domingo, 20 de abril de 2008

Lula culpa EUA e petróleo por inflação global

Por Fábio Zanini
na Folha de São Paulo

Ao chegar para uma visita oficial de três dias a Gana, no oeste africano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou ontem a estratégia de defender os biocombustíveis atacando países ricos, sobretudo os EUA."Na política de biocombustíveis, só tem um equívoco, que é a decisão americana de produzir álcool do milho", afirmou Lula, ao lado de John Kufuor, presidente ganense."Não aceitamos que outra vez os países mais pobres paguem a conta. Dizer que os biocombustíveis causaram o aumento do preço do alimento é perguntar: onde se produz biodiesel?", questionou, insinuando uma possível razão política dos países ricos no ataque.O mote de que a melhor defesa é o ataque deve se repetir hoje e amanhã, quando Lula participará da reunião da Unctad, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento.Como raras vezes se viu numa viagem sua, Lula estará na defensiva, sendo obrigado a justificar sua opção pelos biocombustíveis e a rebater a crítica de que eles ajudam a causar a inflação global de alimentos. Ele recebeu o apoio de Kufuor.Ontem, Lula também culpou o petróleo pela inflação. "É importante que as pessoas tenham a responsabilidade de dizer que o preço dos alimentos se deve muito mais ao custo do frete causado pelo preço do petróleo do que pelo biodiesel." Para ele, é "estranho" que não se critique o salto no preço do barril do petróleo, que anteontem fechou em US$ 113,92 -alta de 7,92% em um mês.Sobrou também para a União Européia, que, segundo Lula novamente insinuou, estaria sendo incoerente nas críticas. "A própria União Européia já tomou a decisão de até 2020 introduzir 10% de biocombustíveis na gasolina." Ele lembrou que quase todos os países assinaram o Protocolo de Kyoto, para acabar com a dependência dos combustíveis fósseis.O presidente brasileiro convocou os países pobres a se armarem para uma "guerra comercial" contra o mundo rico, tanto na discussão sobre a Rodada Doha como no debate sobre a produção alimentar. "Os países africanos, asiáticos, latino-americanos terão de enfrentar uma verdadeira guerra comercial sobre a questão da produção agrícola, em dois níveis: na OMC e no aumento da produção de alimentos."Mais tarde, aos jornalistas, Lula expandiu suas críticas aos EUA, dizendo não ser recomendável utilizar-se de produtos alimentícios como base da produção de biocombustível. "Eu gostaria que os Estados Unidos comprassem do Brasil, mas eles querem produzir [do milho], então problema deles".Lula disse estar feliz de "enfrentar o debate" e que chamou uma conferência internacional sobre biocombustíveis para o Brasil em novembro, com a presença de chefes de Estado, cientistas e ONGs.

Em ano eleitoral, deputados elevam gasto com divulgação

Por Maria Clara Cabral e Ranier Bragon
na Folha de São Paulo

Em pleno ano eleitoral, gastos de deputados federais com a verba para divulgação de seus mandatos alcançou R$ 3 milhões de janeiro a março, aumento de 44% em relação ao mesmo período de 2007.O dinheiro público foi usado principalmente por quem é pré-candidato a prefeito em outubro -em média 50% a mais do valor usado pelos não-candidatos- e financiou desde a confecção de cartões de felicitação e livretos de discursos, distribuídos a eleitores, à compra de "reportagens" na imprensa regional.Dos 30 que mais usaram o dinheiro fornecido pela Câmara, 15 são pré-candidatos a prefeito ou tiveram seus nomes cotados para concorrer.Vários dos deputados reconhecem que a verba mensal de R$ 15 mil destinada a eles pela Câmara ajuda a promovê-los em seus Estados, sendo que alguns admitem indiretamente o uso da máquina pública."E o candidato do prefeito, que vai ter a máquina da prefeitura ao seu dispor? E o candidato do governador?", argumenta Gastão Vieira (MA), pré-candidato do PMDB à Prefeitura de São Luís, quando questionado se considera ter obtido benefício eleitoral pelo uso de R$ 28 mil para produção de blog e cartões de felicitação.Criada em 2001 na gestão de Aécio Neves (PSDB), a "divulgação do mandato" está prevista na chamada "verba indenizatória", que destina R$ 15 mil mensais a cada deputado. Por ato da Mesa, a divulgação só pode ocorrer até 180 dias antes das eleições (neste ano, 8 de abril). Depois, os deputados continuam recebendo a verba indenizatória, mas o gasto com a propaganda fica proibido.Entre os deputados que mais gastaram com a divulgação de mandato em 2008, alguns confirmaram que utilizam o dinheiro para comprar supostas "reportagens" na imprensa regional, entre eles Enio Bacci (PDT-RS), que teve o nome cotado para concorrer à Prefeitura de Porto Alegre."É um apoio que se dá para divulgar nosso trabalho. São geralmente jornais que não sobrevivem sem esse apoio", afirmou Bacci, que gastou R$ 25,2 mil. A compra de reportagens em jornais e rádios do interior -sem que o cidadão saiba que a "notícia" é paga- é prática comum no Congresso sob o argumento de que esses órgãos de imprensa não divulgariam as notícias dos deputados caso não houvesse pagamento.Leonardo Quintão (PMDB-MG) aparece em primeiro lugar no ranking dos pré-candidatos com mais gastos. O deputado, que pretende concorrer à Prefeitura de Belo Horizonte, usou R$ 37,6 mil nos três primeiros meses deste ano para, segundo ele, a confecção de mais de 20 mil jornais informativos. "Tive 116 mil votos em Minas, fui o mais votado da coligação, por isso opto por usar o dinheiro para manter o meu eleitorado. Quem tem mais voto tem dificuldades em mantê-los", afirmou. A assessoria do parlamentar também admitiu que o gabinete fez o máximo de publicidade que podia no primeiro trimestre deste ano, pois a divulgação do mandato não pode ocorrer mais em abril.Entre os "gastadores" que devem concorrer em outubro também está Uldorico Pinto, pré-candidato em Teixeira de Freitas, na Bahia. Ele gastou R$ 36 mil nos três primeiros meses do ano com a confecção de livretos com seus discursos na Câmara. Na capa há uma foto grande do deputado sorridente, com seu nome e partido, e a frase: "Tributo de um povo".

sábado, 19 de abril de 2008

Vai ser difícil a gente saber

No ano de 2007 inteiro só vimos os políticos goianos falando sobre a reforma administrativa do governador Alcides Rodrigues, o popular Cidinho. Um monte de gente escrevia nos jornais e na internet sobre a tal reforma. Já se especulava um possível rompimento entre Cidinho e Marconi Perillo. O Tempo Novo dos dois passou oito anos só vivendo de marketing, de propaganda, de coisas bonitas apenas para a televisão, rádio e jornal. Foi só Marconi sair do Palácio das Esmeraldas e Cidinho tomar posse de vez para as coisas mostrarem como elas eram, sem maquiagens.
Pensei que a imprensa goiana, finalmente, proclamaria sua independência. Pensei que as constantes críticas à reforma administrativa, à crise financeira, aos bate bocas entre aliados pudessem, finalmente, fazer um jornalismo crítico, que pouco se interessa se o político vai ou não vai gostar da matéria publicada. Engano meu! Foi só a reforma passar (em branco), foi só o ano de 2008 chegar para a imprensa do pé rachado mostrar que continua sendo governista, que continua sendo a voz do Palácio das Esmeraldas. Por que a reforma não é mais mostrada em primeira página? Por que as constantes críticas ao governo, que deixou o cofre do estado esvaziar, sumiram do mapa (e do papel)? A imprensa goiana continua a mesma. Continua o mesmo armazém de secos e molhados. A imprensa do pé rachado agora só pensa em eleição. Sorte de Jorcelino Braga que não terá mais de falar sobre mudanças, cortes, tesouras. Azar de Cairo de Freitas que saiu da Secretaria da Saúde sem ver investigadas as suas denúncias sobre a falta de verbas para a pasta. Azar de quem queria investigar a denúncia de Jorcelino de que dinheiro na secretaria de Cairo era desviado. Se os políticos tem sorte a imprensa goiana também tem sorte. Azar de Goiás que nunca saberá por que Marconi deixou uma dívida enorme para Cidinho, por que Cidinho deixou a crise aumentar, por que Cairo de Freitas deixou a secretaria e por que Jorcelino Braga denunciou desvio de verbas na saúde. Ninguém sabe. Com uma imprensa que beija a mão dos políticos do Tempo Novo vai ser difícil a gente saber.

"O genro do ano" por Roberto Pompeu de Toledo

Ainda estamos no primeiro semestre, mas daqui até o fim deste 2008 dificilmente alguém arrebatará do governador Cid Gomes, do Ceará, o título de genro do ano. Cid Gomes não se esqueceu de incluir a sogra, a senhora Pauline Carol Habib Moura, na comitiva de sete pessoas que, a bordo de um jato fretado, visitou cinco cidades européias, em dez dias, na época do Carnaval. As outras pessoas eram o secretário de Turismo do governo, Bismarck Maia, e senhora, o assessor Valdir Fernandes da Silva e senhora, o governador e a primeira-dama, Maria Célia. À boa vontade do governador juntou-se a do bom povo do Ceará, que pagou a conta: 388 596 reais do aluguel do jatinho, mais 13 841,28 reais em diárias para os três membros da comitiva detentores de cargos oficiais.
Cid Gomes é um afortunado. Dos 46 deputados da Assembléia Legislativa do Ceará, apenas dois lhe fazem oposição. Treze dos catorze partidos estão com ele. Só não está o PR, partido do governador anterior, Lúcio Alcântara. O único representante do PR na Assembléia é um dos oposicionistas. O outro é o deputado Heitor Férrer, do PDT, que, ovelha desgarrada, insiste em exercer as funções de fiscalizar o governo e cobrar explicações. A proeza em que se empenha o mineiro Aécio Neves, de juntar PSDB e PT no apoio a um candidato comum à prefeitura de Belo Horizonte, empalidece diante da de Cid Gomes, que, filiado ao Partido Socialista Brasileiro, tem em torno de si um cordão no qual se abraçam do DEM ao PCdoB, do PMDB ao PV, sem esquecer PT e PSDB.
Outra sorte de Cid Gomes é governar um estado cujos cofres só podem estar cheios até a boca, para agüentar o baque de suas ousadias administrativas. A principal realização do governo, no campo da segurança pública, foi comprar 428 viaturas Hilux SW4. Cada uma delas tem preço de mercado na faixa dos 150 000 reais. Total do pacote: 64,2 milhões de reais. Um especialista em segurança pública pergunta: "Aonde vai a Hilux que a Blazer não pode ir?". O mesmo especialista lembra que os policiais do Ceará costumam entregar a arma a um colega quando deixam o serviço, porque não há armas para todos. Não importa. Impressionantes Hilux circulam pelo estado. E só espíritos de porco haverão de pensar na conta da manutenção quando elas começarem a quebrar.
A viagem de Cid Gomes e companhia, inclusive a sogra, a Madri, Londres, Edimburgo, Dublin e Berlim deu-se entre 30 de janeiro e 9 de fevereiro. O deputado estadual Heitor Férrer, a tal ovelha desgarrada do rebanho do governador, encaminhou no dia 20 daquele mês um pedido de explicações sobre preços, propósitos da viagem e membros da comitiva. Dois dias depois o governo informou quanto tinha custado o aluguel do jatinho, mas silenciou quanto à comitiva e aos propósitos da viagem. Finalmente, na semana passada, quase dois meses após a primeira consulta – eta informação difícil, a que se exigia do governo! –, veio a lista dos passageiros. Quanto aos propósitos da viagem, informou-se que em Madri o governador e assessores participaram da Feira de Turismo, "evento importantíssimo para o desenvolvimento turístico do estado", em Edimburgo trataram de energia, em Dublin de atrair investimentos turísticos e em Berlim estiveram na "maior feira do mercado de frutas do mundo". Nenhum detalhamento quanto a quem o governador encontrou, em que dia, a que hora, que precisos assuntos foram abordados e que resultados se obtiveram.
O deputado Férrer quer o ressarcimento aos cofres públicos das quantias indevidamente gastas na viagem, e para isso mobilizou o Tribunal de Contas e o Ministério Público do estado. Em sua argumentação, dividiu o preço do frete do avião pelos sete membros da comitiva – aproximadamente 55 000 reais – e pediu que as parcelas relativas a três deles – a sogra, a esposa do secretário e a esposa do assessor – sejam devolvidas. Férrer está sendo bonzinho. Considera que a primeira-dama tem lá suas funções de representação, e portanto não deve entrar na conta, e não contesta a opção pelo avião fretado. O Jornal Nacional, da Rede Globo, fez o cálculo de quanto custaria a viagem em avião de carreira – 105 000 reais, ida e volta, Fortaleza–Madri, para os sete passageiros, em primeira classe, pagando-se tarifas cheias, ou 45 500 em classe turística.
O governador não se pronunciou sobre o assunto na semana passada. Estava de novo em viagem, dessa vez para a Ásia (para onde foi em avião de carreira e sem sogra). Como viajam os governadores brasileiros! E também os ministros, os secretários, os prefeitos, os deputados, os vereadores, os presidentes. Uma pesquisa aprofundada sobre o assunto nos haveria de situar entre os líderes mundiais, se é que não somos o líder, no ramo das viagens de políticos e autoridades. Na hipótese (remota) de Cid Gomes vir a ser condenado a devolver a quantia estimada por Férrer, a sogra lhe custará 55 000 reais. Depois da viagem do tipo "Europa maravilhosa em cinco escalas" que lhe ofereceu, será uma nova oportunidade de provar-se o genrão que se adivinha nele.

"O quilombo do mundo" por Diogo Mainardi

Barack Obama, num debate eleitoral, na última quarta-feira, respondendo a uma pergunta sobre as cotas raciais:
– Se olharem minhas filhas, Malia e Sasha, e disserem que elas estão numa situação bastante confortável, então (raça) não deveria ser um fator. Por outro lado, se houver um jovem branco que trabalhe, que se esforce, e que tenha superado grandes dificuldades, isso é algo que deveria ser levado em consideração.
Barack Obama costuma mudar o discurso de acordo com a platéia. O que ele disse a uma platéia branca em Filadélfia pode perfeitamente ser desmentido daqui a uma semana, diante de uma platéia negra numa igrejinha batista, no interior da Carolina do Norte. Mas o fato é que ele quebrou um tabu e defendeu abertamente o fim das cotas raciais. O poder público, segundo ele, tem de ajudar os pobres em geral, conforme os méritos de cada um, e não os negros em particular.
O Brasil macaqueou o sistema de cotas raciais dos Estados Unidos. E macaqueou tarde, num momento em que o próprio candidato negro à Casa Branca já admite aboli-lo. O Supremo Tribunal Federal está julgando a constitucionalidade das leis que instituíram as cotas raciais no Brasil. É uma chance para acabar de vez com o quilombolismo retardatário que se entrincheirou no matagal ideológico das universidades brasileiras.
O ministro Carlos Ayres Britto deu um voto a favor do sistema de cotas raciais, argumentando o seguinte: "É pelo combate a situações de desigualdade que se concretiza o valor da igualdade". Isso se aplicaria se a desigualdade se originasse na universidade. A gente sabe que a realidade é outra. A gente sabe que a desigualdade nasce no ensino básico, e é lá que ela tem de ser combatida. A má qualidade da escola pública cria uma casta de párias analfabetos, os intocáveis da tabuada, dalits brancos e negros, que nunca poderão se igualar aos que estudam na escola particular.
É desolador ter de repetir sempre a mesma lengalenga. E a lengalenga é: o Brasil gasta dinheiro de mais na universidade e dinheiro de menos no ensino básico. Se é para macaquear os Estados Unidos, temos de macaqueá-los por inteiro. A universidade pública americana cobra mensalidade dos alunos. Quem pode pagar, paga. Os outros se arranjam com bolsas, empréstimos ou bicos. Se o Brasil fizesse o mesmo, cobrando mensalidade na universidade pública, sobraria mais dinheiro para investir onde importa: no bê-á-bá.
O sistema de cotas raciais foi rapidamente introduzido na universidade brasileira, beneficiando-se de um ambiente que sempre soube acolher as idéias mais regressivas, como o petismo bandoleiro e o parasitismo estatal getulista. O Brasil se refugiou no passado. O Brasil é o quilombo do mundo.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Simplesmente lamentável

A morte de Isabela Nardoni se transformou num show. Os suspeitos do assassinato se transformaram em estrelas. Os fãs, como sempre, fazem farra do lado de fora dos sets de filmagem. Simplesmente lamentável.

Quem vai botar ordem?

Os baderneiros dos sem-terra estão tocando o terror. Lula e seus aloprados sempre apoiaram o MST. Quem não se lembra daquela cena patética de Lula colocando o boné dos sem-terra na cabeça. Aliás, aproveitando essa onda de invasões do MST, é bom lembrar que Lula reuniu com eles na Granja do Torto secretamente. Por que será que a oposição não cobrou do governo explicações sobre este encontro? Estamos vendo a baderna. Se Lula não põe o boné na cabeça pode ter certeza que está reunido com os baderneiros secretamente na Granja do Torto. Quem vai botar ordem? Lula não vai.

O Bufão metendo o nariz onde não é chamado

O Bufão de Caracas está metendo o nariz onde não é chamado. Na campanha presidencial no Paraguai, Chávez já está movimentando seus palhacinhos para bagunçar as eleições. Chávez, por que não te calas? Ele ficou uma fera quando o exército colombiano matou Raul Reys, número 2 das Farc, em território equatoriano. O bufão e os bolivarianos daqui do Brasil disseram que foi um atentado a soberania do Equador. Ah, é? E este interferência do Bufão de Caracas nas eleições paraguaias é o que, cara pálida? Chávez, por que não te calas?

MST invade usina, ocupa pedágios e desafia a Vale

Na Folha de São Paulo

Para lembrar as mortes de 19 trabalhadores rurais ocorridas em Eldorado do Carajás (PA) há 12 anos, o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) promoveu ontem outro dia de intensas ações pelo país, invadindo propriedades da Vale e uma hidrelétrica em Sergipe e bloqueando praças de pedágio e rodovias.No total, foram 50 atos, em 15 Estados e no Distrito Federal, quase o mesmo número de anteontem, quando ocorreram 53 manifestações, boa parte delas em prédios públicos. Desde o início do mês, chamado pelo movimento de "abril vermelho", os sem-terra já promoveram ao menos 150 ações.Em Belém (PA), agricultores invadiram, por 15 minutos, o prédio da Vale, na região central da cidade. Segundo Ulisses Manaças, da coordenação nacional do MST no Pará, a ação foi uma reação às declarações do diretor-presidente da empresa, Roger Agnelli, "criminalizando o movimento".De acordo com a empresa, cerca de 30 de seus funcionários foram impedidos de deixar o prédio durante a ação, e o portão do prédio, tombado pelo patrimônio histórico, foi arrombado. A Polícia Militar disse que não houve depredações.Em Sergipe, os sem-terra invadiram a usina hidrelétrica de Xingó, responsável pela produção de 20% da energia elétrica consumida no Nordeste.Segundo a Chesf (Companhia Hidrelétrica do São Francisco), que administra a usina, a ação foi "pacífica" e os lavradores não tiveram acesso ao setor operacional. À tarde, a Justiça concedeu liminar de reintegração de posse, mas os sem-terra concordaram em sair antes de serem notificados, após reunião com representantes da empresa e da Codevasf (Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco).No Paraná, sem-terra invadiram 11 das 27 praças de pedágio do Estado. Ao chegarem, eles cobriam as câmeras de vídeo para não serem identificados e liberavam as cancelas para que motoristas pudessem passar sem pagar a tarifa. Até o final da tarde, quatro das praças ainda tinham manifestantes.Em Agudos (SP), integrantes do MST bloquearam, por quase duas horas, a rodovia Marechal Cândido Rondon. Houve um princípio de tumulto, mas sem conflitos.Em Americana (SP), outros trabalhadores invadiram uma fazenda utilizada para o plantio de cana-de-açúcar. Aconteceram invasões a agências do Banco do Brasil em Sorocaba (SP) e Andradina (SP).Em Maceió (AL), cerca de 500 sem-terra invadiram o prédio da Assembléia Legislativa, investigada por um suposto esquema de desvio de dinheiro, para pressionar o governo a reduzir os repasses mensais ao Legislativo estadual.Em Pernambuco, o movimento invadiu mais uma propriedade rural -a 32ª desde sábado- e promoveu uma passeata no centro de Recife.No Ceará, o MST realizou quatro invasões de terra, nos municípios de Ibaretama, São Luiz do Curu, Senador Pompeu e Itaipaba. Para hoje estão planejadas novas ações. Houve protestos também em duas rodovias federais: a BR-116 e a BR-020. Em Canindé, fizeram uma marcha.No Distrito Federal, integrantes do MST e de outros movimentos sociais fizeram uma marcha pela Esplanada dos Ministérios, em Brasília. O grupo se reuniu em frente ao Congresso. Os presidentes do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), e da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), receberam de líderes sem-terra um manifesto com medidas pela reforma agrária e de combate à violência no campoTambém houve manifestações, invasões ou bloqueios em outros oito Estados: Roraima, Piauí, Santa Catarina, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Bahia e Paraíba.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Papa se reúne com grupo de vítimas de padres pedófilos

No Estadão online com agências internacionais

WASHINGTON - O papa Bento XVI teve uma reunião com um grupo de pessoas que sofreram abusos sexuais nas mãos de padres católicos, informa o Vaticano. Esse encontro não constava da agenda da visita do papa aos EUA.

Uma nota do Vaticano diz que o grupo foi levado ao papa pelo atual arcebispo de Boston, cardeal Sean O'Malley.

O escândalo de de abusos sexuais cometidos por padres nos EUA estourou em Boston e foi agravado pela descoberta de que o então responsável pela arquidiocese, cardeal Bernard Law, havia transferido um padre acusado de pedofilia entre paróquias, em vez de afastá-lo ou puni-lo. Sob forte pressão de fiéis e demais sacredotes da arquidiocese, Law renunciou em 2002, e foi transferido para um posto no Vaticano. Ele tomou parte no conclave que elegeu Joseph Ratziger sucessor de João Paulo II.

Bento XVI já havia dito a bispos dos EUA que a crise dos abusos sexuais havia sido "às vezes, muito mal administrada", e disse que era preciso estender amor e compaixão às vítimas.

Milhares de padres já foram acusados de molestar menores de idade nos EUA desde 1950, e a Igreja Católica já pagou mais de US$ 2 bilhões em indenizações, a maior parte nos últimos seis anos, quando o caso do molestador em série em Boston ganhou fama nacional, levando muitas vítimas silenciosas a se apresentarem.

Uma das vítimas, Greg Bergeson, que não conseguiu ser recebido por João Paulo II no Vaticano, anos atrás, referiu-se ao encontro desta quinta-feira como "um passo há muito adiado no caminho certo".
"A Igreja Católica baseia-se, em parte, em simbolismo, e creio que o simbolismo de ele não ter se reunido com as vítimas teria sido horrendo", declarou.

"Eles oraram com o Santo Padre, que em seguida ouviu seus relatos pessoais e lhes ofereceu palavras de encorajamento e esperança", diz a nota do Vaticano sobre a reunião. O papa disse que rezaria pelas vítimas dos abusos e por suas famílias.

Durante missa realizada mais cedo, em Washington, o papa havia dito aos mais de 45 mil fiéis que lotaram um estádio de beisebol que "nenhuma palavra minha poderia descrever a dor e o dano provocados por tamanho abuso".

Este é o Brasil

Antônio Palocci, ex-ministro da Fazenda, mandante da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo, irá presidir a comissão da reforma tributária na Câmara dos Deputados. No Brasil é sempre assim: político corrupto sempre volta com tudo.

Lula continua atacando as oposições

E Lula continua atacando as oposições. Disse o fundador do Foro de São Paulo hoje em Belo Horizonte: Eu não sou candidato. O que eles (membros da oposição) querem é que eu fique dentro do meu gabinete, vendo eles fazerem discurso contra mim. Entre ouvir eles falarem de mim e abraçar o povo desse País, eu vou pra a rua. É, minha gente. Só Lula pode criticar, só Lula pode falar o que quiser. As oposições não podem. Quando era oposicionista o Falastrão de Honra do PT vivia enchendo o saco dos governantes. Agora que ele é presidente quer calar a boca dos opositores, não quer críticas. Os lulistas bolivarianos continuam atacando as oposições, pregando o pensamento único. Até quando teremos que aturar estes ataques?

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Papa convida EUA a solucionar conflitos com apoio internacional

No Estadão online com agências internacionais

WASHINGTON - O papa Bento XVI convidou nesta quarta-feira, 16, os Estados Unidos a continuarem tentando solucionar os conflitos com "o apoio paciente da diplomacia internacional", em discurso na Casa Branca antes de se reunir com o presidente George W. Bush. O presidente deu as boas-vindas ao pontífice e afirmou que os EUA são um país de fé e de compaixão.
O papa disse que os EUA se "mostram sempre generosos ao irem ao encontro das necessidades humanas imediatas, promovendo o desenvolvimento e oferecendo alívio para as vítimas das catástrofes naturais".

"Nossa Nação lhe dá as boas-vindas e valorizamos seu exemplo", disse Bush durante a cerimônia de boas-vindas ao pontífice, com quem se reúne no Salão Oval. "Estamos comovidos e honrados pelo fato de o senhor ter decidido visitar os EUA em seu aniversário", acrescentou Bush, que também agradeceu que, diante da ameaça do terrorismo, o papa propague "a mensagem de que Deus é amor".

Bento XVI chegou na terça-feira aos Estados Unidos, quando foi recebido por Bush logo após desembarcar do avião. Nesta quarta-feira, o papa deve passar o maior parte do dia na Casa Branca - é o segundo pontífice que visita o local e o primeiro em 29 anos.

Segundo a porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, Bush enfocaria na conversa com o papa os temas em que ambos concordam, como a expansão da tolerância religiosa e a contenção da violência extremista. Além disso, preocupações com o Líbano e a África estariam na pauta de discussões.

Para Dana, o Iraque não deve dominar as conversas. Este é um dos pontos em que Bento XVI e Bush não concordam. Além dele, o embargo norte-americano a Cuba e a pena de morte são questões que geram divergências entre o religioso e o presidente. Bento XVI também disse anteriormente que pretendia discutir o tema da imigração com Bush. No passado, o papa já condenou as leis rígidas em relação aos imigrantes.

Um assunto que deve receber pouca atenção no encontro é o tema dos escândalos de abusos sexuais envolvendo padres. Na terça-feira, durante a viagem, Bento XXI se disse "envergonhado" com esses casos, alguns deles ocorridos nos Estados Unidos. Na noite desta quarta-feira, o papa participará de um encontro com bispos norte-americanos. Há expectativa sobre a forma como Bento XVI tratará do tema dos abusos.

A culpa é da imprensa

Tarso Genro é um dos lulistas bolivarianos que adoram jogar a culpa dos seus erros na imprensa. Para este grande, a imprensa foi culpada pela suspensão da operação da Polícia Federal na região da Raposa/ Serra do Sol determinada pelo Supremo Tribunal Fderal. No lulismo a imprensa sempre é culpada. Ou, como diz um professor esquerdista que eu tenho de aturar: “aquela porcaria da revista Veja”. É tudo culpa da imprensa. Antes os valentes agradeciam cada crítica, cada denuncia que eram feitas contra o governo quando eles eram oposicionistas. Agora que eles são governistas a imprensa não pode continuar criticando e denunciando. É a tentação autoritária do lulismo bolivariano rondando o país.

Luis Inácio falou, Luis Inácio avisou

Leio na Folha online que o presidente da Câmara dos Deputados Arlindo Chinaglia (PT-SP) vai aumentar a verba de gabinete dos seus colegas passando de R$ 50,8 mil para R$ 60 mil mensais. Que beleza! Que maravilha!
Ah, se fosse em outros tempos... Veríamos os petistas na Praça dos Três Poderes juntamente com a UNE, o MST, a CUT gritando palavras de ordem contra o aumento e, aproveitando a situação, protestando contra a corrupção no Brasil. Hoje, são eles que dão aumento na maior cara de pau. São eles que acatam decisões que, num passado não muito distante, chiariam mais que criança sem chupeta.
Mas sempre é bom a gente lembrar que um certo Luis Inácio falou, Luis Inácio avisou que eram 300 picaretas com anel de doutor. Eu disse 300? É muito mais. São 513 picaretas com anel de doutor.

Um acordo sem vergonha

Governo e oposição vão fazendo acordos, cada um salvando seu ministro que poderia ter a vida complicada em algum depoimento para alguma CPI que investiga os cartões corporativos. Mais uma vez a oposição se rende ao lulismo. Mais uma vez eles temem peitar esta cupanherada sem vergonha. Até quando o petismo bolivariano vai continuar dando as cartas e todo mundo aceitando quietinho? A oposição parecia valente quando o escândalo do dossiê com os gastos do governo Fernando Henrique Cardoso veio à tona. Agora, a oposição faz acordo com o governo para que cada um salve quem e o que puder. Já que o governo tem acesso aos gastos de FHC para que a oposição vai peitar a cupanherada sem vergonha? Para que constranger todo mundo? É melhor cada um salvar o seu e continuar este teatrinho absurdo que é a política brasileira na era Lula.

Base cochila e oposição convoca Dilma para explicar dossiê

Por Rosa Costa
no Estado de São Paulo

Desta vez, a oposição foi direto ao ponto. Irritada com a manobra da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que adiou seu comparecimento ao Senado, parlamentares oposicionistas aproveitaram novo cochilo da base aliada e a convocaram para depor na Comissão de Infra-Estrutura sobre o dossiê com gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. A convocação de ontem foi o primeiro capítulo de uma blitz. Há dois novos requerimentos no arsenal dos senadores do PSDB e do DEM que ainda serão apresentados, um para depoimento na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e outro na Comissão de Meio Ambiente (CMA).Há menos de duas semanas, a Comissão de Infra-Estrutura convocou Dilma com o objetivo oficial de ouvi-la sobre o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), sobretudo sobre uma de suas obras, a usina de Belo Monte, no Pará. Na ocasião, a oposição avisou que a interrogaria também sobre o dossiê. O depoimento para falar do PAC deveria ocorrer hoje, mas foi adiado pela ministra.De iniciativa dos senadores tucanos Flexa Ribeiro e Mário Couto, ambos do Pará, a aprovação dos requerimentos em votação simbólica só foi possível porque nenhum dos aliados fiéis do governo acompanhava os trabalhos da comissão.A líder do PT, senadora Ideli Salvatti (SC), acusou os colegas de promoverem "golpes" para levar Dilma ao Senado. "Nesta comissão temos de acompanhar qual é o próximo golpe da oposição", atacou. Ironizando o cochilo dos governistas, Mário Couto os comparou a camarões "que dormem fora de hora e são levados pela maré".O líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), tentou cancelar a primeira convocação, alegando que o tema está fora das atribuições da comissão. Tentou ainda transformar a convocação do dia 3 em "convite", procedimento que não está previsto no regimento do Senado. Para que o convite pudesse ocorrer, seria necessário acordo de todos os membros da comissão.Ambos os requerimentos de Jucá foram rejeitados pelo presidente da comissão, senador Marconi Perillo (PSDB-GO), sob a alegação de tratarem de "matérias vencidas". Surpreendido, o líder anunciou que recorrerá ao plenário. Ameaçou ainda "esterilizar" as comissões presididas pela oposição, retirando delas os representantes da base governista. O procedimento seria inédito.
BOA CONVIVÊNCIA
A discussão na Comissão de Infra-Estrutura - convocada para sabatinar o candidato ao cargo de diretor da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Mário Rodrigues Júnior - mostrou o empenho dos governistas em manter Dilma longe da oposição. Em nome da boa convivência, Jucá pediu a Mário Couto que retirasse seu requerimento. Ele se recusou a fazê-lo.Pelo regimento, a ministra tem até 5 de maio para atender à primeira convocação. O líder do governo reiterou ontem que ela só estará disponível depois do dia 29 de abril - às vésperas do feriado de 1º de maio, quando a Casa estará esvaziada.O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), alegou que a oposição está se valendo de recursos "absolutamente regimentais" para ouvir Dilma e negou qualquer estratégia de trazê-la "na marra" ao Senado. Ele disse não entender os motivos que levam a ministra a "não querer aprofundar suas explicações".Os dois requerimentos que ainda devem ir a votação são de autoria do líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM). Eles defendem o comparecimento de Dilma ao Senado "diante das gravíssimas denúncias veiculadas nos órgãos de comunicação sobre a participação de seus subordinados na fabricação de um dossiê para intimidar os parlamentares de oposição e o Congresso".

Cartão corporativo usado até em casa de striptease

Por Adriano Ceolin e Andrezza Matais
na Folha de São Paulo

O cartão corporativo do governo federal foi usado para pagar uma conta de R$ 148 em uma casa noturna em Salvador (BA) chamada Tchê Bar Night Club.Segundo comerciantes vizinhos, no local são realizados shows de striptease.De acordo com dados da CPI dos Cartões, o fiscal Jorge Pinheiro, da Superintendência Federal de Agricultura e Abastecimento na Bahia, usou o cartão corporativo na boate no dia 10 de março de 2005. Em entrevista à Folha por telefone, ele disse que cometeu "um equívoco" e que devolveu o dinheiro."Por equívoco, eu utilizei o cartão, que não era para ser usado porque não estava viajando. Usei de forma equivocada porque ele [o cartão] é totalmente igual ao meu cartão particular", disse. "Como o local tem problema de iluminação, usei por engano."A reportagem pediu que Pinheiro encaminhasse por fax um comprovante do reembolso. "Eu tenho cópia. Tenho tudo. Claro que eu não iria ficar numa situação dessa sem cópia para comprovar", afirmou o servidor. Até o fechamento desta edição, o documento não havia sido encaminhado.Pinheiro disse, num primeiro momento, que se tratava de um "restaurante". Depois, afirmou que não se lembrava de como era o local e não soube precisar em que data devolveu o dinheiro.O fiscal pediu que a reportagem entrasse em contato com o "setor financeiro" da superintendência. "Sou superior de Jorge Pinheiro e desconheço qualquer problema com o cartão dele", disse o superintendente substituto, Paulo Lima.O superintendente pediu que os dados fossem checados com a CGU (Controladoria Geral da União).Até o fechamento desta edição, porém, a reportagem não obteve resposta. A Folha procurou os responsáveis pela boate em Salvador, mas também não conseguiu contato.

Governo endurece regras de repasse a ONGs

Por Leila Suwwan e Marta Salomon
na Folha de São Paulo

Por meio de decreto, o governo alterou novamente ontem regras para repasse de dinheiro público a organizações não-governamentais. Embora tenha antecipado em pouco mais de dois meses a vigência de algumas medidas, como a proibição de contratar ONGs ligadas a parentes de servidores públicos e políticos, o presidente Lula revogou a exigência do prazo de 30 dias para a prestação de contas dessas entidades.O pacote de medidas anunciado depois do escândalo da compra de ambulâncias a preços superfaturados entraria em vigor em julho, mas foi parcialmente antecipado pelo decreto publicado ontem no "Diário Oficial" da União e na seqüência de novos indícios de irregularidades, desvios e favorecimentos políticos apontados pelo TCU (Tribunal de Contas de União) e nas investigações da CPI das ONGs no Congresso.Desde ontem, entraram em vigor regras como a proibição de convênios com entidades cujos dirigentes são autoridades do Executivo, Legislativo e Judiciário, servidores públicos das pastas responsáveis pelos contratos ou seus familiares diretos. Também são vedados contratos inferiores a R$ 100 mil com Estados e municípios.O decreto original, editado em julho do ano passado, foi uma reação a irregularidades flagradas pela Operação Sanguessuga. Antes mesmo que as regras entrassem em vigor, auditores do TCU apontaram brechas nas medidas.A Folha revelou na última semana irregularidades em contratos com entidades, como o Instituto Xingó e a Associação Nacional de Bares e Restaurantes e alguns petistas. A primeira entidade é dirigida pelo tesoureiro do PSB de Pernambuco e teve mais de R$ 11 milhões liberados pelo Ministério de Ciência e Tecnologia, da cota do partido na Esplanada. Convênios assinados pelo Ministério do Turismo com a Abrasel, uma entidade de classe, foram considerados contrários ao interesse público.Antes disso, foram reveladas ligações políticas em entidades com convênios do Ministério do Trabalho (PDT), do Ministério dos Esportes (PC do B) e da Secretaria da Pesca (PT de Santa Catarina).Auditores do TCU recomendam a exigência de seleção pública para a escolha de ONGs. O decreto do governo trata a seleção pública como uma opção. Tampouco há proibição ou necessidade de revelar ligações a partidos políticos nos cadastros que serão exigidos.A previsão no ano passado era que as regras para aumentar o controle sobre o dinheiro repassado a ONGs valeriam a partir de janeiro deste ano. Mas um segundo decreto de Lula adiou a entrada em vigor para julho, já no período de três meses antes das eleições municipais em que a assinatura de convênios fica suspensa.As regras mais importantes para a fiscalização e controle das ONGs só entrarão em vigor em julho. É o caso do sistema informatizado de acompanhamento dos contratos e repasses às entidades e da exigência de que as ONGs façam "no mínimo" uma cotação de preços e siga princípios de "impessoalidade, moralidade e economicidade" antes de comprar bens ou contratar serviços.Repasses para Estados, municípios e entidades sem fins lucrativos consomem cerca de R$ 140 bilhões por ano dos tributos arrecadados pela União.Segundo o Ministério do Planejamento, a antecipação ocorreu para realizar a primeira etapa de funcionamento do "Sistema de Gestão de Convênios e Contratos de Repasse". Esse sistema será público a partir de julho.

Base e oposição fazem acordo na CPI para "salvar" ministros

Por Andrezza Matais e Adriano Ceolin
na Folha de São Paulo

Surpreendido por uma rebelião na base aliada e acuado com a ameaça de ter de enfrentar uma nova CPI dos Cartões Corporativos, esta só no Senado, o PT fechou ontem acordo que assegurou à oposição acesso a parte dos dados sigilosos da Presidência da República e que ex-ministros do governo Fernando Henrique não serão convocados a depor se nada for encontrado contra eles.Em troca, a oposição vai postergar a instalação da CPI do Senado, que teria como foco o governo Lula, e retirar da pauta a votação de requerimentos que obriguem os governistas a se exporem votando contra.A lista de requerimentos incluía a convocação do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), dos ex-ministros de FHC Raul Jungmann (Desenvolvimento Agrário), Paulo Renato (Educação) e Aloysio Nunes Ferreira (Casa Civil), além da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), da filha do presidente Lula, Lurian Cordeiro da Silva, e do ex-ministro José Dirceu (Casa Civil). Pelo acordo, todos serão poupados."Não se convida ex-ministro de um lado ou ministro de outro. Pode ser que a gente chegue a esse tipo de entendimento em função da possibilidade de andamento dos trabalhos", disse o líder do DEM, José Agripino Maia (RN).Em reunião entre a base e a oposição, o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), coordenador da base na CPI, deu a senha: "Se é para ir para o enfrentamento, temos o Serra para convocar".O PT aceitou ainda dividir a relatoria com quatro outros deputados, dois da oposição. As mais importantes -de sistematização e fiscalização dos gastos- ficarão com a base aliada. As de mecanismos de controle e aprimoramento de fiscalização, mais propositivas, com deputados da oposição. Também será pedido ao general Jorge Félix (Gabinete da Segurança Institucional) que defina caso a caso o que é sigiloso.Esse acerto irritou a líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), que só foi informada do acordo depois de fechado. A Folha apurou que, em reunião com parlamentares da base na CPI, a senadora disse que a divisão da relatoria enfraquece o poder do relator, Luiz Sérgio (PT-RJ), e já criou problemas para o governo em outras CPIs.
Dados sigilosos
O acordo também prevê o acesso da CPI a dados sigilosos da Presidência que estão no TCU (Tribunal de Contas da União). Requerimentos nesse sentido já foram rejeitados pela base, que ontem mudou de posição depois de ter sido informada pela Casa Civil de que não há nada de comprometedor. Além disso, o TCU teria apenas 2,6% dos dados sigilosos da Presidência.Os documentos referem-se a datas específicas solicitadas pelos técnicos do tribunal do final de 2002 até o início de 2003. "Eles entregaram os anéis", disse a presidente da CPI, senadora Marisa Serrano (PSDB-MS).O acordão foi costurado em meio a reunião da CPI ontem, sem a presença dos jornalistas.Antes de fechar o acordão, o PT contornou rebelião na base. Os deputados Carlos Willian (PTC-MG), João Magalhães (PMDB-MG) e Marcelo Melo (PMDB-GO) disseram que não votariam com o governo.A queixa é que deputados do PT têm definido no Planalto, com o ministro José Múcio (Relações Institucionais) e o chefe-de-gabinete de Lula, Gilberto Carvalho, orientações da CPI, não se expõem para defender o governo, e, depois que os três fazem o serviço, vão ao Planalto "cantar vitória".

terça-feira, 15 de abril de 2008

Papa nos Estados Unidos


Da Folha online

O papa Bento 16 desembarcou na tarde desta terça-feira na base aérea Andrews, nas imediações de Washington, nos Estados Unidos, em sua primeira visita ao país depois como pontífice. Durante a visita, ele deve tentar reverter as críticas à Igreja Católica causadas por escândalos sexuais envolvendo religiosos.
Em um gesto raro, o presidente George W. Bush recepcionou o papa em sua chegada na base aérea em Washington. A agenda de Bento 16 na capital dos EUA inclui uma reunião com Bush na Casa Branca, encontros com bispos e um discurso em um estádio de beisebol. Nesta terça-feira, no avião rumo aos EUA, o papa disse que escândalos de pedofilia envolvendo sacerdotes católicos americanos são "uma vergonha" e representaram "um grande sofrimento para os EUA", "para a igreja" e para ele, pessoalmente.
"Não entendo como puderam acontecer", acrescentou o papa, em afirmações feitas aos jornalistas que o acompanharam no avião que o levou à sua primeira visita aos EUA como chefe da Igreja Católica. Bento 16 ficará nos EUA até o próximo domingo (20).
"Quando leio as histórias das vítimas parece impossível entender como pôde acontecer que um sacerdote traia sua missão de dar incentivo e o amor de Deus a estas crianças", disse Bento 16.
Foi após essa frase que o papa qualificou como uma "vergonha" esses atos e acrescentou: "Agora temos de fazer tudo o possível para que isto não volte a acontecer".
O pontífice disse que, para evitar casos como estes, a igreja atuará em vários níveis: "Colocando regras, reconciliando-se com os católicos e com uma boa formação dos sacerdotes". Bento 16 ressaltou que se referia à pedofilia e não à homossexualidade.
O papa lembrou também que agora a Igreja conta com normas e que nenhuma pessoa pode ser sacerdote "se for pedófilo". Ele ressaltou que "é preciso fazer justiça às vítimas".


Agenda


O avião que levou Bento 16 aos EUA--um Boeing 777 da companhia Alitalia-- decolou do aeroporto de Fiumicino, em Roma, às 12h locais (7h de Brasília).
Durante sua viagem ao país, Bento 16 vai celebrar missas em estádios de Washington e Nova York, visitar o marco zero [área onde ficavam as torres do World Trade Center destruídas nos atentados de 11 de setembro de 2001], encontrar com representantes de outras religiões e fazer um discurso na Assembléia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas).
Ele também fará aniversário durante a viagem, completando 81 anos nesta quarta-feira (16).
Além de ser recebido hoje por Bush e pela primeira-dama Laura na base aérea, Bento 16 será recebido nesta quarta-feira na Casa Branca, em Washington, onde deve fazer um discurso. A agenda do dia inclui encontros com membros da Igreja Católica e desfiles em carro panorâmico em alguns percursos.
No dia seguinte, quinta-feira (17), ele vai celebrar uma missa no Estádio Nacional de Washington. Segundo a agência de notícias Efe, a arquidiocese de Washington emitiu 46 mil ingressos para a celebração. Durante o dia, o papa também vai se reunir com representantes da Igreja Católica e de outras religiões.


ONU


Na sexta-feira (18), Bento 16 embarca para Nova York, onde pronunciará um discurso na Assembléia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas). Entre as atividades do dia, o papa também terá um encontro ecumênico na igreja de St. Joseph.
No sábado (19), o papa celebra uma missa com os sacerdotes, religiosos e religiosas na Catedral de St. Patrick, almoçará com bispos da arquidiocese e encontrará com jovens e seminaristas.
No domingo (20), último dia da viagem de Bento 16 aos EUA, o papa visitará o marco zero e também vai celebrar uma missa no estádio dos Yankees. Ele embarca para Roma à noite.


Segurança


Esta será a primeira viagem do chefe da Igreja Católica aos EUA desde os atentados de 2001 e a segurança é muito mais rígida que durante a visita do antecessor, João Paulo 2º, ao país.A polícia trabalhará em estreita colaboração com os serviços secretos e membros da Guarda Suíça, responsáveis pela proteção do papa, durante os seis dias da estadia do pontífice.
O número de oficiais não foi revelado, mas a polícia anunciou que incluirá homens-rã no East River, franco-atiradores nos terraços, helicópteros e carros blindados.
Ao contrário da primeira visita do João Paulo 2º ao país, que em 1979 presidiu uma missa em parque aberto no sul de Manhattan, a entrada dos eventos será estritamente controlada. Além da verificação das identidades, serão instalados detectores de metais em todos os eventos da visita.
Os grandes desafios para a polícia serão a missa do papa em dois estádios, em Washington em 17 de abril, e no estádio dos Yankees, em Nova York, três dias mais tarde.
A segurança nos dois locais será grande, com ingressos de entrada intransferíveis com códigos de barra. O FBI exige que os fiéis compareçam seis horas antes do início das cerimônias.

Relembrando Lula

Lula e as viagens de Fernando Henrique Cardoso em 1997:

Ao viajar, dizendo que está trabalhando, mas fazendo campanha, o Fernando Henrique desloca com ele todos os jornais, rádios e televisões. Todo mundo fica sabendo onde ele esteve, fazendo o que e pronunciando qual discurso. Concorrer com ele, ou melhor, contra um presidente exercendo o mandato, é uma briga desigual.

Epa!

Pô! Faz tempo que não falo nada sobre o que estou lendo. Se minha memória não falhar acho que só falei de um livro, uma biografia de Heitor Villa-Lobos. Já li este livro. Depois li outros. Neste final de semana terminei de ler Noites Tropicais de Nelson Motta (meu exemplar é autografado). Agora estou lendo Pasquim e os anos 70 de José Luiz Braga. Realmente é mais pra epa que pra oba. O autor analisa o semanário revolucionário que incomodou gentes e governos no final dos anos 60, passando pelos 70 e acabando nos 80. Mostra também que nem de risos viveu o Pasquim. Além de falta de dinheiro tinha também falta de entendimento gerando vários afastamentos. Sem contar a pressão dos milicos, da prisão de seus integrantes. Por enquanto o livro está me agradando. Vamos ver até o final.
Epa! Antes de terminar este post é bem interessante fazer uma observação. Na época do Pasquim era obrigação ser oposição ao governo. Hoje, ser oposição ao governo é golpismo, manipulação, é entrar no jogo da Rede Globo e da revista Veja contra Lula. Vamos relembrar do Pasquim. Mas vamos esquecer Ziraldo, o cara que acha que o Brasil deve muito a ele. Ele fala oba! Eu falo epa!

Assim como Jamanta não morreu

Ninguém sabe responder o porquê do governador Alcides Rodrigues, o popular Cidinho ter rompido com o senador Marconi Perillo. Os aliados falam que os dois estão unidos, mas os fatos mostram o contrário. Previamente programado para receber o governador de Minas Gerais Aécio Neves na quinta feira passada, Cidinho preferiu tomar café da manhã com o prefeito de Goiânia Íris Rezende (que sempre foi adversário do Tempo Novo de Marconi e Cidinho). Foi uma prova concreta de que o Tempo Novo acabou.
Cidinho, a cada dia que passa, está mais lulista do que nunca. Elogia Lula, recebe aliados de Lula e prefere dividir palanque com outros lulistas ao invés de prestigiar eventos dos seus até então aliados. Durante a campanha eleitoral de 2006 Cidinho não deu o apoio total à candidatura de Geraldo Alckmin no segundo turno das eleições presidências. Alckmin ganhou de Lula no primeiro turno. No segundo, o fundador do Foro de São Paulo venceu o Picolé de Chuchu.
Desde 2006 que Cidinho e Marconi não falam a mesma língua. Desde 2007 que Cidinho fala em crise financeira. Desde então marconistas e cidistas brigam entre si ou para manter os cargos que possuem, ou esconder para debaixo do tapete as trapaças praticadas pelo Tempo Novo.
Sem dinheiro no caixa, Cidinho corre para a barra da saia de Lula. Por quê? Por que Cidinho está tão preocupado com dinheiro se Marconi Perillo entregou um estado totalmente excelente, sem nenhuma dívida, tudo em dia? Aí tem coisa. Será que um dia saberemos a verdade? Sei não. Só sei que Cidinho está mais lulistas que nunca e Marconi tenta mostrar que o tal Tempo Novo não morreu. Assim como Jamanta não morreu, o Tempo Novo continua mais vivo do que nunca.

Lulistas querem terceiro mandato

Os lulistas bolivarianos falam que é culpa da imprensa a possibilidade do terceiro mandato para Lula estar em evidência. Vejam que são os lulistas bolivarianos que falam, que discutem, que tentam alterar a Constituição, na busca de deixar Lula por muito mais tempo no poder. Foram eles que começaram com isso!

Colando no PAC e o golpismo do terceiro mandato

Por Simone Iglesias
na Folha de São Paulo

O encontro da Direção Nacional do PT com prefeitos, ontem em Brasília, se transformou em ato de desagravo à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, que municiou os petistas às eleições municipais deste ano com informações sobre andamento e prazos das obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).No encontro, a direção da sigla orientou os prefeitos a "colarem" na imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a "nacionalizarem" a campanha.Os cerca de 150 prefeitos que estavam na reunião aprovaram moção simbólica apresentada pela prefeita de Santarém (PA), Maria do Carmo, em solidariedade a Dilma, envolvida no caso do dossiê. "Há questões que têm de ser apuradas. Mas sempre se percebe que por ser mulher ela se torna um alvo fácil."Dilma ouviu também apelos para que concorra à sucessão de Lula. Segundo apurou a Folha, ela não fez nenhum comentário, apenas sorriu. Após o término da reunião, ficou por cerca de 30 minutos tirando fotos ao lado dos prefeitos.A ministra apresentou o PAC como programa que tem compromisso com o interesse público e como modelo que possibilitará distribuição de renda com igualdade de oportunidades. Ela disse ainda que a ampliação do crédito para consumo demonstra que o crescimento no país é sustentado, e não é "o vôo da galinha". Dilma afirmou aos prefeitos que entregará a eles hoje cartilha com as principais obras do PAC.No encontro, o primeiro para discutir as eleições com os prefeitos, a direção do PT orientou os prefeitos para que falem do PAC, porque representa "programa de governo" com reflexos diretos nas cidades.A direção pediu que, nos municípios em que haverá disputa com partidos governistas, não ocorra enfrentamento a ponto de comprometer as relações nacionais. Também disse aos prefeitos que pediu a Lula que reserve parte de sua agenda para participar das campanhas.À tarde, os participantes receberam uma pasta com resultados positivos de programas do governo federal nas cidades.Os prefeitos também discutiram um terceiro mandato para Lula. A proposta foi sugerida pelo prefeito de Recife, João Paulo, que voltou a defender uma gestão de cinco anos com possibilidade de nova reeleição.Na reunião fechada, ele disse, segundo a Folha apurou, que o presidente "fez a maior revolução social do país" e que deveria concorrer novamente.A manifestação recebeu aplausos, mas não avançou a ponto de garantir um movimento pró-terceiro mandato. Depois de João Paulo, João Coser, de Vitória, criticou a proposta dizendo que "não é momento de discutir o assunto".O único prefeito que disse apoiar o terceiro mandato foi Sérgio Stasinski, de Gravataí (RS). "Deveríamos ao menos deixar a população se manifestar por meio de um plebiscito."O presidente do PT, Ricardo Berzoini, disse respeitar a posição de João Paulo, mas afirmou que não concorda com a idéia.

Para a PF, Casa Civil montou dossiê sobre gastos de FHC

Por Andréa Michael
na Folha de São Paulo

A base de dados montada dentro do Palácio do Planalto com gastos sigilosos do governo Fernando Henrique Cardoso é um dossiê. Essa é a avaliação do delegado da Polícia Federal encarregado dessa investigação. Segundo a Folha apurou, a equipe de Sérgio Menezes concluiu que a Casa Civil não adotou um padrão técnico para o levantamento das despesas tucanas e não respeitou previsões legais relacionadas aos trâmites de documentos.O material foi vazado a conta-gotas à imprensa em fevereiro, quando o governo Lula tentava impedir a instalação da CPI dos Cartões Corporativos.Há quase um mês, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) nega a denominação de dossiê para o trabalho feito por sua equipe. As negativas ocorrem apesar do formato de organização das informações (extraídas sem justificativa do arquivo morto da Presidência), das observações com viés político contidas no documento e de os gastos do ex-presidente terem sido lançados numa base paralela ao sistema oficial de controle de suprimento de fundos.O delegado Sérgio Menezes, que há uma semana investiga o caso, disse a interlocutores que o levantamento feito pela equipe de Dilma constitui um dossiê porque não seguiu o trilho normativo previsto no decreto 4.553, de dezembro de 2002, que dispõe sobre a "salvaguarda de dados, informações, documentos e materiais sigilosos de interesse da segurança da sociedade e do Estado, no âmbito da administração pública".Em primeiro lugar, a PF buscará saber se, como prevê o decreto, a Casa Civil criou uma Comissão Permanente de Avaliação de Documentos Sigilosos, que deve, entre suas atribuições, analisar periodicamente a documentação secreta produzida na repartição, determinar o destino de tais papéis e autorizar o acesso aos documentos reservados.O decreto também sugere o uso de chaves de segurança (senhas) e de criptografia nos sistemas informatizados nos quais estão arquivados dados considerados sigilosos -o que a PF acredita não ter sido observado no acontecido.Com base no artigo 37 do decreto, a PF vai buscar os responsáveis e definir eventuais punições. Diz o seu parágrafo 1º: "Todo aquele que tiver conhecimento, nos termos deste decreto, de assuntos sigilosos, fica sujeito às sanções administrativas, civis e penais decorrentes da eventual divulgação dos mesmos".Até a conclusão desta edição, a assessoria de imprensa da Casa Civil não respondeu aos recados deixados pela Folha.O dossiê contém informações sobre gastos com bebidas alcoólicas, entradas de cinema para seguranças que serviam à ex-primeira-dama Ruth Cardoso, além de pagamentos feitos a Roberta Sudbrack, chefe de cozinha do governo FHC.Antes de definir em qual prática irregular ou ilegal poderá enquadrar os responsáveis por fazer o dossiê e por seu vazamento, a PF buscará desvendar a motivação dos atos.Na semana passada, o ministro Tarso Genro (Justiça) disse que não é crime montar dossiês. Crime, disse, é funcionário público vazar dado sigiloso.Reportagem da Folha informou que o Planalto cogita admitir publicamente que fez um dossiê para comparar gastos do casal FHC com os gastos de Lula e Marisa Letícia para se prevenir contra eventuais revelações incômodas da PF.Hoje deve ficar pronta a perícia nos sete computadores que a PF apreendeu na Casa Civil (cinco laptops e dois de mesa). Ela deve mostrar quem acessou os dados do dossiê, quem o elaborou, trocas de e-mails e até eventual alteração de informações. É com base nisso que a PF definirá a lista de quem será ouvido. A PF tem, no total, 30 dias para concluir o inquérito.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

A UNE virou piada

No governo Lula a UNE virou piada. Nem passa perto do que ela era nos governos anteriores. Como Lula a sustenta, a UNE não o atrapalha. A UNE não colocou o bloco na rua quando os mensaleiros petistas foram flagrados. A UNE apóia Lula e não tem vergonha disso. A UNE não tem vergonha de ser governista.
Leio que a entidade vai fazer protestos na quinta feira que vem. A UNE fazendo protestos? Só pode ser piada. Os velhos que ali estão, de tanto mamar nas tetas do estado, nem se lembram como fazer protestos. Quem sabe alguém da Casa Civil não publica uma cartilha para os palhaços?

Eles começaram a explorar as reservas de Tupi?

Quer dizer que encontraram uma reserva de petróleo maior que a de Tupi. Que interessante, não é mesmo? Já estou imaginando os lulistas-bolivarianos soltando rojões. Mas fica a pergunta: será que o governo já começou a extrair petróleo da bacia de Tupi? Sei lá. Esses nacionalistas do pau oco dão essas notícias e nem falam pra gente o quanto que a Petrobrás já começou a tirar destes campos enormes nunca vistos na história destêpaiz.

domingo, 13 de abril de 2008

E o São Paulo ressuscitou

E o São Paulo ressuscitou. Quem diria. Muitos não acreditavam que o São Paulo venceria o Palmeiras. E venceu. Venceu por 2 a 1. Alex Silva voltou com tudo e recompôs com Miranda a zaga maravilhosa do ano passado. Apesar do pênalti que ele provocou. Finalmente a zaga está armada. O São Paulo precisa melhorar na hora do passe, procurar não errar passes.
Agora quem tem a vantagem do empate é o São Paulo. Mais descansado, mais organizado, vamos ao Palestra Itália tentar mais uma vaga na final do Paulistão. Finalmente o São Paulo ressuscitou. E ressuscitou na hora certa.

Uma pergunta

Por que o governador de Goiás Alcides Rodrigues, o popular Cidinho, e o senador Marconi Perillo estão distantes? Aconteceu alguma coisa grave que nós não sabemos (e será que um dia saberemos?)

No arquivo tem coisa

Publiquei aqui no blog algumas reportagens da Folha de São Paulo de 1997 que mostravam as opiniões de alguns lulistas bolivarianos sobre o projeto de reeleição de Fernando Henrique Cardoso. Lula achava que este projeto era uma amostra do autoritarismo de FHC. Olhem lá no arquivo.

Defendendo o golpismo

Quem diria. Um dos filhos da Dona Zélite defende um terceiro mandato para Lula. Numa entrevista para a Folha de São Paulo de hoje o empresário Lawrence Pih defende a tese de que Lula poderia disputar um terceiro mandato. Ele acha que o projeto lulista não está completo. Quem diria. Um filho da Dona Zélite querendo que Lula continue mais tempo no poder. É a tese golpista disseminada pelo lulismo bolivariano de que muito foi feito e muito tem que ser feito. Abaixo coloco um trecho da entrevista. É triste ver que o pensamento único esteja prevalecendo no país. Muitos querem que continue do jeito que está. Ninguém sabe como estará a economia daqui a um dia imagine daqui a quatro anos. Ninguém sabe se a crise na economia dos Estados Unidos irá se espalhar pelo mundo todo. Mas, aqui no Brasil, já se sabe que os lulistas bolivarianos, a base aliada e até os empresários (tão odiados pelo lulismo bolivariano num passado não muito distante) defendem um terceiro mandato para Lula. É a defesa do golpismo lulista. Ah, mas não vamos deixá-los em paz nem um segundo se quer.

FOLHA - Empresários querem o terceiro mandato? O sr. é voz isolada?
PIH - Muitos estão tendo resultados expressivos, estão vendo a estabilidade econômica e que o governo conduz com seriedade a economia. Acham que não seria ruim continuar as coisas como estão. Não dizem que apoiariam um terceiro mandato, mas veriam com bons olhos que as coisas fiquem como estão. Não têm do que reclamar.

Esperemos amanhã

Assisti uma parte do primeiro jogo da semifinal entre Ponte Preta e Guaratinguetá. Como acabou a primeira fase em primeiro lugar, o Guaratinguetá tinha além da vantagem do empate nos dois jogos o favoritismo. Perdeu de 1 a 0. Será que os favoritos vão perder neste primeiro jogo da semifinal? Seria uma chance para aqueles que pelejaram para ultrapassar a primeira fase e só se classificaram na última rodada? Espero que sim. Se os favoritos vão perder espero que o Palmeiras perca amanhã para o São Paulo. O time do Palestra Itália está inteiro enquanto que o meu tricolor do Morumbi está esfacelado. Seria uma chance? Será que a derrota do Guaratinguetá para a Ponte Preta seria um aviso, um alerta, uma luz no fim do túnel? Espero que sim. Esperemos amanhã.

sábado, 12 de abril de 2008

Fala o fundador do Foro de São Paulo

Disse o fundador do Foro de São Paulo, ontem, na Holanda: Em política internacional, a gente não dá palpite nas coisas dos outros. Não é só invadir o território, não é só invadir as águas não. É não dar palpite. Se a gente tomar conta do nosso terreiro com muito carinho, já é bom demais. Se a gente, além do nosso, quiser dar palpite no dos outros, começa a ter uma interferência muitas vezes desnecessária. Este é Lula, o amigo das Farc. Ele não quer participar da operação de libertação de Ingrid Betancour. Claro que ele não quer. Como fundador do Foro de São Paulo, Lula dá todo o apoio aos terroristas-traficantes das Farc.

"Sempre foi assim"

É só buscar nos arquivos. É só fazer uma pesquisa nas edições anteriores dos jornais e das revistas. Sempre que um lulista bolivariano é pego com a mão na massa, ele se defende dizendo que outros antes dele foram pegos também com a mão na massa. O petismo se defende acusando os outros, principalmente seus adversários.
No auge do mensalão, Lula deu uma entrevista comentando a crise do seu governo. Ele disse que o PT fez o que sempre foi feito sistematicamente nestêpaiz. Quando os lulistas bolivarianos são flagrados roubando esquecem daquele discurso ético de um passado não muito distante.
Ontem, Tarso Genro (sempre ele) disse que fazer dossiê não é crime e que todo mundo faz isso. É mesmo? Será que ele sabe de algum outro governo que fez dossiê contra este e aquele político? Bem que ele poderia revelar para gente. Bem que ele poderia apontar o dedo e dizer que este e aquele político produziu um “banco de dados” com informações sigilosas dos seus adversários. Será que ele tem coragem?
O petismo sempre acusa os adversários e a imprensa quando são flagrados cometendo algum crime. Sempre foi assim. É só buscar nos arquivos. É só fazer uma pesquisa nas edições anteriores dos jornais e das revistas. A imprensa é sempre perseguida pelos aloprados quando estes têm seus crimes revealdos. A culpa cai agora em quem revelou o dossiê. Quem produziu, quem armou, quem coordenou por debaixo dos panos a busca pelos gastos do governo Fernando Henrique Cardoso continua livre, leve e solto. Na Era Lula só se dá bem quem comete crime. “Sempre foi assim” dizem eles. Dizem isso na maior cara dura.

O mal é contagioso

Ontem eu estava conversando com uma amiga. Ela perguntou minha opinião sobre o assassinato da menina Isabela em São Paulo. Disse a ela uma frase do livro Bufo & Spallanzani de Rubem Fonseca: Um crime nunca existe isolado, em estado de pureza. Em volta dele gravitam outras ações e omissões delituosas, uma constelação de vilanias e torpezas. O mal é contagioso. É isso. Existem muitas coisas envolvendo o assassinato e que nunca saberemos o que de fato aconteceu. Mas, uma coisa é certa: em volta de um crime gravitam omissões e vilanias. O mal é contagioso.

"A vida após a vida" por Roberto Pompeu de Toledo

O senhor D., de 95 anos, choca-se toda vez que vê, na televisão, notícia da morte da menina Isabella. Não que se choque com novos desenvolvimentos do caso. Como não se lembra do noticiário do dia anterior, e nem mesmo, quando chega a hora do noticiário da noite, daquele que viu à tarde, a cada noticiário trava conhecimento do caso pela primeira vez. A cada vez um choque novinho em folha. D. mora com a filha e o genro. A mulher já morreu há alguns anos. A filha chama-se Luíza, mas ele a chama de Ana, que era o nome da mulher. A família já se acostumou às confusões que povoam a mente de D. e em geral não se dá ao trabalho de corrigi-lo. Contra essa confusão específica, porém, o genro costuma se insurgir. "Se esta aqui é a Ana, que estou fazendo eu nesta casa?", pergunta.
A senhora T., de 87 anos, passa horas lendo a mesma página do mesmo livro. Sentada à mesa, acompanha com o dedo a linha em que os olhos pousam. Às vezes o dedo permanece muito tempo na mesma linha. Outras vezes, vai velozmente até o fim da página, e então volta ao início, e começa de novo. Chega uma hora em que vira a página, e então permanece nela outro longo tempo, subindo e descendo as linhas, às vezes estacionando por tempo exagerado numa delas. Quando se levanta por algum motivo, ao voltar à mesa, retoma o livro na mesma página, ou na anterior, ou, se o livro está fechado, em qualquer ponto em que venha a abri-lo. T. não apenas não grava o que leu – também não grava o que come. Pode já ter almoçado, mas, se vê a sobrinha, que chega sempre atrasada, sentar-se à mesa, ela se senta também. Se não for detida, almoçará tantas vezes quantas perceber alguém almoçando na casa. A irmã que cuida dela tem o cuidado de não deixar nenhuma comida exposta na casa. As bananas e laranjas são guardadas dentro de um armário trancado a chave.
O senhor L., de 94 anos, às vezes é levado pelo acompanhante para dar uma volta no quarteirão, na cadeira de rodas a que foi reduzido desde que quebrou a perna. Outras vezes, a filha o tira de casa para uma ida ao médico. Quando volta, ele custa a reorientar-se. "De quem é esse apartamento?", pergunta. Não adianta dizerem que é o seu próprio apartamento, ele não aceita tal explicação. "Que apartamento bom", elogia.
A senhora H., de 82 anos, costumava comparecer uma vez por mês à reunião em que, com amigas da mesma idade, costurava roupas de criança para os pobres. Como as amigas sabiam que ela andava meio esquecida, telefonaram na véspera para lembrá-la da reunião. No dia mesmo voltaram a ligar, para lembrar que o compromisso era às 15 horas. E uma amiga mais zelosa ainda telefonou de novo meia hora antes da reunião, para um último lembrete. Eis porém que a reunião se inicia e nada de H. aparecer. Passa meia hora, passa uma hora. Resolvem telefonar para a casa dela e ficam sabendo pela empregada que H. realmente chegou a sair de casa. Na rua, em vez de tomar um táxi, pôs-se a andar a pé em volta do quarteirão. Esqueceu-se de para que saíra. Quando cansou, voltou para casa. "Ainda bem que voltou", comentou a empregada. Foi a última vez que chamaram H. para a reunião.
Um subproduto do notável progresso da medicina em prolongar as vidas é a explosão do mercado de trabalho para a profissão de atendente. Outro é a redobrada atividade das fábricas de fraldas geriátricas. Outro ainda é a quantidade cada vez maior de pessoas cuja mente lhes dá adeus bem antes do corpo. As avarias da memória acabam por roubar também o passado de pessoas para as quais o futuro já faltava – e o presente é uma linha tênue demais para equilibrar com segurança um ser humano. Começa-se por esquecer os compromissos, como a senhora H. Evolui-se para não reconhecer onde se está, como o senhor L., e daí para não se lembrar da linha que acabou de ler ou da comida que acabou de comer, como a senhora T. No percurso, vai se esgarçando essa coisa que nos segura a nós mesmos chamada "eu". A certa altura, essa coisa se extingue, e a pessoa não reconhece mais a si própria. Uma população cada vez maior de eus à deriva caracteriza o admirável mundo novo deste início do século XXI.
A maior esperança de cura, ou de atenuação, dos males que afetam o cérebro dos velhos reside hoje, como no caso do diabetes ou da doença de Parkinson, nas possibilidades regenerativas das células-tronco. No Brasil, as pesquisas com células-tronco obtidas em embriões descartados encontra-se pendente de decisão do Supremo Tribunal Federal. O julgamento, iniciado no dia 5 de março, teve seu andamento suspenso por um pedido de vistas do ministro Carlos Alberto Direito. Transcorrido um mês, o ministro Direito requereu, na semana passada, a prorrogação de seu pedido, e não tem prazo para recolocar a matéria em julgamento. Pode ser nesta semana, pode ser daqui a dois anos. O ministro Direito é um católico praticante e observante das diretrizes de Roma. A Igreja Católica é contra a pesquisa com embriões em nome da vida, tal qual a entende.

"É créu neles! É créu nelas!" por Diogo Mainardi

Dilma Rousseff encolheu. Sua candidatura presidencial durou menos de duas semanas. Foi logo ceifada pelo bando de José Dirceu. Ou pelo bando de Marta Suplicy. Ou por seu próprio bando. Eu, que defendia ardorosamente a candidatura da princesinha do Créu, terei de escolher outro nome do PT. Qualquer um é pior do que ela. Qualquer um tem mais chance de ser eleito.
Fala-se muito sobre a popularidade de Lula. É espantoso que o eleitorado ainda o apóie desse jeito. Mas ninguém contabiliza o ganho que isso pode representar para o futuro. Para proteger a imagem de Lula, todas as maiores figuras do PT foram sacrificadas. E as menores também. Dou um conselho aos mais aflitos: pendurem na parede uma fotografia do primeiro ministério lulista, de 2003. A mortalidade entre seus membros foi maior do que a do politburo de Stalin. A velha-guarda petista sumiu do cenário político. Agora só pode agir às escondidas, nos bastidores. De José Dirceu a Humberto Costa, de Luiz Gushiken a Miguel Rossetto, de Antonio Palocci a – qual era o nome dele? – José Fritsch.
Lula é o Ricardo III de Garanhuns. Só falta a corcunda. E o pé manco. Nos últimos seis anos, para conseguir manter-se no poder, ele se desfez de fosse quem fosse. Os herdeiros do trono foram degolados um a um, sem o menor remorso, sem a menor piedade. Lula tem até aquele ar insolente de Ricardo III. Seu mote shakespeariano:
Consciência é apenas uma palavra que os covardes usam.
A inescrupulosidade de Ricardo III foi premiada por algum tempo, garantindo-lhe o poder absoluto. Mas tudo se perdeu depois de sua morte. Ele foi o último rei da casa de York. Assim como Lula será o primeiro e último presidente eleito pelo PT.
O aniquilamento que ocorreu na política se estendeu também às outras áreas. O lulismo se tornou um estigma. Quem se associou a Lula está condenado para sempre. Os lulistas do cinema, os lulistas da música, os lulistas da academia, os lulistas da imprensa – o engulho que a gente sente por eles jamais poderá passar. Lula canibalizou todos os seus aliados, em particular os do PT. Ele é a bolha que engole o que está por perto. Os lulistas ganharam um bocado de dinheiro nestes anos. Uns se transformaram em lobistas. Outros receberam financiamento estatal ou renegociaram suas dívidas com o BNDES. Mas um dia isso passa. Porque a imunidade que os brasileiros concederam a Lula é limitada a ele. Só a ele.
Se o Ricardo III shakespeariano é elaborado demais para Lula, ele pode recorrer a outro mote, ligeiramente menos refinado:
É Créu!
É Créu neles!
É Créu nelas!
Olhe a fotografia pendurada na parede. Olhe aquele ministro. Olhe aquele outro. Repito: um dia isso passa, garanto que passa.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Não desanime e não se calem

Lula, como sempre, está viajando. Ah, se fosse nos tempos de Fernando Henrique Cardoso. Lula viajando é uma maravilha para o Brasil. FHC quando viajava era alvo de críticas de petistas e do próprio Lula.
Mas não é isso que eu quero falar agora. Lula está na Holanda. De lá ele mandou suas críticas a oposição. Ele disse que, se a oposição tiver algum programa para o país que mostre para o povo. Caso contrário, que não obstrua as votações no Congresso. Tasso Jereissati disse que Lula copiou os programas do governo Fernando Henrique Cardoso. Engraçado. Na campanha eleitoral de 2006 não vi Tasso dizendo que Lula copiou FHC. Nem o chuchu Alckmin defendeu os feitos de FHC. Deixaram Lula se apoderar do que não é dele.
Ah, se fosse em outros tempos. Quem atacasse a oposição petista, com toda a certeza, seria alvo dos protestos orquestrados pela UNE, pela CUT, pelo MST e, é claro, a estrela principal (literalmente), o PT. Veríamos um Lula furioso dando entrevistas jogando seu ódio contra aquele (ou aqueles) que odeiam a oposição. Lula presidente pode criticar a oposição. O PT no governo e seus puxa-saco espalhados na internet podem chamar a oposição de golpista. Quando eles eram da oposição ninguém poderia fazer isso. Lula fala o que quer e a oposição deixa o petismo roubar o que fizeram quando era governo. Será que algum dia Lula será lembrado como aquele que disse que o Plano Real era um estelionato eleitoral? Tomara. Tomara que as poucas vozes que se opõem ao petismo bolivariano e que falam do estelionato eleitoral lulista não desanimem e não se calem.

Foi o petismo que começou

A base aliada sabe dos gastos do governo Fernando Henrique Cardoso. O que não se esperava era o vazamento do dossiê para a imprensa. O segundo dossiê anti-tucano é uma forma de intimidação. “Vocês não nos investigam porque, se não, eu mostro o que vocês gastaram quando eram do governo” dizem os aloprados petistas. Até quando vamos agüentar esta intimidação? Até quando teremos que aturar as desculpas esfarrapadas de Lula, de Mãe Dilma, do Zezé da Cabeleira tentando desviar o foco dos seus erros mostrando que o erro está espalhado em tudo e em todos? Eu não lembro do governo anterior falar que a corrupção sempre esteve presente na vida política brasileira quando algum aliado estava em situação delicada. Foi o petismo que começou tudo isso. Foi o petismo que sempre jogou merda no ventilador quando era pego com a mão na massa. Eles devem explicações sobre seus gastos e sobre dossiês contra adversários.

É preciso estar atento e forte

Que interessante! O PT quer que Antônio Palocci deixe o cargo de deputado federal e volte ao governo. Isto é, se o Supremo Tribunal Federal não aceitar a denúncia contra o ex-ministro da Fazenda até junho. Quem diz isso é Mônica Bergamo em sua coluna hoje na Folha de São Paulo.
Muito interessante. Primeiro foi Ricardo Berzoini. Ele deixou a presidência do PT em 2006 quando seu nome foi envolvido no caso do dossiê anti-tucano (o primeiro). No apagar das luzes, quando todos estavam cochilando, Berzoini voltou ao cargo de presidente do PT. Alguém sabe se ele ainda é importunado por conta do primeiro dossiê anti-tucano? Como dizia aquela música tropicalista: É preciso estar atento e forte. Se nós não estivermos atentos e fortes os petistas bolivarianos vão fazer com que Palocci volte ao governo. Assim como voltou à presidência do PT um dos envolvidos no primeiro dossiê anti-tucano elaborado pelos petistas aloprados.

Dirceu acredita no tucano imbecil

Putz! E não é que o ex-guerrilheiro José Dirceu acredita na tese de que um tucano teria vazado o dossiê que a Casa Civil estava armando para intimidar a oposição com os gastos sigilosos do governo Fernando Henrique Cardoso? Zezé da Cabeleira acredita que um tucano imbecil, ao invés de xeretar as contas de Lula, xeretou as contas de FHC. Zezé acredita nisso. Putz! Mais uma vez: Putz! O que os lulistas bolivarianos não fazem para defender Dilma Rousseff e Lula. Putz!

Eu não duvido

A Folha de São Paulo de hoje mostra que a maioria dos senadores não apóia a alteração na Constituição para que Lula dispute um terceiro mandato. É mesmo? Poderíamos ficar tranqüilos, não é mesmo? Mas é sempre bom a gente lembrar que a Folha de São Paulo fez uma pesquisa com senadores e a maioria dos entrevistados falou que votaria pela cassação do mandato de Renan Canalheiros. Pois é. Renan hoje ainda é senador. Será que, se o projeto para Lula disputar um terceiro mandato em 2010 vigorar, os senadores mudarão de idéia e pavimentarão o caminho para um possível Lula – Parte 3? Eu não duvido.

Ah, meu time de coração...

Estava dormindo numa boa. Mas, no prédio vizinho, resolveram fazer uma festa e, até agora, não terminaram de comemorar. Os gritos e risadas me acordaram. O jeito foi levantar e vir aqui pra internet.
Leio que o São Paulo perdeu para o Audax Italiano lá no Chile. Ai, que tristeza! Ah, meu time de coração por que fazes isso? Depois das saídas de Breno, Souza e Leandro e das entradas de Adriano, Carlos Alberto e Fábio Santos o São Paulo perdeu totalmente o seu rumo. Não tem nem a sombra do time do ano passado que raramente levava gols. Não sei como foi o jogo lá no Chile. Não sei se o gol levado por Rogério Ceni foi uma falha da defesa (e dele) ou se o chute do jogador do Audax foi uma pintura. Não sei e não quero saber.
O ano passado foi um ano perdido para o Internacional. Depois de um 2006 brilhante, com as conquistas da Libertadores e do Mundial, o time gaúcho errou no planejamento e viu 2007 passar sem ser feliz no Campeonato Gaúcho, eliminado na primeira fase da Libertadores e quase rebaixado no Brasileirão. Estou começando a achar que o São Paulo está neste caminho. Apesar de chegar na semifinal do Paulistão, o Palmeiras é amplo favorito. Apesar de ter chances de passar para a próxima fase da Libertadores não sei se o time vai ter forças para avançar. Será que vai restar, mais uma vez, o Brasileirão para nós, tricolores do Morumbi, comemorarmos? Realmente o meu time de coração está me deixando na dúvida. No ano passado o São Paulo também demorou a encontrar seu rumo. Será que, mais uma vez, teremos que perder no Paulistão e na Libertadores para achar o rumo? Tomara que não. Ano passado o Boca Júniors acabou a primeira fase da Libertadores classificado, mas não convencendo. Acabou campeão do torneio. Será que vai acontecer a mesma coisa com o São Paulo? Acho melhor voltar a dormir e deixar o São Paulo voltar do Chile e se preparar para o jogo contra o Palmeiras no Domingo.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Cadê?

CADÊ OS GASTOS DE LULA?

Só o vazamento

O lulismo bolivariano não tem jeito mesmo. Quer investigar quem vazou e não quem produziu o dossiê com os gastos de Fernando Henrique Cardoso. Quem produziu o dossiê? Se depender da Polícia Federal de Tarso Genro esta resposta ficará sem resposta. Assim como ficará sem resposta o porquê dos gastos de Lula não serem divulgados.

A seriedade do Bozo

Vamos fingir que acreditamos. Dona Supla esteve hoje num parque de diversões. Brincou, tirou fotos e abraçou eleitores. Ela nega que seja candidata do PT à Prefeitura de São Paulo. Está bem. Nós acreditamos na palavra dela. Ela fez tudo o que um candidato faz, mas ela nega ser candidata. Tá bom! Nós acreditamos na Dona Supla e na seriedade do Bozo.

Aécio cada vez mais lulista

O governador de Minas Gerais Aécio Neves está, a cada dia que passa, mais lulista. A cada notícia sua que sai na imprensa ou Lula, ou algum petista, ou algum lulista tem que estar envolvido. Lula torce muito para que Aécio saia do PSDB, venha para o PMDB e seja seu sucessor em 2010. Os petistas mineiros querem fazer aliança com o PSDB de Aécio Neves. Ele nem parece que é um governador oposicionista. Vai ver ele é mais amigo de Lula e companheirada do que os próprios aliados. Será que os tucanos vão dar conta de segurar Aécio por muito tempo? Pelo que nós estamos vendo por aí vai ser muito difícil. Aécio está muito próximo de Lula. E isso é muito perigoso.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Cadê a investigação?


Pô, será que vamos aceitar a Polícia Federal investigando apenas quem vazou o dossiê para a imprensa? E que o elaborou vai ficar impune?

terça-feira, 8 de abril de 2008

Ciro e a imprensa paulista

Não me lembro de nenhum governo anterior criticar tanto a imprensa como este governo. Vemos o presidente, os ministros e os lulistas bolivarianos descendo a lenha neste ou naquele jornal, nesta ou naquela revista.
Ciro Gomes disse à Rádio Gaúcha que a imprensa paulista quer denegrir a imagem de Mãe Dilma. É mesmo? Só por que ela é candidata à presidência? Antes do escândalo do dossiê (o segundo na era lulista) vir à tona, Dilma Rousseff já não tinha nenhuma chance de suceder Lula. Imagine agora que o dossiê está aí.
A imprensa paulista (ou “máquina clandestina” como disse o marido de Patrícia Pillar) nem fala que Mãe Dilma participou da guerrilha na época da ditadura militar e era sua intenção na época transformar o Brasil numa verdadeira Cuba. Isso quase ninguém lembra.
A fala de Ciro Gomes é só mais uma maneira do lulismo bolivariano de blindar Dilma. Repararam que Lula está distante desta crise? E olha que a Casa Civil é pertinho do gabinete dele. Vai ver ele também não sabia de nada. Será que, mais uma vez, a tropa de choque lulista vai fixar a idéia de que a imprensa quer dar um golpe em Lula, ou melhor, em Dilma Rousseff. Ciro Gomes é mais um que confirma isso.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Blindando Lula (mais uma vez)

A Polícia Federal vai investigar quem vazou o dossiê anti-FHC e não quem montou o dossiê. Simplesmente lamentável! Mais uma vez Lula é blindado. Mais uma vez os lulistas bolivarianos estão escapando. Mais uma vez, mais uma vez, mais uma vez. Mais uma vez Lula foge. Lula foge mais uma vez...

Interferências do Planalto

Luiz Lobo foi o primeiro âncora da TV Brasil. Foi. Não é mais. O motivo da sua demissão foi a resistência às interferências que lulistas estariam exercendo na TV Brasil. Luiz Lobo? Quem é ele? A TV Brasil tinha âncora? Putz! Como estou mal informado. Nunca assisti a TV Brasil. Bem, assisti só um trechinho do programa comandado pelo grande jornalista esportivo Márcio Guedes. Só e mais nada.
Quem assiste a TV Brasil? Ninguém. É mais uma maneira do petismo apossar do estado. É mais uma forma de Lula “premiar” jornalista que sempre compactuou com seu governo e com suas idéias. Você sabia que Tereza Cruvinel é presidente da TV Brasil? Pois é. Ela deixou a coluna “Panorama Político” do jornal O Globo para assumir a presidência de uma TV que ninguém vê. Mesmo ninguém vendo a programação da TV Brasil, mesmo ninguém sabendo que Luiz Lobo era âncora da emissora Tereza é paga com nosso dinheiro. Quanto desperdício!
Voltemos a Luiz Lobo. Ele fala, numa reportagem da Folha de São Paulo de hoje, que as matérias apresentadas na TV Brasil tinham que ter a aprovação dos lulistas bolivarianos pertencentes a turma de Franklin Martins. Isso mesmo. Gasparzinho só saberia coisas do Brasil pela TV Brasil depois que o glorioso Franklin aprovasse. Pobre Gasparzinho!
Desde a criação da TV Brasil que se fala na interferência do Palácio do Planalto. O que Luiz Lobo disse hoje na Folha de São Paulo só comprova o que vem sendo dito desde o dia em que Lula tirou Tereza Cruvinel do Globo e da Globonews para presidir uma emissora que ninguém vê.
Mais uma prova da interferência lulista. Mais uma prova da tentação lulista em pautar a imprensa. A vontade de Franklin Martins e sua turma é fazer com que jornalistas batam na sua porta e digam: “Chefe, essa matéria pode passar?” O lulismo bolivariano mostra a sua tentação autoritária, a sua vontade de impor na imprensa o pensamento único, o louvor cego a Lula. A TV Brasil quer distorcer as coisas. Como mostra a referida matéria da Folha de São Paulo, os lulistas querem que se passe a impressão de que o fim da CPMF está causando transtornos na área da saúde. É mentira! Mesmo sem a CPMF Lula continua arrancando dos nossos bolsos uma quantidade enorme de dinheiro. Dinheiro este que é utilizado na TV Brasil, uma TV que ninguém vê. Uma TV que só desperdiça dinheiro, que só sustenta jornalista lulista bolivariano doido para pautar tudo e todos.

domingo, 6 de abril de 2008

Ainda bem que existe a internet

Sei lá eu se a Rede Globo está transmitindo o jogo do São Paulo contra o Juventus. A TV Anhanguera, que retransmite o sinal global para Goiás, prefere mostrar o Campeonato Goiano. Então, ainda bem que existe a internet, ouço o jogo pela rádio. Adriano marcou o primeiro e Rogério Ceni, finalmente, marcou seu primeiro gol neste ano. Com estes dois gols o São Paulo vai conseguindo chegar às semifinais do Paulistão e enterrando de uma vez o Juventus do Vampeta (mais um time que naufraga com ele). Ainda bem que existe a internet. Enquanto a TV Anhanguera mostra o Goianinho, enquanto a TV Bandeirantes mostra o sofrimento do Neto ao ver seu Corinthians perdendo a vaga para as semifinais, vou navegando pela internet tentando acompanhar o São Paulo.

Quem diria...

É engraçado ler o que a imprensa goiana fala sobre Íris Rezende. Até 2004 ele era um dinossauro político. Depois de 2004, quando ganhou a Prefeitura de Goiânia, ele é o favorito a tudo.

E os gastos de Lula?

Mãe Dilma tem em mãos os gastos do governo Fernando Henrique Cardoso. Por que, até agora, ela não mostrou para todo mundo os gastos de Lula? Por que temos que aceitar a pauta vinda lá da Casa Civil? Até agora a Casa Civil só falou dos gastos de FHC. Nada sobre os gastos de Lula. Nada, nenhuma planilha.

sábado, 5 de abril de 2008

Seguindo o que a Mãe Dilma diz

A imprensa lulista segue a risca o que Mãe Dilma diz. Fala que o dossiê com os gastos do governo Fernando Henrique Cardoso não existe e que a culpa é toda da oposição.

Eu quero saber das despesas de Lula

Até quando vamos ter que aturar o teatrinho da Mãe Dilma? Os filhos dela têm os gastos do governo Fernando Henrique Cardoso nas mãos. Mas, os gastos deste desgoverno não aparecem. Por quê? Por que blindar Lula, mais uma vez? Enquanto Mãe Dilma e seus filhos desqualificam o dossiê (mais um) e caçam o responsável pela sua divulgação Lula continua tranqüilo sem ter que mostrar para ninguém como e quanto gastou o dinheiro público. Chega de teatro! Lula tem que mostrar seus gastos é agora!

Cadê os adversários de Iris Rezende?

Até agora não apareceu nenhum candidato pronto para fazer oposição ao prefeito Íris Rezende. Pior. A própria oposição elogia o atual prefeito e candidato a reeleição. Sandes Júnior? Raquel Teixeira? Barbosa Neto? É bem capaz do Palácio das Esmeraldas ir de Íris nas eleições em outubro.

Eles estão com medo

Os lulistas bolivarianos estão com medo da Polícia Federal investigar o vazamento do dossiê. Vai que se descobre que foi algum aloprado amigo de Lula seja o responsável pelo crime.

Eu sou um cagão

Ziraldo vai receber indenização por causa das perseguições sofridas durante a ditadura militar (1964 – 1985). O desenhista já falou que não vai aceitar críticas e classificou seus possíveis críticos de “cagão”. Bem, se quem critica os revolucionários de receber indenizações por conta das perseguições dos militares é cagão, eu digo “Eu sou cagão”. Mas, ressalto uma coisa: quando cago limpo minhas fezes com papel higiênico comprado com meu próprio dinheiro e dou descarga usando a água cujo consumo pago também com o meu dinheiro. Não preciso de dinheiro público para fazer minhas necessidades.

Um tucano imbecil

Agora os lulistas bolivarianos falam que um tucano estaria infiltrado no Palácio do Planalto e que seria o responsável pela divulgação do dossiê com os gastos do governo Fernando Henrique Cardoso. Que tucano burro! Que tucano imbecil! Ao invés de divulgar os gastos de Lula o manézão divulga os dados de FHC. Vai ver este tucano imbecil foi aquele que escolheu Geraldo Alckmin e não José Serra para ser candidato do PSDB a Presidência da República em 2006. Vai ver este tucano imbecil esteja comandando a aliança PSDB-PT em Minas Gerais.

O PT e o dossiê

Clóvis Rossi escreve hoje na Folha de São Paulo que desde a época em que era oposição o PT montava dossiês contra seus adversários. Veja este vídeo postado no YouTube extraído do documentário Entreatos de João Moreira Sales. Veja a expressão nervosa de José Dirceu ao saber que aquela reunião está sendo gravada. Ah, guarde bem estas palavras do guerrilheiro: Se você soubesse onde estou. Se você soubesse o que eu tenho das outras campanhas você não falaria isso.

"Direto do laboratório das idéias nefastas" por Roberto Pompeu de Toledo

Não dá para acreditar que o presidente Lula favoreça a tese do terceiro mandato. O vice-presidente José Alencar relançou o tema, na semana passada, ao afirmar que o que os brasileiros realmente desejariam, em 2010, seria dar mais um mandato ao atual presidente. Vice-presidentes, como é amplamente sabido, estão aí para causar confusão. Já o primeiro deles, Floriano Peixoto, distinguiu-se por ajudar, com malandra dubiedade, a afundar o governo do marechal Deodoro. O segundo, Manuel Vitorino, depois de assumir a Presidência por doença de Prudente de Morais, não queria mais devolver o cargo. Houve vices abertamente golpistas (Café Filho), e outros cuja atroz incompetência foi decisiva para empurrar o país à ditadura (João Goulart).
Não dá para acreditar que Lula embarque na canoa que Alencar empurra em sua direção, e isso menos pelas convicções democráticas do presidente e mais por algo que seus instintos políticos, reconhecidamente afiados, não podem deixar de levar em conta: o perigo de rachar o país. As convicções democráticas, o presidente não perde oportunidade de proclamá-las, e em princípio não é lícito duvidar delas. Mas ele é humano, e contra a abstrata coerência dos princípios conspira a soma muito concreta da consagradora popularidade com a auto-estima cada vez mais lá em cima, o pudor dos aduladores cada vez mais embaixo, os interesses do PT cada vez mais dependentes de sua figura e os companheiros das boquinhas cada vez mais mobilizados em não perdê-las. Mais seguro é confiar em sua consciência do risco que semelhante empreitada representa, inclusive para o sossego que desfruta e a imagem nacional e internacional que conquistou.
Venha por meio de plebiscito, como quer o deputado Devanir Ribeiro, venha por iniciativa no Congresso, a reforma constitucional necessária para permitir a re-reeleição se dará num clima convulsionado. Se já foi assim para aprovar a reeleição, nos tempos de FHC, imagine-se na tentativa de reforçar a dose. A primeira reeleição ainda tinha sua lógica, a do argumento de que quatro anos de mandato é pouco. Com a segunda, o mandato presidencial passa a assumir dimensões africanas. E seu titular, ao contrário de lembrar Franklin Roosevelt, como quis José Alencar, ao desfiar suas razões, começa a se encaixar no molde Fidel Castro/Hugo Chávez. Roosevelt é produto de momento histórico muito particular e dramático, iniciado com a Grande Depressão e emendado com a II Guerra Mundial. Além disso, o processo que lhe possibilitou concorrer em quatro eleições consecutivas (e ganhá-las) foi o inverso do que se pretende no Brasil. A Constituição americana, à época, não estabelecia limites às reeleições; passou a fazê-lo depois, para evitar que o caso viesse a se repetir.
Mesmo que, à custa de sangue, suor, lágrimas, barganhas e rombos nas burras do Tesouro, a re-reeleição venha a ser aprovada no Brasil, será sob o estigma da ilegitimidade, e num ambiente conflagrado, que transcorrerá o terceiro mandato. O cenário tem tudo para ser o de um país fraturado. E sabe-se quanto, depois de fraturar, custa colar um país. Meio século e algumas gerações depois, os cubanos continuam divididos em duas nações.
O mesmo argumento do perigo da fratura do país não serve para outro monstrengo que vem sendo gestado nas entranhas da política – a idéia de terminar com a reeleição e encompridar o mandato para cinco anos. Nesse caso, a boa possibilidade de acordo entre os políticos, somada à fraca possibilidade de motivar negativamente a sociedade, afasta o risco de divisões mais sérias. A idéia tem seu apelo junto aos dois principais interessados na sucessão de 2010, o PSDB e o PT. Ao PSDB porque ajuda a organizar a fila entre os governadores Serra e Aécio, seus dois candidatos a presidente; e ao PT – ou, mais exatamente, a Lula – porque o eventual desejo de voltar à Presidência, cumprido o intervalo do mandato a iniciar-se em 2011, fica facilitado quando se livra da chateação de ter de enfrentar um candidato à reeleição, alguém que sempre larga de uma posição de força. Diga-se de passagem que voltar à Presidência, depois desse intervalo, talvez seja mais que um desejo na mente do presidente. Tem cheiro de projeto.
A idéia de retornar ao modelo do mandato de cinco anos, sem reeleição, vigente ao tempo da Constituição de 1946, não possui o mesmo potencial de escandalização da re-reeleição. Pode até sugerir desapego ao poder e incentivo à rotatividade. Daí ser mais fácil de ser vendida à sociedade. Mas, por recair, ela também, no costume malsão de mexer nas regras com intenções espúrias, pertence ao mesmo laboratório das idéias nefastas de produção tão fértil na política brasileira. A reeleição nem foi bem testada ainda. Não merece ser descartada tão cedo. Pior ainda é ser descartada pela conveniência dos principais partidos e principais candidatos. É terceiro-mundismo em estado puro.

"De volta ao escambo" por Diogo Mainardi

A Oi está engolindo a Brasil Telecom. Chega ao fim aquela que Luiz Gushiken chamou grandiosamente de "a maior disputa societária da história do capitalismo brasileiro". O resultado mostra qual é o atual estágio do nosso capitalismo: com Lula, regredimos à economia do escambo.
Eu sei que metade dos leitores foi embora depois de ler "Oi". Eu sei que a outra metade foi embora depois de ler "Brasil Telecom". Na primeira linha do artigo, perdi todos os leitores. Sem contar os que se enforcaram depois de ler "Luiz Gushiken". Lamento muito. O assunto é aborrecido. A disputa pelo controle da telefonia nacional foi manchete dos jornais por dez anos seguidos. Um espionou o outro. Um se aliou ao outro. Um traiu o outro. No fim, chegou-se a um acordo nebuloso que satisfez todos os lados. Os processos judiciais que poderiam emperrar o negócio foram suspensos. Só sobraram os meus. Minhas colunas sobre o tema me renderam dezoito processos. O que eu dizia nelas? Em primeiro lugar, que o lulismo se intrometera na disputa pelo controle da telefonia nacional, tomando o partido de alguns de seus maiores financiadores. Em segundo lugar, que a Oi acabaria engolindo a Brasil Telecom, com o apoio de Lula.
Isso é o que conta: o apoio de Lula. A compra de uma operadora pela outra é ilegal. Para que ela possa ser realizada, Lula tem de mudar a lei que regulamenta a telefonia. O plano era mudá-la em 2005, mas tudo desandou quando se soube que a Oi dera uma bolada ao filho de Lula, para a compra de sua empresa de fundo de quintal. Agora ninguém mais se preocupa com isso. O Brasil piorou. O Brasil se abastardou. Lula faz o que bem entende. O caciquismo aplicado à economia resultou num retorno à prática do escambo.
Por enquanto, o negócio está confinado nas páginas de economia dos jornais. A imprensa pegou bode do assunto. Muitos jornalistas se emporcalharam trabalhando para um lado ou para o outro. Agora todos temem ser associados a uma das partes em disputa. Só para dar uma idéia de como isso funciona, um dos sócios da Oi, dois anos atrás, chegou a me acusar de beneficiar Daniel Dantas, embora eu sempre tenha responsabilizado o mesmo Daniel Dantas pelo pagamento dos mensaleiros. Mas o que realmente importa nessa história – bem mais do que seu aspecto comercial ou a sordidez de alguns jornalistas – é o papel desempenhado pelo lulismo. A compra da Brasil Telecom pela Oi está sendo calculada em 8,5 bilhões de reais. O mercado avaliou quanto deve sobrar para cada sócio: Citibank, 1,5 bilhão de reais; Daniel Dantas, 1 bilhão de reais; Previ, 1 bilhão de reais. Agora resta saber de onde sairá o dinheiro. Considerando o atual estágio do nosso capitalismo, eu chutaria que ele sairá dos bancos estatais. Escambo é assim mesmo. O homem branco dá um espelho, o cacique tremembé entrega alegremente todos os bens da tribo.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Cadê os seus gastos?

VAMOS LÁ, LULA! CADÊ OS SEUS GASTOS?

Eles são criminosos

Quero avaliar com o ministro da Justiça [Tarso Genro] a questão da investigação do vazamento. Vou reiterar que o crime reside no vazamento. Esse governo não vazou, não difundiu, não publicou informações confidenciais. Esta é a Mãe Dilma afirmando que não fez dossiê, mas quer punir quem vazou. Vazou o que, cara pálida? Quanto mais Mãe Dilma nega a existência do dossiê, mais certeza tenho da sua existência. Ela disse que o vazamento do dossiê é crime? De crime o petismo entende mesmo. Veja o Foro de São Paulo. Veja o dossiê fajuto de 2006 e este de agora. Esses canalhas não aprendem mesmo.

O dossiê existe

Sim, minha gente! O dossiê com os gastos do governo Fernando Henrique Cardoso existe. Os lulistas bolivarianos falaram que não era bem dossiê e sim um “banco de dados”. Agora não resta mais dúvida: O DOSSIÊ EXISTE. Os lulistas bolivarianos querem saber quem vazou o dossiê para a imprensa. Se eles querem fazer isso é porque o dossiê existe.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Eu prevejo

Querem ver que Mãe Dilma vai se livrar do dossiê produzido no seu gabinete, viajar divulgando as mentiras do PAC e cairá na mão da oposição este dossiê fajuto?