sexta-feira, 4 de julho de 2008

Ingrid aceita terceiro mandato de Uribe

Na Folha de São Paulo com agências internacionais

De um lado, abraços emocionados nos filhos; de outro, promessas de luta pela libertação de reféns em todo o mundo. Em seu primeiro dia de liberdade após seis anos de cativeiro, a ex-refém das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) Ingrid Betancourt, 46, se dividiu ontem entre a maternidade e a política.Sua face política teve o ponto alto no final da tarde, quando Ingrid disse em entrevista coletiva na Embaixada da França em Bogotá que a questão do acordo humanitário entre as Farc e governo perdeu um pouco de lugar com o resgate, na quarta, dela e de mais 14 reféns.Ingrid defendeu uma solução negociada para a questão e pediu "todo o apoio internacional" para fazer com que "as Farc compreendam que a opção da guerra está acabada".Depois de ter afirmado que "ainda aspira à Presidência", a ex-candidata colombiana não se opôs, quando indagada, a um eventual terceiro mandato do presidente Álvaro Uribe. "Se o povo quiser, por que não?""A reeleição [de Uribe em 2006] foi muito boa para a Colômbia. Isso não quer dizer que [eu] concorde com tudo o que o presidente fez", afirmara antes.Partidários do presidente colhem assinaturas para um referendo que mude a lei e permita a Uribe se candidatar.Já sobre uma possível candidatura própria, a franco-colombiana afirmou que essa é uma decisão que precisa de "reflexão" com sua família, em especial com seus filhos. Ela disse não saber do futuro. "Tinha me programado para passar mais quatro anos na selva. A liberdade chegou de surpresa, ainda estou anestesiada."Ingrid foi resgatada na quarta-feira pelo Exército colombiano. A operação, ainda cercada de mistério, contou com soldados disfarçados de guerrilheiros que buscaram a ex-candidata à Presidência, três americanos e outros 11 colombianos na selva em um helicóptero militar simulando o de uma agência humanitária fictícia.
Agenda cheia
Anteontem, Ingrid estreou a liberdade com noite insone na casa da mãe, quando contou ao marido, Juan Carlos Lecompte, e a familiares as tristezas do cativeiro. A seu pedido, tomou um café da manhã de laranjas e se reencontrou por volta das 8h, entre lágrimas, com os filhos Lorenzo, 19, e Melanie, 22, que chegaram da França."O paraíso, o nirvana deve ser algo muito parecido com o que estou sentindo agora. Estes filhos são minha luz, minha lua, minhas estrelas. Por eles continuei com vontade de sair da selva, para voltar a vê-los", disse.Ela não esperou Melanie e Lorenzo saírem da aeronave: subiu correndo as escadas do avião e teve uma reunião particular de 15 minutos. Ao sair do avião, ainda abraçada aos dois, ela disse entre beijos que "agora vão ter de aturá-la, pois vai ficar grudada que nem chiclete".Ontem também se reuniu com Emmanuel, filho de sua companheira de seqüestro Clara Rojas que nasceu na selva.Mas Ingrid não perdeu a oportunidade apresentada pelos holofotes. Ela convidou os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, do Equador, Rafael Correa, e da Argentina, Cristina Kirchner, a ajudar a fortalecer a democracia na Colômbia -e "não a guerrilha".A ex-refém afirmou que o papa a receberá para uma audiência, talvez na próxima semana.Ingrid partiu para a França ontem à noite.Sobre os anos de cativeiro, ela disse que foi tratada "como um cachorro". "Não era tratamento nem para um animal. Só havia crueldade, arbitrariedade e maldade."O cabo do Exército colombiano e ex-refém William Pérez, que foi resgatado com Ingrid, contou que usou conhecimentos de enfermagem para salvar a vida da colega. Ele disse que ela "sumiu" de depressão, não podia mover os braços e quase perdeu a lucidez. "Estava muito debilitada e foi preciso lhe dar soro e alimentá-la com cuidado, pois vomitava tudo."Hoje, para o marido, "ela está muito bem, generosa de espírito e lúcida. O corpo tem algumas seqüelas, mas nada grave. Sua alma está fortalecida".Mas os relatos dos ex-reféns mostram uma vida de espera e sofrimento. Refeições eram limitadas a arroz e feijão, às vezes macarrão ou lentilhas. Banhos eram feitos em rios e, quando não estavam acorrentados a árvores, os seqüestrados eram forçados a caminhar por longas distâncias.A situação piorou no último ano, com a aproximação de forças do governo, que tornou os recursos difíceis de obter.Em um dia comum, eles seriam acordados às 5h30. Tomariam café e comeriam bolo de milho; escutariam o rádio e fariam exercícios por uma hora. Dormiriam às 18h. Como escreveu Ingrid à mãe durante o cativeiro: "A vida aqui não é vida. É uma total perda de tempo".

CPI isenta Yeda e o 1º escalão do governo de fraude no Detran-RS

Por Graciliano Rocha
na Folha de São Paulo

Depois de provocar desgastes à governadora Yeda Crusius (PSDB), a CPI da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul que investiga o desvio de R$ 44 milhões do Detran (Departamento Estadual de Trânsito) gaúcho termina hoje com um relatório que isenta a tucana de responsabilidade na fraude.Às 9h de hoje, os deputados votam o texto do relator Adilson Troca (PSDB), a cuja conclusão a Folha teve acesso.A CPI foi uma fonte constante de problemas para a governadora. Foi ali que a oposição exibiu grampos telefônicos e documentos obtidos pela Polícia Federal que provocaram a queda de quatro secretários do governo de Yeda.Segundo o relatório de Adilson Troca, 41 pessoas foram responsáveis pela fraude no Detran -nenhuma com foro privilegiado, como Yeda ou membros do primeiro escalão do governo tucano.O relatório de Troca, que conta com a maioria governista de 7 dos 12 integrantes da CPI para ser aprovado, reconhece a existência de um esquema de desvio a partir do superfaturamento nos preços das carteiras de motoristas e cita 41 pessoas como responsáveis pela fraude -entre elas o empresário tucano Lair Ferst e os ex-presidentes do Detran Flávio Vaz Netto e Carlos Ubiratan dos Santos, que negaram envolvimento.Não há novidades significativas em relação à denúncia feita pelo Ministério Público Federal, em maio, que resultou em uma ação criminal contra 40 pessoas por crimes como locupletamento em dispensa de licitação, peculato (desvio de dinheiro público), corrupção e formação de quadrilha.
Relatório paralelo
A oposição a Yeda, liderada pelo PT, preparou um relatório paralelo que pede o indiciamento da governadora, de quatro ex-secretários, do deputado federal José Otávio Germano (PP) e do presidente do TCE (Tribunal de Contas do Estado) do Rio Grande do Sul, João Luiz Vargas, por improbidade administrativa.Segundo o PT, depoimentos e evidências colhidas durante a investigação da PF -carta na qual Lair Ferst detalha o esquema antes de ele se tornar público- indicam que a governadora teria deixado de tomar providências para impedir a fraude.Outro item do relatório petista é um pedido de investigação da compra da casa da governadora. Em dezembro de 2006, a tucana comprou a casa por R$ 750 mil -valor superior ao valor total dos bens declarados pela tucana em maio.A assessoria de Yeda disse que ela não comentaria a CPI. Para o porta-voz do governo, Paulo Fona, a suspeita sobre a compra da casa da governadora é um "factóide do PT".O PT também pediu o indiciamento dos ex-secretários Delson Martini (Governo), Marcelo Cavalcante (Representação no Distrito Federal), Cézar Busatto (Casa Civil) e Ariosto Culau (Planejamento) por improbidade.Os petistas querem ainda o indiciamento do deputado Germano, que apareceu em escutas telefônicas discutindo com Vaz Netto o curso de uma investigação do TCE sobre a fraude no Detran. Germano é o padrinho político dos dois ex-presidentes do Detran acusados de receber propina do esquema.Vargas teria sido citados sob as iniciais JLV em atas de reuniões dos acusados. Ele afirmou que só se manifestaria na defesa que deverá entregar ao TCE nesta sexta-feira.

Tarso libera R$ 80 mi a 3 meses da eleição

Por Rubens Valente
na Folha de São Paulo

Às vésperas das eleições municipais, o Ministério da Justiça anunciou o repasse de R$ 80 milhões a 58 prefeituras de onze regiões metropolitanas do país para financiamento de projetos de prevenção e combate à violência.Dos municípios beneficiados, 47 são administrados por partidos da base aliada (81%), sendo 19 do PT, contra onze dos partidos de oposição PSDB e DEM. O ministério afirmou que os critérios para definir os valores foram técnicos, baseados principalmente no número absoluto de homicídios.São os primeiros repasses a municípios no Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania), criado no ano passado. O Pronasci envolve 94 projetos diferentes, um dos quais chama-se Mulheres da Paz, que prevê o pagamento de uma bolsa mensal de R$ 190,00 para "lideranças femininas para se aproximar de jovens em situação de risco infracional ou criminal". O ministério ambiciona "formar", por meio dos municípios, 5.300 mulheres até o ano de 2011.Por causa da lei eleitoral, que proíbe transferências voluntárias da União a Estados e municípios nos três meses que antecedem o pleito, o ministério tem até hoje para completar os repasses aos municípios.
São Paulo
O ministério anunciou também que começou a liberar R$ 502 milhões para 18 Estados. Anteontem, em entrevista em São Paulo, o ministro Tarso Genro (PT-RS) disse que o município, administrado pelo DEM, será contemplado com R$ 13 milhões, mas a cidade não estava incluída na lista das 58 divulgada pelo ministério na última sexta-feira.O valor destinado aos municípios na atual pré-campanha eleitoral de 2008 representa o dobro do repassado no ano de 2007. "O recurso destinado aos municípios é recorde se comparado ao repasse do Fundo Nacional de Segurança Pública para estes entes federados em 2007, que foi de R$ 42 milhões", informou o ministério, em nota à imprensa.Um dos municípios mais bem aquinhoados foi Diadema (SP), administrado por José de Filippi Júnior (PT), que foi o tesoureiro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2006. A cidade receberá R$ 3,87 milhões para custeio de cinco projetos.A secretária de Defesa Social de Diadema, Regina Miki, disse que o ministério primeiro definiu as onze regiões metropolitanas que deveriam ser atendidas. A partir daí, cabia às prefeituras apresentar e defender seus projetos."Nós apresentamos sete projetos, era da livre escolha das cidades apresentar, e cinco foram contemplados. Nós demonstramos, já por muito tempo, a capacidade de executar os projetos", disse Regina.Segundo a assessoria da prefeitura, o número de homicídios na cidade baixou de 374, em 1999, para 80 no ano passado. Regina disse que Diadema não é hoje uma cidade "violenta": "Podemos dizer que estamos numa fase mais tranqüila".O ministério atendeu 14 municípios no Estado de São Paulo, onze dos quais administrados por partidos da base aliada. Em São Bernardo do Campo (PSB), que deverá receber R$ 2 milhões, a previsão é "formar" 300 mulheres e atender 1.500 jovens em situação de risco, estes com bolsa mensal de R$ 100. "É um projeto que ninguém tem ainda [em andamento]. Uma empresa vai selecionar as candidatas, fazer cursos de formação", afirmou o coronel da reserva da Polícia Militar Antônio Branco, comandante da Guarda Civil Metropolitana.Segundo o coronel, o pagamento das bolsas não passará pelas prefeituras. Será administrado por um empresa terceirizada e controlado por cartões de pagamento.

Desvios em MG financiavam candidatos, diz Promotoria

Por Leonardo Souza
na Folha de São Paulo

Integrantes da quadrilha investigada na Operação João de Barro, da Polícia Federal, desviavam recursos de prefeituras de Minas Gerais para financiar candidatos a deputado federal e estadual ligados ao esquema, segundo apuração da Procuradoria da República e do Ministério Público Estadual.O deputado João Magalhães (PMDB-MG) é citado nos documentos, aos quais a Folha teve acesso, como um dos "beneficiários diretos do golpe", que girava ao redor da construtora Ponto Alto. Segundo a Procuradoria, Magalhães é o verdadeiro dono da construtora, mas oculta a titularidade da empresa por meio de laranjas.Um dos principais elementos usados pelo Ministério Público é o depoimento do engenheiro Silvério Dornellas, que figura como sócio-gerente da construtora. Silvério disse que era laranja do deputado.De acordo com o Ministério Público, Magalhães e outros deputados federais direcionavam emendas ao Orçamento da União para prefeituras comandadas por membros da quadrilha. Depois, empregando a Ponto Alto e uma rede de empresas fantasmas, o grupo fraudava as licitações e desviava os recursos, alimentando contas de pessoas ligadas ao esquema.Os investigadores do caso conseguiram rastrear cheques para funcionários das construtoras, agências de automóveis e até mesmo para parentes de prefeitos. Depois, o dinheiro iria para os políticos. Boa parte das transferências ilegais constatadas pelo Ministério Público ocorreu em período eleitoral."[Verbas do Orçamento da União] chegaram para várias prefeituras mineiras para a construção de obras de infra-estrutura, as quais seriam direcionadas a empresas do grupo pertencente ao proprietário da construtora Ponto Alto Ltda., com o nítido intuito de beneficiar candidatos a deputados federal e estadual ligados ao mesmo grupo", informa um dos documentos que a Folha acessou.Relatório da Procuradoria de Justiça especializada em crimes de prefeitos de Minas descreve que pelo menos R$ 1,26 milhão foi destinado ilegalmente à Ponto Alto a partir de licitações fraudadas.No dia 12 de junho, Magalhães foi notificado pela Procuradoria em processo no qual é acusado de desviar dinheiro de obras municipais em Minas e de ser o dono da Ponto Alto.Em entrevista à Folha, o deputado negou ter sido beneficiado pelo esquema ou que a construtora pertença a ele. "Esse Silvério está querendo tirar a responsabilidade das costas dele. Ele fez essa afirmação sem prova nenhuma", disse.Segundo o Ministério Público, foram comprovados desvios de dinheiro em obras e programas financiados pelos ministérios da Integração Nacional, da Saúde, Esportes e das Cidades. Grande parte das verbas provinha de emenda parlamentar.Numa das fraudes, a da construção de uma ponte sobre um córrego em Santa Rita do Ituêto, todas as empresas participantes da concorrência eram fantasmas, inclusive a vencedora, a Castro Luz Ltda. Segundo a Promotoria, o titular da Castro Luz, além de assinar em nome das outras empresas participantes da licitação, é empregado da Ponto Alto.A operação da PF investiga também os deputados federais mineiros Ademir Camilo (PDT), Miguel Martini (PHS), José Santana de Vasconcellos (PR) e Jaime Martins (PR).

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Férias!!!

Sim, graças a Deus estou de férias. Falta apenas um semestre para eu formar. Quem diria que este que vos escreve formaria em Pedagogia e História. Engraçado, a cada dia que passa fico com a impressão que morrerei jornalista. Bem, falei demais do futuro e acabei me desviando do foco. Férias! Sim, continuarei aqui firme e forte.

Assim não, Yeda!

A governadora do Rio Grande do Sul Yeda Crusius apóia o aumento de 143% do seu salário proposto pelo presidente da Assembléia Legislativa Alceu Moreira. Num momento de crise financeira que o estado atravessa, num momento em que denúncias de corrupção pipocam a toda hora, a governadora resolve aumentar o seu salário. Assim não, Yeda! Ela está dando motivos demais para os petralhas se atiçarem.

Ação da Polícia Federal provoca bate-boca entre Poderes

Por Guilherme Sacaranse
no Estado de São Paulo

O temor de um "Estado policial", autoritário, versus a apologia do combate à corrupção em larga escala colocou o Executivo e o Judiciário em rota de colisão. O ministro da Justiça, Tarso Genro, rebateu ontem críticas do presidente do STF, Gilmar Mendes, à Polícia Federal. E desafiou o chefe da instância máxima do Judiciário a apontar um único caso recente de abuso. No dia anterior, Mendes havia sugerido ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva o envio de um projeto para punir autoridades por vazamento de dados em investigações sigilosas.Mendes vem endurecendo o discurso desde o final do ano passado. Ele próprio foi citado no desenrolar da Operação Navalha - uma lista de beneficiários da Construtora Gautama, pivô de fraudes em obras, incluía um homônimo seu. Mendes assumiu o comando do STF e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidido a combater prisões desnecessárias e vazamentos de conversas. Irritado, comparou abusos policiais a modelos adotados na Alemanha nazista e na ex-União Soviética.A provocação de Tarso esquenta a troca de farpas. As operações são vistas como uma vitrine da gestão Lula, tanto que o titular da Justiça reforçou ontem: as reações à atuação da PF vão continuar, já que a elite e autoridades estão sendo atingidas. No dia anterior, o ministro já respondera a outro comentário de Mendes, dizendo que vazamentos eram sim "coisa de gângster", mas frisando: "Quanto à Polícia Federal, ele pode ficar absolutamente tranqüilo. Lá não tem vazamento."
RAIO X
Neste ano, a PF prendeu 845 pessoas, sendo 146 servidores públicos, segundo balanço da corporação. Algumas prisões causaram espanto. Na Operação Hígia, os agentes levaram Lauro Maia, assessor parlamentar e filho da governadora do Rio Grande do Norte, Wilma Faria (PSB). Outros dois governadores viram, recentemente, familiares serem detidos. No ano passado, o irmão mais velho do presidente Lula, Genival Inácio da Silva, foi investigado ao longo da Operação Xeque-Mate.O rol de autoridades processadas ou chamadas a dar explicações é grande. Na semana passada, por exemplo, o ex-ministro do STF Carlos Velloso prestou depoimento no inquérito dos prefeitos envolvidos com desvios do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) - alvo da Operação Pasárgada. O delegado Alexandre Aguiar não revelou os detalhes do depoimento, mas destacou que Velloso falou "como testemunha".Refutando qualquer envolvimento com o caso, o ex-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) declarou: "Quero esclarecer tudo. Quero depor sim. À luz do sol nada apodrece. (...) Esse tipo de notícia atinge minha imagem. Se fosse ao menos meia verdade, mas é mentira."
GUARDIÃO
Boa parte das prisões é decorrente de conversas telefônicas gravadas. O Guardião, equipamento da PF, é capaz de monitorar 400 linhas simultaneamente. A prática cresceu tanto que, em 2007, cumprindo determinações da Justiça, a Oi, TIM, Brasil Telecom, Telefônica, Vivo e Claro fizeram 409 mil interceptações. Analistas e juristas destacaram que é praticamente impossível haver um controle. Advogados chegam a construir salas à prova de grampo.Em entrevista recente ao Estado, Mendes destacou: "O juiz não acompanha esse processo, porque não tem condições, o conhecimento dessas informações fica a cargo da polícia, que divulga quando quer e para qualquer finalidade." Ele frisou que há um "encontro marcado" com a revisão do modelo. O presidente do Supremo também defende uma avaliação dos critérios usados para autorizar prisões preventivas. O Supremo tem sistematicamente alterado decisões de outros magistrados e liberado presos. Mendes mandou soltar o empreiteiro Zuleido Veras, alvo da Operação Navalha. Lula, ao falar da PF, usa outros argumentos. Em agosto, ao trocar o comando da PF, citou pesquisa do Ibope, com 1.400 pessoas em todo o País, que apontara índice de confiança de 69% da população na PF.

Dilma pressionou estatais, afirma Abreu

Por Janaina Lage
na Folha de São Paulo

A ex-diretora da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) Denise Abreu afirmou à Folha que a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) pressionou estatais como a BR Distribuidora e a Infraero para que agissem de forma a preservar a Varig.Antes mesmo de a Varig entrar em recuperação judicial, durante o ano de 2004, os principais credores (Infraero, BR Distribuidora e Banco do Brasil) chegaram a discutir com o governo alternativas para o pagamento das dívidas da Varig. "O que se observava era um absoluto desconforto por parte dos três órgãos em aceitar qualquer postergação no pagamento de dívidas. Os administradores temiam, inclusive, a interposição de medidas judiciais de responsabilidade e improbidade contra eles, uma vez que esses órgãos não podiam abrir mão de dívidas", afirma a ex-diretora.Abreu relaciona a saída do ex-presidente da BR Distribuidora Rodolfo Landim do cargo às pressões sofridas. Atualmente ele é diretor-presidente da OGX, uma das empresas de Eike Batista. "Ele havia sido indicado pela própria ministra Dilma Rousseff para o cargo quando ela ocupava a pasta de Minas e Energia. Exatamente no mesmo período ao qual me refiro sobre pressões da Casa Civil, ele pediu demissão num final de semana. Havia rumores de desgaste de sua atuação junto à ministra por ter negado à Varig um pedido de crédito de R$ 240 milhões", disse.Landim sustentava a posição de que a BR não deveria dar um prazo de carência para a Varig porque ela não tinha garantias a oferecer. Antes disso, a empresa oferecia recebíveis de compras de passagens com cartão de crédito como lastro para a compra de combustível. Na época, a BR exigia pagamento à vista da Varig. As dívidas da companhia aérea com a distribuidora antes da entrada em recuperação judicial eram estimadas em cerca de R$ 57 milhões em 2006.A Varig era citada como a única empresa entre os clientes da BR que tinha sua situação avaliada diretamente pelo Conselho de Administração da distribuidora, presidido pela ministra Dilma.Na época, os credores haviam aprovado um plano de recuperação judicial que previa um período de 45 dias de caixa negativo, e a companhia aérea afirmava precisar de um prazo de carência da BR Distribuidora, da Infraero e das empresas de leasing, entre outros.A Folha tentou entrar em contato com Landim por meio da assessoria de imprensa da OGX ao longo de dois dias, mas ele não estava disponível para comentar as declarações da ex-diretora da Anac. Procurada pela reportagem, a Casa Civil não respondeu até o fechamento desta edição.A pressão sobre a BR Distribuidora não parou com a saída de Landim, segundo o relato da ex-diretora. Abreu afirma ter presenciado um telefonema da ministra Dilma para a sucessora de Landim na presidência da BR, Maria das Graças Foster, atualmente diretora da área de Gás da Petrobras."Estávamos em reunião na Casa Civil e houve um telefonema para Maria das Graças. Essa reunião ocorreu em maio de 2006. A ministra disse que, se ela não fizesse a liberação de crédito, a empresa ia parar e não ia chegar até o leilão. Disse que teria de ser decretada a falência e que, portanto, Maria das Graças teria de encontrar uma alternativa. O tom era imperativo, de cobrança", disse.Em nota, a ex-presidente da BR afirmou que a ministra Dilma não ligou para tratar desse assunto. Afirmou ainda que durante sua gestão a BR cobrou à vista pelo combustível. Em 11 de maio de 2006, uma liminar judicial impediu a BR de manter a cobrança, que voltou a ser realizada em 22 de maio de 2006 após uma negociação comercial entre a Varig e a BR, intermediada pelo Judiciário.Naquele mesmo mês, Foster afirmou que a BR não reajustava o combustível fornecido à Varig desde janeiro. Nos cálculos feitos pelo Snea (Sindicato Nacional de Empresas Aeroviárias), o querosene de aviação havia subido 15,4% em cinco meses. A decisão da Justiça que impediu a cobrança antecipada resultou em perdas da ordem de R$ 13 milhões, segundo declarações de Foster à época.

"Operação marca derrota moral e militar das Farc"

Por Flávia Marreiro
na Folha de São Paulo

Ao libertar Ingrid Betancourt sem disparar um tiro, o presidente colombiano, Álvaro Uribe, triunfa em várias frentes. Impõe uma humilhante derrota militar e moral às Farc, livra-se da pressão de líderes da região e da Europa que preferiam uma saída negociada pela paz com a guerrilha e, não menos relevante, ofusca seus problemas políticos internos."Essa notícia valida a política de segurança democrática de Uribe. Envia a mensagem: as Farc estão derrotadas e não há nada que negociar. Mais que militar, foi uma vitória moral sobre a guerrilha", diz Ariel Ávila, coordenador do Observatório do Conflito Armado da colombiana Fundação Novo Arco-Íris. "Foi um xeque-mate nas Farc", comemorou o comandante do Exército da Colômbia, Mario Montoya.Depois de anos de apelos -de líderes mundiais a familiares dos reféns- para que Bogotá não tentasse resgatar os seqüestrados, Uribe, com ajuda técnica americana, exibiu o preparo de seus militares e a eficácia de sua política de linha dura, co-financiada pelos EUA."Até onde se sabe, parece uma operação brilhante", diz, desde Bogotá, Markus Schultze-Kraft, diretor para a América Latina do centro de estudos International Crisis Group.Schultze-Kraft lembra que não foi um resgate militar -opção que temiam pelo risco-, mas uma operação de inteligência. "Em 2003, eles tentaram um resgate que acabou com morte dos reféns. Essa operação foi diferente."
Futuro das Farc
Também ressaltando o êxito dos militares colombianos, Ariel Ávila questiona a descrição da operação divulgada por Bogotá, segundo a qual os dirigentes guerrilheiros foram enganados. "Parece-me estranho que juntassem os reféns para levá-los ao novo chefe, Alfonso Cano, já que os próprios militares dizem que ele está em uma área de intenso combate."Continua: "Mais do que inteligência, parece fruto de uma negociação entre o guerrilheiro César [o responsável pelos reféns] e os militares. De todo modo, é uma derrota moral. A Frente 1 era a mais importante das Farc", continua Ávila, cuja fundação acompanha o conflito armado desde 1994.Sem os três americanos e sem Ingrid, as Farc ficam sem sua principal fonte de pressão para negociar com Bogotá, depois de já haver perdido três integrantes da sua cúpula -incluindo o líder máximo e fundador, Manuel Marulanda.A guerrilha está debilitada -perdeu terreno e homens- e sob forte ofensiva militar. A própria Ingrid referiu-se ao tema: disse que havia um ano as Farc tinham dificuldades para fazer chegar mantimentos aos reféns, por exemplo. "Foi um golpe fulminante [na guerrilha]", disse."Não há mais espaço, como queriam líderes europeus e da região, para uma negociação de paz com a guerrilha. Agora, como Uribe vinha dizendo, terão de avaliar em que condições vão se render", aponta Ávila.Mas, dizem os especialistas, a eventual liqüidação da cúpula da guerrilha não é garantia do fim dos conflitos armados, principalmente no interior da Colômbia, dada a grande capacidade de reacomodação dos grupos ilegais, organizados, em escala mais modesta, no bilionário negócio do narcotráfico, que segue em expansão.Os analistas apontam uma vitória do eixo Bogotá-Washington, num momento de recuo estratégico do maior antagonista dessa aliança na região, o presidente venezuelano, Hugo Chávez -que muitos, inclusive ex-reféns, apontavam como o único capaz de obter a libertação de Ingrid."Há várias ações da política [de Uribe] que não são eficazes, como o combate às drogas. Mas, com essa vitória, Uribe ganha ainda mais respeito. Pouca gente da oposição vai poder criticá-lo", diz Schultze-Kraft."Diante da vitória, os problemas com violações de direitos humanos serão só uma manchinha na fotografia", diz Ávila.

Yeda defende aumento do próprio salário em 143%

Por Graciliano Rocha
na Folha de São Paulo

No momento em que o governo do Rio Grande do Sul atravessa uma profunda crise política e financeira, a governadora Yeda Crusius (PSDB) poderá ganhar um aumento salarial de 143%. Publicado na edição de ontem do "Diário Oficial" do Estado, o projeto de lei nº 149/2008 propõe a elevação do salário da governadora dos atuais R$ 7.140,70 para R$ 17.343,14. A oposição, liderada pelo PT, critica a proposta.O projeto de lei foi apresentado por um aliado da tucana, o presidente da Assembléia Legislativa, Alceu Moreira (PMDB), e também prevê aumento para o vice-governador e para os secretários estaduais, cujos salários passariam de R$ 6.120 para R$ 11.564 -um aumento de 89%.Segundo o governo, não haverá aumento em cascata. Yeda defendeu o aumento dos salários. A governadora declarou à Rádio Guaíba que já espera críticas, mas afirmou que os salários da cúpula do governo estão defasados. Segundo ela, um secretário de Estado gaúcho recebe líquidos em torno de R$ 4.000. A idéia do aumento, disse Yeda, é equiparar o salário da governadora ao do presidente da Assembléia e o dos secretários ao dos deputados.O projeto começa a valer logo após a aprovação e não prevê efeito retroativo. Para ser aprovado, precisa do apoio de 27 dos 55 deputados estaduais. Partidos que dão sustentação à governadora têm 33 deputados.Se cumprir o trâmite normal de dez dias úteis após a publicação no "Diário Oficial", o aumento deve ir à votação somente no início de agosto, após o recesso parlamentar, que começa dia 17. A Secretaria Estadual de Fazenda ainda não tinha ontem à tarde uma projeção do impacto do reajuste da cúpula.Deputados governistas se disseram determinados a aprovar o aumento, mas expressaram desconforto com o provável desgaste político que a proposta traz embutido. A oposição diz que vai votar contra o aumento. O grupo vai ganhar, em pleno período de campanha eleitoral, munição extra para contrastar os 143% do aumento à governadora com o reajuste médio dos 170 mil servidores estaduais.O aumento para o funcionalismo foi concedido no final do governo Antônio Britto (1995-1998), mas não havia sido posto em prática porque ultrapassava o teto de 60% de gastos do Executivo com pessoal fixado pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Depois que parte dos servidores já havia obtido decisões favoráveis na Justiça, Yeda autorizou reajustes de 19% a 33% da chamada Lei Britto a partir de agosto deste ano.Além disso, a discussão sobre os salários da cúpula com o governo coincide com o final da CPI que investiga o desvio de R$ 44 milhões no Detran (Departamento Estadual de Trânsito) do Rio Grande do Sul.O valor pretendido no Rio Grande do Sul é superior ao salário de outros governadores tucanos. Aécio Neves (MG) recebe R$ 10.500, enquanto José Serra (SP) ganha R$ 14.850. No Sul, o governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), tem salário de R$ 22.100.
CPI
A CPI do Detran termina amanhã com a votação do relatório final elaborado pelo tucano Adilson Troca. O PT deverá apresentar um relatório paralelo, pedindo o indiciamento da governadora.

Aécio e Pimentel vão expor união informal para confrontar o PT

Por Valdo Cruz
na Folha de São Paulo

O governador Aécio Neves e o prefeito Fernando Pimentel preparam para a quinta-feira uma cena que a direção petista tentou evitar ao proibir a aliança formal entre PT e PSDB em Belo Horizonte: uma "festa de bandeiras" petistas e tucanas no lançamento oficial da candidatura de Márcio Lacerda à prefeitura da capital mineira.O tucano e o petista estão acertando os últimos detalhes do evento com o PSB, ao qual Lacerda foi filiado recentemente para sair candidato. Segundo assessores, Aécio e Pimentel querem fazer uma demonstração explícita da aliança proibida pela direção do PT.Os dois contam com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nessa empreitada e já pensam em um segundo ato juntos -uma caminhada no sábado, dia 12, por ruas de Belo Horizonte, acompanhados do candidato Márcio Lacerda.O governador e o prefeito tiveram uma conversa reservada com Lula na segunda-feira em Itajubá (MG). O presidente disse a eles que, depois do velório de Ruth Cardoso, ficou ainda mais convencido de que estão no caminho certo, de construção de diálogo entre os dois partidos. O presidente revelou que pretende convidar Fernando Henrique Cardoso para um jantar. Lula estuda fazer uma homenagem à antropóloga, que morreu na semana passada, muito provavelmente batizando uma universidade com o nome da ex-primeira-dama.
"Meus amigos"
Em Itajubá, o presidente disse a Pimentel e Aécio ter percebido no velório da mulher de FHC que "ali estavam meus amigos, com quem temos posições comuns, de quem precisamos nos reaproximar". Na conversa, brincou, no entanto, com a relação de Aécio e Pimentel, dizendo que eles não precisavam exagerar: "Vocês estão próximos demais."O presidente voltou a dizer que estava irritado com a Direção Nacional do PT por conta do veto imposto à aliança PT-PSDB. Lula chegou a pressionar a cúpula petista a recuar do veto em BH, decidido primeiramente pela Executiva e depois ratificado pela Direção Nacional -que aceitou apenas o acordo oficial entre PSB e PT; o PSDB acabou aprovando em convenção um apoio informal à chapa, que tem como vice o petista Roberto Carvalho.Apesar do veto oficial à aliança em BH, o governador tucano, em conversas com amigos, avalia que ele e Pimentel atingiram seus objetivos e ainda ganharam três presentes.Primeiro, a resistência da cúpula do PT transformou uma eleição tradicionalmente provinciana, como a de Belo Horizonte, em tema nacional. Segundo, irritou Lula, que em reação declarou apoio explícito ao acordo e ainda prometeu participar da campanha.Por último, rachou o partido, mostrando que há um grupo contrário não só ao acordo em BH, mas também à forma como o presidente está conduzindo a sua sucessão dentro do PT, escolhendo Dilma Rousseff como sua candidata em 2010.

Ayres Britto apóia STF contra divulgação dos "fichas-sujas"

Por Rodrigo Varga
na Folha de São Paulo

O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Carlos Ayres Britto, endossou ontem as declarações do ministro Gilmar Mendes (STF) contra a divulgação de listas de candidatos que respondam a ações judiciais.Sem repetir o termo "populismo", empregado por Mendes para qualificar a medida, Ayres Britto disse não ser possível "ignorar parâmetros objetivos da Constituição". "[Mendes] está preocupado com o contexto e não quer que o juiz se arvore como justiceiro", afirmou.Em junho, Ayres Britto lamentou a decisão do TSE de manter os candidatos com "ficha suja". Ao votar contra essas candidaturas, ele afirmou que a Justiça deveria diferenciar os direitos individuais do direito político de representação popular (direito de ser eleito).Como paliativo, o presidente do TSE prometeu então tornar públicas, já para estas eleições, as informações judiciais dos candidatos com a "ficha suja". "A Justiça Eleitoral tem o dever de informar o eleitor sobre a personalidade e a vida pregressa dos candidatos", disse em 16 de junho. Dois dias depois, ele recuou e afirmou que o objetivo do TSE não era "divulgar lista de quem quer" que fosse.Ayres Britto disse ontem que o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) estaria preocupado com um "ímpeto persecutório" que acompanha os argumentos favoráveis à medida."Gilmar, na verdade, está louvando uma decisão do TSE. Para o tribunal, enquanto uma sentença penal condenatória não transitar em julgado, todo mundo tem ficha limpa", disse.Sobre o posicionamento contrário dos tribunais regionais, Ayres Britto disse que não pode impedir que magistrados façam uso de sua "independência técnica". Mas adiantou que eventuais negativas de registros acabarão sendo levadas à instância superior, onde o entendimento já está formado.Ayres Britto comentou as informações publicadas ontem pela Folha, no Painel, sobre uma possível "crise diplomática" entre o STF e o governo no caso do julgamento sobre a demarcação da reserva Raposa/ Serra do Sol, em Roraima.Segundo o Painel, um alto funcionário do Ministério da Justiça ficou insatisfeito com uma reunião com Ayres Britto, que é relator do caso. O servidor teria ficado irritado com perguntas que considerou "tendenciosas" e, dias depois, recomendou a assessores do STF que tivessem cuidado ou iriam acabar "grampeados".Ontem, o ministro disse que não tinha tomado conhecimento dos "detalhes" do que chamou de "novo espaço de fricção", mas se adiantou em negar que esteja havendo conflito entre o STF e o governo.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

E Lula não ligou para Uribe

Leio no Blog do Noblat que Lula ainda não ligou para Álvaro Uribe depois que Ingrid Betancourt foi libertada (ver post abaixo deste). É a reação do fundador do Foro de São Paulo. Por falar no foro, até quando a Justiça brasileira não vai pedir explicações à Lula sobre o seu envolvimento com as Farc?

Betancourt e três americanos são soltos pelas Farc, diz Colômbia

Da Folha online

A política franco-colombiana Ingrid Betancourt, três americanos e 11 militares colombianos foram resgatados das guerrilhas das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) por tropas colombianas, declarou o ministro da Defesa Juan Manuel Santos.
Santos afirmou que todos os ex-reféns estão em estado de saúde razoavelmente bom após anos como reféns na selva colombiana.
"Essa foi uma ação sem precedentes", declarou Santos, em coletiva na sede do Ministério da Defesa, em Bogotá. "Isso entrará na história por sua audácia e efetividade."
Betancourt, os três americanos, três políticos e dezenas de militares e policiais colombianos integravam o grupo de cerca de 40 reféns que a guerrilha propunha trocar por 500 rebeldes presos, após a criação de uma zona desmilitarizada no país. A franco-colombiana foi seqüestrada em 2002, quando fazia campanha eleitoral como candidata à Presidência. Ela foi vista pela última vez em um vídeo da guerrilha divulgado no ano passado, onde aparecia abatida e doente.
A imagem do vídeo e boatos de que ela estaria com uma série de doenças desencadearam uma pressão da comunidade internacional e do governo francês pela libertação de Betancourt.
O resgate foi realizado em uma zona de floresta do Departamento de Guaviare, no sudoeste da Colômbia, de acordo com Santos.
"Seguiremos trabalhando na libertação dos demais seqüestrados. Fazemos um chamado aos atuais líderes das Farc para que não matem, liberem os outros seqüestrados e não sacrifiquem seus homens", declarou o ministro.

Farc

Os americanos --três funcionários do Departamento de Defesa dos EUA-- foram capturados em 2003, após o pequeno avião em que estavam cair na floresta. Eles participavam de uma operação de erradicação de campos de cultivo de coca no país. Em Paris, um assessor do presidente Nicolas Sarkozy, questionado sobre a notícia, disse que a Presidência não tinha comentários a fazer no momento.
As Farc, a mais antiga insurgência da América Latina, existente há cerca de 40 anos, pediram ao presidente Álvaro Uribe para retirar as tropas de uma área do tamanho da cidade de Nova York para facilitar as conversas.
Uribe, em seu segundo mandato seguido e popular no país por sua luta contra os rebeldes, se recusa a aceitar a pré-condição.
As Farc, antes uma força de 17 mil homens capaz de atacar cidades e realizar diversos seqüestros, foi confinada a áreas remotas e agora têm cerca de 9.000 homens. As guerrilhas também perderam três membros da sua cúpula, composta por sete pessoas, entre eles o número 1 e fundador do grupo, Manuel Tirofijo, e o número 2 Raul Reyes.
Considerado como um grupo terrorista pela União Européia e pelos EUA, as Farc usam a cocaína colombiana para financiar suas atividades.

Mais reféns

A advogada Clara Rojas, assessora de Betancourt, foi tomada refém na mesma ocasião. Rojas foi libertada em 10 de janeiro deste ano, junto à ex-congressista Consuelo González de Perdomo, graças a gestões humanitárias lideradas pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, e pela senadora opositora colombiana Piedad Córdoba.
Rojas tem um filho de três anos, fruto de uma relação com um guerrilheiro quando estava em cativeiro.
No último dia 27 de fevereiro, as Farc libertaram os ex-legisladores Luis Eladio Pérez, Jorge Eduardo Géchem, Gloria Polanco de Lozada e Orlando Beltrán.
Estima-se que na Colômbia há hoje pouco mais de 3.000 seqüestrados, sendo que alguns estão em cativeiro há mais de dez anos.

Ainda sobre os "ficha-suja": E os partidos?

Ainda sobre a divulgação da lista com os políticos “ficha-suja”. Será que os partidos não sabem da ficha corrida de cada um dos seus candidatos? Será que os presidentes dos partidos políticos não sabem do passado dos seus candidatos? Vamos cobrar a divulgação da lista dos “ficha-suja”. Mas vamos cobrar também dos partidos que façam uma seleção séria dos seus candidatos, levando em conta o seu passado, se fizeram algo de errado, se estão sendo processados.

Não ficou bom para ambas as partes

Lembro do Celso Russomano dos tempos do Aqui Agora no SBT. Ele era um repórter que defendia os consumidores lesados por empresas fajutas. Quando as duas partes chegavam a um acordo, Russomano encerrava a reportagem assim: Ficando bom para ambas as partes Celso Russomano, Aqui Agora.
Leio na coluna de Mônia Bergamo na Folha de São Paulo de hoje que, há alguns dias atrás, Celso Russomano e Aline Corrêa brigaram numa reunião do PP. Diz a colunista que os dois saíram no braço. Faltou ali alguém fazer o papel de Russomano na época do Aqui Agora. Mas, pelo visto, não ficou bom para ambas as partes. Ah, tem mais. Que vergonha, Russomano, sair no tapa com uma mulher. Não ficou nada bom para você.

Assim não, Uribe!

Na semana passada saudei o alto índice de popularidade do presidente colombiano Álvaro Uribe. Ele está trabalhando bem no combate aos terroristas das Farc. Mas discordo totalmente com a sua defesa de um terceiro mandato. Aí não! Assim não, Uribe. Logo abaixo reporduzi um editorial da Folha de São Paulo que comenta o caso. Lá na Colômbia o ambiente político está pesado. Vários políticos aliados de Uribe estão sendo acusados de corrupção. Continuo apoiando o trabalho do presidente colombiano no combate à violência, mas repudio a tese do terceiro mandato. Aliás, se Álvaro Uribe conseguir aprovar a mudança na Constituição que autoriza a sua participação numa outra eleição presidencial vocês imaginam o escândalo que o Bufão de Caracas irá armar. Deixem-no quietinho! Assim como Uribe tem que sossegar com esta tese absurda de terceiro mandato e apaziguar o ambiente político do seu país.

STF deve liberar candidaturas de ''fichas-sujas''

Por Felipe Recondo
no Estado de São Paulo

Apesar da pressão dos Tribunais Regionais Eleitorais e da Associação dos Magistrados do Brasil (AMB), o Supremo Tribunal Federal (STF) não vai barrar os candidatos com ficha suja que disputarão as prefeituras e as vagas nas Câmaras Municipais em outubro. O Supremo deixou para agosto - na volta do recesso - o julgamento de um recurso da AMB, mas os ministros da corte, consultados pelo Estado, já dão como fato consumado a tese de que o tribunal não tem mesmo como barrar os candidatos ficha-suja.Prevalecerá entre os ministros o entendimento de que não se pode punir o candidato simplesmente porque ele responde a processo judicial e a atual Lei de Inelegibilidades não cria nenhum critério de avaliação da vida pregressa dos políticos.O Supremo reforçará, portanto, a determinação de que a Justiça Eleitoral só pode negar o registro do candidato se houver condenação em última instância. A tese de que os candidatos com vários processos na Justiça devam ser barrados pela Justiça é defendida pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Carlos Ayres Britto, e por diversos TREs, principalmente o do Rio.No mês passado, por diferença de apenas um voto (4 a 3), o TSE decidiu que os tribunais eleitorais não podem negar o registro de candidatura por causa de processos na Justiça. Diante da derrota, a Associação dos Magistrados do Brasil acionou o Supremo, na tentativa de impedir, em caráter liminar, que os candidatos ficha-suja disputem as eleições.
PRIMEIRO VOTO
O ministro que relata a ação, Celso de Mello, será o primeiro a votar contra essa tese e promete críticas severas à proposta. No mesmo sentido devem votar o presidente do tribunal, Gilmar Mendes, e os ministros Eros Grau, Cezar Peluso, Carlos Alberto Menezes Direito e Marco Aurélio Mello. "Eu tenho horror a populismo e muito mais a populismo judicial", criticou Mendes. "Nós estamos num terreno extremamente sensível e podemos cometer graves injustiças", acrescentou. Um dos argumentos que mais será lembrado pelos ministros é o fato de que esse entendimento, de que bastaria um processo na Justiça para que a candidatura fosse barrada, foi encampado pelos governos durante o regime militar (1964-1985). A Lei de Inelegibilidades, que previa essa possibilidade, foi alterada ainda no governo João Figueiredo (1979-1985), o último presidente-general.Para esses ministros, mesmo a publicação de listas com o nome de candidatos que respondem a processo na Justiça, como promete fazer a AMB em seu site, pode provocar injustiças e ser assunto no julgamento da ação que será levada ao plenário do Supremo.
GRAVES INJUSTIÇAS
"Eu não me animo a ficar fazendo esse tipo de listas porque tenho medo de cometer graves injustiças. Aqui os senhores não me terão a favor desse tipo de iniciativa", acrescentou Mendes. Do lado oposto na discussão, defendendo a tese de que a vida pregressa de um político deve ser levada em consideração pela Justiça Eleitoral na hora do registro da candidatura, estão apenas, declaradamente, os ministros Carlos Ayres Britto e Joaquim Barbosa, que já votaram no julgamento desse assunto no Tribunal Superior Eleitoral.Os demais ministros não se posicionam contra o critério da vida pregressa, mas dizem que, para isso ser um critério legal, uma nova Lei de Inelegibilidades precisa prever claramente essa possibilidade - como manda a Constituição de 1988.

A aventura de Uribe

Editorial da Folha de São Paulo

O PRESIDENTE da Colômbia, Álvaro Uribe, vem enfrentando dificuldades político-jurídicas. Seu prestígio, entretanto, segue em alta. Sobretudo pelo sucesso no combate à violência, ele conta com taxas de aprovação da ordem de 80%, as maiores da América Latina. É justamente a mistura de tibieza institucional com aclamação de lideranças que preocupa.Uribe já vinha enfrentando dificuldades no Legislativo. Cerca de 60 congressistas de partidos situacionistas são investigados por envolvimento com os "paras", as milícias de extrema direita cujas atividades ilícitas incluem chacinas e narcotráfico. Três dezenas de políticos estão presos, incluindo um primo e estreito colaborador de Uribe.Mais recentemente, o presidente viu-se envolvido em denúncias de compra de votos para aprovar a emenda constitucional que permitiu sua reeleição, em 2006. A ex-senadora Yidis Medina acaba de ser condenada pela Suprema Corte a quatro anos de prisão domiciliar depois que admitiu ter recebido promessa de regalias do governo em troca do seu voto na comissão que aprovou o mecanismo da reeleição.O caso agora foi remetido para o Tribunal Constitucional, que deverá decidir sobre a validade da emenda e eventualmente até da eleição de 2006 -embora sua anulação seja muito improvável.Na tentativa de abafar o escândalo, o governo lança a idéia de convocar um referendo que autorize a repetição do pleito presidencial de 2006. Seria uma forma, alegam os situacionistas, de resgatar a legitimidade.A lógica da proposta é precária. Ninguém questiona a vitória de Uribe; o que se contesta é a legalidade de sua candidatura.Parece temerário levar tal decisão para as ruas, especialmente num contexto em que Executivo e Judiciário travam uma queda-de-braço e o Legislativo atravessa crise de credibilidade sem precedentes. A medida soa ainda mais perigosa quando se sabe que Uribe flerta já há algum tempo com a idéia democraticida de um terceiro mandato.

Relator se diz "insatisfeito" com a defesa de Paulinho

Por Maria Clara Cabral
na Folha de São Paulo

O deputado Paulo Piau (PMDB-MG), relator do processo contra Paulo Pereira da Silva (PDT-SP) no Conselho de Ética, disse que a defesa escrita do pedetista não o satisfez.Para dirimir as "diversas" dúvidas que ainda permanecem, o relator quer ouvir nove pessoas citadas no caso que investiga irregularidades no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).Entre elas, estão Elza de Fátima Pereira, mulher de Paulinho e presidente da ONG Meu Guri, o advogado Ricardo Tosto, ex-conselheiro administrativo do BNDES, o prefeito de Praia Grande, Alberto Mourão (PSDB), João Pedro de Moura, ex-assessor de Paulinho, e o coronel reformado da Polícia Militar Wilson Consani Júnior.Para Piau, o conteúdo da defesa escrita do deputado -com ataques ao corregedor-geral da Câmara, Inocêncio Oliveira (PR-PE), à imprensa e ao PSOL, partido do autor da representação contra Paulinho- pode ser uma estratégia proposital da defesa. "Não estou satisfeito [com a defesa], muitas dúvidas permanecem", disse.O advogado do deputado, Leônidas Scholz, disse que a linha da defesa é a de que não existem provas e que o processo é baseado em recortes de jornais. O depoimento de Paulinho no conselho foi marcado para a próxima terça.
Interrogatório
O coronel Consani foi interrogado ontem pelo juiz Marcio Ferro Catapani, da 2ª Vara Federal Criminal de São Paulo. O coronel confirmou que a expressão "chefe maior", que usou em telefonemas interceptados pela PF, era referência ao deputado Paulinho.O coronel alegou que, no telefonema que deu a assessores de Paulinho na noite anterior à deflagração avisando sobre uma ação policial, ele não se referia à Operação Santa Tereza. A PF suspeita de vazamento de informação. Segundo o coronel, ele fora contratado por Paulinho para averiguar supostas ameaças contra uma filha do congressista.Depois do coronel, foi ouvido o empresário Boris Timoner. O processo corre em segredo de Justiça.

Embaixador diz que Colômbia e Brasil negociam plano de defesa

Por Cláudio Dantas Sequeira
na Folha de São Paulo

O embaixador da Colômbia no Brasil, Tony Jozame Amar, afirmou ontem que os governos de ambos os países negociam um plano de defesa da fronteira na Amazônia, com a possível construção de uma base militar conjunta. "Há intenção de se construir uma base militar ou postos de vigilância ao longo da fronteira. O que for possível tecnicamente, onde for mais estratégico", disse.Segundo o diplomata, "o plano estratégico" incluiria cláusulas secretas. "Há matérias reservadas que nem eu conheço."Jozame espera que o tema entre na agenda do encontro entre os presidentes Lula e Álvaro Uribe, na cidade colombiana de Letícia, em 19 de julho. "É preciso empregar todos os meios tecnológicos disponíveis para combater o narcotráfico e a guerrilha", afirmou.A ação combinada surge da constatação de que as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) têm buscado refúgio na fronteira com Brasil, Equador e Venezuela.O diplomata se disse "contente" com a disposição do governo Lula de impedir a entrada de guerrilheiros em território brasileiro. Recentemente, o ministro Nelson Jobim (Defesa) disse que receberia à bala qualquer guerrilheiro que cruzasse a fronteira. E o chanceler Celso Amorim, que o o governo não reconhecerá às Farc o status de força beligerante."Se vocês analisam as frases de Amorim e Jobim, elas correspondem ao que nosso governo pensa. Para mim significa que o Brasil está decidido a não deixar as Farc entrarem", disse.A cooperação, porém, se limitaria ao plano bilateral. Segundo o embaixador, Uribe insiste em não integrar o Conselho Sul-americano de Defesa. Em maio, Uribe condicionou sua participação ao reconhecimento das Farc como grupo terrorista por todos os países.Jozame recolocou o problema. "Nós chamamos de terroristas. Há países que não querem fazê-lo, pois acham que isso não contribui para a paz. Nós respeitamos." Para ele, o problema são os que toleram e "não têm determinação de atacar" os integrantes das Farc que cruzam a fronteira.

Cesta básica tem aumento de até 52% em 12 meses

Por Toni Sciarretta
na Folha de São Paulo

A inflação mundial dos alimentos já elevou em até 52% o preço da cesta básica do brasileiro em um ano, levando a uma corrosão no poder de compra dos trabalhadores, sobretudo os de menor renda e que comprometem a maior parte do orçamento com alimentação.Pesquisa do Dieese mostra que as maiores variações da cesta básica aparecem em capitais do Nordeste, como Natal, João Pessoa, Recife e Fortaleza, que subiram, respectivamente, 51,85%, 45,02%, 44,92% e 43,3% nos últimos 12 meses.Por outro lado, Porto Alegre e São Paulo, as duas capitais com o maior preço da cesta básica (R$ 246,72 e R$ 245,24, respectivamente), tiveram os menores aumentos no período de um ano: de 27,24% e 30,83%.A pesquisa revela que a cesta básica do brasileiro sobe em ritmo de dois dígitos, enquanto os aumentos salariais anuais são de um dígito. Para José Maurício Soares, coordenador da pesquisa do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos), os aumentos acumulados em 12 meses foram bastante superiores ao reajuste de 9,21% do salário mínimo, que chegou a R$ 415 em abril.Segundo o Dieese, há um ano o trabalhador que ganha o salário mínimo gastava em média 91 horas e 33 minutos para comprar a cesta básica; no mês passado, precisava de 115 horas e 25 minutos. Descontada a contribuição previdenciária, a compra da cesta básica exigia 57,03% de um salário mínimo, contra 45,06% há um ano.Só nos seis primeiros meses de 2008, a cesta básica acumula uma alta de 29,24% em Recife e de 25,91% em Natal. Em Porto Alegre e em São Paulo, as variações foram menores, de 15,87% e 14,26%.Não há uma média brasileira da cesta básica. A pesquisa é feita em 16 capitais, respeitando particularidades e hábitos de alimentação de cada região.Soares afirma que a cesta básica sobe mais no Nordeste por conta do maior peso de alimentos como feijão e carne, dois dos atuais vilões da inflação. Em um ano, o feijão subiu até 184,8%, em Natal, e a carne, até 44,18% em Aracaju."Os vilões [da inflação] são o arroz, a carne, o feijão e a batata. Precisamos de um incentivo à produção agrícola para que aumente a oferta e os preços caiam. Se a alta do feijão ficar em 50%, em relação a 2007, já dará uma grande diferença na cesta básica neste ano", disse.O professor da FEA-USP Heron do Carmo, especialista em inflação, também defende o estímulo à produção para combater a alta de produtos como o feijão, que praticamente só fazem parte da cesta brasileira."É fundamental um estímulo à oferta. Há instrumentos dentro das regras de mercado que podem ser adotados pela política agrícola e amortecer essas altas. O aumento da cesta básica afeta muito a renda das famílias mais pobres. Para uma família pobre, o aumento de R$ 30 com alimentos é o preço da prestação de um eletrodoméstico. Sobra menos para outros gastos", disse Heron do Carmo.
Especulação
De todos os itens pesquisados pelo Dieese, o aumento do feijão é o que mais preocupa neste ano. Segundo Soares, o feijão havia recuado em abril em 14 das 16 capitais pesquisadas. Em junho, aconteceu o inverso: subiu em 14 das 16. Só em junho, o feijão chegou a subir 31,09% em João Pessoa, mas recuou 6,3% em Belém.A tendência de alta se deve à quebra na safra do ano passado e ao plantio com atraso neste ano. Neste semestre, a expectativa é que os preços recuem com as novas colheitas.O mesmo acontece com o arroz, que registrou avanço de 45,4% em junho em Aracaju e de 31,91% em Salvador.A alta reflete o atraso no plantio devido à seca brasileira e à escassez na Ásia. "No caso do arroz, há um componente de especulação. O produtor estoca e espera vender com preço mais alto depois", disse Soares.

terça-feira, 1 de julho de 2008

E Lula ainda elogia Morales

Lula assumiu a presidência temporária do Mercosul. Sabe o que ele disse? Disse que a eleições de Evo Morales como presidente da Bolívia foi a vitória mais importante da América Latina. Pois é. Depois do Índio de Araque ter roubado as refinarias da Petrobrás instaladas na Bolívia, Lula continua falando bem dele. Pois é de novo. Lula prova mais uma vez que ele adora que passem a mão na bunda. E o Brasil só vai levando.

Tem que divulgar mesmo

A Associação dos Magistrados Brasileiros quer divulgar a lista com os nomes dos políticos com fichas sujas e que vão se candidatar nas próximas eleições. A associação está certa! Tem que exigir a lista dos políticos que estão devendo alguma coisa na justiça. Que outras entidades também cobrem a lista.

Entidade divulgará "ficha suja" de candidatos

Por Cláudio Dantas Sequeira
na Folha de São Paulo

O presidente da AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros), Mozart Valadares Pires, assinará hoje, em Brasília, um ofício solicitando aos cerca de 3.200 juízes eleitorais do país que encaminhem à associação todas as "fichas sujas" dos candidatos a prefeitos e vereadores das eleições de 2008.A AMB quer disponibilizar em seu site oficial na internet as informações referentes a processos criminais e eleitorais que pesem sobre cada candidato. A princípio, a divulgação seria feita em conjunto com os Tribunais Regionais Eleitorais, que acabaram recuando e aderindo à posição do presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Carlos Ayres Britto.O prazo para a oficialização das candidaturas termina no próximo sábado, dia 5. A lei exige que o pedido de registro de candidatura seja acompanhado da declaração de bens, quitação de prestação de contas e certidões criminais, nas esferas estadual, federal e eleitoral.Em reunião há duas semanas, os presidentes dos TREs recomendaram que os juízes eleitorais acatem ao pedido da AMB, que espera processar as informações até a segunda quinzena do mês. "Queremos disponibilizar as fichas a partir do dia 15, assim que reunirmos um bom volume de informações", disse à Folha o coordenador da campanha Eleições Limpas, da AMB, Paulo Henrique Machado."Não queremos fazer lista negra de ninguém, só registrar as pendências dos candidatos. Os tribunais ficaram com medo de quebrar o princípio da imparcialidade, mas é uma informação objetiva", disse. Segundo ele, não se pode negar a divulgação de um processo criminal contra qualquer pessoa."Um processo criminal não surge do nada. O argumento de que candidatos políticos possam mover processos contra seus rivais para impedir sua candidatura é falho", afirmou o representante da AMB.
Inelegibilidade
O STF (Supremo Tribunal Federal) analisa desde ontem ação da AMB que questiona alguns dispositivos da Lei de Inelegibilidades e o entendimento do TSE de que apenas a condenação definitiva, no exame da vida pregressa dos candidatos, pode ser levada em conta para negar registros de candidatos nas eleições. O relator da ação é o ministro Celso de Mello.A AMB pediu na última sexta a concessão de liminar para determinar aos juízes eleitorais que observem nos julgamentos dos registros ações contra candidatos em trâmite na Justiça.Para a associação, a emenda constitucional de revisão 04/ 94 faz com que a Lei de Inelegibilidades tenha a finalidade de proteger a probidade administrativa e a moralidade para o exercício do mandato, considerando a vida pregressa do candidato.

Lula confirma apoio à aliança PT-PSDB e critica direção petista

Por Fábio Amato e Paulo Peixoto
na Folha de São Paulo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou ontem a direção nacional do PT, confirmou seu apoio à aliança informal entre PT e PSDB para a disputa da Prefeitura de Belo Horizonte (MG) e disse que vai participar de comícios do candidato Marcio Lacerda (PSB), apoiado tanto pelo governador de Minas Gerais, o tucano Aécio Neves, como pelo atual prefeito Fernando Pimentel (PT)."Vou participar pouco das eleições. Mas BH é uma das cidades que eu quero ir, até porque é importante a continuidade do projeto. BH está dando certo, a relação entre o prefeito e o governador tem sido boa, as divergências políticas têm que ser encaradas com uma certa naturalidade", disse Lula, após cerimônia de comemoração dos 30 anos da Helibrás, que fabrica helicópteros, em Itajubá (465 km de Belo Horizonte).Para Lula, a aliança PT-PSDB em BH é "plenamente aceitável, viável e importante". O presidente criticou a posição do PT nacional, que vetou a decisão dos diretórios municipal e estadual do partido em Minas favorável à coligação formal em torno do nome do ex-secretário estadual Márcio Lacerda. O vice de Lacerda é o deputado estadual Roberto Carvalho (PT)."Eu confesso que, depois de o PT de Minas aprovar [...], a direção nacional do partido poderia tranqüilamente apenas ter confirmado tudo o que aconteceu. Se tivesse que fazer uma repreensão ao Pimentel, que a fizesse em segredo, porque o jogo estava sendo feito à luz do dia", disse Lula.O PT nacional não aceitou que o PSDB fizesse parte da coligação porque, apesar de aliados em Minas, os tucanos fazem oposição a Lula. Além disso, há o entendimento de que a coligação poderia beneficiar Aécio em 2010 e prejudicar um possível candidato petista.Ontem, sem a presença de Aécio e de 57% dos 208 convencionais, mas seguindo a orientação do governador, o PSDB de BH aprovou por 85 votos a 3 o apoio informal à chapa PSB-PT. O partido pela primeira vez ficará oficialmente fora da disputa eleitoral na capital mineira, assim como o PPS, também vetado pela direção do PT.Lula disse ser "loucura" fazer qualquer ligação entre a aliança PT-PSDB em BH e uma possível união entre os dois partidos em 2010. Aécio seguiu o mesmo tom num primeiro momento. Mas depois disse que, com o resultado obtido em Minas, "uma porta fica aberta" para um possível entendimento no futuro.

Marta erra dados e usa verba de Lula para obras do metrô

Por Ranier Bragon
na Folha de São Paulo

Aprovado por unanimidade pela convenção que oficializou anteontem a candidatura de Marta Suplicy, o programa de governo do PT omite dados, "subtrai" quase 1.500 casos de dengue ocorridos na gestão da petista e se apropria de projeto bilionário em estudo pelo governo federal para prometer mais que dobrar as linhas de metrô e os corredores exclusivos de ônibus da cidade.Debatido por cerca de duas semanas pela coordenação da campanha -que reúne senadores, deputados federais, estaduais, vereadores e dirigentes, o projeto de 94 páginas promete "estabelecer um programa de investimentos da Prefeitura de São Paulo para a construção de mais de 78 km de metrô até 2014", além de "300 km de corredores". Se efetivada, a proposta mais que dobraria a atual malha (61,3 km de metrô e 113,5 km de corredores).O problema é que, na verdade, o investimento está em fase de análise pelo Palácio do Planalto e, se implantado, envolveria majoritariamente recursos federais, não da prefeitura. O estudo foi apresentado por Marta, quando ainda era ministra do Turismo, e envolve outros ministérios, além de investimentos para outras capitais. O objetivo é preparar o país para a Copa do Mundo de 2014.Além de fazer promessa com o "bolso alheio", o texto diz que "Marta tomou as medidas essenciais para o combate à dengue, tendo sido registrado apenas dez ocorrências da doença na cidade durante sua gestão". Na verdade, foram 1.507 entre 2001 e 2004. Os dez casos ocorreram, na verdade, em 2004, último ano da gestão Marta.O PT de São Paulo afirmou ter havido "erros de redação" no texto e que o programa está "em construção".As 94 páginas reservam amplo espaço para críticas à administração iniciada por José Serra (PSDB), hoje governador, e tocada atualmente por Gilberto Kassab (DEM). Geraldo Alckmin (PSDB) é praticamente ignorado no documento."O balanço da gestão Marta não deixa dúvidas quanto à necessidade de retomarmos os rumos de nossa complexa metrópole, cujas soluções superam em muito as expectativas de síndicos de jardins, no que se apequenaram os autopropalados eficientes gestores demo-tucanos", diz o texto.A página 56 reserva críticas ao reajuste de tarifas de ônibus feito por Serra em 2005 (17,65%) e por Kassab em 2006 (15%), nos respectivos inícios de suas gestões, mas omite o aumento de 21,7% patrocinado por Marta cinco meses após assumir o cargo, em 2001.Além disso, não há no papel o mea-culpa que a petista fez em público sobre as taxas que criou em sua administração. "A primeira orientação foi fazer mais com menos e aumentar a arrecadação com critérios de maior justiça social", afirma o texto.Outro detalhe que chama a atenção é a quase ausência de menção ao primeiro governo do PT, de Luiza Erundina (89-92), hoje no PSB. Ela tem se mostrado magoada com o veto, no próprio PSB, de seu nome para a vice de Marta.Nem Kassab nem Alckmin apresentaram ainda seus programas de governo.

BCs vêem economia global em "ponto crítico

Por Marcelo Nino
na Folha de São Paulo

Uma dupla ameaça está empurrando a economia mundial para um "ponto crítico". A convergência de inflação e desaceleração econômica é a fonte do perigo, alerta o BIS, entidade que monitora o sistema financeiro internacional e é uma espécie de banco central dos bancos centrais.Em seu relatório anual, o Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês) diz que o mundo vive a maior turbulência financeira desde a Segunda Guerra. "Uma poderosa interação entre inovação no mercado financeiro, frouxa regulamentação interna e externa e fáceis condições monetárias globais por um longo período nos levou à atual situação adversa", diz o relatório.Na prática, o relatório põe parte da culpa pela crise nos próprios BCs, por não terem mantido as taxas de juros altas o suficiente no começo da década para conter o surgimento de uma bolha de crédito.Hoje, o aumento da inflação no mundo é "um perigo claro e real", afirma o BIS, notando que a escalada dos preços preocupa principalmente em países emergentes, como o Brasil, que devem aumentar as taxas de juros e permitir a valorização de suas moedas para deter o o contágio da inflação em outras regiões do planeta.Ao mesmo tempo, a organização com sede na Suíça adverte que a economia mundial voltou a mostrar sinais de desaceleração mais acentuada e que o risco de recessão nos EUA ainda é "significativo". E reconhece que a combinação de pressão inflacionária com menor atividade econômica cria novamente um dilema para os bancos centrais, divididos entre elevar os juros para afastar o primeiro perigo ou cortá-los para enfrentar o segundo.
Desafio
"A ameaça imposta pelo ressurgimento da inflação chega justamente num momento em que os riscos ao crescimento global causados pelo acentuado aumento nos preços do petróleo e pelo aperto nas condições de crédito em algumas economias-chave aumentaram", disse o diretor-geral do BIS, Malcolm Knight. "Isso apresenta aos bancos centrais um grande desafio em política monetária."Em sua última reunião regular, há dois meses, o BIS já manifestara preocupação com o avanço da inflação, mas parecia convencido de que o pior da crise econômica mundial havia ficado para trás. E indicava que a demanda interna aquecida dos maiores países emergentes, como China, Índia e Brasil, era uma bênção capaz de compensar a desaceleração nos países industrializados.Agora, a bênção parece ter virado um perigo. "Nesses países [emergentes], as pressões causadas pela demanda continuam fortes", disse Knight. "Seria apropriado elevar os juros e permitir a valorização do câmbio para conter a inflação." Para ele, os desafios dos emergentes são "particularmente grandes", já que os preços dos alimentos consomem fatia maior do orçamento doméstico.Knight disse ainda que, com o aumento de sua participação na economia mundial, os países emergentes também passam a ter mais responsabilidades. "Os dias em que o curso do progresso econômico global era ditado por poucas economias avançadas terminaram", afirmou o gerente-geral do BIS. "O crescente peso dos países emergentes claramente trouxe vantagens, mas também cria responsabilidades internacionais."Embora o BIS deixe claro que a inflação é hoje o principal inimigo, em um de seus cenários mais pessimistas o relatório diz que o baixo crescimento poderá se prolongar por um período mais longo do que se prevê. Com os altos preços dos alimentos e do petróleo, o estouro da bolha imobiliária e a falta de crédito no mercado, a situação poderia se inverter e virar deflação, uma possibilidade remota, de acordo com o BIS, mas digna de atenção.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Primeiras análises

Iris aumenta a diferença ou E agora, Sandes?
Pesquisa Serpes-O Popular divulgada hoje mostra que Íris Rezende tem 67,6% das intenções de voto enquanto Sandes Junior tem 15,3%. Uma diferença monstruosa. A pesquisa mostra que Sandes subiu oito pontos percentuais depois que Raquel Teixeira e Demóstenes Torres tiraram seus nomes da disputa. Íris também cresceu nove pontos percentuais. Resta fazer a seguinte pergunta para Sandes Júnior: E agora?
1998 e 2002
O governador de Goiás Alcides Rodrigues, o popular Cidinho, apóia a candidatura de Sandes. Seus aliados sempre relembram as eleições de 1998 e 2002 quando Íris também era favorito e, no decorrer da campanha, perdeu as duas eleições. Pois é, mas em 2004 o dinossauro Íris voltou e venceu as eleições para a Prefeitura de Goiânia. Aliás, nestas mesmas eleições, Sandes Júnior nem foi para o segundo turno. Os que lembram da vitória do Tempo Novo sobre o favorito Íris sempre ressaltam que os partidos estavam unidos. Até agora Sandes não conseguiu unir os partidos do Tempo Novo. Basta ver as matérias dos jornais daqui de Goiânia que mostram a ausência das lideranças aliadas na convenção do PP que confirmou o nome de Sandes Junior para a disputa pela Prefeitura de Goiânia.
PT com Íris
Íris Rezende é candidato à reeleição. Terá como vice o petista Paulo Garcia. O apoio do PT ajuda e muito a candidatura peemedebista. E o PT apóia Íris porque não é bobo. Sabe que o prefeito vai sair da prefeitura em 2010 para se candidatar ao governo do Estado. Sabe que a partir de 2010 assumirá a Prefeitura de Goiânia outra vez podendo até pensar nas próximas eleições municiais de 2012. Em 2004, o PT bateu muito na tecla que Íris, caso fosse eleito prefeito, deixaria o Paço Municipal em 2006 para se candidatar ao Palácio das Esmeraldas. Agora, com o apoio do PT, o PMDB pode planejar as eleições estaduais de 2010 tendo o nome de Íris Rezende livre de qualquer pressão sobre a sua possível saída. Aliás, Paulo Garcia mesmo disse na convenção do PMDB ontem que a aliança com Íris é de médio e longo prazo. Ou seja, o PT assumir a prefeitura em 2010 e tentar a reeleição em 2012.
E como bater Iris?
Vai ser difícil bater em Íris Rezende nas eleições deste ano. Este blogueiro não morre de amores, mas tem que admitir que vai ser difícil bater no velhinho. Ele não fez somente asfalto. Tem os parques, as praças. Até na cultura Íris fez alguma coisa. Os intelekituwaiwais ficaram até surpresos. Mas tem a questão do transporte coletivo. Em 2004, Íris disse que, nos seis primeiros meses de sua gestão, resolveria os problemas do transporte coletivo. Ele não cumpriu sua promessa. Pode-se até dizer que a prefeitura comprou 300, 400 ou 500 novos ônibus (novos?), mas isso não resolve o problema. Tem também a questão do trânsito que, a cada dia que passa, só piora. Vamos ver como é que os candidatos vão se comportar. Vamos ver se Sandes Junior vai bater firme contra Íris, se vai reverter um pouco a diferença. E vamos ver se Íris Rezende outra vez favorito vai colocar em prática o discurso “Sandálias da Humildade” amplamente divulgado na convenção de ontem.

E o São Paulo empatou

Meu pai e eu acompanhamos só o primeiro tempo do jogo do São Paulo contra o Cruzeiro no Mineirão. Um primeiro tempo em que o Cruzeiro jogou muito mais que o São Paulo e que mereceu descer para o vestiário com um gol de vantagem. Não vimos o segundo tempo, mas li no Blog do Juca Kfouri que o São Paulo voltou a campo bem melhor e, aos 40 segundo da etapa complementar, Borges recebeu um bonito passe de Richarlyson e marcou o gol de empate do Tricolor do Morumbi. Aos poucos o São Paulo vai mostrando que sabe fazer gols mesmo sem o Adriano.

Beneficiando Dona Supla

E Geraldo Alckmin já começou a criticar a gestão Gilberto Kassab. Disse que a iluminação da cidade é precária, que os ônibus andam “a 9 por hora”, que faltam vagas nas creches e nos hospitais. Enfim, parecia até que Alckmin era de um partido da oposição. Continuo com a opinião de que a candidatura de Alckmin só vai atrapalhar a candidatura de Kassab. Alckmin atrapalhando Kassab só pode beneficiar Dona Supla.

MST anuncia ofensiva para cobrar assentamentos no Pontal

Por José Maria Tomazela
no Estado de São Paulo

O Movimento dos Sem-Terra (MST) encontrou na demora do licenciamento ambiental para novos assentamentos mais um motivo para confrontar o governo estadual em ano de eleições municipais. No Pontal do Paranapanema, extremo oeste do Estado de São Paulo, áreas foram desapropriadas há até quatro anos, mas o assentamento das famílias não foi autorizado por falta de aprovação pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente, segundo o MST. De acordo com o coordenador regional Valmir Rodrigues Chaves, o secretário Xico Graziano deverá ser cobrado durante a visita que fará hoje à região. "Faremos com que ele saiba que há um grande descontentamento com essa situação." Graziano inaugura um portal no Parque Estadual do Morro do Diabo e lança projeto ecológico num assentamento em Teodoro Sampaio - cidade que é a principal base do MST no Pontal. Chaves disse que o governo estadual "tem feito de tudo" para dificultar o assentamento de famílias que permanecem acampadas na região. "Muitas estão debaixo da lona preta faz seis anos ou mais." Ele citou como exemplo o projeto de lei do governador José Serra (PSDB) que propõe a regularização das áreas com mais de 500 hectares, objeto de disputa entre os fazendeiros, que se consideram proprietários legítimos, e o Estado, que diz serem terras devolutas. A pendência envolve 275 mil hectares - mais que suficientes para assentar todos os sem-terra da região, segundo o MST. O projeto está na Assembléia e deve ser votado neste ano, mas sua aprovação, segundo Chaves, inviabiliza a reforma agrária. Ele disse que as terras já estão sendo arrendadas para usinas de cana. Integrantes do movimento ligados ao líder José Rainha Júnior preparam uma grande marcha para protestar contra o que consideram uma "política do Estado a favor do agronegócio" na região. A manifestação ocorrerá entre os dias 23 e 25 de julho e terá três frentes, partindo respectivamente de Tarabai, Rancharia e Santo Anastácio. Na chegada, no dia 25, Dia do Agricultor, em Presidente Prudente, os manifestantes esperam ser recebidos por integrantes do Ministério Público Estadual e da Igreja Católica. José Rainha, que está afastado dos postos de coordenação do MST, mas lidera um grande número de acampamentos na região, disse que o governo estadual foi rápido para licenciar uma usina de açúcar e álcool do grupo Odebrecht em Mirante do Paranapanema. "A licença saiu em menos de dois anos, enquanto para os assentamentos a demora já tem quatro anos e ainda não saiu." É o caso, segundo ele, da Fazenda Porto Maria, em Rosana, desapropriada no início de 2004. Já a fazenda Santo Expedito, em Teodoro Sampaio, aguarda a licença ambiental há três anos. Outros dois projetos de assentamento, nas Fazendas São Camilo, em Presidente Venceslau, e Asa Branca, em Mirante do Paranapanema, estão na fila de licenciamento. "Os trabalhadores estavam dentro das áreas. O governo pediu para que saíssem, mas não deu a licença ambiental."A Secretaria do Meio Ambiente informou que a licença prévia para o assentamento de Porto Maria já foi concedida, mas a de instalação, fase final do processo, só ocorreu no dia 12 de junho. De acordo com a secretaria, normalmente a demora entre o pedido e a expedição da licença se deve a documentação incompleta.
VILÕES
Rainha disse que a marcha pretende mostrar "quem são os vilões" do meio ambiente na região. "O grande impacto ambiental no Pontal foi criado pelas hidrelétricas nos rios Paraná e Paranapanema, agravado pelo desmatamento promovido pela pecuária extensiva", acusou. O líder sem-terra disse que não é contra a produção de açúcar e álcool, desde que o trabalhador seja respeitado. "O que não pode é virar tudo canavial, tirando o espaço da agricultura familiar, que produz empregos e alimentos."A marcha terá a participação de sindicatos rurais ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT) e de integrantes de outros movimentos de sem-terra, como Trabalhadores Unidos pela Terra (Uniterra), Movimento dos Agricultores Sem-Terra (Mast) e Movimento Terra Brasil.

EUA ameaçam barrar especulação

Por Patrícia Campos Mello
no Estado de São Paulo

Quatro anos atrás, o barril do petróleo custava US$ 40. Na sexta-feira, fechou em US$ 140,21. Muitos prevêem que chegará aos US$ 180 no fim do verão do Hemisfério Norte. Para muitos legisladores, só oferta e demanda não explicam esses preços recordes. Há algo de podre no mercado de papéis futuros de petróleo.Na semana passada, o senador americano Joe Lieberman propôs uma série de medidas para acabar com a especulação no mercado de petróleo. O democrata Lieberman, assim como um número crescente de especialistas, acha que o aumento da demanda da China e da Índia, a queda do dólar, a falta de investimento e redução na produção não são os únicos culpados pelo preço recorde do petróleo, que se aproxima de US$ 150. Especulação no mercado futuro está por trás de grande parte da alta dos preços. Segundo alguns analistas, se os especuladores fossem banidos do mercado, o barril poderia cair para até US$ 60. Em ano eleitoral, a alta nos combustíveis é um tema explosivo. O Congresso americano realizou mais de 50 audiências para investigar as causas da alta do petróleo. Só na semana passada, foram 16 audiências. Lieberman propõe banir os fundos de pensão e de hedge do mercado de petróleo. Esses fundos, que investiam pouco mais de US$ 15 bilhões em commodities até o ano 2000, hoje ultrapassam os US$ 250 bilhões. Em seu programa de energia, o candidato democrata Barack Obama também promete fechar o cerco contra a especulação no mercado de petróleo. Ele propõe a eliminação da chamada "brecha Enron", que isenta vários investidores em energia de regulamentações. A Enron se beneficiou disso, daí o nome. Obama também prega uma maior transparência dos fundos que seguem índices de commodities e um aumento no porcentual da aplicação que os investidores precisam depositar, que é a margem. Grande parte dos compradores de títulos futuros não é especulador: são as linhas aéreas, empresas de transportes e outros que adquirem papéis que permitem comprar petróleo a certo preço no futuro, para se proteger das oscilações de preços. Mas muitos fundos usam esses papéis para rechear seus portfólios de investimento e vêm aumentando muito suas compras, principalmente aqueles que apostam que o preço vai continuar subindo. (ler ao lado)Michael Masters, dono do fundo hedge Masters Capital Management, diz que há um choque de demanda por causa desses novos participantes no mercado futuro de commodities, investidores institucionais como fundos de pensão, fundos hedge e fundos soberanos. Masters calcula que o aumento da demanda da China, de 920 milhões de barris por ano, é semelhante ao aumento da demanda desses fundos por papéis futuros de petróleo, equivalente a 848 milhões barris. O órgão de supervisão desse mercado, a Comissão de Negociação de Papéis de Petróleo Futuro, afirma que a influência dos especuladores sobre os preços é mínima e a alta se deve a fatores de oferta e demanda.Mas vários observadores acreditam que a influência dos especuladores sobre o preço é grande. "A especulação afeta cada vez mais o preço do petróleo", disse ao jornal Daily Telegraph o megainvestidor George Soros. "O preço segue uma trajetória característica de bolhas." Ali al-Naimi, ministro do Petróleo da Arábia Saudita, declarou que o boom nos preços é causado por investidores e não por falta de oferta. Em audiência no Senado, John Hofmeister, presidente da Shell, disse que o barril deveria custar entre US$ 35 e US$ 60. "Nunca vimos tanto dinheiro fluindo para commodities. É é como se as commodities tivessem sido promovidas a grau de investimento. Antes, eram consideradas um investimento altamente arriscado, mas agora todos os fundos de pensão investem nisso", diz Charles Maxwell, pesquisador sênior da Weeden & Co que estuda petróleo há 50 anos. Maxwell acredita que certamente essa migração de recursos influencia no preço. Mas, para ele, o maior combustível para a alta de preços é mesmo a falta de um amortecedor entre oferta e demanda. "Sempre tivemos uma oferta 10% acima da demanda; agora, se não incluirmos a capacidade de produção de petróleo de má qualidade, a sobra não chega a 0,25% da demanda", afirma. "Por isso, o preço não pára de subir. Sabemos que, caso haja qualquer problema, não existe capacidade ociosa para tapar o buraco." Ou seja, o mercado está à mercê de qualquer probleminha na Venezuela, Irã ou Rússia.Para Daniel Yergin, diretor-gerente da Cambridge Energy e autor do best-seller O Prêmio, há uma combinação de fatores, além da dita especulação. A alta nos custos de pesquisa e desenvolvimento de novos campos, combinada com o crescimento de demanda em países emergentes, é um fator determinante. Muitos países com rápido crescimento de demanda, como a China, mantêm os preços domésticos do petróleo artificialmente baixos por causa de subsídios, então a demanda não cai como seria o natural em um ambiente de altos preços, embora a China tenha anunciado recentemente que vai cortar parte desses subsídios. Muitos especialistas apontam para o perigo de fazer dos especuladores um bode expiatório dessa crise. Maxwell, da Weeden & Co, acha que o Congresso está exagerando e as medidas para coibir especulação vão afugentar investidores dos EUA. "Os investidores vão migrar para outras bolsas para aplicar em petróleo, os EUA vão perder esse dinheiro", diz.

"Apagão" do gás ameaça a expansão industrial no país

Por Agnaldo Brito
na Folha de São Paulo

Um "apagão" na oferta de gás natural na região Sudeste fez vários setores industriais, entre os quais químico, cerâmico, têxtil e de vidro, abandonarem parte dos projetos de investimento. As expansões que dependam de nova oferta de gás natural foram paralisadas. A Comgás, maior distribuidora do país, cancelou todas as negociações para vender mais gás.A situação é a mesma no Rio de Janeiro. As concessionárias CEG e CEG-Rio, além de não negociarem expansões, discutem a mudança de contrato para combustíveis substitutos, como o GLP (gás liquefeito de petróleo) ou óleo combustível.A Bayer, por exemplo, negocia um novo contrato que permitirá a substituição de até 50 mil metros cúbicos por dia de gás por óleo combustível. "Estamos discutindo com quem ficará essa conta", diz Roberto Salvador, gerente de energia da unidade de Belford Roxo (RJ).A Comgás afirma que até 2010 não há como ofertar mais gás para a indústria. Enquanto o governo paulista tenta mensurar o investimento abortado, a Secretaria de Energia, a Fiesp e a Comgás preparam uma estratégia para pressionar a Petrobras a assinar um pré-contrato de oferta de gás. A idéia é que o documento sirva de lastro para negociar uma expansão de oferta à indústria.Não há garantia de que haja resultado. O problema é o desconhecimento sobre os projetos do Plangás (Plano de Aceleração da Produção de Gás Natural). Lançado em 2006, no calor da crise provocada pela nacionalização promovida pelo presidente boliviano Evo Morales, o plano fixou metas para elevar até 2012 a produção nacional de gás natural. A previsão da Petrobras é alcançar, até o fim deste ano, 45,7 milhões de metros cúbicos.Para o Sudeste, base do parque industrial brasileiro, a promessa da Petrobras é elevar a produção a 40 milhões de m3/ dia até o fim do ano. Segundo a secretária de Energia de São Paulo, Dilma Pena, não há por enquanto qualquer expectativa de que essa meta seja alcançada. Acompanhamento da Comgás demonstra que dos sete projetos previstos para 2008 nenhum entrou em operação.Entre eles está a produção em campos de gás não associado (apenas gás sem petróleo) da bacia do Espírito Santo (Camarupim e Canapu). Entre os poços de gás associado (com petróleo) estão Jabuti, as plataformas P-51 e P-53 (Marlim Sul Módulo 2 e Marlim Leste, respectivamente) e o campo de Lagosta, este da bacia de Santos, que produzirá com o declinante campo de Merluza. "Tudo o que está ofertado da Petrobras às três concessionárias paulistas foi contratado. A situação é de empate entre oferta e demanda", diz Pena.
Pé no freio
Companhias enfrentam neste momento restrições de investimento ante a falta de perspectiva de oferta segura de gás. Na renegociação assinada em dezembro do ano passado, a Comgás fechou contratos para 6 milhões de metros cúbicos de gás por dia. O problema é que 1,5 milhão de metros cúbicos desse gás nacional está na modalidade de contrato interruptível. "Ninguém vai assinar um contrato de suprimento de gás com uma cláusula dessa", diz Lucien Bernard Mulder Belmonte, superintendente da Abividro (Associação Técnica Brasileira das Indústrias Automáticas de Vidro).Uma das indústrias de vidro, diz Belmonte, tem neste momento 30 milhões de investimento em expansão parados por falta de 10 mil m3/dia. "É um volume ínfimo. Pois nem isso tem sido atendido", afirma Belmonte. Não é o único setor. A direção da Bayer engavetou projetos de expansão da produção de poliuretano na unidade petroquímica de Belford Roxo (RJ). "Não sabemos qual seria o investimento, mas diante da situação atual não há como discutir ampliações de consumo", diz o gerente Roberto Salvador.A indústria do pólo de Santa Gertrudes (SP), que responde por 67% do revestimento cerâmico consumido no Brasil, vive sua maior restrição de crescimento. Com cinco linhas, a Cecafi Revestimento Cerâmico enfrenta o problema. Neste mês, recebeu da Comgás o aviso de que teria o fornecimento reduzido para os níveis do contrato original. Os 6% de demanda adicional foram cortados com medidas operacionais nas linhas, o que incluiu a redução da produtividade.A preocupação agora é com a impossibilidade de crescimento. A expansão da construção civil, que neste momento impulsionou a compra de material básico de construção, deverá alcançar a fase de acabamento. "Justamente no momento em que o setor pode aproveitar a maior demanda não teremos como crescer", diz Valdir Júnior, diretor da Cecafi.

Cúpula tucana intervém, e PSDB homologa candidatura própria

Por Graciliano Rocha
na Folha de São Paulo

Após uma operação da cúpula nacional do PSDB, o partido homologou ontem o nome de Nelson Marchezan Júnior como candidato a prefeito de Porto Alegre.Para a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), a candidatura própria foi uma solução intermediária: os tucanos não apoiarão a reeleição do peemedebista José Fogaça, como o governo queria, na intenção de reforçar o laço com o PMDB, seu principal aliado na Assembléia, nem subirão no palanque de Onyx Lorenzoni, do DEM, partido do vice-governador Paulo Feijó, inimigo político de Yeda.A candidatura própria foi sacramentada anteontem, após apelo do presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE). Guerra ligou para Marchezan, até então o principal defensor da aliança com o DEM, e disse que sua candidatura teria respaldo da direção nacional tucana.O candidato ainda busca uma coligação com partidos nanicos e um nome para completar a chapa. "Por enquanto, só temos o candidato", disse Marchezan.Ao lado da vice-presidente nacional do PSDB, senadora Marisa Serrano (MS), Yeda prometeu apoio a Marchezan e fez um balanço da crise política que já derrubou quatro de seus secretários.Yeda culpou antecessores pelo desvio de R$ 44 milhões no Detran (Departamento Estadual de Trânsito) entre 2003 e 2007, alvo de operação da Polícia Federal em novembro do ano passado, dez meses depois de sua posse.O PMDB oficializou ontem a candidatura de Fogaça à reeleição. Ele tem o apoio do PDT e do PTB. Também já foram homologadas as candidaturas de Maria do Rosário (PT), Manuela D'Ávila (PC do B) e Luciana Genro (PSOL).

PC do B lança Jandira e reclama de falta de apoio dos petistas

Na Folha de São Paulo

O PC do B formalizou ontem a candidatura da ex-deputada federal Jandira Feghali à prefeitura reclamando com veemência do PT pela não-retribuição do apoio dado em São Paulo ao nome de Marta Suplicy. Reclamaram o ministro Orlando Silva (Esporte), o presidente do partido, Renato Rabelo, e a própria candidata.Segundo pesquisa Datafolha de março, Jandira está tecnicamente empatada na liderança das intenções de voto com Marcelo Crivella (PRB). Ela tem 18 pontos percentuais, e ele, 20.O tom da convenção foi de evidente contrariedade pelo fato de o PT não ter abdicado da pré-candidatura de Alessandro Molon, mesmo após Aldo Rebelo ter cedido espaço em benefício da ex-prefeita petista em São Paulo. Também criticaram o PDT, que manteve a candidatura de Paulo Ramos à prefeitura."Levamos em conta o apelo de Lula em São Paulo. Retiramos a candidatura de uma liderança da expressão de Aldo Rebelo, e, no Rio, não houve retribuição, não conseguimos unir as forças da esquerda", afirmou Rabelo.Para Jandira, "falta de bom senso, projetos pessoais de poder e disputas internas nos partidos" impediram uma aliança em torno do seu nome. Ela conseguiu apoio do PRTB, PTN e PHS.A Folha procurou Molon, e o presidente estadual do PT, Alberto Cantalice, mas eles não foram encontrados.
Democratas
Durante convenção que oficializou Solange Amaral como candidata do DEM à prefeitura, o atual prefeito do Rio, Cesar Maia, disse que vai se candidatar ao Senado. "Vou procurar emprego e depois volto em 2010 como candidato a senador."

PSB lança Lacerda com vice do PT e apoio informal de Aécio

Por Paulo Peixoto
na Folha de São Paulo

Após o PSB homologar ontem a chapa formada pelo ex-secretário de Estado Marcio Lacerda e o deputado estadual Roberto Carvalho (PT) para a disputa da Prefeitura de Belo Horizonte, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), anunciará hoje, na convenção tucana, o apoio informal do partido à dupla. Antes da convenção, Aécio e o prefeito petista de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, idealizadores da aliança PT-PSDB, farão um último esforço junto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Eles têm o apoio declarado do presidente à aliança e mantêm a esperança de que mais um apelo de Lula possa mudar a posição da direção nacional do PT. O PT nacional não aceita o PSDB de Aécio formalmente na aliança, porque o PSDB faz oposição ao governo federal no Congresso e, sobretudo, por avaliar que a coligação pode beneficiar o tucano na corrida presidencial de 2010 -situação que, em tese, prejudicaria um eventual candidato petista à sucessão de Lula. Em nota conjunta divulgada na última sexta por PSDB e PPS, outro rejeitado pela direção nacional do PT, os dois partidos já sinalizavam que o caminho da informalidade é um gesto "generoso e responsável". O efeito prático da participação informal do PSDB na aliança é que a chapa não teria o tempo de TV do PSDB e do PPS, além de Aécio ficar impedido de aparecer nos programas eleitorais.
Convenção
Na convenção do PSB ontem, na Assembléia Legislativa, Pimentel mandou recado à Executiva Nacional do PT. "Tentaram impedir o entendimento político superior que há em Minas Gerais entre o governador, o prefeito e o presidente. Não conseguiram, estamos juntos." Lacerda minimizou as conseqüências da falta de apoio formal do PSDB. "Acho que a generosidade do PSDB e do PPS em apoiar demonstra que existe por trás dessa decisão uma força muito grande."

Marta corteja classe média e ataca gestão Serra-Kassab

Por Ranier Bragon e Cláudio Dantas Sequeira
na Folha de São Paulo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não compareceu, mas a convenção que lançou ontem a candidatura de Marta Suplicy (PT) à Prefeitura de São Paulo escancarou a estratégia de usá-lo como principal cabo eleitoral da campanha.Diante de uma foto de Marta e Lula lado a lado e ao som de um samba e de um forró que remetiam a antigos jingles do presidente -como o "deixa ela trabalhar" e "eu quero Marta lá"-, cerca de 2.500 militantes do PT aprovaram a coligação com PC do B (Aldo Rebelo será o vice), PSB, PDT, PRB e PTN.Em seu discurso, Marta explorou a divisão tucana -"Aqui, estamos unidos"-, distribuiu promessas à classe média -"Poderemos ampliar a inclusão dos mais pobres e sustentar a ascensão social daqueles que compõem a novíssima classe média"- e centrou críticas no prefeito Gilberto Kassab (DEM) e no governador José Serra (PSDB), acusados de promover "enrolação social" e soluções "faz-de-conta"."Serra assumiu [a prefeitura, em 2005] fazendo graça de melhor ministro da Saúde. Não teve desempenho à altura do alarde feito." O afago à classe média é estratégia da petista para reconquistar apoio nesse estrato paulistano, crítico na gestão dela (2001-2004) da criação da taxa do lixo, entre outras medidas.Sobre Geraldo Alckmin (PSDB), houve apenas uma menção, relativa às escolas de lata que ele teria copiado da gestão municipal "Pitta-Kassab". O prefeito foi secretário de Celso Pitta (1997-2000).A petista disse que centrará sua administração na "inovação, participação e inclusão". "Tenho orgulho de ser companheira histórica do presidente Lula, de ter participado do seu governo e de ter o seu apoio."
"Fator Lula"
O "fator Lula" levou dirigentes do partido a falar pela primeira vez em vitória no primeiro turno. "Para derrotar a Marta, o PSDB e o DEM terão que derrotar o PT, o PSB, o PDT, o PC do B e passar por cima do presidente Lula. Eles sabem que isso é praticamente intransponível, então temos que trabalhar para Marta vencer no primeiro turno", discursou o presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia.Realizado ao custo de R$ 85 mil em uma casa de eventos da zona oeste, a convenção contou com "chuva" de estrelas brilhantes. Apenas um ministro -o sucessor de Marta no Turismo, Luiz Barretto- apareceu.O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva (PDT), não foi, embora tenha subido ao palanque na convenção pedetista da véspera. Ele é investigado por suspeita de participação em esquema de desvio de recursos públicos."Não fazemos justiça com as próprias mãos. Nós respeitamos o Paulinho. Seu apoio é importante", disse Aldo à Folha. De manhã, um pequeno grupo de petistas rechaçou a aliança."Aqui não é jogo de partidos que inventaram parentesco para ganhar eleição", afirmou Marta, se esquecendo que o PT tentou se aliar ao PMDB e ao PR, que fecharam com Kassab.

domingo, 29 de junho de 2008

Inquérito de dossiê anti-FHC está parado

Por Lucas Ferraz
na Folha de São Paulo

Inicialmente previsto para ser concluído nos primeiros dias de julho, o inquérito da Polícia Federal que investiga a confecção e o vazamento do dossiê produzido pela Casa Civil com gastos sigilosos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) está parado desde o início de junho.Antes de ouvir funcionários considerados essenciais na elaboração do material e sem concluir o inquérito, o delegado Sérgio Menezes o encaminhou ao Ministério Público Federal motivado por uma representação do PSDB sobre o envolvimento de autoridades com foro privilegiado. O único indiciado até o momento foi o então secretário de controle interno da Casa Civil, José Aparecido Nunes Pires, por quebrar o sigilo funcional. Ele vazou o dossiê.Conforme a Folha revelou, o dossiê foi montado dentro da Casa Civil, em fevereiro, antes da instalação da CPI dos Cartões. A ordem para a confecção do material partiu de Erenice Guerra, secretária-executiva da pasta e braço direito da ministra Dilma Rousseff. Ela e o secretário de administração da pasta, Norberto Temóteo, ainda não foram ouvidos pela PF.Com a decisão do delegado de enviar o inquérito ao Ministério Público, caberá à Procuradoria Geral da República apresentar parecer se posicionando pela investigação no STF (Supremo Tribunal Federal), mas o inquérito tampouco chegou às mãos do procurador.O fato foi motivado por uma representação do PSDB, de março, em que o partido pede para Antonio Fernando Souza investigar a suposta participação na confecção do material de Dilma e a responsabilidade no caso dos ministros do Planejamento (Paulo Bernardo) e da CGU (Controladoria Geral da União), Jorge Hage, e do deputado Pepe Vargas (PT-RS).A representação foi apresentada ao delegado na primeira semana do mês pelo deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP). Menezes anexou o documento ao inquérito e o mandou ao Ministério Público do DF -que o enviou à Justiça Federal.A praxe em investigações policiais é o delegado concluir o inquérito e, caso haja indícios de participação de autoridades com foro, solicitar ao STF a ampliação das investigações.Na Operação Santa Tereza (sobre fraudes em empréstimos de recursos públicos), a PF não tinha como foco o suposto envolvimento do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), mas, sem suspender a investigação, enviou o relatório ao Ministério Público, que pediu ao STF que investigasse o congressista -decisão acatada.Ao remeter o inquérito com a representação ao Ministério Público Federal, o delegado joga a decisão de ampliar a investigação para Antonio Fernando sem ao menos concluir o inquérito, iniciado em abril.A Folha não localizou o delegado. Segundo a Procuradoria, não há prazo para o procurador analisar o caso. Se o parecer pedir investigação do STF, novas diligências devem ser feitas. Caso contrário, o inquérito volta ao delegado com novo prazo.

Dobradinha do PSDB com o PT só enfrenta resistência em BH

Na Folha de São Paulo

O dilema que envolve Belo Horizonte, o quarto maior colégio eleitoral do país, onde a dobradinha PT-PSDB não deverá ser oficializada apesar do empenho do governador Aécio Neves (PSDB) e do prefeito Fernando Pimentel (PT), não se repete país afora. Mais: nas principais cidades do país, há pelo menos 12 casos em que o PT vai às urnas junto com tucanos, DEM ou PPS.O mapa das coligações feito pela Folha permanece em aberto já que alguns casos são passíveis de reviravolta até amanhã, prazo final para que os partidos realizem suas convenções municipais. PSDB e PT realizam suas convenções amanhã na capital mineira.O levantamento mostra que, se a Executiva Nacional do PT adotasse o mesmo critério dos demais municípios, tucanos e petistas poderiam estar lado a lado na chapa encabeçada por Márcio Lacerda (PSB), ex-secretário de Aécio.O argumento do PT é que, nos 12 casos semelhantes ao da capital mineira -cidades com densidade eleitoral de mais de 200 mil habitantes-, o partido encabeçaria a chapa. Pelas contas dos dois partidos, em números gerais, eles poderão estar juntos em até 200 dos mais de 5.000 municípios -foram 120 em 2004.As negociações para ter PT e PSDB unidos em Belo Horizonte envolveram até o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas, com vistas à eleição ao Palácio do Planalto em 2010, na qual Aécio é um dos nomes cotados para concorrer pelo PSDB, o PT vetou. Um dos principais opositores à costura foi o ministro Patrus Ananias (Desenvolvimento Social)."A leitura foi exagerada, de que a aliança local tinha interpretação nacional por conta de 2010", disse o prefeito da capital mineira, Fernando Pimentel (PT), um dos principais atores da tentativa de aliança.
Pelo país
Em Sergipe, o governador Marcelo Déda (PT) articulou uma ampla aliança política em Aracaju, com sete dos maiores partidos no Estado, incluindo o PSDB e o PPS. O candidato à reeleição, Edvaldo Nogueira (PC do B), era vice de Déda. Ele enfrentará o grupo do senador Almeida Lima (PMDB).Fora das capitais, nas grandes cidades, há vários casos similares, como o de Juiz de Fora (MG), de Pelotas (RS) e o de Carapicuíba (SP). Nesta última capital, o PT estará com o DEM, seu oposicionista mais ferrenho no plano federal."A cidade avaliou como natural, porque o candidato é presidente do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo e apoiou Lula em 2006. As pessoas achariam estranho se ele não estivesse com a gente", diz Sérgio Ribeiro, candidato do PT à prefeitura, que terá como vice o democrata Salim Reis.