terça-feira, 11 de março de 2008

Ministério investiga Força e CUT com critérios distintos

Por Ranier Bragon e Adriano Ceolin
na Folha de São Paulo

Secretaria do Ministério do Trabalho concluiu em dezembro investigação em que se vale de dois argumentos distintos para isentar a Força Sindical e a CUT (Central Única dos Trabalhadores) do pagamento de R$ 17,8 milhões relativos a pendências de antigos convênios.Força (R$ 15,5 milhões) e CUT (R$ 2,4 milhões) constam nos registros do governo federal como "inadimplentes" sob a suspeita de que não efetuaram contrapartidas ao dinheiro público que receberam para qualificar trabalhadores entre os anos de 2000 e 2003.Na investigação que realizou para, em tese, recuperar o dinheiro para os cofres públicos, a Secretaria de Políticas Públicas de Emprego do Ministério concluiu em 5 de dezembro que as duas centrais realizaram as contrapartidas, decisão que tem que passar ainda pelo crivo da CGU (Controladoria Geral da União) e do TCU (Tribunal de Contas da União).A conclusão da secretaria, entretanto, usa argumentos distintos para isentar cada uma das centrais. Enquanto o "perdão" para os R$ 2,4 milhões da CUT é baseado na análise de 13 pastas repletas de notas fiscais que comprovariam a quitação do débito, o "perdão" relativo aos R$ 15,5 milhões da Força tem como base estimativa de gastos que a central teria tido para execução dos convênios.Isso se deu, de acordo com o relatório, por meio de "visitas por amostragem" a oito sindicatos filiados à Força, em São Paulo, entre os dias 11 e 15 de dezembro de 2006.A antigo convênio de R$ 15,5 milhões coloca a Força como a segunda entidade mais inadimplente com o governo federal, em uma lista de mais de 500."Após a visita (por amostragem) realizada por essa comissão a alguns sindicatos filiados à Força Sindical (...), foi possível constatar que realmente a entidade pode contar com os espaços físicos para a realização dos cursos de qualificação. Concluiu-se que a Força Sindical (...) cumpriu com a execução da contrapartida pactuada", diz o relatório.A decisão foi tomada quando a secretaria era ocupada pelo ex-prefeito de Serra (ES) Sérgio Vidigal, filiado ao PDT, partido presidido pelo ministro do Trabalho, Carlos Lupi, e composto, entre outros, pelo presidente da Força Sindical, o deputado federal Paulo Pereira da Silva.Todos os pedetistas ouvidos pela reportagem negam que tenha havido ingerência política na decisão técnica do órgão.O fato é que ela diverge de decisão anterior do próprio ministério. Uma comissão instituída para reexaminar as contas das centrais começou a análise em julho de 2003, quando o ministro era o hoje governador da Bahia, Jaques Wagner (PT). O trabalho abrangeu o restante do mandato de Wagner, toda a gestão de Ricardo Berzoini (hoje presidente do PT) e se encerrou em agosto de 2005, um mês após Luiz Marinho (PT) assumir a função. A conclusão foi pela necessidade de as centrais ressarcirem os cofres públicos.A investigação do ministério ratificou acórdão do TCU segundo o qual o ministério "aceitou prestações de contas das centrais sindicais sem elementos que permitissem verificar o emprego dos recursos públicos por parte das executoras". O tribunal diz ainda haver fortes indícios de que o objeto dos convênios não tenha sido cumprido em sua totalidade.No voto do ministro-relator, Lincoln Magalhães da Rocha, está escrito, por exemplo, que a auditoria do ministério constatou que "palestras de 3 a 4 horas para 73 mil pessoas foram computadas como curso profissionalizante" e que "5.269 treinandos participaram de mais de um curso em períodos simultâneos".

segunda-feira, 10 de março de 2008

ELE TEM A FORÇA!


Paulinho Pereira é o He-Man brazuca. Ele tem a Força. Ele vai usar os poderes de Greyskull para lutar contra a imprensa golpista burguesa que quer acabar com seus esquemas no Ministério do Trabalho. Portanto, não se assunte se ouvir por aí um grito: “Pelos poderes de Greyskull! Eu tenho a Força”.

Contra a liberdade de imprensa

Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força Sindical, vai analisar minuciosamente as reportagens que saíram na imprensa recentemente sobre o repasse de verbas do Ministério do Trabalho para entidades ligadas à central do Paulinho. Isto é uma forma de intimidar a imprensa. É uma maneira de tentar acabar com a liberdade de imprensa.
Veja o que ele disse e que está no site da Folha on-line: Todo mundo sabe o quanto é difícil, para uma personalidade pública, entrar com ações judiciais contra órgãos de imprensa. Ficam marcadas para o resto da vida. Apesar disso, estou, sim, buscando reparações judiciais para evitar o linchamento público de minha pessoa e da entidade que presido, assim como dos mais de mil sindicatos filiados. Como estou comovido com esta coragem do Paulinho da Força. Pode ficar tranqüilo, companheiro, que você já está marcado não só por perseguir a imprensa como pelo recebimento de verbas do Ministério do Trabalho. A culpa não é do Paulinho. A culpa é da imprensa. Como sempre neste desgoverno tudo é culpa da imprensa. Os governistas são todos inocentes e valentes ao peitar a imprensa. Todo governista é vítima da fúria dos jornalistas. Nunca antes na história destêpaiz um governo foi tão perseguido. Ô, coitado! Vai lá, Paulinho. Para sempre você será lembrado como o cara que não souber responder acusações e foi contra a liberdade de imprensa.

Alô Justiça!

Alô Justiça! Lula está antecipando a campanha eleitoral. Ele vai viajar pelo país inteiro lançando programas e inaugurando obras. Tudo isso em ano eleitoral. Por que não fez isso no ano passado? Vai ver ele estava com medo de levar outra vaia igual aquela do Maracanã. Alô Justiça! Fique de olho no Lula. Ele está antecipando a campanha eleitoral.

Prefeitos mudam de partido para reforçar caixa

Por Sônia Filgueiras e Marcelo de Moraes
no Estado de São Paulo

Aderir à base de apoio do governo federal ou mesmo mudar de partido dentro da base de sustentação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tornou-se compensador politicamente para muitos prefeitos. No ano passado, pouco depois de trocarem de legenda, prefeitos conseguiram assinar convênios com órgãos federais para repasses de verbas ou liberaram recursos pendentes de contratos assinados anteriormente.Liberar convênios para prefeitos não é ilegal, mas o governo usa esse instrumento para turbinar administrações aliadas e elevar suas chances de reeleição ou continuidade no poder municipal. Esse processo tem favorecido prefeitos dos partidos da base em cidades de todos os tamanhos.O prefeito de Paranavaí, no Paraná, Maurício Yamakawa, trocou o PDT pelo PP e conseguiu assinar, a partir de outubro, convênios de cerca de R$ 4,1 milhões. Isso é quase o mesmo valor que obteve durante todo o seu mandato. Em Juara, Mato Grosso, o prefeito Oscar Bezerra deixou um partido da base (PSB) por outro (PMDB), mas o movimento foi compensador. Só em dezembro conseguiu a assinatura de 14 novos convênios firmados a partir de junho de 2007. Bezerra obteve R$ 8,365 milhões. Quase o dobro do valor contratado pelo município quando o prefeito ainda estava no antigo partido. De janeiro de 2005 até a troca de legendas, a Prefeitura de Juara firmou contratos de R$ 4,087 milhões. O prefeito de Campo Magro, no Paraná, Rilton Boza, trocou o PTB pelo PMDB em setembro. No mês seguinte, obteve a liberação de R$ 590 mil do Ministério do Turismo de um convênio assinado em dezembro de 2006. A cidade nunca viu tanto dinheiro proveniente de convênio liberado de uma vez só.Mais: depois de mudar de partido, o prefeito conseguiu assinar outros acordos superiores a esse, no total de R$ 2,113 milhões. O prefeito diz que todos os convênios assinados já estavam em negociação antes da troca de legendas. Na cidade de Itumbiara, em Goiás, o prefeito José Gomes da Rocha trocou o PMDB pelo PP em outubro. Depois dessa data, a prefeitura conseguiu assinar nove convênios com vários ministérios no valor de R$ 4,561 milhões. Alguns, de valor expressivo, foram firmados com o Ministério das Cidades, cujo titular é o ministro Márcio Fortes, também filiado ao PP.
INFRA-ESTRUTURA
Segundo dados do Portal da Transparência, foram assinados com o Ministério das Cidades convênios no valor de R$ 975 mil para construção de habitações populares, e de R$ 2,4 milhões para ações de infra-estrutura. Os recursos ainda não foram liberados. Brochier, cidade gaúcha em que o prefeito, Valmor Griebeler, migrou do PDT para o PT, fechou R$ 1,6 milhão em convênios em dezembro de 2007, ainda não liberados. De janeiro de 2005 até a troca, a cidade havia conseguido R$ 659,5 mil em repasses. No caso do prefeito de Jacobina (BA), Rui Macedo, que deixou o PSDB e ingressou no PMDB em setembro de 2007, os convênios firmados no final do ano passado somam R$ 5,7 milhões. A maior parte dos recursos foi contratada junto ao Ministério da Integração Nacional, comandado pelo ministro Geddel Vieira Lima, também do PMDB. Macedo diz que o município está em estado de emergência e a verba tinha sido acertada antes da troca. Para o presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), não é surpresa prefeitos que trocaram de partido serem mais bem atendidos nos seus pleitos junto ao governo federal: “Isso acontece sempre. Muitas liberações de recursos são feitas de forma política.” Maia avalia que as trocas só não foram mais intensas porque resolução da Justiça Eleitoral ameaçou tirar o mandato de quem trocasse de legenda depois de 27 de março de 2007, o prazo permitido por lei. “Na Bahia e em Pernambuco, por exemplo, o DEM perdeu muitos prefeitos e parlamentares que preferiram se alinhar com o governo federal ou os novos governos locais em troca de uma situação mais favorável para atendimento de pleitos”, afirma o presidente do DEM. “Enquanto não houver uma reforma política séria, acho que essas coisas ainda se repetirão.”

Ministros do PT-SC irrigam entidades ligadas ao PT-SC

Por Leila Suwwan
na Folha de São Paulo

A exemplo dos casos já revelados envolvendo os ministérios do Trabalho e do Esporte e entidades ligadas ao PDT e ao PC do B, a Secretaria Especial da Aqüicultura e da Pesca (Seap) também repassou recursos, por meio de convênios, para entidades cujos dirigentes são filiados ao PT em Santa Catarina, reduto do ministro Altemir Gregolin e do ex-ministro José Fritsch, ambos do partido.As verbas abasteceram duas associações presididas por um candidato petista no período pré-eleitoral de 2004. Outra entidade, dirigida por petistas, já teve como seu endereço oficial o escritório do ex-deputado Mauro Passos (PT-SC), autor de emendas orçamentárias que financiaram os convênios.A partir de dados da Controladoria Geral da União, a Folha analisou os R$ 17 milhões repassados em convênios desde 2003 para o Estado. A Seap, pasta com status ministerial criada por Luiz Inácio Lula da Silva, abriga petistas catarinenses da Articulação de Esquerda, corrente que surge nas ligações verificadas nos convênios.O caso mais emblemático ocorreu em Laguna (SC). O candidato vitorioso à prefeitura em 2004 foi Célio Antônio (PT), que era subsecretário na Seap. Entre junho e julho de 2004, a secretaria assinou dois convênios com o município.O primeiro, de R$ 101,3 mil, foi para a Colônia de Pescadores Z-14, presidida por Obadias Barreiros, candidato a vereador pelo PT. O convênio tinha duração de três anos e meio, mas o dinheiro foi praticamente todo repassado em julho, três meses antes das eleições.O segundo, de R$ 100 mil, foi para a Casa Familiar do Mar, escola para cerca de 30 filhos de pescadores, também presidida por Barreiros. O convênio valia por cerca de um ano, mas a verba foi liberada em menos de um mês, antes da eleição.Barreiros perdeu as eleições, mas hoje é o secretário municipal de Agricultura e Pesca de Célio Antônio, que assinou na virada do ano passado mais um convênio. Para a construção de 21 trapiches para pescadores, foram repassados R$ 233,8 mil em uma só parcela em fevereiro. Célio Antônio disse estar analisando lançar sua candidatura neste ano. Barreiros nega que sua ligação partidária teve influência sobre os convênios.
Dinheiro de sobra
Durante sua campanha, a direção da Casa Familiar do Mar foi passada ao pedreiro Zulamar Gomes da Silva. Contatado, ele contou que "quando o dinheiro chegou, sobrava" e que foi instado a assinar dez folhas de cheque em branco."Me usaram", disse à Folha. Após as eleições, disse que Barreiros reassumiu e não sabe da finalidade dos recursos.Em Florianópolis, governada pela oposição, a Seap tem seus principais convênios com o governo do Estado, fundações de pesquisa e pequenas entidades. Entre elas, a Famasc (Federação das Associações de Maricultores de Santa Catarina), que assinou convênios de R$ 1,2 milhão desde 2003.Tanto o atual presidente da Famasc, Uri Mafra, como a ex, Maria das Graças Silva, são filiados ao PT e chegaram a disputar eleições regionais em 1998 e 2000, respectivamente.Composta apenas por uma diretoria de 12 pessoas, paga a contrapartida dos convênios em horas trabalhadas e atua no setor de criação de moluscos. A Famasc assinou seu primeiro convênio em 2003 -R$ 30 mil.Em 2004, o endereço da sede foi transferido para o escritório do então deputado Mauro Passos na rua Lacerda Coutinho. Ele é autor da emenda que financiou o segundo convênio, de R$ 385,4 mil. Hoje, funciona no local um jardim de infância.A assessoria do deputado e a Famasc afirmam que não há problema na colaboração. Segundo a assessora de Passos, o gabinete foi colocado à disposição para reuniões, planejamento e para uso de computador e correspondência. Segundo Maria das Graças, a situação foi "temporária" e o endereço era apenas para correspondência.A Cooperilha, do setor de maricultura, recebeu R$ 135 mil em 2005. Seu dirigente é Emílio Kleber Gottschalk, que firmou, em nome da cooperativa, promessa de apoio e militância à candidatura vitoriosa de Luci Choinaki para a presidência do diretório estadual.A Associação de Pescadores da Barra do Camacho em Jaguaruna (SC) também recebeu R$ 59,5 mil. Teve o apoio do deputado estadual Paulo Serafim, da mesma corrente do PT.

domingo, 9 de março de 2008

Fala logo!

Será que ninguém vai se pronunciar contra as declarações do Falastrão de Honra do PT? Ele disse ontem que tem corrupção em todo lugar. O presidente do Brasil fala isso com tanta naturalidade. Imagine se Fernando Collor de Melo dissesse em 1992 que sempre existiu corrupção no Brasil. Imagine se Paulo Maluf falasse que desde a época de Pedro Álvares Cabral a corrupção rolava solta aqui nestêpaiz. Quando Lula fala que a corrupção é coisa normal ninguém vaia, ninguém manda o Lula se calar. Ninguém fala para Lula dizer quem são os corruptos da polícia, da política e do judiciário. Fala logo!

O Bufão de Caracas e o Coma Andante

Quer dizer que o Bufão de Caracas foi até Cuba visitar o Coma Andante? Quer dizer que o Coma Andante está feliz e cheio de idéias? É mesmo? Ah, quer dizer que os Estados Unidos estão por trás da incursão da Colômbia no Equador na caça aos narcoterroristas das Farc? Só faltava os dois prestarem uma homenagem a Raul Reys, o líder dos narcoterroristas morto pelo exército colombiano. Sabe como é o Foro de São Paulo. Essa gente criminosa não tem vergonha de exaltar seus assassinos.

Tá de brincadeira

Segundo o deputado Marcelo Melo se dependesse do presidente do PMDB em Goiás Adib Elias o partido seria adversário dos tucanos nos 246 municípios goianos. Como se o PMDB fizesse uma oposição séria aqui em Goiás. Como se o PMDB cobrasse as promessas não cumpridas de Marconi Perillo e Alcides Rodrigues, o popular Cidinho. PMDB adversário do PSDB? Ta de brincadeira.

O lulismo estragando o Brasil

O Bolsa Família não está cumprindo seu papel: fazer com que as crianças completem, pelo menos, o ensino fundamental. A evasão escolar cresce. É o lulismo estragando o Brasil.

Lula tem culpa sim

Lula está na Presidência da República há mais de seis anos. Ele tem culpa no aumento da violência sim. Quando diz que a culpa é da televisão, ele apenas tira o dele da reta. Como nós sabemos Lula não gosta de críticas. Ele quer ser exaltado, aplaudido. Lembram da vaia que ele tomou no Maracanã na abertura dos Jogos Pan-Americanos do ano passado? Ele ficou tonto, sem rumo, passou dias sem aparecer em locais públicos.
É preciso que alguém esfregue na cara dele a incompetência do seu governo. É preciso sempre lembrar que as Farc manda drogas para cá e que os narcoterroristas colombianos são amigos de Lula no Foro de São Paulo. Lula se omite. Como diz a minha mãe “a omissão é o pior dos pecados”. Até quando aplaudirão Lula, sua omissão como governante e sua relação com as Farc no Foro de São Paulo.

Abandono escolar cresce entre dependentes do Bolsa-Família

Por Lisandra Paraguaçu
no Estado de São Paulo

O mais importante programa social do governo Lula, o Bolsa-Família, atende hoje quase um quarto da população do País (45,8 milhões), mas não está conseguindo cumprir um de seus principais objetivos: fazer com que as crianças completem ao menos os oito anos do ensino fundamental. Cruzamento de informações feito pelo Estado, com dados dos Ministérios do Desenvolvimento Social e da Educação, revela que nos 200 municípios onde há mais famílias dependentes do Bolsa-Família a evasão escolar, contando os abandonos da 1ª a 8ª séries, cresceu entre 2002 e 2005. Em alguns casos, o número de crianças que deixam a escola mais do que dobrou. Em todas as cidades mais da metade é atendida pelo programa. O abandono escolar cresceu em 45,5% dos municípios (91) com mais atendimentos do Bolsa-Família. Em outros 18,5% (37 cidades) não houve piora ou melhora significativas - a variação foi de menos de 1 ponto porcentual para mais ou para menos. Juntos, a piora do abandono e a manutenção da péssima realidade escolar somam 64%. O ano de 2002 foi o último antes do início do Bolsa-Família, e 2005, o último com dados oficiais disponíveis. Os 200 municípios expõem também um fenômeno político: uma melhora sensível no desempenho do candidato Luiz Inácio Lula da Silva entre os segundos turnos de 2002 e de 2006. Da eleição para a reeleição, o presidente aumentou os votos em todas as cidades com mais população atendida pelo Bolsa-Família, registrando, em alguns casos, votações fenomenais: os 3.408 votos de Araioses (MA), em 2002, por exemplo, viraram 12.958 votos na campanha da reeleição; os 2.996 votos de Girau do Ponciano (AL) subiram para 12.550 votos. Acauã, uma das cidades-símbolo do programa Fome Zero, visitada por ministros no primeiro ano do governo Lula, tem 71,6% de suas famílias no Bolsa-Família. O abandono escolar subiu de 4,4% para 12%. Em 13 cidades, o índice passou de 20% de estudantes largando a escola, um número considerado assustador pelo próprio Ministério da Educação. Em Lagoa dos Gatos (PE), uma das cidades visitadas pela reportagem do Estado, o abandono passou de 8% para 17,6% em apenas três anos.
EXPLICAÇÕES
O que aconteceu nessas cidades? Nem mesmo o governo consegue dizer exatamente. Mas uma das razões é clara: as famílias obrigam as crianças a ficar no programa até os 15 anos, quando ainda são beneficiadas. A partir dessa idade, muitas vezes é mais interessante ter o filho trabalhando. O Bolsa-Família paga R$ 58 e mais R$ 18 por filho entre 0 e 15 anos para famílias com renda per capita de até R$ 60, desde que eles estejam na escola e haja acompanhamento de saúde para os menores de 6 anos. Depois que o filho completa 15 anos, automaticamente a família deixa de receber a parcela referente àquela criança e a renda diminui. “Quantas vezes não ouvimos de professores ‘aquela criança só está aqui por conta do Bolsa-Família’”, diz a secretária de Educação Básica do Ministério da Educação, Maria do Pilar Almeida e Silva. “E é para isso que o programa serve. Ele estar dentro da escola já é uma grande garantia. O problema da evasão não se resolve somente com a escola. É preciso uma malha de ações sociais.” As causas da evasão, lembra, são várias e mais fortes entre os meninos mais velhos: ter de trabalhar, tomar conta de irmãos ou avós, repetência contínua, falta de transporte, entre outras.Manter as crianças na escola até garantir pelo menos que concluam a 8ª série do ensino fundamental é uma das metas do Bolsa-Família. Seria uma forma de fazer a população mais pobre ter escolaridade melhor e um futuro menos incerto. Ao estabelecer 15 anos como limite para o pagamento, o programa deixa para trás boa parte dos meninos e meninas mais atrasados - na média, os estudantes pobres estão três anos abaixo da série em que deveriam estar.No dia-a-dia das escolas, é essa a realidade que professores encontram. “Os meninos pequenos ficam na escola. Nos períodos da manhã e da tarde a evasão é baixíssima. Mas a partir dos 15 anos eles mudam para o turno da noite e acabam não voltando mais. Não têm estímulo para estudar”, conta Juliana do Nascimento, diretora da Escola Municipal Cordeiro Filho, em Lagoa dos Gatos. Maria Luciene de Oliveira, diretora da Escola Estadual Ezequiel Bertino de Almeida, na cidade vizinha de Cupira (PE), tem a mesma experiência. “Não são as crianças pequenas, mas a partir da 5ª série. No período noturno, no ano passado, havia uma turma com 35 alunos, mas que, às vezes, tinha dois ou três alunos em sala de aula”, lembra. A escola ainda enfrenta outra dificuldade: a insistência dos pais em matricular filhos a partir dos 14 anos no noturno, apesar de a lei só permitir a partir dos 15 anos. “Alguns chegam a ameaçar tirar o filho da escola porque eles têm de trabalhar”, diz Maria Luciene.Os dados nacionais confirmam a experiência das professoras. Números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que apenas 5% das crianças de 7 a 14 anos abandonam a escola. Entre 15 e 17 anos, essa evasão sobe para quase 20%. São quase 2 milhões de jovens que ficam sem escola, sem trabalho e sem futuro.

Lula elogia polícia e culpa TV por violência

Por Sérgio Torres
na Folha de São Paulo

A programação das emissoras de televisão contribui para que o Brasil seja um país violento, disse ontem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em discurso na sede administrativa do governo do Estado do Rio, o Palácio Guanabara. De acordo com o presidente, o "seio da família brasileira" passa por "um processo de degradação da estrutura social". Entre os motivos, citou "programas de televisão que não trazem nada que seja instrutivo para as pessoas". "Se nós analisarmos o que aconteceu no Brasil nos últimos 30 anos, vamos chegar ao diagnóstico correto do por que temos tanta violência no Brasil. Digo sempre que, muito mais grave que a situação econômica, e possivelmente decorrente da situação econômica, é um processo de degradação da estrutura social a partir do seio da família brasileira", afirmou ele. "Se as pessoas moram apinhadas em três metros quadrados onde comem, defecam e dormem; se as pessoas repartem os metros quadrados de sua área individual com baratas, com ratos; se as pessoas não têm rua sequer para passear, não têm área de lazer, não têm escola, não têm nem onde praticar um esporte; eu me pergunto: o que fez o Estado brasileiro nesses últimos 30 anos?" O presidente falava para uma platéia de policiais civis e militares e políticos, como o governador do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB), e os ministros Tarso Genro (Justiça) e Márcio Fortes (Cidades). Ele disse que hoje a juventude está "desesperançada", responsabilizou os governantes nas três últimas décadas e se eximiu de culpa. "Quando a gente vê imagens das pessoas presas, o que a gente percebe? A grande maioria são jovens entre 17 e 24 anos. A carreira de bandido está mais ou menos como jogador de futebol, ou seja, aos 33 anos já tem que sair porque não tem fôlego para agüentar a marimba. (...) Nunca perguntamos quem são os responsáveis por essa juventude estar tão desesperançada. Quem é que cuidou da economia desse país, quem gerou esses milhões de desesperados morando em situações degradantes? Certamente que não fui eu e não foram vocês." Lula atacou ainda os políticos e exaltou os policiais. "Muitas vezes a miséria é utilizada como cabide para levar gente a ter mandato nesse país. E depois todos nós ficamos cobrando da polícia. Como se o policial fosse um ser mágico, um Homem Aranha, que tivesse um poder superior ao poder dos outros. No Brasil, com raríssimas exceções, os policiais são seres humanos, pobres, moram mal, ganham pouco e não têm a formação correta para exercer um atividade tão precisa." Aos policiais presentes, Lula falou que a corrupção não é uma característica só da categoria. Segundo ele, há corruptos "em todos os segmentos da sociedade". O presidente lançou o programa Bolsa Formação, do Pronasci (Programa Nacional de Segurança com Cidadania), cuja proposta é qualificar profissionais da área de segurança pública por meio de uma remuneração extra-salarial de cursos de especialização. No final da manhã, Lula e o presidente português, Aníbal Cavaco Silva, receberam medalhas comemorativas dos 170 anos da instituição. Cavaco Silva concedeu a Lula um diploma de gratidão. Em discurso, Lula citou o padre Antonio Vieira (nascido em Lisboa em 1608 e que morreu na Bahia em 1697) "como o mais brasileiro dos portugueses, e o mais português dos brasileiros".

Guerrilha cobra imposto na Venezuela

Por Fábio Maisonnave
na Folha de São Paulo

A fase aguda da crise regional provocada pela invasão do território do Equador, na operação colombiana em que foi morto o número 2 das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), Raúl Reyes, aparentemente foi superada. Mas a causa do problema, o transbordamento militar, humano e político do conflito interno colombiano, velho de quatro décadas, continua latente. Como aponta relatório recente do centro de estudos International Crisis Group, o ponto débil do plano linha-dura de Bogotá contra a narcoguerrilha são as divisas, pois a estratégia colombiana é confrontar diretamente as Farc em lugar de cercá-las com linhas fixas de defesa. "O plano está empurrando a crise humanitária em direção às fronteiras", diz o relatório. É este transbordamento que a Folha mapeia nesta edição, com enviados especiais aos pontos quentes das fronteiras da Colômbia com a Venezuela, o Equador e o Brasil.Depois de alguma insistência, o comerciante Martín (nome fictício) leva o repórter até o escritório no fundo de sua loja, em Guasdualito, cidade da fronteira com a Colômbia distante 860 km de Caracas. Fechada a porta, mostra um pequeno papel com o selo do grupo guerrilheiro Exército de Liberação Nacional (ELN) recebido em janeiro, quando foi obrigado a dar o equivalente a R$ 3.900 em mercadorias. Ali se lê: "Agradecidos por sua colaboração. Em caso de outra sugestão, apresentar este recibo".O recibo traz o nome da loja, a descrição dos produtos entregues, especifica que se trata da Frente de Guerra Oriental do ELN e termina com a assinatura do grupo, segunda maior guerrilha colombiana."Até seis meses atrás, aqui era dominado pelas Farc, mas agora o ELN assumiu", diz o comerciante, que negociou com os colombianos após ter seus dois filhos ameaçados de seqüestro, no ano passado.Importada do país vizinho, a "vacina" -pagamento de imposto de guerra- é amplamente disseminada na região da fronteira venezuelana. A prática é atribuída a vários grupos armados ilegais ou a criminosos que se aproveitam da fama das Farc, do ELN e dos paramilitares para agir em seu nome. Daí a necessidade do recibo, para que o comerciante mostre caso haja nova "sugestão"."Aqui tem Farc, elenos [ELN], paras, boriches [Forças Bolivarianas de Liberação, guerrilha emergente venezuelana]. Todos querem "comer" e, se não pagar, quebram você", diz outra comerciante, sempre na condição de anonimato.Os três comerciantes ouvidos pela reportagem justificaram a lei do silêncio na cidade contando a história de um colega que, cansado de pagar a "vacina", deu entrevista à rádio local contra a prática. Horas depois, foi assassinado a tiros.A "vacina" não é o único crime importado da Colômbia: são comuns registros e relatos de seqüestros, pistolagem e recrutamento de menores na região de Guasdualito, cidade de 50 mil habitantes situada numa imensa e pouco povoada planície que atravessa os dois países e cuja atividade principal é a pecuária.Na última terça-feira, o médico dominicano-venezuelano Andrés del Orbe, 57, foi seqüestrado às 18h15 dentro do seu consultório por quatro homens armados. A sua paciente foi jogada no chão. É o sexto seqüestro em Guasdualito desde o início do ano."Aqui está pior do que nunca", diz Lumay, mulher de Orbe, radicado há 29 anos em Guasdualito. "Saia depois das 19h para você ver um povado desolado de faroeste." Segundo ela, até anteontem os seqüestradores não haviam realizado nenhum contato. O seqüestro de Orbe gerou uma rara onda de indignação em Guasdualito. Nos vidros traseiros de vários carros, lia-se a frase, pintada em tinta branca: "Liberem o médico do povo"."A única coisa que quero é que o presidente Hugo Chávez libere também os seqüestrados da Venezuela", diz Lumay, em alusão aos reféns colombianos recém-liberados pelas Farc após negociação com o mandatário venezuelano.O crime de seqüestro é cada vez mais freqüente nos Estados venezuelanos da fronteira, e muitos deles são atribuídos às Farc. De acordo com a Federação Nacional dos Pecuaristas (Fedenaga), há cerca de 70 venezuelanos em cativeiro atualmente, dos quais a maioria estaria em poder do grupo liderado por Manuel Marulanda, o "Tirofijo".O território venezuelano também estaria sendo usado para esconder seqüestrados colombianos. No mês passado, o engenheiro Jorge Andres Sierra, liberado após 20 meses de cativeiro com o ELN, disse que passou parte do tempo na Venezuela, onde o grupo guerrilheiro tinha "um pacto de não-agressão", como definiu um de seus captores.Chávez admite o crescimento da indústria dos seqüestros e disse recentemente que a Venezuela faz "fronteira com as Farc, e não com a Colômbia", mas negou a existência de provas que vinculem as guerrilhas a esse tipo de crime.
Antes e depois de Chávez
Um dos poucos a falar abertamente sobre guerrilheiros na região, o padre jesuíta Acacio Belandria, 78, afirma que a presença é antiga, mas tem se tornado cada vez mais enraizada."As guerrilhas estão há uns 20 anos nesta região", diz Belandria, em entrevista na casa paroquial de La Nula ("O Nada"), cidade de 35 mil habitantes a 30 km da fronteira. "No começo, vieram a descanso, depois começaram o trabalho político, organizativo, e hoje se converteram numa ameaça interventora e violadora da soberania nacional."Belandria diz que, além das "vacinas", os guerrilheiros também cobram 5% do valor das obras públicas e ainda recrutam jovens e adolescentes para trabalhos como o de vigilância, enquanto alguns são levados à Colômbia para receber treinamento. Para o jesuíta, o governo Chávez mudou a estratégia dos governos anteriores, que buscavam controlar as guerrilhas militarmente. Desde então, diz Belandria, há uma tentativa de reconhecê-las como "atores políticos", mas sem resultados após nove anos.Há oito anos em La Nula, o padre Belandria conta um caso que, diz, ilustra o que significam o Estado e a guerrilha na fronteira: após receber uma ameaça vinda do ELN de que seu filho seria morto caso não pagasse R$ 39 mil, um fazendeiro procurou o chefe local do grupo, que negou a autoria da extorsão e enviou três guerrilheiros para vigiar sua casa.Dias depois, o autor da ameaça voltou a procurar o fazendeiro e foi capturado e desmascarado pelo ELN."Para resolver esses casos, as pessoas não recorrem às autoridades venezuelanas, ineficientes e incapazes. Aqui todo mundo tem alguém conhecido na guerrilha, é necessidade."

sábado, 8 de março de 2008

Acabou

O São Paulo perdeu para a Portuguesa. Dois a zero. Segunda derrota do meu time. Fazer o quê...

Um queijo suíço


É assim que a zaga do São Paulo está. Um verdadeiro queijo suíço. Agora, em Ribeirão Preto, Portuguesa 2 x 0 São Paulo.

Começou

Começou o segundo tempo. Vamos ver se o Tricolor paulista vai virar esse jogo

Fale agora!

Fala logo, Falastrão! Quem são os corruptos na política, na polícia e no judiciário? Fale agora! Você sabe.

O deboche do Falastrão

Lula está com a macaca hoje no Rio de Janeiro. Ele disse hoje: Na polícia tem corrupção. E na política não tem? No empresariado não tem? No Judiciário não tem? Em todos os setores têm. Esta é a tese petista. Todo mundo corrompe. Em todos os lugares têm corrupção. Lula e os petistas querem encobertar seus crimes afirmando que sempre foi assim. Aí eles falam: “Ora, se foi assim por que nos condenar?” Temos que condenar sim. Temos que incomodar sim! Quanto mais Lula e os petistas são incomodados melhor. Lula e os petistas não sentem vergonha dos seus crimes. Assim como eles acham normal a corrupção, eles não vêem nenhum problema em ficar juntos com as Farc no Foro de São Paulo.

Os antigos estão do lado de Lula

Basta olhar para o Brasil dos últimos 30 anos e vamos chegar ao diagnóstico de tanta violência no Brasil. Lula disse isso hoje no Rio de Janeiro. Ao analisar os últimos 30 anos veremos que os antigos comandantes destêpaiz estão do lado de Lula. Delfim Neto era o comandante da economia há 30 anos atrás. O fofinho fã da ditadura militar hoje apóia Lula. José Sarney é outro comandante do passado que sustenta Lula. Basta olhar para Lula que veremos os antigos apoiando e aplaudindo seus atos, suas fanfarronices e seus cartões corporativos.

Cadê a zaga?

O que aconteceu com a zaga do São Paulo? Ano passado levamos pouquíssimos gols. Miranda e Breno comandavam a zaga são-paulina. Depois que Breno foi embora a zaga ficou mais furada que queijo suíço. O que será que aconteceu? Agora, em Ribeirão Preto, Portuguesa 1 x 0 São Paulo.

Os 15 anos do "Manhattan Connection"

Por Marcelo Marthe
na Veja

Segundo uma piada que circula entre seus amigos, o jornalista Lucas Mendes atua como correspondente internacional desde os tempos do assassinato daquele grande presidente americano. John F. Kennedy? Não, Abraham Lincoln – no longínquo ano de 1865. De fato, Mendes acumula uma experiência ímpar no exterior. Ele se mudou para Nova York em 1968 – e lá se vão quatro décadas de vida e trabalho (ou dois terços de seus 64 anos) em terra estrangeira. Entre 1975 e 1990, período em que rodou o mundo como repórter da Globo, seu rosto e seu texto elegante se fixaram como marca de qualidade do telejornalismo brasileiro. Sua imagem também ficou associada de forma incontornável à capital financeira e cultural do planeta. A expressão cabal disso é o programa Manhattan Connection. Exibida nas noites de domingo pelo canal GNT, a mesa-redonda em que os fatos da semana são debatidos com um tempero nova-iorquino foi criação dele. Nesta semana, o Manhattan comemorará quinze anos de existência – um feito para uma atração da TV paga que vive mais do prestígio que do ibope. O programa sobreviveu à morte de sua estrela original, o jornalista Paulo Francis (cuja função de polemista foi assumida mais tarde por Arnaldo Jabor e, desde 2003, por Diogo Mainardi, colunista de VEJA). Também se segurou como pôde nas crises econômicas do país. Uma façanha que se deve à perseverança de seu âncora e mentor.
Mineiro de Belo Horizonte, Mendes é sobrinho-neto de Murilo Mendes, um dos maiores nomes da poesia modernista brasileira. Outro parente, o tio José Guilherme, foi correspondente internacional do extinto jornal Última Hora. O sobrinho abraçou essa mesma carreira bem jovem. Aos 24 anos, foi a Nova York fazer um curso. Uma proposta de emprego lhe permitiu ficar por lá. Chegou à televisão pela Globo, alguns anos mais tarde. Histórias do período não faltam. Em 1979, viveu momentos de tensão num hotel sob vigilância de terroristas palestinos, enquanto aguardava por um encontro com o líder Yasser Arafat. Com a saída da Globo, circulou por vários empregos até o surgimento do Manhattan Connection. O GNT, então engatinhando, queria produzir um programa jornalístico, mas tinha verba curta. "Eu falei a eles: por que não colocamos quatro sujeitos numa mesa debatendo os temas da semana? Conversa mole custa barato", diz Mendes. Ele tinha uma inspiração em mente: The McLaughlin Group, mesa-redonda sobre política no ar há 26 anos na TV americana. No caso do Manhattan, o leque de assuntos acabou sendo mais amplo. A experiência não só deu certo como abriu um nicho na TV brasileira.
A morte de Paulo Francis representou um baque duplo para Mendes. Ele era íntimo do jornalista, a ponto de ter cuidado do traslado de seu corpo para o Brasil. E, de forma repentina, viu o programa se esvaziar. Com seu estilo único, Francis protagonizou rinhas antológicas, em que triturava o discurso politicamente correto do colega Caio Blinder. "Tenho de dar o braço a torcer: eu discordava quando Francis atacava o Bill e a Hillary Clinton, mas hoje acho que ele tinha toda a razão", diz Blinder. Na condição de âncora e responsável pelo programa, Mendes também era obrigado a administrar o ego de Francis. Quando achava que ele se excedia, dava-lhe cutucões por baixo da bancada. Depois de sua morte, Mendes chegou a anunciar o fim do Manhattan. Essa não foi a única situação crítica. Em 2002, com a disparada do dólar em decorrência da ascensão eleitoral de Lula, o Manhattan ficou outra vez ameaçado. Foi salvo pela mobilização dos espectadores, após dois meses sem exibição. Nos dois momentos de baixa, a entrada de novos polemistas – primeiro Jabor e depois Mainardi – revigorou a fórmula. A cada substituição, contudo, ficou mais evidente que a peça essencial ali é mesmo Mendes, com seu timing para mediar as discussões e a pauta bem sacada (que divide com Blinder). O Manhattan é um programa que cresce com os fatos. "Mais que da nossa capacidade de dar opiniões, dependemos da qualidade da notícia", diz Mainardi.
A gravação do especial de quinze anos, nesta quarta, reunirá pela primeira vez toda a bancada no Brasil. Será uma chance rara de Diogo Mainardi contracenar com os colegas Mendes, Blinder, Ricardo Amorim e Lúcia Guimarães. Normalmente, ele grava sua participação do Rio de Janeiro. A possibilidade de reuniões como essa ocorrerem com freqüência é nula. Mendes não se desloca para o Brasil mais que uma ou duas vezes por ano. Curiosamente, apesar de estar fora há tanto tempo, ele não se despluga da realidade nacional e mantém laços estreitos com a família em Minas. Casado pela segunda vez, com a americana Rose, pai de dois filhos e com uma enteada, ele hoje possui dupla cidadania. "Eu me sinto em casa em Nova York", diz. "Mas a alma é mineira."

Uma conversa reservada

Lula sempre recebe de braços abertos os baderneiros do MST. Sempre Lula encontra um espaço na sua agenda para recebê-los. Claro que estes encontros são secretos. Ontem, no Rio de Janeiro, Lula teve um conversa reservada com o baderneiro José Rainha que lidera os sem-terra no Pontal do Paranapanema em São Paulo. Uma conversa reservada com um cara que invade propriedade alheia? O presidente do Brasil conversando com um cara que desafia a lei? O que será que Lula conversou com José Rainha? Algum apoio? Será que Lula deu uns trocados para o baderneiro do Pontal do Paranapanema? Só sabemos deste encontro reservado. Com os sem-terra, Lula não conta o que conversou. Tudo é reservado, tudo é escondido. Precisamos levar Lula à Justiça urgentemente.

Rompendo o silêncio

Finalmente uma revista daqui do Brasil começou a falar do Foro de São Paulo. Tudo bem que foi de uma maneira tímida, mas a Veja rompeu o silêncio da imprensa brasileira e começou a falar do foro fundado pelo Apedeuta Bananeiro. A reportagem assinada por Thomaz Favaro cita a ligação Lula-Raul Reys-Hugo Chávez no Foro de São Paulo. Segue a reportagem na íntegra:

O destempero verbal é uma característica dos caudilhos fanfarrões e, na maior parte das vezes, não deve ser tomado ao pé da letra. A saraivada de insultos e ameaças disparados por Hugo Chávez contra o governo da Colômbia pertence a uma dimensão mais perigosa – aquela na qual trafega o projeto de poder totalitário da esquerda radical na América Latina, único lugar do mundo onde essas sandices que envenenaram o século XX ainda parecem ter algum fôlego. A verborragia do presidente venezuelano é um elemento da estratégia de fomentar tensões na região. Caso os colombianos caíssem na armadilha de reagir à mobilização de tropas venezuelanas, na semana passada, Chávez talvez tivesse conseguido o que queria. Ele desejava uma escalada militar. Nas sombras, por procuração, Chávez já se envolveu na luta armada contra o governo democrático do país vizinho. O governo chavista é hoje o principal patrocinador político e financeiro das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). A esquerda radical da América Latina, liderada por Chávez, sonha usar essa organização, cuja especialidade são os seqüestros e o narcotráfico, para criar um clima de guerra que cause a desestabilização dos governos democráticos do continente. Ironicamente, a oportunidade para tocar esse projeto foi fornecida por uma nova derrota do terrorismo.
Na madrugada de sábado, primeiro dia de março, um ataque aéreo colombiano devastou um acampamento das Farc instalado nas matas do Equador, a menos de 2 quilômetros da fronteira com a Colômbia. O bombardeio matou Raúl Reyes, o segundo na hierarquia da organização, e 22 de seus companheiros. Reyes era um dos sete membros do secretariado, o comando central das Farc. Dos escombros do acampamento, os militares colombianos recolheram o corpo do chefe terrorista e três computadores portáteis cujo conteúdo se revelou explosivo. Nos arquivos digitais estava a correspondência interna da organização. Nela se pode ler que Chávez entregou ou iria entregar 300 milhões de dólares ao terror e que eram excelentes as relações com o governo do presidente do Equador, Rafael Correa (
veja quadro).
Chávez pranteou o morto com um minuto de silêncio em seu programa semanal de televisão. Em seguida, pôs-se a divagar sobre a longa amizade existente entre eles. Contou que, depois de deixar a prisão (fora preso como cabeça de um golpe militar fracassado), em 1994, compareceu a uma reunião do Foro de São Paulo, em El Salvador. Ali teve a oportunidade de conhecer Lula, então apenas um líder de oposição, e também o terrorista Reyes. O ataque colombiano constituiu-se em inquestionável violação do território do Equador. Mas o episódio teria ficado por aí, tivesse os dois países igual interesse em reprimir o narcoterrorismo – coisa que, sabe-se agora, não está nos planos do Equador. Em 1998, tropas colombianas utilizaram, sem permissão, uma pista do Exército brasileiro no Amazonas para atacar guerrilheiros na Colômbia. Houve protesto oficial do Brasil, a Colômbia se retratou publicamente e o incidente encerrou-se sem maiores percalços.
Dada a oportunidade, Chávez fez soar as "trombetas da guerra", como disse seu mentor Fidel Castro. Mobilizou tropas, fechou as fronteiras e rompeu relações diplomáticas. Equador, Bolívia e Nicarágua, estados clientes de Caracas, fizeram o mesmo. Com a ajuda diplomática do Brasil e de outros países, o contencioso foi levado à Organização dos Estados Americanos (OEA). Saiu dali um acordo morno, que reafirmou a inviolabilidade das fronteiras, mas não condenou a Colômbia. O balanço do episódio desnuda uma distorção de valores existente no continente. "Dez anos atrás, financiar um grupo terrorista em um país vizinho com dinheiro público, como faz a Venezuela, seria uma atitude impensável e absolutamente condenável por qualquer regime", observa o boliviano Eduardo Gamarra, diretor do Centro para a América Latina e o Caribe da Universidade Internacional da Flórida. Hoje, Chávez faz isso com naturalidade, como se a promoção do terror fosse um direito natural de cada governante.
O presidente Chávez diz que seu objetivo é unir toda a América do Sul em um único país, projeto que ele atribui a Simon Bolívar, o herói venezuelano do século XIX. A diferença entre o presidente venezuelano e outros líderes esquerdistas com delírios similares é que Chávez tem poder econômico para bancar aventuras. "Por falta de recursos, Fidel Castro foi forçado a restringir o financiamento e o treinamento de grupos guerrilheiros", diz o ensaísta peruano Álvaro Vargas Llosa. "Como tem dinheiro, Chávez partiu para um patamar superior, influenciando diretamente grupos e países." Sob a fachada da solidariedade bolivariana, Chávez busca estabelecer relações de dependência com os vizinhos. Na Bolívia, ele financiou a carreira de seu clone, Evo Morales. Rafael Correa é grato pelo petróleo equatoriano que a Venezuela refina a preços camaradas. "Não por acaso, os países mais subalternos a Chávez, a Nicarágua e a Bolívia, são justamente aqueles que mais necessitam de sua ajuda econômica", aponta o venezuelano Elias Pino, da Universidade Católica Andrés Bello, em Caracas.
Chávez identifica na Colômbia o maior obstáculo a seu plano de expansão da revolução bolivariana, especialmente na América do Sul. O país é uma democracia, usufrui economia próspera e se tornou um aliado-chave dos Estados Unidos. O povo apóia majoritariamente o governo do presidente Álvaro Uribe e o sistema democrático. Quer distância do chavismo e de outras excentricidades. A Colômbia é exatamente o contrário de tudo aquilo que Chávez acredita e defende. O presidente da Venezuela sabe que, enquanto as Farc mantiverem a campanha de terror, não apenas o presidente Uribe mas a própria Colômbia estarão impedidos de exercer um papel de liderança na região. Apesar do dinheiro fácil do petróleo, a economia da Venezuela anda mal das pernas. A população está irritada com a inflação, com a escassez de produtos básicos e com o aumento da criminalidade. O presidente precisa desviar as atenções para um inimigo externo. Ao que parece, sem sucesso. Pesquisas mostram que 85% dos venezuelanos discordam de seu comportamento nessa crise. Talvez ele tenha apostado no cavalo errado. As Farc têm sido impiedosamente surradas pelo Exército colombiano. Apesar de a ajuda venezuelana ter lhes dado algum fôlego, o cerco aperta. Apenas três dias depois da morte do número 2, foi morto Ivan Rios, o número 3 das Farc. Por isso, todos se perguntam onde anda Manuel Marulanda, o chefe supremo da organização. Os boatos são de que se refugiou na Venezuela, sob as asas de Hugo Chávez.

O aniversário do Irizinho

Marconi Perillo é o Irizinho. Veja as reportagens que saíram na imprensa goiana hoje falando sobre a comemoração do seu aniversário ocorrida ontem. Marconi alfinetou Íris Rezende e disse que não precisa fazer uma festa com vacas e porcos, só um café da manhã bem simples. É mesmo? O aniversário de Íris Rezende deve ter começado também bem simples. Depois virou a festa com vacas e porcos de todos os anos. Marconi está seguindo o caminho de Íris. O Irizinho comemora seu aniversário com um café da manhã bem simples. Com o passar do tempo as vacas e os porcos serão o centro da festa. Um dia o Irizinho chega lá.

Agora tem dinheiro?

Ah, quer dizer que agora o governador de Goiás Alcides Rodrigues, o popular Cidinho, tem dinheiro no cofre. De onde veio este dinheiro? Quer dizer que o estado paquidérmico está magrinho, enxuto. Que beleza! Realmente a crise financeira acabou. Basta ver nos jornais daqui de Goiânia. Quando a imprensa goiana louva Marconi Perillo e seu Tempo Novo é porque as coisas voltaram ao normal. Ficaremos sem saber a origem da crise e veremos muitas propagandas do estado no jornal e na televisão.

Eles não se arrependem

Será que a gente é que é diferente
Será que os outros são tão iguais
Honestidade é marca da gente
Ser diferente é bom até demais


Esta musiquinha embalou muitas propagandas políticas do PT aqui em Goiás. Eu a ouvi pela primeira vez quando os cara-pintadas estavam nas ruas pedindo a saída de Fernando Collor de Melo. Naquela época o PT era o guardião da ética na política. Lula e seus companheiros apareciam na televisão criticando a República de Alagoas, prometendo que, se eles chegarem ao poder, nunca fariam o que estava sendo feito. Até a imprensa era elogiada pelo petismo. As denúncias que colaboraram para a saída do Playboy de Alagoas foram divulgadas pela imprensa. Naquela época a imprensa não era golpista. Naquela época Paulo Henrique Amorim não defendia a tese de que a Rede Globo queria dar o golpe em Lula. Os petistas batiam no peito e diziam que, se um dia chegassem ao poder, nunca fariam o que estava sendo feito. A galera sonhadora amava aqueles discursos. Lula, sabendo disso, botava mais lenha na fogueira.
E finalmente os “diferentes” chegaram lá. Lula chegou lá. E o que nós vimos? Roubalheira, caixa 2, mensalão, propina... Tudo o que o PT negou foi praticado. Como disse Paulo Betti: “Na política tem que enfiar a mão na merda mesmo”. O PT enfiou e gostou. E eles não se arrependeram dos crimes cometidos. Lula não sente um pingo de arrependimento pelo caixa 2, pelo mensalão, pela roubalheira, pelos apertos de mão de políticos que um dia já foram massacrados pelo petismo. Com Lula no poder vimos o ressurgimento de canalhas como o próprio Fernando Collor de Melo, Jader Barbalho, Paulo Maluf e tantos outros dinossauros.
Sim, eles não se arrependem. Silvinho Pereira era secretário do PT. Ele dividia os cargos no governo. Ele recebeu um jipe Land Rover da empresa GDK. Sim, ele reconhece que errou. Mas não se arrepende. Veja o que ele disse: O principal erro foi ter entrado na vala comum, os crimes eleitorais, né? Não deve ter existido um único partido político no Brasil, nem hoje, que não tenha feito uso de instrumentos de caixa dois. Os petistas não sentem vergonha do mensalão. Os petistas não sentem vergonha da roubalheira que praticaram. Os petistas se consideram políticos comuns, que não mereciam passar pelo que passaram em 2005 quando o mensalão veio à tona. Eles estão pouco se lixando para os discursos éticos e puros de um passado não muito distante. Eles não se importam mais com a musiquinha que embalou protestos. Vai ver nem eles se lembram do que falaram em 1992 quando comandaram as manifestações contra Collor. Eu lembro. Eu lembro dos discursos éticos de Lula, de José Dirceu, de José Genoino. Os petistas mensaleiros sempre diziam que nunca fariam o que estava sendo feito porque eles eram diferentes. Agora que seus crimes se tornaram públicos eles falam que são iguais a todo mundo. Até quando nós vamos continuar acreditando neste discurso mole? Até quando vamos dar mais uma chance para Lula, José Dirceu, José Genoino, Silvio Pereira, Delúbio Soares? Já que eles são iguais a todos os políticos, vamos tratar na mesma intensidade que tratamos Collor em 1992, Maluf quando o escândalo dos precatórios veio à tona e Barbalho quando o roubo da Sudam foi descoberto. Vamos atirar ovos e tomates na cabeça deles. Se eles são iguais a todos os políticos ladrões vamos fazer isso com toda a força.

"Havia uma cruz no meio do caminho" por Roberto Pompeu de Toledo

Ao apresentar-se no programa Roda Viva, da TV Cultura, em maio de 2004, o então procurador-geral da República, Claudio Fonteles, vestia um paletó de couro e exibia uma cruz no peito. "Exibia" é bem a palavra. Não era um objeto pequeno e discreto como uma medalhinha. Era uma cruz maior, impossível de não ser notada, sustentada por um cordão que lhe pendia do pescoço e reinando absoluta, sem a concorrência de gravata, sobre a camisa branca. O procurador-geral Fonteles é o mesmo que, um ano depois, argüiria junto ao Supremo Tribunal Federal a inconstitucionalidade do artigo 5º da chamada Lei de Biossegurança, proposta pelo Executivo e aprovada pelo Congresso. O artigo em questão permitia, "para fins de pesquisa e terapia", a utilização de células-tronco obtidas "de embriões humanos produzidos por fertilização in vitro e não utilizados". Fonteles alega que suas razões não têm a ver com religião, e sim com o direito à vida, protegido pela Constituição. Não poderia ser diferente. Nem ao procurador-geral nem ao Supremo cabe imiscuir-se em assuntos religiosos. Mas aquela cruz, hummmm, aquela cruz…
Na quarta-feira passada, o Supremo iniciou o julgamento da questão. Fonteles estava na platéia, agora como ex-procurador-geral. Ele é um católico fervoroso. A cruz que exibia no Roda Viva era uma cruz tau, a que tem forma de T (tau é a letra grega que corresponde ao T) e é de particular devoção dos franciscanos. A nenhuma pessoa, nem mesmo a um funcionário do estado, que é laico, é proibido ser religioso. Também não é proibido ostentar sua religiosidade. Mesmo assim, soa estranho que o procurador-geral, ou seja, o chefe do Ministério Público, portanto o representante supremo de um quase quarto poder da República, se apresente num programa de televisão com o símbolo ostensivo de sua fé exposto no peito. A cruz de Fonteles soava mais fora de lugar do que o xador na cabeça das meninas árabes quando vão à escola, causa de tanta celeuma na Europa. As meninas são simples estudantes. Já o procurador-geral da República é um dos mais decisivos agentes do estado.
Se existe um crucifixo pendurado atrás da mesa da presidência do Supremo, alguém argumentaria, que mal há em o procurador-geral ostentar uma cruz no peito? Há crucifixos também nos plenários da Câmara e do Senado. E há datas religiosas transformadas em feriados por determinação do estado. O.k., são sinais de pendências ainda não resolvidas na separação entre estado e Igreja. Mas os feriados, ainda que tendenciosamente favoreçam apenas a uma religião – a católica –, podem ser explicados por uma tradição que se perde no tempo. Hoje figuram no calendário com tanta naturalidade quanto as estações do ano. Os crucifixos no Supremo e no Congresso, embora também fora de lugar, pelo menos estão ali quietos, imóveis, e até podem passar por simples objetos de decoração. Já a cruz no peito do procurador-geral da República é um símbolo pulsante, vivo e eloqüente.
A ação de Fonteles contra as pesquisas com embriões é das raras que merecem de pleno direito, sem concessão à retórica, o qualificativo de obscurantistas. É contra o progresso, contra a ciência, contra a expectativa de cura para dezenas de doenças hoje incuráveis e a favor de algo tão absurdo quanto inexeqüível: acreditar que o embrião congelado num vidrinho, descartado como inviável ou abandonado pelo casal que o produziu, deve ter seu direito à vida garantido pelo estado. Como fazê-lo?, perguntou, no julgamento da semana passada, o advogado-geral da União, José Antonio Toffoli. Obrigando a mulher que doou o óvulo a acolhê-lo no útero e gestá-lo? As clínicas de reprodução assistida têm estocadas centenas de embriões. Muitos pertencem ao mesmo casal, pois a regra é colher vários exemplares para escolher o melhor. Nesse caso, para garantir a vida de seus múltiplos embriões, só submetendo a mãe a tão sucessivas gestações que acabariam por condená-la a um permanente estado de gravidez.
O julgamento no Supremo foi suspenso por um pedido de vistas do ministro Carlos Alberto Direito. O assunto, segundo ele, é complexo e exige reflexão mais profunda. Direito é membro da União dos Juristas Católicos. Hummmm… O relator, Carlos Ayres Britto, havia votado a favor da lei. A ministra Ellen Gracie, presidente do Supremo, secundou-o com a elegância e a correção de costume. Primeiro, adiantou seu voto, garantindo um placar provisório de 2 a 0 contra o obscurantismo. Depois, cobrou do ministro Direito uma rápida devolução do processo ao julgamento. "Essa ação entrou no Supremo em 30 de maio de 2005", argumentou. "Já são passados três anos." Quando Direito se defendeu com a alegação de que o processo não suspendia a vigência da lei, Ellen Gracie contra-atacou: "Se as pesquisas não foram paralisadas, pelo menos sofreram sensível desestímulo". Está na moda falar de comportamento "republicano". Ellen Gracie encarnava naquele momento os valores da República contra os dogmas da sacristia.

"Havia uma cruz no meio do caminho" por Roberto Pompeu de Toledo

Ao apresentar-se no programa Roda Viva, da TV Cultura, em maio de 2004, o então procurador-geral da República, Claudio Fonteles, vestia um paletó de couro e exibia uma cruz no peito. "Exibia" é bem a palavra. Não era um objeto pequeno e discreto como uma medalhinha. Era uma cruz maior, impossível de não ser notada, sustentada por um cordão que lhe pendia do pescoço e reinando absoluta, sem a concorrência de gravata, sobre a camisa branca. O procurador-geral Fonteles é o mesmo que, um ano depois, argüiria junto ao Supremo Tribunal Federal a inconstitucionalidade do artigo 5º da chamada Lei de Biossegurança, proposta pelo Executivo e aprovada pelo Congresso. O artigo em questão permitia, "para fins de pesquisa e terapia", a utilização de células-tronco obtidas "de embriões humanos produzidos por fertilização in vitro e não utilizados". Fonteles alega que suas razões não têm a ver com religião, e sim com o direito à vida, protegido pela Constituição. Não poderia ser diferente. Nem ao procurador-geral nem ao Supremo cabe imiscuir-se em assuntos religiosos. Mas aquela cruz, hummmm, aquela cruz…
Na quarta-feira passada, o Supremo iniciou o julgamento da questão. Fonteles estava na platéia, agora como ex-procurador-geral. Ele é um católico fervoroso. A cruz que exibia no Roda Viva era uma cruz tau, a que tem forma de T (tau é a letra grega que corresponde ao T) e é de particular devoção dos franciscanos. A nenhuma pessoa, nem mesmo a um funcionário do estado, que é laico, é proibido ser religioso. Também não é proibido ostentar sua religiosidade. Mesmo assim, soa estranho que o procurador-geral, ou seja, o chefe do Ministério Público, portanto o representante supremo de um quase quarto poder da República, se apresente num programa de televisão com o símbolo ostensivo de sua fé exposto no peito. A cruz de Fonteles soava mais fora de lugar do que o xador na cabeça das meninas árabes quando vão à escola, causa de tanta celeuma na Europa. As meninas são simples estudantes. Já o procurador-geral da República é um dos mais decisivos agentes do estado.
Se existe um crucifixo pendurado atrás da mesa da presidência do Supremo, alguém argumentaria, que mal há em o procurador-geral ostentar uma cruz no peito? Há crucifixos também nos plenários da Câmara e do Senado. E há datas religiosas transformadas em feriados por determinação do estado. O.k., são sinais de pendências ainda não resolvidas na separação entre estado e Igreja. Mas os feriados, ainda que tendenciosamente favoreçam apenas a uma religião – a católica –, podem ser explicados por uma tradição que se perde no tempo. Hoje figuram no calendário com tanta naturalidade quanto as estações do ano. Os crucifixos no Supremo e no Congresso, embora também fora de lugar, pelo menos estão ali quietos, imóveis, e até podem passar por simples objetos de decoração. Já a cruz no peito do procurador-geral da República é um símbolo pulsante, vivo e eloqüente.
A ação de Fonteles contra as pesquisas com embriões é das raras que merecem de pleno direito, sem concessão à retórica, o qualificativo de obscurantistas. É contra o progresso, contra a ciência, contra a expectativa de cura para dezenas de doenças hoje incuráveis e a favor de algo tão absurdo quanto inexeqüível: acreditar que o embrião congelado num vidrinho, descartado como inviável ou abandonado pelo casal que o produziu, deve ter seu direito à vida garantido pelo estado. Como fazê-lo?, perguntou, no julgamento da semana passada, o advogado-geral da União, José Antonio Toffoli. Obrigando a mulher que doou o óvulo a acolhê-lo no útero e gestá-lo? As clínicas de reprodução assistida têm estocadas centenas de embriões. Muitos pertencem ao mesmo casal, pois a regra é colher vários exemplares para escolher o melhor. Nesse caso, para garantir a vida de seus múltiplos embriões, só submetendo a mãe a tão sucessivas gestações que acabariam por condená-la a um permanente estado de gravidez.
O julgamento no Supremo foi suspenso por um pedido de vistas do ministro Carlos Alberto Direito. O assunto, segundo ele, é complexo e exige reflexão mais profunda. Direito é membro da União dos Juristas Católicos. Hummmm… O relator, Carlos Ayres Britto, havia votado a favor da lei. A ministra Ellen Gracie, presidente do Supremo, secundou-o com a elegância e a correção de costume. Primeiro, adiantou seu voto, garantindo um placar provisório de 2 a 0 contra o obscurantismo. Depois, cobrou do ministro Direito uma rápida devolução do processo ao julgamento. "Essa ação entrou no Supremo em 30 de maio de 2005", argumentou. "Já são passados três anos." Quando Direito se defendeu com a alegação de que o processo não suspendia a vigência da lei, Ellen Gracie contra-atacou: "Se as pesquisas não foram paralisadas, pelo menos sofreram sensível desestímulo". Está na moda falar de comportamento "republicano". Ellen Gracie encarnava naquele momento os valores da República contra os dogmas da sacristia.

"Imbecilidades imobiliárias" por Diogo Mainardi

Lula e Barack Obama têm um ponto em comum. Apenas um: o jeito para os negócios imobiliários.
Na última segunda-feira, começou em Chicago o julgamento do empresário Antoin Rezko. Ele é acusado de corromper funcionários de um fundo estatal. Antoin Rezko ajudou a financiar a carreira política de Obama. Pior: ajudou-o a comprar sua casa, arrematando o terreno adjacente e repassando-o em seguida, a um precinho camarada, ao próprio Obama.
Cobrado pela imprensa, Obama declarou que, ao aceitar a ajuda de Antoin Rezko, cometeu uma "imbecilidade".
O caso de Lula é mais antigo e mais conhecido. A sua imbecilidade foi ter morado por nove anos numa casa de propriedade do advogado Roberto Teixeira, sem pagar aluguel. O assunto surgiu quando um antigo dirigente do PT acusou algumas prefeituras petistas de favorecer uma empresa ligada a um familiar de Roberto Teixeira.
O PT abriu um inquérito para apurar a denúncia. Interrogado pela Comissão de Ética do partido, Lula contou que, depois da campanha eleitoral de 1989, chamou Roberto Teixeira e lhe comunicou o seguinte: "Roberto, você não precisa dessa casa, não precisa, tem muitos imóveis aqui, eu vou ficar nessa casa". E, de fato, ficou. Nove anos. Sem pagar aluguel.
Como se trata de Lula – e a gente sabe como ele é –, um bom negócio acabou emendando em outro bom negócio. Quando ele saiu da casa de Roberto Teixeira, comprou um apartamento de cobertura. Quem lhe ofereceu a oportunidade? Sim: Roberto Teixeira. Lula deu alguns detalhes sobre o negócio aos comissários do PT: "Eu falei: ‘Roberto, eu não tenho dinheiro. Estou pedindo para o Paulo Okamotto vender meu carro e estou querendo vender um terreno’. Roberto falou: ‘Eu compro o teu carro’. Aí eu vendi o terreno por 72 paus e comprei o apartamento".
Isso tudo é velharia. É velharia o fato de que o carro de Lula foi vendido por um valor acima do de mercado. É velharia o fato de que ninguém registrou em cartório a venda de seu terreno por 72 paus. Os protagonistas dos dois negócios imobiliários prosperaram. Lula se tornou presidente da República. E Roberto Teixeira se tornou um advogado com acesso ao presidente da República.
Lula se desmoralizou nos últimos anos. O que lhe resta agora é tentar pegar uma carona com Barack Obama. O DIP lulista já fez a patetice de associar um ao outro. Mas Lula é pior do que Obama. Pior em tudo. E o Brasil é pior do que os Estados Unidos. Pior em tudo. O relacionamento de Obama com seu financiador está sendo escarafunchado pela imprensa e pela promotoria pública dos Estados Unidos. Obama sentiu o efeito disso na semana que passou, com os primeiros sinais de esvaziamento de sua candidatura a presidente. É o que mais diferencia os dois países: no Brasil, a imbecilidade compensa.

À TV, Silvio Pereira diz que sonhava com jipão

Na Folha de São Paulo

O ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira falou ontem sobre o Land Rover que recebeu de presente, em novembro de 2004, da empresa GDK. Segundo reportagem do "Jornal Nacional", Silvio disse a um diretor da empresa que tinha um sonho de ter um "jipão, um jipe importado".Ontem, Silvio Pereira, réu no mensalão, foi à Subprefeitura do Butantã, em São Paulo, para acertar quais serviços comunitários terá de prestar para cumprir o acordo que fez com a Justiça Federal no final de janeiro deste ano. Em troca da suspensão do processo penal por três anos, ele terá de cumprir condicionantes nesse período, como a prestação de 750 horas de serviços comunitários. O processo poderá ser retomado, caso Silvinho não cumpra alguma das cláusulas do acordo.Segundo a reportagem do "Jornal Nacional", foram dois os serviços propostos a Silvio. De segunda a quarta, ele trabalharia no atendimento ao público na recepção do prédio da subprefeitura. Nas quintas e sextas, andaria pelo bairro para identificar os problemas que a população enfrenta.Porém, só na próxima semana será definido o que ele irá fazer, já que ontem Silvio propôs algo diferente. "Minha idéia é fazer uma cozinha simples para poder ensinar às crianças, às mães das crianças carentes. E [fazer] a horta comunitária para crianças", afirmou.Sobre o carro recebido, Silvio disse que foi apresentado a um diretor da GDK, empresa que tinha contrato com a Petrobras. Em uma das conversas, regadas a uísque, segundo a reportagem, o ex-petista disse que sonhava em ter um "jipão, um jipe importado".O diretor da GDK, segundo Silvio, disse que a empresa tinha vários carros daquele tipo. No encontro seguinte, o diretor apareceu com o carro, disse Silvio. "O carro para mim foi um grande erro. Já paguei por ele, paguei caro demais", afirmou.Pressionado à época do escândalo do mensalão, ele acabou devolvendo o carro em 2005 e pediu desfiliação do PT. Silvio é acusado de ser o responsável pela distribuição de cargos do segundo escalão no governo Lula. Sobre o mensalão, ele repetiu ontem o que disse à imprensa no dia em assinou o acordo com a Justiça."Acho que tem uma responsabilidade minha sim. Fiz parte da direção [do PT] e essa direção cometeu alguns erros políticos, e eu, como membro da direção, também sou responsável por esses erros políticos. Acho que a decisão está na medida justa", afirmou ontem.O ex-dirigente disse, no entanto, que os erros se referiam a caixa dois. "O principal erro foi ter entrado na vala comum, os crimes eleitorais, né? Não deve ter existido um único partido político no Brasil, nem hoje, que não tenha feito uso de instrumentos de caixa dois."

Paulinho exigiu que prefeitura cedesse centros, diz pedetista

Por Cátia Seabra
na Folha de São Paulo

O ex-secretário municipal do Trabalho Geraldo Vinholi disse que a cúpula do PDT o obrigou a deixar ontem a Prefeitura de São Paulo por não ter autorizado o atendimento de uma reivindicação do deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho (PDT): a transferência da administração de dois centros de Apoio ao Trabalho para uma filiada da Força Sindical.A medida garantiria o repasse de R$ 13,5 do milhões do FAT à CNTM (Confederação Nacional de Trabalhadores Metalúrgicos). Paulinho é presidente da Força Sindical.Segundo Vinholi, ao longo da discussão, o ministro do Trabalho e então presidente do PDT, Carlos Lupi, "disse que gostaria que [a reivindicação] fosse atendida". Vinholi alegou que não teria autonomia para transferir o controle dos centros do Estado à CNTM.Em novembro, porém, o Codefat (Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador) assinou resolução permitindo a celebração direta de convênios com entidades sem fins lucrativos, como a CNTM. Até então, não era possível.Em 11 de fevereiro, a Folha noticiou a decisão do Ministério do Trabalho de celebrar os convênios com a CNTM, que faria parte da recolocação dos trabalhadores no mesmo prédio da Força Sindical. Segundo Vinholi, a exigência de Paulinho foi pauta de uma conversa com Lupi e de uma reunião com representantes do Ministério do Trabalho, no mês de novembro, em Brasília.A conversa com Lupi, diz, aconteceu durante uma visita do ministro a São Paulo. "Naquele momento, a reivindicação do Paulinho era muito incisiva. Eu colocava que não tinha condições de atender, e o Lupi, como presidente do partido, até querendo uma paz interna em São Paulo, ele não pressionou, mas perguntou por que não dava, disse que gostaria que fosse atendido", contou Vinholi. Segundo ele, "o ministrou pediu que o atendesse".Em novembro, diz, Vinholi se reuniu com representantes do Ministério do Trabalho em Brasília. Entre os presentes, lista Ezequiel Sousa do Nascimento, assessor do ministro, Paulinho, e Luiz Fernando Emediato, presidente do Codefat e assessor de Paulinho. Vinholi diz ter levado com ele a procuradora do município para reiterar a impossibilidade da transferência. Dias depois, afirma, o Codefat autorizou, graças a uma resolução, os convênios com as entidades.Em fevereiro, após a Folha revelar que a transferência elevaria em 97% os gastos, a prefeitura -responsável pelos centros- rejeitou a assinatura do convênio com a CNTM. No mês passado, a Executiva Nacional do partido determinou a saída de pedetistas de cargos públicos em cidades onde tiver candidato à prefeitura. Paulinho é pré-candidato. Segundo Vinholi, Paulinho teria admitido que fez essa reivindicação durante reunião do partido em São Paulo. Paulinho nega.

Mãe Dilma, blá-blá-blá do PAC e uma conversa reservada com José Rainha

Por Wilson Tosta, Alexandre Rodrigues, Márcia Vieira, Clarissa Thomé e Tânia Monteiro
no Estado de São Paulo

Diante de milhares de moradores das favelas do Complexo do Alemão, de Manguinhos e da Rocinha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva consagrou a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff - possível candidata à Presidência em 2010 -, como “mãe” e “chefe” do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Mesmo negando caráter eleitoral às obras de urbanização lançadas oficialmente ontem nas comunidades, Lula destacou, nos três eventos, o papel que Dilma terá na sua condução, fiscalização e sucesso, chamando-a para a frente do palco e praticamente apresentando-a ao povo. Embora sorridente, a ministra, uma técnica que nunca exerceu mandato eletivo, pareceu um pouco constrangida. Mais tarde, em entrevista, abraçou moradores e tirou fotos, mas se esquivou de responder se se considerava candidata. “Me considero coordenadora do PAC”, desconversou.Nos três discursos que fez ao longo do dia, Lula fez questão de colocar a ministra na vitrine. “A Dilma é uma espécie de mãe do PAC, é ela que cuida, é ela que acompanha, é ela que vai cobrar junto com o (ministro das Cidades) Márcio Fortes se as obras estão andando ou não estão andando”, disse o presidente em comício para cerca de 5 mil pessoas na localidade da Pedra do Sapo, no Complexo do Alemão.
TESTE
A exposição de Dilma faz parte da estratégia de Lula para definir quem será o candidato à sua sucessão em 2010. O presidente só pretende ungir um herdeiro a partir do ano que vem. Antes, quer pôr à prova pelo menos seis nomes. Além de Dilma, deverão ser testados os ministros petistas Tarso Genro (Justiça), Marta Suplicy (Turismo) e Patrus Ananias (Desenvolvimento Social), além do peemedebista Nelson Jobim (Justiça) e do deputado Ciro Gomes (PSB). O teste inclui viagens do postulante pelo País ao lado de Lula e o exame de como cada um se comporta na defesa do governo.Foi o que fez Dilma ontem. Em entrevista, ela disse que o presidente a chamou de “mãe do PAC” para facilitar o reconhecimento pela população de quem coordena o PAC. “Até porque, quando fazemos prestação de contas, para o bem ou para o mal, existe uma pessoa para quem deve apresentar, reclamar”, afirmou. A ministra também considerou a declaração do presidente uma forma de rebater afirmações de
que o PAC seria “um programa eleitoreiro”, ou “uma obra de pirotecnia”. De acordo com a ministra, o PAC “não é uma obra de marketing” e “quem diz isso é mal-intencionado”.Na Rocinha, Dilma pediu pressa do Congresso na aprovação do Orçamento da União e ameaçou com a edição de medidas provisórias para suprir sua falta. “Se ele não for aprovado, acabaremos em MPs, poderemos mandar medidas provisórias”, avisou a ministra, repetindo o gesto de seu colega do Planejamento, Paulo Bernardo. Segundo ela, a semana que vem é o limite. “Não é possível que obras da importância dessa, como a Rocinha, o Complexo de Manguinhos e todas as outras que vocês não estão vendo aqui, mas nós sabemos que estão ocorrendo, sejam paralisadas porque o Orçamento não é aprovado.”
VIOLÊNCIA
Ao discursar no palanque montado no meio da Avenida Leopoldo Bulhões, em Manguinhos, via que ganhou o apelido de Faixa de Gaza por causa dos constantes tiroteios, o presidente tentou tranqüilizar os moradores, que vestiam camisetas pedindo “PAC com paz”. O tema também estava em faixas espalhadas nas três comunidades que receberão as obras, onde moradores temem que as melhorias cheguem acompanhadas de ações policiais contra o tráfico de drogas que os deixem no meio do fogo cruzado. Lula garantiu que o PAC não levará guerra às favelas.“É preciso uma intervenção muito pesada do governo, mas não uma intervenção com polícia, para fazer guerra além das guerras que as pessoas já têm”, discursou o presidente. Na platéia, alguns gritaram “fora caveirão!”, numa referência ao blindado da Polícia Militar do Rio que é objeto de pânico dos moradores em favelas. A queixa também levou muitos a vaiar o governador Sérgio Cabral (PMDB).O presidente defendeu o investimento social como forma de combater o crime e criticou a atuação da polícia. Ele lembrou que o ministro Tarso Genro assina hoje convênio com o governo do Rio para treinar policiais fluminenses com o pagamento de bolsas de estudo.“Assim, quando eles vierem para cá e virem vocês na rua, não verão em primeiro lugar um bandido, mas um carioca, um brasileiro, um homem ou uma mulher que quer viver, trabalhar, estudar, educar seus filhos, ter acesso a lazer e viver dignamente”, afirmou. “É preciso acabar com essa história de vender a imagem de que tudo é bandido, de que tudo não presta. Num pé de laranja, quanto tem uma podre, a gente não corta o pé. A gente arranca a podre.”Na Rocinha, Lula recebeu uma visita inusitada. O líder do Movimento dos Sem-Terra no Pontal do Paranapanema José Rainha Júnior e sua mulher, Deolinda, o procuraram. O presidente convidou Rainha para uma conversa na área reservada para a comitiva.

sexta-feira, 7 de março de 2008

Documentação completa do Foro de São Paulo

Ao lado coloquei a documentação completa do Foro de São Paulo. Veremos que o Apedeuta Bananeiro, o Bufão de Caracas, o Menino Maluquinho Equatoriano, o Índio Boliviano e as Farc estão no mesmo time.

Blindando Lula

Lula será blindado mais uma vez. O senador tucano Arthur Virgílio disse que desistiu do pedido de acesso aos dados sigilosos sobre os gastos do gabinete da Presidência da República com cartões corporativos. A oposição, mais uma vez, vai poupar Lula. Nunca vi uma oposição poupar um presidente como esta.

Eles borram nas calças

Vi agora pouco no Jornal da Band a discussão acalorada entre o presidente colombiano Álvaro Uribe e o Menino Maluquinho Equatoriano. Uribe tratou de acabar com o circo que o Menino Maluquinho Equatoriano estava armando. Claro, seguindo o exemplo do Bufão de Caracas. Uribe não titubeou e respondeu com classe as provocações: Não use comigo o cinismo que têm os nostálgicos do comunismo; não use comigo o cinismo com que enganam seus povos. É isso aí. Uribe segue o exemplo do Rei da Espanha. Manda os comunistas-lulistas-bolivarianos participantes do Foro de São Paulo calar a boca. Quando alguém fala mais alto com estes pseudo-revolucionários eles borram nas calças.
O fim da crise diplomática entre a Colômbia e o Equador não pode acabar com a caça aos narcoterroristas das Farc. Temos que continuar denunciando essa gente. Temos que continuar lutando contra a maré vermelha e mostrar que o Apedeuta Bananeiro, o Bufão de Caracas, o Menino Maluquinho Equatoriano e as Farc fazem parte do Foro de São Paulo. Não podemos parar de amolar essa gente. Quanto mais nós amolá-los, mais suas calças ficarão borradas.

Precisa de tanta segurança?

Eu pensei que Lula fosse o presidente dos pobres, o cara que mais fez pelos pobres desde a chegada de Pedro Álvares Cabral. Ora, se Lula é tão popular assim, se ele é tão povo assim por que tanta segurança nas favelas que ele vai subir no Rio de Janeiro? Para que um presidente que se diz do povo tem medo do povo?

Sob proteção, Lula leva PAC a favelas

Por Alexandre Rodrigues
no Estado de São Paulo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarca hoje no Rio para uma maratona de visitas a três favelas, que receberão cerca de R$ 1 bilhão do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para projetos de reurbanização. Protegidos por um fortíssimo esquema de segurança, que incluiu dois meses de infiltração da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) nos morros cariocas, o presidente e a ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, subirão em palanques montados em comunidades dominadas pelo tráfico de drogas ao lado do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB).Juntos, os complexos de favelas do Alemão, de Manguinhos e da Rocinha abrigam 365 mil pessoas em condições precárias de saneamento e acessibilidade, sem serviços públicos básicos. Com o PAC, os complexos receberão, respectivamente, R$ 493 milhões, R$ 232 milhões e R$ 175 milhões. Outros R$ 100 milhões serão aplicados em comunidades vizinhas.Estão previstas obras como o calçamento de ruas e ladeiras e a construção de escolas, postos médicos, redes de esgoto e casas populares, entre outras. Assessores dizem que o presidente pretende, com os investimentos, reforçar a imagem do PAC nas camadas mais pobres da sociedade. “O Rio será outro depois dessas obras”, diz o vice-governador e secretário de Obras do Rio, Luiz Fernando Pezão.Estão previstas obras ousadas, como um teleférico com 3 quilômetros que ligará o alto do Alemão à estação de trem de Bonsucesso, na zona norte. Em Manguinhos, haverá elevação da linha férrea por dois quilômetros - para livrar a comunidade da divisão imposta pelos muros que protegem os trilhos. Na Rocinha, a obra mais visível deverá ser uma das primeiras a sair do papel. Trata-se de uma passarela cujo projeto foi doado pelo arquiteto Oscar Niemeyer.
VISIBILIDADE
O PAC das Favelas, que também levará obras ao Morro do Preventório, em Niterói, e ao Complexo do Cantagalo, Pavão e Pavãozinho, na zona sul do Rio, é considerado o principal projeto de Cabral. Planos de estender as melhorias aos complexos do Jacarezinho e da Penha estão em estudo. As obras terminam em 2010 - quando Cabral poderá disputar a reeleição.O empreendimento também poderá ajudar o candidato apoiado por Lula a ganhar votos. Em novembro de 2007, o presidente fez questão de acionar o primeiro bate-estacas das obras no Cantagalo, na primeira incursão de uma comitiva presidencial em uma favela de encosta carioca. Aplaudido, abraçou populares e prometeu que os moradores terão orgulho do lugar onde vivemApesar do tráfico, que se retraiu, não houve incidentes em relação à segurança. Desta vez, o presidente deverá levar Dilma, gestora do PAC. Poderá ser um teste para a ministra, objeto de especulações eleitorais, num palanque de verdade.
ANSIEDADE
Nas três favelas que receberão Lula, o clima é de ansiedade e apreensão. A maioria dos moradores quer vê-lo de perto, mas se preocupa com a perspectiva de que as obras venham acompanhadas de operações policiais como as que já causaram mais de 50 mortes só no Alemão desde o ano passado. Considerado pela polícia como o quartel-general do Comando Vermelho no Rio, o local é dominado por uma das quadrilhas mais bem armadas da zona norte.Integram a mesma facção os bandidos de Manguinhos, também na zona norte, uma das favelas mais isoladas da cidade, com baixíssimos índices sociais. Apenas dois postos de saúde e quatro escolas atendem 65 mil pessoas. Na zona sul, a Rocinha é dominada pela facção Amigos dos Amigos (ADA), considerada menos beligerante.Segundo o subsecretário estadual de Projetos de Urbanismo, Vicente Loureiro, as obras despejarão na economia das favelas R$ 10 milhões por mês durante três anos - 30% para salários. O número de empregos diretos e indiretos pode chegar a 10 mil. Mesmo assim, a apresentação das animações e maquetes não conquistou a confiança dos moradores. Muitos cobram informações sobre as remoções.

Organização desvia dinheiro de convênio com Incra, diz MPF

Na Folha de São Paulo

O Ministério Público Federal em Goiás diz que uma ONG que firmou um convênio de R$ 7 milhões com o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) desvia o dinheiro recebido do governo federal para a Fetraf (Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar).O MPF entrou com ação civil pública nesta semana contra o Ifas (Instituto de Formação e Assessoria Sindical da Agricultura Familiar Sebastião Rosa da Paz).A Procuradoria define a ONG como "fachada de um esquema". O delegado do Ministério do Desenvolvimento Agrário em Goiás foi um dos fundadores da ONG.Há um mês, o MPF conseguiu na Justiça a suspensão do convênio, o que provocou o bloqueio de um repasse de mais de R$ 1,7 milhão. A ONG iria capacitar mais de 9.000 assentados no país.O Ifas nega as acusações, mas diz que ainda não conhece os termos da ação. Após a suspensão do convênio, o Incra diz que o repasse é regular. A reportagem não conseguiu localizar a Fetraf para comentar o caso.

Judiciário critica ameaça de central a jornais

Na Folha de São Paulo

A intenção anunciada pelo presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), de processar a Folha e "O Globo" em vários municípios do país contra reportagens sobre recursos que a central recebeu do Ministério do Trabalho, provocou reações de membros do Judiciário e do Legislativo.A estratégia da Força é semelhante à adotada por fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus, que ingressaram em diversas cidades com ações contra a Folha.Apesar de evitarem declarações explícitas sobre as ameaças, ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) demostraram preocupação com o uso indiscriminado de processos que possam eventualmente representar "atos atentatórios" e que "transgridam os aspectos éticos" do sistema jurídico.O ministro Carlos Ayres Britto disse que o "ingresso de ações com o mesmo teor em comarcas diferentes pode significar um modo de aparelhar a Justiça para servir a propósitos menores". Ele concedeu liminar à ação do PDT que questionou a Lei de Imprensa. Na ocasião, disse que a imprensa é "irmã siamesa" da democracia e que ela não pode ser "cerceada ou embaraçada". Seguindo voto do ministro, o STF suspendeu 20 dos 77 artigos da lei.O ministro Celso de Mello lembrou que a Constituição assegura ações por eventuais abusos da imprensa, mas o sistema jurídico "não tolera o abuso do direito de demanda"."Se há razão jurídica, a medida tem amparo. Mas é preciso analisar caso a caso. Todo processo tem que se basear não só em aspectos legais, mas também nos aspectos éticos, que não pode ser transgredido." Mello alertou que o STF pode multar o requerente da ação se se verificar litigância de má-fé, uso indevido do Judiciário.Ministro do Trabalho e ainda presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, em nota, afirmou que "cada cidadão tem o direito de agir da forma que lhe for conveniente". Disse ainda que Paulinho recorrerá à Justiça comum, sem se basear na Lei de Imprensa -Lupi subscreveu a ação contra a lei.
"Moda"
O presidente do Conselho Federal da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Cezar Britto, disse ser "lamentável" o uso da Justiça para tentar coibir a liberdade de imprensa. "Isso não pode virar moda. O Judiciário não pode ser usado como instrumento de perseguição política ou de capricho de quem quer que seja."Para Mozart Valadares, presidente da AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros), pessoas que se sintam agredidas têm o direito de ir à Justiça. "Mas o Judiciário não pode servir como instrumento de intimidar uma pessoa ou um órgão", disse.O senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), bispo licenciado da Igreja Universal, defendeu a iniciativa. "Não se trata de coibir, de amarrar, de amordaçar a imprensa. [Recorrer à Justiça] é o direito que os brasileiros que se sentem ofendidos têm. Nesse caso, é uma força sindical, como há pouco tratava-se de uma igreja com representação no Brasil inteiro, de abrirem 1.000, 2.000 representações", discursou.No Congresso, alguns parlamentares se furtaram a comentar as ameaças da Força Sindical, como fez o líder do governo na Câmara, o petista Henrique Fontana (RS). O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) sinalizou que a AMB deve orientar juízes a indeferir esse tipo de ação pulverizada.

quinta-feira, 6 de março de 2008

Que reforma?

Eu nunca botei fé na reforma administrativa do governador de Goiás Alcides Rodrigues, o popular Cidinho. Hoje, os jornais goianos mostram que 60% da reforma está pronta. Mas que reforma? Cadê? O estado continua parado. Não há nada de novo. É só mais uma conversa para boi dormir.

A literatura agradece

José Sarney não vai mais para a área literária. A literatura agradece. É que ele conseguiu colocar um afilhado seu na presidência da Eletrobrás. Ontem eu falei aqui sobre a importância de fiscalizar esses afilhados políticos. Saber se eles não estão pegando dinheiro público e colocando no bolso ou entregando para o partido. O mensalão começou assim. Mas, neste desgoverno, fiscalização não tem importância. Os lulistas bolivarianos enfiam a mão nos cofres públicos sem dó nem piedade. Nesta história toda só tem uma coisa boa: a literatura ficará livre da presença de José Sarney.

Uma pergunta

Até quando a nossa imprensa vai continuar omitindo o Foro de São Paulo?

quarta-feira, 5 de março de 2008

Sites interessantes sobre o Foro de São Paulo

Ao lado tem sites interessantes que abordam o Foro de São Paulo. Clique no link para o site do Olavo de Carvalho e os blogs “Nota Latina” e o do Reinaldo Azevedo.

Vamos levar Lula à Justiça

O Foro de São Paulo não é mais uma invenção da direita. É uma realidade. Olhe esta confusão entre Venezuela, Equador e Colômbia. O Bufão de Caracas saiu da sua toca para infernizar a vida do presidente colombiano Álvaro Uribe por conta do assassinato de Raúl Reys, líder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia. Pode ter certeza que você não verá o Bufão de Caracas gastar a mesma energia lutando contra os terroristas das Farc e buscando libertar os reféns. O Molequinho Equatoriano segue os passos do Bufão de Caracas. Ele foi flagrado negociando com os terroristas.
Está mais do que na hora da gente cobrar de Lula explicações. Ele é o fundador do Foro de São Paulo. Ele é o grande organizador desta balburdia que toma conta da América Latina. Não é uma invenção da direita. O Foro de São Paulo existe. O Foro de São Paulo agrega as esquerdas, as Farc, o Bufão de Caracas, o Molequinho Equatoriano, o Índio Bolivariano e, é claro, seu fundador, o Apedeuta da Banânia. Vamos levar Lula à Justiça. Ele precisa prestar esclarecimentos sobre o Foro de São Paulo. Ele é amigo das Farc, a organização criminosa que manda drogas para o Brasil e que é uma grande aliada do traficante Fernandinho Beira-Mar. Quem mexe com traficante merece a cadeia. Para chegar a este objetivo temos que levar Lula à Justiça. Urgentemente!

O final nós já conhecemos

O PT e o PSDB vão se aliar em Minas Gerais nas próximas eleições. Que interessante. Foi em Minas Gerais que o trabalho de Marcos Valério com políticos começou. Foi em 1998 que o carequinha teve sua primeira participação numa campanha eleitoral mandando dinheiro para o comitê do tucano Eduardo Azeredo. Será que foi em Minas Gerais que o carequinha conheceu o tesoureiro petista Delúbio Soares? O PT e o PSDB usaram dinheiro de Marcos Valério. Os dois partidos se lambuzaram com dinheiro não contabilizado. A união dos dois em Minas Gerais só confirma o final de toda CPI no Brasil: pizza. Isso mesmo! Esta união entrega para cada trouxa brasileiro uma pizza.

Vai ter fiscalização?

O PMDB vai comandar a Eletrobrás. Será que o desgoverno Lula vai fiscalizar as ações dos peemedebistas ou vai deixar que eles também festejem com os petistas o aproveitamento dos cargos ali disponíveis? Do jeito que as coisas andam eu acredito que Lula vai fazer vista grossa. Só vai pedir para os dois partidos não brigarem. Cada um cuida do que é seu e o Brasil... Bem, o Brasil não interessa para essa gente.

PS: Até o Jader Barbalho está aproveitando os cargos no desgoverno Lula.

Zeca do PT é alvo de mais 6 ações por caixa 2

Por João Naves de Oliveira
no Estado de São Paulo

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul impetrou ontem mais seis ações judiciais, em que pede a punição de quase 100 pessoas que estariam envolvidas em caixa 2 supostamente montado pelo PT estadual. O caso está sendo apurado pelo Grupo de Ação Especializada contra o Crime Organizado (Gaeco) desde maio do ano passado e até agora resultou em 12 ações concluídas e entregues ao Judiciário. Em todas elas, figuram como principais réus o ex-governador José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT, e o ex-secretário de Governo Raufi Marques.Os demais acusados são deputados, vereadores, publicitários, proprietários de gráficas, profissionais de comunicação e ex-funcionários que exerciam cargos de confiança no Estado. Eles teriam recebido durante o governo Zeca do PT uma espécie de mensalão, sustentado com desvios do dinheiro destinado à propaganda oficial do governo estadual. Entre as provas colhidas pelo Gaeco e pelo Ministério Público, estão notas fiscais falsificadas e superfaturadas. “Temos uma sala cheia de materiais que podem reforçar as denúncias”, disse o promotor Marcos Antônio Sottoriva, um dos integrantes da força-tarefa que cuida do assunto.O grupo está analisando as denúncias referentes ao último mandato de Zeca do PT, concluído em 2006. Falta ainda analisar a primeira gestão - não há por enquanto um levantamento total dos prejuízos nem prazo para conclusão desse trabalho. O número de novas ações também não é previsível, porque a lista de envolvidos continua crescendo.
RECURSO
As denúncias que o Ministério Público protocolou até agora na Justiça indicam penas que variam entre 2 e 12 anos de prisão para os denunciados, por crime de peculato - ou seja, utilizar órgãos públicos para tirar vantagem em benefício próprio. Zeca do PT seria julgado em novembro do ano passado, mas o Tribunal de Justiça trancou o processo. Os promotores recorreram e acabaram descobrindo que o processo já havia sido julgado a favor do ex-governador.Os desembargadores do TJ alegaram que o julgamento foi publicado no Diário Oficial da Justiça por um erro e desconsideraram a publicação. Na apelação, os promotores entraram com pedido de suspeição, alegando que dois desembargadores que defenderam o trancamento não poderiam atuar na questão. Um deles, João Batista da Costa Marques, é apontado como amigo pessoal de Zeca do PT, e o outro, Claudionor Miguel Abss Duarte, foi governador em 2006, quando Zeca do PT deixou o cargo para trabalhar na campanha eleitoral.A Justiça expediu liminar negando o pedido de suspeição, que seria julgado ontem, mas a desembargadora Marilza Fortes pediu vista e ainda não foi marcada outra data. Zeca do PT e Raufi Marques aguardam decisão judicial e não querem falar sobre as acusações.

PMDB vence Dilma e vai comandar a Eletrobrás

Por Valdo Cruz
na Folha de São Paulo

O PMDB e o ministro Edison Lobão (Minas e Energia) venceram a batalha dentro do governo e, na próxima semana, José Antônio Muniz será oficializado presidente da Eletrobrás. Seu nome foi indicado ontem para compor o Conselho de Administração da estatal, primeira etapa de sua escolha para comandar a empresa.A disputa pela presidência da Eletrobrás se arrastava desde a posse de Lobão, em 21 de janeiro. A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) tentava manter a estatal sob seu controle, vetando nomes indicados pelo PMDB, mas Lula arbitrou a contenda em favor do partido.Os diretores serão nomeados na segunda ou na terça. Miguel Colassuono, ligado ao ex-governador Orestes Quércia, assumirá a diretoria de Administração. Ainda na cota do PMDB será nomeado o diretor financeiro Astrogildo Quental. Valter Cardeal, ligado a Dilma e que comandava a estatal interinamente, ficará na diretoria de Engenharia a convite de Lobão.Muniz era o nome preferido de Lobão, com o apoio dos senadores José Sarney (PMDB-AP) e Garibaldi Alves (PMDB-RN). Dilma defendia Flavio Decat, apoiado pelo governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB).Decat chegou a ser dado como novo presidente da Eletrobrás, mas Lula recuou após um apelo de Lobão. Pesou na decisão do presidente o receio de desagradar o PMDB num momento delicado para o governo no Congresso. Ainda não há definição sobre a Eletronorte. Lívio de Assis, indicado por Jader Barbalho (PMDB-PA), enfrenta problemas de ordem legal.

Ministério do Trabalho lidera convênios irregulares, diz CGU

Por Adriano Ceolin e Ranier Bragon
na Folha de São Paulo

Suspeito de privilegiar ONGs ligadas ao partido que preside, o PDT, o ministro Carlos Lupi (Trabalho) comanda pasta que, proporcionalmente, possui o maior volume de recursos de convênios classificados como "inadimplentes" pelo governo federal, ou seja, com algum tipo de irregularidade na execução.Levantamento feito pela CGU (Controladoria Geral da União) nos convênios entre ministérios e entidades da sociedade civil de 1999 a 2006 mostra que o Ministério do Trabalho tem R$ 31,8 milhões pendentes de regularização por várias razões, como falta de contrapartida financeira, prestação de contas ou execução do serviços por parte da entidade.Isso representa 4,2% do orçamento de investimento e custeio gasto pelo ministério em 2007 -quase o dobro do observado nas pastas da Cultura e Meio Ambiente (2,5% cada um), na segunda posição.O levantamento da CGU tem como data de "corte" o dia 6 de novembro (os valores podem ser outros hoje) e foi feito a pedido da CPI das ONGs. Os convênios com problemas foram feitos sobretudo por três centrais sindicais: Força Sindical, CUT e Associação Nacional dos Sindicatos Social Democratas.A Força é presidida pelo deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP). A CUT teve entre seus presidentes o antecessor de Lupi no ministério, Luiz Marinho. As centrais são apontadas como não tendo efetuado a contrapartida financeira definida nos projetos de qualificação e reinserção do trabalhador no mercado entre 2000 e 2003. Os valores pendentes, disse a CGU, são: R$ 15,5 milhões no caso da Força; R$ 2,4 milhões no da CUT e R$ 12 milhões no da Social Democratas.Auditoria do TCU (Tribunal de Contas da União) em 2003 detectou uma série de irregularidades nos convênios, determinando revisões. Constatou-se, por exemplo, frouxidão na aprovação das contas."As centrais não esclareceram como e por que as executoras foram selecionadas, quem são seus responsáveis, se tinham porte compatível com os repasse, se possuíam instalações etc.", diz acórdão aprovado dia 9 de julho de 2003.Em seguida, a pasta nomeou uma comissão para reexaminar as contas. Em agosto de 2005, chegou às mesmas conclusões do TCU: as centrais deveriam ressarcir os cofres públicos. Em julho de 2006, nova investigação foi aberta e concluída já sob a gestão de Lupi. Dessa vez, isentou a Força e a CUT, argumentando que apenas o Social Democratas deve devolver R$ 6,8 milhões aos cofres públicos.No caso da Força, o ministério aceita o argumento de que ela teria efetuado a contrapartida de R$ 15,5 milhões exigida com base em estimativas do que a central teria gasto com aluguéis e segurança, entre outros. "Após a visita [por amostragem] realizada por essa comissão a alguns sindicatos filiados à Força (...) foi possível constatar que realmente a entidade pode contar com os espaços físicos para a realização dos cursos", diz relatório da pasta.O documento ainda não foi enviado ao TCU, que em 2003 criticou o fato de o ministério ter aprovado as contas das centrais sem base documental.

Hillary vence em Ohio e ganha fôlego; McCain consegue a vaga republicana

Por Sérgio Dávilla
na Folha de São Paulo

Hillary Clinton venceu as prévias eleitorais em Ohio e Rhode Island. Os feitos, principalmente no primeiro Estado, rico em delegados, mantêm a pré-candidata na disputa pela vaga democrata na corrida sucessória norte-americana. Marcam ainda o fim das vitórias consecutivas, 12, que acumulava o seu concorrente. Ontem, o senador Barack Obama levou Vermont. Dos quatro Estados em disputa, o Texas continuava sua apuração até a conclusão desta edição.Do lado republicano, ao vencer em todos os Estados ontem, o senador republicano John McCain encerrou a disputa e se confirmou como o candidato da situação à sucessão de George W. Bush, em novembro.Segundo projeções da emissora CNN, ainda, pesquisas de boca-de-urna davam uma clara liderança de Hillary Clinton entre o eleitorado latino texano. De acordo com o levantamento, 64% dos hispânicos escolheram a senadora, ante 32% que optaram por Obama. É um indicativo importante num Estado em que esses representam 36% da população e 25% dos adultos votantes. Os mesmos levantamentos indicavam uma virada de Hillary entre eleitores que decidiram votar na última hora, uma vantagem de 23 pontos percentuais entre os que resolveram votar nos últimos três dias no Texas.Aos gritos do público de "Yes, we will" (sim, nós vamos), uma referência ao "Yes, we can" (sim, nós podemos) celebrizado por Obama, Hillary fez seu discurso de agradecimento em Columbus, Ohio, no final da noite de ontem. "Todo o mundo aqui em Ohio e nos EUA que já foi excluído mas se recusou a ficar de fora, essa [vitória] é para vocês", começou ela. "Esse país está ressurgindo, assim como essa campanha."
Denúncias no Texas
No final da noite de ontem, no Texas, o comando da campanha de Hillary convocou uma teleconferência para fazer denúncia de irregularidades e intimidação por parte de militantes de Barack Obama em "caucus" (assembléias partidárias) no Estado, talvez num prenúncio de disputas judiciais que ameaçam atrasar a definição do vencedor no Estado.Segundo uma das funcionárias da campanha da ex-primeira-dama, houve casos em que o senador foi declarado vencedor de um distrito eleitoral sem que houvesse uma clara maioria ou em que militantes de Hillary foram proibidos de entrar e votar. Bob Bauer, advogado da campanha de Obama, interrompeu a entrevista para dizer que se tratava de manobra dos concorrentes.Parte da culpa é do complicado processo eleitoral democrata texano, apelidado de "primacaucus" e composto de duas fases iniciais. Na primeira, eleitores democratas, republicanos ou independentes comparecem às urnas e escolhem parte dos delegados que votarão em um dos dois pré-candidatos democratas.Na segunda, os mesmos eleitores podem participar de "caucus" (assembléias eleitorais), que escolhe outra parte dos delegados. Os "caucus" são por definição eventos menos rígidos e controlados, nos quais cálculos são feitos por contagem de cabeças e vencedores, declarados por maioria.