT-DEM saltaram de 79 para 119, aumento de 51%. Em Minas, petistas e democratas também se aproximaram. Hoje, estão juntos em 175 coligações ante as 143 de 2004."O PT passou a existir em municípios em que não estava presente, o que facilitou novas alianças. Mas sempre em torno de questões locais", disse o senador Sérgio Guerra, presidente nacional do PSDB. Para Guerra, PT e PSDB são mais fortes juntos. "A tendência é crescer mais", avaliou. Em 2004, petistas e tucanos elegeram 54% dos candidatos apoiados pelas duas siglas.Em Nova Iguaçu (RJ), a chapa que elegeu Lindberg Farias (PT) em 2004 contava com PSDB e DEM. Os tucanos abandonaram a coligação este ano, mas os democratas permaneceram.

Lula muda o tom e diz que Brasil pode ter ''pequeno aperto''

Por Wilson Tosta e Leonencio Nossa
no Estado de São Paulo

Pouco depois da rejeição, pelo Congresso dos Estados Unidos, do pacote de US$ 700 bilhões de ajuda ao sistema financeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou preocupação em relação a possíveis conseqüências negativas, para a economia brasileira, da crise nos mercados. Durante entrevista ao programa semanal de rádio "Café com o Presidente", divulgada pela manhã, Lula já admitia que o Brasil pode passar por um aperto "muito pequeno" na economia. Embora comedida, a fala do presidente foi menos otimista que discursos anteriores."É importante que o povo brasileiro saiba que uma crise de recessão num país como os Estados Unidos pode trazer problemas a todos os países, porque eles representam a maior economia do mundo." As declarações de ontem do presidente marcaram uma mudança de tom em suas análises sobre a turbulência financeira. Antes, Lula dizia que "a crise não atravessou o Atlântico" e repetia que o Brasil sofreria pouco por causa dela. Ontem, porém, foi diferente. O presidente voltou a falar em confiança na economia do País, mas ressaltou que há problemas sérios e deixou claro que a solução está com os EUA, embora repetisse a disposição de continuar os investimentos no Brasil. Lula falou a jornalistas após participar da solenidade pelos cem anos da morte de Machado de Assis, na Academia Brasileira de Letras, no Rio. O presidente ressaltou estar "tranqüilo" e voltou a dizer que o Brasil não deixará passar a oportunidade de voltar a crescer. Mas deixou claro que a solução dependerá da "sabedoria do governo americano". Lula pediu "responsabilidade" ao Congresso e ao Executivo dos Estados Unidos para evitar uma crise que atingiria o "mundo inteiro". E criticou duramente a falta de controle dos americanos sobre os bancos."Eles precisam ter responsabilidade, porque os países pobres, que fizeram tudo para ter uma boa política fiscal, fizeram tudo para ter tranqüilidade, não podem agora ser vítimas do cassino que eles montaram na economia americana." "Não é justo que países latino-americanos, países africanos, países asiáticos paguem pela irresponsabilidade de setores do sistema financeiro americano", acrescentou. Lula lembrou que, no Brasil, um banco de investimento não pode se alavancar além de dez vezes o patrimônio líquido. "Nos Estados Unidos, não tem limite", declarou, em tom escandalizado."Posso dizer a vocês que estamos conscientes do que está acontecendo no mundo", afirmou. Lula ressaltou, ainda, que tem feito reuniões sistemáticas com a área econômica e o Banco Central para discutir a crise. "Sabemos que a crise é grave, sabemos que vai diminuir o crédito no mundo, mas estamos seguros de que nossas exportações continuam indo bem, as importações de máquinas e equipamentos continuam indo bem, a indústria continua crescendo, temos projetos importantes do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), temos projetos importantes de infra-estrutura que não vamos paralisar, vamos continuar."Lula atribuiu a rejeição do pacote pelo Congresso americano à disputa eleitoral pela presidência dos EUA, que ocorrerá em novembro. "Acho que foi rejeitado porque, nessas alturas do campeonato, tem gente tentando tirar proveito", afirmou. "Mas penso que a responsabilidade que os americanos têm diante do mundo vai obrigá-los a tomar uma posição. Ali não existe meio-termo. Ou eles assumem a responsabilidade de cobrir o rombo que eles permitiram que fosse criado ou eles vão criar uma crise muito séria no mundo inteiro." Ele disse que chegou a hora de o Congresso e o governo dos EUA assumirem "a responsabilidade que lhes cabe nessa história". "Eles criaram um rombo no sistema financeiro, então agora têm que tampar."No rádio, Lula já havia ressaltado que o mercado interno daria sustentação à economia brasileira durante a crise, garantindo números positivos em exportação, emprego e investimentos.

Republicanos culpam a democrata Nancy Pelosi pela derrota

No Jornal do Brasil

Depois de um fim de semana de intensas negociações no Congresso, a aprovação do socorro de US$ 700 bilhões a instituições financeiras dos Estados Unidos era tida como certa. Mas não foi. E, em Washington, a pergunta era: "O que aconteceu?"
Líderes republicanos que pressionaram membros relutantes de seu partido a aprovarem a medida culparam nominalmente a líder da Câmara, a democrata Nancy Pelosi. O problema, dizem, foi um discurso que a representante da Califórnia fez pela manhã, no saguão da Câmara:
– O número US$ 700 bilhões é enorme, mas é apenas uma parte do custo das políticas econômicas de George Bush, políticas construídas sobre negligências orçamentárias combinadas com uma política de "vale tudo" que nos trouxeram onde estamos hoje – disse Nancy.
Para John Boehner, líder da minoria republicana na Câmara, com este "discurso partidário" Nancy jogou fora o frágil acordo para aprovar o socorro financeiro, porque fez mudarem de idéia "pelo menos uma dezena de republicanos que tinham sido arduamente convencidos a apoiar o pacote" – rejeitado por muitos por usar o dinheiro do contribuinte para salvar instituições que lucram com a especulação de Wall Street.
– Acredito que a segunda-feira teria sido diferente não fosse por este discurso bipartidário – afirmou Boehner.
A medida foi vetada por 228 deputados: 133 republicanos voltaram-se contra o presidente, George Bush, assim como 95 democratas. O socorro recebeu apoio de 140 democratas e apenas 65 republicanos, no que o jornal The New York Times classificou como uma "derrota política catastrófica" para Bush, que na quarta-feira fez um discurso, em horário nobre, no qual deixou claro que "toda a economia dos EUA" estava em risco se o plano não fosse aprovado.
Não adiantou.
No entanto, o democrata Barney Frank, um dos principais negociadores do pacote, recusou a acusação de que a declaração de Nancy tenha sido responsável pela recusa republicana em aprovar o pacote.
– Não é possível que porque alguém os magoou eles tenham resolvido descontar no país – disse. – Não é plausível.
Há ainda quem diga que os "republicanos relutantes" são os mesmos que este mês enfrentaram eleições em seus distritos e não querem se indispor com seus eleitores, insatisfeitos com a possibilidade de pagarem a conta da crise. Na divisão dos US$ 700 bilhões, mais de US$ 2 mil sairá do bolso de cada contribuinte americano.
A líder da Câmara também saiu em defesa própria. Ressaltou que os líderes democratas e republicanos pediram que a maioria dos deputados de cada partido votassem a favor do socorro, mas que "apenas os democratas cumpriram a promessa":
Mas o site Politico.com chamou a atenção para a primeira versão do discurso, distribuída pela assessoria da deputada, na qual constavam trechos deixados de fora por Nancy, quando ela falou no saguão. A prévia, apesar de mencionar "irresponsabilidade fiscal", não citava Bush. "A versão ao vivo foi bem mais incendiária", avaliou o site, que se tornou referência em cobertura das eleições americanas.
Foram quatro horas de debate antes do início da votação, no qual membros dos dois partidos fizeram discursos apaixonados a favor e contra a medida do governo Bush. O pleito começou com os líderes republicanos e democratas alertando aos colegas que "a única maneira de proteger a economia da crise de crédito" era "votar a favor" do pacote. O período de votação ficou aberto por 40 minutos além do prazo de meio-dia, numa tentativa de convencer alguns legisladores que tinham votado "não" de que haveria danos demais ao mercado e que eles deveriam mudar o voto. Depois, mais negociações, a portas fechadas. Não houve sucesso.
E, mesmo que uma nova votação ocorra depois da quinta-feira, ainda não se sabe se o resultado será positivo. Uma fonte contou à CNN que se o pacote atual receber apenas "ajustes", vai continuar sem passar pelos legisladores republicanos, já que alguns itens da lista de propostas, como a suspensão de impostos sobre lucros, não são prioridade na negociação.

Bush corre em busca de nova versão para pacote

Por Patrícia Campos Mello
no Estado de São Paulo

A Câmara americana rejeitou ontem a proposta de lei que autoriza o pacote de US$ 700 bilhões para resgatar o sistema financeiro, provocando caos na bolsa e nos mercados de crédito. Líderes do Congresso pretendem votar uma versão modificada da lei ainda esta semana, mas não há garantias de que conseguirão angariar o apoio necessário.Menos de um terço dos congressistas republicanos, 65, votou a favor da lei, um grande golpe contra o presidente republicano George W. Bush. Ele havia advertido que o pacote era essencial para garantir a estabilidade financeira no país. O plano permitiria ao Tesouro americano usar até US$ 700 bilhões para comprar títulos podres - lastreados em hipotecas inadimplentes - e assim descongelar o mercado de crédito. Mas a 35 dias da eleição, muitos congressistas consideraram que votar a favor do pacote era suicídio político. O resgate dos bancos é altamente impopular entre os eleitores, que o consideram "socorro para banqueiros". Segundo pesquisa do USA Today, só 22% dos eleitores apóiam o plano no formato atual. O presidente Bush se disse "muito decepcionado" com a derrota da legislação, e afirmou que iria se reunir com a equipe econômica para discutir os próximos passos. Ele investiu muito peso político na aprovação do plano. Depois da derrota da lei, o secretário do Tesouro, Henry Paulson, disse que continuará trabalhando com o Congresso para passar uma legislação, porque o pacote "é importante demais para falhar". "Precisamos aprovar alguma coisa que funcione o mais rápido possível", disse, esclarecendo que o plano anterior funcionava. O pacote foi proposto há 12 dias por Paulson, que pediu a aprovação rápida da legislação para evitar a paralisação dos mercados de crédito. Depois de uma série de concessões para democratas e republicanos, havia expectativa de que a Câmara aprovaria a lei ontem. A rejeição foi uma surpresa e muitos acusaram a líder da Câmara, Nancy Pelosi, de inabilidade, por deixar que a lei fosse votada sem ter garantido o apoio necessário. Foram 228 votos contra e 205 a favor. Republicanos conservadores acham que o pacote é um atentado contra as leis do livre mercado e o conservadorismo econômico. "Trata-se de um caixão em cima do caixão do Reagan", disse o congressista Darrel Issa. "É um caminho sem volta para o socialismo", afirmou o congressista republicano Jeb Hensearling.Os republicanos culparam a líder Nancy Pelosi pelo fracasso, por ela ter feito um "discurso partidário" antes da votação, com muitas críticas ao governo Bush, o que teria irritado os republicanos. Além disso, eles apontam que Pelosi não garantiu o voto dos democratas mais à esquerda - 95 democratas votaram contra o pacote e 140 a favor. Líderes dos dois partidos prometeram votar um novo projeto de lei ainda nesta semana. "Precisamos renovar nos esforços para achar uma solução que o Congresso possa apoiar", disse o líder da minoria na Câmara, o republicano John A. Boehner. Ele havia chamado a lei de "sanduíche de lama", mas disse que era necessário apoiá-la. Mas os democratas não irão apresentar o projeto novamente sem garantia sólida de apoio dos republicanos. O líder da maioria na Câmara, Steny Hoyer, disse que o Senado pode votar um projeto de lei de pacote de resgate na quinta-feira, e que esse texto poderia depois seguir para a Câmara para ser votado. "Nós não entraremos em recesso enquanto essa questão não for resolvida", disse Hoyer. Ele afirmou que está trabalhando em um consenso com líderes republicanos.Defensores do pacote disseram que quanto mais tempo o país ficar sem a legislação, mais paralisado o mercado de crédito ficará, e empresas terão dificuldades para financiar suas operações. "Quando as conseqüências da inação do Congresso se tornarem claras, os americanos não vão tolerar aqueles que ficaram parados e deixaram a calamidade acontecer", escreveram os líderes da Câmara de Comércio do EUA em carta aos congressistas.O candidato republicano John McCain chegou a se gabar de sua atuação para formar um consenso na votação da lei, antes de o projeto ser rejeitado na Câmara. Depois do fracasso, acusou os democratas e seu rival Barack Obama de terem sido "muito partidários". Já Obama se disse "confiante" na aprovação da lei. "É importante os mercados ficarem calmos, porque as coisas nunca são fáceis no Congresso, mas o trabalho será feito", disse.

Fracasso político para aprovar pacote nos EUA aprofunda crise nos mercados

Por Sérgio Dávila e Tony Sciarreta
na Folha de São Paulo

A rejeição ao pacote do governo Bush de socorro aos mercados derrubou as Bolsas pelo mundo e revelou um fracasso de liderança política de dimensões quase tão grandes quanto a crise econômica. Apesar do apoio do governo, dos líderes democratas e republicanos no Congresso e dos principais candidatos à Presidência, o projeto com ajuda de até US$ 700 bilhões às instituições financeiras caiu na Câmara com 228 votos contra e só 205 a favor.O histórico fracasso político aconteceu mesmo após um acordo entre as cúpulas dos partidos Democrata e Republicano, costurado durante o final da semana e que recebeu o apoio expresso dos candidatos democrata Barack Obama e republicano John McCain.O índice Dow Jones da Bolsa de Nova York recuou 6,98% e teve a pior queda de sua história em pontos num único dia.No Brasil, a baixa foi de 9,36% na Bovespa, após a Bolsa desabar 10,16% e acionar o "circuit break", sistema que interrompe os negócio por meia hora. Foi a primeira vez que isso ocorreu desde 14 de janeiro de 1999, época da desvalorização do real. O dólar quase bateu em R$ 2,00, mas fechou a R$ 1,966, com alta de 6,21%.O petróleo caiu 9,84% e voltou a US$ 96,37 em Nova York, arrastando as demais commodities e levando à baixa de até 15% nas ações da Petrobras.O Fed (BC dos EUA) decidiu dobrar para US$ 620 bilhões o volume de dinheiro disponível para noves BCs de Europa, Austrália, Canadá e Japão. Também triplicou para US$ 225 bilhões os recursos disponíveis para os bancos.
Base governista
Na Câmara, a rejeição surpreendente ao pacote partiu principalmente da base governista, de olho nas eleições para a renovação da Casa em novembro. Surpresos também ficaram os líderes democratas, maioria no Congresso, que anunciaram horas antes que havia um acordo."Estou desapontado com a votação. Fizemos um plano que era grande porque temos um grande problema", disse o presidente Bush. O secretário do Tesouro, Henry Paulson, disse que os instrumentos à disposição do governo "eram significativos mas insuficientes" e repetiu várias vezes que era preciso "fazer algo" e "rápido".Dos 435 votos do Congresso, 140 democratas e 65 republicanos votaram a favor do plano, ante respectivamente 95 e 133 que votaram contra. A Câmara só deve voltar a se reunir na quinta, e o Senado, amanhã, devido ao Ano Novo judaico, hoje. Uma das hipóteses que as lideranças estudavam era que o Senado (onde o apoio ao pacote parece ser mais forte) votasse o projeto antes, colocando ainda mais pressão nos deputados.As Bolsas asiáticas abriram hoje com forte queda. O índice Nikkei, de Tóquio, recuava 4,64%, e Taiwan tinha queda de 6,04%. Em Hong Kong, a desvalorização era de 5,47%.

Até quando?

A crise lá nos Estados Unidos está feia. O pacote econômico de George W. Bush está empacado no Congresso. O Apedeuta acha que os americanos têm que fazer de tudo para esta crise não se espalhar e chegar até aqui. Tudo bem, eu não tenho um conhecimento econômico a altura de uma Mirian Leitão, mas eu tenho minhas opiniões. Sei não, mas a equipe econômica brasileira está muito otimista. É visível um certo sorrisinho no cantinho da boca dos petralhas quando falam que o Brasil está muito mais resistente a estes tipos de crises do que há dez anos atrás. Mas até quando durará esta resistência. Ninguém sabe até quando vai durar a crise. Será que perderemos tudo em poucos dias? Ninguém sabe de nada. Aliás, Lula agora sabe de tudo, tanto que até oferece conselhos ao “cupanhero Bush”.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Eles na TV

Peguei o horário eleitoral já em andamento. Sandy Júnior atacou Iris Rezende dizendo que o prefeito não declarou uma quantidade de bois ao TRE. Bem, de acordo com a pesquisa que saiu hoje no Popular os ataques de Sandy Júnior não fizeram efeito na sua campanha. Ele nem alcança os 20%. O problema é que Iris Rezende não responde aos ataques de Sandy Júnior. Por quê? E por que Iris Rezende não fala das suas propostas fora do estúdio? Ah, não sei por que eu fui inventar este negócio de comentar o horário político. Como peguei o horário eleitoral em andamento nem sei o que Gilvane Felipe e Martiniano Cavalcante falaram. Deve ter sido a mesma coisa.

Nada de novo ou de novo não

Chego do Rio de Janeiro imaginando que alguma coisa de novo pudesse estar acontecendo na campanha daqui de Goiânia. Que nada! Tudo a mesma coisa. Iris Rezende continua na frente (bem na frente, apesar da pequena queda) e Sandy Júnior continua atrás (bem atrás, apesar do pequeno crescimento). Lá no Rio de Janeiro as coisas estão pegando fogo. O Globo de ontem informava que Fernando Gabeira assumia o terceiro lugar nas pesquisas embolando de vez quem vai para o segundo turno com Eduardo Paes. Aqui, Iris vai ganhar com um pé nas costas. Ah, ainda tem o João Atento, o bonequinho do Sandy Júnior que tenta ser engraçado que nem o Nerso da Capetinga. Por favo, de novo não: de novo não, de novo não, chega de enganação.

Voltei

Cheguei hoje do Rio de Janeiro. Cidade maravilhosa, cheia de encantos mil. Vamos pra luta sempre no ataque.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Olha eu aqui

Estou aqui na livraria Saraiva do shopping Rio Sul. Pois é, aqui tem computador. Não sei se vai ter jeito de postar alguma coisa amanhã. O dia vai ser corrido. É o meu último dia completo aqui no Rio de Janeiro. Aos meus cinco leitores digo que estou muito feliz, revigorado, pronto pra luta, sempre no ataque. Eu precisava desta viagem. Muito! Bem, eu disse que tavez amanhã eu não poderia postar aqui, né? Mas eu num sei não. É bem capaz de ter alguma coisa amanhã. Sei não. Caso contrário volto domingo pra Goiânia, na reta final da campanha. Uma campanha que Iris Rezende está levando com um pé nas costas. Ah, que tristeza é esta oposição...

Méquisbéqui

Muitos colocam a culpa nos republicanos pela não aprovação ontem no Congresso do pacote econômico proposto por George W. Bush. Muitos dizem que os republicanos querem se aproveitar para tentar beneficiar a campanha de John McCain. Será? Mas a campanha do republicano não está suspensa? Ele fez a coisa certa.
Nesta crise, o mais importante não está sendo perguntado: Será que Barack Obama (líder nas pesquisas mais recentes) terá capacidade de enfrentar a crise que o governo Bush deixará? Eu creio que não. Mas os americanos estão botando fé no homem. E daí se tem terrorista o apoiando? E daí se ele não tem experiência? O mais importante é seu discurso. É, vai ver falta isso mesmo. Falta fazer um discurso motivador para renovar os ânimos dos bancos americanos.
Isso tudo vai passar. É só o capitalismo sacudindo a poeira e dando a volta por cima. O melhor será McCain na presidência e Obama ganhando experiência no Senado (e quem sabe aprendendo a escolher os colaboradores da sua campanha).
Acham que John McCain já perdeu as eleições? Só fiz acima uma previsão de um possível governo Obama. Não se esqueçam que McCain era quase uma carta fora do baralho no começo das prévias republicanas. Não se assustem se daqui algumas semanas as vozes que hoje querem a cabeças dos investidores espertalhões mudarem para: "Méquisbéqui!"

Pra valer só em 2010

Como não tenho a senha para acessar o Popular daqui da internet eu vou me virando com as manchetes da capa. Iris Rezende disse que pode sim se candidatar ao governo em 2010. Alguma novidade? É claro que ele vai. A certeza é tão grande que até os petralhas se uniram ao velhinho. São espertos os cupanheros. Sabem que em 2010 voltarão a comandar a cidade. Meu Deus, ver a companheirada de novo mamando nas tetas da prefeitura vai ser dose.
No ano passado, quando alguém perguntava para Iris se ele disputaria a reeleição sempre desconversava. Olha o velhinho aí fazendo carreatas e adesivaços. Era o povo que queria, não é mesmo? Iris dirá que este mesmo povo o quer em 2010 no Palácio das Esmeraldas.
Como meus cinco leitores sabem, não tenho fontes, nem informantes em nenhum lugar. Tudo o que escrevo é opinião minha, impressões minhas. Sei não, mas sinto um certo enfraquecimento de Marconi Perillo. Ele já deixou Sandy Júnior com seu João Atento e está correndo o interior. Talvez porque sabe que em Goiânia e Aparecida o PMDB já está tomando conta. Quero ver em 2010. Será que teremos outro embate Iris Rezende x Marconi Perillo? Ah, em 2010 nós teremos o fator Alcides Rodrigues, o popular Cidinho, que está mais próximo do PT e do PMDB do que dos desanimados do tal do Tempo Novo. É como eu disse antes mesmo de começar esta campanha: eleição pra valer mesmo será 2010. E quem sabe em 2010 Cidinho não nos conta os motivos do Estado ter quebrado na virada do ano de 2006 para 2007?

O entusiasmo de Cristovam

Em 2006 eu votei em Cristovam Buarque para presidente. O Brasil não se preocupa com educação e ele perdeu. Vejo hoje no Diário da Manhã que o senador pediu voto para Tatiana Lemos, filha de Isaura Lemos e Euler Ivo. Os dois comandam o PDT há muito tempo e ninguém fala nisso. Diz a matéria que Cristovam pediu votos para Tatiana com entusiasmo. Sei... Se um candidato a vereador de Nova Iguaçu (falo isso porque estou aqui no Rio e os candidatos de uhu é Nova Iguaçu aparecem na TV) for até o Senado Federal pedir para Cristovam gravar algumas palavrinhas ele grava. E dirá com "entusiasmo". Aí eu fico me perguntando: até quando o PDT vai deixar Isaura Lemos e Euler Ivo mandarem no partido? Será que alguém vai ter entusiasmo de pedir renovação no partido?

Um goiano em terras cariocas - 3

Como eu imaginava o blog não teve post ontem. Quando eu o criei em outubro do ano passado (nossa, está perto de fazer um ano) eu queria postar todo dia. Mas, estou no Rio de Janeiro e a cidade me oferece tanta coisa que nem tem jeito de colocar tudo aqui. Não ganho nada com o blog (e não me vanglorio por isso), ou melhor, gasto com ele. Estou numa lanhouse em frente a Praça Tiradentes. Já, já eu dou uma olhada no Diário da Manhã para ver como anda a campanha aí. Aqui só se fala do debate entre os candidatos realizado pelo Jornal do Brasil. O debate foi transmitido ao vivo via internet (debate assim não é só uma exclusividade do portal do Batista Custódio).
Ontem caminhei por Copacabana. Sim, eu vi a lendária e tão destruída estátua de Carlos Drummond de Andrade. Não, não fiz como os outros turistas tentando dialogar com ele. Simplesmente tirei uma foto. Queria ver o nosso poeta ali, de pernas cruzadas, pensando no próximo poema ou na crônica que teria que entregar no outro dia.
Fui até Ipanema. Como não? Caminhei por lá também. Vi a Rua Vinícius de Moraes, o bar onde Vinícius e Tom Jobim viram uma menina cheia de graça passando a caminho do mar. Fui também às ruas Barão da Torre e Nascimento Silva no número 107. São as ruas onde Tom Jobim morou. Para a minha tristeza, a casa da rua Barão da Torre virou uma escola, mas, para a minha alegria, a casa da rua Nascimento Silva tem uma placa lembrando que ali morou o nosso maestro maior.
O Rio de Janeiro continua lindo. E o curso enfadonho. Meu Deus, História Antiga não é a minha praia mesmo. Minha praia é Ipanema. Mas, este goiano do pé rachado terá que voltar no Domingo. Estou feliz aqui, tranquilo, em paz. Só falta o Pão de Açúcar, o Cristo Redentor, a Casa Rui Barbosa e a Academia Brasileira de Letras para completar minha passagem por aqui. Tudo sem esquecer do certificado do curso. Apesar de enfadonho, tenho que agradecer que foi realizado aqui.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Ai, que preguiça!

Dei uma passada rapidinha pelo Diário da Manhã de hoje. Pelo visto, as eleições aí não mudaram nada. Sandy Júnior continua atacando Iris Rezende e insiste que o João Atento é o mais novo Nerso da Capetinga. Ai que preguiça. Aqui no Rio de Janeiro os demais candidatos atacam Eduardo Paes. Ele prefere não falar nada. Igualzinho Iris Rezende. Ai que preguiça.
Estou numa lanhouse. Hoje tem debate entre os candidatos organizado pelo Jornal do Brasil. A transmissão será pela internet e meu tempo e dinheiro são curtos demais para assistir daqui. Amanhã comento. Mas Sandy Júnior insistindo no João Atento... Ai, que preguiça!

Um goiano em terras cariocas - 2

Acabei de chegar da Igreja da Candelária. O trânsito aqui está um caos. E 0lha que aqui tem metrô, Sandy Júnior.
Ontem vi a campanha dos vereadores. Vi a Carla Jerominho pedindo votos. Isso mesmo, a amiga dos milicianos que está presa. Vi cada figura! Aqui não tem candidato só do Rio, mas sim de São Gonçalo, Niterói, Nova Iguaçu... Aí em Goiânia só tem candidato que farão de tudo para fazer uma Goiânia melhor. Não tem um candidato que apareça na TV dizendo que vai fazer uma Inhumas melhor, uma Trindade melhor, uma Senador Canedo melhor. Ah, e a maioria dos candidatos apóia Lula. É por isso que o Apedeuta está tão popular. Ninguém é do contra. Até César Maia não pega no pé do homi.
Vou voltar magrinho. Estou andando muito. Meu coração agradece.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Eles na TV (versão carioca)

É estranho assistir ao horário político e não ver Iris Rezende, Sandy Júnior, Gilvane Felipe e Martiniano Cavalcante. Aqui são mais candidatos. Tem Eduardo Paes, Marcelo Crivela, Chico Alencar e Fernando Gabeira. E uns outros que eu nunca vi na vida, mas que prometem fazer do Rio de Janeiro a cidade mais bela que existe. Se ela já é maravilhosa imagine se não tiver problema nenhum?
Quase todos os candidatos apóiam Lula. Eles falam que Lula vai ajudar o Rio a fazer isso e aquilo. Finalmente vi in loco Eduardo Paes se juntando ao lulismo. Xinguei-o. Em pensar que em 2005 o então deputado tucano dizia que o governo Lula era o mais corrupto. É um cara de pau mesmo.
E Marcelo Crivela? Ele estava mansinho de mais para quem se diz inconformado com as injustiças sociais. E o Gabeira? Ele está empolgadíssimo com as pesquisas que mostram sua candidatura crescendo entre o eleitorado. Será que ele vai para o segundo turno? Acho que não. São promessas e mais promessas. É o que eu disse mais acima: se o Rio de Janeiro já é a cidade maravilhosa, imagine se ela não tiver problema nenhum.
Ah, os candidatos falam do UPA. Nã0, não tem nada a ver com "upa, upa, cavalinho". É a Unidade de Pronto Atendimento. Pela propaganda é uma maravilha. Até Lula está incluido nisso. Por falar em UPA, a popularidade do Apedeuta anda tão em alta que ele monta em quase todos os candidatos cariocas e diz sorridente: "Upa, upa, cavalinho".

Um goiano em terras cariocas

Olha eu aqui. Estou no Rio de Janeiro. Escrevi um texto ontem a noite para postar aqui, mas acabei esquecendo de trazer. Estou numa lanhouse. O hotel que estou hospedado fica quase em frente à Praça Tiradentes. Sabe o que aconteceu nesta praça? Simplesmente foi o local onde o mais fomoso dos inconfidentes foi morto. Caminhando um pouco pela Avenida Visconde de Rio Branco chega-se ao Campo de Santana ou Praça da República. Foi ali que Deodoro da Fonseca decretou o fim do Império e o Brasil assistia bestializado a instauração da República. Mais a frente, já na Avenida Presidente Vargas, tem a Central do Brasil. Não me lembrei do filme homônimo, mas sim do local onde João Goulart fez o tradicional "Discurso da Central do Brasil" no dia 13 de março de 1964. Discurso este que prometia as reformas de base. Jango discursava bem ao lado do Comando Militar do Leste, hoje Palácio Deodoro da Fonseca. Fotografei tudo. Quando chegar em Goiânia coloco aqui.
Estou sozinho nesta viagem. Estou achando muito bom. O curso de História Antiga é enfadonho, mas o mais importante é que estou aqui no Rio de Janeiro. Ainda não fui á praia. É que só hoje fez Sol. Eu ainda vou lá, afinal, quem vai ao Rio e não entra no mar é a mesma coisa de ir a Roma e não ver o Papa.
Encontrei vários sebos. Comprei alguns livros. Me disseram que as coisas aqui eram caras, mas vejo que não é bem assim. Muito livro bom e barato. Ah, por falar em coisas que disseram sobre o Rio de Janeiro gostaria de tranquilizar meus cinco leitores. Não escrevi ontem por falta de tempo. Não achei (e nem quero achar) nenhuma bala perdida e que nenhuma pessoa de má índole cruze o meu caminho.
O sotaque carioca ainda me é estranho. Estou acostumado a puxar o erre e dizer "trem", "bão", "sô" e outras goianidades. Que meus cinco leitores fiquem tranquilos: não voltarei falando o carioquês.
Ah, ontem eu vi a propaganda eleitoral daqui. Mas isso só conto no próximo post.

domingo, 21 de setembro de 2008

Fui...

Vou me aprontar agora. Meu vôo sai às 9:05 da manhã. Faço uma conexão em São Paulo, no Aeroporto de Congonhas. De lá parto finalmente para o Galeão. Espero poder publicar pelo menos um post por dia. Se uma lan house estiver aberta perto do hotel prometo que manterei meus cinco leitores informados não somente sobre as belezas cariocas como os delírios dos candidatos a Prefeitura do Rio de Janeiro. Fui...

Campanha fria no Rio

Por Idelina Jardim
no Jornal do Brasil

Apesar de faltarem duas semanas para a votação, a campanha para prefeito do Rio ainda não esquentou. A frieza é atribuída especialmente à falta de debates ­ até agora dois deles, marcados por emissoras de TV, foram cancelados por discordância do candidato do PDT, Paulo Ramos. ­ Falta discussão, e os eleitores estão desmotivados pela sucessão de eleições ­ analisa o professor de opinião pública da Uerj, Herich Ulrich. Especialista em marketing, o publicitário Rodrigo Ganem diz que o problema só ocorre na capital: ­ Na Baixada está a todo o vapor e nos bairros da periferia tende a esquentar cada vez mais, com a participação ativa da população ­ acredita. ­ Na capital, o carioca está cansado de tantas histórias e maus tratos por parte dos políticos. Para o cientista político, Marcus Figueiredo, a eleição municipal este ano está mesmo "sem graça", com pouco calor se comparadas às campanhas anteriores: ­ A ultima eleição que valeu a pena discutir na rua foi a de 1992: César Maia contra Benetita. De lá para cá, a política perdeu espaço, e entrou no seu lugar a disputa pela administração eficiente. A entrada do Exército em comunidades dominadas por tráfico e milícia contribui para o descredito, acredita o publicitário Ganem: ­ Ter que chamar a força nacional para garantir a segurança é muito feio para o Rio e preocupante. Traz um pouco desse cansaço.
Candidatos têm esperança
Os candidatos a prefeito acham que, nesta reta final, a tendência é esquentar. Para a candidata Solange Amaral (DEM) isso se dará quando os indecisos decidirem seus votos. ­ Em algum momento vai esquentar. Quando as pessoas começarem a conversar umas com as outras, o alto índice de indecisos vai se transformar em decisão de voto. Neste momento, as pessoas ainda estão vendo quem está com quem. Segundo pesquisa induzida do Datafolha realizada entre os dias 17 e 18 de setembro, o Rio tem 6% de indecisos. Uma queda significativa, em relação ao levantamento anterior, feito entre os dias 4 e 5 de setembro, que registrava 47%. Nas cidades de São Paulo e Porto Alegre o percentual de indecisos é de 4% , enquanto Recife registra 3%. A última pesquisa Ibope, feita entre os dias 9 e 11 de setembro, no entanto diz que a porcentagem de indecisos na capital é de 11%. A linha estratégica de Solange, também vale para Alessandro Molon (PT), que aposta todas suas fichas nos indecisos. ­ A partir desta semana, o eleitor carioca começa a decidir o seu voto. Essa eleição está em aberto ­ enfatiza o candidato Fernando Gabeira (PV), através de sua assessoria, afirma que espera radicalizações no processo. ­ A tendência nessas duas últimas semanas é de que haja um tom mais emocional, com mais calor e acusações, Por outro lado, Jandira Feghali (PC do B) justifica a importância do debate para aquecer de vez o período eleitoral. ­ A campanha no Rio de Janeiro ainda não teve nenhum debate, e isso é muito prejudicial para a formação da opinião do eleitor. Ainda mais quando, de repente, todo mundo é Lula desde pequenininho e alguns candidatos fazem campanhas milionárias para conquistar eleitores ­ desabafa. Chico Alencar (PSOL) atribui o clima frio à mídia, que, segundo ele, não cede espaço suficiente. ­ Os principais meios de comunicação de massa não realizaram debates entre os candidatos. Isso sempre permite confrontar, polemizar. Assim, claro, fica uma eleição de iguais, porque só a propaganda eleitoral pasteuriza, uniformiza. Desse modo todos os gatos são pardos e todos os ratos são lindos.
Máquinas atuantes
O candidato Marcelo Crivella (PRB) foi o único que considerou a campanha normal. Destacou que os candidatos estão se respeitando e tentando mostrar aos eleitores suas propostas políticas. Mas alfinetou os concorrentes ao dizer que "em toda campanha existe aquele candidato que tem o apoio da máquina do Estado ou do municipio". Paulo Ramos (PDT) diz que a campanha está fria porque os que preferidos dos meios de comunicação e dos órgãos de pesquisa têm basicamente os mesmos projetos. ­ Aí não tem conflito. Está faltando um espaço igualitário ­ critica o pedetista. Para Vinícius Cordeiro (PTdoB), a campanha teve dois momentos: antes e depois da TV. ­ O que me causa frustração é a natureza da cobertura dos grandes órgãos de comunicação e a falta de espaço para debates para que as propostas divergentes dos candidatos ficassem mais claras.

Em comício de Marta, Lula diz que adversários agem como ''hipócritas''

Por Vera Rosa

Irritado com os constantes ataques do DEM e do PSDB, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu entrar na briga. Ao participar ontem de comício da candidata do PT à Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, Lula chamou os adversários da petista e do Planalto de "hipócritas" e "oportunistas". Foi além: disse que a oposição copia as propostas de Marta e, apesar de criticá-lo em público, simula seu apoio na campanha eleitoral em vários municípios."Eu viajo o Brasil inteiro e até o pessoal do DEM está com fotografia minha", afirmou Lula, durante comício em Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte. "De dia me xingam na Câmara e no Senado e de noite distribuem santinhos do Lula na rua da cidade onde moram. Vejam onde chegou a hipocrisia! Eles não têm lado porque são oportunistas", acrescentou.No palanque, Lula não dirigiu as estocadas apenas ao DEM do prefeito Gilberto Kassab, que concorre à reeleição. Lembrou a disputa de 2006, quando enfrentou o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), para desconstruir o discurso do tucano, por quem não esconde a antipatia. Mesmo sem citar nominalmente Alckmin e Kassab, ele não deixou dúvidas sobre quem se referia."Na campanha presidencial, esses mesmos que hoje copiam todas as propostas que a Marta faz eram aqueles que iam para a TV me achincalhar, me ofender e dizer que o governo não fazia nada", acusou Lula. Para que a referência a Alckmin ficasse bem clara, recordou até mesmo um comercial do tucano. "Hoje até eles dizem: ?Ah, o Lula tudo bem, mas o PT é que não sei das quantas...? Eles estão brincando com a nossa inteligência", gritou, para comemoração da platéia, que agitava bandeiras coloridas.Em tom intimista, o presidente disse que alguns setores da oposição têm "ódio, preconceito e raiva" de seu governo e do PT, mas sofrem metamorfose na campanha para pegar carona em sua popularidade. "Nós temos lado, nós temos cara, nós temos rosto e nos apresentamos como somos", insistiu.Para o deputado Rodrigo Maia (RJ), presidente nacional do DEM, a declaração de Lula foi "muito desrespeitosa". "Acho que a arrogância dele foi causada por efeitos da altitude da viagem de avião até São Paulo", provocou. Seu colega Édson Aparecido (PSDB-SP), coordenador da campanha de Alckmin, reagiu com mais acidez: "A maior demonstração de hipocrisia foi Lula se eleger criticando a política econômica do governo do PSDB e depois não fazer nada diferente."
BAIANINHO
Embora saiba que a eleição em São Paulo só terá desfecho no segundo turno, Lula cobrou empenho dos militantes para liqüidar a fatura no dia 5 de outubro. Disse que Marta está "muitos degraus" à frente de seus rivais e chegou a afirmar que a eleição da petista vai ajudá-lo em Brasília.Em conversas reservadas, o presidente tem avaliado que a disputa na capital paulista é uma prévia da campanha de 2010 ao Planalto, quando haverá duro confronto entre petistas e tucanos. Além de emblemática, a vitória de Marta é considerada fundamental pelo governo para consolidar o projeto de poder do PT."Vamos conversar com os nossos companheiros e dizer: ?Gente, ajude aquele baianinho que está governando o Brasil elegendo Marta prefeita", apelou Lula, provocando gargalhadas na platéia. Detalhe: embora seu apelido seja "Baiano", o presidente é pernambucano.Apesar de ter dito que evitaria entrar nos embates municipais no primeiro turno, Lula não só quebrou a promessa como demonstrou ontem, no comício ao lado de Marta, que não consegue ficar longe dos palanques.Em pouco mais de uma hora, distribuiu broncas, acenos, sorrisos, explicou programas do governo, falou da descoberta de petróleo na camada pré-sal e até ganhou um terço. Afirmou estar muito feliz porque "as coisas estão dando certo" e não conteve o tom ufanista ao dizer que "Deus assumiu publicamente que é brasileiro".Uma mistura de jingles das campanhas de Marta e Lula embalou o comício. "É Lula lá, Marta aqui e lá também", disseram candidatos a vereador que se revezaram no palanque, numa alusão ao desejo de algumas alas do PT de ver a petista alojada no Planalto em 2011. Até agora, porém, a favorita de Lula para ocupar a vaga é a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT).Na tentativa de associar cada vez mais seu nome aos índices de aprovação do governo federal, Marta procurou adotar o mesmo estilo coloquial do presidente e conversou com a platéia. "Tenho certeza de que a senhora pode agora trocar sua geladeira, dona Malvina", disse ela. Aos rivais, porém, sobraram ataques.Depois do comício, Lula visitou o vice-presidente, José Alencar, que recebeu alta do Hospital Sírio Libanês após cirurgia para retirada de três tumores na região abdominal. O presidente também gravou mensagem de apoio para ir ao ar no programa eleitoral de Marta. No início da noite, Lula fez comício em Mauá em apoio ao candidato Oswaldo Dias (PT). Lá ele também protestou contra o uso de sua imagem por adversários. "Que não usem meu nome em vão", afirmou. No local, uma faixa ligava Lula a Chiquinho do Zaíra (PSB), rival do candidato petista.

Polícia apura elo de morte em GO com "crime da motosserra

Por Cíntia Acayba e Matheus Pichonelli
na Folha de São Paulo

O assassinato, no interior de Goiás, de uma quarta testemunha dos crimes envolvendo o ex-deputado Hildebrando Pascoal, 56, levou a Polícia Civil do Estado a instaurar inquérito para investigar se há relação entre o homicídio e a ação do grupo de extermínio que atuou no Acre nos anos 90.A 2.517 quilômetros de Rio Branco, onde atuou como policial militar, Manoel Décio de Lima, 42, foi encontrado morto no último dia 28 numa lavoura em Chapadão do Céu (GO). Ele havia deixado o Acre, seis anos atrás, por segurança. O caso é investigado pela Polícia Civil de Jataí, cidade vizinha.O assassinato ocorreu 12 anos após o chamado "crime da motosserra" -Agilson Firmino, o "Baiano", motorista de um suspeito de ter matado o irmão de Hildebrando, foi torturado e teve o corpo serrado em suposta ação do grupo liderado pelo ex-deputado, em 1996.O julgamento do caso, cujo processo tem 1.869 páginas, deve ocorrer no final deste ano.Ex-coronel da Polícia Militar no Acre, Hildebrando está preso em Rio Branco desde 1999 e já foi condenado a mais de 70 anos de prisão em pelo menos cinco processos, entre homicídios, crime eleitoral e tráfico internacional de drogas.Segundo o procurador Sammy Lopes, coordenador do grupo de atuação especial de prevenção e repressão às organizações criminosas do Ministério Público do Acre, a morte em Goiás do ex-policial, que estava sob medida de proteção isolada a testemunhas e já havia deposto em dez casos envolvendo o grupo de Hildebrando, teve características semelhantes aos assassinatos anteriores -Décio levou oito tiros de pistola no corpo e na cabeça.Um policial civil, um bombeiro e um caseiro que haviam deposto ou iriam depor à Justiça foram mortos como "queima de arquivo", afirma Lopes.Os dois primeiros foram mortos antes de formalizarem pedido para integrar o programa de proteção; o caseiro se recusou a entrar no programa.Segundo Lopes, Décio ajudou a esclarecer casos de mortes sob encomenda ou contra desafetos de Hildebrando.A delegada Paula Ruza, responsável pelo inquérito, não descarta a hipótese de "queima de arquivo", mas afirma que Décio, presidente do sindicato rural local, colecionou brigas na cidade, de 5.289 habitantes.Décio morava com a mulher e dois filhos em Chapadão do Céu, para onde a família se mudou há dois anos, e entrou para o programa de proteção à testemunha em 2004.Ele teve ajuda para se mudar e escolta policial quando se deslocava para audiências na Justiça -recebeu o benefício por determinação do conselho estadual do programa e optou pela proteção isolada. Se tivesse optado pela proteção integral, ficaria incomunicável até mesmo com familiares em seu Estado de origem.Advogado de Hildebrando, Sanderson Moura afirma que a suspeita sobre o cliente é "coisa de mente insana".Segundo a Folha apurou, Décio já havia sido advertido pela coordenação do programa no Acre por causa do envolvimento com o sindicato.Em novembro de 2007, 561 pessoas faziam parte do programa no país. Segundo a secretaria, entre 1998 e 2006, foram atendidas 2.265 pessoas -74% delas foram desligadas por não correrem mais riscos, e 16%, excluídas por rejeitarem normas. Não há registro de mortes entre eles no período.

"Aloprados" do caso dossiê seguem soltos

Na Folha de São Paulo

Dois anos depois do escândalo que marcou a eleição presidencial, a investigação sobre o R$ 1,7 milhão apreendido com petistas em um hotel em São Paulo está parada. Ninguém foi acusado formalmente à Justiça e a possibilidade de se descobrir a origem do dinheiro é, a cada dia, mais remota."É uma investigação tormentosa, difícil. E, quanto mais o tempo passa, pior", afirma em tom pessimista o procurador da República Mario Lúcio Avelar, que acompanha o caso desde a noite de 15 de setembro de 2006, quando a Polícia Federal prendeu dois petistas com uma pilha de reais e de dólares.Detidos em flagrante num quarto de hotel, Valdebran Padilha e o então assessor da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gedimar Passos, disseram que se encontraram para negociar um dossiê contra tucanos.Para muitos, o episódio foi determinante para a ida da eleição para o segundo turno, o que levou o presidente Lula a batizar os petistas que atuaram na operação de "aloprados".
Parado
O inquérito hoje não avançou nada em relação a dezembro de 2006, quando foi concluído pelo delegado da PF Diógenes Curado Filho -atual secretário de Segurança de Mato Grosso.Depois de 96 dias de investigação, Curado concluiu que o dinheiro apreendido saiu do caixa dois da campanha do senador Aloizio Mercadante (PT), que disputava o governo de São Paulo. O policial indiciou o senador, os dois detidos no hotel e outras quatro pessoas por crime eleitoral.Como Mercadante foi citado, o caso subiu para o STF (Supremo Tribunal Federal), único que pode investigar um senador. A corte anulou o indiciamento por ausência de provas. Em maio, depois de passar um ano e cinco meses no STF, o inquérito retornou para a Justiça Federal de Cuiabá (MT).Desde então, a investigação está com o procurador da República, que deverá pedir novas provas à PF. "O inquérito ficou muito tempo no Supremo. Várias diligências que pedimos à época foram negadas pela Justiça. Agora tudo é mais difícil. É como num assassinato. Quanto mais o tempo passa, mais as provas esfriam", disse Avelar.Uma segunda investigação foi aberta à época, desta vez no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), a pedido do PSDB, que acusou o presidente e outros cinco petistas de abuso de poder econômico na eleição.O ministro relator da representação, o hoje presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), Cesar Asfor Rocha, mandou arquivar o caso. Ele entendeu que não era possível vincular o dinheiro apreendido à campanha eleitoral, e concluiu que o principal prejudicado com o dossiegate foi Lula. O PSDB recorreu ao STF.
Personagens
Seguindo a lógica do caso, pouco mudou também na vida dos personagens do dossiegate.Valdebran Padilha, que intermediou a venda do dossiê entre a família Vedoin, dona do material, e o PT, segue em Cuiabá, onde administra uma construtora que vive de contratos públicos.Hamilton Lacerda, que foi apontado pela PF como o transportador do dinheiro para o hotel, se desfiliou do partido, mas ainda participa de reuniões do PT e do lançamento de candidaturas petistas.Também citado no escândalo, Freud Godoy, ex-segurança de Lula, não tem mais cargo no governo, mas presta serviço de segurança ao partido.Já Jorge Lorenzetti, ex-coordenador da área de inteligência da campanha e quem determinou a análise do dossiê, trabalha hoje em uma lanchonete que montou com a família.

PT investe na Grande SP para formar "cinturão vermelho"

Na Folha de São Paulo

A DUAS semanas do primeiro turno das eleições, o PT paulista investe na tentativa de formar um "cinturão vermelho" no entorno da capital do Estado -região metropolitana e cidades em um raio de até 100 km.O partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de olho na disputa pela sucessão do governador José Serra (PSDB), está em desvantagem em metade das 12 cidades do interior e do litoral do Estado em que há possibilidade de segundo turno, de acordo com as pesquisas. Mas lidera nas quatro cidades com mais eleitores do ABC e está na frente em Osasco e Carapicuíba, além de ter boas chances em São José dos Campos.Em Campinas, o partido integra a coligação do atual prefeito Dr. Hélio (PDT), favorito na disputa até agora. Juntas, as cidades correspondem a 3,3 milhões de eleitores. O PT pretende gastar por eleitor, só no ABC, cinco vezes o que a campanha paulistana gastará.