terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Mensagem Urbi et Orbi do Papa Bento XVI

«Santo é o dia que nos trouxe a luz.
Vinde e adorai o Senhor!
Hoje uma grande luz desceu sobre a Terra!»
(Missa do dia de Natal, Aclamação ao Evangelho)

Caros Irmãos e Irmãs!
«Santo é o dia que nos trouxe a luz». Um dia de grande esperança: nasceu hoje o Salvador da humanidade! O nascimento de uma criança traz normalmente uma luz de esperança para os que ansiosamente a esperam. Quando Jesus nasceu na gruta de Belém, «uma grande luz» apareceu sobre a terra; uma grande esperança entrou no coração dos que O esperavam: «lux magna», canta a liturgia deste dia de Natal. Não foi certamente «grande» como o mundo pensa, pois os primeiros a vê-la foram só Maria, José e alguns pastores, depois os Magos, o velho Simeão, a profetiza Ana: os que Deus tinha escolhido. No entanto, na humildade e no silêncio daquela noite santa, acendeu-se para cada homem uma luz esplêndida e inextinguível; chegou ao mundo a grande esperança portadora de felicidade: «O Verbo fez-Se carne e [...] nós vimos a sua glória» (Jo 1,14).
«Deus é luz - afirma S. João - e n’Ele não há trevas» (1 Jo 1,5). No Livro do Gênesis, lemos que, quando teve início o universo, «a terra era informe e vazia. As trevas cobriam o abismo». «Deus disse: “Faça-se a luz!”. E a luz foi feita» (Gn 1,2-3). A Palavra criadora de Deus é Luz, fonte da vida. Tudo foi feito por meio do Logos e sem Ele nada foi feito de tudo quanto existe (cf. Jo 1,3). Eis porque todas as criaturas no fundo são boas, e trazem em si o vestígio de Deus, uma centelha da sua luz. Porém, quando Jesus nasceu da Virgem Maria, a mesma Luz veio ao mundo: “Deus de Deus, Luz da Luz”, professamos no Credo. Em Jesus, Deus assumiu o que não era permanecendo aquilo que era: «a omnipotência entrou num corpo infantil e não se privou do governo do universo» (cf. S. Agostinho, Serm. 184, 1 sobre o Natal). Fez-Se homem Aquele que é o criador do homem para trazer paz ao mundo. Por isso, na noite de Natal, cantam os exércitos do Anjos: «Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens do Seu agrado» (Lc 2,14).
«Hoje uma grande luz desceu sobre a Terra». A Luz de Cristo é portadora de paz. Na Missa da Meia Noite a liturgia eucarística iniciou precisamente com este canto: «Hoje desceu do Céu sobre nós a verdadeira paz» (Antífona de Entrada). Mais ainda, só a «grande» luz vinda de Cristo pode dar aos homens a «verdadeira» paz: eis porque cada geração é chamada a acolhê-la, a acolher a Deus que em Belém Se fez um de nós.
Isto é o Natal! Acontecimento histórico e mistério de amor que, há mais de dois mil anos, interpela os homens e as mulheres de cada época e lugar. É o dia santo em que brilha a «grande luz» de Cristo portadora de paz! Certamente, para reconhecê-la, para acolhê-la, é preciso fé, é preciso humildade. A humildade de Maria, que acreditou na palavra do Senhor e foi a primeira que, inclinada sobre a manjedoura, adorou o Fruto do seu ventre; a humildade de José, homem justo, que teve a coragem da fé e preferiu obedecer a Deus mais que preservar a própria reputação; a humildade dos pastores, dos pobres e anónimos pastores, que acolheram o anúncio do mensageiro celeste e à pressa foram à gruta onde encontraram o Menino recém-nascido e, cheios de maravilha, O adoraram louvando a Deus (cf. Lc 2,15-20). Os pequenos, os pobres em espírito: eis os protagonistas do Natal, ontem como hoje; os protagonistas de sempre da história de Deus, os construtores incansáveis do seu Reino de justiça, de amor e de paz.
No silêncio da noite de Belém, Jesus nasceu e foi acolhido por mãos carinhosas. E agora, neste nosso Natal em que continua a ressoar o feliz anúncio do seu nascimento redentor, quem está preparado para Lhe abrir a porta do coração? Homens e mulheres deste nosso tempo, Cristo vem trazer a luz também a nós, vem dar-nos a paz também a nós! Mas quem vigia, na noite da dúvida e da incerteza, com o coração desperto e em oração? Quem espera a aurora do novo dia, mantendo acesa a chamazinha da fé? Quem tem tempo para escutar a sua palavra e deixar-se envolver pelo fascínio do seu amor? Sim! É para todos a sua mensagem de paz; é a todos que vem oferecer-Se a Si próprio como esperança certa de salvação.
A luz de Cristo, que vem iluminar cada ser humano, possa finalmente brilhar, e sirva de consolação especialmente para os que vivem nas trevas da miséria, da injustiça, da guerra; para os que ainda se vêem negada à legítima aspiração a uma mais garantida sustentação, à saúde, à instrução, a uma ocupação estável, a uma maior participação nas responsabilidades civis e políticas, livres de qualquer opressão e ao abrigo de condições que ofendem a dignidade humana. Vítimas de conflitos armados sangrentos, do terrorismo e de violências de todo tipo, que acarretam incríveis sofrimentos a inúmeras populações, são de modo particular as faixas mais vulneráveis, as crianças, as mulheres, os anciãos. Enquanto que as tensões étnicas, religiosas e políticas, a instabilidade, a rivalidade, as contraposições, as injustiças e as discriminações, que dilaceram o tecido interno de muitos Países, exacerbam as relações internacionais. E no mundo cresce sempre mais o número dos imigrantes, dos refugiados, dos desamparados, devido também às freqüentes calamidades naturais, causadas não raro pelos preocupantes desastres ambientais.
Neste dia de paz, o pensamento se dirige sobretudo ali onde ressoa o fragor das armas: às martirizadas terras do Darfur, da Somália e do norte da República do Congo, às fronteiras da Eritreia e da Etiópia, a todo o Oriente Médio, nomeadamente ao Iraque, ao Líbano e à Terra Santa, ao Afeganistão, ao Paquistão e ao Sri Lanka, à região dos Bálcãs, e às outras muitas regiões em crise, infelizmente muitas vezes esquecidas. O Menino Jesus traga alivio a quem passa pela provação e infunda aos responsáveis de governo a sabedoria e a coragem de procurar e encontrar soluções humanas, justas e duradouras. À sede de sentido e de valor que anela o mundo de hoje, à procura de bem-estar e de paz que aspira a vida de toda a humanidade, às expectativas dos pobres Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, responde com o seu Natal. Não tenham medo os indivíduos e as nações de reconhecê-Lo e de acolhê-Lo: com Ele «uma esplêndida luz» ilumina o horizonte da humanidade; com Ele abre-se um «dia santo» que não conhece ocaso. Este Natal seja verdadeiramente para todos um dia de alegria, de esperança e de paz!
«Vinde e adorai o Senhor!». À sede de sentido e de valor que hoje o mundo experimenta; à procura de bem-estar e de paz que caracteriza a vida de toda a humanidade; às expectativas dos pobres, Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, responde com o seu Natal. Não temam os indivíduos e as nações reconhecê-Lo e acolhê-Lo: com Ele, «uma esplêndida luz» ilumina o horizonte da humanidade; com Ele, abre-se «um dia santo» que não conhece ocaso. Este Natal seja verdadeiramente para todos um dia de alegria, de esperança e de paz!
Com Maria, José e os pastores, com os Magos e a multidão inumerável de humildes adoradores do Menino recém-nascido que, ao longo dos séculos, acolheram o mistério do Natal, também nós, irmãos e irmãs de cada continente, deixemos que a luz deste dia se propague em o todo lugar; entre nos nossos corações, ilumine e aqueça as nossas casas, traga serenidade e esperança às nossas cidades, dê paz ao mundo. Estes são os meus votos para vós que me escutais. Votos que se fazem prece humilde e confiante ao Menino Jesus, a fim de que a sua luz dissipe todas as trevas da vossa vida e vos encha do amor e da paz. O Senhor, que fez resplandecer em Cristo a sua face misericordiosa, vos sacie da sua felicidade e vos torne mensageiros da sua bondade. Feliz Natal!

Crise e MPs pautam ano legislativo e reformas 'encalham' novamente

Por Eugênia Lopes
no Estado de São Paulo

Com a pauta entupida de medidas provisórias e envolvidos na crise deflagrada em maio no Senado, que culminou com a renúncia de Renan Calheiros (PMDB-AL) no início de dezembro à presidência da Casa, os parlamentares deixaram de lado a votação de propostas consideradas polêmicas, que acabam o ano de 2007 engavetadas. São projetos recorrentes na pauta da Câmara e do Senado, como é o caso das reformas tributária e política, mas entra ano, sai ano, nunca são apreciados pelos congressistas. Enquanto isso, o Executivo dominou a produção legislativa: foi o autor de119 projetos dos 157 sancionados pelo Congresso (75,8%) este ano, enquanto os parlamentares se incumbiram de apenas 36 propostas (22,9%), boa parte sem maior importância (leia abaixo).“Quando a proposta é polêmica, os interesses se manifestam e, por isso, ela dificilmente ela é votada”, resume o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM). “Mas em alguns casos a aparente morosidade do Legislativo pode ser sinal de sabedoria.” Ele cita como exemplo a emenda constitucional que reduz a maioridade penal dos atuais 18 para 16 anos de idade. “Votei a favor dessa proposta quando ela passou na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Mas hoje tenho menos certeza do meu voto e acho que quando ela for votada em plenário votarei contra”, observa.“As reformas política e tributária acabaram frustradas em 2007 pela crise desencadeada com as denúncias contra o senador Renan Calheiros”, argumenta o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN). Em sua avaliação, à exceção dessas reformas, as propostas que não foram votadas são pontuais. “São coisas importantes, mas não são coisas macro. Além disso, as medidas provisórias atropelam os projetos. Cada vez que vinha uma nova MP, perdia-se o foco dos projetos que estavam em discussão”, afirma Agripino. “A produção legislativa do Congresso este ano ficou no varejo e falhou no atacado.” Já a líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), faz um balanço positivo da produção legislativa em 2007. “Não consigo me lembrar de nenhum projeto importante e relevante que não tenha sido votado”, diz a petista. “Agora, o Senado virou samba de uma nota só: primeiro o caso Renan, depois a CPMF.”“O Senado votou praticamente tudo o que tinha de ser votado, apesar de ter sido um ano conturbado”, afirma o líder do PMDB, Valdir Raupp (RO). “As coisas ficaram paradas na Câmara.” Já para o líder do PSDB na Câmara, Antonio Carlos Pannunzio (SP), a produção legislativa foi pífia. “Deixamos de votar matérias relevantes, como a emenda constitucional de reduz o número de vereadores, a que trata do voto aberto nas votações de cassação de mandato e projetos na área de segurança, além da reforma política”, observa o tucano. Ele faz, no entanto, um mea-culpa: “Os parlamentares têm sua parcela de culpa. Entramos, por exemplo, no plenário para apreciar medida provisória sem conhecer sequer o relatório com as propostas de mudança.”
‘RECESSO BRANCO’
As expectativas para 2008 não são muito animadoras em relação a votações no Congresso. Afinal, é ano de eleições municipais e, apesar de uma minoria de parlamentares sair candidata às prefeituras, a Câmara e o Senado vão parar a partir do meio do ano. Ou seja: não adianta fazer uma pauta de votação ambiciosa em nenhuma das duas Casas porque, depois de julho, o Congresso ficará em “recesso branco”. “Não basta o presidente fazer a pauta. A política vai fazendo prioridades a todo momento”, observa o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP).É o caso, por exemplo, da reforma tributária, que, depois da derrota da prorrogação da CPMF no Senado, voltou a encabeçar a lista de prioridades tanto dos líderes aliados quanto dos oposicionistas para o primeiro semestre de 2008. “A reforma tributária não andou até hoje porque a espinha dorsal passa pelo ICMS. E, se não tiver uma disposição coletiva de todos os governadores de Estado, ela não anda”, ressalta Ideli. “Os conflitos federativos acabam dificultando qualquer reforma tributária”, concorda o ex-ministro e presidente do PP, senador Francisco Dornelles (RJ). “Ninguém agüenta mais essa carga tributária. É preciso aprovar a reforma para desonerar a tributação”, defende Pannunzio.

Senadora revela lobby em indicação da Anvisa

Por Lígia Formenti
no Estado de São Paulo

A liberação de defensivos agrícolas “genéricos” no País acabou sendo usada como moeda de troca para a aprovação do nome do farmacêutico Dirceu Raposo de Melo na direção da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Atual presidente da agência, Melo teve seu cargo de direção renovado em tempo recorde. Mesmo antes de o mandato expirar, sua indicação foi publicada no começo da semana passada no Diário Oficial e, na quarta-feira, já estava sendo sabatinado pela Comissão de Assuntos Sociais do Senado. A rapidez veio acompanhada de uma costura política feita com a participação direta do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), padrinho político do farmacêutico. A negociação começou já na terça-feira, com ligações telefônicas para convencer senadores a votar favoravelmente pela manutenção de Raposo de Melo. Descontente com a lentidão da análise de processos para liberação de agrotóxicos, a senadora Kátia Abreu (DEM-TO) avisou que iria pedir vista do processo - o que atrasaria a recondução de Raposo de Melo.“Fui chamada então para um café da manhã, na casa de Chinaglia, com a participação de Dirceu e do deputado Ronaldo Caiado”, contou a senadora. De acordo com Kátia, ao chegar ao encontro Dirceu foi logo perguntando: “O que posso fazer por você?” Ela pediu rapidez. E ele concordou. A assessoria de imprensa da Anvisa confirmou o encontro.A conversa, que seria mantida em reserva, porém, foi revelada pela própria senadora, antes de ela declarar seu voto durante a sabatina. Depois da sessão no Senado, ela contou: “Queria o compromisso público. Deu resultado. Logo depois da sessão, Melo ligou para o deputado Ronaldo Caiado, combinando um novo encontro.”
CÂMARA TÉCNICA
Na reunião, Melo se comprometeu a criar uma câmara técnica na Anvisa para discutir exclusivamente a liberação dos produtos. “São cinco princípios, produtos genéricos que podem reduzir de forma drástica o custo de culturas do algodão, da soja e algodão”, garantiu Kátia. As revelações feitas pela senadora durante a audiência provocaram constrangimento. Agências reguladoras foram criadas na tentativa justamente de manter independência. Seu regulamento foi feito pensando principalmente em “blindar” diretores contra eventuais pressões de setores produtivos ou políticos. A senadora está confiante de que a liberação dos agrotóxicos agora sai.Uma impressão que não é totalmente verdadeira. Além de Melo, há outros diretores na Anvisa. Qualquer decisão precisa ser votada, e aprovada.

Senador afirma ser vítima de retaliação por causa de CPMF

Na Folha de São Paulo

No último dia de sessão no Senado, Mozarildo Cavalcanti (PTB-PR) afirmou ontem que encaminhou um pedido de investigação à Procuradoria Geral da República sobre suposta retaliação que o governo teria praticado por conta da votação da CPMF. O petebista faltou à sessão em que o governo não conseguiu os 49 votos necessários para aprovar a prorrogação da contribuição até 2011.Em discurso da tribuna, ele disse que o advogado-geral da União, José Antonio Dias Toffoli, tomou uma medida administrativa para prejudicar um genro dele como forma de retaliação. Procurado pela Folha pelos telefones de sua assessoria, Toffoli não foi encontrado.Segundo Mozarildo, o advogado-geral da União assinou, no dia 14, o ato regimental nº 8 em que proíbe a cessão de procuradores federais a Estados com menos de 500 mil habitantes. A medida atinge o genro do senador, que trabalha como procurador cedido a Roraima."Ora, só tem Roraima que não tem 500 mil habitantes! É uma portaria destinada, digamos assim, para me chantagear de novo. Nós não estamos mais brigando para que meu genro fique à disposição do Estado", disse. O senador acusou ainda o governo de direcionar emendas.Ontem, na última sessão do ano, além de Mozarildo, só outros 7 dos 81 senadores estavam no plenário. Nem o presidente da Casa, Garibaldi Alves (PMDB-RN), permaneceu em Brasília.

É Natal

Já passou da meia noite. Então... FELIZ NATAL!!!

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Vai ter punição?

Fernando Collor de Melo é o senador campeão de faltas. Quero saber se o salário dele foi cortado. Quero saber qual punição ele receberá. O que esperar de Fernando Collor de Melo no Senado? Isso...

Cristovam e o "deixa como está"

Nas eleições presidenciais de 2006 votei em Cristovam Buarque para presidente no primeiro turno. Ele defendia a educação. Como muitos dizem por aí, só a educação transforma o Brasil. Mas, Cristovam não foi eleito. Muita gente, mas muita gente mesmo, não pensa igual a mim e os outros que votaram em Cristovam. Vai ver nós fomos enganados e a educação não muda o Brasil.
Hoje me decepcionei com Cristovam. Ele é do PDT. O presidente do partido Carlos Lupi é ministro do Trabalho. Ou seja, além de presidir o partido fundado por Leonel Brizola é ministro de Estado. A Comissão de Ética Pública recomendou que Lula o demitisse. Não pode ser duas coisas ao mesmo tempo. Ou é presidente do PDT, ou é ministro do Trabalho. O pedido de demissão está dando o que falar. Todo mundo sabe que Lupi está errado. Todo mundo sabe que não pode ter este “choque de funções” como alega a comissão. Mas, sempre tem aquele grupo que fala “Ah, com fulano não fizeram nada”. Quer dizer, se os outros erraram no passado os erros devem permanecer no presente. Cristovam engrossa o coro dos descontentes. Ele acha que há “alguma coisa por trás” nesta decisão da Comissão de Ética Pública. Diz o senador: Eu não nego que, apesar do meu carinho pelo presidente Lupi, ele não poderia ficar com as duas funções. Mas não por uma decisão da comissão de ética do governo. Cristovam sabe que o presidente do seu partido está errado e mesmo assim entra neste joguinho de empurra-empurra, de que “deixa como está”. Não! Se um dos membros do partido acha que há choque de funções, que não se pode presidir um partido e ser ministro de Estado, então Lupi tem que sair. Sai, Lupi! Pede pra sair! Só não pode é “deixar como está”.

É sempre bom voltar no tempo

Nós não podemos esquecer das promessas dos nossos políticos. Também não podemos esquecer do que eles disseram quando eram candidatos e o que dizem quando estão no comando. Sobre Lula já mostrei aqui diversas reportagens que mostrava um Sapo Barbudo grilado com a corrupção no país e outras com o “Lulinha Paz e Amor” dizendo que a corrupção sempre aconteceu nestêpaiz.
Ontem eu publiquei aqui um trecho de uma entrevista de Marconi Perillo concedida ao Jornal Opção dias antes de deixar o governo e sair candidato ao Senado nas eleições de 2006. É bom a gente relembrar. Vale a pena ver (ou ler) de novo. Disse Marconi: Assim que assumir o governo, Alcides anunciará muitas medidas importantes para a população. É o caso da redução do imposto de toda a cadeia do álcool, o que permitirá uma redução do preço do produto na bomba. Também vai aumentar o valor da Renda Cidadã e concluir obras rodoviárias importantes. Ontem, o governador de Goiás Alcides Rodrigues, o popular Cidinho, esteve no Goiânia Arena entregando brinquedos para crianças de famílias carentes. Os jornalistas presentes ao evento ouviram algumas palavras de Cidinho. Vamos voltar a pagar esses benefícios o mais breve possível, mas atendendo as famílias que realmente necessitam deles. Espera aí. Marconi disse que Cidinho aumentaria o Renda Cidadã assim que assumisse o governo e, um ano e meio depois Cidinho fala que os benefícios voltarão a ser pagos em breve? Ou Marconi mentiu na entrevista, ou Cidinho é incompetente. Ou as duas coisas juntas. Marconi pintou e bordou Cidinho nas eleições estaduais de 2006. Sempre dizia que seu vice sempre esteve do seu lado durante os seus dois mandatos de governador. Até agora ninguém sabe por que Marconi disse que Cidinho, ao assumir o governo, aumentaria o Renda Cidadão e se Cidinho tinha consciência disso e por que os benefícios sociais não foram pagos. Sem contar a crise financeira que assola o estado. Ninguém quer assumir a culpa e ninguém quer largar o osso para resolver o problema. É sempre bom voltar no tempo e relembrar os discursos e promessas dos políticos. Isso nos faz sempre duvidar deles. É primordial duvidar dos políticos. Principalmente quando vemos Cidinho desejando um 2008 melhor que 2007 que, segundo ele mesmo, foi bom. Foi bom? Se em 2007 os benefícios sociais não foram pagos, o estado não tem dinheiro no cofre (Ô, Delúbio, devolve logo o salário recebido indevidamente), a base aliada bateu cabeça e a oposição foi conivente com o governo é melhor a gente nem fazer qualquer tipo de previsão para o ano que logo se inicia.

Eles não são "assim como todos nós"

Um leitor me manda um comentário. Não concorda com as críticas que fiz à possível candidatura de Renata Cheim (será que se pronuncia “Quem”?) à Câmara Municipal de Goiânia nas eleições do ano que vem. Diz o nobre leitor: Outra coisa, traficante tb vota meu amigo, assim como todos nós, pois são traficantes sim mas não deixaram de ser cidadaõs e voto dele (s)vale tanto quanto o teu ou o meu. Epa! Traficante não é “assim como todos nós”. Eles corrompem. Eles matam. Eles roubam. Eles não são “assim como todos nós”. Aproveito a resposta ao leitor para fazer mais uma pergunta: Por que o traficante acha a delegada “gente boa”? E relembro a pergunta do post referido à delegada: Será que este traficante que votaria na Renata “gente boa” está na cadeia? Não, caro leitor. Eles não são “assim como todos nós”. Eles, como diria o Alborgueti, “rasgam a Constituição na nossa cara”. Quem faz isso é cidadão?
O leitor ainda comenta sobre a foto que publiquei. Sim, me incomoda e muito ver o secretário de Segurança Pública de Goiás Ernesto Roller dividir mesa com Delúbio Soares. O procurador geral da República Antônio Fernandes de Souza classificou o mensalão como uma organização criminosa. Sim, Delúbio Soares fazia parte desta organização. E tem mais: a Justiça daqui determinou que o ex-tesoureiro devolvesse aos cofres públicos R$ 164 mil por salários recebidos indevidamente porque ele estava de licença remunerada do cargo de professor na rede estadual de ensino para atuar no Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás. Porém, Delúbio não estava no sindicato e sim em São Paulo. Ver Ernesto Roller ao lado de Delúbio me incomoda sim. Me incomoda também ver o ex-tesoureiro com a camisa do São Paulo. Sou são paulino e sei que as glórias tricolores são maiores que o homem da mala do PT. Salve o tricolor paulista! Abaixo Delúbio!
Tirar fotos ao lado de corruptos é perigoso. Dizem que aquele dossiê fajuto que os petistas estavam armando contra a candidatura de José Serra ao governo de São Paulo nas últimas eleições estaduais continha fotos do ex-ministro da Saúde do governo Fernando Henrique Cardoso entregando ambulâncias de empresas da máfia dos sanguessugas. Se essas fotos são verdadeiras eu não sei. O dossiê é fajuto e até agora não se sabe a origem do dinheiro encontrado com os petistas que comprariam tal dossiê da família Vedoin.
Vamos voltar aos assuntos levantados pelo leitor. Eu não disse que Renata Cheim é corrupta. Só acho errado ela dizer que um traficante autuado por ela dizer que votaria no seu nome por achar “gente boa”. Traficante tem que ter medo de delegado e aprender a cumprir as leis. Se o traficante acha a delegada “gente boa” deve ter os motivos. Eu quero saber os motivos. Eu quero saber se ele ainda está preso. Entendeu?

Não vote em Renata Cheim


Para mim as eleições de 2008 começaram hoje. Minha campanha é evitar que a delegada Renata Cheim seja eleita vereadora aqui em Goiânia. Mas por que isso? Algum tipo de machismo? Que nada. Só peço que vocês leiam a entrevista concedida pela delegada ao Diário da Manhã de hoje. Ao ser perguntada se acreditava na possibilidade de algum acusado preso por ela lhe der o voto ela respondeu: Um traficante autuado por mim comentou com um funcionário da delegacia que votaria em mim porque, apesar de eu tê-lo prendido, eu era ‘gente boa’. Não votem em Renata Cheim para vereadora nas eleições municipais de 2008. Político que aceita voto de traficante não merece um pingo de confiança. Delegado que é considerado “gente boa” por bandido não merece confiança. Eu gostaria de saber se este traficante citado pela delegada ainda está preso. Para finalizar a entrevista, perguntaram o ídolo político de Renata Cheim. Sabe quem é o ídolo dela? O seu chefe, o secretário de Segurança Pública Ernesto Roller. Sobre ele, a delegada fez vários elogios. Ah, Renata Cheim também citou Rui Barbosa. Ela o acha admirável. Só isso. Para Rui Barbosa uma frase, para Ernesto Roller vários adjetivos. Tenho uma foto que eu escaneei do jornal O Popular que mostra Ernesto Roller dividindo uma mesa de bar com Delúbio Soares. O secretário de Segurança Pública do Estado de Goiás sentado ao lado do tesoureiro da quadrilha petista. Este é o ídolo de Renata Cheim. Se seu ídolo senta ao lado de um integrante de uma quadrilha não é de se assustar quando vemos Renata achar engraçado um traficante dizer que vota nela por ser “gente boa”. Eu também admiro Rui Barbosa. E por admirar Rui Barbosa é que eu afirmo desde já: Não vote em Renata Cheim.

Oposição de merda

Isso mesmo! Vamos ser diretos: OPOSIÇÃO DE MERDA! Leia aí abaixo a notícia que saiu no Estado de São Paulo de hoje. A nossa oposição ainda acredita que pode fazer Lula sangrar até 2010. Por mais que a gente aponte os erros, por mais que a gente fale que o caminho certo é derrubar Lula agora, a oposição não colabora. Esse negócio de sangrar Lula não dá certo. Lula sangrando comove o povo. Não dá certo! Mas, a oposição de merda quer seguir o seu caminho, o caminho do erro, o caminho da perdição. Não adianta. Eles não aprendem. O jeito é ligar o computador, escrever uns posts e tentar derrubar Lula e sua corja sozinho mesmo. Repito: OPOSIÇÃO DE MERDA!!!

Deus salve a Rainha

A Rainha Elizabeth II lançou um canal no You Tube. No site de vídeos ela mandou sua mensagem de natal. Já no Brasil, o Rei Bananão preferiu criar uma TV Pública. O Bananão quer torrar dinheiro. No You Tube você não gasta nem para colocar os vídeos e muito menos para assisti-los. A rainha está ligada na modernidade e quer manter sempre aberto o canal de comunicação com seus súditos. No Brasil, o Bananão quer arrancar dinheiro do povo para criar um canal de televisão que o povo não assiste. Abaixo o Bananão! Deus salve a Rainha.

Oposição planeja fazer Lula 'sangrar' sem trégua até 2010

Por Ana Paula Scinocca
no Estado de São Paulo

Depois de derrotar o governo e pôr fim à CPMF, a oposição pretende daqui para a frente aproveitar todas as chances de desgastar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Isso tem uma razão: evitar que, em 2010, Lula ainda tenha silhueta de candidato ou de forte cabo eleitoral.Líderes do PSDB e do DEM, os dois principais partidos da oposição, sabem que não podem repetir o erro cometido em 2005. À época, acharam que o desgaste natural de Lula no escândalo do mensalão iria prejudicá-lo na campanha à reeleição. Não foi o que se viu. Agora, caciques e parlamentares das duas siglas estão convencidos de que precisam trabalhar com os erros do adversário.Dois dos principais estrategistas da oposição, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e o ex-senador e ex-presidente do DEM Jorge Bornhausen estão convencidos de que o governo não pode ter uma agenda positiva. Eles acham que o desgaste de Lula é a única maneira de os dois partidos chegarem a 2010 com alguma chance de voltar ao poder. Embora ressalve que o petista não tem perfil de ditador, Fernando Henrique tem expressado o temor de o PT, na ausência de um candidato de peso, ressuscitar a tese do terceiro mandato.“Lula não pode chegar em 2010 com a popularidade de 60%. Se repetir o fenômeno Aécio Neves em Minas, que sem oposição tinha bons índices de popularidade, ninguém supera o PT no próximo pleito”, afirmou o novo presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), em conversa informal no cafezinho do Senado na segunda-feira.O DEM vai aproveitar a temporada de combate ao PT para fazer renascer as idéias liberais que deram origem ao partido. O combate ao aumento de impostos e à gastança do governo foi uma pitada inicial do que vem por aí. O partido pretende ataques mais ousados , em 2008, mas sem dar ao governo o discurso de que a oposição aposta no quanto pior, melhor. “Não temos de fazer essa linha. A oposição tem de administrar o seu dia-a-dia e trabalhar com os erros e fraquezas do governo”, analisa o senador Heráclito Fortes (DEM-PI). Ele afirma que não foram os oposicionistas que articularam a derrota do Planalto no Senado com a derrubada do imposto do cheque.“Foi o governo que perdeu, pois não conseguiu unir sua base e ter 49 votos para aprovar a CPMF”, completa. O prefeito do Rio, César Maia (DEM), afirma que 2008 é um ano “muito importante” para a oposição. “A base do governo se fraciona nas eleições municipais, pois estas são vitais para as eleições a deputado federal e estadual dois anos depois”, argumenta. “Com a base do governo fracionada a oposição terá um ano, de julho de 2008 a julho de 2009, até que as feridas da base sejam cicatrizadas. É saber aproveitar.”

Gestão pública é ineficiente, atesta estudo

Por Paulo Darcie
no Estado de São Paulo

A gestão pública brasileira, nos mais variados níveis, não aplica recursos de forma eficiente nos setores que tradicionalmente gere - segurança, educação, saúde e previdência -, segundo estudo feito pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), sob encomenda do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (Etco). “As variáveis de gestão são mais importantes do que o montante investido”, avalia o presidente do Etco, André Franco Montoro Filho.Na área da educação, o Brasil demonstra baixo rendimento quando os dados aqui alcançados são comparados com resultados de outros países que se submeteram ao Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa). Enquanto o Brasil, que investe 6,6% do PIB em educação (somados os investimentos públicos e privados), alcançou apenas 350 pontos no Pisa, a média internacional é de 500 pontos, com o porcentual médio de aplicação de 6,3% do PIB no setor.Ao analisar os gastos de pequenas unidades, o estudo confrontou o rendimento da Escola Municipal José Negri, de Sertãozinho (SP) - que obteve média 6,1 no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), gastando R$ 2,6 mil por ano com cada aluno -, com a Escola Municipal José Ferreira Bastos, de Itabirito (MG), que teve média 5,9, despendendo R$ 700 a menos por estudante/ano. “Fatores como a existência de salas de computadores conectados à internet e salas de leitura puxam o rendimento para cima”, afirma Montoro.
PAREDÃO DA BUROCRACIA
O gasto público com saúde também se revelou ineficiente. A atenção básica, que pode resolver até 85% dos problemas de saúde da população, é o alvo do Programa Saúde da Família (PSF) e do Programa Agentes Comunitários de Saúde (PACS). Mas o estudo mostra que, mesmo que esses programas alcancem a totalidade da população, a interação dos serviços básicos com centros médicos de alta complexidade é falha. Como a atenção à saúde envolve as três esferas do poder público, as ações esbarram na burocracia e nos atrasos de repasses. Outro problema é que as faculdades de medicina priorizam a formação em especialidades, quando o PSF precisa de médicos generalistas.Na área da segurança, o gasto cresce acompanhando os índices de criminalidade, quando o desejável seria que o aumento dos repasses contribuísse para reduzir aqueles índices. O estudo detecta que os gastos com mecanismos de repressão crescem proporcionalmente mais que os recursos destinados a prevenção. Em São Paulo, revela o estudo, metade do orçamento anual de segurança vai para a Polícia Militar. Alega o estudo que a cidade de Diadema, no ABC paulista, que foi conhecida por altos índices de violência, apostou em prevenção e monitoramento, em lugar de repressão, e melhorou seus índices.O estudo identifica uma relação virtuosa: investimentos sociais que consigam diminuir em 1% o índice de Gini (que mede a desigualdade social), provocariam, ao mesmo tempo, uma queda de 55% na taxa de homicídios. Ou seja, alcançariam um resultado dez vezes mais eficiente do que seria possível com o aumento de 1% dos gastos públicos em segurança - que induziria uma queda de apenas 5% na taxa de homicídios.Para mudar esse cenário, salienta o estudo, as administrações públicas precisariam passar por um choque de gestão. “É muito dinheiro com pouco resultado. Temos gastos equivalentes aos do Japão e EUA, e resultados de terceiro mundo”, afirma o coordenador do estudo, o economista Hélio Zylberstajn. Para ele, o Estado contribui para a ineficiência quando tem uma relação com seus funcionários que garante estabilidade e raramente cobra o cumprimento de metas . “Se cada funcionário público fosse permanentemente avaliado, como acontece no setor privado, seu rendimento seria melhor.”
PROVA DE MAU GASTO
Um indicativo de mau gasto é que, de cada R$ 100 arrecadados pelo governo, o pagamento de juros da dívida pública abocanha R$ 19, outros R$ 30 vão para a previdência e sobram R$ 51 para todos os demais gastos de custeio e investimentos. “A população ainda é jovem e os gastos da previdência só crescem. Em 15 ou 20 anos, o País não vai mais suportar”, afirma Zylberstajn. Ele propõe um novo sistema previdenciário, que garanta para uma geração benefícios no valor recolhido por ela. Dessa forma, uma geração não transferiria encargos para as próximas.O cientista político Cláudio Couto aponta a profissionalização do serviço público e a melhoria dos mecanismos de compras estatais mediante pregões eletrônicos como essenciais para melhorar os níveis de eficiência da gestão pública. Mas se confessa pessimista: “Não percebo o mínimo movimento em direção à eficiência do gasto público, nem por parte do atual governo nem dos anteriores”.

Com mensagem de Natal, rainha Elizabeth lança canal real no YouTube

Na Folha de São Paulo

Elizabeth 2ª é pop. Antenada com seu tempo como poucos governantes, a rainha britânica lançou ontem seu próprio canal no site de compartilhamento de vídeos YouTube, o Royal Channel.O mote é a divulgação de sua 50ª mensagem natalina televisiva -a monarca de 81 anos, segundo o Palácio de Buckingham, quer assim que seu discurso seja "mais acessível às platéias mais jovens e àqueles em outros países".Mas a oferta vai além: no site é possível assistir à coroação, a investiduras, ritos fúnebres, discursos e festas da Casa de Windsor. As cerimônias de casamentos reais também estão disponíveis -uma pérola é o filme mudo das bodas da rainha-mãe, morta em 2002, em 1923. São ainda apenas 18 vídeos, com a promessa de que o canal seja alimentado regularmente.Na terra da mãe de todas as TVs e rádios públicas, a BBC, a sintonia de Elizabeth 2ª com os súditos vem de longe. "A rainha sempre se manteve a par de novas formas de comunicação com o povo", lembrou o Palácio. Em 25 de dezembro de 1957, ao levar ao ar seu primeiro discurso de Natal televisivo em uma época em que o aparelho começava a se popularizar nos lares britânicos, a monarca dissera esperar "que o novo meio tornasse sua mensagem natalina mais pessoal e direta".No ano passado, o discurso de Natal passou a ser divulgado em podcast, formato cada vez mais explorado por políticos mundo afora. E a mensagem televisiva, pela primeira vez, será transmitida neste ano em alta definição.Ontem, o vídeo real do Natal de 1957 era o destaque do site, adornado com fotos do Palácio de Buckingham e da Guarda Real. A página se anuncia como "o canal oficial da monarquia britânica".O YouTube foi fundado em 2005 e, no ano passado, foi comprado pelo Google com ações que valiam na época US$ 1,65 bilhão -mais de cem vezes o valor de seu faturamento comercial no ano.

Bolsa Família vai ganhar secretaria da "porta de saída"

Por Eduardo Scolese
na Folha de São Paulo

O Ministério do Desenvolvimento Social deve ganhar no primeiro semestre de 2008 uma secretaria para buscar caminhos à chamada "porta de saída" aos beneficiários do programa Bolsa Família. O ministro Patrus Ananias disse à Folha que o novo braço da pasta será chamado de Secretaria de Geração de Oportunidades e de Inclusão Produtiva.A idéia é que ela atue, por exemplo, em programas de capacitação profissional e de geração de emprego e renda, na integração de programas de microcréditos e na inclusão desses beneficiários como mão-de-obra em algumas das obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).O tamanho da nova secretaria, o que definirá sua capacidade de alcance, depende ainda da palavra final do Ministério do Planejamento.O tema da "porta de saída" do Bolsa Família, principal programa social do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tem sido uma cobrança tanto da oposição como de instâncias do próprio governo petista. Ou seja, o programa cresceu rapidamente, foi fundamental na reeleição do presidente Lula e agora precisa partir a uma segunda etapa que, na prática, o ajude a desgrudar do rótulo do assistencialista.O Bolsa Família atende hoje cerca de 11 milhões de famílias, com a transferência mensal entre R$ 18 e R$ 112, a depender a renda e do número de filhos. Para 2008, o programa tem uma previsão orçamentária de R$ 10,3 bilhões.Reportagem do mês passado da Folha mostrou que muitos dos beneficiários do programa não conseguem sair da linha da extrema pobreza mesmo após receber o teto de R$ 112. Nesse casos, depois do pagamento do Bolsa Família, a renda familiar média continua a não atingir o valor de R$ 60 por pessoa.Patrus rejeita o termo "porta de saída" e prefere falar em "ações emancipatórias". Em quatro anos de programa, cerca de 30 mil famílias (o equivalente a 0,27% do total de famílias atendidas) fizeram a devolução voluntária do cartão do programa ao governo."Uma pessoa que nunca trabalhou ou que está desempregada há muito tempo perde a auto-estima e fica muito mais vulnerável a problemas de alcoolismo, de drogas. Ela se desconstitui. E lidamos com pessoas muito pobres, onde o trabalho de resgate é mais de médio e de longo prazos", disse.Questionado se existe uma "acomodação" dos beneficiários com o programa, Patrus afirmou que, nesse tipo de crítica, identifica "a herança do colonialismo e do escravagismo". "Tem um setor [da elite] ainda com um pensamento conservador. Têm alguns que, se dependesse deles, a escravidão existiria até hoje no Brasil. São aqueles que acham que os negros, índios e pobres constituem uma classe inferior."Também está na mesa da equipe econômica um pedido de ampliação do quadro de funcionários do Ministério do Desenvolvimento Social. Hoje são 1.300, sendo metade deles terceirizados. Os ministros Paulo Bernardo (Planejamento) e Guido Mantega (Fazenda), porém, só devem se debruçar sobre essa segunda demanda assim que for reorganizado o caixa do governo após o fim da CPMF (87% do Bolsa Família é bancado com recursos do chamado imposto do cheque)."O nosso ministério ficou aquém diante das responsabilidades que assumiu. Somos hoje um ministério mais do que enxuto, que está aquém mesmo de suas responsabilidades", disse Patrus, que vê um excesso de trabalho em sua equipe.

Desigualdade educacional é ainda maior que a de renda

Por Antônio Góis
na Folha de São Paulo

O abismo que separa pobres e ricos no país em termos de aprendizado é maior que o verificado na desigualdade de renda, área em que, apesar dos avanços recentes, o Brasil ainda é lembrado como uma das nações mais desiguais.A conclusão é de um estudo do pesquisador José Francisco Soares, coordenador do Grupo de Avaliação e Medidas Educacionais da Universidade Federal de Minas Gerais.Publicado no periódico científico "International Journal of Educational Research" (Jornal Internacional de Pesquisa Educacional), o trabalho estimou a desigualdade na educação brasileira usando parâmetros similares aos do índice de Gini, fórmula usada por economistas para avaliar o grau de desigualdade na renda de um país. Esse índice varia de zero a um, sendo um o máximo de desigualdade.Usando a mesma escala, Soares calculou a desigualdade de aprendizado de alunos brasileiros a partir das notas dos estudantes de oitava série nas provas de matemática do Saeb em 2003 (exame do MEC que avalia a qualidade da educação) e chegou ao índice de 0,635."É um valor alto, o que mostra que o resultado do sistema educacional brasileiro fica muito abaixo das expectativas. É também superior ao índice de Gini do Brasil, ou seja, a desigualdade educacional [...] é maior do que a econômica", afirma o pesquisador em seu artigo. Para 2003, o IBGE calculou em 0,545 o índice de Gini brasileiro.O estudo mostra ainda que a desigualdade entre meninas é maior do que a entre meninos e que, de 1995 a 2003, houve aumento no índice.Para calcular a desigualdade, Soares diz que os economistas estabeleceram como parâmetro uma situação ideal em que todos teriam a mesma renda e, a partir daí, medem quão distante cada país está disso. "O que fiz foi adaptar essa idéia para a educação. Aqui, entretanto, o ideal em termos de desempenho não é a igualdade. Não podemos querer que todos aprendam o mesmo em todas as áreas. Quando eu olho uma boa escola, é preciso que ela tenha um grupo de excelência, mas que seja também capaz de garantir níveis básicos de aprendizados para todos."Para Soares, o preocupante no caso brasileiro é que a desigualdade nas notas entre alunos nem sempre é discutida pelos gestores. Ele teme que possa acontecer com a educação o mesmo que ocorreu com a economia no milagre econômico (na década de 70) -ou seja, as médias crescerem sem que a desigualdade diminua."O Ideb [índice criado pelo MEC a partir das taxas de repetência e notas dos alunos para estabelecer metas de melhoria até 2022], por exemplo, não incorporou essa discussão. As médias poderão melhorar com estratégias não equitativas."Como exemplo de uma dessas estratégias que melhoram as médias sem diminuir a desigualdade, ele lembra que uma escola pode concentrar seus esforços nos alunos medianos e que estão mais próximos da meta, deixando de lado os que estão muito abaixo.

domingo, 23 de dezembro de 2007

Letícia Sabatella pode

Letícia Sabatella é atriz da Rede Globo. Ela foi muito bem na minissérie JK apresentada no começo do ano passado. Ela estava linda (ou melhor, ela é linda) fazendo o papel de Marisa, a amante de Juscelino Kubitscheck. Quando a minissérie mostrou Juscelino (José Wilker) inaugurando Brasília lá estava Marisa (Letícia Sabatella) aplaudindo o feito daquele mineiro de Diamantina. Só este trabalho de Letícia que acompanhei frequentemente. Não sei quais outras novelas ela atuou, se já fez cinema ou se pretende participar de mais uma peça de teatro.
Eis que vejo em Brasília, na mesma Praça dos Três Poderes onde atuou na minissérie JK, Letícia Sabatella. Não, não era Marisa, a amante do Presidente Bossa Nova. Era Letícia Sabatella em carne e osso. Ela estava protestando contra a transposição do Rio São Francisco e apoiava a greve de fome do Bispo Luiz Cappio. Não sabia que ela era lulista. Numa entrevista à Folha de São Paulo Letícia mostrou todo seu lado esquerdista escondido naquela beleza exuberante. Além de criticar a transposição do Rio São Francisco, Letícia criticou o PAC e disse mais. Para ela, o PAC vai aumentar a prostituição infantil. Letícia disse que vota em Lula, mas não concorda com a transposição do Velho Chico. Os petistas ficaram calmos. Letícia Sabatella pode fazer seu protesto em paz. Não lerá nenhum deboche a respeito dos seus ideais e da sua previsão de que o Plano de Aceleração do Crescimento vai fazer acelerar o crescimento da prostituição infantil. Elio Gaspari já ganhou seu presente de Natal: o protesto de Letícia Sabatella.
Letícia Sabatella pode. Ela está autorizada pelo petismo a fazer seu protesto contra a transposição do Rio São Francisco e apoiar a greve de fome do bispo. A senha: ela vota em Lula. Se ela falasse que votou no Alckmin nas eleições passadas Elio Gaspari não entraria no clima festivo de Natal e criticaria Letícia. Se ela falasse que era tucana despertaria a ira de Paulo Henrique Amorim que aproveitaria para dar uma cutucada na Rede Globo. No Brasil do lulismo é assim. Para você protestar em paz, para você expressar o que pensa tem que ter a autorização do PT. Eu não vi ninguém chamando Letícia Sabatella de burguesa ou querendo que ela mostrasse sua renda para poder fazer valer a sua voz lá na Praça dos Três Poderes.
Já o movimento “Cansei” não teve a mesma recepção do que os protestos de Letícia Sabatella. Os petistas logo desceram a lenha no movimento liderado por empresários cansados de tantos impostos, de tanta corrupção e de tanta incompetência do governo Lula principalmente no setor aéreo. O “Cansei” veio à tona no embalo do acidente com o AirBus da TAM em julho passado. Os lulistas não gostaram da manifestação. Ricardo Berzoini disse que este protesto era do pessoal dos Jardins (bairro nobre de São Paulo) que não tinha nada pra fazer. Cláudio Lembo (o mais novo ídolo dos petistas) disse que o nome do movimento era uma expressão das dondocas. Não! O “Cansei” não poderia acontecer. Os lulistas correram para seus computadores e escreveram artigos e mais artigos contra o protesto dos empresários. Como pode reclamar da carga tributária? Como pode querer os corruptos lulistas na cadeia? Como pode reclamar do caos nos aeroportos? Para os lulistas o “Cansei” era um movimento dos burgueses contra Lula. Se João Dória, um dos líderes do movimento, dissesse que votava em Lula talvez o movimento ganhasse a simpatia assim como os protestos de Letícia Sabatella.
Veja a que ponto nós chegamos. Para protestar aqui no Brasil em paz você tem que dizer que vota em Lula. Se você fizer isso terá o afago de um Elio Gaspari, um elogio de um Cláudio Lembo e um louvor de um Paulo Henrique Amorim. Os lulistas colocaram a oposição na ilegalidade. Para fazer protesto, para discordar dessa gente tem que pedir senha, tem que pedir autorização. Eles sim podiam protestar a vontade, sem apresentar comprovante de renda, quando eram só um bando de oposicionistas baderneiros. Falar “Cansei” é um pecado. Mas Letícia Sabatella criticar a transposição do Rio São Francisco pode. Ela apoiar a greve de fome do bispo Luiz Cappio pode. Claro, ela declarou que vota em Lula. Quem vota em Lula pode tudo nestêpaiz. João Dória não pode dizer “Cansei”, mas Letícia Sabatella pode. Ela pode tudo. Pode até interpretar a amante que roubou o presidente JK das mãos da Dona Sara.

Lula morreu e nem teve luto?

Já deixei aqui o meu protesto contra Dom Luiz Cappio (eu ainda quero escrever sobre Letícia Sabattela). Depois que sua grave de fome não conseguiu sensibilizar os ministros do Supremo Tribunal Federal, que autorizaram a continuação das obras de transposição do Rio São Francisco, o bispo resolveu atacar Lula. Segundo o bispo Lula morreu, estamos no governo Inácio da Silva. Ué, será que Lula se dividiu em dois ou partiu dessa pra melhor? Cadê o Lula? Quem é este Inácio da Silva que governa este país? Vamos ser piedosos com o bispo. Vamos acreditar que a falta de alimentação ainda o esteja deixando fora de órbita.
Outra declaração do bispo foi que Lula (não sei se é o Lula que eu estou pensando ou o Inácio da Silva) só tem popularidade alta porque o povo pobre e miserável do Brasil corre atrás de um presidente que dá esmola. Quer dizer que o bispo esquerdista concorda com a tese dos direitistas de que Lula só foi reeleito por conta do Bolsa-Esmola, ops, Bolsa-Família. Tá bom. Foi preciso fazer greve de fome, ser internado num hospital para o bispo Luiz Cappio chegar a esta conclusão. Quero ver como esquerdistas vão receber estas declarações. Quando um direitista fala que Lula só foi reeleito por conta da esmola dada aos pobres o exército bolivariano lulista entra em ação acusando (além de chamar de direita) preconceito e outras palavras que seriam impublicáveis aqui no blog. Quero ver o que os esquerdistas revolucionários vão dizer quando um bispo do mesmo time fala que Lula só foi reeleito, só tem esta popularidade toda por dar esmola aos mais pobres. Será que Dom Luiz Cappio vai virar um porco direitista?
Pô, o bispo fala que Lula morreu e nem teve cerimônia fúnebre. Não decretaram luto oficial e nem hastearam a bandeira brasileira a meio mastro. Quem será este Inácio da Silva que comanda a nação? Por favor, não deixem faltar comida para o bispo. Ele já está começando a não falar coisa com coisa. Ah, se alguém puder avisar ao Papa Bento XVI que um dos seus servos não segue as doutrinas da Igreja. O bispo faz greve de fome e chega a conclusões de pessoas direitistas. Lula morre e colocam no lugar um certo Inácio da Silva que ninguém sabe quem é. O povo com fome de Deus e o Vaticano se omitindo nestas atitudes grosseiras dos seus bispos que não seguem seus princípios. O Velho Chico segue o seu caminho rumo ao oceano e o povo católico esbarra no caminho rumo aos céus por conta de um bispo politiqueiro. Não é só o fim do Lula. É o Brasil que está acabando.

Eu não queria ser o Maguito Vilela

Ontem foi aniversário do prefeito de Goiânia Íris Rezende. Como sempre a festa foi na sua fazenda em Guapó. Como sempre deu muita gente. Como sempre deu muito político. Como sempre deu jornalista. Como sempre deu muita comida. Como sempre. Como sempre, mas não vou nas comilanças de Íris Rezende. Fizemos um acordo: ele não me convida e eu não vou. Mas, para quem mora em Goiânia, é difícil não saber o que aconteceu na festa de aniversário de Íris. A imprensa, como sempre, valoriza a “vitalidade”, a “energia” do prefeito que acorda antes do Sol nascer rumo à fazenda comemorar mais um ano de vida. Como se isso fosse um feito pertencente apenas a Íris Rezende e mais ninguém. Meu pai acorda muito mais cedo que Íris Rezende.
Em toda festa que tem político sempre surge uma fofoca aqui e acolá que vai pautar os jornais do dia seguinte. A fofoca, o babado do momento não é a possível candidatura de Íris à reeleição no ano que vem e outra tentativa de voltar ao Palácio das Esmeraldas em 2010. Isso todo mundo já sabe. Isso todo mundo já vê como certo. O que me chamou atenção foi a declaração de Maguito Vilela de que poderá sim disputar a Prefeitura de Aparecida de Goiânia no ano que vem. Maguito se movimentou aos poucos para chegar a esta afirmação. Primeiro mudou para uma casa que fica em Aparecida. Depois disse que transferiria seu título de eleitor de Jataí para a cidade. Pronto! Começaram as especulações. Maguito candidato em Aparecida. Será que ele vai conseguir apoio até o ano que vem? Quem será seu vice? Não sei se tinha bebida alcoólica na festa de Íris para a gente suspeitar que Maguito estivesse meio alterado. Mas, se ele disse estar pronto para a candidatura eu não sei o que pode acontecer. Talvez consiga homologá-la, talvez algum peemedebista esperto lhe dê uma rasteira.
Um dos motivos para Maguito ter como alvo a Prefeitura de Aparecida de Goiânia foi o resultado das eleições estaduais do ano passado. Tanto no primeiro como no segundo turnos Maguito Vilela ganhou do atual governador Alcides Rodrigues, o popular Cidinho, na cidade. Fui ao site do Tribunal Superior Eleitoral checar os números das eleições de 2006. Realmente Maguito bateu Cidinho em Aparecida de Goiânia. Porém, os números não são tão animadores assim. No primeiro turno Maguito teve 72.646 votos dos aparecidenses enquanto que Cidinho obteve 68.944. No segundo turno Maguito voltou a ganhar aumentando os votos para 79.267 e Cidinho saltou para 77.475. Maguito Vilela pode ter ganho de Cidinho nos dois turnos das eleições estaduais de 2006, mas os números oficiais mostram que a vitória não está assim tão garantida. Reparem que Cidinho conquistou quase dez mil votos entre o primeiro e o segundo turno em Aparecida enquanto que Maguito aumentou mais de seis mil. Precisamos lembrar também que nas eleições estaduais, no primeiro turno, tínhamos outros candidatos disputando. Tínhamos Barbosa Neto e Demóstenes Torres. Ambos saíram do páreo no primeiro turno. Barbosa é aliado de Cidinho e dificilmente Demóstenes vai apoiar Maguito Vilela em Aparecida. Os outros candidatos, os nanicos, nem contam. São tão irrelevantes que nem merecem análises.
Se Maguito Vilela realmente se candidatar à Prefeitura de Aparecida de Goiânia terá que ralar muito para vencer. Ele deverá tentar colar sua candidatura na administração Íris Rezende em Goiânia. Porém, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Goiânia não é Aparecida de Goiânia. E também não sei se Maguito vai querer continuar sendo o eterno sombra de Íris. Como os números do TSE mostram Cidinho ganhou mais votos do primeiro para o segundo turno do que Maguito em Aparecida. Mas, em 2008, os tempos serão outros. Não digo sobre esse negócio de Tempo Novo e Tempo Velho porque isso já não cola mais nas campanhas eleitorais. A crise financeira vai dar muita dor de cabeça para Cidinho e toda base aliada. Será que Maguito vai se aproveitar dos tropeços da base aliada? Será que Marconi terá de sair do Senado Federal e resolver a pendenga da base? Muitas peguntas ainda estão no ar. Pelo que eu li na imprensa goiana sobre a festa de Íris Rezende tudo foi muito bom. E tudo vai ficar muito bom no PMDB até os candidatos serem escolhidos. Aí veremos se Maguito vai deixar a vice presidência do Banco do Brasil em Brasília para tentar alguma coisa em Aparecida de Goiânia ou se ele vai perder, pela terceira vez seguida, uma eleição. Procurei na internet mais informações sobre o cargo de Maguito no Banco do Brasil. Queria saber se ele vai ficar lá até o último dia do governo Lula ou, se caso ele se candidate a alguma coisa ano que vem e perca de novo, poderá voltar à estatal. Não sei. Não sei se Maguito teria coragem de deixar uma teta do governo federal para arriscar mais uma eleição. Eu não queria ser Maguito Vilela. Nem se fosse para ser convidado de honra da festa de Íris Rezende.

Tô escrevendo, hein?

Dei uma olhada agora no blog. Putz, to escrevendo demais. Isso não quer dizer que eu vou parar. Quero continuar neste ritmo ou aumentar. Estou escrevendo um texto sobre a possível candidatura de Maguito Vilela à Prefeitura de Aparecida de Goiânia. É que eu ainda estou coletando alguns dados. Vamos lá! Vamos ao trabalho!

Se é clima de final de ano, vamos fazer uma retrospectiva

Todo final de ano tem sua retrospectiva. Os fatos mais importantes são revistos. Eu já disse que o fato mais importante do ano foi a vaia que Lula levou no Maracanã durante a cerimônia de abertura dos Jogos Pan-Americanos no Rio de Janeiro. A retrospectiva que quero fazer aqui, neste post, são fatos deste ano e de 2004. É uma matéria que saiu na Folha de São Paulo do dia 28 de fevereiro de 2004. Fala de um certo Delúbio Soares que fazia lobby dentro do Palácio do Planalto:

O secretário de Finanças e Planejamento do PT, Delúbio Soares, tesoureiro da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002, se reuniu com ministros, discutiu nomeações, defendeu liberação de emendas de interesse de governadores e conheceu pelo menos um empreiteiro --tudo isso dentro do Palácio do Planalto. É o que revela uma relação de encontros oficiais do ministro dos Transportes, Anderson Adauto (PL).

No dia 20 de agosto do ano passado, Delúbio Soares participou de uma reunião com o ministro Anderson Adauto em uma sala contígua à do ministro da Casa Civil, José Dirceu, no 4º andar do Planalto. Antes desse encontro, nessa mesma sala, Delúbio conheceu o empreiteiro Tito Valadares Roquete Neto, vice-presidente Rodoviário do Sindicato da Indústria de Construção Pesada no Estado de Minas Gerais.

No relatório oficial da agenda do ministro dos Transportes, a reunião aparece como tendo sido entre os três: Adauto, Tito e Delúbio. Tudo dentro do Palácio do Planalto. Adauto, Tito e Delúbio confirmaram à Folha o encontro, mas cada um apresentou uma versão particular do ocorrido.

É comum os empreiteiros procurarem o Ministério dos Transportes. No ano passado, cobravam dívidas não recebidas de 2002, os "restos a pagar" ("RAP"). Os empreiteiros queriam receber R$ 650 milhões devidos por conta de obras executadas no governo FHC. Com a anuência do Planalto, Adauto prometeu aos empreiteiros pagar metade em 2003 e o restante em 2004. Cumpriu o acerto. Agora, há mais cerca de outros R$ 600 milhões de RAP, sobras de 2003. Haverá mais rapidez no pagamento, que deve ser liquidado até o mês que vem.

A explicação de Adauto para sua agenda de 20 de agosto de 2003 é que houve um engano na transcrição do ocorrido: "Eu estava no Palácio do Planalto para ter uma reunião com o ministro José Dirceu. Como a agenda dele estava um pouco atrasada, mandei que chamassem o Tito para que eu o recebesse no palácio mesmo. Depois, também tive uma reunião separada, que já estava agendada, com o Delúbio e com o Sílvio [José Pereira, secretário Nacional de Organização do PT]". Segundo Anderson Adauto, os dirigentes petistas nada trataram com o empreiteiro Tito Roquete Neto.

O empreiteiro também se recorda da reunião no Planalto. Ele explica que tratou sobre o modelo de concessão de rodovias com o ministro dos Transportes. Mas não se recorda de ter se avistado com Delúbio e Sílvio Pereira.

Consultado ontem pela Folha, Delúbio tem uma memória semelhante, com uma diferença: o tesoureiro petista confirma ter sido apresentado ao empreiteiro. "Eu tinha marcado às 9h15 com o Anderson. Ele chegou com o Tito e me apresentou o Tito. O Tito saiu e eu conversei com o Anderson. Eu nem conhecia essa pessoa [Tito]. Não tive reunião com ele".

Cargos e interesses

O relevante nesse episódio da agenda de Adauto é a revelação de como o PT operou dentro do governo federal, a partir da posse de Lula, dentro do Planalto. "O ministro com quem eu mais converso é o Zé Dirceu", diz Delúbio. Sem nenhum cargo no governo, Delúbio Soares e Sílvio Pereira operam como se fossem ministros sem pasta. Da mesma forma que se reuniram com Adauto, os dois também tiveram dezenas de encontros na Esplanada para pedir a nomeação de pessoas.

O Ministério dos Transportes é um exemplo do que pode ter ocorrido nas outras pastas: o PT indicou ou absorveu a responsabilidade de 167 dos 308 cargos com alguma relevância (assistentes, assessores, diretores etc.), os chamados DAS (direção e assessoramento superior). Se se considerar apenas os cargos mais importantes (os DAS 4, 5 e 6), o PT ficou com 40 dos cargos do Ministério dos Transportes. O PL, partido de Adauto, abocanhou 40.

O que Delúbio Soares discutiu nessa sua reunião de 20 de agosto passado no Planalto? "Foi para discutir cargos. Naquela época, acho que era de Mato Grosso do Sul." Só cargos? Delúbio responde: "Para tratar de cargos. E algumas outras que eu tive com vários outros ministros para tratar de interesses. Por exemplo, emendas de governo. Por exemplo, o governo do meu Estado [Goiás]. Vive atrás de mim para nós fazermos lá uma ajuda para construir o metrô, construir estação de tratamento de água. Eu ajudo".

Num levantamento obtido pela Folha, Delúbio esteve oficialmente cinco vezes com Adauto. Sílvio Pereira foi ao Ministério dos Transportes nove vezes. Ambos, Delúbio e Sílvio também tiveram várias reuniões "extra agenda" com Adauto. Segundo o ministro, podem ter passado de dez.

"Eu acho que já tive reunião com quase todos os ministros. Não os das áreas militares, porque não tem nada que tratar com eles. Muitas visitas foram para parabenizar os ministros. Afinal de contas, eu sou dirigente do partido hegemônico, que ganhou o governo. Visito sempre. Eu, [José] Genoino, o Sílvio [Pereira] e outros dirigentes do PT. Muitos dos que estão aí eram nossos colegas de Executiva Nacional ou do Diretório Nacional", diz Delúbio.

Procurado pela Folha, Sílvio Pereira não foi localizado ontem.

Antes do mensalão Delúbio Soares e Sílvio Pereira já circulavam livremente pelo Palácio do Planalto e já eram destaques nos noticiários. Seus movimentos já eram friamente calculados. Delúbio e Sílvio discutiam cargos dentro do governo. Delúbio ajudava até o governo de Goiás. Será que Delúbio fazia isso por simpatia com o então governador Marconi Perillo ou recebia alguma coisa em troca. Prefiro ficar com a segunda alternativa. Tudo por conta desta outra reportagem publicada pela Agência Folha no dia 28 de maio de 2007:

A Justiça de Goiás condenou o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares a ressarcir o Estado em R$ 164 mil. O juiz Ari Queiroz, da 3ª Vara da Fazenda Pública Estadual de Goiânia, entendeu que Delúbio adquiriu a quantia de maneira ilegal quando era professor da rede pública estadual de Goiás.

Segundo a Justiça, enquanto estava em licença remunerada para atuar no Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás, ele na verdade morou em São Paulo e não atuou no sindicato. Ainda cabe recurso à decisão.

Delúbio não exerce a profissão de professor desde 1985, quando se licenciou para atuar como sindicalista. O ex-tesoureiro foi demitido do cargo na rede estadual em janeiro do ano passado por ter abandonado o emprego, segundo parecer da Secretaria Estadual da Educação de Goiás.

O juiz responsável pelo caso também considerou que houve conivência da direção do Sindicato dos Trabalhadores da Educação, que fornecia falsas declarações de freqüência ao ex-tesoureiro do PT, e da Secretaria da Educação.

Por conta disso, duas ex-presidentes do sindicato foram condenadas a participar, junto com Delúbio, do pagamento da quantia a ser ressarcida. Os R$ 164 mil são referentes aos períodos de 1994 a 1998 e de 2001 a 2006.

Questionado pela Folha, o advogado do ex-tesoureiro, Sebastião Ferreira Leite, falou que ainda não foi intimado pela Justiça sobre a condenação e que não iria comentar a decisão. Disse apenas que vai provar que Delúbio é inocente.


É só ligar os fatos. Delúbio entrava livremente no Palácio do Planalto e ajudava o governo de Goiás mesmo não estando ali oficialmente em nome do Palácio das Esmeraldas. Em troca, Marconi Perillo aliviava a barra de Delúbio sobre as irregularidades na sua licença do cargo de professor da rede estadual de ensino. Resta a Justiça investigar o caso. Espero que a Justiça ligue um fato ao outro e procure saber as tramóias delubianas e petistas. Espero que a Justiça anuncie se Delúbio devolveu aos cofres de Goiás os R$ 164 mil recebidos ilegalmente. Afinal, os cofres goianos estão precisando de mais verbas. Este ressarcimento seria muito bem vindo pelo governador de Goiás Alcides Rodrigues, o popular Cidinho. Já que espero tanto da Justiça, não custa nada fazer mais um pedido: espero que a Justiça investigue se Cidinho não teve nada a ver com este caso. Como Marconi Perillo sempre falou: seu governo era feito a quatro mãos, suas e de Cidinho.

A ANAC sabia dos problemas nos aviões da TAM

Sim, minha gente. O ano de 2007 está acabando e crise aérea ainda afeta os aeroportos brasileiros. Publiquei aqui no blog duas matérias da Folha online. As duas eram do mesmo dia. Uma do ano passado e a outra deste. As notícias eram praticamente as mesmas: atraso e cancelamento de vôos, aeroportos superlotados, passageiros irritados. O que mudou em 365 dias foram os nomes dos comandantes do sistema aéreo brasileiro. O presidente da ANAC não é mais Milton Zuanazzi. Agora quem comanda a agência é Solange Vieira. Não sei cadê o Zuanazzi. Não sei se ele vai viajar de avião neste final de ano. Só queria que ele esclarecesse uma outra reportagem que eu achei da mesma Folha online do dia 22 de dezembro de 2006:

Os atrasos nos pousos e decolagens continuaram subindo e atingiram quase metade dos vôos nesta sexta-feira, em 67 aeroportos do país. Segundo a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), 583 dos 1.214 vôos tiveram atrasos superiores a uma hora e outros 40 vôos foram cancelados, o que representa um índice de 48,02%. A FAB (Força Aérea Brasileira) considera normais atrasos de até 40 minutos.

O índice contraria a previsão da própria agência, que acreditava na normalização do movimento a partir desta sexta-feira, terceiro dia seguido de caos nos terminais.

O mau tempo na quarta-feira (20) e as empresas aéreas, principalmente a TAM foram apontados pela Anac como causadores dos atrasos. Na quarta, o tempo ruim deixou Congonhas fechado por 50 minutos e seis dos 85 aviões da TAM tiveram problemas, criando um efeito cascata de atrasos em todo o país.

Hoje, com a continuidade dos problemas nos aeroportos e nos vôos da TAM, a Anac proibiu a empresa de vender passagens para vôos desta sexta, sábado e domingo, ou até que os pousos e decolagens estejam normalizados.

Além da proibição, as últimas medidas para tentar normalizar a situação foram o aumento de funcionamento do aeroporto de Congonhas (em São Paulo), que permanecerá aberto durante a madrugada, e o fretamento de aeronaves da FAB pela TAM. Ao todo, oito aviões com 472 lugares no total serão usados.

Da reportagem acima destaco o seguinte:


O mau tempo na quarta-feira (20) e as empresas aéreas, principalmente a TAM foram apontados pela Anac como causadores dos atrasos. Na quarta, o tempo ruim deixou Congonhas fechado por 50 minutos e seis dos 85 aviões da TAM tiveram problemas, criando um efeito cascata de atrasos em todo o país.

Quer dizer: em dezembro de 2006 a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) sabia que os aviões da TAM tinham problemas. Como mostra a reportagem seis dos 85 aviões da empresa tiveram problemas agravando ainda mais o caos nos aeroportos. Mas nós sabemos que a ANAC comandada por Milton Zuanazzi passava a mão na cabeça das empresas aéreas. Se seis aviões da TAM estavam com defeito era obrigação da ANAC fiscalizar se a empresa havia consertado as aeronaves e se fazia a manutenção das outras. Que nada! A ANAC do Milton Zuanazze e da Denise Abreu deixou a coisa rolar. A farra aconteceu até o dia 17 de julho quando o AirBus da TAM explodiu no Aeroporto de Congonhas. Foi neste acidente que descobrimos a incompetência daqueles que comandavam a ANAC. Descobrimos que a TAM utilizava aviões com problemas na turbina e a ANAC só de bobeira inventando alguma desculpa para apresentar à imprensa sobre mais um caos nos aeroportos. Em dezembro de 2006 a ANAC sabia que seis aviões da TAM tinham problemas. Será que o Airbus que explodiu em Congonhas estava nesta lista? Quem sabe o Milton Zuanazzi e a Denise Abreu não esclarecem pra gente?

O ano que descobrimos que Lula não é unanimidade

Já que o ano de 2007 está quase chegando ao fim nada melhor do que escolher os fatos principais deste ano. Não vou fazer uma salada aqui, escolhendo os melhores na literatura, na música, na televisão. Deixo esta salada para os críticos de arte. Eu já escolhi o fato de 2007. Isso mesmo. Para mim apenas um fato marcou este ano que termina. A vaia que Lula tomou no Estádio do Maracanã no Rio de Janeiro durante a abertura dos Jogos Pan-Americanos foi o fato mais marcante de 2007. Foi naquele evento que percebemos que Lula não é esta unanimidade que seus puxa-saco espalham por aí. Tem gente que não gosta dele (me inclua nessa). Os lulistas bolivarianos acham que fazer oposição é um pecado e um ato ilegal. O pessoal que vaiou Lula, no Maracanã, mostrou que não, que é legítimo vaiar Lula e vaiam na hora que achar conveniente. Até a abertura dos Jogos Pan-Americanos todo mundo acreditava que Lula era intocável. Afinal, não é qualquer político que rouba, tem seu crime amplamente divulgado e consegue a maioria dos votos nas eleições seguintes. Lula acreditou que sua reeleição sepultaria todo tipo de crítica e oposição. Que nada! A galera do Maraca mostrou que Lula não é essa potência que seus puxa-saco tanto falam. A vaia que Lula tomou demorou, mas aconteceu e é isso que importa. Portanto, o ano de 2007 entrará para a história como o ano que descobrimos que Lula não é unanimidade. Daí você pode me perguntar: “Mas só este fato marcou o ano?” Eu respondo: o resto só confirmou que o pessoal do Maracanã estava certo. Dias depois da vaia aconteceu o acidente com o AirBus da TAM no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. O segundo acidente aéreo em menos de 10 meses. O primeiro foi o do Boing da Gol e que desencadeou toda a crise aérea que ainda vemos até hoje. Em homenagem as vítimas dos dois acidentes aéreos, Lula mereceu ser vaiado. Por apoiar Renan Canalheiros enquanto as denúncias de corrupção pipocavam na imprensa, Lula mereceu ser vaiado. Pelos políticos corruptos, Lula mereceu ser vaiado. Pelo fim da CPMF, Lula mereceu ser vaiado. O pessoal do Maracanã no dia da abertura dos Jogos Pan-Americanos deu o primeiro passo. Quem sabe em 2008 não damos outros passos semelhantes na caminhada contra essa corja que se apossou do poder no Brasil?

A maior obra de Marconi

Dias antes de sair do governo do estado para se candidatar a uma vaga no Senado Marconi Perillo concedeu várias entrevistas. Ele estava feliz. Saia do cargo depois de passar por uma maratona de entrega de obras. Mesmo se as obras não estivessem prontas lá estava Marconi cortando fitinha. Achei uma entrevista de Marconi Perillo para o Jornal Opção. Disse o ex-governador: Assim que assumir o governo, Alcides anunciará muitas medidas importantes para a população. É o caso da redução do imposto de toda a cadeia do álcool, o que permitirá uma redução do preço do produto na bomba. Também vai aumentar o valor da Renda Cidadã e concluir obras rodoviárias importantes. Alcides vai receber uma boa herança. Vamos deixar o governo arrumado, completamente diferente daquele que recebi em 1999. Na época, tínhamos duas folhas e meia de salários atrasados, 600 milhões de reais de dívida de curto prazo. Alcides Rodrigues vai receber a folha de março quitada até o dia 31 e também quitados 3/12 avos do décimo terceiro, que é pago no mês do aniversário do servidor. Marconi entregou o governo para o seu vice Alcides Rodrigues, o popular Cidinho no dia 1º de abril de 2006. Este não quis revelar se a herança recebida era bendita ou maldita. É que naquele ano haveria eleições e Cidinho queria se reeleger. Pra que contar o déficit do Tempo Novo se o Tempo Novo precisa derrotar o Tempo Velho mais uma vez? Cidinho ganhou as eleições. Maguito Vilela perdeu outra. O Tempo Novo triunfou sobre o Tempo Velho? Não! O Tempo Novo fez a mesma coisa que o Tempo Velho: quebrou Goiás. Espertamente Cidinho só contou para todo mundo que o estado estava quebrado depois da sua segunda posse no dia 1º de janeiro deste ano. Antes desta data o Tempo Novo cantava as glórias de Marconi e Cidinho, de Cidinho e Marconi, afinal, o Tempo Novo era governado a quatro mãos. Cidinho é Marconi. Marconi é Cidinho. Com o passar de 2007 percebemos que a maior obra de Marconi Perillo foi a crise financeira. Eu sei que a culpa não foi só dele. O governo do Tempo Novo é comandado a quatro mãos. Cidinho é Marconi. Marconi é Cidinho. Os dois empurraram Goiás para o buraco.
Cidinho não tem dinheiro nem para pagar o Renda Cidadã. Marconi disse, dias antes de deixar o governo, que seu sucessor aumentaria os benefícios sociais. Mentira! Seu sucessor atrasou o pagamento. Seu sucessor não sabe explicar como o estado quebrou apesar das propagandas do Tempo Novo afirmarem o contrário. Marconi não tem tempo para responder perguntas sobre os problemas do Tempo Novo. Mas, quando deixou o governo, tinha tempo de sobra para pintar e bordar uma imagem do seu sucessor que se desfez automaticamente, assim que assumiu o governo. Não podemos esquecer: Cidinho é Marconi. Marconi é Cidinho. A maior obra de Marconi Perillo, além de lançar Cidinho para o governo, é prolongar a crise financeira de Goiás muito além dos 16 anos do governo do PMDB de Íris Rezende e Maguito Vilela, mais conhecido como Tempo Velho. O Tempo Novo é o Tempo Velho. O Tempo Velho é o Tempo Novo.

Privatização dos portos

Editorial do Estado de São Paulo

Cansado de esperar do governo o cumprimento das promessas de melhora do sistema portuário brasileiro, o setor privado está defendendo a privatização da gestão dos portos como forma para reduzir os custos crescentes em que incorre para exportar seus produtos. Os estudos e as propostas do empresariado cobravam do governo mais investimentos, regras mais claras e duradouras para as ações da iniciativa privada, inclusive em parceria com o setor público, e melhora da qualidade da administração dos portos. Mas, agora, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) conclui que só com a gestão privada será possível dar eficiência à administração dos portos e eliminar de vez os riscos da ingerência política, que afetam a qualidade das operações portuárias e comprometem a competitividade dos produtos brasileiros.O documento da CNI reconhece que, nos últimos anos, houve avanços na gestão dos portos administrados pelo poder público. Entre esses avanços, a entidade representativa da indústria brasileira aponta, por exemplo, a criação da Secretaria Especial dos Portos, que, na sua avaliação, teria resultado na substituição de antigas diretorias das Companhias Docas - que administram alguns dos principais portos do País, entre os quais o de Santos e o do Rio de Janeiro - nomeadas por critérios político-partidários por equipes profissionais. Outro avanço apontado pela CNI é a aprovação da lei que muda a contratação dos serviços de dragagem e permitirá a execução de serviços com maior rapidez e custo mais baixo, pois autoriza a prestação desses serviços por empresas estrangeiras.Mas isso não é suficiente. “A máquina administrativa está ultrapassada e as pessoas trabalham sem estímulo nas administrações portuárias estatais”, disse o vice-presidente da CNI e presidente do Conselho de Infra-Estrutura da entidade, José de Freitas Mascarenhas, ao jornal Valor. “Há falta de transparência e informação para direcionar o investimento.”Para superar o atraso, diz Mascarenhas, é necessária a privatização do sistema. Só assim será possível, segundo o diretor da CNI, obter rapidamente o apoio financeiro para os investimentos necessários e profissionalizar a gestão, eliminando os vícios adquiridos durante o longo tempo em que “os portos ficaram reféns de indicações políticas”.Como exemplo da ineficiência do sistema, Mascarenhas cita o caso do Porto de Aratu, na Bahia, que neste ano teve demanda de 6,6 milhões de toneladas, mas só tem capacidade para operar com eficiência 3 milhões de toneladas. Com isso, há grande espera por vagas. Por causa da espera, os navios perderam 1.237 dias, a um custo de US$ 35 mil por dia. Investimentos não foram feitos em Aratu no ano passado por absoluta falta de projetos, problema que tem paralisado os investimentos do governo Lula também em outras áreas de infra-estrutura. O Porto de Salvador, por sua vez, além da falta de projetos, enfrentou outro problema: o da longa disputa política pelos cargos de direção da Companhia Docas.Uma pesquisa do Centro de Estudos de Logística do Instituto Coppead da Universidade Federal do Rio de Janeiro mostrou que, por causa da ineficiência operacional e da burocracia, um contêiner demora 18 dias para deixar o Porto de Santos, enquanto em Hong Kong a média é de 5 dias.Os investimentos públicos em logística têm sido insuficientes. O próprio governo calculou que essa área necessita de recursos de R$ 18,2 bilhões por ano para evitar gargalos, mas, nos últimos anos, a média de gastos tem sido de apenas R$ 2,7 bilhões. Nem o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), ainda que seja inteiramente executado - o que é duvidoso se se levar em conta o exemplo de outros programas do governo do PT -, será suficiente. Nele estão previstos investimentos de R$ 12 bilhões por ano.Os portos respondem por 95% das exportações brasileiras em volume e 80% em valor. Desaparelhados e sem receber do governo os investimentos necessários para melhorar suas condições operacionais, como o aprofundamento dos canais para receber navios de grande capacidade de carga, os portos já são um obstáculo sério à expansão do comércio exterior. Preocupado, o empresariado quer respostas mais rápidas e eficazes.

CPMF injeta R$ 102 bi na saúde, mas situação muda muito pouco

Por Ligia Formenti
no Estado de São Paulo

Em seus dez anos de existência, a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) injetou R$ 102 bilhões no Orçamento da União especificamente para a saúde. O valor, equivalente a 38% das fontes de recursos da pasta, pouco ajudou para a melhoria do atendimento. Ainda hoje, 13 milhões de hipertensos e 4,5 milhões de diabéticos não têm acesso ao Sistema Único de Saúde (SUS). Situação semelhante é enfrentada pela legião de pacientes de tuberculose, malária e hanseníase. Estima-se que 25% dos portadores dessas doenças estão sem tratamento. Além disso, 10 milhões de obesos não são atendidos de forma adequada no sistema público.A estrutura também deixa a desejar. O número de aparelhos para exames de mamografia ou para tratamento de radioterapia é insuficiente em várias partes do País. Pela estimativa do Ministério da Saúde, 90 mil brasileiros por ano ficam na fila aguardando vaga para radioterapia. Cerca de 1 milhão de pessoas com deficiências estão na fila esperando próteses.Outro problema é o valor defasado pago para consultas médicas. Para fazer um parto, por exemplo, o SUS repassa para serviços R$ 354. Na rede particular, o mesmo procedimento tem remuneração de R$ 748. A defasagem na tabela foi um dos estopins da grave crise dos serviços registrada há poucos meses no Nordeste. Por todo o País, dramas do caos na saúde se repetem diariamente (leia nesta página).
PORTAS
O consultor Gilson Carvalho tem uma explicação para o impacto pouco representativo da CPMF na saúde. Desde o início, a contribuição não foi considerada dinheiro novo - mas uma fonte substituta de recursos.“A CPMF entrava por uma porta e, por outra, saíam as formas tradicionais de financiamento”, observou o especialista. Ao longo destes dez anos, a contribuição foi responsável por 32% do orçamento da pasta. Caso esse dinheiro não tivesse se transformado apenas em substituto de outras fontes, avaliam especialistas, a situação hoje poderia ser melhor.“Recursos são importantes. Mas, se não há compromisso de governo, verba extra acaba sendo usada para outro fim”, observa o diretor do Centro Paulista de Economia da Saúde da Universidade Federal de São Paulo, Marcos Bosi Ferraz. Foi o que ocorreu com o imposto do cheque. Em vez de melhorar a saúde, foi usado para tapar buraco de outras formas de financiamento. Procurado, o Ministério da Saúde não se manifestou.O professor avalia que o clima de luto instalado no governo com o fim da CPMF está muito mais atrelado a razões políticas do que técnicas. “O cenário atual é muito diferente daquele vivido há dez anos, quando a contribuição foi criada”, observa. “Há mecanismos importantes que podem ser usados para compensar o fim da CPMF.”
PRIORIDADES
Para Ferraz, o mais importante para a melhoria no atendimento de saúde é a definição de prioridades e o uso correto dos recursos. “O sistema há tempos padece de um problema crucial: querer financiar tudo, sem qualquer critério. É óbvio que tal política é insustentável.”Prova do descontrole é o grande número de esqueletos de obras - sobretudo hospitais - que nunca são concluídas. “Muitas dessas construções serviram mais para atender a interesses momentâneos do que a necessidades reais”, observa Ferraz.O presidente da Associação Paulista de Medicina, Jorge Machado Curi, está convicto de que há formas de o sistema público de saúde passar bem neste período pós-CPMF. “Foi criado o clima de terrorismo, tentando mostrar que a CPMF era indispensável. Mas o País viveu sem ela durante bom tempo. Não soube fazer bom uso do recurso, paciência.”
DILEMA
Nesta nova fase, o governo enfrenta outro dilema. Ao longo da discussão da CPMF, reconheceu que a saúde é subfinanciada, que há falhas no sistema que precisam ser superadas. E agora, mesmo sem contar com o imposto do cheque, tal tarefa terá de ser cumprida. “É um imperativo moral”, define Gilson Carvalho.Esse debate será retomado no próximo ano, com as discussões sobre a regulamentação da Emenda 29, que fixa um piso para gastos na área de saúde. Na Câmara, foi aprovada uma versão que atrelava os gastos mínimos da União aos recursos extras - que viriam com a CPMF. “Foi uma chantagem, não há outra definição”, afirmou o deputado Rafael Guerra (PSDB-MG).A saída, avalia ele, será colocar em votação projeto do senador Tião Viana (PT-AC), cujo texto era muito parecido com a proposta original da Câmara. “Assim como o texto original da Câmara, ele prevê que a União deverá destinar 10% de seu Orçamento para a saúde”, disse o deputado.

Lula admite conter despesas e deixa no ar revisão sobre tributos

Por Catia Seabra
na Folha de São Paulo

Uma semana depois de desautorizar o ministro da Fazenda Guido Mantega, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu ontem que busca uma fonte de receita que substitua, ao menos parcialmente, a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira).Em São Paulo para confraternização da Associação Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis, Lula disse que haverá cortes de despesas até que governo e Congresso - inclusive oposição - "encontrem uma solução de como repor os R$ 40 bilhões ou parte" deles."O governo vai ter que fazer contenção de despesas, e vamos ver o que vai ser criado, de novo, para a gente poder compatibilizar os R$ 40 bilhões que vão faltar no Orçamento."Lula nem sequer descartou aumento de alíquotas. "Não posso dizer o que vai haver e o que não vai haver. Vamos decidir só a partir de janeiro."Questionado se a conversa incluiria a oposição, afirmou:"Com todo mundo, porque cada senador vale um voto, seja ele da oposição ou da situação".Ele frisou que não haverá "um centavo de corte" nas políticas sociais e minimizou a derrota. "De vez em quando, acham que o presidente ficou nervoso, ou o presidente foi derrotado. Nem fiquei nervoso, nem fui derrotado. Não fui eu quem criou a CPMF".Para Lula, o placar foi um produto da democracia. "O Brasil teve momentos mais fáceis, em que o Congresso não apitava nada, porque foi fechado. Queremos que o Congresso seja o mais livre, o mais autônomo, possível. E isso acontece."Pouco antes, ao discursar para os catadores, Lula se queixou da equipe. Cobrado por líderes do movimento, o presidente se disse "decepcionado" e "frustrado" ao ser informado, já no evento, que um convênio com a Funasa (Fundação Nacional de Saúde) e Ministério do Trabalho, no valor de R$ 35 milhões, não saira do papel."Tem acordo que foi feito, ainda quando o Marinho era ministro do Trabalho, e não saiu o dinheiro, porque está parado na mão de alguém. Agora, eu chego aqui sem saber disso", queixou-se o presidente, para quem os funcionários públicos não autorizam gastos temendo sanções do Ministério Público e do Tribunal de Contas."O funcionário público trabalha com muito medo", disse.No caso dos catadores, o movimento não tem pessoa jurídica para assinatura de convênio. Mas, ontem mesmo, o chefe de gabinete do presidente, Gilberto Carvalho, prometeu liberar R$ 15 milhões este ano."Se vocês estiverem negociando com os ministros e, depois de três ou quatro reuniões, não tiverem uma solução, é porque não tem consenso. Se não tiver consenso, isso tem que ir para a minha mesa. Se não, fica o ano inteiro sem consenso", sugeriu Lula, comparando a situação à de um pai que acredita "que o filho está trancado no quarto estudando, e ele não está coisa nenhuma".Ao lado do coordenador da pastoral do povo de rua, padre Júlio Lancelotti, Lula criticou "aqueles que têm estudo e que jogam lixo na rua".Tem gente que pensa que é melhor do que vocês, mas são eles que jogam o lixo na rua, são eles que não fazem a reciclagem direta. Se não houvesse os "sujismundos", não precisava ter os catadores.Foi a primeira vez em que Lula encontra o padre Lancelotti, desde agosto, quando, acusou um ex-interno da Febem de extorsão. O padre foi acusado pelo ex-interno de corrupção de menores, mas nada foi provado.

Congresso tem projetos de mais de 10 anos

Por Andreza Matais
na Folha de São Paulo

Longas discussões sobre um tema, pautas trancadas por medidas provisórias, manobras regimentais e a falta de interesse do Congresso em votar temas polêmicos resultaram num entulho de mil projetos que tramitam há mais de dez anos.Entre as propostas que se arrastam, há temas polêmicos como a legalização do jogo do bicho, o fim do voto obrigatório e a implementação do parlamentarismo; outros urgentes como a regulamentação do uso científico de animais para pesquisa, ou ainda a reposição florestal.Levantamento feito pela Câmara a pedido da Folha mostra que entre as propostas que o Congresso se recusa a votar estão algumas de autoria dos ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Itamar Franco, do ex-ministro Jarbas Passarinho, do governador José Serra (PSDB-SP), do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP), da ministra Marta Suplicy (Turismo), de quando eram parlamentares.Há 18 anos, o então senador Fernando Henrique apresentou projeto que prevê taxar grandes fortunas. O texto demorou três anos para ser aprovado nas comissões e está pronto para ser votado no plenário desde 2000. Já se passaram 12 anos em que Marta Suplicy, como deputada, apresentou projeto prevendo a união civil entre pessoas do mesmo sexo. Em 2001, o projeto chegou a ser colocado na pauta de votação, mas foi retirado por falta de acordo dos líderes.
Científico
Em 1995, o então deputado Sérgio Arouca (PPS-RJ) apresentou projeto regulamentando o uso científico de animais em pesquisa. Empacado na pauta do plenário, o projeto teria evitado que vereadores do Rio tentassem proibir o uso de animais em pesquisas, o que não ocorreu devido a protestos da comunidade científica.Há 11 anos, o Congresso discute o fim do nepotismo. O projeto apresentado pelo então deputado Aldo Arantes (PC do B-GO) que veda a nomeação de parentes nos Três Poderes já foi pautado pelo presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), mais de dez vezes em 2007, mas sua votação nunca passou de intenção.Pesquisa feita pela Folha no início desta legislatura revelou que pelo menos 52 deputados contrataram parentes em seus gabinetes. Diretores do Senado lotearam cargos com a indicação de familiares, o que seria proibido com a lei.A discussão sobre a contribuição sindical também se arrasta há anos no Congresso. Projeto do então senador Nelson Carneiro (RJ) foi apresentado em 1986 e prevê que os sindicatos poderão movimentar o valor sem interferência do Ministério do Trabalho.A tramitação de propostas por tanto tempo na Câmara é possível porque o regimento interno prevê que se forem aprovados em todas as comissões, os projetos não são arquivados nunca. Diferentemente do Senado, que tem como regra o arquivamento automático depois de oito anos se a pessoa não for reeleita.O Congresso também não enfrenta discussões como a troca do presidencialismo pelo parlamentarismo. Em 1995, Eduardo Jorge (SP) apresentou projeto nesse sentido.

Com base recorde em 2007, Lula fracassa no Congresso

Por Silvio Navarro e Maria Clara Cabral
na Folha de São Paulo

No ano em que montou a maior base parlamentar desde 1990 na Câmara e tinha maioria dos votos nominais no Senado, o governo Lula teve produtividade inexpressiva no Congresso, foi alvejado com a queda de Renan Calheiros (PMDB-AL) e fechou o semestre com a histórica derrota da CPMF.Levantamento feito pela Folha na Secretaria Geral da Câmara mostra que, desde o início do mandato de Fernando Collor de Melo (1990), um governo não era respaldado por uma base parlamentar tão grande, controlando mais de três quartos da Casa -o apoio nominal é de 76,2%. O desempenho, porém, ficou abaixo de 2006, apesar da paralisia do ano eleitoral.Para construir essa base, o governo conta com o apoio majoritário do PMDB e seu bloco de partidos nanicos satélites (104 cadeiras); do "bloquinho", que reúne PDT, PSB e PC do B; e de aliados que acompanham o Palácio do Planalto desde o primeiro mandato -PR, PP e PTB.A produtividade, que é por regra associada à vontade política do Planalto e sua base, foi baixa. A Câmara aprovou menos projetos (142) do que em 2006 (168). Foram 143 votações neste ano contra 179.Se tomada a média de sessões deliberativas e votações realizadas, o resultado da equação é ainda pior na gestão de Arlindo Chinaglia (PT-SP), com números que sugerem muito debate e pouca votação: média de 0,7 matéria votada por sessão. Em 2006, essa média foi de 1,3 por sessão. Em 2005, quando o Congresso esteve à mercê do escândalo do mensalão e a Câmara, especialmente, da queda de Severino Cavalcanti (PP-PE), a média foi de 1,6.Não saíram do papel grandes projetos, como as reformas política e tributária e o fim do voto secreto. Emperrou na Câmara o pacote de segurança pública.Em 2006, apesar do calendário eleitoral, a Câmara votou a "minirreforma" do Judiciário, a Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, a criação do Refis 3 (terceiro programa de refinanciamento de dívidas tributárias), a recriação da Sudene, e a Lei da Mata Atlântica.Do ponto de vista administrativo, aprovou em 2006 projeto que acabava com a remuneração adicional dos parlamentares nas convocações extraordinárias do Congresso.Outro dado que também mostra o quanto a Câmara de Chinaglia teve outras prioridades é o salto no número de sessões solenes: foram 64 neste ano, contra 20 em 2006. Na prática, desde a votação da CPMF, em 8 de outubro, a Câmara parou de funcionar. A pauta fecha o ano trancada por seis medidas provisórias.A Folha procurou Chinaglia, mas ele não se manifestou. Em entrevista coletiva na quinta-feira, falou em "divergências dentro do governo" que atrasam as votações e criticou o excesso de medidas provisórias enviadas pelo Executivo.
Senado
Mas foi no Senado que o governo teve a maior dor de cabeça em 2007, com a sucessão de denúncias que acabaram derrubando Renan Calheiros, aliado estratégico do Planalto à frente da Casa. A crise começou no final de maio e se estendeu até dezembro, passando por duas votações de processos de perda de mandato em plenário.Renan foi absolvido nos dois processos, mas enquanto ficou no cargo a oposição se recusou a votar. Ao contrário da Câmara, no Senado a margem de votos do governo é apertada e inclui "rebeldes" na base aliada.Foram sete "traições" na base que selaram a derrota da emenda que prorrogava a CPMF até 2011. Ao assumir a direção do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), foi direto em seu discurso de posse: "Não há por que ocultar, é um momento traumático. Os últimos acontecimentos aproximaram o Senado de limites que jamais poderiam ser ultrapassados".No total, foram 1.112 matérias aprovadas em 132 sessões, mas a maioria das votações foi protocolar, como requerimentos (170), concessões de telecomunicações (306) e escolhas de autoridades (70). A votação mais importante na Casa foi a continuidade da DRU (Desvinculação de Receitas da União), que permite ao governo gastar livremente 20% das receitas dos principais tributos.Além disso, o governo fechou o ano no Senado com indicativos de que sua base real não tem os 53 votos nominais, ficando cada vez mais dependente do PMDB -maior bancada, com 20 senadores.A crise que assolou o Congresso também foi cercada de problemas na articulação política, com a saída do ministro Walfrido dos Mares Guia (Relações Institucionais), arrolado na denúncia do valerioduto mineiro. Foi substituído pelo deputado José Múcio Monteiro, que estreou no cargo com a derrota da CPMF no Senado.

Nem sempre foi assim

É importante a gente lembrar que estes abraços políticos não duram muito tempo. O PP do governador de Goiás Alcides Rodrigues, o popular Cidinho, está enamorando o PMDB de Íris Rezende e Maguito Vilela. Nem sempre foi assim. É importante a gente relembrar o passado, o que cada político disse. Numa entrevista dada ao jornal Tribuna do Planalto Cidinho disse: O candidato Maguito Vilela (PMDB) está prometendo asfaltar todas as ruas de Goiás, assim como foi a proposta principal na vitória do prefeito de Goiânia, Iris Rezende (PMDB), quando prometeu asfaltar todas as ruas da capital, em 2004. Quem falou em asfaltar todo o Estado pela primeira vez fui eu. Iris copiou aquilo que o Estado fez e está fazendo há muito tempo. O PMDB é que copia. E o primeiro e único que teve a ousadia de lançar o plano de governo fui eu. E lá no meu plano de governo, está a nossa disposição de asfaltar todas as ruas e avenidas habitadas dos municípios do Estado de Goiás. E nós temos credibilidade para fazer isto.

Isso é muito, muito ruim



Ver o governador de Goiás Alcides Rodrigues, o popular Cidinho, abraçando o prefeito de Goiânia Íris Rezende só confirma a minha tese de que não existe oposição em Goiás. O abraço do governo e da oposição só permite que Cidinho faça o que ele quiser, como exemplo, não explicar a crise financeira que assola o estado. Assim que acabaram as eleições de 2006, o PMDB havia prometido cobrar as promessas feitas por Cidinho durante a campanha. Será que algum peemedebista lembrou de cobrar do governador aquela promessa de dividir metade das secretarias para as mulheres e a outra metade para os homens? Ver Cidinho abraçando Íris é muito, muito ruim. Só confirma a minha tese de que nos próximos três anos de governo Cidinho não será importunado pela oposição. Os oposicionistas vão dar uma trégua ao governo. E quando isso acontece é muito, muito ruim.

Otimismo?

Segundo reportagem assinada por Reynaldo Rocha no jornal O Sucesso de hoje a reforma administrativa do governador Alcides Rodrigues, o popular Cidinho, já começa a despertar otimismo. Otimismo? A reportagem diz que Cidinho já espera em meados de 2008 colher os frutos da reforma. Em meados de 2008 estaremos em clima eleitoral. No final de 2008 estaremos em clima de ressaca eleitoral. O então governador Marconi Perillo inventou secretarias para abrigar seus aliados derrotados nas eleições. Será que Cidinho vai fazer o mesmo e melar de vez a reforma administrativa? Eu acredito que sim porque Cidinho e Marconi são a mesma coisa. Quem disse isso foi o próprio Marconi numa entrevista ao Jornal Opção no final de março de 2006: Todos os projetos do nosso governo foram implementados a quatro mãos, Marconi e Alcides. Ele não só vai dar continuidade a todos esses projetos, como também irá ampliá-los e melhorá-los na medida do possível. Desde o anúncio da reforma administrativa eu já apresentava aqui a minha descrença. Se o governo cortar algum cargo, alguma secretaria, os demitidos vão voltar ao estado de alguma forma. Se Cidinho colher os frutos da reforma administrativa em meados de 2008, como ele espera, terá que vender a safra para curar a ressaca eleitoral no final do ano.

A esperteza de Marconi

É claro que Marconi Perillo vai participar da escolha do nome do candidato do Palácio das Esmeraldas à Prefeitura de Goiânia. A decisão final será dele. Porém, Marconi diz que o comando é do governador de Goiás Alcides Rodrigues, o popular Cidinho. Marconi é esperto. Na frente das câmeras de televisão e dos microfones dos repórteres afirma que Cidinho é quem vai comandar a campanha eleitoral da base aliada no ano que vem, mas, nos bastidores, é ele que dará a decisão final. Ao afirmar que Cidinho é o chefe Marconi retira de si toda a culpa de um possível fracasso de mais uma candidatura do Palácio das Esmeraldas rumo ao Paço Municipal. Esperto o menino da camisa azul, não?

Arruda mentiu

Um trecho do editorial do Jornal Opção desta semana:

Guardadas as diferenças de proporção histórica, pode-se comparar o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, com Churchill e o político que derrotou o político inglês com Roriz. Com a distância histórica, quem vai ser julgado melhor: Arruda ou Roriz? Evidente que ainda não se pode saber, mas os dados iniciais indicam que Arruda pode ser lembrado como o gestor que pôs a casa em ordem e organizou uma forma sustentada de investimentos e Roriz será rememorado como o gestor do submundo, dos negócios nebulosos.

O editorial faz um grande louvor à administração de José Roberto Arruda a frente do governo do Distrito Federal. Também desce a lenha no ex-governador e ex-senador Joaquim Roriz. Concordo com as críticas feitas à Roriz. Discordo dos louvores à Arruda. O editorial não menciona que, há quase sete anos, este mesmo José Roberto Arruda renunciava ao mandato de senador por ter violado o painel do Senado que registrara os votos da sessão que cassou Luiz Estevão, o primeiro senador expurgado do Senado na história da República brasileira. Transcrevo abaixo um trecho de uma reportagem da revista Veja que falava sobre a violação do painel do Senado. Ah, só um lembrete. Arruda não estava sozinho. Antônio Carlos Magalhães também participou da quebra do sigilo do painel. Vamos a Veja do dia 02 de maio de 2001:

E, agora, outros dois senadores se acham com a cabeça na guilhotina, sob a ameaça concretíssima de sofrer um processo de cassação do mandato: o ex-tucano José Roberto Arruda, líder do governo de Fernando Henrique Cardoso até duas semanas atrás, e o ex-presidente do Senado Antonio Carlos Magalhães, do PFL baiano. A acusação que pesa contra eles é de terem violado o painel eletrônico do Senado para descobrir como votou cada colega na sessão em que foi cassado o mandato do senador Luiz Estevão. Teriam ferido, portanto, a regra central sobre a qual se baseiam as democracias: o segredo do voto. Na crise atual o que mais choca a opinião pública, no entanto, é o festival de mentiras que tomou conta do Senado da República.

Na semana passada, num intervalo de apenas quatro dias, Arruda e ACM, ambos encurralados por revelações avassaladoras de funcionários que trabalhavam no setor de informática do Senado, viveram o constrangimento de vir a público desdizer o que haviam afirmado categoricamente antes. Os anais do Senado jamais registraram uma mentira de forma tão irretorquível e esmagadora. A cronologia:

.Em 18 de abril, o senador Arruda, ainda líder do governo no Senado, sobe à tribuna e, com a fúria de um vulcão explodindo, diz que jamais leu ou viu a lista de votação da cassação de Estevão.

.Em 23 de abril, o mesmíssimo senador, já ex-líder do governo, sobe à mesma tribuna e, lágrimas nos olhos, confessa que leu e viu a lista de votação da cassação.

.Em 17 de abril, no plenário do Senado, Antonio Carlos afirma aos colegas: "Não recebi lista nenhuma nem me foi entregue por ninguém lista alguma".

.Em 26 de abril, em depoimento ao Conselho de Ética do Senado, ACM admite que recebeu a lista em seu gabinete, leu-a voto por voto e depois a destruiu.

Não se pode confiar na palavra de político. Político mente. Um dia antes da votação que cassaria ou não o mandato do senador Renan Canalheiros, a Folha de São Paulo fez uma pesquisa com os senadores e constatou que a maioria dos entrevistados votaria pela cassação do Rei do Gado. Eles mentiram! Renan Canalheiros foi absolvido dos dois processos que pediam sua cabeça. Hoje, fora da Presidência do Senado, Renan tenta ser apenas um senador e evitar os holofotes da mídia. Como mostra a reportagem da revista Veja do começo de maio de 2001, José Roberto Arruda mentiu na tribuna do Senado. Ao contrário do editorial do Jornal Opção, não acredito que Arruda seja superior à Roriz. Os dois estão no mesmo nível. Os dois eram senadores. Os dois renunciaram ao mandato por causa de denúncias de corrupção. O editorial não fala dos podres de Arruda no ano de 2001. Mas eu lembro aqui. Com a distância histórica tanto José Roberto Arruda como Joaquim Roriz serão julgados da mesma forma: senadores que renunciaram ao mandato depois de sujar a imagem do Senado brasileiro.