sábado, 31 de maio de 2008

"O nome é Angela Maria Slongo" por Diogo Mainardi

A mulher de Olivério Medina, o representante das Farc no Brasil, foi contratada pelo governo Lula. Agora só falta arranjar um emprego para a mulher de Fernandinho Beira-Mar, outro criminoso ligado às Farc.
Em 29 de dezembro de 2006, Angela Maria Slongo foi nomeada pelo ministro da Pesca, Altemir Gregolin, para o cargo de oficial de gabinete II, com um salário de DAS 102.2. Angela Maria Slongo é mulher de Francisco Antonio Cadena Collazos, também conhecido como Olivério Medina, ou Padre Medina, ou Camilo López, ou El Cura Camilo. Quando Angela Maria Slongo foi nomeada pelo Palácio do Planalto – sim, o Ministério da Pesca é ligado diretamente ao gabinete do presidente da República –, Olivério Medina estava preso em Brasília, a pedido da Colômbia, seu país de origem, onde era acusado de atos terroristas e assassinatos.
Pausa. Respire fundo. É melhor repetir o que acabei de dizer. Pode ser que alguém tenha passado batido. É o seguinte: enquanto uma fatia do estado brasileiro cumpria a lei, prendendo um criminoso internacional, uma outra fatia – mais especificamente, Lula e seus ministros – o protegia, oferecendo à sua mulher um salário de apaniguada, a fim de que ela pudesse permanecer perto dele, numa chácara em Brasília, à espera do julgamento do STF, que iria decidir sobre sua extradição. Ele só saiu da prisão domiciliar no fim de março de 2007. Angela Maria Slongo até hoje continua aparelhada no Ministério da Pesca, recebendo seu salário de apaniguada, que acumula com o salário pago pelo governo do Paraná. VEJA pediu esclarecimentos sobre a escolha de seu nome para o cargo de confiança. O Ministério da Pesca informou que ela apenas mandou um currículo e foi selecionada por critérios profissionais. Simples? Simples.
Publicamente, Lula tenta se afastar da companhia das Farc. Às escondidas, seu governo dá cada vez mais sinais de irmandade com o grupo terrorista, como nesse caso da mulher de Olivério Medina. Nos computadores de Raúl Reyes, o terrorista morto pelos soldados colombianos, foi encontrada uma mensagem de Olivério Medina em que ele dizia poder contar com o apoio da "cúpula do governo" brasileiro, em particular com o ministro Celso Amorim. O papel de Olivério Medina no Brasil, de acordo com o jornal colombiano El Tiempo, era "trocar cocaína por armas e fazer o recrutamento de simpatizantes". O recrutamento de simpatizantes podia ser feito até mesmo no Ministério da Pesca. Já a troca de cocaína por armas passava por outros canais. Numa de suas mensagens sobre o tema, Olivério Medina referiu-se a um certo "Acácio", identificado como o Negro Acácio, sócio de Fernandinho Beira-Mar no narcotráfico.
Um relatório oficial da Abin acusou Olivério Medina de ter oferecido dinheiro das Farc à campanha eleitoral de candidatos petistas. Quando VEJA fez uma reportagem sobre o assunto, um monte de gente chiou. Para os agentes da Abin, os membros do PT que receberiam o dinheiro eram aqueles das correntes mais esquerdistas do partido, como a do ministro da Pesca, que contratou a mulher de Olivério Medina. Sempre que alguém morre no Brasil por um crime relacionado ao tráfico de drogas, pode-se dizer que há um dedo das Farc. O grupo terrorista está perdendo terreno na floresta colombiana. Mas chegou ao poder nos morros brasileiros e na Esplanada dos Ministérios.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

É o Foro de São Paulo, estúpido!!!

Não é de hoje que Olavo de Carvalho, Graça Salgueiro e Reinaldo Azevedo estão falando sobre o Foro de São Paulo. Ao ler a reportagem (postada logo abaixo) que está no site da revista Época pensei: “É o Foro de São Paulo, estúpido!!!”.
Quer dizer que Raul Reys, o número 2 das Farc, mandou três cartas para Lula? Quer dizer que um parlamentar do PT entregou as cartas pessoalmente ao fundador do Foro de São Paulo em 2003? Quer dizer que o chefe dos narcoterroristas queria ratificar as políticas de fronteiras entre a Colômbia e o Brasil? Então, o parlamentar petista que entregou a carta de Reys à Lula tem contato com os narcotraficantes colombianos. É claro que tem contato. O PT apóia as Farc.
Mais uma vez eu repito: LULA É O FUNDADOR DO FORO DE SÃO PAULO. LULA É AMIGO DAS FARC E AS FARC SÃO RESPONSÁVEIS POR 70% DAS DROGAS COMERCIALIZADAS POR FERNANDINHO BEIRA MAR.
Esta troca de correspondências entre Raul Reys e Lula precisa ser investigada. Mais: precisamos levar Lula à Justiça. Lula não merece estar onde está. Lula é o fundador do Foro de São Paulo. Lula é amigo das Farc e as Farc são responsáveis por 70% da droga comercializada por Fernandinho Beira Mar. Enquanto levamos Lula à Justiça poderíamos cobrar maior vigilância na fronteira, principalmente no espaço que divide o Brasil da Colômbia.

Farc tentaram estreitar relações com governo Lula

Por Rodrigo Rangel
na Época online

O ex-líder das Farc Raúl Reyes, morto em março durante um ataque das forças oficiais colombianas ao acampamento que mantinha no norte do Equador, tentou, oficialmente, estabelecer laços entre a guerrilha colombiana e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. ÉPOCA teve acesso, com exclusividade, a três cartas que Reyes enviou para Lula em 2003, primeiro ano de governo do petista. As correspondências foram levadas ao gabinete presidencial, no Planalto, por um parlamentar do PT. Num dos textos, Reyes manifesta expressamente o desejo das Farc de estabelecer “relações político-diplomáticas” com o próprio Lula e com seu governo. O chefe guerrilheiro também pede uma conversa, “pessoalmente”, com o presidente brasileiro para tratar de “temas de benefício recíproco” (confira trechos abaixo).
Em outra carta, Reyes aproveita a chegada de Lula ao poder para tratar da presença da guerrilha na zona de fronteira entre Colômbia e Brasil. “Queremos aproveitar para ratificar, junto ao senhor, oficialmente, a política de fronteiras das FARC-EP: nossa organização tem profundo respeito pelos povos e governos vizinhos da Colômbia. Por essas razões, nossas unidades não intervêm em assuntos internos de seus países, nem estão autorizadas para executar operações militares fora das fronteiras da Colômbia”, escreveu Reyes, em correspondência datada de 20 de março de 2003. A afirmação sobre o que o ex-chefe guerrilheiro chama de política fronteiriça das Farc precede um pedido tácito a Lula para que a fronteira do Brasil com a Colômbia pudesse ser uma zona livre para a guerrilha: “Em troca, trabalhamos entusiasmados para fazer das fronteiras verdadeiros remansos de irmandade, concórdia e paz com nossos vizinhos, no marco de boas relações políticas de benefício recíproco”. As Farc atuam livremente na linha de fronteira colombo-brasileira, como mostrou reportagem recente de ÉPOCA (
leia aqui).
Nas correspondências, escritas em espanhol, Raúl Reyes tratou, também, de fazer campanha contra o governo do presidente Álvaro Uribe e sua aliança com os Estados Unidos. Ele tenta obter o apoio de Lula para frente à política de Uribe. “Consideramos oportuno informar-lhe que o governo paramilitar, ilegítimo de Álvaro Uribe Vélez, cumpre sem reparos todas as exigências do Governo de [George W.] Bush sem que ninguém o pressione, e o faz por convicção e porque está plenamente identificado com as políticas do império estado-unidense”, escreveu. Ele relaciona a aliança do governo colombiano com a Casa Branca a uma suposta “geoestratégia norte-americana em nossa extensa e rica região amazônica”.

Muito bom

Estou ouvindo The Beatles Anthology, aquela coletânea que Paul McCartney, Ringo Starr e George Harrison lançaram nos anos 1995 e 1996 com duas músicas inéditas de John Lennon que havia sido gravada dias antes da sua morte. Os beatles restantes colocaram voz e outros instrumentos no demo deixado por John. Free as a Bird e Real Love são as músicas que os Beatles lançaram na década de 1990.
A antologia dos Beatles mostra os quatro gravando suas músicas no estúdio ou tocando ao vivo. Estou ouvindo agora Strawberry Fields Forever. É um dos vários takes antes da música ficar pronta. Estou impressionado com o riff da bateria do Ringo no final do take. Quem pensa que o Ringo só mostrou os seus dotes de baterista no riff da música The End do álbum Abbey Road está enganado. Em 1966 ele já mostrava que era dos bons. Também, pra fazer parte da melhor banda de todos os tempos tem que ser bom mesmo. Recomendo os discos.

Ele recuou

E não é que Lula recuou? Até bem pouco tempo atrás ele vivia dizendo que não estava nem aí para as críticas e que participaria das obras do PAC sim? Ele até brigou com o ministro Marco Aurélio Mello. O ministro alertava Lula para a lei eleitoral que não permitia tais ações por conta das eleições que acontecerão em outubro. Os lulistas bolivarianos criticaram o ministro Marco Aurélio Mello. Eles acham que estão acima da lei.
Pois é, leio no Estadão online que Lula só vai lançar obras do PAC depois das eleições. Toda crítica contra Lula é válida. É preciso continuar assim. Já imaginou se a gente afinasse pra ele? Era bem capaz de Lula inaugurar obra do PAC no dia da eleição em outubro. A lei deve ser cumprida e Lula não está acima dela.

Fiquemos de olho

Os governistas querem ressuscitar a CPMF. Precisamos ficar de olho nos deputados que estão querendo enfiar a mão no nosso bolso com este imposto que, como todos nós sabemos, não tem a saúde como destino. Fiquemos de olho!!!

E de repente tudo melhorou

Ontem, o governador de Goiás Alcides Rodrigues, o popular Cidinho lançou um programa de recuperação das rodovias goianas. Ele disse que o programa é fruto dos bons resultados da reforma administrativa aprovada nesta semana na Assembléia Legislativa. Agora vai ser sempre assim: tudo de bom que acontecer no governo é por causa das melhorias promovidas pela reforma. Pois é, até hoje não sabemos onde começou a crise e por que Cidinho a ocultou na campanha eleitoral de 2006. Como vemos, tudo melhorou. Até bem pouco tempo atrás era o caos, falta de dinheiro e outras coisas mais. Agora é só maravilha, só alegria. Vai ver o defeito mesmo é deste blogueiro que só enxerga o mundo com uma visão pessimista. Mas cá entre nós: que foi muito bom ver os otimistas de plantão chocados com o fracasso do tempo novo isso é verdade. E vocês acham que este programa de recuperação das rodovias vai pra frente? Logo, logo eles vão culpar São Pedro pelo atraso das obras.

PT aceita união informal com tucanos em BH

Por Vera Rosa
no Estado de São Paulo

O Diretório Nacional do PT deverá recomendar hoje à seção municipal do partido em Belo Horizonte que retire o PSDB da aliança para a eleição municipal na capital mineira, mas permitirá a coligação informal. O acordo começou a ser costurado ontem em reunião do antigo Campo Majoritário - corrente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva - com o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, e a tendência é que receba sinal verde das outras alas do PT. A saída para o impasse é uma proibição que não pode soar como veto à parceria com o governador de Minas, Aécio Neves.Se tudo correr como o script combinado, a cúpula do PT passará a borracha nos verbos "proibir" e "vetar", que serão substituídos pela recomendação. A proposta feita sob medida para encerrar a crise prevê que o Diretório Municipal petista acate a "orientação" e faça a dobradinha com o PSDB de maneira informal, sem casar de papel passado com os tucanos. Formalmente, a aliança será com o PSB e, portanto, a coligação não terá direito ao dote de quatro minutos diários, no horário eleitoral gratuito de TV, destinado ao PSDB. O candidato à Prefeitura de Belo Horizonte é Márcio Lacerda (PSB), ex-secretário de Desenvolvimento Econômico do governo Aécio, e o vice, o deputado estadual Roberto Carvalho (PT).O jogo de palavras para amenizar a dureza do veto em Belo Horizonte foi a fórmula encontrada, na opinião de dirigentes do PT ouvidos pelo Estado, para que não haja vencidos nem vencedores no episódio. A solução começou a ser articulada na terça-feira, depois que Lula entrou em campo para reverter a decisão da Executiva Nacional de proibir a aliança.Em dois telefonemas antes de viajar para o exterior, Lula disse ao presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), que era preciso encontrar uma saída para o impasse. Além disso, deputados do PT como André Vargas (PR), João Paulo Cunha (SP), José Genoíno (SP), Virgílio Guimarães (MG), José Guimarães (CE) e Maurício Rands (PE), líder da bancada, fizeram a mediação entre Berzoini, Pimentel e o Palácio do Planalto, para construir o acordo. As conversas foram intensificadas na quarta-feira em reuniões com Luiz Dulci, ministro da Secretaria-Geral da Presidência, e Gilberto Carvalho, chefe de gabinete de Lula.Apesar da polêmica criada em Belo Horizonte, sob o argumento de que a dobradinha fortaleceria Aécio - pré-candidato do PSDB à sucessão de Lula, em 2010 -, o PT já aprovou 12 coligações com partidos que não integram a base do governo. Levantamento do Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE) indica, ainda, que há cerca de 500 pedidos de aliança entre o PT e legendas que não apóiam Lula.Em Carapicuíba (SP), por exemplo, o PT tem o arquiinimigo DEM na coligação. O mesmo ocorre em Campinas, onde o DEM está na aliança, encabeçada pelo prefeito Dr. Hélio (PDT), que disputa o segundo mandato tendo o PT como vice. Não é só: em Aracaju (SE), o PSDB apóia a reeleição do prefeito Edvaldo Nogueira (PC do B) e, mais uma vez, o PT é vice da chapa.Embora a alegação do PT para criar caso em Minas seja a de que uma parceria assim pode jogar água no moinho de Aécio, na prática há fatores bem mais pragmáticos por trás da briga. O confronto na seara petista envolve disputas pelo controle do partido no Estado e a eleição para o Palácio da Liberdade, em 2010.

Em julgamento histórico, STF aprova uso de embrião

Por Felipe Seligman, Angela Pinho e Johanna Nublat
na Folha de São Paulo

Com bate-bocas e discussões acaloradas, o STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu ontem, no terceiro dia de julgamento e após mais de 15 horas de discussão, pela constitucionalidade do artigo 5º da Lei de Biossegurança, que permite as pesquisas com células-tronco embrionárias humanas.O julgamento, considerado um dos mais importantes da história do tribunal, colocou em lados opostos a Igreja e a comunidade científica e dividiu os integrantes da Corte.No final, prevaleceu a tese do relator do caso, ministro Carlos Ayres Britto, que votou pela liberação das pesquisas, sem a criação de novas restrições ou regulamentações. Com ele, votaram os ministros Ellen Gracie, Cármen Lúcia, Joaquim Barbosa, Marco Aurélio Mello e Celso de Mello.Já os ministros Carlos Alberto Direito, Ricardo Lewandowski, Eros Grau, Cezar Peluso e o presidente Gilmar Mendes, apesar de não considerarem inconstitucional o artigo da lei, propuseram "correções" à alguma "deficiência" legal.O tribunal começou a julgar no início de março uma ação de inconstitucionalidade proposta pelo ex-procurador-geral da República Claudio Fonteles.Na ocasião, o julgamento foi interrompido por um pedido de vista do ministro Carlos Alberto Menezes Direito, de formação católica. O relator do processo, Ayres Britto, já havia se manifestado a favor das pesquisas, assim como a então presidente do STF, Ellen Gracie.O julgamento foi retomado anteontem, mas foi suspenso após dez horas de votação. Ontem votaram Marco Aurélio Mello, Celso de Mello e o presidente do STF, Gilmar Mendes. Os dois primeiros acompanharam Britto integralmente.Ao defender as pesquisas, Marco Aurélio afirmou que os embriões que "fatalmente seriam destruídos podem ser aproveitados na tentativa de progresso da humanidade" e classificou como um "paradoxo" que, "ante material biológico que terá [como] destino único o lixo, seja proibida a utilização para salvar vidas". "Quanto preconceito, quanto egoísmo."Já Celso de Mello argumentou que o debate tratava do limite sobre a vida e a morte. "Mais do que um ato técnico, o julgamento foi um exercício solidário em defesa à vida."
Esclarecimento
A sessão começou com um pedido de esclarecimento do ministro Cezar Peluso. Ele afirmou que, ao contrário do que foi noticiado, seu voto não continha qualquer ressalva à lei. Anteontem, ele havia defendido que membros dos comitês que fiscalizam as pesquisas fossem responsabilizados criminalmente em caso de desvio ético e que um órgão aprovasse os membros de tais comitês.Horas depois, ao final da sessão, ele defendeu que estivesse expressa na decisão do tribunal que as pesquisas deveriam ser fiscalizadas pela Conep (Comissão de Ética em Pesquisa), ligada ao Conselho Nacional de Saúde -um projeto nesse sentido já tramita na Câmara.Sua ressalva foi rebatida pelo mais antigo ministro do tribunal, Celso de Mello, que não aceitou a inclusão do argumento na proclamação do resultado. Ele afirmou que Peluso não fazia parte da maioria vencedora, mas estava "em posição minoritária", já que não havia votado pela improcedência total da ação. Sua argumentação foi corroborada por Ayres Britto.Tal posição provocou um bate-boca entre Peluso e Mello. Peluso insistia em afirmar que não havia proposto qualquer restrição às pesquisas, mas queria que "ficasse claro" sua posição. Sob a reação negativa, afirmou: "Vossa Excelência [Celso de Mello] gastou uma hora para falar isso? Tudo o que nós falamos é inútil?". Eros Grau pediu então ao presidente que encerrasse a sessão."
Sem força
Não foi, porém, a única polêmica do dia. No início da sessão, a ministra Ellen Gracie pediu a palavra para comentar o voto de Direito, que propôs a adição de seis restrições -não previstas na lei- às pesquisas com células-tronco embrionárias. "A proposição final do voto de sua excelência, por todas as formas brilhante, praticamente produz uma adulteração da norma contida no artigo", com "tais e tantas condicionantes que eliminam a sua força normativa".Direito disse "lamentar" que a ministra "não tenha tido a oportunidade de acompanhar detalhadamente o voto".

Polícia descobre tentativa de fraude em licitação da Saúde

Por Lucas Ferraz
na Folha de São Paulo

Investigação da Polícia Federal desarticulou tentativa de fraude em uma licitação do Ministério da Saúde, no valor anual de R$ 50 milhões, de contrato que previa o transporte de remédios para todo o país. Os empresários Osvaldo Oliveira e Nilson Lima foram indiciados sob acusação de corrupção ativa e tentativa de fraude.Osvaldo é dono da Pontual, empresa de transporte de cargas com sede no aeroporto de Brasília. Nilson, a pedido de Osvaldo, teria oferecido propina entre R$ 100 mil e R$ 300 mil, segundo a PF, a dois servidores da coordenação de recursos logísticos do ministério para que o edital atendesse os interesses da Pontual -a denúncia foi feita pela pasta, depois que um dos servidores alertou sobre o assédio dos empresários.Osvaldo negou as acusações. "Não tenho nada, isso é coisa de concorrente. Sou empresário sério, trabalho com cargas há mais de 30 anos e tenho o nome limpo. Tenho contrato com governos e empresas."A Folha falou com Nilson Lima. "Estou por fora, não estou sabendo o que é [a denúncia]". De acordo com Osvaldo, Nilson, seu amigo de 30 anos, trabalha na Voetur Operadora, empresa que também faz transporte de cargas.A Operação Carga Bruta "ainda" não prendeu ninguém, como informou Wesley Almeida, chefe da delegacia de repressão a crimes fazendários. Novos depoimentos serão tomados -o inquérito termina na semana que vem. As investigações começaram em janeiro, quando a propina foi oferecida."O crime se materializou nesse momento", afirmou Almeida. Diferente de outras operações, a polícia agiu antes do pagamento da propina e do fim da licitação, que foi suspensa. "Foi um vampiro que não mordeu", concluiu o delegado, em alusão à Operação Vampiro, ocorrida em 2004 contra fraude na compra de medicamentos pela mesma pasta e que desviou R$ 120 milhões.
Pagamentos
Por serviços prestados a órgãos do governo federal, como os ministérios da Saúde e da Fazenda, entre outros, a Pontual recebeu, de janeiro de 2004 a abril deste ano, mais de R$ 35,2 milhões, de acordo com o Portal da Transparência (www.transparencia.gov.br). A pena por tentativa de fraude em licitação vai de dois a quatro anos de prisão, enquanto a de corrupção passiva varia de um a oito anos.

Garotinho formou quadrilha com ex-chefe da polícia, diz PF

Por Raphael Gomide e Sérgio Torres
na Folha de São Paulo

O ex-governador do Rio Anthony Garotinho e o deputado estadual e ex-chefe da Polícia Civil do Rio Álvaro Lins, ambos do PMDB, foram acusados pelo Ministério Público e pela Polícia Federal de integrar uma "organização criminosa" que usou a estrutura da segurança do Rio para praticar corrupção, extorsão, facilitação de contrabando e lavagem de dinheiro com propósito de enriquecimento pessoal e arrecadação para campanhas políticas. Lins e seis pessoas -entre familiares seus e policiais com quem trabalhou- foram presos e três outros policiais estavam foragidos. O sucessor de Lins na chefia da Polícia Civil, Ricardo Hallak, se entregou na noite de ontem. Não havia mandado de prisão contra Garotinho (denunciado sob a acusação de formação de quadrilha armada), mas agentes da PF fizeram buscas e apreenderam computadores e documentos em suas casas em Campos (norte fluminense) e em Laranjeiras (zona sul do Rio). O superintendente regional da PF, Valdinho Jacinto Caetano, afirmou, sem citar nomes, alegando segredo de Justiça, que a "quadrilha" tinha um chefe político, "um chefe maior", e um chefe político-operacional, que controlava policiais. O único político denunciado foi Garotinho. De acordo com a PF e o Ministério Público, o esquema dava cobertura e proteção a empresários sonegadores de impostos e a empresários de caça-níqueis e jogos de azar. "O foco da quadrilha era nomear determinados delegados para chefiar delegacias mediante compromisso de repassar pagamento mensal", disse Caetano. Principal alvo da PF, que o investiga há ao menos um ano e meio, Lins foi preso em seu apartamento, em Copacabana, em flagrante, após a apreensão de documentos de propriedades que seriam suas de fato, mas registradas em nome de parentes da mulher, Sissy Bullos (ela e mais três da família foram presos e denunciados), e de outras pessoas. Os bens estão sob a custódia da Justiça. Deputado, Lins só pode ser preso em flagrante por crime inafiançável. A Folha apurou que a Justiça Federal, na decisão, afirmou ver indícios suficientes de lavagem de dinheiro e ocultação de bens, em "situação flagrancial". Para a PF, foi um sinal de que poderiam dar voz de prisão a ele se houvesse no apartamento elementos que confirmassem as suspeitas. "Em várias delegacias, os denunciados faziam vista grossa a condutas ilegais em troca de altas quantias", afirmou o procurador Maurício Ribeiro, segundo quem Garotinho dava respaldo político ao grupo. "Sem sua participação, a quadrilha não conseguiria exercer as atividades ilícitas", disse. De acordo com o procurador Paulo Corrêa, Garotinho nomeava de acordo com a vontade do grupo. "Se tinham interesse em determinada delegacia, que permitiria extorquir empresários, para colocar delegado, isso tinha que passar pelo crivo de Garotinho", afirmou. A denúncia acusa Garotinho de ter, quando era secretário da Segurança do governo de sua mulher, Rosinha Matheus, trocado o chefe da Delegacia do Meio Ambiente para favorecer o grupo. Essa substituição foi fundamental para que Garotinho fosse incluído na quadrilha. O advogado Sérgio Mazzillo confirmou que houve a substituição, mas a pedido da Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro). Segundo ele, o delegado afastado por Garotinho está envolvido em irregularidades. O procurador Corrêa ressalvou que o governador foi denunciado por formação de quadrilha porque não há provas de participação na corrupção ou de que tenha se beneficiado financeiramente de forma direta. Para ele, o ganho do ex-governador foi "político".

quinta-feira, 29 de maio de 2008

E Lula não deu o calote

Mais uma agência de classificação promoveu o Brasil a grau de investimento. A primeira foi a Standard & Poor’s, agora foi a Fitch. Ainda bem que Lula continuou a política econômica iniciada no governo Fernando Henrique Cardoso. Seria interessante a gente lembrar que Lula e o petismo sempre criticaram a área econômica do governo anterior. Já imaginou se Lula como presidente colocasse em prática o discurso radical dos petistas? Ainda bem que Lula seguiu a política econômica do governo anterior. Ainda bem que Lula não deu o calote.

Arquivada

Foi arquivada a representação do PSOL contra Marconi Perillo. A Mesa do Senado argumentou que as denúncias são anteriores à posse de Marconi no Senado em 2007. Ele é acusado de tráfico de influência, peculato e caixa 2 na campanha eleitoral de 2006.
Quer dizer que tudo de ruim que um político faz não vale depois da posse. É preciso uma reforma política urgente. Como eu disse ontem aqui: o importante é investigar. E depois falam que Marconi está sendo perseguido...

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Eu sou do "investiguismo"

Aqui em Goiás, Marconi Perillo é quase unanimidade. Na imprensa então nem se fala. É ler os artigos exaltando o senador. Mexam com ele para ver as marconetes griladas.
As denúncias envolvendo Marconi devem ser investigadas. Enquanto as marconetes falam que as denúncias contra Marconi são “denuncismos”, eu defendo o “investiguismo”. Que se investigue tudo!

PSOL entra com representação para investigar senador tucano

Por Ana Paula Scinnoca
no Estadão online

BRASÍLIA - O PSOL entrou com representação contra o senador Marconi Perillo(PSDB-GO) na Mesa Diretora do Senado nesta quarta-feira, 28, para que o Conselho de Ética investigue se o tucano quebrou o decoro parlamentar. Marconi Perillo é acusado de ter feito caixa 2 e utilizado notas ficais falsas durante sua campanha ao Senado, em 2006. Ele teria ainda intercedido diretamente junto à juíza Beatriz Figueiredo Franco para que fosse tomada decisão favorável à prefeitura de Itumbiara. O tucano foi denunciado pela procuradoria-geral da república em processo que tramita em segredo de Justiça. A ex-senadora Heloísa Helena, presidente do PSOL, argumenta que o partido vê nas denúncias contra Perillo indícios de corrupção ativa, improbidade administrativa, formação de quadrilha, peculato, patrocínio ilícito, tráfico de influência e concussão. "O mandato não pode ser considerado uma ferramenta para obstaculizar a investigação de crimes cometidos ao longo da vida", disse Heloísa Helena.

Na representação, o PSOL pede que o processo seja encaminhado pela mesa diretora do Senado ao Conselho de Ética, apesar de as acusações terem supostamente ocorrido antes de o Perillo tomar posse como senador.

Redução da jornada?

Como é que é? O sindicalista Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, comandou um ato pela redução da jornada de trabalho? Só pode ser brincadeira! Não, é verdade. Tem foto dele em cima do trio elétrico com o microfone na mão.
Como é que é? Paulinho é vítima de armação política porque parte da elite o odeia por conta dos seus serviços prestados aos trabalhadores? Tá fácil! Essa manifestação não foi pela redução da jornada de trabalho. Foi uma manobra do Paulinho. É uma manifestação para ele e não feita por ele.

Que bela oposição

E a oposição não vai pedir o indiciamento de ninguém envolvido no dossiê anti-FHC na CPI dos Cartões Corporativos. Que bela oposição! Depois tem gente que fala que tudo é culpa da oposição. Uma oposição como esta é o sonho de todo governante.

É mesmo, Paulinho?

O deputado sindicalista Paulo Pereira da Silva vai pedir reparação por danos morais no caso BNDES. É mesmo, Paulinho? E vossa excelência vai começar por onde? Sugiro que Paulinho processe o presidente da Câmara Arlindo Chinaglia e o corregedor Inocêncio Oliveira por darem prosseguimento ao processo contra ele.
Ah, o Paulinho ainda fala que “parte da elite” está contra ele. É mesmo, Paulinho? Quer dizer que a outra parte está a seu favor? Vai ver é aquela elite que pede dinheiro no BNDES usando o nome do sindicalista. Vai ver é a elite que está muito satisfeita com o desempenho dele no Congresso Nacional.

Podcast do Diogo Mainardi: "A música do diabo"

A música é o instrumento escolhido pelo diabo para disseminar sua mensagem. Trata-se de um fato seguro, que ninguém dotado de um pingo de critério ousaria contestar. Abnegados estudiosos do satanismo passaram anos e anos escutando discos de trás para a frente, à procura de versos demoníacos infiltrados nas músicas. Depararam-se com uma infinidade deles. Um dos mais célebres é este aqui, do Deep Purple. Em ordem inversa, ele recita claramente: Oh demon that is leading from hell, we believe, que pode ser traduzido como Ó demônio, que está guiando do inferno, nós acreditamos. Há também este outro, do The Eagles. O inocente Hotel California, ouvido no sentido contrário, perde seu caráter kitsch e transforma-se no tenebroso Yeah, satan organised his own religion. Ou: Sim, satanás organizou sua própria religião.
A MPB, assim como o rock, está repleta de anagramas e palíndromos malignos. Fiz uma rápida pesquisa e, escutando alguns trechos de trás para a frente, em ritmo mais lento, identifiquei alarmantes mensagens cifradas em louvor do "pé-de-gancho" ou do "sarnento", em particular nas músicas de Marisa Monte, Paulinho da Viola e Guilherme Arantes. Há um verso de "Mulher", de Erasmo Carlos, em que "do barro", em ordem inversa, soa como "o rabudo". E há um verso de "Passaredo", de Chico Buarque, em que "uirapuru" se torna "jurupari".
O que a música produz é um estado de entorpecimento. A melodia, a harmonia, o ritmo – tudo contribui para conformar o espírito, para sedar, para emburrecer. Quem escuta música demais acaba rejeitando qualquer idéia dissonante, qualquer gesto que distoe. Nunca se escutou tanta música quanto agora. É a Técnica Ludovico em escala planetária. A Técnica Ludovico é aquela de Laranja Mecânica, em que um adolescente rebelde é domesticado por meio da execução contínua da Nona Sinfonia de Beethoven. Quanta música Sócrates ouviu ao longo de sua vida? Quanta música Leonardo da Vinci ouviu ao longo de sua vida? Quanta música Flaubert ouviu ao longo de sua vida? Certamente, muito menos do que um garoto de 11 anos é capaz de armazenar em seu ipod.
Ninguém parece ter percebido a malignidade da música. Exceto eu, os fanáticos por Deep Purple e o mulá Omar, que sabiamente proibiu todas as formas de música em seu Afeganistão talibã, uma experiência civilizadora cujo resultado jamais conheceremos, mas que poderia ter criado um novo Renascimento.
Último exemplo.
Ouça aqui

Mais uma vez eu lembro

Apesar dos recordes nas arrecadações, o governo quer recriar a CPMF. Eles não têm vergonha mesmo! Sugeri ontem aqui que registremos os nomes dos nobres deputados que apóiam esta idéia. Reforço outra vez o pedido: vamos anotar o nome de cada deputado, de cada senador, de cada político sem vergonha que apóia a volta da CPMF e fazer campanha para que ninguém vote neles. Já comecei com um nome: Henrique Fontana (PT-RS) que é líder do governo na Câmara.

Dinheiro de Chávez ajudando os terroristas

Que Marulanda esteja ardendo no caldeirão do capeta e que Fidel Castro seja o próximo! Leiam a reportagem publicada no Estado de São Paulo de hoje postada logo abaixo. Pois é, Hugo Chávez manda dinheiro para os terroristas das Farc. O Bufão de Caracas paga mesada para os guerrilheiros tocarem o terror na Colômbia e distribuir drogas para o mundo inteiro. Isso é muito grave!
Quem apóia as Farc apóia os seqüestros, as torturas, os assassinatos que o grupo pratica. Quem apóia as Farc apóia o tráfico de drogas e todos os males que isto envolve. Chávez apóia as Farc. O Bufão de Caracas manda dinheiro para lá. É preciso fazer alguma coisa urgentemente. Que Marulanda esteja ardendo no caldeirão do capeta e que Fidel Castro seja o próximo!

Farc dizem que morte de Tirofijo ''não muda nada''

No Estado de São Paulo com agências internacionais

O grupo rebelde Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) anunciou ontem que a morte de seu líder máximo, Manuel Marulanda, o "Tirofijo" (Tiro Certeiro), não muda em nada as condições impostas para negociar a troca de reféns em seu poder por guerrilheiros presos. "Continuaremos com nossas tarefas de acordo com os planos aprovados, solidamente unidos e profundamente otimistas de seguir adiante, apesar das adversidades", afirmou o grupo num comunicado divulgado na internet, acrescentando que também "continuam vigentes" suas exigências para negociar uma saída política para o conflito. O grupo quer que 500 rebeldes sejam soltos em troca da libertação de 40 reféns políticos. Para negociar a paz, exige a desmilitarização de dois municípios da região de Valle del Cauca. Bogotá rejeita as condições.Em sua última mensagem a outros membros do secretariado das Farc, Marulanda deu instruções sobre as negociações com o presidente venezuelano, Hugo Chávez, que buscava mediar uma ampla troca de reféns por rebeldes presos, informou o jornal El Tiempo, de Bogotá, citando dados divulgados pelo governo. O último e-mail de Marulanda - cuja morte, em março, foi confirmada domingo pelas Farc - teria sido encontrado num dos computadores do porta-voz da guerrilha, Raúl Reyes, morto em março num ataque colombiano a seu acampamento no Equador. Segundo El Tiempo, no e-mail Tirofijo cita a ajuda financeira que Bogotá diz que Chávez ofereceu à guerrilha. "É preciso esclarecer as condições, (ver) se é um empréstimo ou por solidariedade - o que resolveria um sério problema estratégico na luta contra a agressão gringa encabeçada pelo (presidente colombiano, Álvaro) Uribe", teria escrito Marulanda. "A impressão que dá é que o homem (supostamente Chávez) está interessado em fazer aportes à causa bolivariana das Farc para conseguir fortalecer seu projeto político em vários países." Em outro trecho, Marulanda fala da necessidade de "consolidar as boas relações com a vizinhança" e menciona um "aporte de 300". Segundo autoridades, seriam os US$ 300 milhões que o governo venezuelano se teria comprometido a repassar aos rebeldes. Para o lugar de Marulanda a guerrilha designou Alfonso Cano. Segunda-feira, o ministro do Interior, Carlos Holguín, enviou a primeira mensagem a Cano: "Se ele quiser, estará aberta a porta da paz, mas se continuar com a guerra, os militares vão persegui-lo e matá-lo." Segundo o ministro da Defesa, Juan Manuel Santos, com a morte de Marulanda "será mais fácil acabar com as Farc".
RECOMPENSA
As autoridades colombianas ofereceram ontem 5 bilhões de pesos (US$ 2,7 milhões) a quem der informações que permitam localizar o corpo de Marulanda. "É importantíssimo fazer o reconhecimento desse corpo", disse o comandante do Exército, general Mario Montoya.

Operação casada é de interesse dos dois lados

Por Christiane Samarco
no Estado de São Paulo

A Companhia Energética de São Paulo (Cesp) entrou nas negociações para a venda do banco paulista Nossa Caixa ao Banco do Brasil. A estratégia do governador José Serra (PSDB-SP) tem três metas: vender a Nossa Caixa numa operação que não configure uma privatização, manter os bancários como funcionários públicos e ainda arrancar do governo federal a renovação das licenças das usinas geradoras da Cesp. A operação casada interessa ao governo federal porque facilita a política de expansão acelerada do BB via incorporação de bancos estaduais.Diante de um governo Lula assumidamente antiprivatizações, José Serra, pré-candidato à sucessão em 2010, faria um negócio neste ano de eleições municipais que agradaria a 15 mil funcionários. Segundo um dirigente tucano que acompanha a negociação, o sonho desses bancários é assumir a condição de funcionários do BB sem fazer concurso público. Vendida em leilão e arrematada por um banco privado, a Nossa Caixa seria candidata a um enxugamento imediato de pessoal, isto é, a freqüentar o noticiário das demissões de trabalhadores.A boa vontade de parte a parte já produziu resultados concretos: o governo federal mudou o discurso que remetia a discussão sobre as licenças das geradoras de energia para 2009 ou para "o futuro governo" - de 2011 em diante, portanto - porque a maioria das licenças vencia em 2015.Além do início oficial das negociações para a venda da Nossa Caixa, comunicada no dia 21 à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, informou ao Estado que pretende criar uma comissão, "até a próxima quinzena", para estudar a renovação, pela segunda vez, das licenças das geradoras, inclusive as da Cesp. Em março passado, o leilão da Cesp foi cancelado porque os possíveis compradores temiam levar uma empresa que podia ficar sem fornecedores de energia.As hidrelétricas de Jupiá e de Ilha Solteira representam 67% da capacidade geradora da Cesp, e qualquer solução sugerida pela comissão criada pelo ministro de Minas e Energia terá de passar pelo crivo do próprio Lobão e do Planalto. O Estado apurou que nos estudos sobre a renovação das licenças, o governo federal tende a criar uma "cláusula tarifária", isto é, a estabelecer um teto para o preço do kw/hora, regulando o custo da energia para o consumidor."A energia produzida por geradoras que já tiveram os investimentos pagos e repagos não pode entrar no leilão", explicou uma fonte do governo. A mesma fonte lembra que o papel do governo é atender ao interesse do contribuinte, que já pagou pela usina, mantendo baixo o preço da chamada "energia velha". A idéia é não permitir que o leilão de privatização pressione o custo dessa energia, uma vez que o investimento está pra lá de amortizado.
VANTAGENS
Na avaliação dos tucanos, o eleitor vai entender a diferença entre vender a Nossa Caixa e privatizar a Cesp. Dizem que, no setor de energia, o próprio governo federal atrai cada vez mais capital privado e, além disso, Serra usaria o dinheiro para anunciar investimentos pesados em infra-estrutura de grande interesse social.Apesar de ter montado a estratégia da operação casada, Serra terá de administrar a forte pressão dos bancos privados a favor do leilão da Nossa Caixa, capitaneada pela Federação dos Bancos (Febraban). Da mesma forma como o BB, existem grandes bancos privados que incorporaram bancos estaduais - como o Itaú, que comprou o Banco do Estado do Paraná. O BB, por sua vez, está concluindo o processo de incorporação do Banco do Estado de Santa Catarina (Besc). E já negocia ficar com o Banco de Brasília (BRB).
JOGO DE INTERESSES
O que favorece o governo Lula
Garante exclusividade, até 2018, na captação de depósitos judiciais, que somaram R$ 15,3 bilhões em dezembro de 2007 Reforça presença do BB nos 645 municípios paulistas, com 559 agências, 396 postos de atendimento e 1.276 de auto-atendimentoAgrega o serviço de pagamento de mais de 600 mil servidoresIncorpora folha de pagamento de 260 prefeituras, 90 Câmaras Municipais e 67 autarquiasCria estrutura que pode ser convertida em máquina política no Estado de maior poder aquisitivo
O que favorece o governo Serra
Livra o candidato a candidato à presidência da República em 2010 da pecha de privatista que o PT colou no PSDBEvita problemas políticos em ano eleitoral, como greves e protestos dos 15.155 funcionários da Nossa Caixa que associam privatização à demissão Mostra boa vontade para atender ao governo Lula e ganha cacife para negociar a prorrogação da concessão das usinas da Cesp

McCain quer acordo nuclear com Rússia

Por Daniel Bergamasco
na Folha de São Paulo

O senador John McCain, virtual candidato republicano à Presidência dos EUA, se distanciou da política internacional unilateralista do presidente George W. Bush ao defender ontem em discurso que os Estados Unidos busquem "parcerias" globais para redução do arsenal de armas nucleares.No pronunciamento em Denver, Colorado, McCain defendeu especialmente a negociação com a Rússia para redução de armas nucleares e também citou a abertura de diálogo com a China sobre o tema."A Rússia e os Estados Unidos não são mais inimigos mortais. Como nossos dois países possuem a esmagadora maioria de armas nucleares do mundo, nós temos uma responsabilidade especial de reduzir esse número", declarou, em uma clara ruptura com pronunciamentos anteriores em que foi muito mais duro com o antigo rival dos anos de Guerra Fria.Em outro momento, o senador afirmou que os EUA devem ser "um modelo para os outros". "Isso significa não apenas perseguir nossos próprios interesses, mas reconhecer que compartilhamos interesses com povos ao redor do planeta", disse McCain, para quem a abertura diplomática se baseia no "grande e permanente poder da América de liderar".
Diferente de Bush
O pronunciamento de ontem foi o segundo no qual o senador do Arizona enfatizou sua visão sobre diálogo multilateral distinta da de Bush -que apóia sua candidatura e participou à noite de evento para levantar fundos para a campanha.Na primeira vez em que pontuou diferenças, há algumas semanas, o candidato declarou que, como presidente, estaria disposto a fazer concessões para combater o aquecimento global. Bush, por sua vez, é pouco flexível sobre o tema, tendo retirado o país do Protocolo de Kyoto, destinado a reduzir a emissão de gases causadores do efeito estufa.Já na política internacional sobre armas, Bush rompeu em 2002 o Tratado Antimísseis Balísticos (TAB), criado em 1972, no qual países concordavam em não construir sistemas de defesa antimísseis."O que McCain disse no discurso sobre armas nucleares soa muito mais próximo da política do [ex-presidente Richard] Nixon e de George Bush pai, que defendiam que os EUA deveriam ser um modelo e, assim, liderar o mundo. É um retorno à maneira de liderar do Partido Republicano", disse à Folha Matthew Bunn, especialista em política internacional e proliferação nuclear da Universidade Harvard."Já Bush filho não se importa em dar exemplo a ninguém e adotou uma política que o distancia do resto do mundo, como você pode ver por Guantánamo", afirmou, citando a prisão em base militar que os EUA mantêm em Cuba para suspeitos de terrorismo e onde prisioneiros denunciaram a prática de tortura.
Protesto
No salão da Universidade de Denver onde McCain fez o discurso, o candidato foi interrompido algumas vezes por manifestantes contra a Guerra do Iraque, cuja continuidade é apoiada pelo candidato. Em resposta, McCain repetiu: "Eu nunca me renderei no Iraque".McCain ainda citou a Coréia do Norte e o Irã, com os quais "é preciso ser mais rígido" na verificação de armas nucleares, e voltou a refutar a proposta do rival democrata Barack Obama de dialogar com países "hostis".

Base aliada tenta votar hoje nova CPMF

Por Gustavo Patu, Maria Clara Cabral e Angela Pinho
na Folha de São Paulo

A base governista no Congresso decidiu que apresentará hoje a proposta de criação da CSS (Contribuição Social para a Saúde), nos moldes da extinta CPMF, em uma estratégia para desidratar o projeto que eleva as verbas para o setor.Segundo os líderes aliados ao Planalto, o novo tributo também incidirá sobre os débitos em conta corrente, com as isenções vigentes na cobrança da contribuição anterior. A alíquota, porém, será de 0,1% -a da CPMF era de 0,38%. Os cerca de R$ 10 bilhões anuais em receita esperada seriam destinados integralmente à saúde.A proposta, que será feita por projeto de lei complementar, é juridicamente "controversa", como admite o líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS). A Constituição só permite criar por esse instrumento tributos não cumulativos -e a CPMF, pelo consenso que vigorava ao menos até ontem, era um tributo cumulativo, ou seja, incidente em todas as etapas do processo produtivo."Nós temos avaliações de que a CPMF nunca foi um tributo cumulativo", disse Fontana. A Folha perguntou ao deputado quem havia produzido essas avaliações. "Um grupo de pessoas qualificadas", respondeu, sem citar nomes: "Elas podem se revelar depois, se quiserem".O plano dos governistas não se limita, porém, ao novo tributo. Pretende-se alterar também a essência do projeto já aprovado pelo Senado que eleva as verbas da saúde dos atuais R$ 50 bilhões para pouco mais de R$ 70 bilhões anuais. Pelo modelo a ser apresentado aos deputados, os recursos adicionais para o setor se limitariam à receita da CSS, se o tributo sobreviver ao Senado e a previsíveis questionamentos na Justiça.A idéia foi fechada em reunião na tarde de ontem entre o ministro José Gomes Temporão (Saúde), líderes dos partidos aliados e representantes. Horas antes, o ministro já havia defendido que o setor ficasse com a regra atual de financiamento, criada em 2000 pela emenda constitucional 29 -gastos corrigidos anualmente conforme a inflação e o crescimento da economia- e "um plus", correspondente à CSS.Mais tarde, Fontana e o líder do PT, Maurício Rands (PE), confirmaram que essa seria a proposta alternativa dos governistas para a regulamentação da emenda 29 -o Executivo não assume oficialmente participação na empreitada. Pelo texto, a saúde também seria beneficiada com R$ 1 bilhão de um aumento do IPI sobre os cigarros, mas esses recursos precisam ser repartidos com Estados e municípios.Líderes da bancada da saúde, uma das mais poderosas do Congresso, protestaram, e a oposição decidiu obstruir as votações na Câmara. "O que eu acho é que o governo não contava com o que o Senado iria fazer e está tentando achar uma solução", disse o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS). O projeto aprovado pelo Senado no início do mês eleva a verba da saúde ao substituir a correção dos recursos pela variação do Produto Interno Bruto por uma vinculação de 10% da receita bruta da União.
Atraso
O texto aprovado pelos senadores criou um constrangimento político para o presidente Lula. Na hipótese de a proposta ser ratificada pela Câmara e sancionada pelo Planalto, poderia ser necessário sacrificar outros áreas do gasto público para cumpri-la; na perspectiva de vetar o aumento de verbas, Lula arcaria com as conseqüências em ano eleitoral.Com a estratégia definida ontem, o governo tenta condicionar a expansão do gasto à criação de um tributo de legalidade duvidosa. No mínimo, é provável que consiga retardar a aprovação final da regulamentação da emenda 29. Se for modificado pela Câmara, o projeto terá de voltar ao Senado. Se a CSS for aprovada, só começará a ser cobrada 90 dias após a sanção presidencial.

Lula intercede a favor de acerto com Aécio

Por Paulo Peixoto
na Folha de São Paulo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante viagem ontem a Minas, intercedeu em favor da aliança eleitoral que o PT e o PSDB pretendem fazer na capital mineira. Na frente do governador Aécio Neves (PSDB) e do prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), Lula deu três telefonemas e disse aos seus interlocutores que a aliança tem que sair.Das três ligações, a Folha apurou que uma foi para o presidente nacional do PT, o deputado federal Ricardo Berzoini. A outra foi para Marco Aurélio Garcia, assessor especial da Presidência e membro da Executiva Nacional do PT.Anteontem, a Executiva Nacional do PT voltou a se manifestar, por 13 votos a 2, contra a aliança articulada por Pimentel e Aécio. A decisão final agora será do Diretório Nacional da sigla, que tem 84 membros para decidir sobre a aliança.Lula disse aos seus interlocutores que o jogo está jogado em Minas e que não há mais o que fazer. Disse que o prefeito petista e o governador tucano fizeram o que tinha que ser feito e não há mais como mudar. Segundo a reportagem apurou, nas ligações, Lula demonstrou firmeza na sua posição e insatisfação com a decisão de anteontem da direção petista.O presidente foi a Contagem (região metropolitana de Belo Horizonte), para inaugurar uma locomotiva de grande porte, a primeira produzida no país. E lá estava também, mas fora da mesa da solenidade na fábrica da General Electric, o secretário de Desenvolvimento Econômico de Minas, Márcio Lacerda (PSB), o nome escolhido por Aécio e Pimentel para ser o candidato a prefeito da dobradinha PT-PSDB.Ao fim do evento, Lacerda foi até ao encontro do presidente chamado por Lula. Eles conversaram rapidamente, ao lado de Aécio e Pimentel. Lacerda disse apenas que "a conversa foi muito positiva". De hoje até sexta Lacerda deixará a pasta que ocupa no governo de Minas para concorrer à Prefeitura de Belo Horizonte.No início da noite de ontem, Pimentel evitou comentar a conversa com Lula. Mas deixou claro que ele está agindo a favor da aliança. "Além da fala pública, algumas ações ele deve estar fazendo", disse.

Aliados abortam apuração de dossiê e forçam fim de CPI

Por Andreza Matais
na Folha de São Paulo

A presidente da CPI dos Cartões, senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), acusou ontem a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) de ter "faltado com a verdade" quando negou, em audiência pública no Senado, a existência do dossiê que revelou gastos do governo FHC. O discurso foi uma tentativa de evitar que a base aliada impedisse o avanço na investigação do caso, mas não surtiu efeito.Os governistas rejeitaram todos os requerimentos da pauta, obrigando Marisa a marcar a conclusão dos trabalhos para a semana que vem. O relatório final será lido na terça-feira."A ministra Dilma não falou a verdade aos senadores quando disse que não havia um dossiê. Sabemos hoje onde foi feito o dossiê e quem coletou os dados. Não sabemos quem mandou e com qual objetivo", disse ela.Como resposta, a base aliada rejeitou, por 11 votos a 5, o pedido de acareação de José Aparecido Nunes Pires, ex-secretário da Casa Civil, com André Fernandes, assessor do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), e outras cinco propostas de convocação de envolvidos no episódio, entre eles Maria de la Soledad Castrillo, chefe-de-gabinete de Erenice Guerra (secretária-executiva da Casa Civil).Foi Aparecido quem passou cópia do dossiê para André Fernandes. Em depoimento na CPI, o ex-secretário disse que enviou para o amigo, por engano, o mesmo texto que recebeu de um subordinado que trabalhou na compilação dos dados.Semanas antes, Dilma afirmara à Comissão de Infra-Estrutura do Senado que a Casa Civil havia montado um banco de dados, e não um dossiê; antes, dissera, em nota, que não reconhecia as planilhas divulgadas pela imprensa como o trabalho feito na Casa Civil.O deputado Paulo Teixeira (PT-SP), que comanda a bancada governista na CPI, disse que Dilma tomou providências para apurar o vazamento.Para o relator, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), o episódio do dossiê não tem relação com a CPI. Ele reiterou que não irá tratar da denúncia no seu relatório. "Não farei nenhuma referência ao dossiê. Caberá à PF concluir a investigação."A oposição vai apresentar relatório paralelo.

Corregedor pede ao Conselho de Ética cassação de Paulinho

Por Simone Iglesias, Maria Clara Cabral e Andréa Michel
na Folha de São Paulo

O procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, abriu ontem investigação para analisar processo relacionado ao deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força Sindical, suspeito de participação em esquema de desvio de recursos públicos.Na Câmara, o corregedor-geral da Câmara, deputado Inocêncio Oliveira (PR-PE), apresentou parecer pela cassação e encaminhou relatório ao Conselho de Ética que terá 90 dias (prorrogáveis por mais 90 dias) para se manifestar sobre o caso.Na última sexta-feira, Antonio Fernando Souza recebeu do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Gilmar Mendes, um CD de mais de 2.000 páginas com a íntegra da investigação realizada pela Justiça de São Paulo.Ele decidiu abrir investigação interna para agilizar a análise de todo o relatório. Com o resultado da análise e se entender que há elementos suficientes que indiquem irregularidades, Antonio Fernando poderá pedir a abertura de inquérito contra Paulinho no STF."As iniciativas vão depender da convicção que esses documentos possam motivar", disse o procurador.Já o corregedor Inocêncio Oliveira recolheu assinaturas dos sete integrantes da Mesa Diretora que concordaram, por unanimidade, com o seu parecer e com o envio ao conselho por quebra de decoro parlamentar."Existe uma palavra mais forte do que gravíssimo? Esta é a situação dele [Paulinho]. Tudo demonstra que teve uma participação importante [no esquema investigado] na Operação Santa Tereza. Não tenho a menor dúvida de sua culpabilidade, esse é um caso de perda de mandato", disse Inocêncio ao entregar seu parecer ao presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP).O corregedor se reuniu na sexta-feira com Antonio Fernando, quando conheceu mais detalhes da investigação. Ontem pela manhã, Inocêncio recebeu da Diretoria Geral da Casa relatório mostrando que João Pedro de Moura, ex-assessor de Paulinho e suposto lobista, esteve na Câmara 39 vezes e, em 12 delas, no gabinete do congressista.Inocêncio também teve acesso a notas fiscais que apontam pagamento com dinheiro da verba indenizatória de Paulinho a Antonio Diniz (assessor da Força Sindical) e Luiz Fernando Emediato (presidente do Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador). Eles receberam valores que variam de R$ 2,25 mil a R$ 5 mil por mês desde fevereiro de 2007 para trabalho de consultoria. Segundo o corregedor, o pagamento é "suspeito" porque Diniz e Emediato são ligados à Força."Essa é uma questão de honra para a Câmara. A opinião pública já condenou Paulinho, temos obrigação de zelar pela imagem da instituição. Quero pedir ao Conselho de Ética que corra com esse processo, pois tenho a consciência tranqüila de que não estou fazendo nenhuma injustiça, nem preciso ouvir Paulinho de novo", afirmou Inocêncio.Segundo o corregedor, o telefonema do advogado Ricardo Tosto para Paulinho interceptado pela PF, em que o congressista diz que "mexeria os pauzinhos" na Câmara em favor de Tosto, já comprova quebra de decoro e sustenta a cassação. Inocêncio disse ter recebido cópias do cheque de R$ 37,5 mil que Moura destinou à ONG Meu Guri, presidida por Elza Pereira, mulher de Paulinho. Para ele, é prova de que a instituição recebia verba proveniente do esquema do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social)."Tenho certeza absoluta de que "PA" e Paulinho são a mesma pessoa. Recebi parte dos documentos da PGR e para mim não há mais dúvida."

terça-feira, 27 de maio de 2008

O primeiro deles

Henrique Fontana é do PT do Rio Grande do Sul e líder do governo na Câmara. É o primeiro nome da lista de políticos que querem arrancar mais dinheiro do nosso bolso (ah, dizem que ele é chegado ao dinheiro do jogo do bicho) com essa nova CPMF. Não merece o voto em nenhuma eleição.

Fiquemos de olho nos nomes

Ah, como eles estão com fome de dinheiro. Como se não bastasse o dinheiro sujo de origem desconhecida eles querem abocanhar o nosso tutu. Este ano tem eleições. Relembremos os nomes dos infelizes que desejam a volta da CPMF. Relembremos dele nesta e nas próximas eleições.

A posse do fanfarrão

Depois de muito bafafá, Carlos Minc assumiu o Ministério do Meio Ambiente. Como já disse aqui ele não ficará muito tempo no cargo. Portanto, é melhor que ele aproveite o seu momento e nós a suas esquisitices.
Segundo a Folha online: O estilo despojado e moderno de Minc foi mantido na posse. O ministro usou um colete de lã em tom verde, camisa e calça sociais, e uma gravata artística, na qual estava escrito: "É proibido desmatar a Amazônia". Também manteve as pulseiras artesanais e o anel de prata com pedra de âmbar.
Minc é o ministro fanfarrão. Não vai fazer nada pela Amazônia, pelo Cerrado ou seja lá o que for. Vai durar pouco a sua passagem pelo Ministério do Meio Ambiente. As suas esquisitices não vão fazer Blairo Maggi e seus amigos pararem de plantar soja e cuidar da natureza. Logo, logo ele vai voltar para o Rio de Janeiro e ninguém mais vai se lembrar dele.

A reportagem

Saiu no Painel da Folha de São Paulo, assinada por Renata Lo Pretti, a notícia sobre as despesas da deputada Raquel Teixeira:

Relax 1. Na lista de deliberações das últimas reuniões da Mesa Diretora da Câmara consta um pedido da deputada Raquel Teixeira (PSDB-GO) de reembolso referente a um período que ela diz ter passado "internada" em um spa para "reforço imunológico", no valor de R$ 18.516,22.
Relax 2. A área técnica da Câmara recomendou vetar o pagamento. Argumentou que, "do ponto de vista médico, não há amparo técnico nem científico para o tratamento".

E a imprensa daqui...

Quem deu a notícia de que Raquel Teixeira pediu reembolso à Câmara dos Deputados por gastos num spa? O Popular? O Diário da Manhã? Não! Foi a Folha de São Paulo. Mais uma vez a imprensa do eixo Rio-São Paulo denuncia as estripulias dos políticos goianos. A imprensa daqui só repercutiu o que a Folha de São Paulo publicou.

O spa da Raquel

Se a base aliada não está unida em torno de nenhum pré-candidato à Prefeitura de Goiânia o que esperar da sua reação quanto à denúncia envolvendo a pré-candidata Raquel Teixeira? Ela teria pedido à Câmara dos Deputados reembolso por despesas realizadas num spa. Isso mesmo, nós pagamos para Raquel ficar em forma. Segundo o Diário da Manhã, a deputada deu três versões diferentes para a denúncia. A primeira, como é conhecida no mundo político, disse que era tudo mentira. Depois disse que não era bem um spa e sim uma clínica médica. Depois Raquel disse que pagou tudo com o próprio dinheiro. Será? Em quais versões acreditar? Eu fico pela dúvida. Vejamos como a base aliada vai se posicionar.

PT libera alianças com tucanos, mas não em BH

Por Luciana Nunes Leal
no Estado de São Paulo

A Executiva Nacional do PT confirmou ontem o veto à coligação do PSDB com o PT em Belo Horizonte, mas, na mesma reunião, apoiou alianças muito semelhantes entre petistas e oposicionistas em 12 cidades - em 8 delas o acordo envolve tucanos. Questionada por que a união em Belo Horizonte foi rejeitada, a líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), argumentou que o caso ganhou dimensão nacional. "Dizem que o caso de Belo Horizonte poderia ser idêntico aos outros. O problema é que os outros não tiveram a visibilidade de Belo Horizonte, não tiveram o dedinho, o desejo, a ansiedade de Aécio Neves", ironizou.A aliança na capital mineira é articulada pelo atual prefeito, o petista Fernando Pimentel, e pelo governador tucano Aécio Neves. Os dois se dispõem a apoiar a candidatura de Márcio Lacerda (PSB), secretário de Desenvolvimento Econômico do governo estadual. O deputado estadual Roberto Carvalho (PT) seria o vice na chapa.No total, a Executiva Nacional avaliou os casos de 17 municípios em que o PT tem possibilidade de se unir ao PSDB, ao DEM ou ao PPS. Foram aprovadas 12 alianças e rejeitadas 5. O veto em Belo Horizonte foi ratificado por 13 votos a 2. Em abril, pelo mesmo placar, já tinha sido votado um indicativo contrário à aliança. As decisões de ontem ainda podem ser contestadas no Diretório Nacional do PT, que deve dar a palavra final na reunião marcada para sexta-feira e sábado, em Brasília.Entre as alianças aprovadas ontem está a coligação com o DEM e o PSDB em São Vicente (SP), onde os dois partidos apoiarão o PT. No Guarujá (SP) e em Canoas (RS), a coligação será com o DEM. A Executiva permitiu as alianças, mas proibiu o PT de participar de chapas majoritárias com os partidos oposicionistas, com candidatos a prefeito ou a vice. Em Nova Iguaçu (RJ), foi aprovado o apoio dos tucanos ao PT. Em Palmas (TO) e Montes Claros (MG), o PT apoiará o PPS.A coligação em Belo Horizonte foi defendida na reunião de ontem por Roberto Carvalho e pelo deputado Miguel Correia Júnior (MG), ligado a Pimentel. Ao deixar a sede do PT, ambos disseram que, se for rejeitada pelo Diretório, a aliança será feita informalmente. "A aliança acontecerá formal ou informalmente", insistiu Carvalho.

PF intima mulher de Paulinho

Por Fausto Macedo e Roberto Almeida
no Estado de São Paulo

A Polícia Federal intimou Elza de Fátima Costa Pereira, tesoureira do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e mulher de Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força - deputado pelo PDT paulista que a Operação Santa Tereza incluiu em organização criminosa supostamente criada para desvio de verbas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
A PF também convocou para depor o vice-presidente da Força Sindical, Eleno José Bezerra, o vice-presidente estadual do PDT, José Gaspar Ferraz de Campos, e José Brito de França, ex-assessor parlamentar do deputado Roberto Santiago (PV-SP). Os três são citados na investigação.A blitz federal ocorreu em 24 de abril, após 5 meses de apuração e interceptação telefônica. Treze são os réus da ação penal em curso na 2.ª Vara Federal de São Paulo, denunciados pela Procuradoria da República por formação de quadrilha, peculato, tráfico internacional de mulheres, lavagem de dinheiro e uso ilícito de dinheiro público.A Polícia Federal afirma que a boate WE Original, que movimenta cerca de R$ 10 milhões por ano, era reduto do esquema BNDES. O empresário Manuel Fernandes Bastos Filho, o Maneco, dono da WE, mesmo foragido tentou sacar R$ 1 milhão de conta bancária de um familiar dele, mas o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou e bloqueou a transação.Os agentes que participaram da investigação querem saber de Elza Pereira a origem de recursos depositados em conta do Centro de Atendimento Biopsicossocial Meu Guri, organização não-governamental que ela preside. Eles suspeitam que parte do dinheiro que o BNDES liberou em forma de empréstimos a prefeituras e empresas privadas teria sido destinada à ONG de Elza. Foi identificado pelo menos um depósito de R$ 37, 5 mil em favor da Meu Guri, realizado no dia 1º de abril, auge do esquema BNDES.O repasse foi feito pelo lobista João Pedro de Moura, amigo e aliado de Paulinho. A Moura, preso desde 24 de abril por ordem judicial, a PF e a Procuradoria da República atribuem o papel de mentor e principal operador da trama com recursos públicos - que teriam sido repartidos entre os integrantes da organização depois de transitar pelo caixa de administrações municipais que tomaram financiamentos do banco de fomento.Elza não é ré no processo criminal, mas a PF suspeita que a ONG que ela dirige foi usada para ocultar e lavar dinheiro ilícito. Ao se referir à Meu Guri, os federais fazem anotação taxativa no Relatório de Inteligência Policial (RIP) nº 11, à página 29. "De posse do dinheiro desviado dos recursos provenientes do BNDES, cada integrante da organização criminosa adotou um mecanismo para ocultação deste capital, lavagem de dinheiro."O comprovante do depósito na conta da Meu Guri foi encontrado na casa do lobista, que ontem foi interrogado na Justiça Federal. Moura está preso preventivamente."Essa instituição (Meu Guri) está relacionada com a Força Sindical e tem como presidente a pessoa de Elza Pereira, esposa de Paulinho", ressalta o relatório.A PF também investiga a ONG Luta e Solidariedade, que teria ligações com Eleno Bezerra, aliado de Paulinho. Os agentes localizaram depósito de R$ 82 mil na conta da ONG.Leonidas Scholz, criminalista com duas décadas e meia de atuação nos tribunais, assumiu a defesa de Paulinho. "À luz de tudo o que eu li (dos autos) é possível concluir que (as acusações da PF) não passam de presunções", declarou o advogado. Ele não aceita os critérios que a PF usa para supor que PA é Paulinho - as duas letras estão grafadas em documentos apreendidos e são citadas em grampos telefônicos. "PA pode ser Paulo Alberto ou Pedro Antonio", rebate o criminalista.

Déficit externo chega a US$ 14 bi

Por Fernando Nakagawa e Fabio Graner
no Estado de São Paulo

A conta corrente do balanço de pagamentos (transações de comércio, serviços e rendas do Brasil com o exterior) acumulou déficit de US$ 14,1 bilhões de janeiro a abril. Foi o pior resultado da história para o período, de acordo com o Banco Central.O valor acumulado já é maior que a previsão do BC de resultado negativo de US$ 12 bilhões para todo o ano. Apenas em abril, o indicador que mede a entrada e saída de dólares do País teve déficit de US$ 3,310 bilhões.Apesar da piora, o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, afirma que o quadro não é preocupante. Para ele, o ingresso de investimento estrangeiro direto (IED), voltado para a produção, será suficiente para cobrir a saída de dólares."A situação é tão confortável que até o capital estável, que é o IED, financia todo o déficit. No passado, nós tivemos que recorrer a outras fontes de financiamento para fechar o balanço", disse Altamir. Ele lembrou que o déficit em conta corrente acumulado em 12 meses somou US$ 14,655 bilhões, valor equivalente a 1,08% do Produto Interno Bruto (PIB). O saldo negativo no período foi o maior desde agosto de 2002, quando ficou em US$ 15,321 bilhões. Enquanto isso, o IED no mesmo período somou US$ 37,219 bilhões, o equivalente a 2,75% do PIB.Em abril, o País recebeu US$ 3,872 bilhões em investimentos diretos, valor recorde para o mês. De janeiro a abril, o IED atingiu a marca recorde para o período, de US$ 12,671 bilhões.O déficit tem crescido por causa do enfraquecimento da balança comercial e do aumento das remessas de lucros ao exterior pelas empresas estrangeiras instaladas no País. Os dois movimentos estão relacionados à valorização do real, que desestimula exportações e favorece as importações e as remessas.Para os próximos meses, Altamir espera que o déficit não mantenha o mesmo ritmo, por conta de um desempenho melhor do comércio exterior, com o fim da greve dos auditores fiscais."A expectativa é de acomodação. O déficit não vai continuar com esse crescimento. Esperamos uma regularização dos fluxos comerciais", disse, ao lembrar que em maio, até o dia 18, a balança comercial acumula saldo positivo de US$ 2,2 bilhões, o melhor mês deste ano. Até agora, a tendência foi outra. Com o forte aumento das importações e um comportamento menos dinâmico das exportações, a contribuição positiva do comércio exterior para o saldo externo vem caindo há vários meses e somou US$ 1,744 bilhão no mês passado - 41% do registrado em abril de 2007.Ao mesmo tempo, a conta de serviços e rendas teve déficit de US$ 5,331 bilhões, cifra 97,6% maior que a de igual período de 2007. Houve, ainda, transferências unilaterais de US$ 276 milhões.

Mangabeira diz ser "um ignorante" em relação à região amazônica

Por Iuri Dantas e Marta Salomon
na Folha de São Paulo

Escolhido para coordenar o PAS (Plano Amazônia Sustentável), o ministro Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos) não pensou muito quando questionado se conhece suficientemente a região. "Eu me julgo um ignorante", disse. Mas são muitas as convicções do ministro, a começar por considerar "vazia" a polêmica entre o avanço do agronegócio e a proteção da floresta. Entre o governador Blairo Maggi (MT) e a ex-ministra Marina Silva, Mangabeira foge da opção. Sua missão, descreve, é buscar "reconciliação profunda" entre os pólos do debate. E espera que o novo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, "seja um colaborador meu no futuro".

FOLHA - Qual é o problema da Amazônia?
MANGABEIRA UNGER - Acho que o debate está falsificando a situação real, que é mais interessante, mais grave, mais perturbadora e esperançosa do que o debate sugere. Um número pequeno de brasileiros acha que a Amazônia deve ser preservada como um parque. Um número igualmente pequeno de brasileiros aceita entregar a Amazônia às formas predatórias da atividade econômica. A grande maioria insiste no desenvolvimento sustentável, mas não sabe como conseguir. O problema não é a divisão entre ambientalistas e desenvolvimentistas, o problema é a confusão.

FOLHA - É possível conter o desmatamento sem frear o agronegócio?
MANGABEIRA - Não tem nada a ver com agronegócio. Nosso problema é que não temos feito nem de longe o suficiente nem em matéria de preservação nem em matéria de desenvolvimento. Por isso, estou discutindo intensivamente com os governadores da Amazônia Legal as medidas necessárias para dar conteúdo prático ao desenvolvimento sustentável.

FOLHA - O sr. assumiu o PAS, plano discutido desde 2003. Mas parece que está partindo da estaca zero.
MANGABEIRA - O PAS é um conjunto de diretrizes e compromissos, mas não é uma planilha tecnocrática. Não é um plano de medidas concretas. Há mais de 25 milhões de brasileiros lá. Se não tiverem oportunidades econômicas, serão levados a uma atividade econômica desordenada que provocará o desmatamento.

FOLHA - O sr. está em rota de colisão com Carlos Minc?
MANGABEIRA - Eu nem tive ainda a oportunidade de estar com ele. Eu o vejo como um grande colaborador meu no futuro.

FOLHA - Entre Blairo Maggi e Marina, a quem dá razão?
MANGABEIRA - É natural que haja tensões. Mas é um desserviço acalentar divisões no meio desta neblina. Não estou dizendo que há fórmula mágica. Não tem o menor sentido disputar uma espécie de império que não construímos. Nosso problema é avançar na construção, sem dogmas, sem preconceitos, sem prevenções, neste esforço de produzir reconciliação profunda e duradoura entre preservação e desenvolvimento. Minha tarefa é colocar a imaginação a serviço da eficácia.

FOLHA - O sr. se julga suficientemente informado?
MANGABEIRA - Eu me julgo um ignorante. O que eu sei fazer é construir uma tarefa com pessoas de idéias contrastantes. A premissa da discussão com o mundo a respeito da Amazônia é a reafirmação da nossa soberania. Mas não devemos cultivar uma atitude paranóica.

Para PF, dinheiro do esquema teria comprado farmácia em SP

Por Rubens Valente
na Folha de São Paulo

A Polícia Federal apontou, em relatório enviado à Justiça Federal, que João Pedro de Moura, consultor da Força Sindical e ex-assessor do deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho (PDT-SP), adquiriu, na época em que ocorreram supostos desvios de recursos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), uma farmácia avaliada em R$ 426,7 mil no interior de São Paulo.Moura está preso desde o último dia 24 de abril. "[A] farmácia foi adquirida em março de 2008 por João Pedro de Moura possivelmente com recursos provenientes de sua porcentagem no "Esquema do BNDES'", apontou a PF. O contrato foi assinado em nome da mãe do consultor, que passou a ser dona da Gramfarma Comercial, localizada em São Sebastião da Grama (SP)."O preço total acertado para a compra da farmácia foi de R$ 250 mil mais R$ 176,7 mil correspondente ao estoque existente. No ato da assinatura [do contrato] já foram pagos R$ 50 mil. O período corresponde às entradas dos recursos desviados dos financiamentos", concluiu o relatório da PF.A polícia encontrou a cópia do contrato no computador pessoal de Moura. No mesmo disco rígido a PF apreendeu a minuta de um ofício datado de março de 2007 e que deveria ser assinado pelo deputado federal Paulinho como presidente da central Força Sindical.No ofício, endereçado ao ministro do Desenvolvimento e Comércio Exterior e presidente do conselho de administração do BNDES, Miguel Jorge, Paulinho anunciava o pedido de exoneração de Moura do cargo de conselheiro do banco, ocupado por ele desde julho de 2002, e a indicação do advogado Ricardo Tosto.No entender de policiais que atuam no caso, o fato de Moura escrever um ofício que Paulinho deveria assinar demonstra o grau de confiança do congressista em Moura.
Quebra de sigilo
Em outro computador, do consultor de empresas Marcos Vieira Mantovani, a PF apreendeu um e-mail enviado a ele pela secretária do advogado Ricardo Tosto que, segundo a polícia, caracterizou a quebra de sigilo da investigação.O e-mail foi enviado no dia 25 de março, um mês antes das prisões. A secretária diz a Mantovani: "O dr. Ricardo pediu para o senhor tomar cuidado com o telefone em virtude do inquérito policial". Um dia depois, Mantovani respondeu: "Já estou tomando todas as precauções. Obrigado pelo aviso".Os documentos arrecadados pela PF indicam que as conversas entre Mantovani e Tosto remontam, pelo menos, a 2004.Em e-mail enviado ao advogado em julho daquele ano, Mantovani revela que havia interesse em buscar financiamento do banco para a montagem de uma fábrica de fécula de mandioca "pertencente a Elias e JP", que em outros momentos da investigação foi identificado como João Pedro de Moura. Em julho de 2004 Moura já era conselheiro do BNDES. Elias, segundo o consultor, seria um assessor parlamentar do deputado Geraldo Vinholi (PDT-SP). Mantovani citou ainda uma "taxa de sucesso líquida", a ser decidida "em reunião".

Contabilidade de consultor aponta cheque a "Paulinho"

Por Rubens Valente
na Folha de São Paulo

Um documento da contabilidade da empresa de consultoria Progus, de Marcos Vieira Mantovani, preso pela Operação Santa Tereza, indica que o pagamento de um cheque de R$ 18.397,50 da boate WE foi feito a "Paulinho", que, segundo a Polícia Federal, é o deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP). O nome foi escrito, e rasurado a caneta, ao lado da expressão "Praia Grande", numa ficha de controle de cheques em poder da Progus.Por meio de seu advogado, Antonio Rosella, o parlamentar voltou a negar ontem ter recebido qualquer pagamento da Progus ou de Mantovani (leia texto à pág. A5).A emissão do cheque ocorreu dias após a liberação da primeira parcela do empréstimo de R$ 124 milhões tomado pela Prefeitura de Praia Grande (SP) no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Conforme revelou a Folha em 1º de maio, o cheque é um dos principais indícios contra o parlamentar. Um possível pedido para abertura de um inquérito sobre a conduta do deputado, a tramitar no STF (Supremo Tribunal Federal), está sendo analisado pela Procuradoria Geral da República, em Brasília.Além de "Paulinho", outro cheque de R$ 18,3 mil deveria ser pago, segundo o controle interno da Progus, para "Ricardo Tosto", que é advogado da Força Sindical, presidida por Paulinho, e membro do conselho de Administração do BNDES, afastado quando do início da Operação Santa Tereza, no final de abril passado. Tosto tem afirmado, por meio de sua assessoria, que Mantovani era seu cliente, e eventuais pagamentos feitos por ele seriam relacionados a essa "relação cliente-advogado".Os dois cheques foram emitidos pela casa de prostituição WE, localizada nos Jardins, em São Paulo, e depositados na conta de Mantovani. A PF acredita que o consultor emitiu outros cheques ou fez saques em dinheiro para dar o destino final aos dois pagamentos.Em ambos os casos, além do registro na contabilidade da Progus, há outras duas evidências sobre os pagamentos: papéis grampeados em cada cheque, com as inscrições "RT" e "PA", e uma conversa eletrônica mantida entre Mantovani e sua filha, Carol, que o ajuda na empresa, divulgada pelo "O Globo" na última sexta-feira.A PF apreendeu no computador de Mantovani a cópia de um diálogo no programa MSN durante o qual Carol pede orientações sobre o depósito dos dois cheques. "Um é para o Ricardo Tosto e o outro é pra quem? Vou fazer aquela planilha de controle", escreveu a ajudante de Mantovani. Ele respondeu: "pa", em letras minúsculas. Carol não entendeu o código ("pa?"), e o consultor esclareceu: "Paulinho".A PF, em relatório entregue na semana passada à Justiça Federal, concluiu não ter dúvidas de que os pagamentos têm relação com o empréstimo feito pelo BNDES à Prefeitura de Praia Grande."As cópias dos cheques elencados acima (originais já apensados ao processo) correspondem à 1ª parcela liberada pelo BNDES para a Prefeitura de Praia Grande. O dinheiro "saiu" da [empreiteira] Termaq, através de "nota fiscal de prestação de serviços-Progus", foi depositado na casa WE (Original WE Bar e Restaurante Ltda.) e posteriormente repassado para: Progus; Impostos; Ricardo Tosto - "RT", e Paulo Pereira da Silva - "PA'", descreveu o relatório da PF que analisou os documentos apreendidos em 18 endereços diferentes.Neste relatório a PF também afirmou que "ficou clara" a participação do congressista na "organização criminosa".

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Coitado do Carlos Sampaio

O deputado tucano Carlos Sampaio apresentou hoje uma representação no Ministério Público Federal contra Dilma Rousseff, José Aparecido Nunes, Erenice Guerra e outros assessores da Casa Civil envolvidos na elaboração e divulgação do dossiê com gastos do governo Fernando Henrique Cardoso. O deputado é um dos mais atuantes opositores do governo. Ao contrário de muitos colegas de partido.
Aqui em Goiás tem gente falando que o Palácio do Planalto está por trás das denúncias contra o senador Marconi Perillo por causa da convocação de Dilma Rousseff para prestar depoimento na Comissão de Infra-estrutura do Senado que ele preside. Dizem que Lula ficou uma fera e quer acabar com Marconi, já que ele mexeu com a ministra dos seus olhos.
Se Marconi está sendo perseguido por perseguir Dilma, coitado do deputado Sampaio. Coitado também do senador José Agripino que duvidou da veracidade do depoimento de Mãe Dilma. Aqui em Goiás Marconi não precisa se preocupar com denúncias ou críticas. As marconetes de plantão já montam o escudo.

Como sempre Lula pede punição

Lula esteve hoje no BNDES, no Rio de Janeiro, durante o XX Fórum Nacional. Como o banco é alvo das investigações da Polícia Federal pelo desvio de verbas da instituição, Lula pede que os envolvidos sejam punidos. Como sempre Lula pede punição. Não é de hoje que ele pede punição para os corruptos. Lula pediu punição para Collor, FHC, Barbalho, Sarney, ACM, enfim, a lista é grande. Até para os aloprados petistas Lula pediu punição. Ele sempre pede isso. Resta saber se seu pedido vai virar realidade. Ah, um dos envolvidos no escândalo do BNDES é o deputado do PDT Paulo Pereira da Silva. Será que Lula deseja que ele, um integrante da base aliada, seja punido? Imagine se Paulinho da Força fosse da oposição?

Como sempre Lula critica a imprensa

Mais uma vez Lula critica a imprensa. Ele não gostou da cobertura feita pela imprensa brasileira da cúpula da UNASUL (União de Nações Sul-Americanas). Será que Lula se pronunciou a respeito da expulsão do repórter da Veja Diogo Schelp de uma reunião do encontro do Foro de São Paulo (criada por ele) no Uruguai neste último fim de semana?

Muito engraçado

Lula reclamou, mais uma vez, o fim da CPMF. Disse ele: Engraçado, não vi nenhum produto reduzir preço depois que acabou a CPMF. Engraçado, nunca antes na história destêpaiz um governo arrecadou tanto como agora. Engraçado, mesmo arrecadando tanto Lula não tira da cabeça o maldito imposto do cheque. Como se o dinheiro da CPMF custeasse as maravilhas da saúde pública brasileira. Muito engraçado o que Lula disse. É um piadista, um brincalhão.

PF inclui Paulinho no organograma da quadrilha que agia no BNDES

Por Roberto Almeida e Fausto Macedo
no Estado de São Paulo

O nome do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força, é parte do "Organograma da Organização Criminosa - Esquema BNDES", registrado na página 97 do Relatório de Inteligência Policial 11 da Operação Santa Tereza - peça que analisa os documentos recolhidos pelos federais e relacionados ao suposto desvio de verbas do BNDES. Para a PF, Paulinho teria recebido cheque de R$ 18.397,50 relativo ao primeiro desembolso do banco para a Prefeitura de Praia Grande (SP) e outra ordem de pagamento de R$ 82.162,93, referente a empréstimo às Lojas Marisa.
O organograma construído pelos federais aponta que há quatro mentores para o suposto esquema. Um deles é o lobista, assessor e amigo de Paulinho João Pedro de Moura, o que envolveria diretamente o deputado e justificaria a inclusão do nome do parlamentar no documento. Na última vez em que comentou as investigações da PF, em 9 de maio, Paulinho disse: "O que Moura fez, nós (Paulinho e seu advogado, Antonio Rosella) não discutimos." Segundo a PF, Moura percorreu cerca de 200 prefeituras dando como referência sua amizade com Paulinho para fechar novos contratos. Os demais líderes apontados pela PF são o ex-conselheiro do BNDES Ricardo Tosto, o sócio do prostíbulo WE Original Manuel Fernandes de Bastos Filho (foragido) e o proprietário da Progus Consultoria e Assessoria, Marcos Vieira Mantovani.Para confirmar a participação dos envolvidos no suposto esquema, a PF recorreu ao BNDES para esclarecimentos. O banco de fomento, por meio do chefe de gabinete da presidência, Paulo Todescan, amparado pelo chefe do Departamento Jurídico, Denilson Nunes, explicou que o "BNDES não possui um setor específico para detectar fraudes" e "não recomenda aos seus clientes o uso de empresas de consultoria, como a Progus" - empresa de Mantovani, apontado pela Procuradoria da República como consultor da suposta quadrilha.O banco defende-se, ao descrever os trâmites para liberação de verbas. De acordo com o BNDES, "seria praticamente impossível algum tipo de favorecimento para liberação de créditos, pois as decisões relativas a liberação de créditos são todas colegiadas".A PF, porém, indaga: "Se para aprovação de verbas através do BNDES todos os projetos são analisados por um colegiado (sabemos, através dos representantes do BNDES que se trata de um colegiado técnico), então por que empresas e prefeituras de diversas cidades estariam fazendo uso dos serviços da Progus e de seus agenciadores?" A questão baseia-se no documento apreendido pela PF sobre operação das Lojas Marisa - empresa que, por nota, negou saber de qualquer esquema. A Progus cobrava uma "taxa de sucesso em 1,95% sobre valor das liberações dos recursos conforme projeto contratado com o Banco Financiador".Os federais indagam ainda: "Por que João Pedro de Moura é tantas vezes indicado para tratar de assuntos relativos a liberação de verbas públicas, sempre indicado por empresários e autoridades públicas?"Na página 122 do relatório, em seção intitulada "Comentários Finais", os federais explicam as razões pelas quais inserem o nome de Paulinho no organograma. "Com relação às autoridades, Deputado Federal Paulo Pereira da Silva e Prefeito Alberto P. Mourão (de Praia Grande), ficou clara a participação destes na organização criminosa, conforme provas apresentadas neste relatório que somam-se a outras, de relatórios anteriores." Segundo a PF, há mais material apreendido nas buscas que precisa de análise, o que possibilitaria a identificação de mais pessoas envolvidas.

PT deve manter veto a aliança com o PSDB

Na Folha de São Paulo

A Executiva Nacional do PT se reúne hoje disposta a manter a resolução que veta a aliança do partido com o PSDB em Belo Horizonte. A decisão vai ficar para os 84 integrantes do Diretório do PT, que, na sexta, analisam a união de petistas e tucanos para apoiar a candidatura de Márcio Lacerda (PSB).Os idealizadores da aliança -o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), e o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB)- intensificaram as ações para assegurar a chapa. Mas há um acordo no PT para que a decisão não saia hoje.

Deputado tucano pedirá ação contra Dilma por improbidade

Na Folha de São Paulo

O sub-relator de sistematização da CPI dos Cartões Corporativos, deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), ingressa hoje com representação no Ministério Público contra a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), a secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, e outros 13 servidores da pasta que participaram da confecção do dossiê que revelou gastos do governo FHC.Ele argumenta que a ministra cometeu crime de improbidade administrativa ao não tomar providências para punir os subordinados.A ministra abriu procedimento apenas para identificar o vazamento. "Todos os que souberam da formatação do dossiê, que é um ato imoral, e deixaram de tomar medidas cabíveis cometeram crime de improbidade administrativa", disse Sampaio.Também são alvos da ação os dez funcionários da Casa Civil que participaram da compilação dos dados, além de José Aparecido Nunes Pires, ex-chefe da Secretaria de Controle Interno, Noberto Temóteo, secretário de Administração, e Maria de La Soledad Bajo Castrillo, chefe de gabinete de Erenice.Para o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), a ação de Sampaio é uma tentativa de "prolongar o tema, mas não prosperará".

Governo paga a empresas 54 vezes o que doaram ao PT

Por Fernanda Odilla, Ranier Bragon e Letícia Sander
na Folha de São Paulo

Parte das 20 empresas que mais doaram dinheiro ao PT em 2007 recebeu no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pagamentos do governo federal que totalizam ao menos 54 vezes o valor repassado ao partido.A contabilidade do PT entregue no último dia 30 ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) registra R$ 8,7 milhões em doações feitas por 20 empresas em 2007, metade desse valor oriundo de empreiteiras ou empresas de construção civil.Consulta ao Portal da Transparência do governo federal (www.transparencia.gov.br) mostra que 8 das 20 doadoras receberam do governo, diretamente ou por meio de empresas do mesmo grupo, um total de pelo menos R$ 473 milhões em 2007 e 2008. A empreiteira Andrade Gutierrez foi a maior doadora do PT em 2007, com R$ 1,5 milhão. Do Portal da Transparência, ela consta como beneficiária de R$ 45 milhões desde 2007.O valor obtido no portal é subestimado, já que não abrange possíveis subsidiárias não detectadas pela reportagem e pagamentos feitos pelas estatais, que não são abrangidas pelo portal do governo.Um exemplo: a UCT Engenharia doou R$ 800 mil para o PT e não aparece no portal como beneficiária em 2007 e 2008. Mas ela firmou em outubro do ano passado contrato no valor de US$ 139,7 milhões para, em parceria com a Rolls-Royce Energy Systems, fazer a provisão, montagem e operação dos módulos de engenharia elétrica da P-56, plataforma da Petrobras na Bacia de Campos.O tesoureiro do PT, Paulo Ferreira, argumentou que todas as grandes empreiteiras e bancos, principais doadoras do PT nos últimos anos, têm alguma relação com os governos federal, estadual e municipal. "Não vejo estranheza em colaborarem, porque nossos doadores são esses grandes grupos." Ferreira afirmou que algumas empresas assumiram o compromisso de ajudar, ainda em 2007, a quitar dívidas de campanha da reeleição de Lula.A Folha procurou as empresas doadoras do PT para saber o que as motivou a colaborar financeiramente com o partido. As que se dispuseram a falar disseram que ou simplesmente atenderam ao pedido de doação, ou são tradicionalmente colaboradoras de partidos."Nosso melhor vendedor de álcool é o presidente", afirmou o diretor de operações da sucro-alcooleira Goiasa Goiatuba Álcool, Júlio Capobianco Filho. A empresa doou R$ 800 mil para o PT. No portal, o grupo do qual faz parte a empresa aparece como beneficiário de R$ 142 milhões desde 2007. "O grupo não doa para ter contratos, mas, sempre que procurados, avaliamos os pedidos", disse Capobianco Filho, acrescentando que já foi chamado de "burro" por doar ao PT.A assessoria da Andrade Gutierrez disse "que acredita no exercício da cidadania corporativa" e que se reserva ao direito de não comentar a doação. A WTorre informa não estar envolvida com nenhuma obra do governo federal, mas que prefere doar em anos sem eleição.Entre os quatro maiores partidos, o PT foi o que obteve maior volume de recursos de empresas privadas. O PSDB arrecadou R$ 3 milhões. As doadoras do PSDB receberam do governo federal, de acordo com o Portal da Transparência, R$ 134 milhões. PMDB e DEM não registraram doações.Anualmente, os partidos políticos são obrigados a apresentar a suas prestações de contas ao TSE, que as julga depois de uma lenta análise. Caso sejam rejeitadas, o partido fica por um ano sem o dinheiro do fundo partidário, principal fonte de recurso das legendasA prestação de contas do PT de 2006 ainda está pendente de julgamento, com recomendação da área técnica do TSE pela rejeição por vários motivos, entre eles suposto uso irregular de dinheiro do fundo partidário e recebimento de doação de fonte vedada pela lei.Naquele ano, eleitoral, o PT arrecadou R$ 43 milhões em doações, sendo que as empreiteiras (R$ 12,5 milhões) e os bancos (R$ 8,8 milhões) foram os mais generosos. O topo do ranking tinha Andrade Gutierrez (R$ 6,4 milhões) e Santander Banespa (R$ 3,2 milhões).

domingo, 25 de maio de 2008

Só falta Fidel

Stalin, Mao, Che, Reys e Manuel Marulanda. Sim, confirmaram a morte do número 1 das Farc. Os esquerdopatas assassinos vão ardendo no caldeirão do inferno, vão levando espetadas no traseiro. Só falta Fidel. Isso é só uma questão de tempo.

Amanhã eu publico

Pode deixar que amanhã cedo publico as notícias da Folha e do Estadão. Hoje a internet me deixou na mão.

Os verdadeiros desejos do lulismo bolivariano

Um dos assessores mais próximos de Lula está lá no congresso do Foro de São Paulo que acontece no Uruguai. Será que ele está informando bem o grande fundador? Marco Aurélio Garcia é o braço direito de Lula no foro. Segundo Diogo Schelp, o assessor top-top-top de Lula disse que o governo brasileiro quer que outros países da América Latina participem da exploração do petróleo anunciada pela Petrobrás nos últimos meses. Isso mesmo! Não seria só o Brasil que aproveitaria do ouro negro extraído da Bacia de Santos. Teríamos o Bufão de Caracas, o Zacarias Boliviano e outros esquerdistas pegando petróleo nosso. Ele acha que as riquezas do Brasil não devem beneficiar apenas os brasileiros, mas toda a região. Vimos isso em 2006 quando Evo Morales roubou as refinarias da Petrobrás na Bolívia e Lula assistiu a tudo calado.
Ainda bem que o site da revista Veja está noticiando os acontecimentos do Foro de São Paulo. Pois é, minha gente, o foro existe mesmo. Não é um produto da imaginação de Olavo de Carvalho, Graça Salgueiro e Reinaldo Azevedo. Diogo Schelp mostra através do site da Veja que o Foro de São Paulo está mais ativo do que nunca e mostra Marco Aurélio Garcia revelando os verdadeiros desejos do lulismo bolivariano.

O fantasma das Farc ronda o encontro da esquerda latina em Montevidéu

Por Diogo Schelp
na Veja online

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) estão presentes no Foro de São Paulo. Não, não há nenhum terrorista com uma credencial onde se lê “Farc-EP” andando pelos corredores do Edifício do Mercosul, em Montevidéu, onde ocorre o encontro. Mas a cada vez que algum dos participantes toma a palavra nos debates e toca no assunto Colômbia, percebe-se a presença das Farc – na forma de argumentos que tentam justificar sua existência e na incapacidade de condenar com firmeza os crimes cometidos pelo grupo.
Representantes das Farc já participaram em várias edições do Foro de São Paulo. Há muitos anos se sabe que o grupo tem ligações com o narcotráfico, vale-se de métodos desumanos de recrutamento e mantém centenas de pessoas seqüestradas. Há poucos meses, no entanto, os detalhes desses crimes e a maneira atroz como os seqüestrados são tratados vieram à tona e ficou impossível para quem apoiava as Farc negar os seus crimes. Nesse contexto, seria de esperar que o Foro de São Paulo se manifestasse de maneira contundente e inequívoca contra o grupo que já fez parte de suas fileiras. Não é o que está acontecendo. No plenário que ocorreu no sábado, dia 24, à tarde, por exemplo, um representante do PRD (o partido de Lopez Obrador, ex-candidato presidencial no México) fez um discurso em que disse: “Queremos que as Farc sejam reconhecidas como força beligerante, para que possam ter participação política no processo colombiano.” É exatamente o que as Farc querem e é exatamente o que o presidente venezuelano Hugo Chávez tem defendido desde que ficou evidente seu vínculo com o grupo.

Crítica – A única crítica contra as Farc, até agora, foi feita por Carlos Gaviria, ex-candidato à presidência da Colômbia pelo Pólo Democrático Alternativo. Mas Gaviria restringiu-se a dizer que discorda dos métodos dos grupos armados colombianos e em nenhum momento citou as Farc nominalmente. Ao final, relativizou os crimes dos terroristas dando a entender que eles têm motivação social. Eis alguns trechos do discurso:
“Temos uma dificuldade, que é a luta armada. Para nós, consiste em um desgaste de energia permanente cada vez que temos que manifestar que não concordamos com a luta armada. De que é preciso buscar a conformação de uma sociedade democrática pela via do debate público, pela via eleitoral. Eu sempre acreditei que essa é a única via para conseguir as reformas substanciais que nossas sociedades necessitam. Há alguns anos, éramos taxados de utópicos por isso. Eu, que tenho feito uso de uma ética incompatível com o uso da força e de uma filosofia política que se orienta dessa mesma forma, tenho que estar permanentemente fazendo esse tipo de manifestação. Que desgaste tão inútil de energia! Agora mesmo, aqui, um jornalista me perguntava se eu deploro os crimes cometidos pela guerrilha ou pela insurgência na Colômbia. Incomoda-me que me façam essa pergunta. Toda a minha vida estive comprometido com a defesa dos direitos humanos, e o Pólo também está.”
“A luta insurgente, com seus atos rechaçados por toda a sociedade, tem contribuído para dar mais estabilidade ao regime [de Uribe].”
“Hoje, eu acho que os utópicos são os que acham que na América Latina pode triunfar um movimento armado. De maneira que não unicamente por razões de ética de filosofia política, como também por questão de viabilidade, esta via está descartada para nós.”
“Mas o que faz o governo? Todos os dias, nega que haja um conflito armado na Colômbia. Claro que tem que negá-la, porque se assume, a pergunta seguinte é: e quais são os fatores que geraram esse conflito? Entre esses fatores, é preciso enumerar a pobreza, a distribuição desigual da riqueza, a exclusão, e o governo não quer saber nada disso. Então nega a existência de um conflito armado, contra toda a evidência. Temos que identificar qual é o nosso verdadeiro adversário e não gastar energia destroçando-nos entre nós mesmos.”

Mentiras – Segundo explicou a VEJA María Belela Herrera, uma ativa participante do foro que até recentemente ocupava o cargo de vice-chanceler no governo do presidente uruguaio Tabaré Vazquez, as Farc não comparecem ao encontro esquerdista desde sua última edição brasileira, em 2005. Antes disso, os terroristas não só participavam dos encontros do Foro de São Paulo, como faziam intervenções freqüentes nos debates – em geral para contar mentiras, como dizer que não têm ligação com o narcotráfico.
No encontro em Montevidéu, por exemplo, está à venda um livro chamado “Debates e propostas da esquerda para o século XXI” que contém o conteúdo das principais discussões ocorridas no sétimo e no oitavo encontros do foro. Está lá, por exemplo, o conteúdo de uma oficina com o tema “O narcotráfico na América Latina e no Caribe”, em que os representantes das Farc conseguiram que fosse incluído, no documento final do debate, um texto de Raúl Reyes, do Secretariado do Estado Maior Central das Farc. Sim, trata-se do mesmo Reyes que foi morto por uma operação do exército colombiano, este ano.
Eis um trecho de seu texto: “É necessário repetir que as Farc-EP não compartilha, não negocia, não tem relação com o narcotráfico, que rechaçamos por princípio e por ética, porque é incompatível com a democracia e a convivência cidadã”, etc. Em outra oficina, com o tema de “Negociação e processos de paz na América Latina”, há um resumo do discurso feito por um dos terroristas. Eis um trecho curto: “Por último tomou a palavra Marco Leon Calarcá, representante das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo (Farc-EP), que afirmou que não pode existir uma verdadeira paz se forem mantidas as condições de miséria e injustiça que sofre o povo colombiano.” Guarda uma certa semelhança com parte do discurso feito no atual encontro por Gavíria.

A internet voltou

Estou atualizando as coisas aqui. Passei o dia inteiro sem internet. Estou atualizando algumas coisas aqui.