quarta-feira, 5 de março de 2008

Bush apóia Uribe e vê "provocação" de Chávez em conflito

Na Folha de São Paulo

Criticado na América do Sul por ter invadido o território do Equador na operação em que foi morto o número 2 das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), Raúl Reyes, no sábado, o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, recebeu ontem o apoio do seu principal aliado no continente, o americano George W. Bush.No seu primeiro pronunciamento oficial sobre a crise regional desencadeada pela operação, Bush declarou "completo apoio" a Uribe, frente ao que chamou de "manobras provocadoras" do presidente da Venezuela, Hugo Chávez -que no domingo anunciou o envio de tropas para a fronteira com a Colômbia e advertiu Bogotá de que haveria guerra se o mesmo acontecesse em território venezuelano.Bush disse que os Estados Unidos"se opõem a qualquer ato de agressão que possa servir para desestabilizar a região andina". "A mensagem de nosso país ao presidente Uribe e ao povo colombiano é que estamos do lado de nosso aliado democrático", declarou o presidente dos EUA, agradecendo Uribe por "sua forte liderança na luta contra as Farc".Como mostra de apoio à Colômbia, ele pediu ao Congresso para aprovar o Tratado de Livre Comércio (TLC) entre os dois países, assinado em 2006 e nunca ratificado. Segundo Bush, a não aprovação do acordo daria "asas aos demagogos".As declarações do presidente americano foram feitas após uma conversa telefônica com Uribe, no início da tarde.O Congresso dos EUA também se manifestou e exortou a OEA (Organização dos Estados Americanos) a enviar uma delegação à região andina para ajudar na resolução da crise.Mais tarde, o porta-voz do Departamento de Estado, Tom Casey, chamou todos os países a cooperarem com a Colômbia para fazer frente às Farc e pediu que o Equador -que anteontem rompeu relações com Bogotá, depois de rejeitar a versão de Uribe de que a operação foi em defesa a um ataque das Farc, e portanto um ato não-planejado- "trabalhe de forma diplomática com o governo colombiano" para resolver a crise.Apesar de considerar as Farc um grupo terrorista, os EUA tentaram dialogar com a organização em 1988, segundo um documento divulgado ontem na internet pelo instituto independente Nacional Security Archive, da Universidade George Washington. O próprio falecido Raúl Reyes teria se reunido em sigilo com diplomatas americanos na Costa Rica, para buscar "um canal de comunicação" entre os EUA e a guerrilha.Os EUA financiam o Plano Colômbia, de combate ao tráfico e à guerrilha, pelo qual enviaram US$ 4 bilhões ao país nos últimos quatro anos.

terça-feira, 4 de março de 2008

É o outro Marco Aurélio

Temos que questionar na Justiça a atuação do outro Marco Aurélio, o Garcia, o assessor top-top-top de Lula. Ele é secretário do Foro de São Paulo. Marco Aurélio Garcia estava lá na Venezuela ajudando o Bufão de Caracas a fazer acontecer aquela pantomima em janeiro passado quando duas reféns das Farc foram libertadas. Temos que questionar na Justiça o Foro de São Paulo que tem Lula como fundador e Marco Aurélio Garcia como secretário, além do Bufão de Caracas, das Farc e de outros esquerdopatas da América Latina.

A perseguição petista

Os petistas estão preparando duas representações contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello. Tudo por conta das críticas do ministro ao programa eleitoreiro “Territórios da Cidadania”. Os petistas estão emparedando quem critica Lula. Isto é uma ameaça. Eles querem que Lula passem por cima da lei. Ah, mas eles não vão conseguir isso não. A Justiça é muito maior do que estes criminosos.

NO MAS FARC


CHEGA DE FARC!

CHEGA DO FORO DE SÃO PAULO!

Conselho de defesa do Foro de São Paulo

Lula quer criar um conselho de defesa sul-americano. Ah, é? Na verdade é um conselho de defesa do Foro de São Paulo. Será que algum jornalista vai perguntar para Lula sobre tal foro? Ele é o fundador e quer defender seus amiguinhos esquerdistas.

Vamos denunciar o Bufão de Caracas

O presidente colombiano Álvaro Uribe vai denunciar o Bufão de Caracas para o Tribunal Penal Internacional sob a acusação de “patrocínio e financiamento do terrorismo”. Uribe tem peito para enfrentar o Bufão de Caracas. Lula prefere abraçar seus companheiros narcotraficantes das Farc. Lula defende seus amigos do Foro de São Paulo. Temos que denunciar o Bufão de Caracas. Temos que denunciar o Foro de São Paulo. Temos que mostrar que Lula, o Bufão de Caracas, as Farc e vários outros esquerdistas da América Latina. Temos que denunciar estes criminosos.

Tava na cara

É claro que o Brasil não ia ficar de fora. É claro que o Brasil ia ficar do lado dos narcoterroristas. Lula é o fundador do Foro de São Paulo. Raúl Reys, um dos líderes das Farc assassinado pelo exército colombiano, também faz parte do Foro de São Paulo. Até quando a nossa imprensa vai continuar escondendo a participação de Lula e do PT no foro juntamente com as Farc, Hugo Chávez e outros esquerdistas latino americanos? As Farc mandam drogas para o Brasil e Lula não faz nada para impedir. Ora, você acha que ele vai atacar algum aliado? Tava na cara que o Brasil ia ficar do lado dos terroristas. Resta apenas que a imprensa brasileira mostre que Lula é o fundador do Foro de São Paulo e um dos grandes aliados dos terroristas-traficantes que mandam drogas para cá. Aliás, é bom lembrar que Fernandinho Beira Mar é aliado das Farc. Que bela companhia!

segunda-feira, 3 de março de 2008

Que mostrem logo

O governo da Colômbia anunciou que vai levar à ONU (Organização das Nações Unidas) e OEA (Organização dos Estados Americanos) dois documentos encontrados no computador do terrorista das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) Raúl Reys, morto pelo exército colombiano neste último final de semana, que mostram as relações entre os narcoterroristas das Farc e o governo do Equador. Tomara que mostre mesmo estas provas. Este teatrinho da esquerda latino americana tem que acabar. Eles estão envolvidos com as Farc no Foro de São Paulo. É preciso mostrar tudo, todas as provas desta união criminosa que está instalada na América Latina desde 1990 e que tem Lula como fundador. Sim, Lula é o fundador do Foro de São Paulo. Sim, Lula é amigo das Farc. Vamos ver o que ele tem a nos dizer. Vamos ver se os jornalistas daqui do Brasil começam a perguntar ao Falastrão de Honra do PT sobre as reuniões do foro que ele fundou.

Ninguém vai condenar o Bufão de Caracas?

Será que mais uma vez o Bufão de Caracas vai falar o que quer e ninguém vai responder? Ele defende os narcoterroristas das Farc e ninguém fala nada? Só o rei da Espanha teve coragem de dizer: “Por que não te calas?”. É preciso denunciar o Foro de São Paulo. O Falastrão do PT, o Bufão de Caracas e os narcoterroristas da Colômbia estão no mesmo time. Será que vamos deixar Lula ajudar essa gente? Ele já está se movimentando. É bem capaz do coração dele estar de luto que nem o coração do Bufão de Caracas.

Lamentável e nojenta

O Bufão de Caracas homenageou ontem o terrorista das Farc morto pelo exército colombiano. Chávez ficou uma fera. Claro, morreu um coleguinha dele do Foro de São Paulo. Imagino o luto de Lula, o fundador, e Marco Aurélio Garcia, o secretário. Eles devem sentir a mesma pena que o Bufão de Caracas sente. O que é mais lamentável é o silêncio da imprensa sobre a união dos esquerdistas latino americanos com os terroristas das Farc. É simplesmente lamentável e nojenta a reação do Bufão de Caracas. Tantas pessoas mortas pelas Farc e nenhum sinal da Venezuela repudiando tal fato.

A ameaça a Itaipu

Editorial do Estado de São Paulo

A campanha eleitoral no Paraguai gira em torno de dois temas principais. O primeiro é uma troca de acusações de corrupção e irregularidades que não deixa ninguém imaculado. Subornos, comissões, contratos fajutos, conluios com o crime organizado fazem o trivial variado do cardápio de acusações que os candidatos presidenciais trocam entre si. O outro, como mostrou reportagem publicada na semana passada pelo Estado, são as relações com o Brasil, país que a maioria dos candidatos vê como um império que tem mal contidas ambições sobre o território e as riquezas paraguaias.Dos três principais candidatos - o bispo Fernando Lugo, com 31% das intenções de voto, o general Lino Oviedo, com 28%, e a candidata do partido no governo, Blanca Ovelar, com 27% -, somente Oviedo não é francamente hostil ao Brasil. Entre os candidatos menos cotados também existe a mesma disposição. Júlio López, do Partido dos Trabalhadores, por exemplo, afirma que a “invasão” dos brasiguaios - fazendeiros brasileiros que possuem terras no Paraguai - não será resolvida com a naturalização desses proprietários. Quer uma reforma agrária radical, que inclua a expulsão dos brasiguaios.O Tratado de Itaipu e os contratos assinados entre os governos do Brasil e do Paraguai para a partilha da energia da usina hidrelétrica binacional são o principal alvo da ofensiva guarani. Todos os candidatos querem a revisão desses documentos. O general Oviedo prefere a via diplomática para mudar o que puder ser mudado. Mas Fernando Lugo e Blanca Ovelar falam em decisões unilaterais, sugerindo que poderão tentar fazer com a eletricidade o que o presidente Evo Morales fez com os hidrocarbonetos na Bolívia - a nacionalização dos recursos e das instalações.Fernando Lugo, candidato favorito até agora, tem como principal ponto de seu programa a “recuperação da soberania energética”. Alega que o país recebe apenas US$ 200 milhões anuais - um “preço de custo” - pela venda da energia ao Brasil e quer transformar o Paraguai num exportador “livre” de eletricidade, com o que receberia US$ 1,8 bilhão anual - um “preço justo”. A candidata Blanca Ovelar, do Partido Colorado, que está no poder há 66 anos, segue a mesma trilha.Ocorre que os dois países têm obrigações contratuais. Cada um tem direito à metade da energia gerada por Itaipu. O Brasil tem mercado para a sua parte; o Paraguai só usa 13% da sua cota. A sobra é obrigatoriamente transferida para o Brasil, não a “preço de mercado”, mas a uma remuneração previamente acertada que corresponde a uma compensação por cessão de direito de uso. Essa foi a fórmula encontrada em 1973 para viabilizar a construção da usina binacional, pois o Paraguai não tinha condições de compartilhar o custo financeiro da obra. O Brasil assumiu sozinho o encargo e, depois, também o ônus da instalação das novas turbinas que elevaram a capacidade de geração da usina. Ao Paraguai coube receber royalties, taxas de administração e supervisão, rendimentos de capital - como dono de metade da usina - e a remuneração pela cessão da energia, tendo assumido uma dívida que vencerá em 2023.Há tempos, setores nacionalistas paraguaios defendem a revisão do Tratado e dos contratos. Há cerca de um ano e meio, por exemplo, o jornal ABC Color iniciou uma campanha de denúncias contra o “imperialismo” brasileiro. Segundo o jornal, a presença dos brasiguaios - que haviam sido atraídos pelo baixo preço da terra no Paraguai - nas áreas próximas a Itaipu é parte de um projeto geopolítico de anexação. “Não é difícil temer que, em poucos anos, o Brasil pretenda anexar o nosso país ou mantê-lo como Estado livre associado, como os Estados Unidos fazem com Porto Rico” - delirava o jornal em editorial.Em janeiro, o candidato Lino Oviedo esteve durante uma hora com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Brasília, para expor a sua plataforma eleitoral. Em março, o bispo Fernando Lugo será recebido por Lula, a quem dirá, como anunciou, que pretende renegociar o preço da energia cedida ao Brasil. Essa é uma pretensão que precisa ser liquidada no nascedouro. Se o presidente da República não disser claramente ao candidato que o Brasil não admitirá mudanças no contrato, que garante o fornecimento de 40% da energia consumida no centro industrial do Brasil, Itaipu certamente se transformará em um grave contencioso político.

Para ficar no ministério Lupi deve deixar cargo no PDT, defende Múcio

Por Rui Nogueira
no Estado de São Paulo

“O meu conselho é que o ministro Carlos Lupi deixe a presidência do PDT e fique no Ministério do Trabalho. Toda essa marola sobre a assinatura de convênios entre o ministério dele e as entidades sociais e organizações não-governamentais (ONGs) só ganhou relevância porque ele continua no comando do PDT”. O “conselho” ao colega é do ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, e foi repetido ontem à noite, em conversa com o Estado, depois de seu desembarque em Brasília, vindo de Pernambuco.No sábado, em São Paulo, durante a festa dos 30 anos de vida política do deputado e ex-ministro Aldo Rebelo (PC do B-SP), José Múcio já havia dito que Lupi teria de optar, nesta semana, entre o comando do PDT e o ministério. “Ficou incômodo”, havia dito o ministro das Relações Institucionais.A Comissão de Ética Pública da Presidência já fez duas recomendações para que Lupi pare de acumular a função de ministro com a de presidente do PDT. Avalia que isso pode provocar conflito de interesses. O assunto deve voltar à pauta da comissão na próxima reunião, prevista para meados deste mês.Os “conselhos” de Múcio ganharam relevância porque começaram a ser dados em público dois dias depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter defendido o pedetista e afirmado que ele tinha “o comportamento mais republicano que um ministro pode ter”. Para Lula, o fato de Lupi ser ao mesmo tempo ministro e presidente do PDT e assinar convênios com prefeitos e líderes pedetistas era “uma bobagem”.Ele se referia às acusações de que o Ministério do Trabalho beneficiaria ONGs ligadas direta ou indiretamente ao PDT com convênios. O ministro chegou a apresentar uma lista de liberações para mostrar que entidades e prefeituras de seu partido não eram as que conseguiam mais recursos.O Estado revelou na semana passada que dois desses convênios, no valor de R$ 1,141 milhão, foram assinados com a prefeita de São Gonçalo (RJ), Maria Aparecida Panisset. O município, segundo maior colégio eleitoral do Rio (626 mil eleitores), nunca havia firmado convênios com o ministério, mas conquistou os dois três meses depois de Panisset trocar o DEM pelo PDT.
CRITÉRIOS
“Estou convencido de que o ministro Lupi distribui os convênios como todos os ministérios, por critérios técnicos e levando em conta as políticas públicas do governo, disse Múcio ao Estado ontem. “Mas vocês (jornalistas) tornam relevante o fato de que ele é presidente do PDT. Então, é preciso escolher, porque não faz sentido o governo se desgastar com isso.”Reportagens do jornal O Globo também mostraram, na semana passada, que Lupi fez convênios com ONGs sem capacidade para prestar os serviços assumidos. Mesmo rejeitando as suspeitas, na quinta-feira ele anunciou a suspensão, por problemas técnicos, de quatro convênios fechados com as entidades Grupo Mulher Maravilha, Associação Assistência São Vicente de Paulo, DataBrasil e Fundação São João Del Rey.Para Múcio, o governo não pode ficar enfrentando “problemas irrelevantes”. E explicou: “Temos coisas mais sérias a tratar. Esse caso do meu colega Lupi, que deve continuar no ministério, se resolve com a saída dele do comando do PDT. Basta isso.” Ontem à tarde, sua assessoria informava que Lupi continuava na presidência do PDT e na pasta do Trabalho.

Chávez ameaça guerra contra Colômbia

Por Fabiano Maisonnave
na Folha de São Paulo

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, determinou ontem o envio imediato de dez batalhões militares à fronteira colombiana e o fechamento de sua embaixada em Bogotá como resposta à operação do governo Álvaro Uribe que matou o líder das Farc Raúl Reyes em território equatoriano, na madrugada de sábado.Já o presidente do Equador, Rafael Correa, não aceitou um pedido de desculpas da Colômbia e, no fim da noite de ontem, anunciou a expulsão do embaixador colombiano e o envio de tropas à fronteira."Sr. ministro de Defesa, mova-me dez batalhões até a fronteira com a Colômbia, imediatamente", disse Chávez, em seu programa dominical "Alô, Presidente". "Batalhões de tanque, que se lance a aviação militar. Não queremos guerra, mas não vamos permitir que o império norte-americano, que é o amo, e o seu filhote, o presidente Uribe, e a oligarquia colombiana venham nos dividir."
"Lacaio do império"
Depois de alguns dias de declarações brandas, Chávez voltou à carga contra Uribe: chamou-o de "mafioso", "lacaio do império", "mentiroso", "criminoso", "agressor", "terrorista" e "subimperialista".O mandatário venezuelano também ordenou a retirada de todos os funcionários de sua embaixada em Bogotá, praticamente rompendo as relações diplomáticas entre os dois países. No final do ano passado, ele já havia chamado para consultas o seu embaixador, após Uribe encerrar sua participação nas mediações para a soltura dos reféns da Farc.No início do programa, houve um minuto de silêncio em homenagem a Reyes, cuja morte foi comemorada pelo governo Uribe como sua maior vitória militar contra as Farc. É a primeira vez, em mais de 40 anos de conflito, que um dos sete membros do secretariado da guerrilha é localizado e morto.Chávez classificou ainda a Colômbia como "Israel da América Latina" por fazer operações militares em países vizinhos e disse que, se Bogotá fizer operação semelhante em território venezuelano, terá guerra.O presidente venezuelano também exortou os países da região -citou o Brasil- a se pronunciar sobre a ação colombiana e disse que não irá à cúpula sul-americana de Cartagena, no fim do mês, quando seria criada a Unasul (União de Nações Sul-Americanas).Anteontem à noite, Correa desmentiu a versão de Bogotá sobre o ataque, segundo a qual o combate que matou Reyes começou quando as Farc atacaram militares colombianos a partir do território equatoriano -um soldado morreu na ação. Como primeira medida, convocou o embaixador em Bogotá."Os cadáveres estavam de pijama, isto é, não houve nenhuma recepção quente. Foram bombardeados e massacrados enquanto dormiam, com uso de tecnologia de ponta, que os localizou na selva, seguramente com a colaboração de potências estrangeiras", afirmou Correa, que soube da operação anteontem de manhã, por meio de telefonema de Uribe.A chancelaria colombiana emitiu dois comunicados durante o dia de ontem. No primeiro, afirma que "a Colômbia não violou a soberania, mas atuou de acordo com o princípio da legítima defesa".À noite, em novo comunicado, o governo colombiano pediu "desculpas pela ação que se viu obrigada a realizar na zona de fronteira, consistente no ingresso de helicópteros colombianos com pessoal das Forças Armadas em território equatoriano para examinar o local".O comunicado manteve a versão de que a incursão no Equador ocorreu depois de os militares colombianos serem atacados pelas Farc do outro lado da fronteira e classificou a reação como "indispensável".
Soberania violada
Minutos depois, Correa convocou uma cadeia nacional de rádio e TV para recusar o pedido de desculpas e a versão colombiana sobre o ataque e anunciar a mobilização de tropas para a fronteira. Ele pediu a "solidariedade internacional e regional" e a convocação de uma reunião do Mercosul.O presidente equatoriano chamou Uribe de "mentiroso" e disse que a segunda nota burlava a verdade: "O Equador sofreu um planejado ataque aéreo e uma posterior incursão de tropas colombianas com plena consciência de que estavam violando nossa soberania".Correa disse que o ataque matou 20 membros das Farc, "quase todos em roupas de dormir, o que descarta qualquer versão de que foi uma perseguição imediata e em legítima defesa, contrariando a versão oficial colombiana". "Os aviões ingressaram ao menos dez quilômetros em nosso território para realizar o ataque. Logo, chegaram tropas aerotransportadas em helicópteros, que culminaram a matança, inclusive se encontraram cadáveres com tiros nas costas."As Farc, em nota, disseram que a morte de Reyes não muda a disposição em fechar "acordo humanitário" para trocar 39 reféns políticos por 500 guerrilheiros presos.

Lula "estarrece", afirma presidente do TSE

Por Eduardo Scolese
na Folha de São Paulo

Após a troca de farpas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na semana passada, Marco Aurélio Mello, presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), disse ontem que o petista "estarrece" ao falar de improviso e sugeriu que o novo programa social do governo, o Territórios da Cidadania, fere a lei eleitoral."Sou uma pessoa que preconiza a liberdade de expressão e homenageia a espontaneidade. Só que a espontaneidade deve se fazer em um ambiente sadio, em um ambiente de equilíbrio, em alto nível, sem agressões e menos agressões pessoais", disse, acrescentando em seguida: "Conhecemos o estilo do presidente. Às vezes, quando deixa o script e parte para o improviso, ele não nos surpreende, ele nos estarrece, como nos estarreceu agora por último".Em mais uma resposta a Lula, que recomendou a Marco Aurélio que renunciasse ao cargo de ministro do Supremo e se candidatasse a um cargo público caso quisesse "falar bobagens", o presidente do TSE afirmou que "as bobagens não são uma primazia dos políticos".Na última quinta-feira, em fala de improviso em Aracaju (SE), Lula afirmou que "seria tão bom se o Poder Judiciário metesse o nariz apenas nas coisas deles, o Legislativo apenas nas coisas deles e o Executivo apenas nas coisas deles". No dia seguinte, disse que "não existe crise de Poderes no país" e que tem o direito "de dar palpites e julgar os palpites dos outros".A declaração de Lula sobre o Judiciário foi uma resposta ao presidente do TSE, que, dias antes, havia dito que o novo programa de combate à pobreza rural poderia ser contestado judicialmente. Ontem, Marco Aurélio disse que o episódio está superado. "Creio que os fatos ficaram esclarecidos e houve uma exacerbação, essa exacerbação foi escancarada e se buscou uma correção de rumos."
Programa social
Centro da polêmica e lançado por Lula na semana passada, o Territórios da Cidadania vai atender 7,8 milhões de pessoas que vivem na zona rural de 958 municípios de todos os Estados. A marca "Territórios da Cidadania" é nova e irá agrupar ações já existentes. Não há recursos novos ao programa.Ontem, Marco Aurélio sugeriu que o programa poderá ser contestado por descumprir a Lei 9.504: "Se a lei não permite sequer o elastecimento [de programas], ela também não permite a criação, que é algo de envergadura maior, não é?".A lei proíbe, em ano eleitoral, "a distribuição gratuita de bens, valores ou benefícios por parte da Administração Pública, exceto nos casos de calamidade pública, de estado de emergência ou de programas sociais autorizados em lei e já em execução orçamentária no exercício anterior"."O que se obstaculiza é o aumento desse programa e a criação de novos programas", disse. Para Marco Aurélio, "as regras do certames eleitorais" têm de ser cumpridas. "Absolutamente ninguém, num Estado democrático de direito, pode tudo, nem mesmo o presidente."

domingo, 2 de março de 2008

Por que não te calas?

Hugo Chávez lamentou a morte do número 2 das Farc Raúl Reys. Ele acusou o presidente da Colômbia Álvaro Uribe de assassino. Assassino é Reys e seus terroristas traficantes. O mundo está bem melhor sem ele e ficaria melhor ainda se Chávez calasse a boca. Por que não te calas?

Bom mesmo!

Íris Rezende vai inaugurar hoje o centésimo bairro asfaltado. Centésimo? Quer dizer que antes da chegada de Íris à Prefeitura de Goiânia cem bairros estavam sem asfalto? Isso demonstra o atraso da capital goiana. Cem bairros asfaltados desde 2005.
Se estou feliz com as obras do velhinho? Claro que não. Prefeito bom é aquele que cumpre suas promessas. Se as cumpriu não fez mais do que a sua obrigação. Segundo o Diário da Manhã de hoje Íris disse: “Eu não mereço aplausos. Estou apenas cumprindo o meu dever.” Bom mesmo!

Unidos pela merda e pelo dinheiro

Lula vai mandar o PAC para “Jaderlândia” e Jardim Jader Barbalho em Ananindeua, próxima a Belém. É um projeto de desfavelização de comunidades. Lula e Jader Barbalho... Quem diria que os cavaleiros da ética seriam amigos do ladrão da Sudam. Como diz Paulo Betti: “Na política tem que enfiar a mão na merda mesmo”. Os petistas enfiaram a mão com gosto.
Por um acaso o dinheiro do PAC que vai para a “Jaderlândia” terá fiscalização séria? Ou será que o bondoso Lula nem se preocupa com isso? A ficha de Jader é cumprida. Tem passagem pela Polícia Federal, quase foi cassado o mandato de senador em 2001, depois das denúncias de desvio de verbas do Banpará e da Sudam. Aliás, é bom lembrar, em 2001, o PT era inimigo mortal de Jader Barbalho. Os cavaleiros da ética não tinham pena do ladrãozinho. Hoje, as coisas mudaram. É só olhar para as mãos fétidas dessa gente.
Não caiam nessa conversa tosca dos lulistas bolivarianos. Não acreditem que Lula é esse pai bondoso dos pobres. Lula é aquele que beneficia Jader Barbalho e mostra que aquela pureza de 2001 nada mais era do que um jogo de cena. Será que eles vão ficar de olho se o dinheiro do PAC vai ser desviado? Ora essa, o lulismo e a “Jaderlândia” estão unidas e nada irá separá-los. Unidos pela merda e pelo dinheiro.

Reforma tributária pode complicar vida de empresas

Por Lu Aiko Otta
no Estado de São Paulo

A reforma tributária proposta pelo governo vai tornar mais complexa a contabilidade de cerca de 600 mil empresas, principalmente as prestadoras de serviços. Elas também correm sério risco de sofrer aumento de carga tributária. Hoje, essas empresas pagam dois tributos federais, PIS (Contribuição para o Programa de Integração Social) e Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social), calculando 3,65% sobre seu faturamento. É uma conta simples.Na proposta de reforma tributária, porém, esses dois tributos desaparecem e são substituídos por um só, o Imposto sobre Valor Adicionado (IVA), que é resultado da fusão do PIS, da Cofins e da Cide, que incide sobre combustíveis.Ocorre que o IVA será calculado de outra maneira e tende a complicar a vida dessas empresas, segundo alerta feito pelo ex-secretário da Receita Federal Everardo Maciel, da consultoria Logos.'É verdade e não é verdade', contra-argumentou um dos formuladores da proposta de reforma tributária, o secretário-adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda, André Paiva, ao ser questionado se as contas de fato ficarão mais complicadas.Numa fábrica de biscoitos, por exemplo, o imposto será um porcentual do valor da venda, descontado todo o IVA que veio embutido no preço da farinha, do açúcar e das embalagens. É um sistema chamado de não-cumulativo, pois se calculam débitos e créditos a cada etapa de produção. Com a reforma, esse modelo será estendido a toda a economia. Assim, um pequeno escritório de advocacia vai ter de manter registro contábil semelhante ao da fábrica de biscoitos. 'Será necessário fazer uma contabilidade de créditos e débitos, o que aumenta a complexidade e eleva o custo de conformidade, ou seja, o custo para cumprir as obrigações tributárias', explicou Everardo.A mudança afetará as cerca de 600 mil empresas que hoje recolhem PIS e Cofins pelo sistema cumulativo. Estão nesse grupo a maior parte das micro e pequenas empresas que não são autorizadas a fazer parte do Simples, como consultorias, escritórios de advocacia, de contabilidade e de publicidade. São empresas que já poderiam estar recolhendo PIS e Cofins pelo sistema não-cumulativo. Não o fazem porque consideram mais simples e vantajoso pagar os tributos como uma parcela do faturamento (o chamado sistema cumulativo).Além de uma contabilidade mais complexa, essas empresas correm o risco de elevação na carga tributária. 'Evidentemente, isso depende da alíquota que será fixada', disse Everardo. 'Mas o risco existe porque, notadamente para as prestadoras de serviço, o valor dos créditos é muito baixo.' Diferentemente do biscoito, no qual a matéria-prima é parte importante do preço, num serviço de consultoria, por exemplo, a matéria-prima representa fração ínfima do preço cobrado do cliente.
'NÃO É TANTO ASSIM'
Para o secretário-adjunto de Política Econômica da Fazenda, 'o aumento da complexidade não é tanto assim'. Ele observou que parte dessas empresas já tem de manter contabilidade de créditos e débitos para pagar o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), que também é não-cumulativo. Ocorre que as prestadoras de serviço não o recolhem.O argumento é válido para outras empresas que optaram por pagar o PIS-Cofins pelo sistema cumulativo e também recolhem ICMS.Paiva garantiu que a intenção não é elevar a tributação sobre as prestadoras de serviço. Mas não afastou totalmente a possibilidade de isso vir a ocorrer em casos isolados. Ele explicou que o IVA terá dois ou três tipos de alíquota, de forma que será possível calibrar a tributação e manter mais ou menos a carga atual. Paiva admitiu, entretanto, que ela pode não ficar exatamente igual, pois haverá um número limitado de alíquotas.'Não é possível condenar toda a reforma porque uma empresa vai ter um pequeno aumento de carga', defendeu. 'Assim como umas vão pagar um pouco mais, outras pagarão menos.' Do ponto de vista do governo, o que importa é que a reforma simplificará o sistema tributário. Segundo a Fazenda, a taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), estimada em 5%, pode passar para 5,5% após aprovada a reforma.Para o advogado Marcos Leite, do Sindicato da Micro e Pequena Indústria de São Paulo, a mudança para o sistema não-cumulativo pode ser benéfica. Ele explicou que muitas empresas que recolhem o PIS-Cofins sobre o faturamento poderiam pagar menos se optassem pelo sistema de créditos e débitos.

Ministério dá R$ 14 mi a ONGs do PC do B

Por Rubens Valente e Fernando Barros de Mello
na Folha de São Paulo

O Ministério do Esporte distribuiu R$ 14 milhões a projetos tocados por organizações não-governamentais dirigidas por integrantes do PC do B (Partido Comunista do Brasil), sigla à qual é filiado o ministro da pasta, Orlando Silva.A ONG que mais amealhou recursos em São Paulo, no programa Segundo Tempo, -R$ 5,2 milhões entre 2006 e 2007- é presidida por Wander Geraldo da Silva, 41. Ele e o ministro são colegas no Comitê Central do PC do B, a instância máxima do partido, formado por 81 nomes de vários Estados.Silva assumiu o ministério em março de 2006, substituindo o colega de partido Agnelo Queiroz. Antes, ocupou no ministério os cargos de Secretário Nacional de Esporte, Secretário Nacional de Esporte Educacional e Secretário-Executivo.O presidente da CPI das ONGs, Raimundo Colombo (DEM-SC), requereu, no último dia 19, a quebra dos sigilos bancário e fiscal da entidade presidida por Wander Geraldo, a Conam (Confederação Nacional das Associações de Moradores), por conta do convênio.O pedido ainda não foi avaliado pela comissão. O relator da CPI, o senador Inácio Arruda (CE), também pertence ao Comitê Central do PC do B.Segundo o estatuto do PC do B, o comitê tem a função de avaliar as finanças do partido e "suas resoluções têm sentido obrigatório para todas as organizações partidárias".Em seu requerimento, Colombo citou "o claro envolvimento político dos dirigentes" da Conam, mas não descreveu as ligações do presidente da entidade com o PC do B. Além de alto dirigente da sigla, Wander Geraldo foi candidato derrotado a vereador de São Paulo pelo partido, em 2004, e funcionário do gabinete do vereador de São Paulo Claudio Fonseca entre 1999 e 2004.Sediada num sobrado sem letreiros no bairro do Paraíso, em São Paulo, a Conam tem vários outros dirigentes filiados ao partido. A tesoureira da entidade, Bartíria Perpétua Lima da Costa, 52, é membro do comitê do partido no Rio de Janeiro e foi candidata a vereadora em Nova Iguaçu (RJ) em 2000.O coordenador do programa Segundo Tempo na cidade de São Paulo entre 2006 e 2007, Vicente Cavallari, é filiado ao partido e foi secretário de formação Distrital Norte de São Paulo do PC do B.A Folha localizou convênios assinados entre o Ministério do Esporte e entidades ligadas ao PC do B em outros três Estados (PE, PI e SC).Em Santa Catarina, o Instituto Contato obteve R$ 4 milhões do Segundo Tempo, que prevê atividades esportivas e de lazer para crianças e adolescentes de 7 a 17 anos de idade. O presidente da entidade é Rui de Oliveira, filiado ao PC do B e ex-oficial de gabinete na fundação de esporte estadual.Em Olinda (PE), o presidente da Unacomo (União das Associações e Conselhos de Moradores de Olinda) é Marcos Morais, da direção municipal do PC do B. Ele contou que houve "reivindicação" para que o ministério desse mais espaço para convênios com ONGs."O primeiro contato foi feito no 9º congresso da Conam, quando ainda era o ministro Agnelo. Teve todo um processo de reivindicações sobre o programa Segundo Tempo", disse Morais.Marcos Quirino, vice-presidente da Unacomo, também é filiado ao PC do B e foi candidato a vereador em 2004. A Unacomo recebeu do Esporte R$ 1,67 milhão em 2007.No Piauí, a Famepi (Federação das Associações de Moradores do Estado do Piauí) é filiada à Conam e gerida por filiados ao PC do B. O presidente da Famepi é o funcionário público municipal Raimundo Mendes da Rocha, membro do comitê estadual do PC do B.Tesoureiro da Famepi, e antecessor de Rocha na presidência, Sebastião Justino Pereira faz parte do comitê do PC do B. Em 2005, a entidade recebeu R$ 827,7 mil. Em 2007, o valor subiu para R$ 1,33 milhão.

Verbas do Trabalho abastecem entidades relacionadas ao PDT

Por Fernando Canzian
na Folha de São Paulo

Quatro entidades "concorrentes" na mesma área e competidoras em licitações públicas receberam verbas do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) para treinar mão-de-obra tendo seus dirigentes como avalistas uns dos outros. Em comum, três dessas quatro entidades também foram recomendadas em atestados pela Força Sindical, ligada ao PDT presidido pelo ministro Carlos Lupi (MTE). Duas delas funcionam no edifício-sede da Força, presidida por Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, deputado federal também pelo PDT. Em alguns casos, duas ou mais dessas entidades (DataBrasil, Ibepec, Inesp e Catalisa) receberam verbas do MTE no mesmo dia para fazer o mesmo tipo de trabalho em locais diferentes. Em outro caso, uma aparece como "convenente" do MTE, mas a "executora" apontada é a outra. Os valores repassados a algumas dessas entidades também são, em alguns casos, proporcionalmente maiores aos despendidos a outras organizações que atuam na mesma área. Representantes de DataBrasil, Ibepec e Catalisa negam qualquer irregularidade. Já o Inesp, a Força Sindical e o MTE não responderam aos pedidos de esclarecimentos da Folha. Para poder receber verbas do MTE, essas entidades devem apresentar ao menos três "atestados de capacitação técnica". No caso de DataBrasil, Ibepec, Inesp e Catalisa, elas o fazem recomendando-se entre si: uma "atesta" a outra. Apesar das parcerias em alguns trabalhos e dos atestados entre elas, as quatro também entram em separado como concorrentes em licitações do setor público para treinar mão-de-obra com verbas do MTE. No caso de DataBrasil e Ibepec, que já participaram da mesma licitação individualmente, o representante da primeira consta como membro do corpo diretivo da segunda.
Repasses
No dia 31 de dezembro, por exemplo, a DataBrasil assinou convênio de R$ 530,8 mil com o MTE para qualificação de pessoal. Mas, pelo convênio, consta o representante da Catalisa como "executor" do programa. No mesmo dia 31, a DataBrasil assinou mais três contratos: R$ 1,8 milhão; R$ 1,3 milhão e R$ 631 mil. Convênios de DataBrasil e Catalisa nesse dia somaram R$ 4,3 milhões, segundo o "Diário Oficial da União". No dia 27 de dezembro de 2007, a DataBrasil já havia assinado outro contrato no valor total de R$ 1,1 milhão para qualificação. No mesmo dia e para a mesma coisa, o Inesp assinou contrato de R$ 428,7 mil. Naquele mesmo dia e também para o mesmo tipo de serviço, a Catalisa fechou acordo no valor de R$ 697,3 mil. Os valores desses convênios do dia 27 referem-se apenas à primeira parcela do total que poderia vir a ser liberado pelo MTE, que chegaria a R$ 25 milhões. Os valores repassados a algumas dessas quatro entidades também são maiores, proporcionalmente, do que os destinados a outras concorrentes. Para o programa Primeiro Emprego, por exemplo, a DataBrasil receberia R$ 10,7 milhões para qualificar 6.840 jovens (R$ 1.566,68 por jovem). E o Inesp, R$ 4 milhões para 2.500 (R$ 1.630,00 por jovem). Como comparação, a Avepema, que faz o mesmo tipo de serviço em São Paulo, onde DataBrasil e Inesp atuam, recebeu R$ 7 milhões para treinar 5.000 (R$ 1.400,00 por jovem). Caso recebesse a verba destinada à DataBrasil, o programa da Avepema poderia qualificar, por meio do Primeiro Emprego, 814 jovens a mais que a DataBrasil. Em relação à verba para o Inesp, seriam 411 a mais.

PAC de Lula beneficia "Jaderlândias" do Pará

Por Hudson Correa e Alan Marques
na Folha de São Paulo

O PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) do governo Lula tem no Pará projetos -no valor de R$ 123,3 milhões- para "sanear" duas Jaderlândias e um Jardim Jader Barbalho, comunidades que levam o nome do deputado peemedebista do Pará. O valor representa quase 10% do total de R$ 1,3 bilhão do PAC no Pará.Os recursos serão aplicados na desfavelização de três comunidades, que surgiram de invasões realizadas 23 anos atrás com o aval de Jader, então governador do Pará (1983-1987).Jaderlândia e a comunidade Jardim Jader Barbalho ficam em Ananindeua (vizinha a Belém). A cidade tem como prefeito Helder Barbalho (PMDB), filho de Jader. Há ainda uma outra Jaderlândia na cidade de Castanhal (70 km de Belém).Investigado por suspeita de fraudes no Banpará e de irregularidades na emissão de Títulos da Dívida Agrária, Jader renunciou ao mandato em 2001. Chegou a ser preso em 2002, mas foi eleito deputado federal.Nas comunidades Jaderlândia e Jardim Jader Barbalho, o esgoto corre a céu aberto nas ruas de terra. Quando chove, as casas alagam. Nessas comunidades existem também palafitas sob as quais corre esgoto a céu aberto e água de igarapés. O mato cresce nas outras ruas.Os açougues exibem carne pendurada em ganchos fora do freezer: "Tem freezer, mas o pessoal diz que não gosta de carne fria", diz a dona da Casa de Carne Jaderlândia, de Castanhal, Maria de Fátima Oliveira, 51. Ela mora há 18 anos no bairro, que surgiu de uma invasão. "Na época, o Jader era bem poderoso. Todos os anos tinha festa e ele vinha aqui [até] há quatro anos. [No ano seguinte] eu perguntei se o Jader veio para festa. Disseram não. Então não participo mais", diz Maria."Infelizmente, este bairro chama-se Jaderlândia", diz Alírio José Duarte, 44, presidente da associação de moradores: "O Jader distribuiu lotes na Jaderlândia. Dizia: vote em mim que você vai ter um lote". Segundo ele, até 2004 o deputado bancava a festa de aniversário do bairro: "Agora cortamos ele". Ele admite que, apesar de nunca tê-lo apoiado, recebeu lote em seu governo: "Não tinha alternativa, o que ia fazer?"Em Jaderlândia de Castanhal falta água por até três dias, diz Duarte, mas a maior parte do bairro tem asfalto e casas de alvenaria. Nele existe uma escola estadual chamada "Elcione T. Zahluth Barbalho" -nome da deputada federal pelo PMDB e ex-mulher de Jader.Já no Jardim Jader Barbalho, em Ananindeua, a deputada é lembrada por outra razão. "Na época, a dona Elcione teve aqui. Disse que, se nós apoiássemos ele [Jader], não viria polícia. Aí tivemos o apoio dele e por isso colocamos Jardim Jader Barbalho como nome", diz a cobradora de ônibus Ana Lúcia Soares Pinheiro, 40."Nosso bairro está abandonado", diz Ana Lúcia, que lamenta que o local destinado a uma escola tenha virado campo de futebol. Os jogos são organizados por Jesus Costa, 55, o Biro-Biro, que trabalha na prefeitura e elogia o prefeito. Seu amigo Oswaldo Meireles, 33, metalúrgico, critica Helder, mas os dois concordam que o prefeito vai tirar o PAC do papel devido ao nome do bairro: "É o nome e a honra do pai dele que estão em jogo", diz Jesus. O carpinteiro Vicente Rayol, 48, de Jaderlândia, não crê nisso: "Vou morrer nesta lama".As obras de saneamento, construção de casas e urbanização serão executadas também com recursos da Prefeitura de Ananindeua e do governo do Pará. Com isso o investimento alcança R$ 160,5 milhões.Dados da prefeitura e do Estado dizem que 31,7 mil famílias vão ser beneficiadas em Jaderlândia e 1.700 no Jardim Jader Barbalho. Na Jaderlândia de Castanhal serão 3.200.Jader é aliado da governadora Ana Júlia Carepa (PT), que, na semana passada, lançou obras do PAC ao lado de Helder. Os dois negam que os projetos tenham sido direcionados às comunidades para promover Jader. Helder, porém, deu entrevista à Folha no canteiro de uma avenida que faz parte do PAC. Seus assessores cuidaram para que a placa da obra ficasse atrás dele para sair nas fotos.Entre os seis projetos do PAC em Ananindeua, apenas o Jaderlândia e o Jardim Jader Barbalho vão receber verbas diretas da União, a fundo perdido. Os demais projetos serão financiados com dinheiro do FGTS e pagos pela prefeitura.Embora também negue que a Jaderlândia de Castanhal tenha sido beneficiada pelo PAC devido ao nome, o prefeito, Hélio Leite (PR), reconhece que há bairros em condições piores, mas "foi critério justo porque é área carente. [Os outros] ficaram para segunda etapa".

sábado, 1 de março de 2008

Tomando conta do pedaço

Li agora no blog do Eduardo Horácio o que saiu no blog do Ricardo Noblat no dia 28 de fevereiro:

Os funcionários do gabinete do senador Jonas Pinheiro (DEM-MT), que morreu no último dia 19, voltaram ao trabalho depois de três dias de luto e levaram um susto.

Na segunda-feira, se depararam com o nome do senador Marconi Perillo (PSDB-GO), e não com o de Gilberto Goellner (DEM-MT), suplente de Jonas, na placa de identificação afixada na porta do gabinete onde trabalhavam.

Sob a prerrogativa de ser ex-governador de Estado, Perillo conseguiu trocar seu apertado gabinete pelo amplo e confortável espaço que era de Jonas.

A mudança foi orquestrada nos dias de luto e, por isso, encarada pelos funcionários do agora senador Goellner como "invasão" e "falta de respeito". Eles não concordaram em ficar com o gabinete de Perillo.

Conversa vai, conversa vem, conseguiram o espaço onde funcionava a Diretoria-Geral Adjunta do Senado, que, por sua vez, teve que se contentar com a ex-sala de Perillo.


Marconi Perillo nem esperou os funcionários de Jonas Pinheiro recuperarem do luto e já tomou conta do gabinete do senador falecido. A nota saiu no blog do Noblat. Será que as marconetes vão brigar com o blogueiro do Globo ou elas só chiam com as críticas daqui de Goiás mesmo?

Cuidado com eles!



Leiam o que saiu na Veja (a capa está a cima) do dia 11 de agosto de 2004:

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, está numa situação pouco confortável. Há um mês, Meirelles só era chamado a dar explicações sobre a alta taxa de juros. Há três semanas, teve de se explicar sobre a milionária diferença entre seu patrimônio declarado à Receita Federal e o declarado à Justiça Eleitoral. Há duas semanas, precisou apresentar explicações para o fato de seu procurador ter sido flagrado pela Polícia Federal carregando 32.000 reais em dinheiro vivo, resultado da venda de um terreno. Na semana passada, Henrique de Campos Meirelles, 58 anos, em vez de presidente do Banco Central, poderia ter um cargo fictício de "explicador-geral da República". Teve de explicar por que fez um depósito de 50 000 dólares na conta de uma trinca de doleiros investigados por lavagem de dinheiro. Teve de explicar por que registrou em cartório um imenso terreno, de 34 000 metros quadrados, por 1 centavo de real. Teve de explicar por que omitiu da Receita Federal a informação de que é dono da Catenária, empresa que administra seu próprio patrimônio. "Vai ser uma denúncia por dia até as eleições", lamentou-se o presidente do Banco Central ao jornal O Estado de S. Paulo. Será mesmo?

O que aconteceu com estas denúncias? Será que Meirelles explicou tudo à Justiça ou as denúncias foram jogadas para debaixo do tapete? Todo mundo reclama do tal “denuncismo”, mas ninguém mexe o traseiro para saber se tais denúncias procedem. Há quatro anos atrás o presidente do Banco Central Henrique Meirelles estava sendo atacado por denúncias e mais denúncias. Como sempre Lula jogou a culpa na oposição e na imprensa. Por falar na imprensa foi em 2004 que o PT tentou censurá-la criando aquele famigerado Conselho de Jornalismo. Cuidado com Lula! Cuidado com Meirelles!
Henrique Meirelles está sorrindo a toa. Ele é goiano e os jornais daqui de Goiás aplaudem sua atuação a frente do Banco Central. Tem gente que acredita que ele será candidato ao governo em 2010. Será? Cuidado com ele!
Aqui no Brasil as denúncias não são investigadas como deveriam. Henrique Meirelles aproveita do bom momento da economia. Antônio Palocci tentou aproveitar do bom momento da economia para quebrar o sigilo bancário do caseiro Francenildo. Se deu mal! Aqui em Goiás Henrique Meireles é tratado como rei. Desde 2002, quando deixou o Banco de Boston para tentar uma cadeira na Câmara dos Deputados, que ele é blindado. Seus defensores acusam o tal “denuncismo”. Eu quero que todas as denúncias sejam investigadas e as conclusões amplamente divulgadas. Sem blindar ninguém. Sem proteger este ou aquele. Precisamos ficar de olho em todo mundo. Cuidado com Lula! Cuidado com Meirelles! Cuidado com Cidinho! Cuidado com Marconi! Cuidado com Íris! Cuidado com...

"Brasília, essa desgraceira" por Roberto Pompeu de Toledo

Ao lançar o programa Territórios da Cidadania, o mais novo produto de sua superaquecida e superexigida oficina de marketing, o presidente Lula exortou os ministros a viajar pelo país, a seu ver a única maneira de "mapear e resolver" os problemas. "Ficar em Brasília é uma desgraceira só", disse. O historiador José Murilo de Carvalho, em artigo incluído num livro recente (Cultura das Transgressões no Brasil, editado pelo Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial), escreve: "Brasília tornou-se uma corte corrupta e corruptora. Funcionasse o governo no Rio de Janeiro, mensaleiros e assemelhados seriam vaiados nas sessões e ‘ovacionados’ nas ruas". Partindo de premissas diferentes e com motivações diferentes, Lula e José Murilo acabam se encontrando na mesma esquina, ou melhor, na mesma falta de esquina: Brasília. Daqui a dois anos a capital federal estará completando meio século de vida. Meio século! – e até hoje não assentou a poeira da controvérsia que suscita.
Nos Estados Unidos também se fala de Washington. Não há eleição em que não concorra um candidato "contra Washington". O da vez é Barack Obama. Quando lhe perguntam por que, com apenas três anos de mandato de senador, já quer pular para a Presidência, ele responde que é melhor fazê-lo enquanto ainda é novo na capital do que quando ela já o tiver estragado. Mas a "Washington" de que se fala nos EUA é diferente da "Brasília" de que se fala por aqui. A "Washington" deles são os viciados costumes políticos. Nossa "Brasília" vai além: abrange também a localização geográfica e a concepção urbanística. Isso torna o nosso caso possivelmente único. Não deve haver no mundo país em que a capital, inclusive por seu aspecto físico, seja uma questão em si mesma. A combinação da localização, nas lonjuras do Planalto Central, com um plano urbanístico que privilegiou as autopistas, as distâncias e os espaços vazios teria resultado numa cidade tão boa para os conchavos e falcatruas dos detentores do poder quanto ruim para o convívio e a manifestação dos governados.
As razões de Lula e José Murilo são opostas. O que no fundo Lula vê em Brasília é um obstáculo à sua vocação de arengueiro e animador de auditório. Falta-lhe o principal, a platéia. O que José Murilo lamenta é a ausência de algo só parecido porque também tem a forma de seres humanos, mas não é uma simples platéia. Para Lula, falta um coadjuvante dócil ao teatro do poder. Para José Murilo, o déficit é de gente, de clima e de espaços que favoreçam o exercício de cidadania. Onde os dois se encontram é na crítica a Brasília, culpada de não satisfazer nem o político que ama o conforto das multidões, desde que domesticadas e melhor ainda se entusiasmadas, tampouco o historiador que reclama um povo nos calcanhares dos governantes.
A história de Brasília é cheia de paradoxos. Nascida, da prancheta de Lucio Costa, para ser a capital da igualdade, virou a mais desigual das cidades brasileiras. Era para acolher toda a população na uniformidade das superquadras, dos clubes e das corporações alocadas cada qual no seu nicho. Esqueceu dos pobres, no entanto, ou o país esqueceu de enriquecer, e virou a cidade proibida dos pobres expulsos para o submundo das cidades-satélites e favelas. Nascida, dos sonhos de Juscelino, como a capital de uma jovem democracia, acabou consolidada sob a ditadura, como a capital ideal para as decisões isoladas, a dispersão dos descontentamentos e o trânsito dos tanques. No Memorial JK que se ergue em Brasília, um diploma conferido pela Universidade de Coimbra chama o criador da cidade de "Iuscelinus, brasiliensis republicae sapientissimus princeps". Quem a consolidou foi "Emilius Médici, brasiliensis republicae notabilissimus tyrannus".
É provavelmente um engano pensar que, fosse a capital em outro lugar, as coisas seriam diferentes. Difícil imaginar que nestes tempos de domínio da televisão e de anestesia da política a população vá se dar ao trabalho de cercar os palácios ou assistir às sessões do Congresso. Os desatinos ocorrem também nas administrações locais do Rio de Janeiro e de São Paulo, e a cobrança aos governantes não é maior do que na capital federal. Mas Brasília leva a culpa. É a "ilha da fantasia". Em mais um dos paradoxos que perseguem a capital federal, Juscelino continua sendo o mais amado dos presidentes, herói até de minisséries na TV, mas sua principal obra é vilipendiada como se, ela própria, fosse uma das causas, para alguns até a principal, das infelicidades do país.
No plano simbólico – e este talvez seja o mais doído dos problemas –, Brasília teve a má sorte de encarnar uma utopia. Ela anunciava o futuro. Não por acaso, Juscelino, que era forte nessas coisas de futuro e de utopia, quis revesti-la de uma arquitetura futurista. Brasília era coisa jamais vista, em país algum, tanto na forma como no que representava. Era o anúncio de uma nova era. O futuro que ela anunciava chegou, e é isso aí.

"A minha enxaqueca" por Diogo Mainardi

Eu sofro de enxaqueca. Oliver Sacks sofre de enxaqueca. Lewis Carroll sofria de enxaqueca. Isso é o que a gente tem em comum. O que muda radicalmente é a forma de reagir aos sintomas. Oliver Sacks usou sua enxaqueca para refletir sobre a geometria neural. Lewis Carroll inspirou-se em sua enxaqueca para imaginar Alice no País das Maravilhas, com a protagonista que cresce e encolhe. Eu, quando tenho um ataque, limito-me a cambalear até o banheiro, abrir a torneira da pia e engolir um comprimido de cloridrato de naratriptana. É raro conseguir delinear com tanta clareza a diferença entre a mentalidade científica (Oliver Sacks), a mentalidade artística (Lewis Carroll) e a mentalidade simiesca (Eu).
O New York Times tem um blog sobre enxaqueca. Oliver Sacks é um de seus cinco colaboradores. Ele se interessa particularmente pelos delírios visuais produzidos pela enfermidade. Compara-os aos mosaicos árabes. Há também quem os compare à arte pontilhista de Georges Seurat, outro enxaquecoso ilustre. Segundo Oliver Sacks, as figuras geométricas que perturbam a vista, durante os acessos de enxaqueca, refletem uma espécie de faxina que ocorre no córtex cerebral, quando todo o conhecimento adquirido é guardado no devido lugar: as meias escuras na gaveta de cima, as camisas azuis penduradas nos cabides, as calças apertadas na cintura separadas para dar ao zelador. A teoria de Oliver Sacks é que as células cerebrais se reorganizam simetricamente, e que essa simetria celular corresponde aos nossos conceitos mais elementares de beleza.
Eu sou um neófito da enxaqueca. Meu primeiro ataque aconteceu apenas dois anos atrás. Foi igual ao da maioria das pessoas: dor paralisante de um lado do rosto, náusea, sensibilidade ao ruído, formas geométricas piscando nos olhos. Naturalmente, fui ler sobre o assunto. Olha Nietzsche entrando no sanatório para tratar da enxaqueca! Olha Nietzsche passeando no Lago Maggiore para se distrair da enxaqueca! Olha Nietzsche comentando a enxaqueca em Ecce homo! O aspecto que mais me intrigou nos relatos sobre a moléstia foi aquele que já adiantei no primeiro parágrafo: como tanta gente de talento conseguiu transformar o sofrimento debilitante em literatura, em arte, em filosofia. O segundo aspecto que mais me intrigou foi seu exato oposto: como eu nunca tirei nada do sofrimento, como eu sou um macaco.
Num tempo dominado pela mais absoluta demagogia intelectual, em que todas as idéias parecem se equivaler, em que qualquer macaco pode abrir um blog e opinar sobre Lewis Carroll e Georges Seurat, a história da enxaqueca ajuda a restabelecer alguns valores. Ela dá ordem e simetria ao pensamento humano, como acontece, em escala microscópica, com as células cerebrais, de acordo com a teoria de Oliver Sacks. Meias escuras na gaveta de cima. Camisas azuis penduradas nos cabides.

CPI dos Cartões deve ter ampla maioria governista

Por Eugênia Lopes
no Estado de São Paulo

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara e do Senado que vai investigar o uso dos cartões corporativos deve sair do papel na semana que vem com ampla maioria governista. Dos 24 deputados e senadores titulares que vão integrá-la, 14 são da base aliada. E, dependendo dos nomes indicados pelos demais partidos, o bloco governista pode chegar a 16 parlamentares.Apesar da maioria folgada, o PT da Câmara ainda insistia ontem em ficar com a presidência da CPI, abrindo mão da relatoria para o PSDB do Senado.A expectativa é que o impasse seja resolvido na terça-feira, durante reunião do ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, com os líderes do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), e na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), e do PT na Câmara, Maurício Rands (PE). A reivindicação da bancada petista da Câmara não deve, no entanto, ser atendida. O impasse serviu para atrasar por mais uma semana a instalação da CPI mista.A expectativa é que o acordo firmado na quarta-feira passada por Jucá com a oposição continue valendo. Ou seja: a presidência da CPI ficará com a senadora Marisa Serrano (PSDB-MS). O deputado Luiz Sérgio (PT-RJ) foi indicado relator. “Não abrimos mão da presidência porque essa exigência do PT é brincadeira”, afirmou ontem o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM). Ele ameaçou novamente instalar uma nova CPI exclusivamente de senadores, caso o PT da Câmara insista em ficar com a presidência da comissão mista.Os líderes governistas no Senado não estão dispostos a atender ao pedido da bancada do PT da Câmara. O líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp (RO), já avisou que o partido cedeu a presidência para o PSDB e não vê motivos para desfazer o acordo. Até Múcio e Jucá já demonstraram pouca disposição em atender à bancada petista.Na CPI dos Cartões, que deve começar a funcionar na próxima semana, o governo poderá ter maioria ainda mais folgada, além dos 14 votos certos. Isso dependerá de quem serão os indicados para o cargo pelo PDT do Senado e pelo PV da Câmara. Os senadores do PDT geralmente votam contra o Planalto. A bancada de deputados do PV ameaçou romper recentemente com os aliados e parte de seus parlamentares tem posição contrária ao governo. Mas dependendo dos nomes escalados o governo poderá contar com mais 2 votos - aí seriam 16 aliados contra 8 oposicionistas.Até ontem nem PDT nem PV haviam indicado seus representantes na comissão. O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), deu prazo até terça-feira para que os partidos da Câmara e Senado designem os parlamentares que vão participar da CPI.

Lula tem inveja de Fidel e de Chávez, afirma líder tucano

Por Andreza Matais e Maria Clara Cabral
na Folha de São Paulo

As críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Congresso Nacional e ao Poder Judiciário provocaram reação imediata de parlamentares da oposição, que acusaram o presidente de querer governar "no regime do eu sozinho".O líder do PSDB no Senado Federal, Arthur Virgílio (AM), disse que o presidente Lula demonstrou "morrer de inveja" do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e do ex-presidente de Cuba Fidel Castro, que "desprezam" a democracia."Ele morre de inveja do Fidel e do Chávez. Adoraria não ter oposição para fiscalizá-lo, mas ele tem que aturar o fato de haver oposição vigilante. A coisa que mais incomoda o presidente é a existência do Poder Legislativo. Se ele pudesse, governava só com a turma da tapioca. Ele não vai implantar o regime do "eu sozinho'", declarou.Para o senador Pedro Simon (PMDB-RS), "se pudesse, Lula baixaria um decreto extinguindo a oposição".
Críticas
Em discurso, anteontem, durante inauguração de um viaduto em Aracaju (SE), Lula disse que um Poder não pode se intrometer no outro. "Seria tão bom se o Poder Judiciário metesse o nariz apenas nas coisas dele, o Legislativo apenas nas coisas dele, e o Executivo, nas coisas dele", afirmou, sobre as críticas ao programa Territórios da Cidadania, lançado neste ano, e questionado na Justiça pelo PSDB e pelo DEM.O presidente do Senado, senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), afirmou que o presidente deveria ter mais "cautela" com os seus discursos. "Foi a última crítica que ele poderia ter feito. Havia coisas mais legítimas para ele criticar", disse.A oposição também defendeu o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Marco Aurélio Mello, acusado por Lula de se comportar como um político em vez de um magistrado."Me solidarizo com o ministro Marco Aurélio que é uma pessoa independente", disse o líder tucano no Senado.
Barulho
Aliado do governo, o senador Renato Casagrande (PSB-ES) ponderou que a oposição sempre faz um grande barulho quando o governo lança programas sociais e que as críticas fazem parte do jogo político. "A oposição de fato faz um barulho grande quando ele lança qualquer programa", afirmou.O senador concordou com o presidente Lula nas críticas a Marco Aurélio: "O ministro deveria se colocar no lugar dele. De vez em quando, ele extrapola. Não cabe a ele criticar esse tipo de programa", declarou.O líder do PT na Câmara dos Deputados, Maurício Rands (PE), afirmou que o novo programa do governo pode ser questionado juridicamente, portanto o ministro não deveria se manifestar. "Fiquei surpreendido ao ouvir a declaração do ministro. É inadmissível que em um país com tanta desigualdade e injustiça social alguém possa se colocar contra um programa fundamental para a melhoria da condição de vida da população", afirmou.

Presidente do TSE critica ataque de Lula ao Judiciário

Por Silvana de Freitas e Luiz Francisco
na Folha de São Paulo

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) e presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Marco Aurélio Mello, criticou a "acidez" do ataque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Judiciário e defendeu a aplicação rigorosa da Lei Eleitoral para evitar desequilíbrio nas eleições deste ano. "Acredito que ele tenha se empolgado. Só estranhei a acidez. Mas relevo porque o presidente estava num ambiente político. Como ministro, não atuo em ambiente político", afirmou o ministro sobre discurso de Lula anteontem em Sergipe. No palanque, Lula atacou duramente o Judiciário e fez referência a Mello, sem citá-lo. Marco Aurélio havia dito à Folha que o programa "Territórios da Cidadania" poderá ser contestado judicialmente. O DEM e o PSDB entraram no STF com ação direta de inconstitucionalidade contra o programa, que agregou vários projetos sociais já existentes, numa espécie de mutirão federal de combate à pobreza rural que somará R$ 11 milhões. No discurso, Lula afirmou que "seria tão bom se o Poder Judiciário metesse o nariz apenas nas coisas deles, o Legislativo apenas nas coisas deles e o Executivo apenas nas coisas deles. Iríamos criar a harmonia prevista na Constituição". Sem citar Marco Aurélio, Lula disse que "se ele quiser ser político, renuncie lá e se candidate a um cargo para falar as bobagens que quiser, na hora em que quiser, mas não fique se metendo na política do Poder Executivo." "De repente, alguém fala: "Olha, se entrarem na Justiça, eu vou analisar". Na verdade, ele deu a senha para o PFL e para o PSDB", disse Lula. Segundo Marco Aurélio, "a Lei Eleitoral é claríssima" quando proíbe a criação no ano de eleições de programas sociais que não tenham verba orçamentária prevista. Ele disse ainda que a legislação eleitoral "a todos submete" e que "ninguém no país pode tudo". Ontem, também em Aracaju, Lula disse que "não existe crise de Poderes no país" e que tem o direito "de dar palpites e julgar os palpites dos outros". Na manhã de ontem, ao saber que Marco Aurélio havia reagido às declarações, Lula afirmou: "Primeiro, eu não citei o nome do ministro. Segundo, eu diria que, se prevalecesse a lógica de que o governo federal não pode fazer parcerias com os municípios no ano que antecede as eleições municipais ou no ano em que o presidente disputa a reeleição, o que não é o meu caso, significa que, num mandato de quatro anos, você vai governar dois anos", disse Lula. "Jamais fiz qualquer juízo de valor sobre qualquer coisa transitada em julgado. Sentença da Justiça a gente cumpre. Agora, da mesma forma que as pessoas dão palpite sobre as coisas, o presidente da República pode dar palpite e julgar os palpites dos outros", afirmou Lula, após um encontro com governadores do Nordeste.
Três Poderes
O presidente afirmou ainda que "não existe crise de Poderes, até porque cada Poder tem autonomia diferente, e aprendemos que a sustentabilidade da democracia está no fato de você respeitar a autonomia de cada um". Acrescentou: "Agora, é preciso ficar claro o seguinte: quando se trata de palpite ou opinião que as pessoas dão, as pessoas precisam concordar que outros podem dar palpite e opinião diferentes da deles." O futuro presidente do TSE, Carlos Ayres Britto, também ministro do STF, preferiu não entrar na polêmica. Para ele, o ataque de Lula foi dirigido a Marco Aurélio, não a todo o Judiciário. "As generalizações são sempre perigosas. Foi apenas um ministro do STF que fez um comentário." Em caráter reservado, outro ministro do STF afirmou que o ataque de Lula não foi dirigido ao Judiciário, mas a um ministro. Marco Aurélio se defendeu da acusação de que dá palpites demais sobre atos do Executivo. "O Judiciário Eleitoral atua no campo administrativo-consultivo, tem uma função pedagógica. Quando me pronuncio sobre planos do governo, pretendo evitar descompassos."

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Tem gente que não aproveita a oportunidade

Como são paulino tenho que lamentar a atitude de Adriano. Ele chegou atrasado ao treino, foi embora sem pedir permissão e ainda ameaçou um fotógrafo. Pelo visto, Adriano não quer mesmo aproveitar mais uma oportunidade de se recuperar e voltar ao posto de Imperador. Já Carlos Alberto está me surpreendendo. Treinando, trabalhando, se esforçando para voltar a boa forma. Carlos Alberto aproveita a oportunidade. Adriano não. Cada um é livre para fazer a sua escolha. Depois tem que arcar com as conseqüências. As chances dadas a Adriano hoje podem não voltar a se repetir no futuro. Aí não adianta reclamar.

Era só o que faltava

A receita do estado de Goiás cresceu. Só faltava agora a imprensa goiana deixar as críticas ao governo de lado e passar a puxar o saco do governador Alcides Rodrigues, o popular Cidinho. Era só o que faltava.

Deve ser muito fatigante

Sempre duvidei da reforma administrativa do governador Alcides Rodrigues, o popular Cidinho. A reforma foi uma maneira de Cidinho mostrar que Marconi Perillo não estaria por trás do seu governo. A receita do estado aumentou. Agora o dinheiro aparece. Ninguém sabe como o dinheiro sumiu no começo de 2007 e como apareceu no final do ano. Perguntem para Jorcelino Braga. Só ele sabe sobre a reforma. Só ele pode dar mais informações. Cidinho não sabe de nada. Ele fala que está analisando ponto por ponto da reforma. Deve ser muito fatigante fazer isso. Mas, foi a única maneira que Cidinho encontrou para mostrar que ele está trabalhando. Deve ser muito fatigante trabalhar ponto por ponto da reforma e depois não colocá-la em prática. Que governo fatigante... Precisa de mais ovos e tomates no cocorutu para ver se acorda.

A lei tem que ser cumprida

Vamos encher o saco do Lula. Vamos questionar o “Territórios da Cidadania”. Quanto mais Lula é incomodado, quanto mais irritado ele fica melhor será. Sim, o “Territórios da Cidadania” é eleitoreiro. Sim, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Marco Aurélio Garcia tem que fazer cumprir a lei. Que se danem as bobagens ditas por Lula hoje contra o TSE. A lei precisa ser cumprida.

PF agora não vê espionagem na Petrobras

Por Márcia Brasil e Sérgio Torres
na Folha de São Paulo

A versão de que espiões a serviço de concorrentes da Petrobras e até de governos estrangeiros tinham furtado dados sigilosos da Petrobras ruiu ontem com a prisão de quatro vigilantes de um terminal de contêineres no porto do Rio e a recuperação de parte dos equipamentos nas casas dos acusados."Está totalmente descartada a hipótese de ter sido um crime de espionagem industrial ou de pirataria", disse ontem o superintendente da PF (Polícia Federal) no Rio, Valdinho Jacinto Caetano, que, em entrevista há sete dias, anunciara que não havia a possibilidade de ter ocorrido um crime comum.Os acusados são seguranças da empresa Bric Log, que atua para a Poliporto, na zona portuária. Segundo a PF, um disco rígido foi destruído, e um pen drive, vendido a um receptador. O restante do material furtado, entre eles quatro notebooks, foi recuperado pela PF.Na sexta passada, Caetano havia afirmado: "Num caso de roubo comum, leva-se o computador inteiro, e não o HD [disco rígido]. Quem procura o HD procura as informações nele contidas, o que nos leva a descartar a hipótese de roubo comum. Essa forma [de ação] nos leva a crer que realmente havia o interesse específico em determinado equipamento".Ontem, questionado sobre a afirmação de sexta, ele afirmou que não havia descartado totalmente crime comum. Acrescentou que as investigações prosseguem, já que há a suspeita do envolvimento de outras pessoas, como receptadores.Os vigilantes presos são Alexandro de Araújo Maia, Éder Rodrigues da Costa, Michel Mello da Costa e Cristiano da Silva Tavares. Até a conclusão desta edição, ainda não tinham advogados constituídos.Os equipamentos furtados, incluindo os computadores, foram encontrados por policiais federais nas casas do acusados, em Parada de Lucas (zona norte), Campo Grande (zona oeste) e nos municípios de Nilópolis e São Gonçalo.Segundo o superintendente, a quadrilha vinha fazendo pequenos furtos desde setembro. Ele disse que os furtos não eram percebidos pela Petrobras porque a quadrilha retirava, inicialmente, apenas pequenas peças dos computadores."Quando eles passaram a furtar peças maiores, como laptops e monitores, começaram a ser notados", afirmou Caetano.Inicialmente, sem esperar o resultado das investigações, a PF e autoridades do governo divulgaram que o crime seria espionagem industrial. Os autores teriam interesse em dados estratégicos e sigilosos da exploração na bacia de Santos, especialmente do campo de Júpiter, megareserva de gás descoberta recentemente.Os investigadores da PF, a despeito das declarações dos superiores, sempre acreditaram em furto comum. Achavam que criminosos especializados em espionagem industrial agiriam de outra forma, procurariam não deixar vestígios, obteriam as informações sem arrombar cadeados, destruir lacres ou mexer em tudo o que havia no contêiner.Segundo a PF, um dos acusados chegou a destruir parte do material furtado quando soube que havia investigações policiais. "Eles não tinham a menor idéia do que havia dentro dos computadores", disse Caetano.Além dos quatro computadores, foram recuperados um monitor, uma impressora, uma mochila especial para carregar notebooks e uma maleta de ferramentas.Para chegar aos quatro suspeitos, os agentes da PF ouviram os integrantes de equipes da Poliporto que trabalharam nos dias em que foram constatados casos de furtos."Depois de identificar os suspeitos, os policiais passaram a coletar informações sobre onde eles, seus amigos e parentes moravam e até os locais que freqüentavam nas horas de lazer", disse Caetano.Pelo menos três furtos ocorreram no terminal da Poliporto desde janeiro. Sumiram equipamentos de informática da Petrobras que estavam em uma caixa e um contêiner trazidos, em ocasiões diversas, da bacia de Santos para Macaé, com escala no Rio.Na semana passada, foi descoberto mais um furto. Sumiram aparelhos dentro de uma caixa, que também seguiu para Macaé. Os furtos aconteciam sempre no terminal da empresa, que presta serviços à Petrobras, disse a PF.

Lula ironiza oposição por ir ao STF contra política social

Por Eduardo Scolese
na Folha de São Paulo

No evento do lançamento regional do programa de combate à pobreza rural Territórios da Cidadania em Quixadá (CE), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusou a oposição de tentar "impedir" o avanço das políticas sociais. Ao fim do dia, em Aracaju, não poupou o STF (Supremo Tribunal Federal), que julgará recurso da oposição contra suposto viés eleitoreiro desse programa.Afirmou ainda que, neste ano eleitoral, o país será um "canteiro de obras" e sua agenda semanal terá apenas dois dias de trabalho em Brasília. "O restante é andando pelo país."Lula rotulou de "fantástico" e "extraordinário" o fato de a oposição questionar na Justiça o novo programa, lançado nesta semana e que prevê investimentos de R$ 11,3 bilhões em 958 municípios. A oposição diz que o programa, com público-alvo de cerca de 7,8 milhões de pessoas e com nenhum recurso novo, tem caráter eleitoreiro.Em entrevista, Lula completou: "Eu acho que é importante o povo saber que tem setores da oposição que estão entrando na Justiça para evitar que se faça política que deveriam ter feito quando governaram o Brasil. Vou continuar fazendo porque fui eleito para governar o país".Mais tarde, em Aracaju, o presidente reagiu duramente a declarações de ministros do STF que consideram eleitoreiros alguns de seus programas sociais. "Seria tão bom se o poder Judiciário metesse o nariz apenas nas coisas deles, o Legislativo [metesse o nariz] apenas nas coisas deles, e o Executivo [metesse o nariz] apenas nas coisas deles. Nós iríamos criar a harmonia estabelecida na Constituição", afirmou.O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), disse que o PSDB nunca "manipulou recursos públicos para ganhar uma eleição". O líder do DEM no Senado, José Agripino (RN), disse que Lula está se fazendo de "vítima". "Estamos fazendo um questionamento sobre a oportunidade em que o programa é lançado. Por que não fez esse programa em 2007?"O evento em Quixadá reuniu cerca de 2.000 pessoas, segundo estimativa da Polícia Militar, numa praça de Quixadá, a 168 km de Fortaleza. Nele, Lula lançou o chamado território Sertão Central, formado por 12 municípios e com um público-alvo de 168,7 mil pessoas.Quixadá é administrada pelo PT. No palanque, estavam o prefeito Ilário Marques, e o vice-prefeito, Cristiano Góes, pré-candidato a prefeito.Na manhã de ontem, um carro de som da prefeitura atravessou a cidade convocando os moradores ao comício.No discurso, ao se referir ao PAC, Lula voltou a dizer que "este país vai virar um canteiro de obras". "Já disse para minha assessoria: a partir de agora são dois dias [da semana] em Brasília e o resto andando pelo país, para que a gente possa ver as coisas acontecerem."À tarde, em Fortaleza, Lula afirmou que os partidos da oposição derrubaram a CPMF para tentar impedir a continuidade de seu governo por mais tempo."Os nossos adversários, que vocês sabem quem é, um chamava-se PFL, agora ele se chama Democratas, o outro vocês já sabem quem é, eles derrotaram a CPMF, que era o imposto que a classe média brasileira e os ricos pagavam, porque pobre não trabalha com cheque", disse, para completar: "Eles tiraram do governo R$ 40 bilhões".

A perversidade das Farc

Editorial do Estado de São Paulo

A cena foi transmitida pela emissora estatal venezuelana Telesur, a única autorizada a documentar a entrega de quatro reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) a representantes do governo de Caracas e da Cruz Vermelha, em um ponto da Amazônia colombiana apropriadamente chamado El Retorno. A única mulher do grupo de libertados depois de mais de seis anos de captura, a ex-senadora Gloria Polanco, recebe flores de uma guerrilheira, agradece e diz o que vai fazer com elas: “Vou depositar no túmulo de meu marido, os quatro ramos, um de cada um dos meus filhos e o outro meu.” Poucas imagens - e palavras - poderiam ser mais lancinantes do que essa na crônica de horrores protagonizada pela organização narcoterrorista que mantém em cativeiro centenas de pessoas, algumas há um decênio.A história da ex-senadora, afinal, é uma ilustração insuperavelmente fiel da desumanidade desse exército de delinqüentes “revolucionários”. Em julho de 2001, Gloria foi seqüestrada com dois dos seus três filhos, então com 15 e 17 anos, por um bando que invadiu o prédio em que moravam na cidade de Neiva, no sul da Colômbia. Sete meses depois, ela foi separada dos jovens e incluída no infame rol de “reféns políticos”, hoje na casa de 40, que as Farc querem trocar por 500 dos seus que se encontram presos. À época, mesmo ausente, ela foi eleita para o Congresso pelo Partido Conservador - com a maior votação daquele pleito. O seu marido e correligionário, ex-deputado e ex-governador, Jaime Lozada, conseguiu comprar a libertação dos filhos, pagando o resgate em parcelas. Eles recuperaram a liberdade em julho de 2004. Um ano e meio depois, num ataque a tiros e explosivos, Lozada foi assassinado - aparentemente, por ter atrasado uma prestação.A promessa da viúva de levar a seu túmulo as flores do mal - literalmente - exprime tudo o que pode separar a decência humana da criminalidade hedionda dos terroristas que, embora na defensiva hoje em dia, continuam na sua faina assassina que atormenta o povo colombiano. Para libertar outros reféns, as Farc ainda se dão ao escárnio de exigir, além da soltura de 500 guerrilheiros, que o presidente Álvaro Uribe decrete a desmilitarização, por 45 dias, das áreas onde se situam os municípios de Pradera e Florida e onde se daria o escambo. Naturalmente, tratando-se de uma região próxima de Cali, a terceira maior cidade do país, seria uma temeridade o governo de Bogotá aceitar a imposição dos bandidos. Blefando ou não, as Farc anunciaram o fim abrupto das “liberações unilaterais” iniciadas em janeiro com a entrega de uma ex-senadora e de uma auxiliar de sua mais conhecida vítima, Ingrid Betancourt.Seqüestrada em fevereiro de 2002, quando candidata à presidência da Colômbia, a então senadora, agora a única mulher refém dos facínoras, tem sido especialmente maltratada por eles. Um dos quatro libertados anteontem, o também ex-senador Luis Eladio Pérez - que contou em detalhes revoltantes as agruras a que eram todos submetidos -, descreveu Ingrid, com quem esteve no começo do mês, como “fisicamente esgotada” e correndo risco de vida. Pérez relatou que ela é mantida “em condições infra-humanas”. Em Caracas, para onde os ex-cativos foram finalmente conduzidos, no papel de coadjuvantes involuntários do show do bom amigo das Farc, Hugo Chávez, Gloria Polanco reiterou que o estado de Ingrid é desesperador. Nem assim, o caudilho se dispôs a demandar a sua soltura.Numa apoteose de cinismo, dirigiu-se diretamente ao chefão da narcoguerrilha, Manuel Marulanda, a quem pediu que transferisse a prisioneira para “um comando” mais próximo dele, “enquanto continuamos abrindo o caminho para a sua liberação definitiva” - como se os padecimentos a ela infligidos não tivessem sido determinados pelo mesmo Marulanda, qualquer que fosse o pedaço de inferno que fosse obrigada a habitar. Chávez ainda se gabou de estar fazendo “tudo o que pudermos para liberar até o último dos seqüestrados” - como se as Farc estivessem propensas, apenas para enaltecer perante o mundo a figura do caudilho aliado, a renunciar ao seu poder de barganha. O que a quadrilha do narcotráfico pretende é ser reconhecida como força beligerante legítima.

Barbosa será relator de processo contra Palocci

Por Felipe Recondo
no Estado de São Paulo

Depois de permanecer praticamente intocado no Supremo Tribunal Federal (STF) por 15 meses, o inquérito aberto para investigar o envolvimento do ex-ministro da Fazenda e deputado Antonio Palocci (PT-SP) com a chamada máfia do lixo de Ribeirão Preto será relatado pelo ministro Joaquim Barbosa.Com essa decisão, o inquérito começa a correr normalmente e o STF poderá apurar se de fato foram cometidos os crimes de formação de quadrilha, falsidade de documentos e lavagem de dinheiro. E só depois dessa investigação os ministros decidirão se abrem ou não ação penal contra o deputado. Na denúncia encaminhada ao STF em 2006, um bloco de 14 mil páginas contendo informações de documentos apreendidos, escutas telefônicas, quebra de sigilo e depoimentos, Palocci é acusado de participar de um esquema de fraudes em licitações para coleta de lixo, superfaturamento de preços e arrecadação ilegal para o PT durante o período em que foi prefeito de Ribeirão Preto. O desvio total apontado nos cofres da prefeitura foi de R$ 30 milhões, entre 2001 e 2004.A denúncia foi entregue à Justiça de Ribeirão Preto, que remeteu o caso ao Supremo, em 2006, porque Palocci tem foro privilegiado. A partir daí, o inquérito encontrou o obstáculo que só foi vencido ontem.O processo foi distribuído inicialmente ao ministro Cezar Peluso, em 29 de novembro. Ele, porém, entendeu que o caso seria de competência de Barbosa, que analisava outra ação que seria semelhante, referente a Ribeirão e Sertãozinho. Por isso, pediu à presidente do STF, ministra Ellen Gracie, que o inquérito fosse repassado ao colega.O pedido foi aceito, mas os advogados de Palocci não queriam que Barbosa, responsável pela abertura da ação penal do mensalão, fosse o relator e pediram a revisão da decisão e o conseqüente encaminhamento do processo para outro ministro. No julgamento desse recurso, em maio de 2007, Barbosa pediu vista do caso e só o devolveu em dezembro para que fosse julgado. Como o tribunal entrou em recesso e Barbosa estava de licença médica, essa minúcia jurídica só foi solucionada ontem.
REVIRAVOLTA
O escândalo do lixo em Ribeirão voltou ao noticiário neste mês, quando o Estado revelou que o advogado Rogério Buratti - personagem da chamada república de Ribeirão e testemunha-chave do Ministério Público no caso - voltou atrás em relação às acusações contra Palocci e o inocentou das irregularidades.Buratti aceitou acordo para ser solto com a condição de colaborar com as investigações. Em um de seus depoimentos, disse que Palocci recebia uma propina mensal de R$ 50 mil - dinheiro que seria repassado para o Diretório Nacional do PT. Em junho do ano passado, porém, Buratti registrou documento em cartório no qual retirou todas as acusações contra Palocci e garantiu que não tem como prová-las. A retratação está a caminho do STF e é considerada pela defesa de Palocci peça importante na tentativa de anular o inquérito do Supremo.

Deixem a Vale como está

Eu lembro do plebiscito sobre a privatização da Vale do Rio Doce. Eu lembro dos lulistas bolivarianos fazendo protestos contra a sua privatização. Ano passado os lulistas bolivarianos fizeram outro plebiscito só que dessa vez pela reestatização da empresa. Veja o que está na Folha online de ontem: O desempenho positivo dos preços das commodities metálicas no mercado mundial fez com que o lucro líquido da mineradora Vale do Rio Doce atingisse R$ 20,006 bilhões em 2007, ficando 48,95% acima do registrado em 2006 (R$ 13,431 bilhões). Trata-se do quinto ano seguido de alta no ganho. Leia a reportagem completa aqui.
É melhor deixar a Vale como está. Não vamos dar bola para os lulistas bolivarianos, para os nacionalistas de araque.
Aí eu me lembro da campanha presidencial de 2006. Lembro de Lula criticando as privatizações. Lembro da cena patética do Geraldo Alckmin vestindo aquela jaqueta com os logotipos das estatais. Ele negou as privatizações. Alckmin deixou que o PT pautasse a campanha eleitoral. Ao invés de dizer que as privatizações trouxeram benefícios para o Brasil, Alckmin preferiu aceitar a pauta lulista. Será que ele vai se pronunciar e defender os benefícios das privatizações? E os lulistas bolivarianos o que vão dizer? É melhor não dizerem nada. É melhor deixar a Vale como está.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Mais uma vez

Lula criticou hoje, mais uma vez, a oposição. Disse que ela não o deixa governar. Ele mostra, mais uma vez, sua tentação autoritária. Ah, como ele tem memória curta. Quem vê Lula criticando a oposição nem imagina que ele, quando era da oposição, atacava os governantes. Mais uma vez coloco aqui no blog o que o Falastrão de Honra do PT dizia quando era da oposição:

Constança Tatsch
da Folha Online do dia 08.03.3002

O pré-candidato à Presidência da República pelo PT Luís Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira que o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso terminou antes de acabar. "Quando a base do governo rompe, isso significa que o governo FHC terminou antes de acabar", disse.

O petista defendeu uma investigação rigorosa sobre a ligação da empresa Lunus da pré-candidata Roseana Sarney com eventuais desvios da extinta Sudam (Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia).

Lula participou de passeata hoje em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, em São Paulo.

O presidente de honra do PT considerou grave o fato da investigação sobre a empresa de Roseana, que corria em sigilo, ter vazado. "Hoje aconteceu com ela, mas amanhã pode ser com qualquer um."

Lula disse que a investigação deve ser realizada com "total seriedade". Ele criticou a subordinação da polícia federal ao Ministério da Justiça.

Vai ter segurança?

A Polícia Federal recuperou os equipamentos roubados da Petrobrás em Macaé, Rio de Janeiro. Inicialmente a PF descarta a hipótese de espionagem industrial. Agora resta saber se a segurança vai aumentar nos portos onde a Petrobrás guarda seus equipamentos. Resta saber se o governo vai começar logo a retirar gás e petróleo da Bacia de Santos. Estou de saco cheio das propagandas lulistas sobre esta tal “descoberta”. Vamos como eles vão agir (e se vão agir com segurança).

Deixa a luz do Sol entrar no antro

Um anônimo manda um comentário:

Esse quando não vai chegar nunca, pois Marconi Perillo é parte da história de Goiás e tem um futuro político brilhante, ao contrário de algumas pessoas que são detestadas nas redações dos jornais importantes de Goiás e vivem no ostracismo de seus blogs, que só eles mesmos visitam. Aliás só caí neste antro aqui porque estava pesquisando exatamente matérias sobre o senador Marconi Perillo.
Esta birra sua com Marconi deve ser melhor analisada por você mesmo. De repente é alguma coisa reprimida que o faz sentir tanta amargura pelo sucesso do senador.


Em 1998, muitas pessoas pensavam que Íris Rezende ganharia fácil as eleições estaduais. Um certo Marconi Perillo resolveu entrar na briga. Com a sua camisa azul e uma boa propaganda (as piadinhas do Nerso da Capetinga fizeram sucesso) Marconi colou em Íris o tal “Tempo Velho”. Ele era o “Tempo Novo”. Marconi ganhou de Íris Rezende. Quem diria que, depois de 16 anos de poder, o “PMDB de Íris Rezende “ caía do cavalo... Quem diria...
Sim, anônimo, Marconi vai cair do cavalo. Isso não é coisa reprimida. Não sinto a menor dor em atacá-lo. Se até Íris caiu por que não Marconi?
Se o meu blog é pouco conhecido não me importa. Só lê quem quer, só comenta quem quer. Este antro é tão antro que até o anônimo em questão resolveu escrever. Isso aqui é tão isso aqui que até ele resolveu gastar o tempo mandando mensagens, deixando seu rastro. Esse tempo que ele gastou escrevendo para mim poderia gastar procurando matérias louvando os feitos de Marconi. Sei lá eu o motivo dele entrar neste antro, ler e ainda comentar.
O anônimo ainda fala que eu e o Vassil só atacamos o Marconi. Será que o anônimo em questão se refere ao Vassil Oliveira do jornal Tribuna do Planalto? Leio seus artigos, mas nunca conversei com ele. Vai ver o anônimo acha que nós dois discutimos a pauta: “Vamos lá, vamos acabar com o Marconi”.
Pelo visto, não são só os petistas que querem pautar tudo e todos. Os marconistas enfezados também querem. Aqui não, jacaré! O blog é meu e só escrevo o que eu quero (e só ataco quem eu quero). Já ataquei o Iris, o Cidinho, o Maguito. O cara começa a ler o blog agora e já quer dar pitacos. Eu sou do PMDB? É brincadeira! Vai procurar outro blog que elogie os feitos de Marconi. Vá brigar com o Renan Canalheiros que esqueceu de chamar Marconi para fazer o juramento no dia da posse dos novos senadores no começo do ano passado. É bom lembrar que o Rei do Gado chamou Marconi de “Marcondes” hehehe. Epa! Eu chamei Renan Canalheiros de Rei do Gado? Poxa, anônimo, viu como eu sou um bom peemedebista?
Pronto! Já lhe dei atenção demais. Agora dá licença que você está atrapalhando o Sol entrar neste antro.

O PT e o PMDB aqui em Goiânia

O PT de Goiânia não sabe se abraça o PMDB de Íris Rezende ou se segue carreira solo na campanha municipal de outubro. Os petistas estão divididos. Uns querem o abraço do prefeito, outros querem candidatura própria. Nada se comparado a campanha estadual de 2006. No primeiro turno, o PT apoiou Barbosa Neto e no segundo turno foi com Maguito Vilela, do PMDB de Íris Rezende. Ou seja, esses que defendem o PT em carreira solo já dividiram palanque com o PMDB de Íris Rezende. Não adianta vir com esse papinho puro de que o PT é diferente do PMDB. Os dois partidos já deram as mãos há dois anos atrás. E os petistas sabiam quem era Maguito Vilela e Íris Rezende. Não me venham agora querer demonizar o prefeito. Em 2006, Íris era amigo dos petistas. Isso eu não me esqueço. Isso eu sempre lembrarei e esfregarei na cara daqueles petistas que se acham puros.

Quebra de sigilo telefônico sustenta denúncia contra ex-ministro Palocci

Por Ricardo Brant e Felipe Recondo
no Estado de São Paulo

O cruzamento de dados obtidos com a quebra de sigilo telefônico do ex-ministro da Fazenda e deputado Antonio Palocci (PT-SP), de seu ex-assessor de imprensa Marcelo Netto e do ex-presidente da Caixa Econômica Federal Jorge Mattoso com os depoimentos tomados no inquérito é uma das bases que sustentam a denúncia criminal entregue pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, no caso da devassa ilegal nas contas do caseiro Francenildo Santos Costa, o Nildo.Na denúncia entregue ao Supremo Tribunal Federal (STF), que preenche 11 páginas, o procurador é taxativo ao afirmar que a ordem para a quebra do sigilo partiu de Palocci. E que os dados foram levantados pelo então presidente da Caixa e divulgados para a revista Época por Marcelo Netto. Os três foram denunciados por quebra do sigilo funcional. O caso está sob segredo de Justiça.O Estado apurou que o procurador considerou a troca de telefonemas entre a residência oficial de Palocci, seu ex-assessor, o ex-presidente da CEF e a revista Época na noite do dia 16 de março de 2006, somada aos depoimentos que confirmam que os dados foram impressos dentro da Caixa, por ordem de Mattoso, base suficiente para que seja aberto processo criminal contra os três.No inquérito foram anexados os dados da quebra de sigilo telefônico dos envolvidos na semana de 10 a 17 de março. O extrato da conta de Nildo na Caixa que apontava uma movimentação de R$ 24,9 mil naquele período foi impresso no dia 16 - noite em que Mattoso e Netto estiveram na casa de Palocci - e as informações foram divulgadas pela primeira vez pela revista Época no dia 17, em seu site. Mattoso admitiu em depoimento que levou o extrato para Palocci, mas negou que tenha divulgado.Para Souza, como notícias contra Nildo interessavam a Palocci, só poderia ter partido dele a decisão da quebra de sigilo. O caseiro foi o pivô da queda do ex-ministro, após ele ter revelado, em entrevista ao Estado, publicada no dia 14 de março, que o petista freqüentava uma casa no Lago Sul, em Brasília, alugada por integrantes da chamada “república de Ribeirão” para receber lobistas e fazer festas.Segundo a denúncia, o primeiro extrato da conta de Nildo foi impresso às 20h58 do dia 16. Os extratos telefônicos indicam que pouco tempo depois Netto ligou para a revista Época. Para o procurador, ele estaria obedecendo às ordens de Palocci. Outro indício considerado de que Netto foi o responsável pelo vazamento é o fato de seu filho trabalhar na revista. Época não quis comentar o caso.
DEFESA
O advogado de Palocci, José Roberto Batochio, disse que a acusação não se sustenta. “Não existe qualquer indício que aponte que Palocci tenha mandado quebrar o sigilo. Não há documentos que apontem isso, nem depoimentos”, argumentou.Os três denunciados negaram durante o inquérito que tenham divulgado os dados bancários do caseiro. Para o advogado de Netto, Eduardo Toledo, a denúncia parte de uma “dedução”, pois não há provas materiais que a sustentem.Um dos pontos que devem ser explorados na defesa dos denunciados é o fato de que, no momento em que foi impresso o extrato da conta de Nildo, ele prestava depoimento na Polícia Federal e havia entregue minutos antes seu cartão da Caixa. Na época, o delegado Wilson Damazio garantiu que a cópia do cartão bancário foi feita em menos de três minutos, praticamente na sua frente, e a PF nunca teve acesso à sua senha.

Senado pede depoimento de Rogério Buratti

Na Folha de São Paulo

A Mesa Diretora do Senado decidiu ingressar no Ministério Público Federal com notícia-crime contra o advogado Rogério Buratti por ele ter recuado nas acusações contra o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci (PT-SP).A Advogacia Geral do Senado pedirá ao 14º Tabelião de Notas de São Paulo cópia do depoimento extra-oficial registrado por Buratti no fim de 2007 em que ele diz ter sido coagido a acusar Palocci.Ex-secretário de Governo de Palocci em Ribeirão Preto, Buratti havia acusado o petista de receber R$ 50 mil por mês de propina de empreiteira. Palocci esteve na Câmara, mas não quis comentar o assunto.

Finatec usou empresa que doou para o PT

Por Catia Seabra e Rubens Valente
na Folha de São Paulo

Contratada pelo governo Marta Suplicy (PT) para aperfeiçoar o modelo das subprefeituras de São Paulo, a Finatec subcontratou, de 2003 a 2004, uma empresa que pertence a um petista e figura entre os doadores da campanha do PT.Além de Marta, o vereador Antônio Donato -responsável pela contratação da Finatec em 2003, quando ocupava a Secretaria de subprefeituras- aparece como beneficiário de contribuição da Pro-sistemas Consultoria na eleição de 2004.A Pro-sistemas doou R$ 4.000 para a campanha de Donato em 27 de julho de 2004 e R$ 21 mil para a de Marta no dia 2 de agosto. A Pro-sistemas é do petista Luiz Antônio Melhado, que já foi secretário em Santos (Administração) e Jacareí (Administração e Segurança) e candidato a vereador. Hoje presta serviços à Prefeitura de Fortaleza, de Luizianne Lins.Em 15 de abril de 2003, a Secretaria de Subprefeituras contratou a Finatec por R$ 12,2 milhões para elaborar modelo de gestão das administrações regionais. Nas prestações de contas da Finatec, fundação ligada à Universidade de Brasília, a Pro-sistemas foi subcontratada ao menos nos meses de agosto e setembro de 2004 (299 horas por mês). Como o contrato previa pagamento de R$ 225 a hora, a Pro-Sistemas teria recebido R$ 134,5 mil no bimestre.Mas, em e-mails enviados à Folha, Melhado disse ter prestado serviços à Finatec nos 20 meses de contrato -de abril de 2003 a dezembro de 2004. O valor pago por hora seria da "ordem de R$ 200". Segundo ele, foram contratados quatro consultores, e o total de horas variava de 140 a cerca de 290 por mês. Por esses números, a prestação de serviços à Finatec rendeu no mínimo R$ 600 mil e no máximo R$ 1,3 milhão. Alegando estar fora de São Sebastião, onde está o escritório, Melhado disse que não saberia dizer o valor global do contrato.As prestações da Finatec não têm o total pago à Pro-sistemas porque em só 2 das 21 medições apresentadas foram lançados os nomes dos consultores. Essa falta de detalhamento levou a prefeitura a determinar a revisão do contrato porque não era possível atestar sua execução.Em 2006 a corregedoria do município sugeriu reter R$ 2,8 milhões ainda devidos à Finatec. Para o prefeito Gilberto Kassab (DEM), o contrato está "sob suspeição". Alegando que Kassab também contratou a Finatec em 2007, o PT diz que essa estratégia visa não pagar os contratos herdados de Marta.O nome da Finatec veio à tona em meio ao caso dos cartões corporativos, depois que investigação apontou gasto de R$ 470 mil na reforma do imóvel funcional do reitor da UnB.

Lupi nega acusações e diz que fica no cargo

Por Julianna Sofia
na Folha de São Paulo

Em uma entrevista que se transformou em ato político, o ministro Carlos Lupi (Trabalho) rebateu ontem as acusações de favorecimento do PDT em convênios realizados pelo Ministério do Trabalho. Lupi afirmou que continuará à frente da pasta e no comando do partido e recorrerá à Justiça nos casos em que sua "honra e dignidade" foram atingidas.O ministro apresentou sua defesa a pedido do Palácio do Planalto. A entrevista aconteceu no auditório do Ministério do Trabalho e contou com a presença de vários funcionários do ministério e parlamentares, a maioria do PDT, que chegaram a aplaudir Lupi em algumas ocasiões. "Julgo ser vítima de uma campanha bem articulada para me difamar. Difamar a imagem pública construída ao longo de 30 anos."Ele anunciou que foi criado um grupo de trabalho, formado por servidores de carreira do Trabalho, para fazer um pente-fino nos convênios e identificar eventuais irregularidades. Além disso, a partir da semana que vem, será lançado um portal na internet com a lista dos convênios, das prefeituras, dos Estados e das entidades beneficiadas, e os valores repassados.Lançando mão de tabelas e números, o ministro relatou que os convênios do Ministério do Trabalho com recursos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) somam R$ 430 milhões. Desse total, a maior parte dos recursos é repassada para prefeituras municipais e governos estaduais.Lupi citou todos os partidos beneficiados com tais verbas e o valor dos convênios. O PSDB responde pelo maior volume: R$ 102 milhões. O PT aparece em segundo lugar, com R$ 96 milhões. O PDT foi contemplado com R$ 14 milhões. O DEM (R$ 54 milhões) e o PSB (R$ 52 milhões) surgem em seguida.Além dos convênios realizados com prefeituras e governos, o Ministério do Trabalho assina convênios diretamente com instituições. São esses os casos citados pela imprensa nas últimas semanas sobre favorecimentos ao PDT. "Eu sei e vou chegar lá, mas é preciso mostrar o todo antes para não parecer que só existem esses [casos denunciados]", respondeu o ministro ao ser questionado sobre os casos noticiados.Na explicação, Lupi mostrou que duas entidades citadas já tiveram seus convênios cancelados. Uma delas, a DataBrasil, pediu ao ministério o cancelamento para evitar constrangimentos à instituição e ao ministro. Já a Associação Assistencial São Vicente de Paula, segundo o ministro, teve os recursos bloqueados antes mesmo da publicação da reportagem no jornal "O Globo" e o convênio foi cancelado.No caso de reportagem publicada pela Folha mostrando um convênio a ser realizado com sindicato ligado à Força Sindical, o ministro disse que a parceria ainda não foi fechada e tratava-se de uma proposta. "É a premonição da maldade. Estou sendo acusado de algo que ainda não fiz", atacou Lupi.Ele ainda negou que a maior parte dos recursos de convênios assinados com entidades dentro do programa Consórcio da Juventude favorece o PDT. "Esse número não é real. Que tipo de vínculo existe entre as instituições e o partido? Não se pode manipular informação com desinformação", declarou, sem apresentar detalhes sobre esses casos.O ministro afirmou ainda que sua atuação vai contra setores do empresariado que querem ver sindicatos de trabalhadores fracos.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

O problema é a zaga

O que era a virtude do São Paulo no ano passado passou a ser problema em 2008. Por enquanto o tricolor vai empatando com o Nacional lá na Colômbia. O time adversário saiu na frente. A zaga do São Paulo apanha demais. Ainda bem que Miranda colocou a bola na rede. Só falta arrumar a zaga.