quarta-feira, 4 de junho de 2008

Ex-diretora da Anac acusa Casa Civil de favorecer comprador da Varig

Por Mariana Barbosa e Ricardo Grinbaum
no Estado de São Paulo

Uma briga entre sócios da empresa de transporte aéreo de cargas VarigLog está trazendo à tona informações que circulavam apenas no submundo dos negócios, relacionadas à venda da Varig, em 2006 e 2007. O fundo de investimentos americano Matlin Patterson e os sócios brasileiros Marco Antônio Audi, Marcos Haftel e Luiz Gallo disputam na Justiça o comando da VarigLog. No bate-boca entre os sócios, surgiram histórias de tráfico de influência, abuso de poder pelo primeiro escalão do governo, acusações de suborno e a elaboração de um dossiê falso. As denúncias envolvem o Palácio do Planalto e o advogado Roberto Teixeira.Para falar sobre esse tumultuado período da aviação brasileira, a reportagem procurou a ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) Denise Abreu. Ela deixou o cargo em agosto de 2007, sob pesadas críticas e acusações durante a CPI do Apagão Aéreo. Chegou a ser responsabilizada pelo caos aéreo e pelo acidente da TAM. Também foi acusada de fazer lobby para a TAM. Embora não fosse presidente da agência, por seu estilo agressivo, era considerada a diretora mais forte. E ficou conhecida pela foto publicada no Estado em que aparece fumando um charuto no casamento da filha do colega de agência, Leur Lomanto, em Salvador, no auge do apagão aéreo. Agora, quer dar sua versão dos fatos. "Não consigo mais trabalhar, preciso me defender e contar o que sei", diz ela, que acredita ter sido alvo de armação. "Eu sequer fumo charuto."Denise conta que foi pressionada pela ministra Dilma Rousseff e pela secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, a tomar decisões favoráveis à venda da VarigLog e da Varig ao fundo americano Matlin Patterson e aos três sócios brasileiros. Como a lei brasileira proíbe estrangeiros de ter mais de 20% do capital das companhias aéreas, a diretora queria documentos comprovando a origem de capital e a declaração de renda dos sócios brasileiros para verificar se tinham recursos para a compra. "A ministra não queria que eu exigisse os documentos. Dizia que era da alçada do Banco Central e da Receita e falou que era muito difícil fazer qualquer tipo de análise tentando estudar o Imposto de Renda porque era muito comum as pessoas sonegarem no Brasil."Quem representava os compradores da VarigLog e da Varig era o escritório do advogado Roberto Teixeira, amigo do presidente Lula. Na Anac, a filha e o genro de Teixeira, os advogados Valeska Teixeira e Cristiano Martins, circulavam livremente, conta Denise. Ela descreve a atuação de Valeska como truculenta. "Ela liga direto da reunião para o pai. Sabe pressão psicológica? Ao fim da reunião, ela diz: agora temos de ir embora porque papai já está no gabinete do presidente Lula."Outro personagem importante desse período da aviação brasileira, o empresário Marco Antônio Audi, sócio da VarigLog, também falou sobre o episódio. Hoje afastado da gestão da VarigLog pela Justiça de São Paulo - que acusa ele e dois sócios de serem "laranjas" do fundo americano -, Audi diz que só foi possível aprovar a compra da VarigLog pela influência de Teixeira no governo e na Anac. "Paguei US$ 5 milhões ao Roberto Teixeira para cuidar do caso", diz Audi.Com a aprovação da compra da VarigLog pelo fundo Matlin e seus sócios brasileiros, eles puderam levar a Varig, em leilão, por US$ 24 milhões. Meses mais tarde, a empresa foi revendida à Gol, por US$ 320 milhões.Hoje, Teixeira advoga para o maior inimigo de Audi, Lap Chan, representante do Matlin Patterson. "Tenho medo do Roberto Teixeira.", diz Audi. Durante o processo de dissolução societária na 17ª Vara de São Paulo, o juiz José Paulo Magano viu indícios de "prática de ilícitos civis e criminais, inclusive crime de quadrilha" e determinou que o Ministério Público e a Polícia Federal investiguem os sócios da VarigLog e o escritório de Teixeira. Procurados ao longo da apuração para falar sobre o assunto, a ministra Dilma e o advogado Teixeira não quiseram se manifestar.

Com margem apertada, governistas esperam votar hoje a nova CPMF

Na Folha de São Paulo

Apesar do número apertado de apoios, a base aliada ao governo promete votar hoje, na Câmara, o projeto que regulamenta a emenda 29 e que cria a nova versão da CPMF, a CSS (Contribuição Social da Saúde). Depois de um dia inteiro de reuniões, os governistas disseram ter conseguido 282 votos, 25 a mais que os 257 necessários para aprovar a proposta.A expectativa dos líderes era conseguir reunir até o início da discussão da nova contribuição, marcada para a manhã de hoje, o apoio de ao menos 290 congressistas. Caso contrário, a base não descarta novo adiamento, já que há um grande risco de o projeto ser derrotado.O texto final que regulamenta o repasse de verbas para a saúde e cria o novo imposto, com alíquota de 0,1% sobre as movimentações financeiras, foi finalizado no fim da tarde de ontem e será usado para tentar convencer mais deputados a votarem a favor da proposta.O vice-presidente da Frente Parlamentar da Saúde, deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), até agora contrário a criação do novo imposto, disse ter sido convencido pelo governo."Conversei o máximo que pude com o governo e eles estão irredutíveis, só aprovam [o projeto que regulamenta a emenda 29] com o novo imposto. Por isso, diante da necessidade de mais dinheiro para a saúde eu me curvo. O meu pensamento evoluiu, não tem jeito", disse.A votação da criação da CSS estava na pauta de ontem, mas a base decidiu transferir a discussão para hoje. O líder do governo, Henrique Fontana (PT-RS), minimizou a dificuldade de reunir o número de votos para a aprovação da proposta e disse que o motivo de mais um adiamento é o fato de a oposição obstruir a votação de uma medida provisória que tranca a pauta. O próprio relator do projeto, deputado Pepe Vargas (PT-RS), admite a incerteza sobre o número de votos.

Relatório de CPI não aponta erro em uso de cartão

Por Andreza Matais
na Folha de São Paulo

O relatório final da CPI dos Cartões, apresentado ontem pelo deputado Luiz Sérgio (PT), não admite irregularidades no uso dos cartões corporativos da parte dos ministros do atual governo, diz que na gestão passada se cometeu "erros e delitos muito mais graves" e ignora o caso do dossiê que revelou gastos da gestão FHC. Não há pedidos de indiciamento.O texto, que será votado na quinta, reserva 666 páginas, incluindo os anexos, para os "erros" de ex-ministros tucanos -Raul Jungmann, Paulo Renato, Martus Tavares, Pimenta da Veiga e Francisco Weffort- e 43 para falar de "equívocos" de ministros de Lula -Orlando Silva (Esporte), Altemir Gregolin (Pesca) e Matilde Ribeiro (ex-chefe da Igualdade Racial).A oposição decidiu apresentar voto em separado no qual irá pedir o indiciamento dos envolvidos na confecção do dossiê, incluindo a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) e a secretária-executiva da pasta, Erenice Guerra, que mandou confeccionar o documento.Na semana passada, os deputados Carlos Sampaio (PSDB) e Índio da Costa (DEM) apresentaram os sub-relatórios nos quais pouparam os ministros. Ontem, foram enquadrados por dirigentes das siglas e pela presidente da CPI, senadora Marisa Serrano (PSDB)."Quando um ministro falta com a verdade, como Dilma, não tem como não pedir indiciamento. Ela disse ao Senado que o dossiê não existiu. (...) Está mais do que comprovado que o dossiê existiu", disse Serrano.A oposição também irá pedir o indiciamento de Gregolin, Orlando e Matilde. Os três foram instados pela CGU a devolver verba gasta irregularmente. Porém, para o relator, eles cometeram "equívocos, utilização inadequada do cartão". Em nenhum momento escreveu que foram gastos irregulares.Matilde usou o cartão em restaurantes e no aluguel de carros. Orlando comprou uma tapioca em Brasília e se hospedou em hotel quatro estrelas no Rio com três pessoas. Para a CGU, o pagamento de alimentação em Brasília foi irregular.Luiz Sérgio escreveu que, por causa da tapioca, Orlando foi "exposto ao ridículo" enquanto que o "ex-ministro Francisco Weffort [de FHC] realizou despesas com alimentação de mais de R$ 47 mil."Gregolin pagou despesas em restaurantes para terceiros. O relatório propõe que o governo autorize o uso do cartão para pagar refeições em encontros de trabalho. As denúncias envolvendo tucanos são sobre gastos em restaurantes, hotéis e com aluguel de veículos.Sobre os gastos da Presidência, o relator escreveu que "nada de anormal foi identificado". A oposição criticou o trabalho. "Acho que a gente está no mundo da Disney e somos todos os patetas", reagiu o deputado federal Vic Pires (DEM-PA).

Base aliada de Serra abafa apuração do caso Alstom

Por José Alberto Bombig
na Folha de São Paulo

A base de apoio do governador José Serra (PSDB) abafou ontem a primeira tentativa de a Assembléia Legislativa do Estado investigar o caso Alstom, contrariando o que o tucano havia pedido na véspera: apuração total das denúncias.O rolo compressor foi comandado pelo líder do governo, Barros Munhoz (PSDB). A tentativa de apuração ocorreu na CPI da Eletropaulo, na qual sete requerimentos do PT foram rejeitados deputados ligados a Serra e ao ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB). Os aliados do governador são maioria na CPI: 7 dos 9 membros."A CPI não é o melhor caminho para fazer esse tipo de averiguação. Isso é jogo de cena do PT", disse Munhoz. O deputado Rui Falcão rebateu: "Serra e Alckmin falam uma coisa, mas na prática a atuação é outra, é para que nada seja apurado".Serra disse ontem que, se a Assembléia "quiser votar" pela CPI do caso, "ela vota". Anteontem ele havia afirmado que cooperaria com "outras medidas de investigação", desde que surjam novas informações. Ele chamou de "kit PT" a atuação de petistas para instalar uma CPI do caso Alstom."Tem o "kit PT" operando. Se surgirem mais informações -porque até agora não surgiram-, que sugiram outras medidas de investigação, nós acharemos normal e vamos cooperar." Serra disse que deu ordem a todos os secretários do governo e presidentes das empresas envolvidas no caso Alstom para que repassem dados solicitados pelo Ministério Público.Dentre os requerimentos rejeitados ontem estavam os que pediam a convocação do secretário de Estado Mauro Arce (Transportes) e do secretário municipal Andréa Matarazzo (Subprefeituras). Ambos chefiaram a pasta estadual de Energia na época dos contratos com a multinacional francesa.Também foi rejeitado um requerimento solicitando ao Ministério da Justiça os papéis relativos às investigações comandadas por autoridades suíças e francesas e que até agora têm norteado os trabalhos no Brasil. Anteontem à noite, Serra defendeu o envio dos documentos ao Estado.Criada em 2006, a CPI tem prazo regimental de funcionamento até o dia 30 deste mês. A Eletropaulo, alvo da comissão, é citada nas investigações da Alstom. "Se a Assembléia não abrisse mão do seu papel fiscalizador, daria tempo tranqüilamente para apurar muita coisa", disse Antonio Mentor (PT), presidente da CPI. Segundo ele, na terça será ouvido David Zylbertajn, ex-secretário de Energia do governo Covas, convocação aprovada antes da explosão do caso Alstom.O líder do PT na Assembléia, Roberto Felício, afirmou que o partido continuará "lutando" na CPI, mas tentará convocar o conselheiro do TCE (Tribunal de Contas do Estado) Robson Marinho, que foi chefe da Casa Civil do governo Mario Covas (PSDB) de 1995 a 1997, nas comissões temáticas da Casa.

Membro do TCE investigado defendeu contrato da Alstom

Por Mario Cesar Carvalho e José Ernesto Credencio
na Folha de São Paulo

Robson Marinho, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, foi o único integrante desse órgão a defender um contrato do Metrô com a Alstom que perdurou por 13 anos. O contrato, de 1994, previa a construção de um centro de controle operacional no valor de R$ 57 milhões e determinava que o negócio deveria durar três anos. Durou dez anos a mais que o prazo previsto.No final do julgamento, Marinho foi voto vencido -o tribunal considerou irregular todos os acréscimos feitos a partir de 2001.Robson Marinho é o RM citado em documentos que a Promotoria da Suíça enviou ao Brasil sobre o suposto pagamento de propinas da Alstom a políticos brasileiros, segundo apurações preliminares feitas por Polícia Federal, procuradores e promotores.Marinho foi um dos políticos mais próximos de Mario Covas (1930-2001), governador do Estado entre 1995 e 2001. Coordenou sua campanha ao governo paulista e ocupou a chefia da Casa Civil de 1995 a 1997. Em 1997, Covas retribuiu os trabalhos prestados por Marinho nomeando-o conselheiro do Tribunal de Contas. No órgão, é conhecido como um defensor dos tucanos.Os investigadores que receberam documentos da Suíça sobre propinas pagas pela Alstom suspeitam de Marinho por duas anotações feitas nos documentos suíços. Numa passagem, RM é apontado como "ex secretaire du governeur" (ex-secretário do governador). Há uma anotação de que o dinheiro seria usado para fazer pagamentos a "le tribunal de comptes" (Tribunal de Contas).O grupo Alstom, um dos maiores do mundo na área de energia e de transportes, é investigado na França e na Suíça sob suspeita de ter pago propinas a políticos do Brasil, da Venezuela e de Cingapura. Um dos casos, revelados pelo jornal "The Wall Street Journal", teria sido o pagamento de US$ 6,8 milhões para que a empresa obtivesse negócios de US$ 45 milhões do Metrô. Reportagem de "O Estado de S. Paulo" publicada na sexta-feira cita comissões de R$ 13,5 milhões em troca de um negócio com a Eletropaulo.No Tribunal de Contas, Marinho é conhecido como um aliado dos tucanos. Sempre que os conselheiros apontam problemas em contratos da administração do PSDB, ele defende a regularidade do negócio.No ano passado, os conselheiros do TCE decidiram que todos os acréscimos a um contrato do Metrô com a Alstom que perdurou por 13 anos posteriores a 2001 eram irregulares. O conselheiro Edgard Camargo Rodrigues chegou a ironizar em 2004 os dez anos do negócio: "Ora, não é de supor que o Metrô esteja funcionando esse tempo todo sem o Centro de Controle Operacional".Nesse mesmo ano, Marinho apresentou a defesa do contrato: "não houve qualquer ofensa a dispositivos legais". Segundo ele, a dilatação do contrato devia-se à necessidade de "atualização tecnológica". As alegações foram descartadas na votação, que considerou irregular a prorrogação.No ano passado, Marinho fez outra defesa do Metrô e da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) em um negócio de mais de R$ 1 bilhão. Numa licitação para a compra de 17 trens com seis carros para o Metrô e 40 trens com oito carros para a CPTM, o edital exige veículos de aço inox.Um consórcio concorrente, que fabrica trens de alumínio, entrou com um recurso contra o edital, com o argumento de que a restrição de material favorecia a Alstom, que produz veículos revestidos de inox.Marinho mandou arquivar a representação sem consultar outros conselheiros. Acatou um parecer do Metrô que dizia que os trens de alumínio encarecem a manutenção por exigir limpezas mais freqüentes. Ainda de acordo com a defesa do Metrô, "com o passar do tempo o alumínio perde o brilho característico dos carros novos".O conselheiro Eduardo Bittencourt Carvalho tentou levar a questão ao plenário do tribunal, mas Marinho interveio, alegando conflito de competência, e impediu a discussão.

Obama se declara o candidato democrata

Por Sérgio DÁvila
na Folha de São Paulo

Barack Hussein Obama, 46, senador progressista que chegou ao cenário político norte-americano em 2004 prometendo mudança, conquistou os votos necessários para ser o primeiro negro da história dos Estados Unidos a concorrer à Presidência por um partido majoritário. Com uma escolha cautelosa de palavras, disse que será o candidato do Partido Democrata à Casa Branca.Bateu sua oponente nas prévias partidárias, a ex-primeira-dama Hillary Clinton, numa derrota apertada que marca o fim de uma era. Esta será a primeira eleição presidencial desde 1992 em que nem um Clinton nem um Bush encabeçará uma chapa. Obama concorrerá, assim, com o senador republicano John McCain, um herói de guerra e ex-prisioneiro torturado do Vietnã 25 anos mais velho do que ele."Nesta noite, nós marcamos o final de uma jornada histórica com o começo de outra, que trará um dia novo e melhor aos EUA", afirmou, no final da noite de ontem, a uma platéia de 20 mil pessoas num estádio da cidade de St. Paul, no Estado de Minnesota. "Por sua causa, nesta noite, eu me levanto diante de vocês e digo que serei o indicado democrata para a Presidência dos EUA."A decisão de usar o tempo verbal no futuro, não no presente, deve-se ao fato de que sua candidatura só será oficial após a convenção nacional do partido, que acontece no final de agosto. Mas revela também o tumulto e a indecisão que marcou essa fase do processo eleitoral norte-americano, as mais de 50 prévias eleitorais que se estenderam por cinco meses e terminaram ontem, com os pleitos de Dakota do Sul e Montana.Esse clima foi traduzido pela declaração de Hillary Clinton minutos antes do discurso de Obama, em que ela se recusava a assumir a derrota, como é tradição na política local. "Não vou tomar nenhuma decisão nesta noite", afirmou, ao dizer que conclamava seus "mais de 18 milhões" de eleitores a mandar sugestões a seu site sobre o que deveria fazer.
Polarização
Apesar de o senador ter vencido no quesito que importa e pelo qual o partido toma sua decisão, que é o número de delegados partidários obtidos durante as prévias e no apoio de superdelegados, membros do partido que votam na convenção sem vínculo com as urnas, a ex-primeira-dama se aferrava a uma maneira específica e controversa de contar o total de votos populares, que a colocam na frente de Obama.Numa disputa tão polarizada quanto essa, em que Obama batia Hillary por 231 delegados ontem e estava apenas 36 delegados acima do mínimo exigido pelos democratas para a candidatura -2.118-, os dois senadores sabem que é preciso unir os eleitores para que o partido vença nas urnas em novembro.Não foi por outro motivo que Obama elogiou não só sua oponente como o governo do marido dela, Bill Clinton (1993-2000). Acenou ainda com a hipótese de uma participação da ex-primeira-dama em seu governo, ao dizer que ela seria peça "central" em seu plano e reforma do sistema de saúde e de política energética.O cacife de Hillary vem do fato de ela ter vencido em grandes Estados como Pensilvânia, que podem definir a disputa em novembro, e em universos eleitorais como operários brancos e mulheres mais velhas, nos quais o senador vem se saindo muito mal.A corrida encerrada ontem -com vitória dela em Dakota do Sul e projeção de vitória dele em Montana- foi pródiga em recordes batidos. Foram quase 40 milhões de votos computados nas prévias e meio bilhão de dólares arrecadados só pelos candidatos de oposição.No discurso ontem, Obama centrou fogo no que será sua estratégia doravante: o esforço de caracterizar a candidatura de McCain como um terceiro mandato de George W. Bush, um dos presidentes mais impopulares da história do país.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Isso é muito grave

Diogo Mainardi mostra na sua coluna e no podcast desta semana (ambos publicados na íntegra aqui no blog) a contratação da mulher do terrorista Oliverio Medina pelo governo Lula. No seu podcast, Diogo fala que Dilma Rousseff estava por trás da contratação. Isso é grave. A ministra pessoalmente fez isso. Isso é muito grave. Precisa ser apurado, investigado e os culpados presos. Mas, nós já sabemos o quanto este governo é cúmplice com os terroristas-traficantes. Voltemos a falar do Foro de São Paulo. LULA É O FUNDADOR DO FORO DE SÃO PAULO. LULA É AMIGO DAS FARC. Isso é muito grave! No Foro de São Paulo, os petistas e as Farc sentam do mesmo lado.
As Farc são responsáveis por 70% da droga comercializada por Fernandinho Beira-Mar. Esta droga que circula o país inteiro, o mundo inteiro que sai da floresta colombiana. A droga que financia o tráfico. A droga que destrói famílias. A droga que corrompe. Ao invés de combater seriamente os narcoterroristas, os lulistas oferecem cargos no governo brasileiro. Isso é muito grave! Ao invés de combater com rigor os envolvidos neste negócio mortífero, Lula e sua turma (capitaneada pela ex-terrorista Dilma Rousseff) facilitam a vida dessa gente. Até quando toleraremos isso? Até quando a relação PT-Farc será encoberta? As autoridades passando a mão na cabeça de terrorista é grave, muito grave. Até quando teremos que aturar essa gente sendo tão coniventes com traficantes de drogas, assassinos, destruidores de famílias? Lula anestesiou o Brasil e isso é muito grave, gravíssimo.

Podcast do Diogo Mainardi: "Dilma e as Farc"

Em minha última coluna, informei que a mulher de Olivério Medina, o representante das Farc no Brasil, foi contratada pelo governo Lula. Isso aconteceu em dezembro de 2006, quando o marido dela ainda estava preso em Brasília, à espera do julgamento no STF. Uma reportagem do jornal Gazeta do Povo mostrou que a mulher de Olivério Medina foi cedida pelo governo do Paraná a pedido de Dilma Rousseff. Epa, epa, epa! Pode repetir? Posso sim. Com prazer. De acordo com um documento reproduzido pela Gazeta do Povo, e que pode ser acessado aqui, Dilma Rousseff requisitou pessoalmente ao governador do Paraná a transferência da mulher do preso das Farc. Uma dúvida: a ministra da Casa Civil demonstra esse mesmo interesse por todos os servidores de terceiro escalão?
O deputado Rodrigo Maia pediu esclarecimentos sobre o caso. O senador Arthur Virgílio, por sua vez, encaminhou um requerimento ao Ministério da Pesca. Até agora, o governo Lula só emitiu uma nota sobre o assunto, prometendo me processar. É a escala de valores dessa gente: Olivério Medina - "el Pancho" - solto, e Diogo Mainardi - "o Pança" - condenado. Em sua nota, a assessoria de imprensa do Ministério da Pesca confirmou todos os dados relatados em minha coluna. Negou apenas que pudesse haver um elo entre o governo e as Farc. Eu ficaria muito surpreso se alguém admitisse o contrário.
O Brasil tem 50.000 assassinatos por ano. Isso é o que importa quando se trata das Farc. Ignore a retórica esquerdista. Ignore a mística guerrilheira. Concentre-se no essencial. E o essencial é o tráfico de drogas. O Brasil é um grande mercado consumidor das drogas produzidas nos territórios dominados pelas Farc. O Brasil é também um grande entreposto para o seu comércio internacional. O lulismo tenta passar a idéia de que as Farc dizem respeito apenas à Colômbia. E, marginalmente, à Venezuela e ao Equador. Mentira. O Brasil entra na guerra com sua monumental cota de assassinatos relacionados com o consumo e com o tráfico de drogas, e com todos os crimes que podem ser associados a eles: assaltos, contrabando de armas, jogo ilegal, lavagem de dinheiro. Cada um de nós, indiretamente, já foi assaltado pelas Farc. Cada um de nós conhece alguém que foi assassinado pelas Farc.
Minha pergunta é a seguinte: um governo que contrata a mulher de um membro das Farc, com a ajuda direta da ministra da Casa Civil, em documento assinado por ela, demonstra estar solidamente empenhado no combate ao tráfico de drogas? Aguardo a resposta. O crime organizado contamina a política. Há uma série de sinais nesse sentido, do caso do ex-secretário de segurança do Rio de Janeiro, que acaba de ser preso, aos atentados do PCC na última campanha presidencial, que afundaram a candidatura de Geraldo Alckmin; dos inquéritos sobre os perueiros, na campanha à prefeitura paulistana, ao pedido de propina de Waldomiro Diniz ao dono de um bingo. O governo Lula considera perfeitamente legítimo contratar, para um cargo de confiança, a mulher de um criminoso internacional preso por pertencer a um grupo que pratica o terrorismo e o tráfico de drogas. Eu respondo lembrando os 50.000 assassinatos por ano. Sabe como é: na guerra entre os traficantes de drogas e a lei, os mortos escolheram o lado errado.
Ouça aqui

Isso não garante nada

Geraldo Alckmin assinou compromisso de, se eleito, continuará no cargo de prefeito de São Paulo até o fim do mandato. Alckmin disse que este é um gesto de lealdade com eleitor. Que nada! Gesto de lealdade só com Gilberto Dimenstein que está organizando esta palhaçada. E desde quando assinar compromisso de cumprir mandato até o fim vai fazer do eleito um bom governante? Isso não garante nada. Em 2004, na campanha pela mesma Prefeitura de São Paulo, José Serra assinou o mesmo documento. Em 2006 ele deixou a prefeitura e foi candidato ao governo de São Paulo. E foi eleito. E no primeiro turno. Uma prova de que este documento não tem validade, não garante nada.

Conselheiro do TCE foi à Copa da França bancado pela Alstom

Por Eduardo Reina e Sonia Filgueiras
no Estado de São Paulo

Robson Marinho, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), coordenador da campanha eleitoral de Mário Covas em 1994 e chefe da Casa Civil do governo do Estado de 1995 a abril de 1997, viajou para a França em 1998 para assistir aos dois jogos finais da Copa do Mundo de futebol com despesas pagas por empresas do Grupo Alstom, cujos contratos com a Eletropaulo e o Metrô ele avaliou depois. Segundo investigações do Ministério Público da Suíça, a Alstom é suspeita de pagar propina a integrantes do governo tucano paulista da época para obter contratos e aditivos.A citação "R.M." , identificando as letras como um "ex secrétaire du governeur", aparece em anotações apreendidas na Alstom pelo Ministério Público da Suíça. "Realmente, nesse período (do governo Covas), R.M. sou eu. Mas nunca tive ingerência em contratos firmados pelo governo. Eu fazia a coordenação política na Casa Civil, tinha relacionamento com deputados, prefeituras, partidos e sociedade civil. Quem fazia o relacionamento com empresas era a Secretaria de Governo", disse ontem Marinho ao Estado.Sobre a viagem para a Copa com despesas pagas pela Alstom, ele disse: "Sou muito amigo de uma pessoa que foi diretora da Mecânica Pesada, do mesmo grupo, que ficava em Taubaté. Mas ele morava em São José dos Campos, onde fui prefeito". A justificativa para aceitar a "cortesia" é que essas ações são normais. "Tanto que na Copa de 2014, no Brasil, com certeza a Vale do Rio Doce também vai trazer vários europeus para assistir aos jogos aqui, com tudo pago." Marinho admitiu também que visitou empresas do Grupo Alstom na Europa: "Visitei a Alcatel, não posso negar".Além das ligações com o governo Covas na época em que, segundo as investigações, foram negociados contratos que teriam rendido "gratificações ilícitas" cobradas a partir do superfaturamento dos preços e a contratação de consultorias de fachada, Marinho admitiu conhecer dois personagens do caso Alstom. Sabino Indelicato, dono de uma empresa que teria recebido parte das comissões da Alstom, foi secretário de Obras quando Robson Marinho era prefeito de São José dos Campos (leia nesta página).Outra pessoa citada pelos investigadores suíços que é conhecida de Marinho é o consultor Romeu Pinto Júnior, que aparece como dono da offshore MCA Uruguay Ltda. A MCA recebeu da Alstom o equivalente a R$ 7,3 milhões em contas na Suíça e em Luxemburgo. "Romeu eu conheço de relações sociais em São Paulo. Mas não tenho nenhuma relação de amizade. Não sei o que ele faz. Não o vejo há uns cinco anos", disse. Marinho disse que, no TCE, nunca viu nada de especial nos contratos da Alstom com o governo. "Só quem não conheceu Mário Covas seria capaz de fazer uma ilação desse tipo, envolvendo esquema de propinas a seu governo."

Governo quer 30 votos para votar CSS

Na Folha de São Paulo

Líderes governistas avaliam hoje a viabilidade da aprovação da nova CPMF, batizada de CSS (Contribuição Social para a Saúde), na Câmara. Além da resistência da Frente Parlamentar da Saúde na Casa, as lideranças admitem que a proximidade das eleições está dificultando a unidade dentro da base.Antes de colocar o novo tributo em votação, o governo quer conseguir uma margem de 30 votos a mais do que os 257 necessários.Em reunião com as bancadas hoje, os líderes querem verificar qual o tamanho do desgaste junto ao eleitor da criação do tributo e ter certeza de quantos pré-candidatos votarão a favor da CSS.O ministro José Gomes Temporão (Saúde) voltou a dizer ontem, no Rio, que está otimista em relação a uma solução para o financiamento da saúde. Segundo ele, o mais importante na discussão sobre a criação da CSS é ter garantias de que haverá financiamento para a saúde."A gente já deixou bem claro que sem uma fonte, a emenda 29 será vetada", afirmou o ministro

Conselho de Ética deve abrir hoje processo contra Paulinho

Na Folha de São Paulo

O presidente do Conselho de Ética, deputado Sérgio Moraes (PTB-RS), vai instaurar hoje processo por quebra de decoro contra o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho.Moraes recuou da decisão de analisar o pedido de cassação em 15 dias após ser representado pelo corregedor da Câmara, deputado Inocêncio Oliveira (PR-PE).Em reunião ontem em São Paulo com dirigentes do PDT, Paulinho descartou a renúncia, que suspenderia um processo de cassação.O ministro do Supremo Tribunal Federal Carlos Ayres Britto foi designado ontem o relator do inquérito contra Paulinho. Questionado ontem se havia pedido a quebra de sigilos bancário, fiscal e telefônico do deputado, o procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, disse que o telefônico não seria necessário porque diversas escutas já constam do inquérito da PF.Sobre os demais, ele disse: "Foram feitas as diligências necessárias para verificar a movimentação do dinheiro. Informações que não se conseguem por testemunhas".

Desmatamento aumenta e já supera o registrado em 2007

Por Afra Balazina e Fábio Amato
na Folha de São Paulo

Mesmo antes de terminar o período de observação da Amazônia -que vai até julho-, dados de satélite apontam que o desmatamento já superou o total visto no intervalo anterior. Entre agosto de 2007 e abril de 2008, o Deter, sistema de detecção em tempo real do governo, enxergou 5.850 km2 desflorestados. Entre agosto de 2006 e julho de 2007, o mesmo sistema viu 4.974 km2."O importante é que continua havendo a tendência de aumento mensurável de desmatamento", disse Gilberto Câmara, diretor do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).De acordo com ele, os dados do Deter demonstram "que será difícil manter a mesma taxa" de desmatamento de 2007, que foi de 11.200 km2 -equivalente a sete vezes e meia a cidade de São Paulo. Mas ainda não se pode dizer qual será o total do desmatamento de 2007/2008.Primeiro porque ainda faltam as análises de maio, junho e julho, quando a Amazônia fica seca e o desmate é mais alto. Depois, porque apenas no segundo semestre o governo divulga o dado anual do sistema Prodes, mais preciso que o Deter e usado para cálculo efetivo da área desmatada."Colhe-se o que se plantou. Você aumenta a exportação de ferro-gusa com carvão de floresta nativa, triplica os frigoríficos, titula ocupações de até 1.500 hectares, licencia obras ilegais e ainda não cobra as multas. Depois espera o quê? Considerando que só há dados sobre Mato Grosso e Roraima, a tendência é de termos um ano entre os piores, voltando à casa dos 20.000 km2", disse Roberto Smeraldi, diretor da ONG Amigos da Terra.Em abril, as nuvens "colaboraram" e o Inpe conseguiu detectar um desmatamento recorde nos últimos meses na Amazônia Legal: 1.123 km2. O número, equivalente à área do município do Rio de Janeiro, é maior do que o desmatamento observado nos meses de dezembro e de novembro passados (943 km2 e 974 km2 respectivamente), quando a devastação explodiu e fez o governo anunciar uma série de ações.Mato Grosso foi, como o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) já havia antecipado, o líder em desmatamento no período, com 794,1 km2. O Estado teve pouca cobertura de nuvens (14%), o que possibilitou melhor análise da região.Pará e Amapá, por exemplo, tiveram 89% e 94% de cobertura de nuvens, respectivamente. Em segundo lugar ficou Roraima, com 284 km2, e em terceiro, Rondônia, com 34,6 km2. Este último foi citado como o Estado mais degradado proporcionalmente, enquanto Amazonas é o mais preservado.No mês de março, haviam sido detectados 145 km2 de desflorestamento. Entretanto, não se pode dizer que houve aumento expressivo de um mês para o outro porque em março as nuvens atrapalharam muito a visualização -78% da Amazônia Legal estava coberta por nuvens, contra 53% de abril."Em Mato Grosso as más notícias estão reveladas, agora que a cobertura de nuvens diminuiu", disse Adalberto Veríssimo, pesquisador do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia).Câmara disse que não é possível avaliar, no momento, se os desmatamentos encontrados são corte raso ou áreas em processo de desmatamento por degradação florestal (quando ainda existem árvores na área).O Inpe afirma que dos cerca de 4 milhões de km2 de floresta amazônica, cerca de 700 mil já foram desmatados.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Se for amanhã, vamos nos preparar

Leio no site G1 que o presidente da Câmara Arlindo Chinaglia disse hoje que a votação da nova CPMF será amanhã. Vamos nos preparar. Se o novo imposto for votada amanhã, vamos divulgar os nomes dos deputados que votaram a favor.

Vamos pegar o fundador do Foro de São Paulo

O senador tucano Arthur Virgilio solicitou informações do ministro da Pesca Altemir Gregolin sobre a contratação de Ângela Maria Solongo, mulher do terrorista das Farc Oliveira Medina. É isso aí! Temos que exigir explicações destes caras amigos dos terroristas colombianos. Mas é preciso ir além. É preciso pegar Lula, o fundador do Foro de São Paulo. LULA É O FUNDADOR DO FORO DE SÃO PAULO. LULA É AMIGO DAS FARC.

É isso aí

A Confederação Nacional do Comércio Varejista está de parabéns. A entidade irá espalhar outdoors pelas capitais e nos entroncamentos rodoviários com os nomes dos deputados que votarem pelo retorno da CPMF. É isso aí! Dias atrás propus aqui a mesma coisa, a divulgação dos nomes das vossas excelências famintas por dinheiro do povo. Precisamos mostrar os nomes dos deputados sanguessugas. Ou, como disse Roque Pelizzaro Júnior, presidente da CNCV: Fizemos esse mesmo trabalho quando houve a votação da CPMF no ano passado. Agora vamos retomar porque a população precisa saber como se vota no Congresso. E, o mais importante: separar o joio do trigo.

Lula vê ''guerra necessária'' em defesa do etanol

Por Lisandra Paraguassú
no Estado de São Paulo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recorreu a uma metáfora bélica ao anunciar como "uma guerra necessária" a que vai travar no cenário internacional em defesa do etanol. Lula, que está na Itália, afirmou que o etanol brasileiro é alvo de uma campanha difamatória que, por vezes, acontece dentro do próprio País. "Mas é uma guerra necessária e o Brasil tem de entrar nela preparado.""Essa difamação é de todo mundo, inclusive nossa, no Brasil. Eu tenho dito que, cada vez que falarmos qualquer coisa agora, precisamos saber como isso vai ser usado contra nós na OMC (Organização Mundial do Comércio)", disse o presidente, ontem, ao receber a imprensa para uma conversa na embaixada do Brasil em Roma."O Brasil hoje não é um coadjuvante na política comercial mundial. É hoje um exportador principal de vários produtos. Na medida em que começa a ser um artista principal, começa também a ser muito mais visado, e as pessoas começam a bater."Lula abre amanhã, com seu discurso, a Conferência de Cúpula do Fundo das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês), na qual a inflação mundial dos alimentos será debatida e, mais uma vez, os biocombustíveis deverão ser acusados de causar boa parte da alta nos preços.Lula argumenta que, apesar das críticas, até agora ninguém apresentou outra alternativa ao petróleo que tenha melhor resultado em emissão de gases estufa que o etanol brasileiro.Na entrevista, Lula responsabilizou os especuladores pela alta do preço do petróleo. "Não tem nenhum sentido o petróleo estar a US$ 145, US$ 140 o barril. Dizer que é apenas o aumento do consumo na China não é tão convincente", afirmou. Lula disse que se reunirá com o presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, na quarta-feira, para conversará sobre o tema, mas negou a hipótese de a empresa adotar congelamento de preços. O presidente voltou a rechaçar as críticas feitas ao desmatamento no País. "A União Européia só tem 0,3% da sua mata original. Então, quando for falar com Brasil, primeiro olha o seu mapa", criticou. Para Lula, os estrangeiros precisam entender que a Amazônia "pertence aos países amazônicos". "Depois eles podem contribuir para que a gente tenha modelo de desenvolvimento compatível com a nossa floresta em pé. Mas até agora tem muitas palavras e pouco dinheiro."Lula também rechaçou as críticas do relatório recente da Anistia Internacional, que comparava o trabalho nas lavouras de cana-de-açúcar a condições de escravidão. "Todo mundo sabe que o trabalho na cana é duro. Mas não é mais duro do que o trabalho em uma mina de carvão, que foi a base de desenvolvimento da Europa. Pegue um facãozinho e passe um dia cortando cana e desça numa mina a noventa metros de profundidade para explodir dinamite para você ver o que é melhor."

Governo Lula contratou mulher de ex-integrante de guerrilha

Na Folha de São Paulo

O presidente do DEM, Rodrigo Maia (RJ), vai pedir hoje informações à Presidência da República sobre a contratação de Ângela Maria Slongo, mulher brasileira do ex-padre colombiano Oliverio Medina, ex-integrante das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), para um cargo de confiança no Secretaria da Pesca.Segundo a revista "Veja", Slongo foi nomeada para o cargo de oficial de gabinete 2 em dezembro de 2006, período em que o padre cumpria prisão domiciliar à espera do julgamento de sua extradição -o pedido foi negado em março de 2007.O ato de nomeação, assinado pelo ministro Altemir Gregolin, foi publicado no "Diário Oficial" em 2 de janeiro de 2007. "Vou cobrar esclarecimentos do governo. A contratação foi no final de 2006, e não em 2003. Isso mostra que a relação [com o governo] é mais estreita do que se imagina", disse Maia.Slongo confirmou à Folha que trabalha na secretaria. "Eu precisava vir para Brasília, enviei currículo para vários lugares e me chamaram primeiro para a secretaria." A Folha não conseguiu contato com a secretaria ontem.O governo da Colômbia acusa o ex-padre de praticar atos terroristas e homicídio.

Governo corre para salvar emendas da base

Por Fernanda Odilla
na Folha de São Paulo

Às vésperas da eleições municipais, o Palácio do Planalto corre para salvar R$ 6 bilhões em emendas parlamentares individuais e coletivas, vetadas no Plano Plurianual (PPA). Já conseguiu, por meio de dois projetos de lei, recuperar R$ 2,1 bilhões previstos no Orçamento deste ano para emendas individuais- 76,5% delas são de congressistas da base.Agora, deputados e senadores aguardam decreto do presidente Lula para assegurar outras 181 que somam R$ 4,1 bilhões. "Os projetos foram enviados para superar as razões do veto e garantir a execução das emendas individuais e coletivas", explica o relator do Orçamento deste ano, deputado José Pimentel (PT-CE).Congressistas e o governo federal preferiram o caminho mais curto para empenhar esses recursos. Caberia aos deputados e senadores, numa sessão do Congresso, derrubar os vetos. Mas, pressionado pela base, o Planalto se antecipou apresentando dois projetos de lei e determinando ao Ministério do Planejamento que estruturasse um decreto para recompor as ações vetadas.Combustível para as disputas municipais, as emendas parlamentares só podem ser empenhadas se estiverem liberadas no Orçamento e no PPA.O presidente da Comissão de Orçamento, Mendes Ribeiro (PMDB-RS), mandou as demandas para o Planejamento na semana passada. O Planejamento não fixou ainda o valor que será salvo dessa vez, mas confirma estar estruturando o texto do decreto. A expectativa é que chegue no Congresso na primeira quinzena de junho, para liberar os recursos antes das eleições. "Creio que o governo não vai querer criar uma tensão de R$ 6 bilhões com o Congresso", disse Ribeiro.Além de recompor parte dos R$ 4,1 bilhões vetados, os deputados querem fazer ajustes nas emendas recuperadas. Dos 15 senadores e 79 deputados federais que tiveram emendas prejudicadas e, posteriormente, salvas, 22 são da oposição. Nem todos, contudo, foram contemplados com ações exatamente iguais às apresentada nas emendas.O presidente da Comissão de Orçamento explica que o Planalto fez algumas alterações para aplicar os recursos de forma mais ampla. Nota técnica da liderança do PSDB ressalta as distorções. "Verifica-se a utilização de dotações genéricas, caracterizadas como nacional para atender emendas parlamentares que tinham destinação a localidades específicas", diz o estudo. Entre os tucanos prejudicados com a medida estão Gustavo Fruet (PR) e Gervásio Silva (SC).Responsável por negociar essas emendas com o Executivo, o vice-líder do governo no Congresso, deputado Gilmar Machado (PT-MG), classifica como "coincidência" o fato de o governo ter salvo, até agora, 76,5% das emendas da base. Ele diz que o Planejamento prometeu corrigir as alterações, como verbas aprovadas no Orçamento para construções de trechos rodoviários substituídas por reforma e manutenção de trechos já existentes."É importante o que está escrito. Uma palavra pode mudar totalmente o destino do recurso. Até um hífen faz diferença", avalia o ministro das Cidades, Márcio Fortes. Dos R$ 2,1 bilhões em emendas parlamentares que o governo já salvou, R$ 1,6 bilhão são para ações do Ministério das Cidades.Fortes admite que a liberação dessas verbas envolve uma negociação política, em especial em ano eleitoral. "O importante é que as emendas foram restabelecidas. Elas complementam o trabalho do ministério e expressam as demandas dos pequenos municípios."

Máfia do jogo financiou Rosinha, diz Procuradoria

Por Raphael Gomide
na Folha de São Paulo

A Procuradoria Regional da República na Operação Segurança Pública S/A acusa a ex-governadora do Rio Rosinha Matheus, mulher de Anthony Garotinho -denunciado neste caso-, e o deputado estadual e ex-chefe de Polícia Civil Álvaro Lins (PMDB), entre outros políticos do Rio, de terem recebido doações ilegais de quadrilhas de máquinas caça-níqueis e do jogo do bicho. As doações teriam ocorrido entre 2001 e 2002, ano em que Rosinha se elegeu governadora. A afirmação consta da denúncia que levou à decretação da prisão de dez pessoas semana passada.Rosinha aparece como uma das maiores beneficiárias das contribuições não declaradas à Justiça, tendo recebido R$ 1,6 milhão, de acordo com documentos apreendidos em operação anterior da Polícia Federal, em abril do ano passado, na casa do "principal contador da máfia dos caça-níqueis e do jogo do bicho", segundo o Ministério Público Federal.Álvaro Lins -preso quinta-feira e solto no dia seguinte por decisão do plenário da Assembléia Legislativa- recebeu R$ 35 mil. O documento, apreendido na Operação Hurricane, serviu como base para essa ação e identificou rede de policiais ligados a Lins que atuavam na proteção de bicheiros e empresários de caça-níqueis.Para os procuradores, Rosinha, Lins e os demais políticos ganharam contribuições financeiras dos bicheiros Aniz Abrahão David, o Anísio, Antonio Khalil, o Turcão, e Ailton Guimarães, o Capitão Guimarães."Verificou-se, ainda, com base nos documentos apreendidos no curso da Operação Hurricane, que Álvaro [Lins], bem como diversos outros políticos desse Estado, dentre eles a ex-governadora Rosinha, esposa do co-denunciado Garotinho, recebiam contribuições financeiras de quase todos os bicheiros do Rio (...)", diz a denúncia.Os procuradores ainda afirmam que Lins dava como contrapartida da doação a proteção e não-repressão das quadrilhas: "Em razão do já apurado em seu desfavor, revela-se como mais um indício de que a contrapartida de tais contribuições era, justamente, a não repressão dessa atividade ilícita".
Caixa dois
Segundo a denúncia, Lins manteve caixa dois de ao menos R$ 238 mil nas eleições de 2006. A afirmação se baseia em documentos e recibos de despesas eleitorais encontrados na casa do inspetor Mário Mustrange, o Marinho, secretário particular e tesoureiro de Lins.Do total, aparece em planilha da PF o montante de R$ 147 mil referente à "dobradinha Álvaro/Leonardo Picciani". Picciani (PMDB-RJ) foi eleito deputado federal. Segundo o relatório, "diversos áudios interceptados corroboram o fato de que a quadrilha contribuiu com a candidatura de Eurico Miranda ("Eurico M."), Álvaro Lins ("AL") e outros". Eurico teria recebido R$ 50 mil.Aparecem ainda os nomes da secretária de Ação Social do Rio e ex-governadora Benedita da Silva (PT, R$ 40 mil), do ex-deputado federal Bispo Rodrigues (PR-RJ, R$ 25 mil), do presidente de Furnas e ex-vice-governador, Luiz Paulo Conde (PMDB, R$ 100 mil), do deputado estadual Chiquinho da Mangueira (PMDB, R$ 25 mil) e da deputada federal e candidata à Prefeitura do Rio Solange Amaral (DEM, R$ 200 mil).A assessoria de Rosinha disse que ela não recebeu dinheiro não contabilizado nem contribuição do jogo do bicho, ou de qualquer outra origem duvidosa, e que todas as contas foram aprovadas pela Justiça.A Folha deixou recado no celular do advogado de Lins, Ubiratan Guedes, mas não teve retorno até o fechamento desta edição. A assessoria de Benedita afirmou que não se pronunciaria sem falar com a secretária. Solange Amaral não retornou recado ontem. A assessoria de Conde afirmou desconhecer a colaboração e disse que suas contas foram aprovadas. A assessoria de Picciani disse que ele só fez material de campanha, não "dobradinha" com Lins, e o fato de seu nome aparecer em lista de caixa dois "não tem o menor fundamento". A Folha não localizou Chiquinho da Mangueira, Eurico Miranda e Bispo Rodrigues.

domingo, 1 de junho de 2008

E eu não vi o jogo da seleção

Putz, ontem teve jogo da seleção. E eu não assisti. Quando eu era menor sempre assistia, sempre vibrava com os gols. Nunca me esquecerei do jogo Brasil x Holanda em 1996 jogado aqui em Goiânia. Romário e Ronaldinho (ainda só existia um) arrasaram. A seleção brasileira está muito longe do Brasil. Ninguém está mais interessado nela. Só uma coisa não muda nos jogos do Brasil: a chatice do Galvão Bueno.

Que jogo ruim

Simplesmente lamentável o jogo do São Paulo contra o Santos na Vila Belmiro. Simplesmente lamentável. Estão dizendo que o Muricy Ramalho está indo para o Internacional... Não seria justo ele deixar o São Paulo com uma derrota ou com um empate.

Era tudo mentira

O Estado de São Paulo de hoje fala sobre as falsas bombas do petismo. Fala de Waldomiro Diniz, Delúbio Soares e José Aparecido Nunes Pires. São alguns personagens das várias crises que o lulismo enfrentou até agora. Depois do mensalão, o governo está mais esperto. Sempre procurar desativar a bomba antes que ela exploda.
Aí a gente pode relembrar daquele discurso ético do petismo de um alguns anos atrás. Quem não se lembra de Lula, José Dirceu, José Genoíno, Marta Suplicy e tantos outros defendendo a ética na política, a punição para os corruptos? Pois é. Os antigos defensores da ética na política são os mesmos que desativam as bombas que podem estraçalhar os vidros do Palácio do Planalto. O discurso petista era tudo mentira. A verdade é que essa gente adora uma coisa mal feita.

JB entrevista Olavo de Carvalho

Reinaldo Azevedo indicou a entrevista de Olavo de Carvalho ao Jornal do Brasil no seu blog. Ainda bem que a entrevista está na íntegra. Por Karla Correa:

Jornalista, escritor, filósofo, editor do site Mídia Sem Máscara, Olavo de Carvalho é uma das poucas vozes na imprensa assumidamente conservadoras. E vê essa mesma "escassez" do pensamento de direita no ambiente político. Para Carvalho, a direita no Brasil não sabe ser oposição e só tem fortalecido os partidos de esquerda ao tentar copiar suas bandeiras históricas. Também tem empobrecido o debate político ao deixar de ocupar espaço no ambiente acadêmico e de pesquisar referências em outros países, onde o conservadorismo tem voltado a ter força. A seguir, os principais trechos da entrevista concedida ao JB.

Há uma certa dificuldade hoje em encontrar movimentos políticos, partidos ou líderes que se proclamem claramente como de direita no Brasil. A direita está envergonhada?

Faz mais de 20 anos que a direita está sendo burra. Estão todos acreditando nessa coisa de roubar as bandeiras do adversário. Como o abortismo. O pessoal de direita pensa em roubar a bandeira do abortismo e vê nisso uma forma de adquirir também o apoio das pessoas que são abortistas. Mas quando faz isso, pensando em uma vantagem imediata, vai apenas reforçar a ideologia de seu oponente. Todo sujeito que se deixa moldar à idéia de seu inimigo, já está derrotado. É a vitória perfeita, Lênin já dizia que a vitória perfeita era obtida sem lutar, o adversário se entrega. Pois eles, a esquerda, conseguiram

Como isso aconteceu?

A esquerda adotou uma tática muito inteligente criada pelo Antonio Gramsci, o pensador italiano. Consiste em dominar primeiro todo o universo da cultura, das idéias, da educação, antes de conquistar o poder. Então, esse pessoal durante o regime militar já estava aplicando isso. Ocuparam as universidades, as redações de jornais. De repente, não havia mais idéias conservadoras em circulação. E se você não tem as idéias, as pessoas não tem como se definir. Elas não têm nem como se expressar. Se um político hoje vai se expressar, ele usa a linguagem da esquerda. São burros e presunçosos.

E qual é a primeira conseqüência dessa ocupação?

O poeta austríaco Hugo von Hofmannsthal dizia que nada está no ambiente político de um país que não esteja primeiro em sua literatura. Porque é do imaginário formado que você tira as idéias. Agora, você estupidificou a cultura superior e, em conseqüência, a política. Veja a que se dedica o governo brasileiro hoje: a destruir o país e a cuidar de futilidades. Ele quer doar um pedaço do território, doou um pedaço da Petrobras para a Bolívia, quer doar um pedaço de Itaipu para o Paraguai. Deixa aí duas ou três cidades à mercê do PCC, que é o mesmo que as Farc. Está entregando tudo. E ao mesmo tempo está preocupado com a perseguição aos gays. Que perseguição, meu Deus do céu?

O senhor fala que a esquerda dominou os espaços acadêmicos e da mídia. O PT diz a mesma coisa.

Quais são os autores conservadores que escrevem na imprensa brasileira? Eu cito dois: eu e o Reinaldo Azevedo. E só. A esquerda ocupa todos os espaços, manda em tudo, depois briga com ela mesma e fica fazendo choradeira de que está sendo atacada pelos direitistas. Mas o que eles chamam de direita é o que? O PSDB? Ouça o discurso do José Serra. Veja o que o Fernando Henrique fez. Ele praticamente criou o MST com o dinheiro do Estado.

O PSDB é um expoente de direita?

É o máximo de direita que se admite no país, hoje. É o PSDB, a social-democracia, que é a mais velha tradição da esquerda. A verdadeira direita sumiu do Brasil.

Não tem um líder, um expoente conservador que mereça destaque no País?

Dom Bertrand é um grande estadista. Pergunte de qualquer assunto brasileiro para ele e ele conhece tudo e nunca teve um cargo público na vida. E sem ter pretensão, ele não é nem o príncipe herdeiro, faz isso por interesse pelo Brasil. Se ele se candidatasse, eu votava nele na hora.

E no Congresso?

Não consigo pensar em ninguém.

O pouco espaço ocupado pelo conservadorismo faz do brasileiro um povo liberal?

O brasileiro é essencialmente um conservador. É um povo religioso, que acredita na família, no trabalho. Mas não é de perseguir ninguém, então passa essa imagem de liberal. Uma coisa é a crença que o brasileiro tem. Outra é o sentimento que ele nutre pelos outros seres humanos. Claro que existem malucos em qualquer lugar do mundo, você pode pensar no movimento skinhead... mas são quantos em uma população de 180 milhões de habitantes?

O brasileiro é cordial mas se identificou muito com o Capitão Nascimento, do filme Tropa de Elite.

O brasileiro está aterrorizado pelo crime. Cinqüenta mil homicídios por ano são duas guerras do Iraque por ano. É uma coisa brutal, as pessoas estão é conformadas até demais. O pessoal vê o filme com o capitão Nascimento dando porrada em bandido e pensa que é isso que tem de fazer. Eles querem alguém que tome uma providência.

Qual seria o programa de um governo de direita no Brasil, hoje?

Em primeiro lugar, ele teria um enfoque moral, religioso e tradicional. São valores e princípios gerais, veja bem, o governo não pode se meter a ser o grande moralista. O governo não deve educar ninguém nesse aspecto, são as entidades religiosas que devem se fortalecer e atuar. Em segundo lugar, a economia de mercado, que é a única que funciona. Não tem esse negócio de socialismo, intervenção do governo no mercado, isso não funciona. É só o governo meter a mão que a coisa vai para trás. Terceiro é educação clássica. Você tem que primeiro formar uma elite intelectual capaz de educar o restante do país. O governo vem com essa história de educar todo mundo, mas isso não funciona. Não é possível.

A educação então não deve ser para todos?

Não. Educação é um processo irradiante, que vai por círculos concêntricos. Você educa dez, que educam cem, que educam mil, que educam um milhão e vai assim.

Nem ao menos cuidar de erradicar o analfabetismo?

Isso não adianta. Você vai investir um dinheiro maluco nisso e os caras vão sair todos analfabetos funcionais. Porque se você não cria uma tradição de educação, a educação não pega. Se você não tem essa tradição, não tem o amor à cultura, ao conhecimento. A educação deve ser muito séria e começar por uma elite, que vai irradiando esse valor. Quem vai dar a educação para todos? A educação que se dá ao povo hoje não deveria ser dada a ninguém. Oferecer essa educação para meia dúzia de pessoas é um insulto. Para milhares, é um crime.

Qual o maior problema do atual governo federal?

Eu acho que o Brasil concedeu ao Lula todos os direitos. Que presidente brasileiro chega ao poder e, dois anos depois, o filho dele está milionário? Só isso aí seria suficiente para ele perder o cargo. Mesmo que não comprovasse nada, isso é falta de decoro. Presidente deve ser como a mulher de César. Não basta ser honesto, tem que parecer honesto também.

CPI acaba e só revela mais uma falsa ''bomba''

Por Christiane Samarco
no Estado de São Paulo

O encerramento da CPI dos Cartões nesta semana, com um relatório que poupa a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, não sugere nenhum indiciamento e joga toda a responsabilidade pelo dossiê com gastos exóticos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sobre José Aparecido Nunes Pires - o ex-secretário de Controle Interno que disse ter deixado vazar o documento por engano - é mais um episódio que retrata o fenômeno dos falsos homens-bomba do PT.Aparecido, Waldomiro Diniz, Delúbio Soares, Silvinho Pereira, Jorge Lorenzetti, Freud Godoy e muitos outros emergiram no cenário da política tratada como polícia, todos foram personagens centrais em escândalos e todos foram cercados com operações-abafa que os levaram a proteger o governo e a serem protegidos por ele.Olhando Aparecido na TV do Senado, o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) - o único homem-bomba do governo Lula - deu um diagnóstico irônico. "Como todas as outras, essa bomba já chegou ao Congresso desativada", disse Jefferson ao Estado , referindo-se ao fato de Aparecido ser a peça-chave no vazamento do dossiê com as despesas de Fernando Henrique, mas se negar a entregar a operação deflagrada na Casa Civil sob promessa de que será poupado na sindicância interna e no inquérito da Polícia Federal, o que facilita a retomada do emprego efetivo que tem, como funcionário de carreira, no Tribunal de Contas da União (TCU).O deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), ex-petista, destaca não só a "capacidade de cooptação do governo", mas também a saída recorrente que todos os falsos homens-bomba usam: "Em tom pós-socrático, eles repetem à exaustão o ?só sei que nada sei?." Nesses termos, conclui o deputado, as bombas petistas vão sendo convertidas em "foguetórios de má qualidade, que dão chabu o tempo todo".Alencar aposta que, dentro em breve, o ex-funcionário da Casa Civil vai voltar para o TCU. "Será mais um ?Zé desaparecido? que confirma a trágica profecia de Delúbio Soares (ex-tesoureiro do PT que caiu no escândalo do mensalão), para quem um dia todos vão considerar tudo isso uma piada de salão." O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), avalia que o potencial explosivo da extensa lista de petistas era real, embora nenhum deles tenha provocado grandes estragos. "Muitas vezes a denúncia é uma autocondenação, mas a gente percebe que essas pessoas todas não se calam à toa", observa. Para o senador, no caso específico de Aparecido, ele optou pela carreira no TCU. "Uma condenação de dois anos põe em risco a carreira, pois o servidor perde o cargo."Aparecido vai ser tratado como se tivesse cometido apenas uma infração administrativa. "Por um descuido", ele disse à CPI, anexou o dossiê a um e-mail enviado a André Fernandes, assessor do senador tucano Álvaro Dias (PR). Virgílio conclui que o silêncio tem sido "muito bem amparado por um Estado coronelista, que não deixa homem-bomba algum em dificuldade".
PROPINA
A lista dos falsos homens-bomba foi aberta, em 2004, pelo assessor da Casa Civil Waldomiro Diniz, flagrado, em imagens gravadas por um circuito interno de TV, pedindo propina a um bicheiro. Protagonista do escândalo do mensalão, Roberto Jefferson, presidente do PTB, foi o único a detonar seu potencial explosivo. Não implicou diretamente o presidente Lula no escândalo, mas provocou a mais grave crise de seu governo. E, se por um lado teve seu mandato cassado, por outro arrastou consigo o ex-ministro José Dirceu - na época o petista mais poderoso da Esplanada dos Ministérios - e também líderes e dirigentes dos partidos da base aliada.Além de Dirceu, as denúncias de Jefferson derrubaram o então presidente do PT, José Genoino, e toda a cúpula petista. A assessoria de Dirceu na Casa Civil foi dizimada. Além disso, só em Furnas Centrais Elétricas três diretores caíram, acusados de desviar recursos da empresa para campanhas petistas. Em meio à série de suspeitos de receber e pagar mesada de cerca de R$ 30 mil, o presidente do PP, Pedro Corrêa (PE), acabou cassado pela Câmara por quebra de decoro. Aos deputados que temiam o forte risco de degola no julgamento em plenário, como o então líder do PL (hoje PR), Valdemar Costa Neto (SP), sobrou a alternativa da renúncia.As bombas petistas, que faziam política com Jefferson, não detonaram. Todas foram sucessivamente desativadas pelo Planalto, numa política que se mantém ativa nestes cinco anos e meio de governo. "A mim me propuseram o silêncio com algumas garantias", recorda Jefferson.Aparecido prova que, do caso Jefferson para cá, o governo não errou mais. Tanto é assim que correram em paralelo a notícia de que uma perícia inquestionável provava que Aparecido fora responsável pelo vazamento do dossiê e a informação de que ele já havia fechado um acordo com o Planalto para ser poupado do ponto de vista administrativo e voltar tranqüilo ao TCU.

PAC não anda, mas empresas investem em infra-estrutura

Por Fernando Canzian
na Folha de São Paulo

As obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) que dependem do Orçamento federal seguem em ritmo considerado "lentamente ridículo" por empresários ligados à área de infra-estrutura.Em contrapartida, a iniciativa privada, ao lado da estatal Petrobras e de alguns Estados, já tomou a dianteira na infra-estrutura do país.Como reflexo disso, o ritmo da criação de empregos formais na construção civil ligada a obras de infra-estrutura superou pela primeira vez o das contratações do setor de edificações residenciais e comerciais.Na quarta-feira, a Casa Civil apresenta novo balanço do PAC. Dados dos primeiros cinco meses do ano (até 28 de maio) do Siafi, em que consta a execução orçamentária federal, mostram que, de um orçamento de R$ 15,7 bilhões para o PAC autorizado para 2008, só 0,74% (R$ 116,7 milhões) foi desembolsado até agora.Já os investimentos das empresas, principalmente nos setores de petróleo, siderurgia e mineração, que também têm impacto positivo para a infra-estrutura rodoviária e portuária, ganharam novo ritmo.As obras e as contratações em oito lotes rodoviários concedidos pela União à iniciativa privada também contrastam com a execução de projetos liderados exclusivamente pelo Ministério dos Transportes.De um orçamento aprovado de R$ 9,5 bilhões para a pasta em 2008, apenas 1,12% foi liquidado nos primeiros cinco meses do ano. Mesmo considerando valores pagos que pertenciam a orçamentos de anos anteriores (restos a pagar), o total pago é inferior a 20%.Os dados foram levantados para a Folha pela ONG Contas Abertas. Procurados, o Ministério dos Transportes e a Casa Civil não quiseram comentar."Nunca na história deste país um governo esteve tão bem-intencionado, com palavras, na infra-estrutura. Mas continua extremamente defasado em relação ao que pretendia fazer", diz Luiz Fernando Santos Reis, presidente do Sinicon (Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada), com 450 filiados e que representa 60% do setor.Do lado privado, Reis elenca uma série de investimentos em siderurgia e em mineração (ThyssenKrupp CSA, Usiminas, Açominas e Vale, entre outras), papel e celulose e da Petrobras como carros-chefes da modernização da infra-estrutura. Segundo ele, o setor privado e a Petrobras respondem hoje por mais de 60% dos investimentos na área."As obras federais continuam andado com muita lentidão. De concreto e quase pronto, não há nada. Está tudo ainda muito no começo", afirma Paulo Fernando Fleury, diretor do Centro de Estudos em Logística do Coppead/UFRJ.Entre projetos em ritmo inadequado ou lento, Fleury cita as ferrovias Norte-Sul, a Transnordestina e o chamado Arco Metropolitano (espécie de Rodoanel) no Rio, além de obras para dragagem em portos."Já a questão do transporte aéreo aos poucos vai voltando a apresentar os mesmos problemas que desembocaram em uma grande crise", afirma.Para Carlos Eduardo Lima Jorge, diretor-executivo da Apeop (Associação Paulista dos Empreiteiros de Obras Públicas), no entanto, é questão de tempo para que as obras públicas comecem a agregar volume na infra-estrutura."As obras já começam a acontecer em Estados e municípios. Em nível federal, houve atraso em licenças ambientais, na realização de projetos e na própria execução. Mas há muita coisa sendo iniciada agora."No Estado de São Paulo, onde as 250 empresas da Apeop abocanham mais de 80% da receita com obras, a previsão para 2008 é de um crescimento no faturamento de até 7%, contra 3% em 2007.

Falta de Estado estimula proliferação de ONGs sem capacidade, diz especialista

Por Denise Menchen
na Folha de São Paulo

A falta de uma presença forte do Estado na Amazônia abre espaço para a proliferação de ONGs, que, mesmo quando bem intencionadas, geralmente não têm capacidade técnica para atuar na resolução dos problemas da região. A avaliação é da pesquisadora brasileira Maria Guadalupe Moog Rodrigues, professora associada no College of the Holy Cross, dos EUA. Ela participou de seminário na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro)."A falta de capacidade técnica fica mais evidente com a multiplicação das ONGs, que é um efeito da democracia, mas também do sucateamento do Estado", disse. Segundo ela, esse sucateamento, aliado ao despreparo da sociedade civil, é um dos motivos pelos quais as organizações estrangeiras têm ganhado importância na questão da preservação da floresta."Isso pode explicar por que os militares se sentem inseguros em relação à região e por que não há segurança em relação à exploração da biodiversidade", afirmou. A pesquisadora não vê, no entanto, ameaças à soberania nacional. Ela diz acreditar que as comunidades locais "sabem exatamente o que querem" e que as ONGs podem cumprir um papel importante no desenvolvimento sustentável da Amazônia.Segundo ela, hoje grande parte dos financiamentos internacionais para programas na Amazônia é condicionada à participação da sociedade civil. "O esforço deve ser não de alijá-las do processo, mas sim de fortalecê-las", disse.Isso poderia evitar, segundo ela, situações como a verificada com a implantação do PAIC (Programa de Apoio a Iniciativas Comunitárias) em Rondônia, nos anos 90. O programa previa o repasse de recursos obtidos junto ao Banco Mundial a organizações da sociedade civil. "Mas as ONGs não tiveram capacidade de responder."A pesquisadora destacou que a ex-ministra Marina Silva "era uma bandeira muito clara para o cenário internacional" da disposição do governo de preservar a Amazônia. Já Carlos Minc não tem essa identificação imediata com a floresta, o que pode gerar desconfiança no exterior.

PIB da Amazônia Legal cresce mais que o do país

Por Marta Salomon
na Folha de São Paulo

Com participação destacada do agronegócio, a atividade econômica na Amazônia Legal cresce em ritmo duas vezes mais acelerado do que a média nacional. Nos primeiros três anos do governo Lula, a região cresceu 22,4%, enquanto o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro acumulava crescimento de 10%, segundo cálculo feito pela Folha.Os dados oficiais mais recentes do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) para Estados e municípios são de 2005. Apesar do crescimento acelerado, a riqueza gerada na região contribuiu com menos de 8% no PIB nacional, de acordo com os últimos dados disponíveis. A Folha consultou os resultados da atividade econômica dos Estados da Amazônia Legal, área de cinco milhões de quilômetros quadrados e alvo do PAS (Plano Amazônia Sustentável). Desse território, 83% são dominados pelo bioma Amazônia, onde estão concentradas as ações de combate ao desmatamento.Embora a administração pública tenha participação importante na economia da região, as atividades agropecuárias pesaram, especialmente no crescimento de Mato Grosso e do Pará, os dois Estados que se mantêm no topo do ranking do desmatamento desde o início da década.Em Mato Grosso, a riqueza gerada pela agricultura cresceu 44,3% no período pesquisado, só perdendo para percentual registrado no Tocantins (92,1%). Os Estados são, respectivamente, vice e campeão no país em percentual de variação do PIB de 2002 a 2005.O rebanho bovino na Amazônia alcançou, em 2005, 74,59 milhões de cabeças. Foi o resultado da concentração, na região, do crescimento da pecuária nacional. Nesse capítulo, Mato Grosso e Pará também têm destaque. De acordo com dados do PAS, a pecuária bovina já ocupa 70 milhões de hectares -ou 13,5% da Amazônia.A área ocupada pela pecuária bovina é bem maior do que a ocupada por atividades agrícolas: 13 milhões de hectares, responsáveis por 22% da produção nacional de grãos.É importante lembrar que 33,5% do território da Amazônia Legal é de áreas protegidas, como terras indígenas e unidades de conservação, ou com destinação exclusiva para atividades militares.O documento de apresentação do PAS do governo federal, lançado no início do mês, já vincula parte do crescimento econômico da região à produção de grãos e à pecuária, "que atualmente têm aumentado o seu peso relativo no desempenho econômico, em especial nos Estados de Mato Grosso, Tocantins, Pará e Maranhão".
Agronegócio
Os resultados do agronegócio no crescimento da região ajudam a explicar o eco, no governo, das pressões contra as medidas de combate ao desmatamento, sobretudo o bloqueio do crédito rural aos produtores que não comprovarem regularidade ambiental. Essa regra estabelecida entra em vigor em 1º de julho, segundo determinação do Banco Central.Os dados sobre a atividade econômica compilados pela Folha não refletem os movimentos mais recentes na Amazônia, que impuseram aceleração ao ritmo de devastação da floresta no segundo semestre de 2007, nem mesmo as obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), que incluem a construção de 20 terminais hidroviários e a pavimentação de rodovias.O Ministério do Planejamento espera concluir no mês que vem estudo sobre o impacto das obras na economia da Amazônia. O estudo do ministério levará em conta a construção de hidrelétricas e gasodutos na região, outra prioridade do PAC do governo.Coordenador do Plano Amazônia Sustentável, o ministro Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos) defende planos de industrialização da região em moldes diferentes do da Zona Franca de Manaus, que movimenta a economia do Amazonas e, segundo ele, "não tem nada a ver com a floresta, produz coisas como bicicletas".Mangabeira defende o processamento de produtos da floresta e indústrias associadas à produção agropecuária e à exploração de minérios. "Ambientalismo sem projeto econômico é inconseqüente numa área desta vasta extensão que é a Amazônia", sustenta ele.

sábado, 31 de maio de 2008

Falando nisso...

Falando na aliança PT-PMDB aqui em Goiânia, dizem por aí que Delúbio Soares está participando ativamente, nos bastidores é claro, pela reeleição de Íris Rezende. Não é uma piada de salão. Será que a Justiça Eleitoral está de olho nisso?

O mundo dá muitas voltas

Na campanha eleitoral de 2006 cobrei de Pedro Wilson o não pagamento do salário dos servidores da saúde da prefeitura de dezembro de 2004. Em 2006, Pedro Wilson era candidato a deputado federal. Em 2004, Pedro Wilson era candidato à reeleição para a Prefeitura de Goiânia.
E o que ele me disse? Como todo petista faz, desconversou. Falou para eu cobrar do atual prefeito de Goiânia Íris Rezende melhorias nas condições de trabalho dos servidores da saúde. Cobro de Íris se eu encontrar com Íris. Cobro de Pedro se eu encontrar com Pedro. E eu encontrei. No dia do nosso encontro, Pedro Wilson era anti-Iris. Dias depois do nosso encontro, já no segundo turno, ele apoiou Maguito Vilela, o candidato de Íris ao governo de Goiás.
Leio hoje nos jornais que Pedro Wilson está deixando de ser anti-Iris e se tornando irista depois que o seu partido jogou sua história no lixo (como sempre faz quando é pego com a mão na massa) e seu aliou com o velho inimigo. Pedro estava feliz ao lado dos novos amigos do PMDB. Tem gente até que sugeriu uma chapa Íris prefeito e Pedro vice. Vejam como são as coisas. O mundo dá voltas. Relembrando o encontro que tive com Pedro Wilson há quase dois anos chego a conclusão de que não mudei em nada enquanto que Pedro Wilson... Ah, o mundo dá muitas voltas e a gente volta a se encontrar.

O que fará a oposição?

No encontro do Foro de São Paulo realizado no Uruguai, Marco Aurélio Garcia, o assessor top-top-top de Lula, disse:

Tivemos recentemente grandes descobertas de petróleo em nosso litoral. Nós queremos produzir uma parte disso. Mas queremos também que a América Latina participe da produção petrolífera, que tem de ser um instrumento que alavanque não só a economia brasileira como também a economia de toda a região.

Será que algum deputado ou senador da oposição irá convocar Garcia para prestar esclarecimentos sobre o que foi dito? Quem sabe o senador Marconi Perillo, este incansável oposicionista (e perseguido por causa disso) não o convoque para prestar um depoimento no Senado?

País fará poupança extra de R$ 13 bi

Por Célia Froufe e Carolina Ruhman
no Estado de São Paulo

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou ontem, em São Paulo, que o governo vai fazer uma poupança fiscal extra de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB), equivalente a R$ 13 bilhões. Esse dinheiro será usado para compor o Fundo Soberano do Brasil (FSB). Mantega fez questão de explicar que a meta oficial de superávit primário continuará em 3,8% do PIB, lembrando que o resultado acumulado dos quatro primeiros meses do ano está em 6,82%.Na prática, porém, essa poupança extra representa uma elevação informal da meta do ano para 4,3% - confirmando reportagem publicada pelo Estado no dia 2 de abril, que noticiava a intenção do governo de fazer uma elevação "informal" do superávit primário.O objetivo é contribuir com política antiinflacionária. "Apesar de o Brasil ter inflação menor que a de outros países emergentes, temos que tomar cuidado", disse. "O governo vai colocar esses recursos a parte e não os gastará. Deixa, portanto, de ser uma despesa para se transformar em poupança."O fundo será criado por meio de um projeto de lei a ser enviado ao Congresso no início da semana que vem. A gestão ficará a cargo do Tesouro Nacional. Após a aprovação da lei, um decreto vai explicitar as funções do Tesouro. Mas o ministro antecipou que, num primeiro momento, os reais economizados serão aplicados em títulos públicos. Ele disse que o FSB será uma poupança em reais. "Oportunamente, o fundo poderá comprar dólares", disse. A idéia é fazer uma "poupança anticíclica". "No momento das vacas gordas, vamos guardar a poupança que será usada nos momentos de vacas magras", comparou. "Quando o crescimento econômico desacelerar, será mais difícil fazer o superávit primário, aí é que entra a poupança."Na avaliação de Mantega, a eventual compra de moeda estrangeira deve influenciar o câmbio e diminuir as pressões de alta sobre o real, que prejudicam as exportações. Com esses dólares, o FSB poderá comprar ativos do BNDES no exterior, como debêntures. Ele citou, como exemplo, a emissão feita pelo BNDES nessa semana, em que os títulos rendem 6,5%. "O fundo terá poupança que poderá render mais que as reservas", argumentou.Mas ele enfatizou que "a prioridade do governo é combater a inflação". Com o esforço fiscal para criar o fundo, "estamos ajudando a política monetária."De acordo com Mantega, é a política monetária que vai manter a inflação dentro das metas, o que já está sendo praticado. "Nós estaremos ajudando, reduzindo a demanda agregada."Mantega disse que a concepção do fundo é exatamente a mesma que já foi anunciada. "Nada foi mudado, só que, neste momento, a prioridade é o combate à inflação. É a garantia de que a inflação brasileira está sob controle e vai continuar assim."

STF abre inquérito contra Paulinho, ainda sem relator

No Estado de São Paulo

O Supremo Tribunal Federal (STF) abriu inquérito para apurar o envolvimento do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força Sindical, no esquema de desvio de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Designada relatora do inquérito, a ministra Ellen Gracie devolveu o caso para o presidente interino do tribunal, ministro Cezar Peluso. Ellen havia sido escolhida porque já havia negado liminar ao advogado Ricardo Tosto, também investigado pela Polícia Federal na Operação Santa Tereza. O STF sorteará um novo ministro relator.Com o inquérito aberto, o relator poderá autorizar, já a partir da semana que vem, uma série de diligências, entre elas a quebra de sigilo bancário e telefônico do parlamentar. No inquérito, o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, pediu autorização do Supremo para investigar se Paulinho se envolveu ou não no desvio de recursos em contratos do BNDES. O dinheiro desviado teria passado por contas de organizações não-governamentais (ONGs) ligadas a ele próprio e ao lobista João Pedro de Moura, seu amigo e ex-assessor. Na Operação Santa Tereza, a PF apreendeu comprovante de depósito bancário de R$ 37,5 mil na conta da Meu Guri, ONG presidida por Elza Pereira, mulher de Paulinho.A força-tarefa da PF recolheu ainda no escritório do empresário Marcos Mantovani cópia de um cheque de R$ 18 mil, que teria sido destinado a Paulinho. Também réu no processo BNDES, Mantovani é dono da Progus Consultoria e Assessoria, apontado como consultor da organização criminosa e parceiro de Moura. "Esse cheque que era (para) Paulinho, era da Força Sindical, que o João Pedro levou para colocar em projetos que eles têm ou ONGs que ele tem", declarou o empresário em depoimento à polícia.O procurador-geral havia recebido, na semana passada, documentação do Ministério Público Federal em São Paulo sobre as investigações da PF. Ao examinar a papelada, concluiu que era necessário pedir ao STF autorização para investigar Paulinho - procedimento obrigatório em virtude de sua condição de deputado federal. Com a abertura do inquérito, o parlamentar passa a ser investigado em caráter oficial, com a possibilidade de quebra de sigilo telefônico, bancário e fiscal.Desde o início da Operação Santa Tereza, em dezembro, a PF passou a esbarrar com o nome de Paulinho. Não fechou o cerco porque não tem competência legal para investigar o parlamentar, que detém foro privilegiado perante o STF. Mesmo assim, citou-o no inquérito BNDES pelo menos 75 vezes, ligando-o aos principais operadores do suposto esquema. O deputado está sendo processado também no Conselho de Ética da Câmara, por quebra do decoro parlamentar. A denúncia contra ele foi feita pelo corregedor-geral da Câmara, Inocêncio Oliveira (PR-PE), com base na documentação da PF e nas reportagens sobre o caso.

Nem tão distante assim

Por Cláudio Dantas Sequeira
na Folha de São Paulo


As Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) foram impedidas de participar da reunião do Foro de São Paulo realizada no Memorial da América Latina, na capital paulista, em julho de 2005. A ocasião marcou os 15 anos de fundação do grupo -que reúne os partidos de esquerda latino-americanos- e contou com a presença do presidente Lula.A tentativa frustrada está registrada em e-mail atribuído a Raúl Reyes, obtido pela Folha, e foi confirmada pelo advogado colombiano Pietro Lora Alarcón. Professor da PUC-SP, Lora disse que foi procurado pelo padre Olivério Medina, então embaixador das Farc no Brasil."Olivério queria se pronunciar na reunião do Foro e me entregou um pedido formal, que eu apresentei ao grupo de trabalho", afirmou o advogado. "Mas o pedido acabou rejeitado pela secretaria executiva do Foro, ocupada pelo PT."Lora explicou que participou do Foro de São Paulo na condição de membro do Comitê Permanente pela Defesa dos Direitos Humanos na Colômbia. "Nunca tive qualquer relação com as Farc", disse.Em outro e-mail sobre a reunião, de junho de 2005, Lora é chamado de "camarada" por Rodrigo Granda, "chanceler" das Farc, que dá outra versão do episódio: "Informam-nos que o camarada Pietro Lora não participou da reunião do grupo de trabalho do Foro, porque, segundo disse, nunca recebeu de Bogotá o documento para apresentar ali".As Farc também foram barradas num seminário ocorrido na Nicarágua, em 2004. Um ano depois da chegada de Lula ao poder, o PT teria assumido um distanciamento estratégico em relação à guerrilha colombiana. "Os brasileiros não estavam interessados em que as Farc participassem da reunião na Nicarágua", escreveu Granda a Reyes. Na mensagem eletrônica, o "chanceler" ressalta que preferiu enviar ao encontro em Manágua apenas um representante, "Hermes", recomendando-lhe discrição.No final de 2005, Pietro Lora foi procurado pelo vereador Edson Albertão (PSOL, ex-PT), de Osasco. O político queria do advogado um parecer favorável à concessão do refúgio político a Olivério Medina, que havia sido preso como alvo de um processo de extradição movido pela Justiça colombiana.O parecer foi entregue ao Conare (Comitê Nacional de Refugiados), mas Lora acha que o documento não teve nenhuma influência na decisão do órgão de conceder asilo político a Medina no Brasil, em 2007.

Brasil será sócio nº 1 de Cuba, diz Amorim

Por Flávia Marreiro
na Folha de São Paulo

O Brasil quer ser o "sócio número um" na "nova fase" da vida de Cuba. A mensagem foi trazida pelo chanceler brasileiro, Celso Amorim, que viajou a Havana com uma comissão de empresários. Ele assinou ontem um acordo para avançar a cooperação técnica para o plantio de soja na ilha, uma das raras experiências de parceria com estrangeiros em agricultura, alçada ao patamar de área estratégica pelo novo líder cubano, Raúl Castro."Este é um momento novo, renovado de Cuba. O Brasil não quer ser o sócio número dois, quer ser o sócio número um no progresso da ilha", disse o chanceler, ao lado do colega cubano, Felipe Pérez Roque.O principal parceiro e aliado de Cuba é há alguns anos a Venezuela de Hugo Chávez, o que reveste o recado brasileiro também de sentido político (embora Amorim tenha dito que a liderança brasileira se dará "sem excluir" outros países). O Brasil é o número dois no ranking de intercâmbio comercial de Cuba com a América Latina (US$ 412 milhões em 2007), mas só o oitavo no mundo.A missão brasileira chegou a Cuba anteontem para aprofundar os acordos fechados na visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à ilha -definida por Amorim como "de trabalho e de afeto". Segundo o ministro, Lula acompanha "pessoalmente" a parceria bilateral.Se não tem os mais de US$ 2 bilhões anuais do comércio Venezuela-Cuba, que se traduz na troca de muito petróleo barato por serviços médicos cubanos e lastro ideológico, a proposta do Brasil é oferecer cooperação técnica, ajudar na "segurança alimentar" da ilha e negociar investimentos em infra-estrutura. Como os combustíveis, os últimos dois também são gargalos da economia cubana.O único acordo assinado foi um instrumento jurídico para aprofundar a parceria técnica, por meio da Embrapa, para semear até 40 mil hectares de soja em Cuba. A parceria não envolve aquisição de terras.Para conhecedores da ilha, a posse de terras por estrangeiros é veto consagrado pelo regime castrista, mas o investimento estrangeiro já acontece em vários setores desde os anos 90."As pessoas têm uma visão errada da economia de Cuba. O investimento estrangeiro está nas mais importantes áreas da economia. No turismo, na geração de energia, na exploração de petróleo", disse o ministro de Comércio Exterior cubano, Raúl de La Nuez.
Na mão de militares
O projeto da soja foi entregue às mãos da alta cúpula militar e é também acompanhado "pessoalmente" por Raúl Castro, como frisou o chanceler Pérez Roque em conversa com Amorim, diante dos jornalistas.Da cerimônia de assinatura, participaram os dois responsáveis pela iniciativa, o general-de-divisão, Ruben Martínez Puente, diretor da União Agropecuária, espécie de braço militar para projetos agropecuários, e o coronel Abel Izquierdo, chefe da Direção Econômica das Forças Armadas.Desde 2006, Raúl Castro anunciou ênfase na produção agropecuária, com uma série de medidas para ampliar a produtividade. E não parece um acaso que o projeto com o Brasil fique sob comando dos militares.Raúl foi chefe das Forças Armadas desde 1959 e, na profunda crise dos anos 90, foram os militares que assumiram, e comandam até hoje, setores estratégicos da ilha como o turismo, a principal fonte de divisas.Da missão brasileira, participaram representantes de cerca de 40 empresas, entre elas a construtora Camargo Correa e a Volvo -capital brasileiro já está na ilha em uma parceria para a produção de tabaco e na importação de máquinas agrícolas, principalmente. Também vieram representantes do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Segundo Amorim, o Brasil já tem acordo para crédito de US$ 150 milhões para a importação de alimentos. A Apex, agência brasileira de apoio à exportação, vai abrir escritório em Havana.

Lula deixa de ir a inaugurações em capitais

Por João Carlos Magalhães
na Folha de São Paulo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que sua visita a Belém ontem deve ser a última a uma capital do país para anunciar obras até o fim das eleições municipais deste ano. A assessoria da Presidência não informou quantas capitais Lula já visitou neste ano."A partir de agora, vou esperar passar o processo eleitoral para voltar, porque quero voltar e inaugurar escolas técnicas, universidades, estradas, ferrovias, portos e aeroportos", disse Lula, durante cerimônia de lançamento de uma obra do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) na cidade.Além de não querer correr o risco de cometer ilegalidades em relação à legislação eleitoral, há também a possibilidade de não querer desagradar a líderes locais, ao subir em algum palanque, especialmente em cidades onde ainda não está claro quem o presidente apoiará.Logo no início de sua fala, Lula criticou vaias que partiram da platéia para o prefeito de Belém, Duciomar Costa (PTB), e, depois, para a governadora Ana Júlia Carepa (PT), que estavam no palanque. Ele disse que aquela cerimônia era um "ato institucional", na qual estava se "exercitando a democracia".Lula chegou a dizer que uma de suas preocupações era que a imprensa, ao relatar como tinha sido o episódio, não falasse dos investimentos ou dos planos anunciados, e sim das vaias."A minha preocupação é amanhã a imprensa, em vez de retratar os recursos para o Estado, retratar que o pessoal do PT vaiou o prefeito, que o pessoal do prefeito vaiou a governadora", afirmou.O presidente também voltou a defender a recriação da Sudam (Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia), afirmando que o órgão é um exemplo de que se deve preservar uma instituição, mesmo quando seus membros são acusados de atos ilícitos -como ocorreu com a instituição.Lula defendeu a punição a servidores que cometam irregularidades. "A gente pune a pessoa e salva a instituição", disse ele, que fizera discurso parecido no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), na semana passada, no Rio de Janeiro.Ao final da cerimônia, antes de seguir viagem para a Itália, o presidente foi questionado se as acusações ao deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho, manchavam a história do movimento sindical. Disse que não poderia responder, pois está viajando muito e não tem acompanhado a história.O deputado Paulinho é suspeito de participar de um esquema de desvio de recursos de empréstimos do BNDES, desbaratado pela Operação Santa Teresa da Polícia Federal.

Garotinho diz que governo Lula o persegue

Por Sérgio Torres
na Folha de São Paulo

Embora não o tenha citado formalmente em seu programa de rádio ontem, o ex-governador Anthony Garotinho responsabiliza indiretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela acusação da PF (Polícia Federal) de que é o chefe político de uma quadrilha armada. Para ele, a PF agiu de modo diferente com os ex-dirigentes petistas José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares."Será que eles [policiais] revistaram a casa do José Dirceu, acusado de estar envolvido com milhões do mensalão? Será que revistaram a casa do José Genoino, presidente do PT acusado de um monte de crimes? Será que revistaram a casa do Delúbio Soares, o tesoureiro do PT?", perguntou aos ouvintes do "Fala Garotinho" programa diário transmitido pela rádio Manchete AM do Rio.Garotinho disse ser vítima de perseguição política por ser opor ao governo federal e ao seu modelo econômico: "Eles querem me difamar, me caluniar porque é ano de eleição", falou, possivelmente de sua casa, na zona sul, por telefone.Por causa da acusação e da busca judicial ocorrida em sua casa, Garotinho preferiu participar à distância do programa que apresenta. Coube a sua filha mais velha, Clarissa Matheus, comandar o "Fala Garotinho". Líder da juventude do PMDB, cujo diretório estadual é presidido pelo pai, Clarissa chorou durante a programação, assim como ouvintes que participavam dos debates.O ex-governador procurou tranqüilizá-los, afirmando entender as motivações do que chamou de "perseguição"."Tenho absoluta certeza de quem está por trás disso. Vou esperar o momento oportuno para dizer. Tenho a absoluta convicção do que está por trás disso. Quem e o quê. (...) Tenho sido um homem ao longo da minha vida bombardeado pelas minhas posições. Sou nacionalista, defendo o Brasil, amo o meu país. Eu tenho denunciado todas as tentativas de prejudicar o nosso país, através dos bancos, através de grandes empresas que querem sugar o sangue do nosso povo brasileiro."Garotinho afirmou que Lula repetiu em seu governo programas sociais que ele implantou em Campos (sua cidade natal) como prefeito, e no Estado do Rio, como governador."Eu sou um político que defendo os pobres, os mais humildes, as pessoas mais simples. Sempre fui assim. Fiz uma opção na minha vida pelos mais necessitados. Por isso algumas vezes sou até mal compreendido, sou chamado de populista, sou chamado de demagogo. (....) As minhas políticas públicas, quando imitadas pelos outros... isso não é chamado de populismo. Eu criei o Cheque Cidadão. Aí é populismo. O Lula copiou e criou o Bolsa Família. Aí não é populismo. Eu criei um programa muito bonito de proteção a criança desde que era prefeito da cidade de Campos. Isso é populismo. Aí o Lula cria um programa para incentivar a criança. Aí não é populismo."Garotinho rebateu a acusação de que é o chefe político de uma quadrilha armada. "Eu nunca peguei num revólver para dar tiro na minha vida. As pessoas que me conhecem sabem que a única arma que eu uso é a Bíblia", declarou.Pelo segundo dia consecutivo, a Folha tentou falar com o ex-governador. Anteontem, sua assessoria informou que ele não daria entrevista. Ontem, nem os assessores responderam aos telefonemas.

A irrelevância declarada

Costumo publicar na íntegra os artigos de Diogo Mainardi e Roberto Pompeu de Toledo. Mas, a Veja desta semana traz uma matéria sobre as idéias ultrapassadas dos dinossauros esquerdistas que participaram do 14º encontro do Foro de São Paulo. Segue abaixo a reportagem na íntegra:

Um parque dos dinossauros políticos instalou-se durante quatro dias em um edifício à beira-rio em Montevidéu: o 14º Encontro do Foro de São Paulo, que reuniu partidos de esquerda da América Latina e Caribe, entre 22 e 25 de maio. A quantidade de participantes era relativamente grande – 840 delegados, representando 107 organizações de 32 países –, mas a diversidade de idéias fossilizadas era pequena. Apesar de muitos desses partidos e organizações estarem representados em treze governos do continente (as contas são do Foro), o que se ouviu nos debates foram cinqüenta horas de monocórdia repetição de refrões da Guerra Fria – "condenar a crescente e permanente ameaça dos Estados Unidos contra os povos do mundo", "defender a revolução cubana". A idade média dos presentes, pelo menos entre os mais ativos na tribuna, era de 60 anos. Muitos deles são militantes comunistas que, vinte anos depois de essa ideologia fracassada ter sido varrida da história, ainda não arejaram suas idéias políticas. Apesar de os membros do Foro de São Paulo participarem de tantos governos, só um presidente, o da Nicarágua (o segundo país mais pobre do continente, atrás apenas do Haiti), compareceu ao convescote. Nem o presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, cuja coalizão era a anfitriã do encontro, deu as caras. O naipe dos principais oradores em Montevidéu – o nicaragüense Daniel Ortega e o petista Marco Aurélio Garcia, assessor do presidente Lula – ressalta a irrelevância política dos debates que aconteceram em Montevidéu.

É bom que o que foi dito lá não tenha maior repercussão. Se o Foro de São Paulo servisse como um ponto de inflexão capaz de formular políticas para os partidos participantes, a esquerda latino-americana seria convocada a se empenhar em aventuras desastrosas para os povos da região. Para exemplificar o perigo das idéias expostas e aplaudidas em Montevidéu, temos o desprezo que o presidente nicaragüense dedica à democracia. Em seu discurso, ele assim descreveu esse sistema de representação popular: "Trata-se de um instrumento para os capitalistas se perpetuarem no poder". Em seguida, Ortega explicou que apenas aprendeu a usar os meios do inimigo para ascender democraticamente ao comando do país. Já o brasileiro Garcia tratou de atacar a imprensa independente e, revelando-se generoso com o dinheiro que não é dele nem do governo petista, mas do povo brasileiro, ofereceu aos outros países latino-americanos uma participação na exploração das novas reservas petrolíferas encontradas no Brasil.

O Foro de São Paulo foi criado em 1990, por iniciativa do PT, com o objetivo de discutir os rumos da esquerda latino-americana – dado o fato evidente de que o comunismo tinha fracassado na Europa. Entre as organizações fundadoras estavam o Partido Comunista de Cuba e as Farc, o grupo terrorista colombiano. Lula acabara de perder as eleições presidenciais para Fernando Collor e, com exceção da ditadura de Fidel Castro em Cuba, não havia nenhum governo de esquerda na região. O foro era uma espécie de convescote dos desesperados. De lá para cá, muitos dos partidos que participam da entidade chegaram ao poder. Uma análise das declarações finais de todos os catorze encontros temáticos revela que as mesmas palavras de ordem continuam a ser repetidas desde o primeiro foro. Nenhuma proposta viável sobre o que fazer com o poder emergiu dos debates entre os esquerdistas. A rotina do foro em Montevidéu deixa claro por que isso acontece: simplesmente, não havia debate de idéias ou a intenção de apresentar novas interpretações.

As Farc, que até quatro anos atrás participavam ativamente dos trabalhos do foro, continuam a ser tratadas como uma companheira de jornada. Foram feitas críticas genéricas à prática de seqüestro e narcotráfico – os negócios das Farc –, mas a organização criminosa nunca foi citada nominalmente. Os participantes passaram a maior parte do tempo a discutir procedimentos, a fazer monólogos recheados de chavões esquerdistas ("luta popular", "povo irmão" e "tirania do capitalismo global") e a discordar entre si sobre incluir ou não determinada palavra na declaração final. Todo o falatório era acompanhado de paranóia constante sobre o que podia ou não vir a público. A lista de partidos, por exemplo, era divulgada, mas a dos participantes inscritos, não. As reuniões do Grupo de Trabalho, a cúpula do foro, eram feitas a portas fechadas. Cuidados supérfluos, visto que ali se discutiam apenas questões burocráticas. No primeiro dia, parte do debate foi ocupada pela questão do número de companheiros que poderiam ir ao jantar de confraternização, pois não havia lugar para todos. Decidiu-se que seriam 32.

O clima de camaradagem dominava os corredores. Todos se tratavam por "companheiro" e pareciam felizes de fazer parte da mesma família ideológica. Quando um companheiro subia ao púlpito para falar, no entanto, a platéia aproveitava para um cochilo. Só despertava do torpor a partir do momento em que eram proferidas palavras-chave, como "viva Cuba", "imperialismo" ou "neoliberalismo". Uma rara decisão prática do foro foi a de apoiar a "política de recuperação da soberania energética e territorial" do Paraguai. A secretaria executiva do foro – chefiada por Valter Pomar, secretário de relações internacionais do PT – comprometeu-se a trabalhar para que o governo do Brasil aceite discutir a questão da hidrelétrica de Itaipu. Uma resolução, portanto, afinada com os planos antibrasileiros do presidente eleito do Paraguai, Fernando Lugo. Se decisões como essa vão ou não para a frente, isso depende da validade do que disse Pomar a VEJA no primeiro dia do foro: "Não existe um paralelismo entre o que querem os partidos aqui presentes e a ação dos governos que eles apóiam em seus países". É a irrelevância declarada.

"…e o governo se diverte" por Roberto Pompeu de Toledo

Aos 186 anos de vida independente, 119 de regime republicano e cinco de governo Lula da Silva, o Brasil assistiu, na semana passada, a uma cena histórica. Numa cerimônia pública, um ministro beijou a testa do presidente. Nunca antes neste país. O beijo foi perpetrado pelo performático e caloroso novo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, na testa do presidente Lula. Como Minc é quase uma cabeça mais alto que Lula, a imagem resultante era a do pai abençoando o filho, o mestre o discípulo, o chefe o subordinado. Impunha-se uma vez mais o estilo espantosamente desinibido do ministro Minc. Sua mão segurava o pescoço do presidente, com o carinho e a condescendência que os grandes devem aos pequenos.
Ora, direis, que mal há num beijo na testa? Manifestações semelhantes são hoje em dia banais, e não apenas beijo na testa como também na boca, entre pessoas apenas amigas, e mesmo homem com homem e mulher com mulher. No ambiente do show business, são até obrigatórias. Compõem a etiqueta do setor, assim como a genuflexão diante da rainha compõe a etiqueta do Palácio de Buckingham. Eu vos direi no entanto que o problema é justamente que, em que pesem os coletes do novo ministro, governo não é showbiz. O beijo ocorreu durante a posse de Minc, no Palácio do Planalto. Foi o ponto culminante de uma cerimônia toda ela ocorrida num clima de gandaia, o presidente se esmerando no papel, a ele tão caro, de animador de auditório.
O Brasil em geral, e o governo em particular, ainda não entendeu o que está acontecendo. A questão do meio ambiente mudou de patamar, mundo afora. Trinta anos atrás era uma bizarria de uns poucos. Vinte anos atrás começava a ser acolhida pelos governos, mas numa posição marginal. De dez anos para cá foi se deslocando da margem para o centro e, ao impulso das notícias sobre mudança climática, chegou ao coração dos governos e das sociedades, principalmente no mundo desenvolvido. É reflexo disso que em sua recente visita ao Brasil a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, a tenha trazido como item nº 1 da agenda.
Muito menos, o Brasil em geral, e o governo em particular, se mostra atento ao que está por vir. A mudança de presidente nos Estados Unidos, qualquer que seja o vencedor da eleição, promete outro giro do torniquete. Por enquanto os EUA estão atrás da Europa na atenção às políticas ambientais. Têm o rabo preso no ceticismo com que o governo Bush encara os alertas de aquecimento global e em sua recusa em assinar o Protocolo de Kioto. Isso vai mudar. Tanto John McCain quanto Barack Obama e Hillary Clinton já incluíram no centro de seus discursos a questão climática e em seus programas a adesão a Kioto. Com quem vão estrilar, com quem, com quem? O Brasil. Quando se fala em clima e ambiente, fala-se em Amazônia.
O Brasil já está, e estará mais ainda, na berlinda. A posse do novo ministro do Meio Ambiente era ocasião para um discurso sério e firme do presidente, dirigido ao país e ao mundo. Ainda mais que Minc entra no lugar de Marina Silva, símbolo da luta pela preservação da floresta, cuja saída ela própria fez questão de revestir de um ar de derrota da causa. Em vez disso, tivemos beijo na testa e, da parte do presidente, as piadas e as costumeiras "apologias" (ele queria dizer "analogias") com o futebol. A única coisa séria era a cara da ministra demissionária. Marina Silva não ria das graças do ex-chefe. Seu rosto emitia um mau sinal para os interessados na questão ambiental ao redor do mundo.
Na mesma medida em que o meio ambiente foi se deslocando para o centro das preocupações de sociedades e governos, o fantasma da internacionalização da Amazônia foi se tornando menos fantasma. O que antes não podia ser dito em voz alta por um estrangeiro perdeu a vergonha no brado do jornal inglês The Independent ao comentar a demissão de Marina da Silva: "A Amazônia é importante demais para ser deixada aos brasileiros". O que antes era produto de teorias conspiratórias ficou mais perto de virar proposta em foros internacionais. "A Amazônia tem dono", afirmou Lula, em outra ocasião durante a semana. É a velha síndrome, dos brasileiros em geral, e deste presidente em particular, de tratar as questões a golpe de retórica.
Está na hora, aliás já passou da hora, de o dono agir com firmeza contra as forças da motossera. De inventar alternativas para as populações amazônicas que não impliquem a destruição do meio ambiente. De quebra, de iniciar, antes que outros o façam, um trabalho sério de pesquisa das propaladas riquezas da floresta – por exemplo, criando uma Universidade da Amazônia, com recursos e programas ambiciosos o suficiente para atrair os melhores cérebros, o que poderia representar um projeto científico muito mais coerente do que a proliferação sem rumo das universidades federais e uma obra de governo com a grandeza e o investimento no futuro que tentações faraônicas como a transposição do São Francisco não têm. Senão... É esperar o avanço do torniquete. Ele mal começou a se mover.